PERGUNTA DO LEITOR

O QUE DIZER AO CLIENTE?

(Publicado em 17/05/2018)



Um jovem engenheiro me enviou a seguinte pergunta: "quando o profissional é recém-formado e ainda não possui tanta segurança se vai ser capaz de executar o serviço, nesse caso o que deve ser feito?"





Existem várias respostas para essa pergunta. A primeira delas é a “resposta curta e grossa” que é a seguinte: “se o profissional não tem certeza de que será capaz de realizar o serviço, não deve aceitar o contrato”.

Esta resposta pode parecer inaceitável, mas, acredite, é a única 100% correta. Daí pra frente todas as demais respostas serão incompletas e incorrerão em possíveis problemas.

Você, certamente não queria esse tipo de resposta, então, tenho uma segunda alternativa pra você: “se o profissional não tem certeza de que será capaz de realizar o serviço, deve procurar ajuda. Deve encontrar um profissional experiente que possa orientá-lo ou buscar por informações e ajuda com ex-professores ou mesmo com fabricantes, construtores e instaladores. Não é hora para exercer a vaidade intelectual. É hora de exercer o DIREITO À IGNORÂNCIA (escrevi sobre isto num artigo publicado no site. Veja neste link: www.eniopadilha.com.br/artigo/4530).

Uma pergunta residual seria a seguinte. "E o cliente? O profissional deve contar para o cliente que se sente inseguro e que não tem certeza de que dará conta de fazer o serviço?" Resposta: SIM. O profissional nunca deve mentir para o cliente. Mas, claro, isso não precisa ser dito ao cliente dessa maneira nem nesses termos. O profissional deve simplesmente dizer ao cliente que possui uma rede de apoio e orientação e que, em caso de dúvida, recorrerá ao profissional X ou ao professor Y para se certificar de que as soluções encontradas são as melhores para o cliente.”

É importante observar que o cliente não é um tolo. Ele sabe que o profissional (por ser recém-formado) não sabe tudo. Ele se sentirá mais seguro se souber que o profissional também está consciente disso.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2018

Comentários

#1FRANCISCO FERREIRA, Eng. Civil, CUBATÃO

quinta-feira, 17 de maio de 2018 - 22h54min

Excelente.

Sou Eng. Civil formado a quase um ano e de vez em quando me deparo com situação semelhante.

Formado a menos de um ano mas já rabalho com projeto a mais de 7. Meus ex-colegas de turma quase sempre me procuram quando pegam algum projeto e se sentem inseguros para desenvolvê-lo.

O caminho realmente é esse. Buscar a orientação de um profissional mais velho.

Você tem que ter uma rede de contatos pra essas horas. Essa rede você já começa a fazer na faculdade.

Eu também exerço o meu direito à ignorância.

Citando um exemplo: Não sei nada de elétrica.

Embora eu conheça um pouco do processo de elaboração do projeto em si, da época em que eu trabalhava como desenhista técnico, na questão de dimensionamento não faço mas tenho quem faça. Não faço projeto elétrico nem mesmo dentro do limite de 75KW imposto por resolução para engenheros civis. Tudo o que eu fazia na época era colocar no papél o que o engenheiro eletricista projetava. Em outras cituações recorro aos cabeças brancas rsrs. E não só a eles. Recentemente durante o estudo para a elaboração de um projeto de um posto de combustíveis, falei até com frentistas.

Confesso que é assustador para um recem formado receber a proposta de construção de um posto de gasolina. Acredito que assusta até profissionais mais velhos que ainda não tiveram uma experiência nesse tipo de construção. Me senti seguro para aceitar e explico o porquê.

Quando recebi a mensagem no celular fiquei pensando...

Vamos lá! Mais da metade do projeto é civil – adminstração, conveniência, sanitários, vestiários, estoque, estrutura de cobertura e por aí vai... Beleza! Minha área... Depois vem a parte funcional do posto em si – os tanques subterrâneos, as bombas, pista de abastecimento, troca de óleo, autoelétrica...

Essa parte não sei nada, vai precisar de consultoria...

Bom, para encerrar o comentário, depois de muita pesquisa encontramos bastante informações e elaboramos a proposta para apresentar ao cliente.

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