JOGOS OLÍMPICOS RIO 2016

JEITINHO BRASILEIRO?

(Publicado em 07/08/2016)



No dia da abertura dos Jogos Olímpicos muitos brasileiros foram surpreendidos pela magnifica apresentação realizada no Maracanã. A imprensa internacional foi unânime em elogiar o resultado, especialmente ao saber que o orçamento para o espetáculo era bem menor do que o disponível para a abertura dos jogos de Londres em 2012.

Nas redes sociais houve muitos comentários positivos. Muitos elogios. E não faltou quem atribuísse o sucesso ao “jeitinho brasileiro”.

Aí eu discordo! Não. Não foi o jeitinho brasileiro que produziu o resultado sensacional que todos nós vimos. Foram, na verdade, coisas que (ao contrário do famigerado jeitinho brasileiro) todos nós deveríamos adotar para todas as outras atividades: (1) a escolha das pessoas certas para a tarefa, (2) o planejamento bem feito, (3) ensaios exaustivos e (4) o domínio da tecnologia, para tirar o máximo do mínimo.

Abel Gomes (diretor geral artístico), Deborah Colker (coreógrafa, diretora de movimento), Fernando Meirelles e Daniela Thomas (diretores criativos), Andrucha Waddington (diretor de cerimônia) e Fábio Soares (diretor de projeções) são os melhores profissionais que poderiam ser escolhidos para esta tarefa, pelos resultados que já produziram anteriormente em suas atividades. Não foram escolhidos por preferências políticas ou qualquer outro arranjo subterrâneo.

A escolha desses profissionais foi feita com uma boa antecedência e os caras planejaram muito bem o espetáculo. Adaptaram a tarefa ao orçamento disponível e tiraram (como sempre fazem, o máximo do mínimo). Depois treinaram muito, ensaiaram exaustivamente. Não deixaram nada pra ser resolvido "na sorte" ou "em cima da hora"

Deu certo. Porque sempre dá certo quando a coisa é feita com esses ingredientes: criatividade, planejamento, competência e trabalho duro.

O "jeitinho brasileiro" é outra coisa. Seria "jeitinho brasileiro" se eles tivessem deixado o sucesso do evento depender do carisma da Regina Casé ou do Zeca Pagodinho, da energia contagiante do Jorge Benjor ou da beleza esfuziante da Gisele Bündchen.

Não. A noite não contava com nenhum "salvador da pátria". O que produziu resultado foi o planejamento e o trabalho exaustivo das pessoas certas para a tarefa. Esse deveria ser eleito “o novo jeitinho brasileiro”. Foi isso o que faltou na organização de muitas coisas na Copa do Mundo e mesmo agora, nos Jogos Olímpicos.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2016 ---Jogos Olímpicos


Comentários

#1Jose Orlando witzler, Engenharia eletrica e telecomunicações, Bauru

quinta-feira, 11 de agosto de 2016 - 09h38min

Excelente interpretação. Muito bom. Esta auto interpretação é fundamental para os novos dias.
Parabens.

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