NA MINHA FRACA OPINIÃO

SOBRE O CONFEA

(Publicado em 21/01/2015)



Nas próximas semanas (em data ainda não definida) haverá a posse do Presidente do Confea (reeleito) que estará à frente da instituição por mais três anos.

Se você é engenheiro, agrônomo, geólogo, geógrafo, meteorologista, tecnólogo ou técnico, proponho que faça o teste abaixo:

1) Qual é o nome do Presidente do Confea? Ele é Engenheiro Civil? Engenheiro Eletricista? Agrônomo? Tecnólogo? De que estado brasileiro ele é natural?

2) Você já leu alguma coisa que ele escreveu? (um artigo, um livro, um discurso…)

3) Você tem ideia do que são (na visão dele) as cinco questões mais importantes e urgentes a serem enfrentadas no nosso sistema profissional?

4) Você conhece a posição dele na questão da relação entre os Arquitetos e os Engenheiros no Brasil? Quais foram as suas contribuições para que a relação entre Arquitetos e Engenheiros seja justa, harmônica e produtiva?

5) Qual é a relevância ou influência que o Presidente do Confea tem junto ao governo central, especialmente junto aos ministérios das áreas de Educação, Ciência e Tecnologia?

6) Você sabe o que Presidente do Confea tem feito (ou defendido) sobre questões como (a) O Ensino da Matemática nas escolas brasileiras; (b) a criação de novas faculdades de engenharia no Brasil; (c) o investimento do governo em Ciência e Tecnologia; (d) uso da engenharia como bode expiatório em escândalos de corrupção; (e) autorização para que profissionais de outros países exerçam a Engenharia no Brasil

7) Você tem lido ou visto alguma coisa sobre as relações do Confea com os conselhos profissionais de Engenharia de outros países? Como tem sido essa relação? Houve algum intercâmbio? Aprendemos alguma coisa com os colegas de outros países? Em algum outro país os engenheiros estão copiando as soluções que nós estamos desenvolvendo para a gestão do nosso sistema profissional?

8) Quantos Conselheiros Federais tem o Confea? Como é o nome do Conselheiro do seu Estado? Qual é a principal bandeira encampada e defendida por esse Conselheiro Federal? Ele tem obtido avanços no Confea?

9) Você sabe qual é o Orçamento Anual do Confea? De quanto dinheiro o sistema dispõe para implementar as suas estratégias? Você tem alguma noção de como (no quê) é gasto esse dinheiro?

10) Você considera que as questões apresentadas acima são SEM IMPORTÂNCIA?

Se você respondeu sim para a questão número dez, é provável que você nem esteja mais lendo este artigo. Se ainda estiver aí, está dispensado.

Evidentemente, a conversa não é com você. É assunto para os que ainda acham que o nosso sistema profissional está precisando ser mais transparente, produtivo e influente. As outras questões do teste nos remetem a temas que (no meu entendimento) são importantes para que as nossas profissões seja representada de forma responsável e produtiva.

Há quase trinta anos acompanho o desenvolvimento do nosso sistema profissional. Nos primeiros doze anos de exercício profissional (de 1986 até 1997) atuei como membro de diretorias em entidades de classe e como inspetor do Crea nas regiões onde eu trabalhava.

Nos anos seguintes (a partir de 1998) assumi a condição de observador contribuinte. Não faço mais parte efetiva do sistema, mas tenho interesse em que ele funcione. Não concorro a cargos no sistema (inspetor, conselheiro, presidente) mas não deixo de dar minha contribuição, sempre que me é solicitado. O sistema profissional de Engenharia é da minha conta. Embora eu não emita uma ART por serviços de Engenharia há mais de 16 anos, continuo registrado no meu Crea e pago religiosamente minha anuidade. Tenho, portanto, o direito (e o dever) de pedir ao Crea e ao Confea um mínimo de competência, produtividade e transparência (principalmente transparência, porque as outras coisas decorrem desta).

O Brasil está mergulhando numa crise institucional preocupante. Os ministérios da área de Educação, Ciência e Tecnologia estão entregues a indivíduos sem credenciais para isso. Nossos indicadores de produção científica e de desempenho escolar (principalmente nas áreas de matemática e física) são alarmantes… E o Confea parece achar que o nosso maior problema são as pendências e quizumbas com os arquitetos. Ninguém merece.

A Arquitetura do Brasil é o menor dos nossos problemas! Na verdade, nem é um problema. É muito mais uma oportunidade, penso eu.

Tá na hora de o Confea nos representar. Tá na hora de o Confea assumir a sua missão de defender o exercício profissional e a defesa da sociedade. Tá na hora de enfrentar os problemas que realmente importam. Tá mais do que na hora de fazer valer o imposto (anuidade) que todos os engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas, tecnólogos e técnicos pagam todos os anos.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



—Artigo2015 —Confea —Crea



Para copiar e reproduzir este artigo, conheça nossas REGRAS PARA PUBLICAÇÕES


Faça seu comentário

Favor, evite enviar links, pois seu comentário será recusado.

Seu IP: 54.196.107.247 (Identificação de seu computador na internet)

* campos obrigatórios
Compartilhe: 399