GESTÃO DE CARREIRA

CRENÇAS, VALORES, PRINCÍPIOS, RICARDINHO, BERNARDINHO, BRASIL

(Publicado em 29/07/2007)



O Brasileiro (o ser humano), todos os dias é posto à prova. Às vezes em grandes tragédias, às vezes em episódios triviais e aparentemente desimportantes, somos chamados à dar conta do que realmente somos, no que realmente acreditamos, quais são os nossos valores e nossos princípios.

Nossas crenças são as nossas convicções profundas, sem, necessariamente, justificativas racionais. É o processo mental que a pessoa tem para acreditar em alguma coisa. Uma disposição meramente subjetiva para considerar algo certo ou verdadeiro, por força do hábito ou da vivacidade das impressões sensíveis.

Já os Valores são medidas variáveis de importância que se atribui a alguma coisa. Uma escala pessoal segundo a qual ela decide fazer isso ou aquilo. Apoiar essa ou aquela ideia ou ação.

E os princípios, como consequência, são os ditames morais, regras pessoais. Leis de caráter individual. Preceitos que servem de base para o comportamento do indivíduo quando exposto a determinadas condições. Uma pessoa de princípios tem regras próprias de comportamento, geralmente bem rígidas.

Bernardinho, treinador da seleção brasileira de vôlei, teve de enfrentar o teste das crenças, dos valores e dos princípios, na hora de definir o time que disputaria os Jogos Pan Americanos no Rio.

No mesmo episódio a imprensa e a torcida brasileira também enfrentaram o mesmo teste. Só Bernardinho passou limpo!

O técnico cortou do time o jogador que acabara de ser eleito o melhor jogador do mundo. Segundo o treinador, apesar de excelente jogador, Ricardinho exercia liderança negativa no grupo. Era desagregador e não tinha suficiente senso de justiça e generosidade.

Para a Imprensa (e boa parte da torcida) não importa o que Ricardinho é como pessoa. O que importa é que ele "dá conta do recado dentro da quadra". Se ele é o melhor do mundo não pode ser cortado da seleção.

Assim, insuflados por uma mídia insensível e irresponsável a torcida foi levada imediatamente a deduzir que o corte estava sendo feito apenas para beneficiar o atleta Bruno, filho do treinador, que foi diretamente beneficiado pelo episódio (ninguém parou para fazer uma continha simples de 2 + 2: se fosse para beneficiar Bruninho, teria sido muito mais simples cortar Marcelinho, que já era reserva!). A vaia ao Bruno, no maracanãzinho, quando ele entrou em quadra foi um dos momentos mais patéticos da semana. Queriam Ricardinho à qualquer custo. "Danem-se princípios e valores. Não podemos perder essa medalha!"

Ainda bem que o Brasil tem professores do nível de Bernardinho, pra não nos deixar esquecer que o comportamento e as relações entre as pessoas são mais importantes do que medalhas. Que mesmo campeões do mundo não são perfeitos e precisam, de vez em quando, enfrentar seus demônios. Que não se pode esquecer as sábias palavras do mestre Armando Nogueira: "Quem triunfa sem nobreza não perde, perde-se".



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2007 ---Gestão de Carreira

Comentários

#1Cláudia, Administradora, Balneário Camboriú

domingo, 29 de julho de 2007 - 16h19min

Ótimo, ótimo, ótimo!! Eu não teria feito uma intertextualidade tão objetiva!

#2André Costa, Estudante de engenharia civil, Nova Iguaçu Rj

domingo, 29 de julho de 2007 - 18h05min

Devemos ser cautelosos em julgar, temos que nos informa antes de comentar as atitudes das outras pessoas.

#3Angelo Dias de Barros Filho, engenheiro civil, Belo Horizonte

segunda-feira, 30 de julho de 2007 - 12h13min

Tudo correto, porém a frase no final do Armando Nogueira "Quem triunfa sem nobreza não perde, perde-se".
não seria:"Quem triunfa sem nobreza não GANHA, perde-se".
Descupem-me se estiver errado!

Comentário do Ênio Padilha

Oi, Angelo.
Eu tive a mesma dúvida quando li a frase pela primeira vez. Mas um dia vi o Armando falando a respeito, numa entrevista e ele disse que a frase quer dizer "Quem triunfa sem nobreza não apenas perde. Perde-se!"

Coisas do Marquês de Xapuri.

#4Patricia Lins, Arquiteta, Rio de Janeiro

segunda-feira, 30 de julho de 2007 - 14h42min

Oportuno e adequado o artigo. Aplica-se a fatos relevantes meus , pessoais , e a tristes fatos coletivos que temos enfrentado . Faço minha reflexão visando manter -me firme .

#5Valter Moura da Silva, Designer de interiores, Sao Luis/MA

domingo, 05 de agosto de 2007 - 14h16min

Parabéns pelo artigo. Crenças, valores e principios morais são, ou deveriam ser, o "norte" para a convivênçia social.

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