Disciplina "Gestão De Carreira e Marketing Pessoal" no curso de Pós-graduação em "Iluminação e Design de Interiores" www.ipog.edu.br
Palestra: " GESTÃO DE CARREIRA E MARKETING PESSOAL" www.uniplac.net
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Curso "Como Organizar e Administrar Escritórios de Engenharia e Arquitetura" www.ceal-londrina.com.br
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Curso: " Administração de Escritórios de Arquitetura e de Engenharia"
É primavera em nosso país. O nome primavera significa “o primeiro verão” cuja origem do significado remonta à Europa para indicar que a luz do sol ressurge a cada ano, após um período em que alguns países se encontravam imersos no inverno. A primavera de lá não coincide com a primavera daqui. Entretanto, o resultado luminoso e térmico é aproximado: a primavera traz mais luz e calor. O toque dessa luz faz desabrochar as flores, faz cantar as cigarras, faz o ar esquentar. Aqui nos trópicos a luz solar bronzeia bastante a nossa pele. Há uma fértil interação entre a vida biológica de nossas células e a energia luminosa que as toca por um período de tempo. É a materialidade da luz em contato com a materialidade biológica de cada um de nós. Energias que se tocam, energias que se trocam. Mas essa poesia energética que recita o ritmo da vida pode também cochichar sílabas sorrateiras. Refiro-me à desorganização do crescimento celular, conhecida pela palavra “câncer”. A pele exposta erroneamente ao sol que a toca e a aquece está sujeita aos tentáculos de uma sombra silenciosa que pode levar nosso corpo à falência.
A pele e a luz natural - Em outubro de 2010 participei aqui em Brasília de uma campanha contra o câncer de pele, a convite de uma médica dermatologista, Dra Lúcia Lyra. Com minha câmera de vídeo digital gravei uma entrevista que ela fez com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Lá pelas tantas eu perguntei a ele qual era o critério para a gente escolher o número correto do filtro solar, já que nas farmácias há vários filtros com diferentes números: fator de proteção 15, 30 ..., 60, etc. Ele disse: “quanto mais clara a pele maior deve ser o número, um negro pode usar o número mais baixo de fator de proteção”. Conclusão: esses filtros são uma resposta para as descobertas da ciência quando se descobriu que a luz do sol que toca nossa pele pode ser benéfica ao ser humano nos primeiros raios da manhã, mas muito prejudicial quando se aproxima o meio-dia quando a exposição frequente à radiação pode determinar o aparecimento do câncer de pele.
A pele e a luz artificial - Na mesma entrevista aprendi outra coisa: a luz artificial com finalidade de bronzeamento artificial está associada ao câncer de pele. Como a faixa de luz vilã dessa história é a ultravioleta e, tendo em vista que essa radiação é a mesma que existe em lâmpadas fluorescentes que tocam nossa pele nos mais variados ambientes de nosso cotidiano, começou a circular na Internet um mito de que lâmpadas fluorescentes estão associadas ao câncer de pele. Entretanto, um estudo recente disponível em www.nema.org realizado pela “Associação dos Fabricantes de Equipamentos Elétricos para Diagnósticos por Imagem”, com sede na Virgínia, EUA, concluiu que 8 horas de exposição aos raios ultravioletas existentes em um ambiente iluminado com lâmpadas fluorescentes equivale a 1 minuto de exposição à luz do sol no verão. Conclusão matemática deles: as lâmpadas fluorescentes não poderiam ser associadas ao câncer de pele.
Quando toca no objeto - A materialidade da luz quando nos toca interpretamos mais facilmente pela sua temperatura. E o que acontece quando ela atinge objetos? Muita gente já experimentou aquela frustração de não poder fotografar obras de arte, já que os disparos dos flashes das máquinas fotográficas contribuiriam para deteriorar as tintas originais usadas nas superfícies de porcelanas, telas, madeiras... papel. E por falar em papel, certa noite fui testemunha do poder da luz quando toca nos objetos. Eu sou tecladista e atuei profissionalmente em todo o Brasil durante os anos 80 e 90. Eu estava no palco para tocar num show do Jorge Benjor que acontecia num palanque armado ao ar livre. O show transcorria tranquilamente, todos nós da banda nos divertíamos, juntamente com o operador de PA e o operador de luz...quando de repente senti um cheiro de queimado, e mesmo o vento do ar livre não dissipava aquele cheiro. Ninguém parecia perceber, eu mantinha a atenção no meu trabalho, nas teclas, nas trocas dos timbres e patches, mas o cheiro ficava mais forte a cada instante. Depois de um tempo olhando para cima e para os lados, encontrei no chão a causa daquele cheiro: uma partitura do repertório havia voado de minha estante e grudou na gelatina de um refletor IMPAR posicionado no chão. A fumaça brotava do centro da partitura. Tive que retirar as mãos do teclado e rapidamente retirei aquela partitura, ou melhor, a ex-partitura que o refletor deglutia com sua luz. Em casa eu olhava aquela partitura com uma mancha escura em forma de círculo no meio da folha com áreas carbonizadas. No dia seguinte aquele cheiro ainda estava lá. A luz torrou dezenas de semínimas, colcheias e semicolcheias.
Adeus lâmpadas incandescentes - Em abril desse ano estive na Eurolucce, em Milão. Não cabe nessa página tudo que vi por lá. Então, vou falar apenas da lâmpada incandescente que tem dia e hora para deixar de existir. Muitos governos decidiram criminalizar a produção desse artefato que no século 19 surgiu como uma solução tecnológica impressionante, já que nossos bisavós não acordariam mais com as narinas enegrecidas e sem o cheiro do querosene impregnado nas roupas, nos cabelos, no ar. A lâmpada incandescente era bem-dizer, um milagre tecnológico para a iluminação artificial. Diversas tecnologias surgiram depois dela e hoje ela é considerada ineficiente porque embora seja projetada para gerar luz, aproximadamente 5% da energia envolvida se converte em luz enquanto 95% é desperdício, é calor. Em 2009 eu estava numa sala com vários professores e profissionais da iluminação na Master School, em São Paulo, e todos falavam da extinção da lâmpada incandescente, todos concordavam com essa decisão, todos citavam o mesmo argumento sob o ponto de vista da eficiência energética, exceto um austríaco radicado em São Paulo que falou: “lá na Finlândia onde faz dezenas de graus abaixo de zero ela é muito eficiente, pois ilumina e esquenta”. Voltando a falar da Eurolucce eu vi um estande com uma homenagem feita pelo designer de luminária alemão Ingo Maurer que numa palestra que fez assumiu a sua paixão pelas incandescentes. Ele teve a ideia de desenhar e fixar algumas asas ao redor de lâmpadas incandescentes (Foto no início deste parágrafo: Farlley Derze, Feira de Milão, abril de 2011). Dá para interpretar sua intenção: a lâmpada incandescente é uma espécie de anjo, uma criatura iluminada que deve ir para o céu, por tudo que fez pela iluminação nas ruas e nas casas nos séculos 19 e 20 (e 21), pelos espaços e superfícies onde sua luz tocou.
Outros toques - Encerro esse bate-papo com a lembrança de outras formas de como a luz toca no espaço, nas superfícies, nos objetos, na vida: 1) a fotossíntese, que significa que a planta produz seu próprio alimento ao ser tocada pela luz; 2) a descarga elétrica que rasga a atmosfera na forma de um raio em seu clarão azulado com 27 mil graus Celsius; 3) o laserpoint usado em palestras; 4) a luz azul usada pelos dentistas para endurecer mais rápido a resina aplicada sobre um dente; 5) a luz invisível de um raio X que toca as partes internas de nosso corpo; 6) a luz do laser que faz tocar um CD ou DVD; 7) a luz do sol que toca nas moléculas d’água em suspensão que resulta no efeito de um arco-íris; 8) a luz que atravessa as lentes dos óculos para aprimorar o foco de nossa visão; 9) a luz que sensibiliza a película de um filme no interior de uma câmera; 10) a luz que atinge nossa retina; 11) a luz da iluminação cênica que brinca com nossa memória, estimula nosso mundo imaginário, toca nossa emoção.
FARLLEY DERZE
Professor do Instituto de Pós-Graduação IPOG, Diretor de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural, membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB . Doutorando em Arquitetura e Urbanismo na FAU/UnB.
Este é o segundo de uma sequência de 5 artigos que falam sobre A LUZ e sua relação com os 5 sentidos. Já publicamos aqui o artigo O Cheiro da Luz, os artigos seguintes são "A cor da Luz", "O som da luz" e "O sabor da luz". A idéia do autor é oferecer uma visão sobre a inserção biológica da luz no seu diálogo com a arte, daí os títulos acerca dos 5 sentidos, de nossas sensações de olfato, visão, tato, audição e paladar.
Os artigos são uma publicação da excelente revista LUZ & CENA.
Vale a pena conhecer. Recomendo.
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