NA MINHA FRACA OPINIÃO

POR QUE NÃO INCLUO GATILHOS MENTAIS NO CONTEÚDO
DOS MEUS CURSOS E PALESTRAS?

(Publicado em 17/06/2016)



Um dos recursos preferidos dessa turma que o meu amigo Jean Tosetto chama (apropriadamente) de “Gurus da Prosperidade” são os chamados gatilhos mentais. Eu não gosto deles.

Os gatilhos mentais funcionam? Claro que funcionam.
Eles ajudam a persuadir pessoas e fazer negócios? Claro que sim. Existe vasta literatura sobre o assunto.
Então, por que não usá-los? Não sou contra o uso desses recursos. Sou contra ganhar dinheiro ensinando como usar esses recursos. Acho uma coisa de baixo nível. É como vender bombinhas de pólvora na porta de escolas (e dizer, com a cara mais séria do mundo: "olha, isso aqui é legal para se divertir com os amiguinhos, mas, cuidado: não use isso no banheiro nem dentro da sala de aula e nem para assustar os mais velhos").

Quando o guri mais endiabrado resolve juntar umas dez bombinhas e explodir o banheiro da escola... digam o que disserem, o cara que vendeu as bombinhas é cúmplice daquilo. Não importa as instruções que tenham sido dadas.

Eu não vendo bombinhas para crianças!

"Ênio Padilha, você está querendo dizer que os jovens profissionais de Engenharia e Arquitetura (principais alvos dos "gurus da prosperidade") são crianças?"
Não. São apenas jovens. Com muitas inseguranças. Ávidos por sucesso. E estão ainda em processo de amadurecimento intelectual.

Alguém precisa assumir o pesado papel de dizer a eles que o mundo não é uma colônia de férias. Que as coisas são mesmo difíceis. Que o sucesso não está a um ou dois gatilhos mentais de distância. E que a solução de todos os problemas não surgirá em ebooks "de grátis" em blogs da internet que se alimentam de reciclar conceitos das décadas de 1930 ou 40.

Essa nova onda de motivação pessoal e auto ajuda empreendedora que tomou conta da internet já está passando da conta. Você que tem filhos, sobrinhos ou amigos nessa faixa-alvo (22 a 30 anos) faça a sua parte. Diga a eles que leiam os autores originais da PNL (Programação Neuro Linguística) e da literatura de motivação, negociação e vendas (Marco Aurélio, Dale Carnegie, Frank Betger... e até Lair Ribeiro, se quiser).

Os tais gatilhos mentais (Escassez, Urgência, Autoridade, Reciprocidade, Curiosidade, Inimigo Comum, Prova Social, Paradoxo da escolha, História, Antecipação, Novidade, Relação Dor Prazer, Descaso, Compromisso e Coerência, Simplicidade, Referência, e seja mais o que) são bombinhas de pólvora na mão de crianças. Ou, se preferir, armas de manipulação poderosas e perigosas quando colocadas à disposição de quem não tenha ainda elementos para dimensionar os estragos que o mau uso disso pode fazer à sua própria reputação e carreira.

Aliás sobre gatilhos mentais, recomendo apenas que os jovens profissionais leiam a respeito e saibam o que é e do que se trata, para saber quando seus clientes ou empregadores estiverem usando esses recursos contra eles. E (se entenderem direitinho) vão acabar percebendo que esses gurus contemporâneos da auto ajuda empreendedora usam isso o tempo todo.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




---Artigo2016 ---Gestão de Carreira

Comentários

#1Jean Tosetto, Arquiteto e Urbanista, PAULINIA

sexta-feira, 17 de junho de 2016 - 17h27min

Jovem profissional da Arquitetura,

Você não precisa confiar na palavra do professor Ênio Padilha. Nem na minha. Nós escrevemos juntos o livro "Arquiteto 1.0" - e mesmo assim você pode desconfiar da gente. Isto será salutar se você desconfiar também de alguns aventureiros que se arvoram no direito de dar conselhos profissionais de caráter duvidoso na Internet.

Publicar um livro é caro: exige edição, revisão, gráfica e uma série de cuidados. Já publicar um vídeo na Internet é muito fácil e barato, quase de graça. É aí que mora o perigo.

Está com alguma dúvida relacionada com a profissão? É para isso que existe o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, para lhe aconselhar. Não apenas para recolher a taxa da RRT.
Escreva para um conselheiro do CAU. Ele estará habilitado para lhe aconselhar.

Se preferir, procure por uma entidade representativa da sua cidade ou região. Existem associações municipais mistas, e entidades como o IAB, de braços abertos para você.

Desenvolva seu senso crítico e aprenda com os mais experientes. O veterano piloto de automóveis, Mario Andretti, ao aconselhar os pilotos mais jovens disse o seguinte:
"Uma corrida não pode ser ganha na primeira volta, mas pode ser perdida."

Tenha paciência: sua hora vai chegar. Para tanto, seja persistente em fazer as coisas certas.
Não existem atalhos na Arquitetura.

Sim, você não precisa confiar no que escrevo. Mas no fundo você saberá separar o joio do trigo nesta história toda.

Abraços!

Comentário do Ênio Padilha

Boa, Jean.
Você sempre será uma boa referência para qualquer jovem profissional.

#2Petter Maia, Arquiteto e Urbanista, Belo Horizonte

sábado, 18 de junho de 2016 - 13h09min

Eu concordo! E vejo essa quantidade de "coachs" surgindo, com certa preocupação. No início da minha tentativa de abrir um escritório eu recorri a alguns desses gurus da internet, pois todos contam promessas de grande sucesso profissional e prosperidade, mas felizmente tive a sensatez de entender que EU não queria atuar como empreendedor na profissão e sim na área acadêmica. Investi um certo tempo lendo e assistindo o conteúdo desses blogs de marketing digital, justamente para não cair mais nas armadilhas que a gente encontra na internet. Existem muitos consultores sérios, mas tantos outros só querem arrancar o seu dinheiro. Gosto da internet, mas infelizmente ela também potencializa o que algumas pessoas têm de ruim... é preciso muito cuidado. Acredito que o bom e velho "networking" sempre vai ser a melhor tática de marketing pessoal que um profissional possa ter.

Comentário do Ênio Padilha

Perfeito, Petter.
Esse seu comentário, assim como o do Jean Tosetto (acima) e outras manifestações que eu estou recebendo (inbox) me deixam um pouco menos preocupado. Pelo menos sinto que não estou falando sozinho. Tenho outras vozes importantes nessa cruzada.
Obrigado. Sucesso, sempre.

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