Ênio Padilha - engenheiro, escritor e palestrante - www.eniopadilha.com.br


"Viver num mundo sem tomar consciência do significado do mundo é como vagar por uma imensa biblioteca sem tocar os livros."


DAN BROWN
(no livro "O Símbolo Perdido", de 2009)

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Artigo

POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA ?

Sábado, 01 de janeiro de 2000 - 00h00min

(Esta série de 4 artigos foi publicada originalmente newsletter “Três Minutos” que é enviada semanalmente para os leitores cadastrados no site www.eniopadilha.com.br)



POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA (1)
Meu grande amigo Francisco Maia Neto, de Belo Horizonte, faz uma observação inte-ressante: (antes da observação, porém, uma breve apresentação: Maia Neto é escritor, pa-lestrante, consultor, engenheiro e advogado (e exerce, com brilho, cada uma dessas ativi-dades), além de ser, como eu já disse, um grande amigo).

Como eu dizia, ele tem uma observação interessante sobre como os profissionais ava-liam suas respectivas entidades: O advogado, diz ele, fala da OAB com o peito estufado e a cabeça erguida. Refere-se à ela como "A ORDEM !". Assim mesmo, com todas as letras maiúsculas, em negrito... e com ponto de exclamação ! O engenheiro fala "esse crea", as-sim, como se estivesse dizendo um palavrão, cuspindo um sapo... "essa coisa !".

A minha experiência de 20 anos de engenharia, muitos dos quais dedicados a convi-vência com os colegas, em Entidades de Classe, me ajudam a confirmar a opinião de Maia Neto. É isso mesmo !

A questão, porém, é: por que ?
Por que odiamos tanto o CREA? Por que o CREA é uma instituição com um índice de rejeição tão forte entre seus próprios integrantes ? Por que a convivência do CREA com engenheiros, arquitetos, agrônomos e demais profissionais a ele ligados é tão desencontrada (pra não dizer tumultuada e mal-resolvida) ?

A resposta, se me permitem uma tentativa, está em uma única palavra: COMUNICA-ÇÃO.
O certo, talvez, seria dizer "a falta de comunicação". Ou, se preferirmos, uma comu-nicação mal-feita ou equivocada.

Eu conheço bem os CREAs. Conheço todos os CREAs, do Brasil inteiro. E posso ga-rantir que nenhum deles faz justiça aos defeitos que lhes são atribuídos.
As pessoas que "tocam" a instituição (os Diretores, os Conselheiros, os Inspetores, os Fiscais e demais Funcionários) são, salvo raríssimas exceções, razoavelmente competentes e muito bem-intencionados.

Mas a maneira como os CREAs se comunicam com os profissionais é de uma indi-gência que dá pena. Os veículos de comunicação dos CREAs (jornais, revistas, site na in-ternet, newsletters...) são "chapa-branca" demais. E eu nem culpo os jornalistas responsá-veis por isto. Eles cumprem diretrizes que vêm "de cima" e estão, em última análise, de-fendendo o pão e o leite das crianças.

Ocorre que, lá em cima, tem um profissional cuja formação é extremamente cartesia-na. Linear demais. Exata ao extremo. Tudo tem que ser preciso, pontual e, acima de tudo, indiscutível.
Os engenheiros querem transformar um jornal ou uma revista e uma ata ou um documento legal. Não é assim que deve ser.

Quando eu digo que os canais de comunicação dos CREAs são "chapa-branca" me refiro ao direcionamento editorial (que, via de regra, é ideológico e partidário). Falta o "espaço da contradição". Um artigo criticando o CREA ou seu presidente nunca é publicado. Uma matéria que contrarie os interesses da bancada dominante não vai ao ar. Uma nova i-déia só ganha espaço na comunicação do sistema depois que já é "fato consumado". Nunca enquanto é ainda alguma coisa passível de discussão.

Enquanto isso, à boca pequena, nos subterrâneos, nas conversas do dia-a-dia, no boca-a-boca, enfim, crescem e se cristalizam as teses que o sistema não quer discutir abertamen-te.
Os antropólogos sabem muito bem: sem um "espaço de contradição" nenhum sistema tem legitimidade. Sem a discussão dos opostos não há credibilidade na informação.

Os profissionais de publicidade e de jornalismo sabem bem que a atenção e o interesse somente são obtidos com a disputa aberta de questões cruciais.

Os CREAs precisam eleger a comunicação como uma ferramenta essencial para as su-as estratégias de desenvolvimento e valorização profissional. Mas não essa comunicação que está aí. É preciso uma comunicação mais dinâmica, aberta, on-line, descomprometida e livre.

Talvez seja o caso de dar um pouco de asas aos jornalistas. Acho que, com um pouco mais de liberdade eles saberão o que fazer. E todos nós só temos a ganhar.



POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA (2)
Aqui na minha cidade, na semana passada, um acontecimento prosaico nos dá uma explicação do porquê os advogados têm tanto respeito e admiração pela OAB (ou, como foi dito no artigo anterior: "A ORDEM!")

Está nos jornais: Fulana de Tal, 20 anos, durante uma blitz de trânsito, foi abordada de forma truculenta por uma policial militar.
Durante o "qüiproquó" que se seguiu, uma advogada foi acionada para defender a mo-ça. Ao se apresentar para a "otoridade" policial, recebeu uma resposta mal-educada: "Gran-de coisa que tu és advogada!"

Foi o que bastou para que a advogada (além, naturalmente, de todas as ações cabíveis para o caso) acionasse "A ORDEM" para um pedido de desagravo "pelo desrespeito à dig-nidade profissional do advogado frente aos policiais envolvidos no caso".

Casos assim acontecem diariamente pelo Brasil à fora. No interior de São Paulo, vi-mos pela TV, recentemente: uma advogada foi impedida de conversar com o seu cliente, pelo chefe de um presídio de segurança máxima. No dia seguinte, lá estava ela, acompa-nhada do presidente "DA ORDEM" para outro desagravo pela "agressão" à dignidade do profissional. A "Ordem" não quis saber se o cliente era um bandido execrado por toda a so-ciedade ou se o advogado era um figurão ou uma figurinha... Era simplesmente um "colega" que precisava de apoio.

Se um engenheiro for agredido (verbalmente, que seja) por um cliente ou preposto, o que acontece ? Vai reclamar para quem ? Para o Bispo ?
Assim não dá pra trabalhar !

Um grande número de e-mails recebidos (à propósito do primeiro artigo) bate nesta tecla: se um advogado tem um problema a OAB vem em sua defesa, com todas as possibili-dades jurídicas ou de apoio moral. Quando um engenheiro busca o apoio do CREA com um problema qualquer, recebe logo a sentença de que "a função do Conselho não é defender o profissional e sim a profissão."

Esquece o ser humano (o profissional) para se ater a este ser inanimado (a profissão).
Resta-nos recorrer às entidades de classe e aos sindicatos... Mas não é a mesma coisa. Todo mundo sabe!

No nosso sistema profissional (CONFEA/CREA/Entidades de Classe/Sindicatos) o CREA é o único que tem um suporte financeiro, poderes legais e abrangência geográfica para assumir essa função. É o "primo rico" do sistema.

Peraí, Padilha ! É a lei ! A lei diz que o CREA existe para defender a sociedade e o exercício da profissão.
Ok, ok, eu sei da lei, massss... essa lei não pode ser modificada ? Está acima de tudo e de todos, nos condenando a esse resultado catastrófico ?

Nessa hora, faço minhas as palavras do brilhante engenheiro Egydio Herve Neto, de São Paulo, que, em uma nota publicada na Comunidade TQS (um grupo de discussão na In-ternet) escreveu: "Se os profissionais reclamam com razão, a tal Lei - que está acima da razão - precisa ser mudada ou removida por errada e obsoleta. E, infelizmente, os que estão à frente de qualquer entidade, desculpem, não podem usar como pretexto a expressão 'eu sei que você tem razão mas... a Lei (!?) tal, etc...' Se esta tal Lei está acima de Confea e Creas fica difícil até participar pois o profissional entra no jogo quando o time já está perdendo, reclama com razão, e o juiz, baseado em Leis erradas, favorece o time contrário, se é que o exemplo ajuda."

Enquanto isso (enquanto "a lei" não for removida ou alterada) ainda nos resta ações al-ternativas. Alguns CREAs já estão fazendo isso: desenvolver ações de defesa e valorização dos profissionais, e não apenas da profissão. Afinal, a lei diz que o CREA deve defender a sociedade e a profissão. Mas não diz que o CREA não pode defender também o profissio-nal.
Devemos fazer tudo o que a lei determina. E podemos fazer tudo o que a lei não proíbe.



POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA (3)
OK, está certo. Está tudo bem. Mas... já que vão meter a mão no meu bolso, não pode-riam, pelo menos, ser mais delicados? Não poderiam ser menos abusados. Não poderiam ter um tiquinho de sensibilidade e procurar fazer com que eu me sentisse importante e útil (em vez de ser apenas "o otário que paga a conta") ?

Calma, amigo leitor, eu já me explico. Se o caro colega, assim como eu, faz parte do "sistema" CONFEA/CREA, deve ter recebido uma carta por esses dias. Uma carta acompa-nhada de um boleto bancário, referente à anuidade de 2004.

A tal carta que eu recebi tem nove parágrafos. Nos dois primeiros o autor se esforça para que o texto não tenha nenhum sentido e não resulte em nenhum compromisso relevan-te. Nos parágrafos seguintes seguem informações sobre a anuidade (o que inclui o número da resolução do CONFEA que determinou o seu valor) e instruções sobre como efetuar o pagamento.

No penúltimo parágrafo me informam que, pagando a anuidade eu terei direito a uma Certidão de Registro absolutamente "de grátis" (dei pulos de alegria!).
E estamos conversados. Passar bem.

Tudo bem, não me oponho de pagar essa anuidade, como aliás, tenho feito há quase vinte anos. Me orgulho de ser engenheiro, sou simpático ao CREA e não faço parte de uma imensa legião de colegas profissionais que acham simplesmente que o CREA é inútil e, co-mo tal, não deveria existir.
Pelo contrário, vejo com bons olhos a existência do CREA e atribuo a ele um bom conjunto de virtudes. Já escrevi muita coisa em defesa do CONFEA/CREA (o que me cus-tou, obviamente, algumas doloridas pedradas de muita gente).

Quanto ao valor da anuidade, considero até razoável (sabemos que é uma das menores taxas de anuidade entre os Conselhos Profissionais). E, como eu digo sempre, acredito na boa fé e nas boas intenções dos dirigentes quanto aos destinos que darão a esse dinheiro.

Mas a maneira torta como é feito o marketing do sistema me dá nos nervos !

Um pouquinho de sensibilidade e percepção das circunstâncias não faria mal nenhum. É preciso perceber que a cobrança da anuidade (muito mais do que a cobrança das taxas de ART) é, todos os anos, um momento crítico nas relações do CREA com seus clientes (Sim, senhor. Podemos considerar os profissionais como os clientes do sistema, uma vez que são eles que pagam a conta, ainda que não tenham a liberdade de escolher o fornecedor).

Esse momento precisa ser capitalizado de forma mais inteligente. É preciso dar aos clientes uma sensação de inclusão e utilidade. É preciso fazê-los sentirem-se importantes.

Em vez de mandar uma carta seca, apenas com as instruções de como pagar a conta, que tal anexar uma detalhada prestação de contas do exercício anterior (contando o que foi feito com a anuidade que foi paga no ano passado) ?

Que tal uma relação dos eventos realizados? O número de profissionais envolvidos em atividades promovidas ou patrocinadas pelo CREA ? Os convênios em andamento ? As re-lações com outras instituições ? As publicações ? As viagens nacionais e internacionais ? Os prêmios conquistados e concedidos ?

Todos os CREA têm, no final de cada ano, muitas realizações para mostrar aos seus profissionais. Por que não fazem isso ? Será que não têm noção dos efeitos positivos que esse tipo de atitude provocaria ?

Então ficamos combinados: em janeiro do ano que vem, quando eu receber o boleto bancário para pagar a anuidade 2005, espero receber uma detalhada prestação de contas de 2004, contando o destino que foi dado ao meu rico dinheirinho. Para que eu possa me sentir útil e valorizado. E possa me orgulhar cada vez mais de fazer parte de um Conselho Profis-sional da mais alta qualidade.



POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA (4)
O Artigo do Senhor Ronaldo Cardozo Sena, técnico em eletrônica, publicado no site do CREA-MG no dia 6 de abril defende a tese de que o CREA não deveria existir.
Segundo ele, se “a pessoa estuda, recebe habilitação das autoridades competentes para exercer a função, passa a ter responsabilidades, direitos e deveres perante a lei. Todo e qualquer assunto relativo ao exercício desta função deveria ser abordado, questionado, ava-liado e determinado pela lei.”

Antes que se faça aqui a defesa da tese contrária, é importante que se diga que o se-nhor Ronaldo não está sozinho com suas idéias.

Muitos profissionais de Engenharia, Arqui-tetura ou Agronomia compartilham esse sentimento de que os CREAs (e com eles o CON-FEA e todos os demais elementos que compõem o sistema profissional) não têm motivos para existir. Não fazem sentido e que, portanto, são inúteis e indesejáveis.

O senhor Ronaldo usa como exemplo a Carteira de Habilitação para motoristas e o ab-surdo que seria a criação de um CRMH-MG (Conselho Regional de Motoristas Habilitados em Minas Gerais). De fato, senhor Ronaldo, seria um absurdo. Pois um motorista se “for-ma” em um curso de 30 horas e que exige como pré-requisito ao aluno apenas não ser analfabeto. (Ainda assim, não custa lembrar que os DETRANs e DENATRANs da vida nada mais são do que institutos reguladores e fiscalizadores do exercício da condição de Moto-rista Habilitado).

Assim como a condição de motorista, muitas outras profissões são “conquistadas” de forma simples e fácil. E no caso da maioria delas, seu exercício não coloca em risco vidas e patrimônios.

No caso das profissões regulamentadas (como a Medicina, Odontologia, a Advocacia, a Engenharia, a Arquitetura e a Agronomia), os tais Conselhos Regionais e Federais garan-tem que a sociedade não vai ser exposta a profissionais irregulares e garante que os profis-sionais (que fizeram um sólido investimento nas suas formações) não serão expostos à con-corrência desleal de pessoas mal formadas ou até mesmo inescrupulosas.

Eu, por exemplo, que investi 17 anos da minha vida em escolas, até receber o título de engenheiro, acho muito justo que a profissão que me custou tanto investimento só possa ser exercida por outras pessoas que tenham feito o mesmo investimento que eu fiz. Nesse sen-tido, eu penso que o valor pago pela anuidade do CREA nada mais é do que um custo de manutenção para um patrimônio que eu conquistei com muito sacrifício em um curso que durou 3800 horas (mais que 100 vezes o tempo para fazer a carteira de motorista) e exigiu como pré-requisito o segundo grau completo e uma prova de vestibular com altíssimo grau de dificuldade.

E porque, então, engenheiros, arquitetos e agrônomos não podem ter suas profissões regulamentadas e fiscalizadas pela lei comum (essa parece ser a tese do senhor Ronaldo).

Sinceramente, a resposta me parece óbvia: qualquer um que seja alfabetizado e saiba dirigir pode julgar se uma pessoa está dirigindo bem ou não. O exercício de profissões complexas e que exigem tantos anos para a formação de um profissional não pode ser fisca-lizado e regulamentado por “cidadãos comuns”. Seria um desastre (do ponto de vista da justiça)

Graças a Deus o bom senso prevaleceu e a legislação concedeu a médicos, dentistas, advogados, engenheiros, arquitetos, agrônomos e outros profissionais dessa importância, o privilégio de regulamentar e fiscalizar o exercício de suas próprias atividades.

Afinal, eu acho que nem o senhor Ronaldo vai querer morar em um edifício projetado por um motorista de táxi.


ÊNIO PADILHA www.eniopadilha.com.br
(artigo_ep)

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Comentários

solimar de castro bastos - ex-engenheirocivilcassadopelaanuidadedocreamg - itapagipe mg

Quinta, 31 de agosto de 2006 - 19h26min

ok colega tenho ultimamente lendo seus artigos e sobre sua atuação frente as associações de engenheiros regionais na motivação da classe em ainda acreditar valer apena ser engenheiro, moro numa pequena cidade do triangulo com poucos mais de 3000 imóveis mas temso mais de 30 colegas por aqui e apenas o da prefeitura tem emprego e é informal sem salario mínimo e sem aposentadoria pois é cargo de confiança, assim nos os outros ficamos apenas com o diploma na parede, quanto ao mercado e a ação do crea, o errado não é a estrutura como critica, no geral o crea funciona de acordo com a realidade de maercado que não existe, se algum dia vier na associação dos engenheiros de uberaba ou de uberlandia os presidentes terão um imenso prazer em comentar a ação defasta dos inspetores que auto denominam deus apos a posse ao cargo honorífico, então está faltando é a tal pnl aos membros que aceitam ser inspetores.


Maurício Fontana - Arquiteto-Engenheiro de segurança do trabalho - Pelotas

Quarta, 25 de outubro de 2006 - 01h07min

Prezado Ênio. Acho que você tocou no ponto nevrálgico da relação do CREA com seus fiscalizados: a destinação do montante da arrecadação efetuada junto aos profissionais a cada começo de ano. Além disso a tal fiscalização beira o desvairiu. Quase sempre acompanhada da truculência habitual. Cartinhas prematuramente ameaçadoras, muitas vezes por precariedade do controle do próprio órgão. Talvez o problema da entidade seja o abarcamento de tantas categorias profissionais, sim porque quando falamos em engenharia lembramos que ela é dividida hoje em mais de 10, algumas delas não tem sequer uma câmara de representantes. Hoje vemos que um estudo recente concluiu que pouco mais de 30% da classe dos engenheiros atua no mercado, mas pelo jeito isso não é matéria para debate do CONFEA, que parece não ter interesse no engajamento de questões sociais no que tange aos seus próprios credenciados. Mas pra que mexer num castelo tão solidamente edificado, há de pensarem, não achas? Um abraço.


Ênio Padilha - Engenheiro Eletricista - Balneário Camboriú

Quinta, 26 de outubro de 2006 - 14h37min

Meu caro Maurício.
Eu concordo que existe uma inércia muito grande no sistema (Confea/Crea/Mutua/Entidades de Classe/Sindicatos e até mesmo nas Universidades).
E também acho que existe que queira que as coisas continuem exatamente assim como estão.

Então, nós, que queremos que as coisas mudem, precisamos começar a agir. Essa sua atitude, de postar um comentário num site público, manifestando a sua opinião, já é um tipo de ação.
Se mais profissionais começarem a discutir esse tema, cedo ou tarde (cedo, eu espero) essa discussão se tornará importante e INADIÁVEL.
Um abraço


lino alves de almeida - Engenheiro de Operação Edificações - Juazeiro Do Norte

Sábado, 02 de junho de 2007 - 22h10min

Caro Maurício, recentemente o CREA/CE conseguiu cassar a liminar coma qual eu conseguia sobreviver com meus projetos, porém esse não é a minha única restrição em relação ao CREA, em nenhuma época nunca viu-se sequer o esbosso de uma prestação de contas do dinheiro arrecadado.
A falta para os assossiados vai mais além, meu caso eles conseguiram cassar, será que o caso Naia foi resolvido, ou o caso também recente do Metrô de São Paulo.
Acho que só se persegue os pequenos, os grandes atuam insescrupolsamente e nem são notificados ou melhor devem tomar wisky juntos.
Fico feliz em encontrar muita gente que tem não o mesmo pensamento que eu, mas convergente, vamos a essa luta colegas.


Rui Bertim de Campos - Engenheiro de Materiais - Limeira

Quinta, 21 de junho de 2007 - 11h58min

Nós , os "Engeheiros Peões", os Engenheiros Mecanicos, de Produção, de Materiais, Eletrônicos, grande parte dos Elétricos e dos Civis, que sobrevivemos vendendo nosso serviço sob vinculos empregatícios, estamos "totalmente" desamparados por nosso Conselho de Classe. O CREA está parado nos padrões dos anos 50, quando um Engenheiro abria seu escritório e vendia Projetos. O mundo mudou (não discuto se para melhor ou pior) mas nossa entidade parou no tempo. Pagamos uma anuidade sem retorno nenhum. Hoje é impossível a existência de uma entidade sem transparência, que não mostre onde aplicou o que arrecadou (que não é pouco) ou mostre conquistas. O CREA é uma instituição cujo o objetivo é afagar a vaidade de pseudo-líders e continuar executando atividades que eram pertinentes à algumas décadas. As máximas do mundo moderno de trabalho em equipe são incompativeis com a estrutura personalista e retrógrada do CREA. Por isso odiamos esse expoliador de nossos recursos.


Mario Roberto Dal Zot Flores - Eng. Mecânico e Seg. do Trabalho - Santa Rosa - RS

Quinta, 14 de maio de 2009 - 10h51min

Concordo em gênero, número e grau com todas as manifestações supra citadas mas, observo que o principal está na própria legislação, que considero anacrônica. Basta observar que a Lei 5194, base principal de ação dos CREAs foi criada no apagar das luzes de 1966 sob um regime e por consequëncia, pensamento e ações autoritárias. A sociedade clamou e conseguiu a tão sonhada democracia, mesmo que torta do jeito que se encontra, mas o sistema CONFEA/CREA continua com o velho cacoete das leis de gabinete sem observar o que se passa com os seus profissionais e sociedade em geral. Hoje com as atuais legislações cíveis, criminais, trabalhistas, e outras, o sistema CONFEA/CREA tornou-se apenas um coadjuvante na condenação de seus profissionais, advertindo ou "cassando" após condenação sentenciada por estas outras legislações. Acho interessante que seja realizada ampla reavaliação de toda a legislação do sistema CONFEA/CREA, observando a atual realidade dos profissionais e da sociedade.


solimar de castro bastos - engenheiro civil - itapagipe mg

Quarta, 27 de maio de 2009 - 17h44min

não achei um link sobre sua ultima postagem com o seminario de alagoas, dá a entender que representa o confea se isto for vedadeiro nunca mais acesso seu site, só sendo engenheiro para saber o quanto é inutil o sistema crea/confea


Livio José da Silva - Professor e Desenhista Industrial na Universidade Federal de Campina Grande - Campina Grande

Sexta, 03 de julho de 2009 - 17h20min

Caro Ênio

O CREA tem que deixar de ser Conselho Regional de Engenharia e ARRECADAÇÃO. São raros os CREAs que fogem do padrão clássico cartesiano. Precisamos promover a aproximação com as universidades e esse é um comentário que faço sistematicamente com meus alunos. O problema é fazer com que a estrutura monolítica do CREA se mova na direção correta. Ainda bem que existem pessoas como você para estimular o debate.


Paulo Sérgio de Jesus Silva - Engenheiro Ambiental - Fernandópolis-SP

Quarta, 12 de maio de 2010 - 11h09min

Caros colegas, deixo aqui uma sugestão a respeito da cobrança de anuidade do sistema CONFEA/CREA: Eles vivem aplicando restrições a nossas atividades. Então, que tal pagarmos somente pelas atribuições que nos concedem. Ou seja, se um engenheiro tem aquelas famigeradas 18 atividades da Res. 218, paga integralmente; se tem menos, paga propircionalmente às atividades que possui como atribuições. Nada mais justo.


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