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Ênio Padilha

"Nosso trabalho é traduzir para o mundo executivo de Arquitetos e Engenheiros os mais recentes estudos e pesquisas sobre Administração, Estratégia e Marketing.
Nosso objetivo é contribuir para discussões que ajudem a promover
a Valorização da Engenharia e da Arquitetura no Brasil"

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QUAL A REALIDADE NECESSÁRIA?

Fala-se de fome no Brasil. Fala-se de ausência de moradia para a população carente. Fala-se de falta de saneamento. São todos temas relacionados aos profissionais da Engenharia e da Arquitetura. O dia 11 de dezembro homenageia esses profissionais, que não raro sofrem a decepção de perceberem que as soluções técnicas para os males que afligem nosso país são deixadas de lado em detrimento a decisões políticas e interesseiras.

Temos o famoso custo Brasil. Nada mais é do que a soma de todos os déficits que o país possui. O déficit de rodovias, somado ao déficit de saneamento, mais o déficit cultural – por exemplo – formam uma elevada porcentagem do Custo Brasil. Poderíamos citar outros exemplos: há tantos... Para cada um desses déficits, há soluções pesquisadas que sempre passam pelas engenharias e pela arquitetura.

O engenheiro, seja de qual área for, e o arquiteto precisam ter a noção do quanto significam em termos de busca de saídas para os problemas nacionais. O profissional é consciente que a sua formação pode significar a melhoria de vida do indivíduo, representado pelo seu cliente. Mas é pouco. Na verdade, a formação do engenheiro e do arquiteto tem que apontar a necessidade dele pensar o indivíduo dentro de um contexto macro, nacional e até mundial. O projeto de uma casa, por mais que possa aparentar ter importância apenas para o futuro morador da residência, gera impactos a vizinhos e, por conseqüência, à cidade. Se no local existia um terreno que contribuía para drenar a água de chuva e o profissional simplesmente, em seu projeto, determina a impermeabilização de toda a área, teremos provavelmente uma nova casa que contribuirá para a formação de enchentes.

É um pequeno exemplo do quanto o engenheiro e o arquiteto interferem na realidade. E podem interferir de forma positiva. Vale lembrar que as profissões de engenharia e arquitetura trabalham desde o formato ideal de uma cadeira para a melhor saúde de quem a utiliza até a evolução das comunicações. Em tudo há engenharia e arquitetura e a luta do profissional deve ser para que o cidadão – mesmo que não perceba o dedo do engenheiro e do arquiteto em seu dia-a-dia – possa viver a realidade com os menores percalços possíveis, além daqueles inerentes ao ser humano.

O engenheiro e o arquiteto lida com problemas vários gerados naturalmente pela sociedade. Dessa forma, um cerrado de terras desvalorizadas hoje é um campo verde de soja ou branco de algodão. Uma casa extremamente quente, com um bom projeto de arquitetura, ganha conforto térmico. Um trabalhador de construção que despencava de andaimes hoje tem direito a normas de segurança criadas a partir da luta da engenharia. Exemplos apenas do quanto é preciso a valorização do técnico pela sociedade e, por outro lado, o quanto o técnico precisa ter a consciência do seu papel na gestação de um novo modelo de vida.

O dia 11 de dezembro, portanto, é muito mais do que o Dia do Engenheiro e do Arquiteto. O dia 11 de dezembro é o dia para que o profissional de engenharia ou arquitetura reflita que tudo que ele faz contribui para a alteração de realidades. E que se faça a pergunta: qual a realidade ideal para o contexto da minha vida?



* SÁTYRO POHL MOREIRA DE CASTILHO, engenheiro civil, ex-presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), falecido em 13/01/2005.

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Comentários

#1PAULO CESAR BASTOS, Engenheiro civil, Salvador-BA

Sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 - 12h29min

Excelente texto.Continua oportuno e adequado ao momento.
Valeu o resgate e publicação do artigo como uma homenagem à memória do Engenheiro Sátyro Pohl Moreira de Castro.
A engenharia é a força indutora do desenvolvimento e o imã do progresso.
A compreensão do óbvio, no entanto, parece ser difícil.
Vamos continuar avançando em 2012 para a construção de um Brasil sempre melhor.

Comentário do Ênio Padilha

Amigo Paulo Bastos
A intenção foi esta mesma: homenagear o grande Satyro Castilho (um dos melhores amigos que eu fiz na Engenharia) neste final de semana que estou em Cuiabá (para uma aula em um curso de pós-graduação)
E você tem razão: o texto continua atual e válido!


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