ENGENHARIA

QUE TIPO DE LÍDERES TEMOS
EM NOSSO SISTEMA PROFISSIONAL?

(Publicado no livro Valorização Profissional, página 50)





Uma boa definição de Líder é aquela feita por John C. Lovas e Thomas W. Fryer no livro Leadership in Governance (San Francisco: Jossey-Bass, 1991. 214p): Líder é o indivíduo capaz de fazer com que os outros tenham vontade de fazer algo que ele, o líder, está convencido de que deve ser feito, à serviço da missão da instituição que ele lidera.

Já voltaremos a ela. Antes, porém, uma nota de esclarecimento: o Sistema Confea/Crea e Mútua realiza periódica e sistematicamente alguns eventos, dentre eles os seguintes:

1) CP - Colégio de Presidentes. Acontece três ou quatro vezes por ano. Reúne os presidentes de todos os Creas e da Mútua. É um evento itinerante e é organizado e patrocinado pelo Confea.

2) CDEN - Colégio de Entidades Nacionais. Acontece três ou quatro vezes por ano. Reúne os presidentes de todas as Entidades Nacionais de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e demais profissões da área tecnológica. É um evento itinerante e é organizado e patrocinado pelo Confea.

3) Reunião de Coordenadores de Câmaras Especializadas. Acontece duas ou três vezes por ano. Reúne os coordenadores das câmaras especializadas dos Creas. É um evento itinerante e é organizado e patrocinado pelo Confea.

Uma vez por ano, geralmente em fevereiro, o Confea junta todos esses eventos em Brasília, acrescenta uma série de outros eventos e dá a esse evento resultante o apropriado nome de ENCONTRO DE LIDERANÇAS DO SISTEMA CONFEA/CREA E MÚTUA, constituído, geralmente, de sete eventos realizados em apenas cinco dias: Seminários 1 e 2 (realizados na segunda e na terça-feira), Ação Parlamentar, no Congresso Nacional (na quarta-feira), Colégio de Presidentes, CDEN e Reunião dos Coordenadores de Câmaras Especializadas (na quinta e na sexta-feira). Além desses eventos listados ainda acontece, geralmente, algum evento solene na quarta-feira à noite.

O evento é realizado e financiado pelo próprio Confea, com o apoio da Mútua. Trata-se de uma atividade importante, na medida em que otimiza a aplicação de recursos previstos para diversos eventos regulares do sistema e possibilita a reunião dos diversos atores dos processos num único ambiente, possibilitando crescimento pessoal e profissional dos participantes e o desenvolvimento institucional do sistema.
Embora ainda não seja um evento “espetacular”, com potencial para atrair a atenção da mídia externa, os números do ENCONTRO DE LIDERANÇAS são expressivos e impressionantes:

a) Cerca de 500 participantes, incluíndo TODOS os mais importantes postos de lideranças no sistema Confea/Crea. Conselheiros Federais, Presidentes de Creas, Presidentes de Entidades Nacionais, Coordenadores de Câmaras Especializadas de TODOS os Creas... reunidos durante cinco dias (sem que o evento tenha qualquer atrativo ou apelo de turismo, lazer ou compras);

b) Dois seminários importantes propondo e viabilizando a discussão filosófica e prática das questões que importam e implicam as organizações do sistema profissional; 

c) Cerca de 50 horas de trabalho, distribuídos em mais de 20 atividades específicas;

d) Lançamentos de publicações relevantes produzidas pelo Confea.

e) Ação parlamentar cujo objetivo é atingir e mobilizar um percentual expressivo dos senadores e deputados federais (o objetivo é produzir a Agenda Parlamentar mais extensa já montada pelo Confea);


Dito isto, vamos à questão que se apresenta no título deste artigo:  que tipo de líderes nosso sistema reúne em Brasília?

O Confea e as demais organizações do Sistema Confea/Crea, em que pese o considerável nível de rejeição que enfrentam entre os profissionais do sistema, tem a seu favor um fato indiscutível: seus representantes (desde os presidentes das entidades de classe nas cidades do interior até o presidente do Confea) são escolhidos em eleições democráticas às quais qualquer um dos mais de 700 mil profissionais do sistema têm acesso, como eleitor ou como candidato. Portanto, praticamente 100% dos 500 participantes do Encontro de Lideranças estão lá por conta dos votos que receberam dos seus pares em eleições legítimas.

Muitas desses líderes realmente merecem o título, por serem profissionais movidos por ideais e princípios. Pessoas que têm uma visão de país e da posição que cabe à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia no processo histórico.

Além disso, esses Líderes são operários, fazedores. Não ficam esperando convites dourados nem passagens, diárias e outros benefícios para fazerem o que precisa ser feito. Por isso têm legiões de admiradores e seguidores.

Felizmente seria possível citar dúzias de gente assim no sistema.

Outros, porém (os que eu chamo de "líderes", com minúsculas e aspas) infelizmente ainda estão longe disso. Além de serem dirigentes incompetentes, que levam suas entidades ao desprestígio e à indigência, são pessoas movidas por interesses mesquinhos, subalternos ou subterrâneos. Estão sempre nos bastidores, articulando estratégias e negociando apoios e votos. Suas posições pessoais estão sempre acima dos interesses dos seus "liderados".

Nunca sabemos de onde eles surgiram e nem como chegaram àquela posição de liderança. Não têm talentos nem características de líderes ou empreendedores sociais. São, antes de mais nada, alpinistas e sistemeiros. Seus posicionamentos diante das grandes questões nacionais são obscuros e nunca são manifestados aberta e claramente. Trabalham com um universo que atende apenas seus interesses e projetos pessoais.

Infelizmente esses "líderes" existem (e não é privilégio do nosso sistema profissional).

Combatê-los é simples. Está ao alcance de qualquer profissional: basta fazer o seguinte: na próxima vez que houver eleição para Diretoria da sua entidade de classe, para conselheiro do seu Crea, para Conselheiro Federal do seu Estado, para Presidente do Crea, da Mútua ou do Confea... Preste atenção. Veja se o seu voto está sendo creditado para alguém capaz de fazer com que os outros tenham vontade de fazer algo que ele está convencido que deve ser feito e se esse "algo" está, realmente, à serviço da missão da instituição. Ou se é alguém que ganha os votos no cansaço e apostando sempre no quorum mínimo para obter, no futuro, cobrança zero.

Você verá que alguns colegas fazem por merecer o título de Líder. Os outros são apenas aventureiros, oportunistas e, em última análise, estelionatários travestidos de líderes profissionais.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2010





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2ª ed. 2014 (IMPORTANTE: na 1ª edição o título deste livro era LER E ESCREVER)
108 páginas
ISBN: 978-85-62689-53-6 - OitoNoveTrês Editora
Apresentação de Maristela Macedo Poleza (Arquiteta)
Prefácio de Sebastião Lauro Nau (Engenheiro)

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---Divulgação






O presidente Joel Kruger já tem (como sempre tiveram todos os presidentes do Confea) uma legião de puxa-sacos e pedintes em volta dele. Não precisa de mais um. Precisa, sim de pessoas livres o bastante para serem honestas com ele e dizer o que precisa ser dito. Sem a intenção de ofender, sem a intenção de destruir. Apenas querendo o bem do Confea e da Engenharia no Brasil.

Leia o artigo CARTA AO RECÉM-ELEITO PRESIDENTE DO CONFEA ENGENHEIRO JOEL KRUGER


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