TURISTA ACIDENTAL

CORUMBÁ, DOURADOS E TRÊS LAGOAS

(Publicado em 09/12/2016)



Nesta semana estive cumprindo uma jornada pelo interior do Mato Grosso do Sul, apresentando palestras nas cidades de Corumbá (dia 5), Dourados (dia 6) e Três Lagoas (dia 8). Tive o privilégio de conviver com pessoas inteligentes e comunicativas como o Agrônomo Dirson Freitag (presidente) e com os colegas Jason, Neto e Arinson, (assessores) do Crea-MS. Foram seis pernas de voo e três longas viagens de carro (mais de 1500 km de estrada). Mas valeu a pena.
Entre uma viagem e outra, entre um peixe (assado, frito, ensopado) e outro, tive tempo de aprender algumas coisas interessantes sobre Corumbá, Dourados e Três Lagoas.




CORUMBÁ







VOCÊ SABIA? Que o nome Corumbá é uma corruptela de Coimbra? E que os portugueses chamaram de Coimbra a primeira fortificação construída naquela região, lá pelos idos de 1775? Pois eu também não sabia. Mas os moradores do Mato Grosso do Sul certamente sabem (sempre souberam).

Corumbá fica no extremo oeste do estado. Tem pouco mais de 110 mil habitantes e é uma cidade conhecida por sua diversidade cultural, que tem influências indígenas, paraguaias, argentinas, uruguaias, bolivianas, árabes, italianas e portuguesas. Essas influências estão, principalmente, na comida e na música.



Esta foi a primeira vez que eu visitei Corumbá e resolvi que faria uma visita (ainda que rápida) ao Porto Geral. Não me arrependi.

O Porto Geral reúne um conjunto de construções históricas situado no bairro Beira Rio.
O casario da Rua Manoel Cavassa, sua principal rua, é o ponto de referência histórica da cidade.
O porto funciona desde 1853.
No início do século XX era o terceiro maior porto da América Latina. Nele desembarcavam transatlânticos com mercadorias vindas da Europa e da Argentina. A cidade abrigava grandes empórios, 25 bancos internacionais, curtumes e a primeira fábrica de gelo do Brasil.

O sítio Porto Geral foi tombado em 1993 pelo IPHAN e reformado em 2006. Hoje é um dos principais pontos turísticos da cidade e recebe embarcações de pescadores e de pequenos comerciantes das colônias pantaneiras.

Corumbá ainda é um dos mais importantes portos fluviais do Brasil e do mundo.





DOURADOS



GUERRA DO PARAGUAI E A COLONIZAÇÃO DA REGIÃO DE DOURADOS
Na viagem entre Dourados e Campo Grande tive o privilégio de uma longa conversa com o colega Neto, que foi me contando algumas coisas interessantes sobre a história daquela região.

Ele contou, por exemplo, que, quando houve a Guerra do Paraguay foi feito um acordo, segundo o qual, as terras que o Brasil e a Argentina conquistaram do Paraguay seriam devolvidas depois de 100 anos, caso o Paraguai tivesse condições financeiras de comprá-las de volta. A guerra acabou em 1866. Toda a região onde hoje está Dourados é parte dessas terras conquistadas na guerra.

No segundo governo de Getúlio Vargas observou-se que o Paraguai estava se fortalecendo e que , como as terras estavam ainda devolutas, o Paraguai poderia obtê-las de volta por um preço muito baixo. A solução foi colonizar as terras. Criou-se então a CAND - Colônia Agrícola Nacional de Dourados. Naquela época esta região de Ponta Porã era Território Federal. Vieram então os colonos mineiros, paulistas, nordestinos, paranaenses, goianos.

A região foi separada em lotes de 30 hectares e algumas áreas foram reservadas para os índios da região. Algumas dessas áreas demarcadas para os índios acabaram (por falta de índios) sendo concedidas aos colonos. Mais tarde ações judiciais fomentadas pela Igreja Católica (CIMI) e pela Funai devolveram essas terras novamente para índios importados de outras regiões (inclusive do Paraguai). Mas, no fim, essa colonização foi bem-sucedida, de tal maneira que, quando chegou 1966 as terras estavam bem valorizadas e o Paraguay não tinha como comprar de volta.

Os índios locais são os Guarani-Kaiowá, que são, principalmente, coletores. O governo local teve a “feliz ideia” de importar índios que são agricultores (para ensinar os índios locais a arte do cultivo da terra). É claro que a experiência não deu certo. Imagina! duas tribos de culturas diferentes. Não tinha como. Assim, Dourados tem duas aldeias, uma emendada na outra, com modos de vida totalmente diferentes. De vez em quando dá briga, claro. O que gera um problema social terrível para a região.



A MÃO DO BRAZ
No final dos anos 1990, próximo das comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil, o Prefeito da época, Braz Mello, resolveu construir um monumento, na entrada da cidade, para homenagear os primeiros colonos que desbravaram a região. O monumento tem o nome oficial de “Monumento ao Colono” e as mãos representam todas as regiões de onde eles tiveram origem. As floreiras em volta representam os municípios criados a partir dessa colonização.

Porém, como naquela época as estradas eram muito ruins e mal cuidadas, a construção daquele monumento foi tomada como um absurdo desperdício do dinheiro público (que poderia ser melhor utilizado, por exemplo, conservando as estradas) as pessoas começaram a se referir ao monumento de forma pejorativa como “A mão do Braz”, numa alusão à eventual “mão grande” ou coisa assim.

Hoje em dia, quase todo mundo conhece aquele monumento como “a mão do Braz”. Muitos, sem saber que a origem desse apelido não é muito lisonjeira.





TRÊS LAGOAS





Infelizmente, devido à correria, chegamos em Três Lagoas quinze minutos antes do início do nosso evento que seria às 19h. Como o meu voo de retorno seria no início da madrugada, não deu pra ver nada na cidade, a não ser o aeroporto, que, por sinal, me impressionou, positivamente.

Fica assim o compromisso de, na próxima vez, descobrir algumas coisas interessantes sobre essa cidade que, pelo que eu soube, é a cidade de maior crescimento econômico do Mato Grosso do Sul.

I will be back



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



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