GESTÃO DE CARREIRA

EXPERIÊNCIA X CRIATIVIDADE

(Publicado em 09/05/2006)



Se a única coisa importante que você tem para sustentar o seu Curriculum Vitae são muitos anos de experiência profissional... comece a se preocupar.
Em 1986, quando eu me formei engenheiro, o meu grande desafio, a maior dificuldade que eu tinha para enfrentar o mercado, era justamente a falta de experiência profissional. Naquele tempo não ter experiência era quase como não ter um braço.

Oito anos depois, em 1994, em uma palestra para quase duzentos engenheiros (no Congresso Catarinense de Engenharia e Arquitetura, do qual fui coordenador) Décio da Silva, diretor presidente da WEG, foi categórico: "Nos dias de hoje", disse ele, "toda experiência que importa é aquela adquirida nos últimos cinco anos. Qualquer coisa além desse tempo tem importância zero. Porque o que importa hoje é a capacidade que o profissional tem de desaprender. De substituir conhecimentos antigos e ultrapassados por conhecimentos novos e atualizados"

A constatação de Décio da Silva era, sem dúvida, corretíssima. Mas o tempo, a tecnologia e a conseqüente globalização (não apenas da economia, mas da cultura, das artes, de tudo, enfim) trataram de reduzir esses "cinco anos" para quase nada. No mundo de hoje todo conhecimento baseado apenas na experiência conquistada pela repetição da tarefa perdeu valor e perdeu espaço para a inteligência e para a criatividade.

Tentar se manter no emprego ou no mercado apenas repetindo com perfeição receitas e fórmulas que sempre deram certo pode ser (e quase sempre é) o caminho mais curto para o fracasso.

A criatividade, que é a capacidade que uma pessoa tem de abordar um problema ou parte dele de maneira diferente da usual (e, portanto, sem se importar com as experiências anteriores), e a inteligência, que é justamente a capacidade que uma pessoa tem de resolver problemas combinando conhecimentos (sem fazer uso da experiência) são hoje as mais poderosas armas que alguém pode ter na luta pela sobrevivência no emprego, no mercado e na vida.

É importante prestar atenção para os efeitos e consequências dessa transformação: o eixo do poder no mundo está mudando de posição. O lugar que, nas empresas, era ocupado pelo funcionário “cão fiel” e “burro de carga” está sendo conquistado pelo funcionário bem humorado, irreverente e criativo. As lideranças empresariais estão sendo conquistadas, cada vez mais, por pessoas mais jovens, porque é na juventude que a criatividade é mais exposta e a inteligência é mais valorizada.

Nunca é demais lembrar, para os que ainda insistem em defender a experiência como uma coisa muito importante, que os grandes gênios, como Eistein, Isac Newton, Galileu Galilei e tantos outros fizeram suas grandes descobertas quando ainda eram extremamente jovens (vinte e poucos anos) e, portanto, não tinham quase nenhuma experiência.

Tinham, no entanto, juventude, ausência do medo de errar e irreverência frente às “verdades” estabelecidas.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo1996 ---Gestão de Carreira

Comentários

#1Djalma Mariz, Engenheiro Agronomo, Castanhal

domingo, 01 de junho de 2008 - 08h34min

Achamos que a velocidade de geração e apresentação de novos conhecimentos faz com que a experiência nao seja tao importante como ja se considerou, no entanto, temos certeza de que a experiência é básica, inclusive, para produção de conhecimentos.

#2Ênio Padilha, Engenheiro, Brasília - DF

domingo, 01 de junho de 2008 - 10h21min

Djalma.
Suas considerações estão corretas. De fato, algumas modalidades de experiência continuam essenciais, inclusive, como você mesmo diz, "para produção de conhecimentos".
Nosso artigo vai ao extremo talvez apenas para chamar a atenção daqueles que acreditam de "experiência é tudo!".
No entanto, você tem razão. Não é tudo, mas continua sendo uma coisa importante.

#3José Luiz Costa, Engenheiro Civil, Cruzeiro/SP

segunda-feira, 02 de junho de 2008 - 11h08min

Concordo com os colegas, e a experiência ainda pesa um pouco em nossas profissões. Ainda sobre as eleições sobre o próximo dia 04/06, independente de qualquer coisa, importante que todos participem votando e em seguida acompanhar o que os vencedores possam fazer e que façam o melhor. Abraço a todos.

#4Ana Mello, Arquiteta, Niterói - RJ

segunda-feira, 02 de junho de 2008 - 16h39min

Concordo com os colegas, vivemos a Era Tecnológica,junto a ela a "Revolução da Comunicação", onde um avalanche de informações recai diariamente sobre nossas mentes e nem sempre há tempo hábil para correta interpretação. O homem e seu imensurável proceso de criação, nem sempre consegue adaptar-se as novas criações. A tecnologia avança a passoos largos, mas para humanidade isso se faz muito mais lento.Hoje inteligente é aquele que consegue interagir entre seu conhecimento ( experiência adquirida) e as novidades. É preciso ser muito flexível e equilibrado para isso. A questào é muito antiga, já dizia Sócrates a 5.000 anos atrás "Sei que nada sei, tudo tenho a aprender", por esta resposta foi na época considerado o homem mais inteligente de seu tempo. Apesar dos anos a problemática é a mesma. Será que evoluimos?
Ana Mello

#5Ivaldo bacelar, Projetista - Tubulação, Vitória - ES

terça-feira, 03 de junho de 2008 - 15h22min

Apesar de ter formação acadêmica superior em outra área das ciências, atuo ha quase quarenta anos na área de engenharia de projetos industriais. Sobrevivo trabalhando como projetista de tubulações industriais para empresas de renome como a nossa Cobrapi . Comecei a estudar desenho por correspondência nos idos de 1964/65 no antigo Instituto Radiotécnico Monitor de São Paulo, que eu nem sei se ainda existe. Naquela época desenhava-se à bico-de-pena e tiralinhas. É claro, que se eu tivesse continuado na prática do bico-de-pena e do tiralinhas, eu não estaria hoje inserido no mercado de trabalho. Por isso, concordo com o Eng° Ênio quando o mesmo defende a necessidade de “substituir conhecimentos antigos e ultrapassados por conhecimentos novos e atualizados”.

Entretanto, não concordo com o mesmo quando propõe bàsicamente em seu artigo, a valorização da criatividade em detrimento da experiência profissional. Pela forma que o autor coloca a sua opinião, é fácil perceber que ela carece de qualquer fundamentação científica, ou seja, trata-se apenas de um “achismo” do mesmo e portanto deve ser lido com crítica e cautela. As boas universidades ensinam que devemos respeitar apenas opiniões, artigos, etc., que tenham cientificidade.

O próprio autor se contradiz quando afirma: “ A criatividade, que é a capacidade que uma pessoa tem ...”. Ora, o que é “capacidade” senão conhecimento adquirido através da experiência profissional, educacional, etc.?
Francamente, eu não consigo imaginar alguém desenvolvendo um projeto de engenharia apenas com “irreverência”, “bom humor” e vontade de “criar”. Eu não acredito que nossa empresa Copbrapi quando divulga os seus 45 anos de existência, o faça apenas com o objetivo de mostrar-se a seus clientes como uma empresa moderna, “irreverente” composta de engenheiros e projetistas “bem humorados”, etc. Acredito sim, que o faz para enfatizar a sua longa “experiência” no desenvolvimento de projetos de engenharia.

Finalmente, quero deixar um alerta para aqueles que lerem esta modesta opinião, no sentido de se precaverem contra as opiniões mal fundamentadas, alicerçadas apenas em modismos que nós brasileiros somos mestres em aderir e aceitar como realidades. Lembram-se da tal “reengenharia”? Cadê ela? O que foi? Para onde foi?

#6Antônio Ananias Ripardo Filho, Engº Administrador de Empresa, Fortaleza Ceará

quarta-feira, 04 de junho de 2008 - 09h37min

A criatividade vem sempre acompanhada de alguma esperiência, seja material ou natural. Claro que em ambientes bem humorados as coisas fluem com mais leveza, facilidade e perfeição. A velocidade das inovações, induzem para reciclagem de conhecimentos já adquiridos. Os grandes líderes da atualidade são apenas animadores de pessoas, para fazer o desejado acontecer.

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