ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA/ENGENHARIA

SEGREDO PROFISSIONAL EM ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA

(Publicado em 01/09/1991)



Todo escritório de Engenharia pode ser definido como uma Usina de Processamento de Informações.
Informação, portanto, é a sua matéria prima básica e o tempo é um bem preciosíssimo que precisa ser super-otimizado
O trabalho do Engenheiro consiste em colher informações (do seu cliente ou do sistema) e processar essas informações (organizar, comparar, passar por fórmulas, gráficos, ábacos, tabelas, checar com normas, verificar custos...), apresentando como resultado as soluções necessárias, em forma de relatórios, desenhos, listas de material, etc.
Um trabalho que custa tempo!

Quando um Engenheiro recém-formado instala seu Escritório de Engenharia, as informações que ele dispõe são aquelas colhidas durante o tempo de faculdade: seus livros, cadernos, apostilas e tabelas fornecidas por professores ou colhidas em catálogos de fabricantes.

Não raro, essas informações são inexpressivas, diante das dificuldades dos trabalhos a realizar. Por isso, na fase inicial, o profissional perde muito tempo (leia-se dinheiro) para fazer qualquer projeto.
O profissional passa então a dispensar uma parte do seu tempo para a leitura/estudo e para organização de mais informações.

Elabora tabelas que facilitam o trabalho corriqueiro, separa textos que auxiliam na análise de casos mais comuns, destaca as normas técnicas mais usadas, elabora algoritmos claros para as tarefas repetitivas...

Com isso, nos trabalhos seguintes, ele começa a ganhar tempo (dinheiro) e percebe que aquele trabalho de organizar as coisas foi um ótimo investimento.

Quanto mais o profissional investe na organização do seu escritório, mais eficiência ele obtém para o seu trabalho. Começa a fazer melhor e mais rápido qualquer tarefa.
Na maioria dos casos, um profissional, depois de uns dois ou três anos, consegue fazer em uma semana o que levava três ou quatro, naqueles primeiros meses pós-formatura.

Tudo isto posto à mesa, temos os elementos para avaliar uma questão que é crítica nas relações entre profissionais ou empresas de Engenharia: a questão do intercâmbio de informações.

Num escritório de Engenharia existem duas atividades que demandam organização de informações: o funcionamento do escritório enquanto Empresa (cadastro de clientes, cadastro de fornecedores, controle de pessoal, controle de custos, marketing...) e as tarefas técnicas específicas (elaboração de projetos, estudos, relatórios, desenhos...).

Em ambos os casos, ao longo do tempo, o profissional vai elaborando tabelas, ábacos, planilhas, algoritmos, enfim, ferramentas que objetivam melhorar a qualidade e reduzir o tempo consumido em cada serviço.

Daí se pode concluir que, quanto maior for a quantidade dessas ferramentas disponíveis em um escritório de Engenharia, menor o tempo (dinheiro) gasto para fazer um projeto, ou estudo, ou relatório ou qualquer outro serviço.

O conjunto de informações organizadas que um profissional dispõe pode fazer a diferença entre conseguir ou não realizar determinado serviço; levar mais ou menos tempo para realizá-lo.

Portanto: quando um profissional põe essas ferramentas à disposição de um colega está viabilizando, para esse colega, a redução dos seus custos diretos de produção.
Em última análise, está fornecendo ao seu concorrente, instrumentos para que ele chegue ao resultado com custos menores e, portanto, com maior poder de competição.

O que fazer ?

O comportamento natural parece ser o da "Operação Moita": não passar adiante nada que seja realmente útil. Assim se diminui a possibilidade de ver "colegas" faturando em cima do investimento alheio. E ai fica todo mundo na base do "cada um por si".

Este procedimento é uma faca de dois gumes, pois o engrandecimento coletivo da categoria é muito mais importante do que o enriquecimento individual, ainda que este conceito não pareça tão óbvio.

O indivíduo é sempre muito vulnerável quando isolado.
Neste sentido, ainda que haja riscos, é necessário fortalecer o grupo, fornecendo-lhe elementos que propiciem o enriquecimento.

A concessão de informações (que, como já foi visto, é um bem valioso), pressupõe algumas coisas muito importantes e nem sempre verificadas.
São necessários critérios claros (para ambos os lados) que regulem este processo:

Primeiro: é necessário definir os limites desse intercâmbio:

Segundo: é necessário um certo comprometimento. Uma sintonia filosófica entre quem dá e quem recebe as informações. Quanto maior essa sintonia, maior é o limite do intercâmbio.

Terceiro: É preciso que haja o entendimento entre as partes envolvidas de que a troca de informações tem por objetivo engrandecer a categoria, abrir e desenvolver mercados, fortalecer o conjunto dos profissionais.
Quem recebe uma informação, precisa perceber claramente o fato de que lhe está sendo fornecida uma coisa muito importante e que, por isto, é (no mínimo) uma deselegância utilizar essas informações para "levar vantagem" sobre quem a forneceu.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




RECADO PARA OS MEUS LEITORES.

Este artigo, publicado em 1991, voltou hoje à esta página em virtude da publicação de um artigo brilhante da sempre genial Lígia Fascioni. Leia AQUI



---Artigo2016 ---Administração ---Financeira

Comentários

#1LIgia Fascioni, Engenheira eletricista, Berlim

domingo, 24 de fevereiro de 2013 - 13h36min

Realmente, você conseguiu sintetizar muito bem a questão, Ênio. Pena que não sei se o apelo de fortalecimento coletivo é suficiente para sensibilizar os profissionais. Prefiro dizer que o próprio profissional é prejudicado quando não compartilha, pois nenhum sistema e tão perfeito que não possa melhorar com a contribuição de outros. Além disso, se ninguém compartilha, todo mundo tem que "reinventar a roda" toda vez. Muito bacana os 3 pontos finais que regulam o processo!

Sempre à frente do seu tempo, heim, amigo? Abraços e parabéns :)

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