Ênio Padilha - engenheiro, escritor e palestrante - www.eniopadilha.com.br


"Viver num mundo sem tomar consciência do significado do mundo é como vagar por uma imensa biblioteca sem tocar os livros."


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(no livro "O Símbolo Perdido", de 2009)

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Artigo

A QUESTÃO DO PREÇO

Segunda, 01 de janeiro de 2001 - 06h00min


Um dos principais obstáculos que nós, engenheiros, arquitetos e agrônomos enfrentamos durante nossas negociações com os clientes é a questão do preço.

O leitor mais afoito já deve estar esfregando as mãos, achando que este artigo, finalmente, vai ensinar como lidar com a questão do preço. Mas o que eu tenho a dizer é simples, curto e grosso: esqueça isto. O preço não é um problema que mereça a nossa atenção!

Como assim? Como não é um problema se “todo mundo sabe que os clientes só querem saber do preço!”?
Aí (exatamente aí) é que está o grande engano: a crença, irracional, de que os clientes de engenheiros, arquitetos e agrônomos “só querem saber do preço”.
Não é o cliente que supervaloriza a importância do preço na negociação. Nós é que fazemos isto. Nós é que acreditamos que o preço é um fator determinante para a decisão de compra do cliente quando uma análise mais detalhada mostra exatamente o contrário.

Senão vejamos: tome-se um cliente comum (um dos seus, amigo leitor). Um desses que, na avaliação geral, só se preocupa com preço. Veja o carro que ele tem. É o carro mais barato do mercado? O telefone celular dele? É o mais barato? As roupas que ele usa? O sapato que calça? É tudo comprado em balaio de liquidação? Não? Como assim? Ele não se preocupa só com preço?

E o médico dele? É sempre o recém-formado da hora? O dentista que trata dos dentes dele? O cabeleireiro? o mecânico? A escola onde os filhos dele estudam... O que foi, leitor? Está pensativo? Você começou a se dar conta de que esse cliente, na verdade, só se preocupa com preço quando o negócio é com você?


Então me responda: o que é mais provável, “isso” ou o fato de que, na verdade, o preço não é a questão que determina a decisão de compra desse cliente?

Pense um pouco, leitor. Quais são as coisas que você compra usando o preço como elemento fundamental na decisão de compra? Seu creme dental é o mais barato, suas roupas, sapatos, seu carro, o supermercado onde você faz compras do mês, a cerveja que você bebe no fim de semana... Hmmmm... Se você interromper a leitura agora e fizer uma lista dos produtos que, para você, têm o preço como variável determinante para a decisão de compra chegará à seguinte conclusão:

só existem três coisas que explicam o fato de alguém comprar por preço (utilizando apenas o preço como variável determinante da decisão de compra):

1) quando a pessoa não tem dinheiro para comprar o que gostaria de comprar;

2) Quando não está envolvida diretamente no processo de consumo do produto a ser comprado;

3) Quando acha (está convencida) de que todos os produtos (concorrentes) são iguais.

No nosso caso, os potenciais clientes não se encaixam nem nos dois critérios acima, pois sempre têm dinheiro e, obviamente, estão minimamente interessados no produto final (casa, prédio, indústria, equipamento...) que decorrerá dos nossos serviços. Logo, concluímos que o que o cliente não é sensível ao preço (não quer saber só de preço) o que ele tem e a sensação (convicção) de que os nossos produtos são todos comodities.

Commodity, segundo o dicionário Houaiss, é qualquer bem em estado bruto, geralmente de origem agropecuária ou de extração (mineral ou vegetal) produzido em larga escala mundial e com características físicas homogêneas, seja qual for a sua origem. O termo também define cada um dos produtos primários (café, açúcar, soja, trigo, petróleo, ouro, etc.), cujo preço é determinado pela oferta e procura internacional. Commodities são, portanto, produtos sem diferenciação relevante. Coisas do tipo “água mineral”, “leite em caixinha”, “tangerina-de-beira-de-estrada”...

E desde quando serviço de engenharia, arquitetura ou agronomia é uma commodity?

Aha! Mas aí é que está. O cliente pensa que é. Os clientes, de uma maneira geral, pensam que os engenheiros são todos iguais (o mesmo raciocínio vale para arquitetos e agrônomos). Ora, se todos são iguais, é natural que o preço vire fator determinante para a decisão de compra.

Mas então, meu amigo leitor, o problema não é o fato de o cliente só querer saber do preço. O problema é o cliente pensar que engenheiros são todos iguais. Esse é o problema a ser resolvido. Aprender a fazer guerra de preços não resolve este problema, pois mira no alvo errado. O que nós precisamos aprender é a diferenciar nosso produto, mudar a percepção do cliente sobre o nosso trabalho e fazer com que ele identifique as diferenças que existem entre os profissionais do mercado.
A execução dessa tarefa tem um nome bastante conhecido: marketing!
Só falta você.

ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br
(artigo_ep)

Veja aqui os artigos A QUESTÃO DO PREÇO (2) e A QUESTÃO DO PREÇO (3)

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Comentários

geoneli - empresario - porto alegre

Domingo, 10 de dezembro de 2006 - 17h36min

Excelente matéria. Eu vendo seviços de engenharia, vendo custo benefício, mesmo meu preço sendo mais caro que a concorrência consigo vender. Nós é que fazemos as objeções.
\"Nao vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos.\"


RONIERY MARTINS - TÉCNICO EM EDIFICAÇÃOE - CUIABÁ/MT

Quarta, 24 de janeiro de 2007 - 14h39min

Ótima matéria, isso deixa bem claro que é você que define o seu próprio preço. Peça menos e é isso que conseguirá. Peça mais, e estará sinalizando que vale uma fortuna. Mesmo aqueles que lhe viram as costas o respeitam por sua autoconfiança, e você nem imagina como esse respeito acabara se revelando compensador.


Ênio Padilha - Engenheiro - Balneário Camboriú

Sexta, 26 de janeiro de 2007 - 07h59min

Na mosca, Roniery.
Na mosca!


Fausto de Bessa Braga - Engenheiro Civil - Rio de Janeiro

Sábado, 15 de março de 2008 - 20h50min

Concordo com ressalvas. Infelizmente, a realidade da sociedade brasileira é a do preço mais barato, do "fast food", do "vapt vupt" e pasmem, com a ciência, quando não, com a conviniência de alguns profissionais. Alguns profissionais "derrubam" os próprios profissionais.


Thiago - Advogado - Cuiabá

Quarta, 07 de outubro de 2009 - 18h06min

Muito interessante o artigo Sr. Ênio Padilha , ressaltando que a ausência da valorização de qualquer projeto de engenharia ou arquitetônico.Ao qual tais profissionais é o obrigado a se diferenciar seus produtos perante a concorrência, utilizando de ferramenta o Marketing.


Ênio Padilha - Engenheiro - Balneário Camboriú

Domingo, 25 de outubro de 2009 - 11h46min

recebido por e-mail

----- Original Message -----
From: Erivan Gomes
To: ep@eniopadilha.com.br
Sent: Sunday, October 25, 2009 12:29 PM
Subject: A QUESTÃO DO PREÇO

Caro Padilha,

Fui aluno da UFRN e hoje irei terminar o curso de engenharia civil na UNP e também sou técnico em edificações, neste momento sou funcionário da Santiago Engenharia, empresa aqui do estado totalmente potiguar, pois bem, estava passeando pelo sitio do CREA(mesmo achando que não é uma entidade que pensa totalmente em nós profissionais da área, mas isso seria outra questão) me deparei com seu ‘feliz artigo’ e concordando 100% com suas colocações, sinto-me feliz em saber que temos profissionais preocupados com esse tipo de abordagem.

Estarei divulgando com maior prazer seu artigo. Parabéns.

Que Deus o abençoe.

Comentário de Ênio Padilha
Prezado Amigo
obrigado.
E leia também os outros artigos da série "Questão do Preço". aqui mesmo, no nosso site.
Abraço



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