Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera
e a estupidez conscienciosa.

MARTIN LUTHER KING JR

(1929-1968)
Ativista político norte-americano e Prêmio Nobel da Paz em 1964

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INDICADORES DE DESEMPENHO NOS ESCRITÓRIOS
DE ARQUITETURA E DE ENGENHARIA

(Publicado em 01/10/2011)



O que não pode ser medido não pode ser controlado, e o que não pode ser controlado não pode ser melhorado.

Esta frase é frequentemente atribuída a William Thomson, conhecido como Lord Kelvin (aquele mesmo, da escala de temperatura que mede o zero absoluto). Há quem diga também que a frase é de Peter Drucker, Jack Welsch, Benjamin Franklin, Leslie Willcocks... enfim... (se alguém souber o verdadeiro autor, agradecemos).
O importante, aqui, é observar como esse conceito é importante na gestão de um negócio. Qualquer negócio. E isso inclui, evidentemente, Escritórios de Engenharia e de Arquitetura.

E AÍ? COMO FOI O ANO QUE PASSOU? Seu escritório melhorou? Seus produtos se tornaram mais competitivos? A sua posição no mercado está melhor agora do que estava no final do ano anterior?

E para este ano? O que podemos esperar? Como poderemos saber (em dezembro) se o ano foi melhor do que os anteriores? Como poderemos dizer se nosso escritório melhorou ou piorou?

A resposta é óbvia. Mas, apesar disso, pouca gente parece levar isso à sério. A resposta é "Indicadores de Desempenho"!

Quando iniciamos nossos estudos de ciências (no meu tempo, em mil novecentos e guaraná com rolha, isso era feito na quinta série do primeiro grau) aprendemos que não podemos medir a temperatura usando a mão, porque a sensação de frio ou de quente varia conforme o calor contido na própria mão. Sem instrumentos de medição adequados e sem parâmetros bem definidos, ficaremos sempre com percepções subjetivas sobre os fatos e, nesse caso, cada pessoa dará sua interpretação de acordo com a sua própria sensibilidade, experiência ou conveniência.

Para chegar ao final de um ano e dizer que o ano foi bom é necessário definir (antes) o que é "bom". Quando falamos de negócios, algumas coisas precisam ser definidas em termos de números. E quais números interessam para a avaliação do desempenho de um Escritório de Arquitetura ou de Engenharia?

É aí que entram em cena os INDICADORES DE DESEMPENHO.
Indicador de desempenho é definido (pela Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade) como "qualquer medição de característica de produtos e processos, utilizado pela organização para avaliar e melhorar seu desempenho e acompanhar o progresso"

Ou... "são os meios pelos quais os objetivos são avaliados e que para serem significativos devem ser mensuráveis, pertinentes e importantes" (OAKLAND, 1994).

Vamos, aqui, propor alguns. O leitor poderá ser muito útil, propondo outros. Conforme as sugestões chegarem, posso até fazer uma revisão deste artigo logo depois.

É importante que cada indicador expresse uma quantidade (um número). Os números são mais fáceis de serem analisados e permitem uma avaliação mais fria da realidade. Indicadores subjetivos não são boas ferramentas.

Um indicador de Desempenho deve ser:

a) Mensurável - É a característica do que pode ser medido (quantificável, objetivo, tangível)

b) Pertinente - Que serve de ligação entre áreas específicas de responsabilidades e os objetivos individuais de desempenho

c) Importante - Que tem relação direta com as atividades com impacto relevante nos resultados principais

Alguns exemplos:

INDICADORES DE DESEMPENHO OPERACIONAL
• Número de funcionários;
• Número de trabalhos concluídos
• Número de trabalhos concluídos dentro do prazo previsto

INDICADORES DE DESEMPENHO COMERCIAL
• Número de clientes atendidos;
• Número de orçamentos (propostas) apresentados;
• Número de serviços contratados;

INDICADORES DE DESEMPENHO FINANCEIRO
• Faturamento (mensal, trimestral semestral ou anual);
• Lucro líquido;

Que outros Indicadores de Desempenho você utiliza no seu escritório? Como você faz a medição? Em que medida ele se relaciona com os objetivos gerais da sua empresa? Por que esse indicador é importante? (Deixe seu comentário abaixo ou Clique AQUI e mande-nos um e-mail)

Uma vez escolhidos os indicadores de desempenho você deverá criar um mecanismo de medição e registro (de outra forma não será possível obter informações confiáveis e, consequentemente, não haverá controle - nem melhoria no desempenho)

Por exemplo: digamos que você tenha estabelecido como um INDICADOR DE DESEMPENHO para o seu escritório o NÚMERO DE PROPOSTAS COMERCIAIS APRESENTADAS.
Nesse caso você deverá criar um mecanismo de registro das propostas elaboradas pelo seu escritório. Você poderá, por exemplo, dar um número (sequencial) para cada uma das propostas feitas. No final do ano saberá quantas foram apresentadas aos clientes. E assim, no final do ano que vem, poderá saber se melhorou, piorou ou manteve na mesma o desempenho. Com essa informação poderá traçar com maior clareza as estratégias para o ano seguinte.

Que tal?





PADILHA, Ênio. 2011






REFERÊNCIAS:
1) OAKLAND, J. S. Gerenciamento da qualidade total. São Paulo: Nobel, 1994.
2) FNQ - Fundação Nacional da Qualidade. Disponível em https://www.fnq.org.br/site/292/default.aspx acesso em 07/01/2011





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A ENGENHARIA BRASILEIRA NO BANCO DOS RÉUS

(Publicado em 11/02/2019)



No excelente artigo ENGENHARIA, A ESPINHA DORSAL PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO, publicado no website do Confea, o presidente, Engenheiro Joel Krüger faz uma observação muito importante. Diz ele:



"Para reverter todo esse quadro é preciso que a Engenharia Nacional volte a ser pensada sobre os quatro pilares fundamentais: planejamento, projeto, execução e manutenção. Não existe Engenharia sem essas fases, que estão diretamente interligadas. Não se faz Engenharia sem planejamento prévio, sem os diversos projetos, do básico ao executivo, sem uma execução minuciosa e, claro, sem a devida manutenção preventiva."





Imagem: Pixabay



O "quadro" ao qual o presidente se refere, e que precisa ser revertido, é a situação de descrédito à qual a Engenharia Brasileira está sendo submetida, à cada novo episódio que desgraça a vida nacional nas últimas décadas. Alguns exemplos:
• A queda do Edifício Palace, no Rio de Janeiro (fev/1998);
• As explosões na Plataforma P36 da Petrobras (mar/2001);
• A explosão do VLS-1 em Alcantara-MA (ago/2003);
• A explosão do avião da TAM (voo JJ3054) (jul/2007);
• O desmoronamento das obras do Metrô de São Paulo (jan/2008);
• O desabamento do teto de uma igreja em São Paulo (jan/2009)
• A queda de vigas de 85t de um viaduto em obras em São Paulo (nov/2009)
• A queda do edifício Real Palace, em Belém-PA (jan/2011);
• A queda de três prédios no Rio de Janeiro (jan/2012);
• O incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria-RS (jan/2013);
• A explosão seguida de incêndio num armazém em São Francisco do Sul-SC (set/2013)
• A queda do viaduto em Belo Horizonte-MG (jun/2014);
• A queda de parte da ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro (abr/2015);
• O Incêndio no Porto de Santos (abr/2015);
• O rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (nov/2015);
• O incêndio do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (dez/2015);
• O incêndio e dasabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, em SP (mai/2018);
• A queda do viaduto da marginal Pinheiros em São Paulo (nov/2018);
• O incêndio do Museu Nacional (set/2018);
• O rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais (jan/2019);
• O incêndio que vitimou 10 jogadores sub15 do Flamengo (fev/2019)

Isso sem citar aqui os desastres naturais cujas consequências poderiam perfeitamente ser evitadas (ou reduzidas) com boa engenharia.

Em cada um dos desastres listados acima a Engenharia, em algum momento ou de alguma forma foi posta no banco dos réus e algumas vezes acabou sendo o destino das únicas punições conhecidas.

Quem me lê a mais tempo já sabe o que eu penso. Já escrevi diversas vezes sobre isso, sempre dizendo a mesma coisa: uma tragédia envolvendo Engenharia nunca ocorre por conta de UM erro de Engenharia, por mais grosseiro que seja. Sempre será uma soma de muitos erros e/ou omissões.

No entanto, por mais que eu me solidarize emocionalmente com o engenheiro, em qualquer uma dessas situações, não podemos tentar enganar ninguém: nesse tipo de ocasião (quando um prédio cai, por exemplo) a culpa é, sim, do engenheiro (de algum engenheiro).

A construção de edifícios com estrutura de Aço, Concreto Armado ou Alvenaria Estrutural é tecnologia dominada. Em muitos lugares se projeta e constrói edifícios de 50, 80, 100 andares em regiões sujeitas a terremotos... e os prédios resistem. Portanto, quando um prédio cai é porque alguma coisa (básica) não foi feita como deveria ter sido.

O problema pode ter sido na sondagem do solo. O estudo e análise do terreno pode ter sido negligenciado. Erro do Engenheiro ou do Geólogo responsável;

Se a sondagem do terreno foi bem feita e a análise do entorno foi correta, pode ter havido erro no projeto das fundações ou da estrutura do edifício. Erro do Engenheiro responsável!

Se o projeto das fundações foi bem feito e os cálculos estão corretos, pode ter havido erro de execução. As fundações ou as estruturas podem ter sido construídas de forma diferente do que estava no projeto. Erro do Engenheiro responsável pela execução da obra!

A execução da obra pode ter sido feita de acordo com o projeto, porém, utilizando-se materiais diferentes dos que foram especificados. Ou materiais de fornecedores duvidosos, que não estejam certificados por instituições confiáveis. Erro do Engenheiro Responsável!

A obra foi finalizada e tudo foi exetutado corretamente. Mas, obras de Engenharia não são feitas para durar eternamente. É necessário que sejam feitas manutenções, inspeções, avaliações de riscos. Isso é responsabilidade (intransferível) de Engenheiros. Sempre tem um engenheiro responsável pelo funcionamento de um elevador, de uma caldeira, de um edifício, de uma usina, de uma barragem, ponte, viaduto...

Pedreiros, carpinteiros, armadores, encanadores, eletricistas, carregadores, ninguém, absolutamente ninguém, além do engenheiro, tem responsabilidade sobre o que acontece numa obra (antes, durante e depois da sua conclusão). É tudo responsabilidade do Engenheiro. É tudo Culpa do Engenheiro!

Os médicos raramente são responsabilizados pela morte de seus pacientes que não receberam o melhor tratamento possível. Os advogados não vão presos com seus clientes que não receberam uma boa defesa. Um arquiteto não é condenado porque o prédio que ele projetou ficou feio, ou pega sol de mais ou vento de menos... Mas os engenheiros têm de viver com essa responsabilidade pela consequência. Seus erros são avaliados e medidos de forma OBJETIVA.

O prédio ficou de pé, firme, forte? Ótimo! Polegar pra cima!

O Prédio teve rachaduras? inclinou para o lado? A umidade tomou conta? teve vazamento na caixa d'água? Caiu?!? Perdeu!!! Polegar para baixo, como Cesar, no coliseu.

Daí a necessidade de a Engenharia Brasileira (aí representada pelos conselhos profissionais, as entidades de classe, os sindicatos e as universidades) tomar para si a reflexão sobre como ensinar isso aos jovens engenheiros: nossa responsabilidade é total. Não existe terceirização. Não existe justificativa aceitável para Engenharia mal feita.

Os políticos têm seus objetivos, os patrões têm suas motivações e suas metas econômicas... mas o engenheiro não pode perder de vista que a responsabilidade não será deles (dos políticos, dos empresários ou dos proprietários das obras). Será dos engenheiros. Sempre.

Neste ano de 2019, em que o Sistema Confea/Crea decidiu que o tema central do 10º Congresso Nacional de Profissionais (CNP) será ESTRATÉGIAS DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA PARA O DESENVOLVIMENTO NACIONAL temos uma janela de oportunidade para colocar essa questão sobre a mesa e discutir qual será a estratégia dos conselhos profissionais, das entidades de classe, dos sindicatos e das universidades para (1) fazer com que os engenheiros não descuidem dessas responsabilidades ao longo de todo o tempo que durar o seu exercício profissional e (2) fazer com que os titulares do poder (políticos, empresários e proprietários de obras) entendam que essa responsabilidade requer autoridade e remuneração adequadas.

A sociedade precisa confiar na Engenharia. Precisa se sentir segura de que a ponte não vai cair, o prédio não vai pegar fogo, a barragem não vai romper... desastre nenhum vai acontecer, porque tem algum engenheiro cuidando de tudo. O progresso do país depende disso.

Basta de desmandos. Basta de puxadinhos. Basta de improvisações. E que se comece pelas grandes obras e grandes interesses.





PADILHA, Ênio. 2019





Leia também: NO FIM, A CULPA É DO ENGENHEIRO!
Pedreiros, carpinteiros, armadores, encanadores, eletricistas, carregadores, ninguém, absolutamente ninguém, além do engenheiro tem responsabilidade sobre o que acontece numa obra. É tudo responsabilidade do Engenheiro. É tudo Culpa do Engenheiro!






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SOBRE A COPA DO MUNDO NO BRASIL

21 artigos inéditos sobre a Copa do Mundo de 2014
E praticamente nenhum deles fala de Futebol. De uma maneira geral os artigos falam da relação nem sempre óbvia do mega evento Copa do Mundo com a Arquitetura e com a Engenharia no Brasil.

Dá uma geral. Clique nos títulos. Reveja alguns dos artigos. E deixe seus comentários.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




• O BRASIL JÁ PERDEU A COPA DE 2014



(07/01/2014)



Desde outubro de 2007, quando o Brasil foi homologado como sede da Copa do Mundo em 2014 eu tive a oportunidade de escrever diversas vezes sobre o tema e sempre repeti a mesma coisa: eu não sou contra a realização da copa do mundo no Brasil. Nunca fui.



(Ler o texto completo...)




• A FIFA É A NOVA GENI.
SE ALGUMA COISA ESTIVER ERRADA, JOGA A CULPA NA FIFA!



(20/01/2014)



No dia 15/01/2014 o Blog Brasília por Chico Sant'Anna, publicou um post sob o título Fifa dá mais um drible nas pretensões de Brasília

Li a matéria inteira (leia você também). Não consegui ver nenhuma relação da notícia com o título da matéria: onde está o DRIBLE da Fifa nas pretensões de Brasília. O que a Fifa fez? Nada. O que temos aí é um caso típico de incompetência e ganância.



(Ler o texto completo...)




• PENSE MELHOR ANTES DE ATIRAR PEDRAS NOS ESTÁDIOS
DA COPA DO MUNDO



(23/01/2014)



Nos blogs e nas redes sociais (especialmente no Facebook e no Twitter) tá uma onda incontrolável de mimimi contra a Copa do Mundo. Tudo bem. Quem não gosta de futebol ou é contra a realização da Copa do Mundo no Brasil tem o direito de se manifestar. Mas, nesse caso, pelo menos utilize argumentos inteligentes.



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• UMA CONVERSA COM QUEM É CONTRA A COPA DO MUNDO NO BRASIL



(07/05/2014)



Não vou deixar de ser amigo de alguém só porque ele é contra a Copa do Mundo no Brasil. Também não quero que ninguém deixe de gostar de mim só por causa disso. Todo mundo tem direito a uma opinião sobre esse assunto. E ninguém é perfeito. Talvez eu esteja errado, não é?



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• JÁ PERDEMOS A COPA DO MUNDO DE 2014
AGORA PERDEMOS OS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016



(10/05/2014)



No dia 07/01/2014 eu publiquei aqui no site um artigo com o título O BRASIL JÁ PERDEU A COPA DO MUNDO DE 2014, lamentando que o nosso país não tenha tido a competencia de mostrar-se à altura do desafio que é organizar uma Copa do mundo, em função dos sucessivos atrasos e desconformidades não só nas obras dos estádios mas também (e principalmente) nas demais obras de mobilidade urbana e de infraestrutura.



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• VITÓRIA DA SELEÇÃO x ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS



(21/05/2014)



"Pensar é o trabalho mais pesado que há, e talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso." (HENRY FORD - 1863-1947)

Infelizmente, os intelectuais de orelha de livro estão com preguiça de analisar o que os números estão GRITANDO.

--- Acreditar que o dinheiro investido na Copa do Mundo resolveria os problemas sociais do Brasil é de uma indigência intelectual absurda. Mas é o pensamento dominante.
--- Acreditar que a eventual vitória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo significa a vitória do PT na eleição de outubro também não tem respaldo na história:



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• OS NÚMEROS DOS JOGOS



(27/05/2014)



Em janeiro, quando eu escrevi o artigo PENSE MELHOR ANTES DE ATIRAR PEDRAS NOS ESTÁDIOS DA COPA DO MUNDO eu ainda era uma voz solitária, tentando chamar atenção para a verdade que os números estão gritando: o problema não é a copa. O problema é como o Brasil gasta mal o dinheiro da Saúde, da Educação e de outros setores.
Deixar de fazer a Copa do Mundo não iria resolver os problemas do Brasil.



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• VAI TER COPA, SIM! (Aqui em casa vai.)



(09/06/2014)



Poisintão: tá chegando a hora! A partir de quinta-feira (12/06/2014) estarei de férias! Vou ver a Copa do Mundo no conforto da minha casa, com três torcedoras entusiasmadas.



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• COMEÇOU O OBA-OBA!



(19/06/2014)



Pra quem não se lembra, eu sempre fui radicalmente a favor da realização da Copa do mundo no Brasil (é só olhar TUDO O QUE EU ESCREVI ATÉ AQUI SOBRE A COPA DO MUNDO DE 2014). Mas nunca acreditei que as obras todas iriam ser concluídas à tempo ou dentro do orçamento previsto (uma coisa ou outra seria perdida)



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• NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DA COPA DO MUNDO



(22/06/2014)



Lula levou o "nunca antes na história desse país" a um outro nível, ao afirmar que "a Inglaterra não estava acostumada a jogar em um campo da qualidade dos que temos aqui, e por isso perdeu os jogos e foi desclassificada da Copa do Mundo"

Foi uma falta de educação com os jogadores e torcedores ingleses.



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• SE ARREPENDIMENTO MATASSE...



(23/06/2014)



A oposição ao governo está pagando um preço alto por ter feito uma oposição burra à realização da Copa do Mundo no Brasil.
Desde 2009 eu estou dizendo (pode conferir): realizar a Copa do Mundo no Brasil é um bom negócio. E é um bom negócio sob vários aspectos. Inclusive econômico.
O problema não é fazer a Copa. É perder algumas das oportunidades de ouro que a Copa nos deu.



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• AS TEORIAS DE CONSPIRAÇÃO



(24/06/2014)



Fico preocupado quando vejo pessoas inteligentes (como os engenheiros e arquitetos, por exemplo) dando atenção a teorias de conspiração como as que procuram chifre em cabeça de cavalo nos resultados das Copas do Mundo.

Pra esse povo recomendo a leitura do livro O ANDAR DO BÊBADO, do Leonard Mlodinov, que trata da aleatoriedade sob a ótica da matemática (estatística e probabilidade).AQUI tem uma resenha muito bacana escrita pela Lígia Fascioni.



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• MUITA MOTIVAÇÃO, MUITA EMOÇÃO... E POUCO FUTEBOL.



(29/06/2014)



Nossos jogadores estão muito motivados, muito emotivos... mas o futebol, que é bom, não está aparecendo. Parece que o Felipão é adepto das técnicas consagradas de alguns desses gurus da motivação e auto ajuda. Isto está me lembrando de 2000, nos Jogos Olímpicos de Sidney, quando o COB contratou um famoso palestrante de auto ajuda para trabalhar na preparação dos atletas. O fracasso da delegação brasileira foi tão retumbante que, alguns dias depois, eu escrevi o seguinte artigo:



(Ler o texto completo...)




• HAVERÁ LEGADO, SIM (1) - OS ELEFANTES BRANCOS (?)



(27/06/2014)



Muito bem. Acabou a primeira fase da Copa do Mundo. Não resta mais dúvidas de que a coisa está indo bem. A turma do "Não vai ter Copa" teve de engolir a derrota e aceitar o fato de que o adversário, dessa vez, era cachorro grande. (sim, estou falando da Fifa. Voltaremos a este assunto mais tarde)

Mas essa turma não se dá por vencida. Agora trocaram o "Não vai ter Copa" pelo "Não vai ter legado!" Pois eu digo: VAI TER LEGADO, SIM. Quem apostar no contrário estará engolindo o próprio discurso daqui a um ano.



(Ler o texto completo...)




• HAVERÁ LEGADO, SIM (2) - OS NOVOS ESTÁDIOS / ARENAS



(30/06/2014)



Quando a Copa do Mundo acabar a Fifa não vai levar com ela os estádios. As novas arenas ficarão aqui e serão utilizadas pelos clubes brasileiros na disputa dos campeonatos estaduais e no Brasileirão (A e B), na Copa do Brasil, na Libertadores, etc.



(Ler o texto completo...)




• HAVERÁ LEGADO, SIM (3) - O PADRÃO FIFA



(01/07/2014)



Uma das coisas que mais me incomodou nas discussões que aconteceram nesses últimos dois anos (2013 e 14) foi a maneira jocosa e com que as pessoas se referiam ao chamado "padrão Fifa".

Quem aí pode negar que uma parte significativa do sucesso desta Copa do Mundo se deve justamente ao chamado "Padrão Fifa"? Limpeza, segurança, conforto, pontualidade e informação com qualidade pré estabelecida. Quem não quer isso?



(Ler o texto completo...)




• HAVERÁ LEGADO, SIM (4) - OS AEROPORTOS



(02/07/2014)



É preciso ter muita má vontade para não admitir que os aeroportos brasileiros (especialmente os das cidades sedes) tiveram melhorias consideráveis.

E, para os que defendem a tese de que "isso é apenas um dever do estado" e que "essas melhorias deveriam ser feitas independentemente de haver ou não a Copa do Mundo" eu digo o seguinte: ok, deveria ser assim. Mas... se vamos falar de sonhos, eu também tenho um sonho: que o Camboriú FC consiga a vaga para a série A do Campeonato Brasileiro!



(Ler o texto completo...)




• A QUEDA DO VIADUTO E A COPA DAS COPAS



(03/07/2014)



A queda do Viaduto em obras na cidade de Belo Horizonte certamente irá baixar, em parte, o fogo das pessoas que estão empolgadas com a tese da COPA DAS COPAS.

Devagar com o andor, gente!



(Ler o texto completo...)




• A OPORTUNIDADE PERDIDA EM CADA DESASTRE



(04/07/2014)



Acidentes como este que acabou de ocorrer em Belo Horizonte, com a queda do Viaduto da Rua Pedro I, são (descontado todo o drama e tragédia para os envolvidos) uma oportunidade para as nossas entidades de classe e conselhos profissionais mostrarem alguma utilidade.

Estou acompanhando as reações da imprensa e do povo (na internet), desde a hora do desastre. A engenharia saiu muito chamuscada nessa história. Os engenheiros estão com o filme muito queimado. Só vejo (leio) gente sentando a lenha na incompetência dos engenheiros envolvidos.



(Ler o texto completo...)




• MEGA SALÁRIOS



(11/07/2014)



Atenção, você, que está compartilhando infográficos questionando os salários dos jogadores da seleção brasileira de futebol. Eu tenho uma reflexão para propor.

Tome por exemplo você. Isso, você mesmo. Qual é a sua profissão? O que você faz para viver? Você é o melhor no que faz na sua empresa? Que ótimo! Parabéns.



(Ler o texto completo...)




• DUNGA REPRESENTA VOCÊ?



(20/07/2014)



Na final da Copa do Mundo de 2014 declarei que torceria pela Seleção da Alemanha, porque me sentia representado pelo que eles incorporam em termos de crenças, valores e princípios.

A Federação Alemã de Futebol (DFB), pelo que faz desde 2002, representa a valorização do estudo, da pesquisa, do conhecimento; a valorização dos profissionais invisíveis (fisioterapêuta, estatístico, psicólogo, professor de português, gestor do marketing...); a valorização do ambiente social, o respeito a todos os que fazem parte do jogo (não apenas dentro do campo).



(Ler o texto completo...)


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CRISE: NÃO É A PRIMEIRA E NÃO SERÁ A ÚLTIMA

(Publicado em 08/07/2016)



Eu queria dizer uma coisa para os jovens (entre 25 a 35 anos) que estão enfrentando sua primeira grande crise econômica no país: não desesperem nem desanimem. O Brasil, acreditem, já enfrentou coisa pior. E nem faz muito tempo.

Eu vou contar aqui como foi (não se impressione com o tamanho do texto) e depois vou dar algumas sugestões de como lidar com as crises econômicas. Não apenas com esta crise. Mas com todas as que ainda estão por vir.




Este artigo foi publicado no TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 19 de 07/07/2016



Pois bem: no dia 28 de fevereiro de 1986 (uma sexta-feira, há 30 anos) o Brasil acordou em polvorosa. Os bancos não abriram. O presidente José Sarney anunciou um Plano audacioso de Estabilização Econômica, que logo recebeu o nome de "Plano Cruzado" (porque a moeda mudou de nome -- de Cruzeiro para Cruzado -- e perdeu três zeros).

A economia não vinha bem. Havia uma certa instabilidade política. O país recém saíra de um regime militar que durara 20 anos. Eram novos tempos.

Com o plano econômico daquele 28 de fevereiro, os preços, o câmbio e os salários foram congelados, foi instituído o gatilho salarial e a população foi chamada para defender os novos paradigmas econômicos. Surgiram os "Fiscais do Sarney" (pergunte para o seu pai ou sua mãe. Eles vão lembrar dos Fiscais do Sarney).

O plano foi um sucesso! A inflação (que no ano anterior foi de 235%) recuou e os salários ganharam fôlego... parecia que os problemas do Brasil, finalmente, haviam sido resolvidos. Mas a calmaria durou pouco. Depois de alguns meses os produtos desapareceram do mercado. O país passou a enfrentar o desabastecimento e o Plano Cruzado começou a fazer água.

Eu me formei engenheiro (na UFSC) em julho de 1986. Bem no meio disso tudo. Abri meu escritório de Engenharia, em Rio do Sul, exatamente quando o Plano Cruzado estava afundando e o governo Sarney anunciava o Plano Cruzado 2, em novembro (alguns dias depois das eleições, claro). O novo Plano trazia o fim do congelamento e a elevação dos preços das tarifas públicas.

Não deu certo. O Plano Cruzado 2 também foi um fiasco e consolidou fracasso do já combalido Plano Cruzado. Foi então que, no início de 1987, o então ministro da Fazenda, Dilson Funaro (o pai do Plano Cruzado) deixou o governo. Em seu lugar assumiu Luiz Carlos Bresser-Pereira, que lançaria outro plano, que levava seu nome (o Plano Bresser). Mais uma vez tivemos o congelamento de preços e salários (por 90 dias). Mais uma vez não deu certo. Era um plano muito ruim. Muito burro. E que insistia em fundamentos do já fracassado Plano Cruzado.

E assim, naquele ano de 1987, a inflação atingiu 415,87%.

No Brasil daquela época já estava instituída a cultura dos pacotes econômicos. A sociedade (a população, a imprensa e, principalmente, os empresários) ficavam especulando sobre o próximo plano econômico, enquanto isso a economia estagnava. Ninguém investia, ninguém fazia projetos. Os escritórios de Arquitetura e de Engenharia quebravam um atrás do outro. A década perdida estava fechando com chave de ouro.

A inflação de 1988 ultrapassou a barreira dos quatro dígitos: bateu em 1.037,53%. Por isso, em janeiro de 1989 houve uma nova tentativa: foi lançado o "Plano Verão", capitaneado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Preços foram congelados, o cruzado perdeu três zeros e passou a se chamar Cruzado Novo.

Novamente, deu tudo errado. E a inflação de 1989 chegou a 1.782.85%. Você leu certo! é isso mesmo: 1.782.85% de inflação num único ano!

UMA ESPERANÇA NO HORIZONTE
Mas em 1989 o Brasil estava cheio de esperanças. Haveria uma eleição para presidente da república. Da disputa entre vários candidatos resultou um segundo turno entre Lula e Fernando Collor. Collor levou a melhor e foi eleito. Tomou posse no dia 15 de março de 1990.

Um dia depois da sua posse Fernando Collor de Mello declarou feriado bancário de dois dias e anunciou seu Plano de Estabilização Econômica. Foi um choque! Estabeleceu-se um pânico na sociedade (especialmente aquela parte da sociedade que produzia riquezas para o país).

O Plano Collor foi, sem dúvida, o mais traumático de todos os planos econômicos, pois promoveu o confisco das poupanças e das contas correntes, além do tabelamento dos preços e da extinção de 24 órgãos do governo. A moeda voltou a se chamar Cruzeiro.

A economia doméstica foi dizimada. Da noite para o dia simplesmente não havia mais dinheiro em circulação pois quem tinha dinheiro em banco (conta corrente ou poupança) simplesmente não poderia utilizá-lo. Foi uma coisa triste demais. Gente que tinha, por exemplo, vendido uma casa para comprar um apartamento, ficou, da noite pro dia, sem a casa e sem o apartamento. Simples assim.

Muita gente sofreu. Casamentos se desfizeram, Pessoas ficaram doentes. Outros, no limite, cometeram suicídio. Era uma coisa terrível!

O Plano Collor, não deu certo. Não venceu a inflação, que, em 1990, chegou a 1.476,71%.

Em janeiro de 1991, a ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciava na TV novas medidas econômicas que congelaram preços, salários e serviços. Era o novo plano econômico do governo Collor. O Plano Collor 2.

O fracasso desse novo plano custou o cargo da ministra que deu lugar a Marcílio Marques Moreira (em maio de 1991). O Brasil inteiro entrou em novo compasso de espera. E vieram novos ajustes na economia. A sucessão de medidas de impacto na economia não foram suficientes: a inflação em 1991 baixou, mas ainda estava em absurdos 480,17%.

O governo Collor começou a afundar com denúncias de corrupção e uma oposição ferrenha exercida principalmente pelo PT, que resultou no pedido de impeachment do presidente. Assim, o programa econômico de Marcílio Marques Moreira, que previa a redução drástica da hiperinflação, foi prejudicado e por fim, suspenso.

Collor acabou caindo, no segundo semestre de 1992. Itamar Franco assumiu o governo e nomeou Gustavo Krause Gonçalves Sobrinho para o Ministério da Fazenda. Krause foi substituído depois por Paulo Roberto Haddad, que logo depois foi substituído por Eliseu Resende. O Brasil trocava mais de Ministro da Fazenda do que os brasileiros trocavam de roupa. E cada ministro novo significava um novo pacote de medidas para a economia. Nada funcionava. Era uma coisa horrorosa ser empresário no Brasil daquela época.

A inflação acumulada de 1992 foi de 1158,0%. Não havia esperanças. Só os loucos empreendiam. Só ganhava dinheiro quem conseguia especular no mercado financeiro, ou seja: quem já tinha dinheiro. Os pobres e os pequenos empresários eram os que mais sofriam.

ITAMAR FRANCO E SEU PLANO FHC
Em maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso assumiu o ministério da Fazenda. Logo em seguida, novo pacote de medidas em que o Cruzeiro Real (CR$) substitui o Cruzeiro, que perdeu três zeros (isso era muito comum em tempos de inflação exorbitante).

As primeiras medidas contra a inflação do novo ministro não surtiram grandes resultados. A inflação acumulada do ano de 1993 foi de 2.780,6%. O Brasil bateu no fundo do poço!

A virada começou quando, em fevereiro de 1994 foi lançado um novo programa de estabilização econômica, chamado Plano FHC. O plano criava a URV (Unidade Real de Valor), indexador que seria base para uma nova moeda que seria lançada mais tarde.

Ninguém mais tinha esperança. Por isso ninguém deu muita importância para um plano econômico que não foi apresentado de forma espetacular. Não houve choque econômico, nem congelamento de preços, nem feriado bancário nem surpresas de nenhuma natureza. Haveria apenas uma transição na qual a sociedade haveria de se reacostumar com preços ancorados e redescobrir o real valor das coisas, até estar pronta para a entrada em cena da tal nova moeda (cuja transição seria, também, sem sobressaltos).

O universo inflacionário no qual o Brasil vivia era insano. Havíamos perdido a noção do valor dos produtos. Com a entrada em cena da URV conseguimos perceber que alguns produtos tinham preços que eram simplesmente absurdos. Uma calça jeans, por exemplo, poderia ter o preço de uma TV das grandes. Um cafezinho poderia custar o preço de um corte de cabelo. Um jantar poderia custar o preço de um equipamento de som. Vivíamos em um mundo sem referências.

A nova moeda, o Real, entrou em circulação em julho de 1994, mantendo a paridade de 1 pra 1 com a URV, o que tornou o processo muito transparente e tranquilo. Com o Real, o país finalmente passou a ter crescimento sem inflação.

ENFIM, NOVOS TEMPOS
Com uma moeda forte e com a inflação finalmente sob controle, o Brasil passou a viver um tempo de estabilidade econômica e de prosperidade. A segunda metade da década de 1990 foi marcada pelo desenvolvimento das empresas e pela introdução de novas tecnologias de produção, que levou alguns escritórios de Arquitetura e de Engenharia a experimentar algumas turbulência (leia mais a respeito disso no artigo A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS que eu escrevi em 2013). Essas turbulências levaram muita gente a achar (equivocadamente) que a tal crise da década de 1980 ainda não havia acabado.

Mas o Brasil havia vencido a crise, definitivamente. E, no início dos anos 2000 todos os índices econômicos navegavam em mar de almirante. Essa estabilidade só foi quebrada em 2002 com a crescente possibilidade de o PT vencer as eleições. Os mercados, ficaram apreensivos e houve uma forte valorização do dólar e até mesmo algum avanço da inflação. Tudo voltou ao normal logo depois da eleição, quando se viu que Lula manteria os principais pilares da economia estabelecidos no governo anterior. No primeiro governo do presidente Lula a economia do Brasil continuou sua viagem em mar de almirante e céu de brigadeiro.

TEMPESTADE NO HORIZONTE
Se Lula teve um governo repleto de crises políticas (especialmente por conta do processo do chamado Mensalão), pelo menos restava-lhe o desempenho da economia. A política ia mal, mas a economia ia bem. No fim o resultado foi bom e Lula conseguiu eleger seu sucessor: Dilma Roussef

No início dos anos 2000, enquanto usufruia de uma economia em ordem e de uma moeda forte, o presidente Lula e seus aliados não cansavam de reclamar da "herança maldita" deixada pelo governo anterior. Dilma Roussef não teve a mesma sorte. Infelizmente (para ela) o seu antecessor não foi Fernando Henrique Cardoso. Ela teria de lidar com a herança deixada por Lula. A herança econômica era ruim, mas a herança política era ainda pior: uma bomba relógio. Uma bomba atômica!

Enfim... deu no que deu. Os números falam por si: (a) o Brasil está mergulhado numa recessão profunda; (b) o rombo nas contas públicas passa dos 70 bilhões (isto é quase dez vezes o que o governo brasileiro gastou com a Copa do mundo); (c) A taxa de juros está acima de 14%; (d) o Brasil teve sua avaliação rebaixada sistematicamente por diversas agências de risco internacionais (está com o nome no Serasa internacional) e (e) o número mais cruel de todos: 11 milhões de desempregados no país!

RESUMINDO: o Brasil enfrenta hoje uma crise quase do tamanho da que enfrentamos na década de 1980.

Muitos jovens não sabem como lidar com isso. Muitos dos veteranos já esqueceram como foi lidar com aquilo (alguns, inclusive, tentaram, durante muitos anos, apagar da memória aqueles anos horrorosos!).

Mas é importante tentar lembrar o que aprendemos naquela crise e que podemos utilizar na travessia da atual?

A melhor coisa a se fazer, em relação a uma crise econômica, é não ser atingido por ela. O problema é que isso não pode ser feito se a crise já está esmurrando a sua porta. Aí já é tarde demais. É importante não deixar a crise chegar nem perto da sua porta. Isso é uma coisa que se faz, principalmente, em tempos de vacas gordas, através da adoção de estratégias de crescimento, estabilidade e segurança (formação profissional, aperfeiçoamento técnico, domínio de técnicas de administração, crescimento profissional, etc, etc, etc).

Observe que em todas as crises econômicas, e em todos os segmentos, existem aquelas empresas que ou não são atingidas pela crise, que sofrem menos o impacto de sua onda de maldades ou ainda que demoram muito mais do que outras até sofrer alguma consequência da crise. Essas empresas são justamente aquelas que estão melhor posicionadas. As que possuem diferenciais competitivos. São aquelas que estão disputando o campeonato da primeira divisão, como eu falei neste artigo AQUI (vale a pena ler). São as empresas mais criativas e com mais recursos (desenvolvidos ou cultivados durante os tempos bons) e que conseguem encontrar oportunidades na crise (e algumas vezes até se beneficiam dela)

Mas, e se a crise já entrou e já abraçou todo mundo? E se a crise já está na sala e você já está sentindo os seus efeitos? o que fazer?

Duas coisas: primeiro, NÃO SUBESTIME A CRISE. A gente tem, muitas vezes, a esperança de que a coisa vai passar. Que é só uma marolinha. Que não vai fazer estrago considerável. E, no fim, transformamos essa esperança em crença. E acreditamos que está tudo bem.

Não faça isso! Acredite na crise. Se ela já chegou ou se ela já está rondando a casa, fique atento. Comece a fazer ajustes, cortes, adaptações. E comece a tomar cuidados. Coloque em ação o seu plano de contingência (O que? você não tem um plano de contingência? Não tem um "Plano B"? Hmmmm.... Bom, já vamos falar nisso, daqui a pouco).

Segundo, durante a crise, além de sobreviver, você precisa se preparar para emergir. Fique certo de que, durante a crise muitos dos seus concorrentes desaparecerão. Quando a crise passar (crises sempre passam) o mercado estará à disposição dos sobreviventes que estiverem melhor preparados. Portanto, estude, leia os livros que estavam atrasados, faça cursos, leia aqueles artigos nas revistas técnicas que você assina e que estão empilhadas na estande... não desperdice o período da crise apenas com lamentações e queixas. Plante. Cultive seus recursos valiosos. Prepare-se para o que vier depois da crise.

Aproveite o tempo para organizar os processos produtivos, para reescrever os modelos de propostas comerciais, os modelos de contratos. Aproveite para atualizar o cadastro de clientes, fornecedores e parceiros. Reorganize e coloque em dia os controles financeiros, Organize treinamentos para a sua equipe, faça uma lista de tarefas atrasadas, reforme ou reorganize os depósitos, coloque a biblioteca em ordem, enfim... prepare-se para quando chegar o tempo das vacas gordas.

Quando as coisas melhorarem, inclua um objetivo nos seu planejamento estratégico: distanciar-se o máximo possível da zona de risco da próxima crise econômica (a próxima crise econômica é uma certeza. Não é uma questão de "se" e sim uma questão de "quando").

Faça reservas de contingência. E tente desenvolver diferenciais competitivos. São eles que levam seu escritório para longe da zona do epicentro da próxima crise econômica. Se a crise não for muito forte, é provável que o seu escritório nem chegue a ser atingido. Se for muito violenta, pelo menos vai demorar mais tempo até que a tempestade o alcance. E, mesmo que ela seja devastadora... com um bom plano de contingência, o seu escritório será, ainda assim, um dos sobreviventes.

E, no fim das contas, o mundo é dos sobreviventes.

Boa sorte.





PADILHA, Ênio. 2016






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JEAN TOSETTO e ÊNIO PADILHA
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