ALIRUBIT

O QUE SE PODE APRENDER NA FINLÂNDIA
(Marcos Vallim)

(Publicado em 16/02/2018)



Alguns amigos, quando viajam, ficam publicando fotografias do tipo "Olha eu aqui, na Torre Eiffel", "Vejam eu, aqui, na London Eye".
Outros, quando viajam, prestam um serviços aos amigos. Enviam seus conhecimentos e aprendizados. Na prática, não apenas nos contam onde estão. Nos levam com eles.

Um desses meus amigos é o Marcos Vallim, engenheiro, professor na UTFPR e que está fazendo pós-doutorado em Portugal. Nessas últimas duas semanas ele esteve, com um grupo de portugueses, em missão na Finlândia (na cidade de Tampere). Ele enviou, pelo WhatsApp, várias fotos tiradas da Torre de observação da cidade e um relato muito interessante. Vale a pena dar uma olhada:





"Amanhã será o último dia da nossa missão aqui em Tampere. Depois vamos passar o fim de semana na capital, Helsinki. No domingo pegamos o avião para Madri e lá seremos "resgatados" de ônibus para Bragança. Devemos chegar perto da meia noite

Antes de partir eu quero falar sobre o que penso da Finlândia.

A Finlândia é um pais jovem. Vai comemorar 100 de independência este ano.

Na sua curta existência como país já passou por muitas crises, miséria e grande sofrimento.

Não é um lugar fácil de se viver, apesar de ter uma riqueza natural abundante ela precisa ser extraída com muito trabalho. Sobreviver ao frio criou nesse povo um tipo de resiliência impressionante. Sobreviver ao domínio dos vizinhos fez deles um povo com forte sentimento coletivo. Ser Finlandês dá a eles um direito de ser como quiser ser, e um dever de respeitar a coletividade para ser digno de ser parte dela. Percebe-se isso em toda parte desde as criancinhas até os velhinhos.

Durante a 2ª Guerra Mundial a União Soviética invadiu a Finlândia, em 1939. Com um contingente 20 vezes maior que o exercito Finlandês. Durante mais de um ano foi travada uma guerra dentro da grande guerra, que ficou conhecida como "A guerra do Inverno". Apesar de muito superior em poderio militar os soviéticos foram massacrados pela tática obstinada dos finlandeses, que usavam, sistematicamente, "snipers" (atiradores de alta precisão) capazes de acertar um alvo a 600 metros de distância.

Um nome se destacou nessa luta: Simo Häyhä, um fazendeiro que era caçador de alces desde criança. Ele é considerado o maior sniper de todos os tempos. Registrado foram 505 inimigos tirados de combate em cerca de 10 meses de ação.

Os sovieticos tinham tanto medo de Simo que o chamavam de "morte branca" devido a suas técnicas de camuflagem.

Apesar de ter sido atingido em combate e perdido parte do rosto, Simo sobreviveu para ver a União Soviética assinar o armistício e deixar a Finlândia livre. Ele viveu até 97 anos.

Certa feita lhe perguntaram se ele sentia algum remorso por ter abatido tantos inimigos e ele respondeu sem vacilo que nunca, pois fez o que tinha de fazer pois era o seu dever.

Perguntaram ainda qual era o segredo da sua habilidade ele respondeu: Prática!

Em essência o que aprendi nestas duas semanas, este fazendeiro finlandês já sábia há 100 anos: disciplina e prática. Esse é o segredo da educação na Finlândia."



MARCOS VALLIM
mvallim@gmail.com







---Padilha, Ênio. 2018

Comentários

#1Ligia Fascioni , Engenheira eletricista, Berlim, Alemanha

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 - 08h59min

Que aula maravilhosa! Não fazia ideia!
Obrigada por compartilhar ❤️

#2Gabriel Aguilar, Engenheiro Civil, Rio de Janeiro

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018 - 10h39min

A prática leva a excelência!
Que nação!
Que história!

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