Disciplina "Gestão De Carreira e Marketing Pessoal" no curso de Pós-graduação em "Iluminação e Design de Interiores" www.ipog.edu.br
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Curso: " Administração de Escritórios de Arquitetura e de Engenharia"
Caro Sr. Engº Enio Padilha,
Lendo alguns de seus artigos, percebi que o Senhor é uma das pessoas que poderia me dar alguns conselhos.
Estou concluindo o Curso de Engenharia Civil mas estou preocupado, pois nao estou confiante com a qualificação e instruções que recebi ao longo dos 4,5 anos de curso, ou seja, Estou prestes e me tornar Engenheiro Civil e TODAS aquelas aulas de Cálculo etc.. não me serviram para nada. NÃO SEI O QUE FAZER.
Quais são, hoje, os requisitos BÁSICOS necessários para um Engenheiro Civil recem formado?
Mateus Pereira | xxx
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)
Resposta de Ênio Padilha
Prezado Mateus
Você não especificou, no seu e-mail, qual é a sua cidade nem a escola na qual você está concluindo seu curso. Portanto, vou dar uma resposta genérica que espero tenha alguma utilidade.
Primeiro, se você escolheu uma faculdade dessas baratas e fáceis... tenho péssimas notícias pra você: você economizou tempo, dinheiro e energia por cinco anos. Mas a conta será cobrada, com muitos juros, nos próximos cinquenta anos.
O primeiro conselho que eu dou a um estudante que pretende fazer Engenharia é "escolher uma boa escola" que tenha compromisso com a educação e tradição de formar bons profissionais. Hoje temos muitas escolas que atraem estudantes com a promessa de conforto e facilidades.
Um curso de engenharia não deve ser escolhido por ser fácil de entrar, por ser perto de casa, por ser barato ou por ser fácil de sair.
A garotada tem de abrir o olho!
A segunda coisa que me chamou atenção no seu e-mail foi uma observação sua. Você diz: "Estou prestes e me tornar Engenheiro Civil e TODAS aquelas aulas de Cálculo etc.. não me serviram para nada."
Mateus, você está COMPLETAMENTE ERRADO!
Todas aquelas aulas de Cálculo, Álgebra, Geometria, Física e outras ciências são justamente as coisas que transformaram você em um Engenheiro.
Tem muita gente, por aí (especialmente o pessoal ligado às construtoras e indústrias) que querem que o engenheiro saia da faculdade com o domínio das PRÁTICAS PROFISSIONAIS. Isto é um erro. E muitos estudantes estão sendo engrupidos com essa lenga-lenga do conhecimento prático.
A única coisa capaz de diferenciar um engenheiro dos demais atores na indústria e na construção é o conhecimento teórico e o domínio da ciência.
Tanto na Indústria quanto na construção já existe gente demais com conhecimento prático. É o pessoal formado na Universidade da Vida.
O engenheiro deve saber pensar; deve saber organizar as idéias, equacionar problemas; escolher os conhecimentos científicos que se aplicam ao problema que precisa ser resolvido.
Este tipo de capacidade só se obtém com o domínio da ciência. Só depois de muitas aulas de Cálculo, Álgebra, Geometria, Física e outras disciplinas que muita gente (os defensores do conhecimento prático) consideram inúteis.
Não estou dizendo aqui que um engenheiro recém-formado não deva (ou não precise) ter conhecimentos práticos. Mas é claro que, bons estágios e atividades extracurriculares já garantem este mínimo. É importante observar que é NORMAL (e, na minha opinião, desejável) que o profissional recém-formado tenha pouco domínio das práticas profissionais. Mas é importante observar que, quanto melhor tiver sido a sua formação teórica, mais rápida e facilmente ele adquirirá a prática necessária.
Algumas faculdades (do tipo Uniestrada) reforçam a carga de atividades práticas para os seus alunos, dando a eles, no final do curso, a falsa impressão de que, por estarem prontos para o mercado de trabalho estão prontos para a carreira profissional. Isto é um erro!
Uma escola de Engenharia não deveria preparar o aluno para o mercado de trabalho e sim para a Carreira Profissional. A diferença é sutil, porém fundamental. O mercado de trabalho é efêmero. Suas necessidades vêm e vão ao sabor das tecnologias e dos setores econômicos dominantes do momento; já a carreira profissional é pra vida inteira. O mercado é imediatista e irresponsável; a carreira é patrimônio individual valioso.
Um profissional preparado para enfrentar a carreira profissional (dominando a ciência e os fundamentos da tecnologia) poderá ter eventual dificuldade para enfrentar o mercado num primeiro momento. Mas logo que consiga fazer as primeiras conexões tenderá a avançar muito mais rapidamente e estará muito melhor preparado para voos mais longos.
Um profissional preparado apenas para enfrentar o mercado de trabalho (assim que se formar). Vai se dar bem num primeiro momento. Mas depois, quando os problemas propostos tiverem níveis de dificuldade que exijam domínio da ciência e dos fundamentos da tecnologia ele obterá resultados cada vez mais pífios e, certamente, será descartado ou preterido.
E preste atenção em outro engodo muito praticado por aí: dizer que o profissional irá desenvolver esses conhecimentos teóricos depois de formado, com o tempo, de acordo com as necessidades.
Bobagem! Se fosse verdade, ninguém precisaria fazer um curso de Engenharia. Bastava fazer um curso técnico, entrar no mercado de trabalho com 17, 18 anos e ir estudando com o tempo, de acordo com as necessidades.
Portanto, Mateus, quero tranquilizá-lo. Todas aquelas aulas de Cálculo, Física etc servirão para alguma coisa, sim. Eu já vi muitos engenheiros dizerem que nunca utilizaram cálculo no exercício de suas atividades. Eu sempre peço que eles reflitam sobre o seguinte: um judoca também não faz abdominais, apoio ou polichinelo durante uma luta. Nem por isso esses exercícios não são fundamentais no treinamento.
Mateus, os requisitos básicos para um Engenheiro Civil recém-formado continuam mais ou menos os mesmos de cinquenta anos atrás: domínio da ciência e dos fundamentos das tecnologias; capacidade de equacionar problemas utilizando esses fundamentos como ferramentas para a solução; capacidade para trabalhar em equipe (liderar e ser liderado) e (não pense que isso é novidade) domínio de um idioma estrangeiro.
Se você aproveitou bem todas aquelas aulas de Cálculo, Álgebra, Física etc e se você teve atividades extracurriculares que desenvolveram as outras habilidades é provável que você se dará bem na carreira. Ainda que tenha alguma dificuldade no mercado, por alguns meses.
Professores, coordenadores e diretores de Escolas de Engenharia precisam ter a coragem de dizer isso para seus alunos. O paraíso não fica ali, na porta da saída da faculdade. Mas existe e está disponível para os que estiverem dispostos a pagar o preço justo.
ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | ep@eniopadilha.com.br
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Caro Prof. Ênio Padilha, estudei Engenharia na década de 80 e naquela época já escutava essa mesma conversa, mesmo com os professores dizendo exatamente o que diz o seu artigo.
Muito boa resposta Prof. Ênio Padilha, também sou estudante do curso de engenharia civil, assim como Mateus Pereira, e acredito que quando ele citou "TODAS aquelas aulas de Cálculo etc.. não me serviram para nada", ele quiz dizer que parece que estudou dias e noites para provas e mais provas em vão, porém acredito que ele esteja enganado, isso que ele está sentindo, todos nós estudantes prestes a nos formar sentimos, que é o medo de estar despreparado para o mercado de trabalho, mas acredito que esse medo seja proveitoso, porque assim nunca estamos satisfeitos com o que aprendemos e sempre estamos buscando mais leituras e aprendizado para nos sentir preparados, porém acredito que somente com experiência profissional aliada aos conhecimentos obtidos na faculdade irão nos dar confiança sobre nossa carreira profissional. Sou estudante do Curso de Engenharia Civil da UPF - RS, atualmente no 10º nível, e nosso curso são 12 semestres. Abraço a todos