ARTIGOS DE ÊNIO PADILHA

ACHAM QUE É BONITO SER FEIO?

(Publicado em 03/12/2016)



Estive em Brasília nesta última semana, para participar de dois eventos: uma reunião de professores do curso de pós graduação Master em Iluminação (ESP/JamileTormann) e a segunda etapa do 9º Congresso Nacional dos profissionais do Sistema Confea Crea.

No primeiro evento cada um dos participantes estava pagando a sua própria conta (exceto pelo excelente almoço oferecido pelos anfitriões, Farlley e Jamile, que mereceria um artigo só de elogios). No segundo evento as despesas foram integralmente pagas pelo Confea, que bancou as passagens aéreas e diárias para todos os mais de 500 delegados participantes. Até aí, nada de novidade.

Mas, enquanto na reunião dos professores todos (TODOS!) chegaram no horário (ou alguns minutos antes da hora marcada) permitindo alta eficiência e produtividade para os trabalhos, o mesmo não ocorreu no CNP.

Como sempre, infelizmente, os atrasos absurdamente longos se repetiram. Como eu valorizo o meu tempo (e acho que todos deveriam ter mais respeito pelo tempo dos outros), escrevi dois posts no Facebook. No primeiro dia do evento, uma hora depois do horário marcado para o início eu publiquei uma foto com o seguinte texto: "NÃO TEM PERIGO DE DAR CERTO
2ª etapa do 9º CNP em Brasília, DF
Pelo menos uma hora de atraso para iniciar os trabalhos. Uma vergonha!" (Veja AQUI)

No segundo dia, no horário marcado para o início, publiquei um vídeo de 10 segundos do auditório praticamente vazio (apenas 25 presentes) e o seguinte texto: "Mais de 500 profissionais do Brasil inteiro estão em Brasília (tudo por conta do Confea). 9h00 da manhã, hora do início dos trabalhos. Este é o quorum.
Não sei vocês, mas eu considero isso inaceitável.
Temos de ser mais responsáveis e produtivos." (veja AQUI)

Ao longo dos dois dias recebi diversos contatos pelo telefone ou Whatsapp de amigos me alertando que Fulano de Tal ficou chateado com o post ou que Beltrano criticou minha atitude de ter exposto o problema. (tudo gente graúda. Presidentes, conselheiros, inspetores...)

Ah, vão criar vergonha na cara!

Como é que alguém tem coragem de achar ruim que eu reclame de um atraso de uma hora no início dos trabalhos ou de um quorum de 25 pessoas para o horário previsto para a abertura do dia (quando temos em Brasília mais de 500 delegados, todos remunerados com diárias pagas pelo Confea)?

Pior é que essas pessoas não têm coragem de ir lá, no Facebook e publicar um comentário reclamando da postagem. Ficam fazendo intrigas nos cantos, nos corredores e em mensagens do Whatsapp.

Se o sistema profissional quiser ser relevante e significativo no cenário nacional (coisa que deixou de ser faz muito tempo!) é preciso rever uma série de coisas. Estamos num caminho muito ruim. A falta total de compromisso, manifestada pela impontualidade apontada naqueles post é apenas a ponta de um imenso iceberg. E se algum desses que estão reclamando dos meus comentários quiser discutir isso comigo aqui, no nosso site, estamos disponíveis, sem nenhum problema.

Ainda durante o CNP tive um breve encontro com os jovens estudantes e recém-formados do CreaJr. Fiz um pequeno discurso muito inflamado. Repito aqui a essencia do que disse a eles: "é bom que a moçada do CreaJr veja o que NÃO deve ser feito. Repetir esse modus operandi dos mais velhos não leva ao sucesso da Engenharia e da Agronomia. Leva, quando muito, a conquistas pessoais e de grupos. Nosso Sistema profissional precisa de uma revolução!"



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2016 ---Valorização Profissional

Comentários

#1Farlley Derze, Pianista e professor de pós-graduacao, Brasília

sábado, 03 de dezembro de 2016 - 09h57min

Caro Enio, parabéns pelo artigo. Intrigas de bastidores sempre acontecerão. Você só disse a verdade, nua e crua. Aqueles que não gostam da verdade são menos adaptados à realidade. Vivem de nutrir as ilusões culturais, como no caso histórico brasileiro, a de levar vantagem: chegar atrasado ou não comparecer é uma espécie de vantagem em relação ao outro que chega no horário. O sujeito reclamão além de usar o tempo alheio e desperdiçar o próprio tempo, na prática, reclama da realidade de haver gente mais forte que leva o uso do tempo a sério.

#2Jamile Tormann, Lighting designer, Brasil

sábado, 03 de dezembro de 2016 - 10h14min

Parabéns pelo artigo. Nesse período em que estive morando no exterior, aprendi algumas coisas que: o Brasil tem tudo para ser melhor do que qualquer país do mundo, e o que falta é pouca coisa. Pouca coisa essa que você observa muito bem no seu artigo acima. No exterior se você não for capaz de atender uma pessoa no horário marcado, e dar a devida atenção, você não está apto a permanecer no mercado. Se você não responder a um email, ou whatsapp, ou uma ligação telefônica em até 24h, você também não está apto a exercer um cargo de liderança, em que está em jogo a tomada de decisões. Aqui no Brasil, para minha surpresa (como coordenadora de curso de pós-graduação em projetos de iluminação e gerenciamento de obras para engenheiros e arquitetos), fiz contato com diretores e presidentes do CAU, CREA, CONFEA, alguns me receberam e outros sequer me retornaram o contato, quando os convidei para participar de bancas de avaliação de final de curso de pós-graduação cujos alunos são arquitetos ou engenheiros, e associados aos conselhos. Ao conversar com outros, a resposta que recebi foi de que não tinham tempo porque são pessoas "muito ocupadas". A meu ver, são posturas arcaicas, retrógradas, que demonstram não só a incompetência em gerir como a de querer (à moda antiga) demonstrar que são importantes e exercem poder. Isso só acontece aqui. No exterior, essas pessoas teriam sido desligadas de seus cargos com respostas como essa. Afinal, receber e responder pessoas não significa que se está ocupado. Significa que se sabe administrar o tempo no cargo que lhe foi confiado.

Comentário do Ênio Padilha

Perfeitas suas observações, Jamile.
No início deste ano estive em Portugal (em férias, com a minha família). Cinquenta dias antes da viagem, mandei um e-mail para a Ordem dos Engenheiros de Portugal (o Confea deles), solicitando um encontro com o Bastonário (que é o Presidente da instituição). Eles responderam em menos de 24 horas, fizeram o agendamento e a reunião com o Bastonário Eng. Matias Ramos foi efetivamente realizada no dia 28 de março. (veja AQUI).

Com o Confea, nesses últimos anos, em diversas ocasiões solicitei reunião com o presidente ou enviei material com o pedido que que fosse analisado. Eles NUNCA deram resposta. NUNCA!
Na única vez que fui recebido no Confea foi depois de quase um ano de espera. Ainda assim, só depois de uma longa e humilhante insistência.

Como eu disse, nosso sistema precisa de uma revolução.

#3Ayana Dantas, pós graduanda em Projetos de Iluminação (ESP), Boa Vista - RR.

sábado, 03 de dezembro de 2016 - 14h30min

Professor Ênio, é preciso ter coragem para escrever e publicar algo como o que está aí em cima. Mas, diante do pouco que tive contato com o senhor e de sua longa história de sucesso no mercado, tenho certeza que não é por menos que isso acontece. Como a Jamile comentou aqui, nosso país tem tudo para ser uma grande nação, cheia de gente que faz a diferença, pensa grande e cria como ninguém. É lamentável ver esse potencial escorrer pelas mãos diante de incompetência de pessoas que não conjugam no plural. Mas, são atitudes como a sua, de provocar, que geram reações em cadeia, quebra de paradigmas e novas posturas. OS BONS SÃO MAIORIA, não percamos a esperança fazendo do nosso dia a dia uma produção e evolução constante.

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