ENIO PADILHA ENTREVISTA

FRAGMENTOS PRECIOSOS DE ENTREVISTAS




SEBASTIÃO LAURO NAU
Engenheiro Eletricista - Jaraguá do Sul - SC
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"Pra quem entra na Universidade hoje, primeira coisa, procure fazer um bom curso. Procure aprender. Por mais que digam que as suas notas não têm importância e o que importa é você se formar e ter o diploma, isso não é bem verdade. Você tem que ser um bom aluno. Tem que adquirir o conhecimento, porque é esse conhecimento adquirido na universidade que vai lhe dar condições de continuar a aprender. Vai lhe dar disposição para aprender. Deve ser um bom aluno, ou seja: tirar notas boas, sim. Não pensar que isso não é importante. As empresas valorizam quem tem um bom histórico escolar."

"Para quem é recém-formado, trabalhar pode ser considerado até uma continuação da sua vida de estudante, mas não é só isso. Você agora não tem mais compromissos com provas e tudo mais, mas você tem de fazer acontecer. Se você tem um problema para resolver, você tem de resolver. Não adianta você simplesmente saber como resolver: “eu sei como resolver”. Resolva, então!
E pra isso, Ênio, precisa ter humildade, precisa escutar os outros precisa aprender a errar. Não exatamente aprender a errar, mas errar e aprender com os erros.

Tem de se manter sempre aberto a aprender."

"A pessoa que tem soberba, que acha que já aprendeu tudo, que não precisa aprender mais nada, esse é o que não vai ter sucesso nem vai ser contratado, provavelmente. Você tem que sabe muito e o muito que você sabe ainda é muito pouco em relação ao que você pretende saber."

"Saber falar uma língua estrangeira. Se você pretende trabalhar para uma empresa grande você não pode pensar que só o Português é importante. Então, língua estrangeira (no nosso caso o Inglês, naturalmente)"

"Habilidade com informática. Quem não sabe programar ou utilizar os recursos diversos de informática perde muito em relação a quem tem essas habilidades."

"E tem de ter duas habilidades que supostamente são opostas, mas que ambas são importantes: você tem que saber trabalhar em equipe e você tem que saber trabalhar sozinho. As duas coisas. Muitos problemas, muitos desafios vão ser dados pra você resolver sozinho. E muitos, você vai ter de interagir com tantas pessoas dentro da empresa, que se você não souber trabalhar em equipe você não vai conseguir resolver. Saber trabalhar em equipe, é saber ouvir e saber falar. Falar na hora certa e ouvir na hora certa. Ou seja: habilidade de relacionamento. Só isso!"








MAURO FACCIONI FILHO
Engenheiro Eletricista - Florianópolis - SC
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"... é uma preparação psicológica que não veio da escola, no geral. Talvez venha de casa, do ambiente, da família, e que se sente mais preparado para arriscar. O engenheiro, na escola, não é preparado para o risco. Ele é preparado para a certeza. Então quando ele vai se arriscar, esse grupo que, dentro de si trouxe a coragem de se arriscar ele sai pra esse caminho. E aí, a partir da hora que ele tomou esse caminho do risco, se arriscar passsa a ser uma rotina. E, por se arriscar (no risco sempre se aprende), e, no aprender é que vai formando um grupo que carrega uma boa parte das empresas. (...) empresas de nível genérico (uma grande rede de oficinas de caminhão, ou uma grande revenda de Boticário, revenda de franquias, criador de franquias, criador da área têxtil). Tem engenheiros pra tudo. Ele percebe o filão e acaba abandonando lá as diferenciais e integrais, que ele não vai usar mesmo, mas ele mantém aquele espírito desse empreendedor, o que é raro de se achar em outras formações.

(O que existe de “engenheiro” nesse cara que tem, por exemplo, uma rede de franquias?)
Ah, isso aí vem uma coisa da universidade, da faculdade, da escola de engenharia. Acho que tem muito de persistência (são coisas que a gente aprende dentro da escola). Porque, você fazer Física 1, 2, 3, 4... Cálculo 1, 2, 3, 4... listas de 100 exercícios, mês após mês, semana após semana, leva uma nota ruim faz tudo novamente, assim... não é possível, como em cursos que eu tenho visto, por exemplo, na área de administração, da gestão, é possível você, sendo inteligente, você levar o curso, sem essa metodologia. E a engenharia ela nos molda o dia-a-dia, que você tem de ter uma disciplina. Você tem que ter uma organização, tem que ter uma metodologia e tem que persistir. Essas coisas fazem com que o cara, quando sai daí ele carrega isso pra si. Mesmo quando ele abandona a engenharia ele carrega um pouco desse ambiente... de ser metódico, de ter disciplina, de saber que se ele colocar um tijolo a cada dia ele vai chegar lá, no fim da parede."










AUGUSTO PEDREIRA DE FREITAS
Engenheiro Civil - São Paulo - SP
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"Eu Acho, pro bem do profissional, deveria ter residência. Principalmente o profissional de estruturas. Ele não sai preparado psicológicamente pra assumir as responsabilidades que ele vai assumir

Ele sai preparado, tecnicamente?
"Tecnicamente sai"

... mas não psicologicamente
"é... e isso é algo que é recorrente. Vários engenheiros aqui que tiveram problemas psicológicos. Porque uma coisa é você estar projetando lá. Outra coisa é na hora que você está fazendo e pensa: "isso aí tá certo?"

... e, com 22, 23 anos você por de pé um prédio de 80 metros...
"E você não percebe na hora que você está desenvolvendo. Você percebe na hora que o negócio tá subindo. que você vai na obra, dá uma olhada e fala: "putz! é tudo isso?
E aí... aí pesa!"








MARCOS VALLIM
Engenheiro Eletricista - Londrina - PR
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"Nada é tão humano e tão impactante no social como a Engenharia. Eu costumo dizer que o que há de mais humano no ser humano é a tecnologia, porque antes da tecnologia nós éramos animais.

Se a gente for ver, certinho, o que nos distingue dos animais é a capacidade de construir coisas para complementar o que nós não temos.

Nós não tínhamos pele e criamos roupas. Nós não tínhamos força, criamos máquinas... é isso... é a tecnologia que nos torna humanos.

Ao mesmo tempo o pessoal interpreta de que a tecnologia é o que nos desumaniza... (é uma contradição interessante!).

Eu começo as minhas aulas dizendo isto: o primeiro ponto pra você entender a Engenharia é entender que a tecnologia, que é o nosso produto, é o que nos torna mais humanos. Nós somos humanos porque nós criamos tecnologia.

Quando o primeiro macaco pegou um pau, bateu lá e viu que aquilo aumentava o poder dele, ali nós deixamos de ser macaco pra ser homem e naquele ponto (e o Stanley Kubrick faz isso de uma maneira muito linda no filme dele: joga... e o osso se transforma na nave espacial). Isso pra mim é um símbolo, exatamente, da humanidade. A humanidade começa nesse ponto.

Por isso NÃO EXISTE HUMANIDADE SEM TECNOLOGIA. O QUE NOS TORNA HUMANOS É A TECNOLOGIA."







MARCO ANTÔNIO AMIGO
Engenheiro Mecânico - Salvador - BA
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"Tem uma história da obsolescência do conhecimento aí e as pessoas falam muito que você perde 25, 20% ao ano do seu conhecimento.

Olha, eu não acho que essa conta seja uma conta tão fácil.

Porque uma coisa é por que você entra na profissão e as multiplicidades das coisas que você faz quando você é engenheiro júnior, por exemplo, que é até 5 anos de experiência. Até o momento que você passa a ser um engenheiro pleno e, finalmente, um engenheiro sênior.

Então (nós falamos ainda há pouco, da administração) cada vez menos você gerencia detalhes e cada vez mais você passa a gerenciar processos maiores e a integração desses processos.

Então, a não ser que você seja um pesquisador, e aí você vai trabalhar em coisas bem definidas, normalmente você vai ampliar seus horizontes ao longo da profissão. Vai trabalhar, mudar de áreas, trabalhar com outros processos, com outras empresas.
Então, isso é muito dinâmico..."








JEAN TOSETTO
Arquiteto e Urbanista - Paulínia - SP
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





Ênio Padilha pergunta: Qual é o conselho que você daria para um arquiteto recém-formado?

Jean Tosetto responde: "O conselho principal é tentar ser pioneiro. Eu, de certa forma, eu fui pioneiro na minha cidade. Eu fui o primeiro, ou um dos primeiro, a trabalhar com um projeto completo. E a minha cidade, ela começou a crescer no ano que eu me formei. Então, se você é um recém-formado e quer abrir um escritório não adianta você ir lá pro centro de São Paulo, na rua dos Arquitetos. Você vai ser mais um pra concorrer com quem já está estabelecido lá. Não adianta você ir pra Campinas tentar uma sala comercial perto do centro ou no próprio Alphaville, que é o novo centro de Campinas. A Rodovia Dom Pedro virou... A Rodovia Anhanguera tem prédios comerciais. Vai ser difícil. O segredo é você ser corajoso e ir para uma cidade que precisa de você. Existem cidades em crescimento que precisam de arquitetos. E às vezes não têm. Às vezes uma cidade pequena tem de buscar arquiteto a 50, 60 km, num centro maior. Tem colega meu de faculdade que se estabeleceu muito bem em Palmas, no Tocantins. Ainda hoje, se você for para Palmas, no Tocantins é capaz que você tenha mercado. Mas, quem quer ir pra Palmas? É calor. É longe. Você vai se distanciar da sua família, entendeu...

E, lógico, você tem de ser, sempre, profissionalmente correto. Fazer bons trabalhos. Não pode fazer experiência com cliente. O cliente quer fazer a casa dele. Ele não quer fazer a sua experiência, que você tentou fazer na faculdade e não deu certo, não tem que fazer com o valor do cliente. O valor que ele vai investir é pra construir a casa dele, a loja dele. Entreviste ele, saiba o que ele quer, o que ele precisa. Faça um filtro, tira o excesso de "cafonice" que possa acontecer (olha, isso que você pediu é interessante, mas cai num modismo e você vai perder isso a longo prazo. Indo pra uma linha, talvez, mais atemporal...) Mas tenta entender o que ele precisa, o que ele quer. Colabore com ele.

Entenda que você está fazendo uma intervenção na cidade. Arquiteto tem que ser apaixonado pela cidade onde ele trabalha (ou pelas cidades onde ele trabalha). ele tem de gostar.

Eu moro em Paulínia. Paulínia tem os defeitos dela? Tem. Mas eu defendo Paulínia. Pra quem perguntar pra mim sobre Paulínia, eu vou falar bem de Paulínia. Eu sei que tem os defeitos. Sei que tem uns políticos que às vezes pisam na bola. Mas, se você quer ter um escritório você precisa estar inserido na comunidade. Não adianta você ter um escritório motivado por "ah, vou ganhar dinheiro aqui". Não. Você tem que ter a inserção. Participar. Não ficar isolado. Você tem que participar das reuniões da associação local..."








EDISON FLÁVIO MACEDO
Engenheiro Eletricista - Brasília - DF
(Fragmento de entrevista concedida a Ênio Padilha como parte da pesquisa para o livro "Por que é que a gente é assim?" sobre características distintivas de engenheiros, arquitetos e agrônomos)





"(...) porque tem muitos engenheiros que não são engenheiros.
Porque o que caracteriza um engenheiro é o domínio dos engenhos. Do empreendedorismo. E não o domínio dos instrumentais e dos ferramentais matemáticos.
É uma certa vocação que a pessoa tem para visualizar as soluções que sempre se encontram, muitas vezes sob forma de sementes, no meio dos problemas.

Esse é o engenheiro. Enquanto todos estão vendo um problema ele está vendo uma solução ali.

Ele, toda vez que olha um limão, pensa numa limonada. Ou numa torta de limão.

E essa é uma das deficiências das escolas: não despertar nos estudantes de engenharia essa visão de resultados."

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