Assim como as casas são feitas de pedras, a ciência é feita de fatos. Mas uma pilha de pedras não é uma casa e uma coleção de fatos não é, necessariamente, ciência.

HENRI POINCARÉ

(1854-1912)
Filósofo e matemático francês

Faz-se ciência com os fatos, como se faz uma casa com pedras; mas uma acumulação de fatos não é ciência, assim como
um monte de pedras não é uma casa.

HENRI POINCARÉ

(1854-1912)
Filósofo e matemático francês, citado no livro
Sistema de Ciência e Hipótese, Anais literários da Universidade
de Besançon, de Yves Gilli, página 25

A mente usa a sua faculdade de criatividade apenas
quando a experiência a obriga a fazê-lo.

HENRI POINCARÉ

(1854-1912)
Filósofo e matemático francês, citado no livro
Alterar núcleo matemática, de David C. Arney, página 165

O pensamento é apenas um lampejo entre duas longas noites,
mas este lampejo é tudo.

HENRI POINCARÉ

(1854-1912)
Filósofo e matemático francês, no livro
O Valor da Ciência, página 276

Duvidar de tudo é como acreditar em tudo. São posições igualmente perigosas. Ambas nos dispensam de refletir.

HENRI POINCARÉ

(1854-1912)
Filósofo e matemático francês

ENGENHEIROS EMPREENDEDORES.
O DESPREPARO GERENCIAL PODE SER
O PRINCIPAL OBSTÁCULO

(Publicado em 03/10/2013)



Um dos principais erros cometidos por engenheiros ao abrir o próprio negócio é assumir o que Michael Gerber chama de “a suposição fatal”, que é a seguinte: "entendendo o lado técnico de um negócio, você entende a empresa que lida com esta técnica".
A fatalidade, segundo Gerber, reside no fato de que isso, simplesmente, não é verdade. E essa suposição é a causa da maioria dos fracassos nos negócios.

“O lado técnico de um negócio e uma empresa que lida com essa técnica são duas coisas totalmente diferentes! Porém, o técnico que inicia um negócio próprio não vê essa diferença. Para ele, um negócio não é um negócio, mas um local de trabalho.”

Essa visão distorcida e perigosa é resultado da formação dos engenheiros, no Brasil, que privilegia o conteúdo técnico e dá menos importância à formação gerencial e empreendedora. Mesmo nas escolas que incluem na grade curricular disciplinas da área das Ciências Sociais Aplicadas (Gestão de Pessoas, Administração Financeira, Marketing, etc) não existe uma orientação no sentido de dar ao aluno o senso de importância desses conhecimentos.

O resultado é que os profissionais formados (até mesmo nas melhores universidades) apresentam uma lacuna importante na sua formação: os conhecimentos da área de Administração e Empreendedorismo. Os profissionais são formados para o trabalho, mas não são formados para o mercado do trabalho. Não têm noções sólidas de Gestão da Carreira e menos ainda de como criar ou gerir empreendimentos.
Por conta disso, raramente uma empresa de Engenharia se torna lucrativa e bem sucedida antes de 10 ou 15 anos de existência. Nesses casos pode-se afirmar que o sucesso se deu muito mais como resultado de um processo de tentativas e erros do que como resultado de estratégias concebidas e implementadas à luz dos conhecimentos de Administração disponíveis para os gestores.

As Teorias da Administração (que é uma Ciência Social Aplicada) determinam que ela trata, basicamente, das funções do Administrador: prever (visualizar o futuro e traçar o programa de ação), organizar (constituir o duplo organismo material e social da empresa), comandar (dirigir e orientar o pessoal), coordenar (ligar, unir harmonizar todos os atos e todos os esforços coletivos).

Todas essas funções se referem às quatro grandes áreas da Administração: Administração da Produção; Administração de Pessoas; Administração Financeira e Administração do Mercado – Marketing).

Os engenheiros, via de regra, não possuem esses conhecimentos quando concluem seus cursos superiores. Mas nem por isso estão condenados a serem empreendedores despreparados e incapazes. Existem soluções nos MBAs, nos livros de Administração e nos treinamentos de formação continuada que podem ser encontrados facilmente no mercado.
O primeiro passo é reconhecer a deficiência. A correção não é tarefa fácil. Mas não é impossível nem distante.





PADILHA, Ênio. 2013




REFERÊNCIAS: 1) GERBER,M. O Mito do Empreendedor. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 1990.pág.17





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SER COMPETENTE É UM COMPROMISSO ÉTICO

(Publicado em 10/02/2010)





Imagem: OitoNoveTrês



A Professora Maria Teresa Padilha, de Lisboa, Portugal, tem uma frase que eu considero digna de registro: ela afirma que “o primeiro e mais importante compromisso que um profissional tem com a ética profissional é ser competente!” Isso tem tudo a ver com o conceito de construção coletiva da percepção da sociedade em relação à Profissão e da responsabilidade individual de cada profissional sobre o resultado final.

O seu título profissional de Engenheiro (ou Arquiteto ou Agrônomo) agrega-se às suas características pessoais e passa a fazer parte da sua imagem pública. As pessoas interessam-se pelo desempenho profissional e utilizam essa percepção para ampliar a avaliação pessoal que fazem do indivíduo. Mas não fica só nisso. As pessoas tendem a fazer uma generalização da avaliação do desempenho profissional do indivíduo para toda a categoria.

Assim, se um engenheiro faz alguma coisa bem feita ele é bem avaliado, o que é bom. Mas essa avaliação não é apenas individual. Ela é expandida para o coletivo. Qualquer característica, positiva ou negativa, de um indivíduo (profissional) ecoa na categoria como um todo indivisível.

Os cursos universitários de Arquitetura, de Agronomia e de Engenharia dão ao profissional recém-formado um conjunto de conhecimentos e habilidades que o qualifica para iniciar sua carreira. Todos concordam que, nos primeiros anos após a formatura, é necessário ampliar esses conhecimentos e habilidades através de mais estudos e da obtenção de experiência profissional.

Por isso, praticamente todo profissional recém-formado se dedica ao estudo com muito empenho e entusiasmo, nos dois ou três anos que sucedem à formação universitária. O que pouca gente se dá conta, porém, é que esse processo não deve ser encerrado depois de dois ou três anos. Quem escolhe uma profissão cujo resultado tem um componente intelectual tão intenso como é o caso da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, tem de ter consciência de que “casou com os livros”.
Vai continuar estudando pelo resto da vida. Precisa se manter atualizado. Precisa assinar revistas técnicas, manter uma biblioteca atualizada, participar de cursos, seminários, simpósios e congressos da sua especialidade, visitar feiras, fazer viagens de estudo...

Isto não acaba quando você se forma. É o processo permanente de manutenção da competência profissional. Estudar, estudar e estudar. É isto o que distingue os grandes profissionais daqueles que engrossam as estatísticas dos profissionais “maisomenos”.





PADILHA, Ênio. 210





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PROJETO, CONSULTORIA, ASSESSORIA,
ALHOS E BUGALHOS (2)

(Publicado em 29/04/2019)



















PADILHA, Ênio. 2019





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SOU DENTISTA. QUERO SER ENGENHEIRO.

(Publicado em 07/01/2014)



Professor. Ênio,

Eu estou com 37, e me formei em Odontologia. Só que desde que me formei, jamais exerci a profissão... Passei os 15 anos que tenho de formado trabalhando na área de Restaurantes...

Bom, apenas para resumir, hoje em dia, acho que a carreira que eu deveria ter seguido era a de engenharia. E quero tentar fazer!

Agora vem o motivo da minha pergunta: Estou fora do colégio há 20 anos, sem ver as matérias que me dariam alguma noção para conseguir seguir num curso de engenharia, que seriam basicamente a matemática e a física...

O Sr. teria alguma dica do que eu preciso estudar, e como, para poder não quebrar a cara em uma faculdade de engenharia?

Andei assistindo a uns cursos on line, de introdução ao Cálculo e à Algebra Linear, de um professor do MIT. Não me lembro de praticamente mais nada!!! Por isso gostaria de resgatar esta base, para poder finalmente cursar a engenharia...

Agradeço qualquer tentativa de ajuda. Me sinto perdido sobre como resgatar esse conhecimento...

Muito obrigado,

Antônio Bahia | Sorocaba-SP

(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



RESPOSTA:



Prezado Antônio

A resposta que eu tenho pra você certamente não é a que você espera. Vou tentar ser simples e objetivo: NÃO FAÇA ISTO!

E esta é, provavelmente, a primeira vez em mais de 30 anos que eu digo isso para alguém que está interessado em fazer Engenharia. Por isto vou explicar melhor.

Há algumas semanas, respondendo a uma Pergunta de Leitor, procurei chamar atenção para o fato de que a escolha do curso superior deve levar em conta não apenas o que a pessoa gosta mas, principalmente, o tipo de vida que ela gostaria de viver. (veja AQUI).

Também tenho dito, muitas vezes, para muitos leitores, que não devem se preocupar com a idade na hora de optar por fazer a faculdade de Engenharia. Não existe nenhum grande problema em formar-se engenheiro com 35, 40 ou 50 anos (veja AQUI)

Mas, no seu caso é diferente: você já tem uma formação. E (isso é muito importante!) você nem deu ainda uma chance a si mesmo de experimentar o exercício dessa profissão.

Acho que você levaria apenas alguns meses para retomar o ritmo e atualizar os conhecimentos para o exercício da Odontologia.

Mas levaria uns dois anos de preparação para o vestibular, mais cinco anos de faculdade (tendo que enfrentar muitas dificuldades - veja AQUI) e mais uns dois ou três anos para engrenar na nova profissão, ou seja, mais uns dez anos e bastante luta.

Não vale a pena, considerando que você tem uma alternativa na mão.

Abraço.





PADILHA, Ênio. 2014





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ANGÚSTIA DE RECÉM-FORMADO

(Publicado em 07/02/2012)



Prezado Ênio Padilha
Sou recém formada em Engenharia de Produção. Peço alguns conselhos de como não se desesperar na busca de uma colocação no mercado, no qual se mostra altamente competitivo, lidando com a existência do preconceito subliminar contra as mulheres em áreas antes dominadas por homens.
Estou passando por uma das piores fases da minha vida, onde vem a frustração de não alcançar o sonho constituído apenas de uma oportunidade para me desenvolver e além disso tendo que lidar com as cobranças cruéis da sociedade, sofrendo insinuações diárias sobre a minha capacidade já que não consigo a tão almejada oportunidade de trabalho.
Como lidar com essa pressão social e familiar? Venho ressaltar que de minha parte não existe falta de atitude estou fazendo de tudo ao meu alcance e no momento só me resta o conforto espiritual.
Obrigada!

Maria do Carmo | Itabira-MG
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



Resposta de Ênio Padilha

Maria do Carmo
A primeira coisa que você precisa saber é que essa angústia nos primeiros meses pós-formatura é absolutamente normal. Você não está sozinha.
Além do mais, é normal, também, que o profissional não encontre trabalho imediatamente após a formatura. Faz parte do processo normal. Você e sua família precisam compreender isso. Nos primeiros meses pode mesmo acontecer de as dificuldades parecerem intransponíveis.
Logo você irá encontrar uma boa oportunidade e, mais tarde, irá achar até engraçado esse desespero todo.

O seu e-mail, no entanto, não está deixando claro o tipo de oportunidade que você está procurando, o que dificulta um pouco a resposta. Sendo assim, peço que você responda o seguinte:

1) No seu e-mail você diz que é de uma cidade (não muito grande) do interior do seu estado. Então, precisamos saber se você está procurando emprego ou oportunidades de emprego apenas na sua cidade ou está considerando a possibilidade de trabalhar em outras cidades e até mesmo em outros estados?

2) Que tipo de trabalho, exatamente, você está procurando? (o mercado para engenheiros de produção é imenso: vai desde atividades operacionais até posições administrativas, passando pelo planejamento de produtos e processos produtivos)

3) Como está o seu currículo? Durante a graduação você fez cursos extra-curriculares? Fez visitas técnicas? fez estágios? fez estágios extra-curriculares?

4) Você é fluente em inglês? E em algum outro idioma?

5) Domina informática? (inclui programação de computadores, além do domínio dos principais softwares operacionais)

Quanto ao preconceito contra a mulher, os meus estudos têm mostrado que ele é menos intenso nas atividades de nível superior. Não estou dizendo que não existe, mas que, para algumas empresas (grandes, principalmente) é até interessante incluir mulheres nos seus quadros, no sentido de humanizar mais o ambiente de trabalho.

Vou aguardar o seu retorno para ampliar a avaliação do seu caso e avaliar qualquer recomendação.

RESPOSTAS DE MARIA DO CARMO ÀS QUESTÕES APRESENTADAS

Prof. Ênio Padilha
Esclarecendo as suas questões:

1) Sempre considerei e deixo claro no currículo que aceito propostas de outras regiões, busco entrar em contato com empresas de outras cidades por meio de formulários online. Creio que a internet é uma ótima ferramento na busca de uma colocação no mercado.

2) Como sou recém formada não tenho pré definida uma área de trabalho, no entanto, me agrada uma oportunidade onde possa desenvolver meus talentos, então meu objetivo inicial é trabalhar como aprendiz, trainee, auxiliar.

3) Venho de uma Família de baixa renda, então durante meu curso trabalhei em uma construtora como auxiliar de engenharia, para poder me manter, o que meu deu uma direção melhor durante o curso, porém não sobrava tempo para outras atividades.

4) Não tive oportunidade de estudar outras linguás, apesar de querer muito, como me falta recursos financeiros e a cidade onde moro não possui cursos gratuitos venho estudando em casa em cursos online.

5) Já Informatica me dou bem, como disse anteriormente, trabalhei em uma construtora que exigia um aperfeiçoamento na parte de software de desenhos e orçamentos.

Às vezes me pego com um pensamento muito pessimista como se as oportunidades focem restrita aos grupos de maiores poderes aquisitivos, não quero justificar meu currículo, mesmo porque sei de minha competência e o quando me sacrifiquei pelo meu diploma.

Prof. Ênio o senhor disse que é normal esse desespero nos primeiros meses, mas tenho contato com outros amigos que formaram a mais de um ano e não conseguiram sequer serem chamados pra entrevistas.
Como se destacar no mercado quando nos deparamos com um ciclo, no qual sem dinheiro não posso me aperfeiçoar com cursos, quando estou trabalhando não tenho tempo para cursos?

Desde Já agradeço a atenção.



Tréplica de Ênio Padilha

Maria do Carmo
Itens 1 e 2, ok.
Passemos para o item 3: não vou discutir aqui as motivações ou as necessidades. Também vim de uma família muito pobre e também tive de trabalhar durante a minha faculdade. Portanto, saiba que eu entendo perfeitamente essa situação. Só que isso (trabalhar durante a faculdade) prejudica a formação do profissional (mesmo quando o trabalho é na mesma área de formação). Leia o artigo CARTA A UM CALOURO (DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA) e veja, com detalhes o que eu penso sobre isso.
Agora o que você precisa entender é que há um terreno a ser recuperado. Muito estudo a ser feito para você "ficar em forma". Comece já. Quanto mais tempo gastar se lamentando pior a coisa fica. Retome os estudos AGORA.

Item 4: É possível estudar inglês DE GRAÇA na internet em cursos como este AQUI. Só depende de você ter DISCIPLINA.
Saber falar Inglês (hoje, no Brasil) não tem nada a ver com ter ou não ter dinheiro. Vou repetir: é só uma questão de disciplina. Você pode concluir essa etapa em menos de um ano.

Item 5: É muito importante que você domine COMPLETAMENTE os comandos de nível superior dos programas típicos utilizados nas empresas. Se você conhece apenas 15 ou 20 comandos do o Excell, por exemplo, isso não torna você competitiva numa disputa por um emprego. "Dominar um software" é muito acima de "saber trabalhar com o software". Significa que você poderá ser acionada quando houver, na empresa, uma questão mais complicada.

Resumindo, Maria do Carmo, Não há motivo para desespero. No entanto. existe, sim, um terreno a ser recuperado e agora ninguém mais quer saber os seus motivos ou como foi que a coisa chegou até aqui. Para quem contrata só interessa saber se você já está pronta.

Oportunidades certamente surgirão. Você precisa se apresentar com calma e sempre deixar muito claro ao potencial futuro empregador que você QUER MUITO aprender e que está disposta a fazer os sacrifícios necessários para isso.

Um dos sacrifícios que você talvez tenha de fazer é dar preferência aos empregos que permitam a você continuar estudando muito. Mesmo que esses empregos sejam os de menor remuneração.

Boa sorte.





PADILHA, Ênio. 2012





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NINGUÉM É PERFEITO

(Publicado em 11/10/2021)



Este artigo eu escrevi em 2019, mas nunca publiquei.

Na verdade, na época, mostrei a um amigo e ele me desaconselhou a publicar. A intenção dele era muito boa. Ele queria me convencer de que eu não precisava ser bom de vídeo para publicar coisas interessantes nas redes sociais. Eu ouvi o seu conselho e esqueci o texto no bloco de notas.

Hoje, depois de uma série de vídeos produzidos no início de 2020 para o CAU/SC (EMPREENDER ARQUITETURA) e outra série sendo produzida agora para o CREA/SC (PRIMEIROS PASSOS NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL), além de um canal ativo no YouTube (CANAL 893), reencontrei o artigo e me dei conta de que eu estava errado naquela reunião…

Dá uma olhada




“A verdade é que eu não sou bom de vídeo.”

A afirmação assim, sem meias palavras deixou as três boquiabertas de surpresa. Afinal, modéstia nunca foi uma das minhas virtudes e elas sabiam que eu não poderia ter mudado assim, da noite para o dia. Sou do tipo que diz ”Eu tenho apenas duas qualidades: a modéstia e a perfeição” (sem ficar vermelho!)

Eu continuei: “na verdade o problema é um pouco mais profundo. Eu não tenho poder de síntese. Essa é a razão pela qual eu não funciono bem fazendo vídeos.”





Foto: Maria Helena



Era uma reunião da empresa, com a Áurea, a Ana Clara e a Maria Helena. Estávamos discutindo estratégias para os próximos anos. Surgiu a discussão sobre a necessidade de produzir vídeos e publicá-los no site e nas redes sociais.

Eu já tinha feito inúmeras tentativas. Mas nunca me senti confortável com o resultado. No entanto não podia negar o poder do vídeo sobre o público.

Não dava pra argumentar que fazer vídeo não importava ou que isso era apenas um modismo. Então fui obrigado a confessar minha fraqueza. Tratava-se de uma habilidade que eu não tenho, derivada de um talento que eu não possuo: o poder de síntese.

Eu não sou um fazedor de frases. Sou um fiasco no Twitter. Meu senso de humor é abaixo do mínimo. E eu não tenho aquilo que se conhece como inteligência presente ou presença de espírito, que significa ter a resposta rápida e eficaz.

Isso nunca me impediu de ser um bom engenheiro, professor ou autor de livro, justamente porque o exercício dessas atividades não requer aquelas habilidades ou talentos.

Um advogado precisa tê-las. Um médico ou um jornalista também. Mas um engenheiro ou arquiteto não precisa.

Nós precisamos ter a melhor resposta. A melhor solução para o problema. Mas não precisa ser de imediato. No nosso trabalho (ao contrário dos advogados e médicos) existe um tempo para a análise dos dados e a formatação da resposta/solução.

Acho sensacional aqueles palestrantes do TED que conseguem desenvolver uma ideia com começo, meio e fim em apenas 15 ou 18 minutos, mas sinto que eu não tenho esse talento. Preciso de mais tempo.

Não digo isso com nenhum orgulho. Lamento não ser assim. Apenas sei que eu funciono melhor se tiver 50 minutos ou uma hora inteira para apresentar a minha palestra.

Sou melhor ainda num curso com 8 horas de duração e, se for um curso com 16 ou 20 horas… aí eu estou no meu Maracanã! Não tem erro.

No passado participei, como delegado, nas etapas do Congresso Nacional de Profissionais do Sistema Confea Crea. Quase todos que me conhecem achavam que eu estava muito confortável participando dos debates, mas eu não estava.

Toda vez que eu tinha oportunidade de defender alguma ideia ou proposta, o tempo era curto (um minuto ou dois). Aquilo, pra mim, era um sofrimento. Perdi quase todas as causas que defendi. Se fossem discussões mais profundas e demoradas, creio que eu me sairia bem melhor.

Quando um palestrante ou professor faz vídeos, o objetivo é dar uma amostra do que ele é como professor e como palestrante. Aí é que eu vejo o problema: os meus vídeos não conseguem cumprir esse papel. Meu desempenho nos vídeos não se compara ao que eu faço quando estou diante de pessoas, num auditório ou numa sala de aula (e com tempo para desenvolver o tema).

A decisão da reunião foi que os vídeos seriam feitos, de qualquer forma. Chegaram até a lembrar a famosa frase do Comandante Rolim Amaro, presidente da TAM, nos anos 1990. Ele dizia, “Em busca do ótimo não se faz o bom”, lembrando que nem sempre é possível fazer com perfeição, mas sempre é possível fazer bem feito.

Então eu vou continuar tentando fazer vídeos bons, já que não consigo fazê-los ótimos. Mas peço que os leitores e internautas tenham uma boa dose de paciência. Ninguém é perfeito.





PADILHA, Ênio. 2021



PS.: Tenho de agradecer a querida amiga Lígia Fascioni, que, recentemente, leu este artigo e insistiu que ele deveria ser publicado. Danke, Lígia

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NA CONTRA-MÃO

(Publicado em 06/03/2015)



Segundo matéria publicada no archdaily.com.br, um relatório publicado na Inglaterra dá conta de que "dos 149 empregadores e 580 estudantes e recém formados em arquitetura que participaram da pesquisa, a grande maioria criticou a formação arquitetônica por priorizar o conhecimento teórico em vez da habilidade prática e concorda que a maior parte dos graduandos não são muito bem preparados para trabalhar após saírem da universidade".

Mesmo sabendo que minha opinião não conta muito, EU DISCORDO!





Imagem Pixabay: blizniak



FACULDADE É PRA APRENDER TEORIA

Minha opinião sobre este assunto contraria meio mundo. Ou melhor, contraria quase todo mundo: eu defendo o ensino de mais teoria e menos prática nas faculdades de Engenharia e Arquitetura.

Não. Não pare de ler, por favor. Nem me atire pedras antes de dar um pouquinho de atenção aos meus argumentos.

Henry Ford, o industrial norte americano, dizia que “pensar é o trabalho mais pesado que há. E talvez essa seja a razão para tão poucos se dedicarem a isso”.

O mundo da construção civil e das fábricas (onde atuamos) é o império do conhecimento prático. Tá cheio de práticos. De gente que aprendeu tudo na escola da vida. De gente cheio de experiência. Justamente porque o conhecimento prático é aquele que se obtém da forma mais fácil: aprender fazendo. Por isso mesmo tanta gente tem esse tipo de conhecimento.

Se um engenheiro ou arquiteto quer ser diferenciado ou especial nesse meio, tem de oferecer algo que essas pessoas não têm. E esse algo é justamente o domínio da teoria. Num canteiro de obra um arquiteto ou engenheiro é justamente a reserva de conhecimento teórico necessário para que a coisa não desande.

Mas existe um discurso dominante de desvalorização do conhecimento teórico. É uma espécie sutil de bullying muito semelhante ao que existe nas escolas de ensino fundamental e médio.
Nos canteiros de obra e no chão da fábrica o domínio da prática é supervalorizado como uma forma de dominação e poder. O poder dos que não sabem (ou não gostam de) pensar.

Um engenheiro ou arquiteto que desista de ser um pensador, que desista de buscar soluções teóricas para os problemas que enfrenta, vira um fazedor. Um pesquisador de tabelas, preenchedor de planilha, aplicador de fórmulas, um mero repetidor de tabelas de fabricantes, de catálogos e soluções pré fabricadas… um sujeito útil. E substituível.

O arquiteto ou engenheiro deve reagir a isso. Deve ser bom em conectar conceitos, identificar princípios, avaliar alternativas que estejam ainda no campo da abstração. Isso é difícil. Só sabe fazer isso quem tem experiência… em pensar.
A experiência em pensar é uma coisa que pouca gente tem. E quem não tem não consegue avaliar a sua importância. E, se não consegue avaliar, nunca saberá valorizar.

Quer dizer, então, que, durante a faculdade, o aluno deve desprezar as oportunidades de obter alguma experiência prática de aplicação dos seus conhecimentos teóricos? Claro que não. Pelo amor de Deus! É claro que o estudante de Engenharia ou de Arquitetura deve, durante a sua formação, ter a oportunidade de exercer, na prática, seus conhecimentos. Entender como a coisa funciona no dia-a-dia, no chão da fábrica ou no canteiro de obra.

Como eu já tive oportunidade de dizer em outros artigos, experiência e prática são importantes para o exercício profissional. Mas os estágios curriculares e algumas atividades extra-curriculares são suficientes para que você saia da faculdade pronto para enfrentar o mercado. Mas a verdadeira experiência e o domínio da prática profissional deve ser uma conquista pós-formatura.

O estágio, aliás, é um dos principais problemas da formação de arquitetos e engenheiros no Brasil: os programas de estágios, principalmente em escritórios de projeto, transformaram-se em programas de exploração de mão de obra qualificada e barata, onde estudante é levado a crer que está tendo alguma vantagem (em colocar a mão na massa) mas, na prática, está envolvido em uma atividade que irá acrescentar muito pouco à sua formação de profissional. (Mas isso já é assunto para outro artigo)

O importante aqui é deixar claro a seguinte posição: a faculdade é apenas uma parte do processo de formação de um arquiteto ou de um engenheiro. Nessa fase, o importante é dar a esse estudante exatamente algo que ele nunca mais terá oportunidade de obter depois que iniciar o exercício profissional. Esse algo é justamente o conhecimento teórico.

O conhecimento prático ele poderá obter com certa facilidade depois de formado. Não é dramático nem grave que um profissional recém-formado não tenha (ou tenha pouco) conhecimento prático.

Pessoas que insistem em exigir de um recém formado um conhecimento prático das coisas estão prejudicando esses jovens. Estão fazendo com que eles pulem etapas e busquem se nivelar aos “doutores da prática” abrindo mão da única coisa que pode fazer deles profissionais realmente indispensáveis: a capacidade de saber pensar.

O problema não é ensinar mais teoria e menos prática na faculdade. O problema é não conversar com os jovens sobre isso. É não dar a eles uma noção do quanto importante é o conhecimento teórico. De como utilizar isso para se diferenciar no mercado de trabalho. O problema é ensinar teoria na faculdade e permitir que o estudante se sinta culpado por não dominar a prática. O problema é, muitas vezes, negligenciar a importância da conexão entre a teoria e a prática.





PADILHA, Ênio. 2015

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VOU DESOBEDECER

(Publicado em 01/09/2014)



Na semana passada assisti a uma palestra sobre marketing digital. Palestra bacana, com muitas coisas interessantes e úteis. Porém, uma recomendação do palestrante (que ele deve considerar muito importante, posto que repetiu umas cinco vezes) era a de que, num site ou num blog o autor deve evitar textos longos (nesse caso ele se referia a textos com mais de dois parágrafos). Evite os textos, repetia ele. Coloque muitas imagens e vídeos. Isso é o que as pessoas querem ver. Os textos longos (mais de dois parágrafos) afastam os leitores...

Vou desobedecer! Nem passa pela minha cabeça escrever drops, por mais que eu respeite o poder de síntese. Eu não tenho muito respeito por alguém que não goste de ler ou que fuja de um texto apenas porque ele é longo. Isso é uma vergonha!

Além do mais, eu sou autor de livros. Num livro você trata de um assunto com razoável profundidade. Precisa explorar diversos ângulos e nuances. O leitor de livro é uma pessoa que busca um tema que tenha sido tratado sem pressa. Com alguns detalhes.

O tipo de leitor que eu quero que frequente o meu site é justamente esse leitor de livros. Um cara que não tenha medo de análises mais longitudinais. Um cara com resistência intelectual de gente grande. Um cara que já tenha passado da fase dos livros infantis, com suas frases curtas e ilustrações enormes. Se o sujeito foge no terceiro parágrafo, não tem futuro como leitor de livros. Que vá ler drops no Facebook. Não sinto que esteja perdendo grande coisa.

Você ainda está aí? Que bom. Muito obrigado. E seja sempre bem-vindo ao nosso site. Aqui a gente dá a cada assunto abordado o valor que ele merece. E eu não tenho dúvidas de que existem coisas que precisam de mais de 140 caracteres para serem tratados com o devido respeito.





PADILHA, Ênio. 2014





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SOB PRESSÃO

(Publicado em 09/05/1993)





Imagem: Pedro Águas



Se você faz parte do grupo de pessoas que costuma dizer “Eu não gosto que me pressionem. Eu não trabalho sob pressão!”, eu tenho duas notícias para você: uma boa e outra ruim.

A boa notícia é que você não está sozinho. Pelo contrário, está em numerosíssima companhia: noventa e cinco por cento das pessoas são como você. Não gostam de serem pressionados. Perdem rendimento quando são submetidos a pressão acima da normal.

A má notícia é que você está no time errado. Os outros cinco por cento é que são os VENCEDORES, os LÍDERES, os que conseguem fazer as coisas enquanto vocês (os 95%) estão batendo no peito, cheios de si, e dizendo: “Eu não trabalho sob pressão”.

É isso mesmo, amigo. É sob pressão que os melhores se destacam das pessoas comuns. Enquanto as condições de trabalho são normais, o rendimento excepcional não aparece. Quando a coisa aperta (quando “o bicho pega”) é que as diferenças começam a aparecer.

Fazer um gol da marca do pênalti, com o goleiro batido, sem zagueiros por perto e com o estádio vazio... é fácil. Qualquer cabeça-de-bagre faz. Agora, numa final de campeonato, com estádio lotado, um goleiro alerta, três ou quatro zagueiros chegando junto...

Você já viu um piloto de fórmula 1 dar uma entrevista e dizer que não gosta de ser pressionado, ou que perde rendimento sob pressão?

Já parou para pensar na pressão sobre um atleta no dia de uma final de olimpíada (estádio cheio, televisão para o mundo inteiro, família vendo tudo, amigos, namorada, patrocinadores, oportunidades... isto sem falar nos adversários).

E que tal a pressão sobre um ator de teatro no dia de uma estréia nacional? A pressão sobre um empresário, no dia de fechar um negócio importante? A pressão sobre um astronauta no dia da partida para uma missão espacial? A pressão sobre um médico fazendo um transplante de coração (mais ainda, se o paciente for uma pessoa famosa ou importante)? E a extrema pressão a que está submetido um policial numa operação de resgate em um sequestro?

As pressões a que uma pessoa pode ser submetida (pressão do tempo se esgotando, pressão da responsabilidade, pressão da ansiedade, da angústia ou da raiva) provocam, na maioria das pessoas uma perda do equilíbrio emocional que tem como consequência imediata a perda do rendimento e do desempenho.

Mas na maioria dos casos, essa perda do rendimento não tem razões físicas. É apenas uma resposta psicológica que começa pela própria pessoa acreditar que “se houver pressão, de qualquer natureza, eu não vou funcionar direito”.

E, para quem pensa que “nasceu assim, cresceu assim e vai ser sempre assim”, outra boa notícia: você pode, sim, aprender a suportar pressões e vencer desafios importantes. Mas, primeiro, você precisa QUERER. Segundo, você precisa aprender a identificar pequenas oportunidades de treinar essa qualidade, enfrentando com coragem as pequenas, porém históricas, fontes de pressão no seu dia-a-dia, como, por exemplo, falar em público, expor suas opiniões, assumir responsabilidades, ser criativo, terminar um trabalho no tempo determinado.

Você precisa perder o medo de errar e desenvolver a disposição para acertar. Isto não é fácil, mas não é impossível.

Procure ajuda profissional, leia livros, faça cursos, faça qualquer coisa, mas não desperdice sua vida acreditando que você não resiste a pressões. Que você não funciona sob pressão. Que você nasceu para ser um perdedor.

Isto não é verdade ! (e você sabe disso.)





PADILHA, Ênio. 1993



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O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU

(Publicado em 14/10/2014)



Neste 15 de outubro comemoramos O DIA DO PROFESSOR. Em 2012 eu publiquei AQUI um artigo contando por que me tornei professor e sobre ser professor em cursos de pós graduação.

Neste ano eu gostaria de falar do tipo de professor que eu quero e procuro ser. E, principalmente, do tipo de professor que eu não sou nem quero ser.

Eu NÃO QUERO SER um professor no qual o aluno NÃO POSSA confiar plenamente.
Professor precisa ter credibilidade absoluta. Não é tão difícil. A receita é simples: estudar muito antes de produzir uma aula. Não adianta estudar o bastante para conhecer o conteúdo. Tem de ir além. Precisa identificar o senso comum sobre o que ele ensina porque esse é o ponto de partida da sua aula. O aluno sempre sabe alguma coisa sobre o assunto. Esse conhecimento, muitas vezes, pode ser equivocado. Então, antes de ensinar o seu conteúdo, o professor precisa desconstruir a convicção equivocada que o aluno tem. E está tarefa nem sempre é fácil. O professor precisa ter credibilidade intelectual. Precisa mostrar que conhece bem a literatura e todas as vertentes da discussão. Precisa mostrar que entende de onde vem a noção (eventualmente errada) que o aluno tem.

Eu não sou um professor engraçado. Não tenho esse dom. E admiro, de verdade, os professores que possuem uma veia humorística, que são naturalmente engraçados, que constroem bordões, que produzem gags e que utilizam isso como recurso didático. Acho o máximo.
Mas morro de pena dos professores que são "sem graça" e que forçam a barra tentando ser engraçadinhos. É patético. Eu fujo disso como o Diabo foge da cruz! Sou "sem graça" mas não sou "sem noção".
Procuro compensar a minha falta de graça com alguns recursos de oratória. Um vocabulário rico, uma gesticulação agradável, um discurso ilustrado, exemplos bem construídos...
Não pensem que é fácil. Seria muito mais tranquilo se eu fosse engraçado.

Não sou o tipo de professor que faz colagem (sem citar as fontes) de conteúdos de cursos ou palestras que tenha assistido. E vende o produto resultante como se fosse criação sua. Isso é muito triste.
Nem sempre é preciso reinventar a roda. Se uma determinada questão já foi muito bem explicada por alguém, o que é que custa usar a mesma abordagem, a mesma explicação, e dar o crédito ao autor, professor ou palestrante? Eu faço isso o tempo todo. Nas minhas aulas sempre tem um flip chart que fica num canto da sala. Cada vez que eu utilizo uma explicação tirada de algum autor ou de um outro colega professor ou palestrante o nome dele vai para o quadro. Assim, no final da aula, os alunos sabem que o conhecimento que receberam não veio só de mim (da minha cabeça) mas também de todos aqueles quer estão naquela lista.

Não sou o tipo de professor preguiçoso, que usa imagens capturadas da internet, piadinhas tiradas de blogs humorísticos ou de autoajuda e vídeos do YouTube (geralmente filmes de propaganda de alguma organização ou produto).
Tento produzir as minhas próprias imagens, meus próprios diagramas e infográficos. E os vídeos que eu utilizo nas minhas aulas são todos produzidos por mim.
Podem não ser grande coisa (os meus vídeos e os meus infográficos). Mas aí faço minhas as palavras do poeta francês Edmond Rostand que, na pele do personagem Cyrano de Bergerac diz, a certa altura, "seja do teu pomar, teu próprio, o que tu colhas. Embora fruto, flor ou, simplesmente, folhas"

Os professores que utilizam está prática preguiçosa de copiar tudo da internet apostam na ignorância dos alunos. Eles sabem que mais de metade da turma nunca viu aquilo antes. Nivelam por baixo a qualidade de suas aulas. Eu, pelo contrário, procuro dar aula no nível do aluno mais culto e preparado da sala. Se eu utilizasse uma dessas coisas e um único aluno reconhecesse que aquilo não era original, eu não me sentiria confortável como professor.

Não sou o tipo de professor que divide o conteúdo em trabalhos de grupos e depois os grupos apresentam os conteúdos em seminários. Acho que essa prática até pode funcionar em cursos de graduação, onde o número de horas aula é maior para cada disciplina. Em cursos de pós graduação, com conteúdos enormes espremidos em cargas horárias reduzidas, esse artifício geralmente penaliza os alunos, que pagam para ter aula com um professor e acabam fazendo todo o trabalho e recebendo aula dos seus colegas. Na maioria das vezes essas "aulas" (dadas pelos próprios alunos) são muito ruins. E seria muito estranho se não fossem.

Por fim, não sou o tipo de professor que faz Dinâmicas de Grupo. Considero esse recurso didático desnecessário para públicos intelectualmente maduros. Dinâmicas de grupo são essenciais no ensino fundamental. São interessantes no ensino médio. Aceitáveis na graduação... Mas em cursos de pós graduação (especialmente em turmas de arquitetos, engenheiros e designers) é o fim da picada! Geralmente é um desperdício de tempo, pois serve apenas para fixar algum conceito.
Pessoas intelectualmente maduras (gente que já consegue ler livros sem figurinhas) conseguem entender um conceito se ele for bem explicado e tiver um bom exemplo ou ilustração. Eu não faço dinâmicas de grupo principalmente porque respeito a inteligência dos meus alunos.

Conclusão:
Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes". Portanto, não sou Educador, não sou Facilitador de coisa alguma e nem sou animador de plateia. Sou, simplesmente, professor.

E tenho orgulho de ser professor. De poder ensinar o que aprendi. E de aprender mais enquanto ensino.
Só isso.





PADILHA, Ênio. 2014





Leia também: PROFESSOR. É O QUE EU SOU





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PROFESSOR. É O QUE EU SOU.

(Publicado em 14/10/2012)



Eu decidi que seria professor quando tinha 14 anos. Minha inspiração foi uma professora de matemática, Dona Valburga (Escola Estadual Roberto Machado, Rio do Sul - SC, 1974). Ela dava aula de um jeito tão especial e tinha uma didática tão perfeita que eu decidi que queria ser assim, capaz de ensinar coisas para quem não sabe. Ela não era uma professora boazinha. Não era uma professora super querida. Mas era honesta com os alunos. E sabia ensinar. Isso, para mim, era muito importante.





Imagem: Pixabay



Doze anos depois (em 1986) me formei engenheiro. Trabalhei no campo, fazendo projetos, acompanhando obras... e, eventualmente, dava palestras e cursos. Não era a minha atividade principal. Mas era, com certeza, o que eu mais gostava de fazer.

Em 1998, por conta de um conjunto de circunstâncias muito positivas, pude passar a me dedicar exclusivamente às palestras e cursos. Mas ainda faltava alguma coisa pra eu ser um "professor de verdade". Quando terminei o mestrado, em 2007 realizei, finalmente, o meu sonho. Ser professor em cursos regulares. Em sala de aula.
Hoje posso dizer que atuo profissionalmente na atividade que me dá o maior prazer: dar aulas.

Quando estou numa sala de aula, diante da turma, sinto-me plenamente realizado. Uma aula boa é, sem dúvida, uma das sensações mais agradáveis da vida. Eu adoro ser professor!

Mas sou professor de adultos. É importante dizer isso, pois eu ainda acho que existe uma categoria de professores num degrau acima (nunca chegarei a tanto): os professores de crianças e adolescentes. Esses sim, são especiais e precisam ter qualidades e habilidades superiores, pois eles, além de saber ensinar, precisam criar nos alunos a vontade de aprender.

Como professor de gente crescida, não tenho essa dificuldade. Quem entra na minha sala de aula (cursos promovidos por entidades de classe ou aulas em cursos de pós-graduação) está ali por vontade própria. Já tem (ou deveria ter) a vontade de aprender. Posso então me dar a certos direitos. Posso me dar ao luxo de apenas ensinar. E sustentar meu trabalho naquelas qualidades que eu admirava na professora Valburga: ser honesto com os meus alunos e saber ensinar.

Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes"

Não sou Educador. Quem tem de ser educador é o pai e a mãe e não o professor. Professor tem de ensinar. Não pode se afastar dessa responsabilidade. Quando minhas filhas eram pequenas eu fui educador. Felizmente deu certo. Elas são muito bem educadas. Quanto aos meus alunos, eu espero que eles já tenham recebido uma boa educação. E, se não receberam, não há mais nada que eu possa fazer.

Também não sou facilitador de nada. Não sou mediador de coisa alguma. E nem sou animador de platéias.

Sou professor. Adoro ser professor. Não tenho medo de ensinar e assumo como minha a responsabilidade de transmitir (e estimular o desejo de obter mais) conhecimento. Não me sinto obrigado a ensinar quem não quer aprender. Não assumo como minha a responsabilidade de fazer com que o indivíduo queira aprender. Isso é problema dele. Mas se ele quiser aprender, aí sim, o problema é meu: tenho a obrigação de ensinar. E de encontrar meios para que ele aprenda.

Tenho a obrigação de dar uma aula agradável, mas não tenho a obrigação de manter os alunos intelectualmente confortáveis. Não tenho medo de dizer as coisas com as quais os alunos não concordam. Não posso chover no molhado. Tenho a obrigação de tirar o aluno do conforto psicológico. Fazê-lo questionar suas crenças estabelecidas. Duvidar do que eu digo, duvidar do que ele próprio pensa, duvidar de tudo.

Quando, em sala de aula, um aluno discorda do que eu estou dizendo, não me sinto desconfortável. Pelo contrário. Isso me desafia. Me dá a oportunidade de mostrar se, afinal, eu sou ou não um bom professor. Melhor ainda se eu percebo interesse verdadeiro do aluno pelo tema. Isso é terreno fértil para o ensino. Cabe a mim ter a habilidade de conduzir os argumentos para transformar o conhecimento do aluno e permitir nele a mudança de paradigmas.

Acredito que um bom professor não é, necessariamente, aquele que sabe muito mais do que o aluno. Mas aquele que consegue entender perfeitamente o que está dificultando o acesso do aluno ao argumento correto. Ou seja, o que é que está cegando o aluno para aquele conhecimento.

Não faço dinâmicas de grupo. Não faço dancinhas, não faço joguinhos, não conto piadas... Não estou na sala de aula para distrair nem para divertir ninguém. Quem quer se divertir deve ir a um teatro, um circo, um show ou a um Estádio. Sala de aula é o lugar de outra coisa. Essas atividades, aliás, na minha opinião, são muito importantes para crianças, adolescentes e adultos sem amadurecimento intelectual.

Não quero perder meu tempo desenvolvendo habilidades de entretenimento enquanto poderia estar desenvolvendo capacidade de argumentação e persuasão. Como Professor não posso ter medo das minhas convicções. Devo surpreender o aluno com conhecimentos novos, aprofundados e com quebra constante de modelos mentais.

Acredito que o aluno espera aprender alguma coisa com o professor. E fico feliz em fazer isso.





PADILHA, Ênio. 2012





Leia também: O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU





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DEZ RECOMENDAÇÕES PARA A QUALIDADE E PRODUTIVIDADE DE UMA ENTIDADE DE CLASSE

(Publicado em 19/08/2019)











PADILHA, Ênio. 2019






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PROFESSOR DE GENTE GRANDE

(Publicado em 15/10/2019)



Em inglês (tanto o americano quanto o britânico) existem duas palavras para professor: teacher, que é utilizado para identificar o professor das fases iniciais da formação (da infância até a adolescência) e professor, para identificar os professores a partir da graduação.





Pixabay



No Brasil, infelizmente, usamos a mesma palavra (professor) para identificar tanto a tia da pré-escola quanto o orientador do doutorado. Esse erro leva, infelizmente, a prejuízos sérios no entendimento.

Eu já escrevi, num artigo chamado “PROFESSOR. É O QUE EU SOU” o quanto eu valorizo os professores das primeiras séries e o quanto eu entendo que não tenho a necessária formação ou competência para ser como eles. Eles estão, como eu já disse, um degrau (ou mais) acima do que eu sou. Eu sou professor de gente grande.

Não sou Educador. Quem tem de ser educador é o pai e a mãe e não o professor. Meu compromisso como professor é o de ensinar. Não posso me afastar dessa responsabilidade. Fui educador, quando minhas filhas eram pequenas. Felizmente deu certo. Elas são muito bem educadas. Quanto aos meus alunos, eu espero que eles já tenham recebido uma boa educação. E, se não receberam, não há mais nada que eu possa fazer.

Também não sou facilitador de nada. Não sou mediador de coisa alguma. E nem sou animador de platéias. Sou professor.

Sou professor. Adoro ser professor. Não tenho medo de ensinar e assumo como minha a responsabilidade de transmitir (e estimular o desejo de obter mais) conhecimento. Não me sinto obrigado a ensinar quem não quer aprender.

Não assumo como minha a responsabilidade de fazer com que o indivíduo queira aprender. Isso é problema dele.

Mas se ele quiser aprender, aí sim, o problema é meu: tenho a obrigação de ensinar. E de encontrar meios para que ele aprenda.

Tenho a obrigação de dar uma aula agradável, mas não tenho a obrigação de manter os alunos intelectualmente confortáveis. Não tenho medo de dizer as coisas com as quais os alunos não concordam. Não posso chover no molhado. Tenho a obrigação de tirar o aluno do conforto psicológico. Fazê-lo questionar suas crenças estabelecidas. Duvidar do que eu digo, duvidar do que ele próprio pensa, duvidar de tudo.

Quando, em sala de aula, um aluno discorda do que eu estou dizendo, não me sinto desconfortável. Pelo contrário. Isso me desafia. Me dá a oportunidade de mostrar se, afinal, eu sou ou não um bom professor.

Melhor ainda se eu percebo interesse verdadeiro do aluno pelo tema. Isso é terreno fértil para o ensino. Cabe a mim ter a habilidade de conduzir os argumentos para transformar o conhecimento do aluno e permitir nele a mudança de paradigmas.

Acredito que um bom professor não é, necessariamente, aquele que sabe muito mais do que o aluno. Mas aquele que consegue entender perfeitamente o que está dificultando o acesso do aluno ao argumento correto. Ou seja, o que é que está cegando o aluno para aquele conhecimento.

Não faço dinâmicas de grupo. Não faço dancinhas, não faço joguinhos, não conto piadas... Não estou na sala de aula para distrair nem para divertir ninguém. Quem quer se divertir deve ir a um teatro, um circo, um show ou a um estádio. Sala de aula é o lugar de outra coisa. Essas atividades, aliás, na minha opinião, são muito importantes para crianças, adolescentes e adultos sem amadurecimento intelectual. E, para isso, existe outro tipo de professor (em inglês, teacher).

Não quero perder meu tempo desenvolvendo habilidades de entretenimento enquanto poderia estar desenvolvendo capacidade de argumentação e persuasão. Como professor não posso ter medo das minhas convicções. Devo surpreender o aluno com conhecimentos novos, aprofundados e com quebra constante de modelos mentais.

Acredito que o aluno espera aprender alguma coisa com o professor. E fico feliz em fazer isso.

Se você for professor, como eu, parabéns pelo seu dia.

Se você, além de professor é o que os americanos e britânicos identificam como teacher, meus parabéns em dobro.

É isso. A gente se encontra em uma sala de aula por aí.





PADILHA, Ênio. 2019





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