CALCULE O VALOR DA SUA EMPRESA (STARTUP)

(Publicado em 23/09/2021)





CALCULADORA DESENVOLVIDA PELA VERGYY

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Nada na instrução espanta como a quantidade de ignorância que acumula no formulário dos fatos inertes.

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 306

Um amigo durante a vida é muito; dois é demais; três quase impossível. A amizade exige um certo paralelismo de vida,
uma comunhão de idéias, uma rivalidade de objetivos.

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 252

Um professor sempre afeta a eternidade.
Ele nunca saberá onde sua influência termina.

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 243

A filosofia é composta de respostas incompreensíveis
para questões insolúveis.

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 305

O conhecimento da natureza humana é o princípio
e o fim da educação política

HENRY BROOKS ADAMS

(1838-1918)
Historiador e Jornalista norte-americano no livro
A educação de Henry Adams, página 146

RENDA PASSIVA (A aula do Jean Tosetto)

(Publicado em 07/08/2020)



Ontem, 06/08/2020, tive o prazer de receber, no meu canal no YouTube, o meu grande amigo, arquiteto JEAN TOSETTO.

Falamos sobre muitos assuntos e, sobretudo, sobre investimentos financeiros e Renda Passiva. Agora vamos ver se eu entendi a aula.





Imagem: OitoNoveTrês



Antes de falarmos sobre renda passiva vamos definir o que é RENDA. Em economia, chamamos de renda a remuneração dos fatores de produção: salários (remuneração do fator trabalho), aluguéis (remuneração do fator terra), juros e lucros (remuneração do capital).

Algumas dessas rendas são ativas (geradas a partir de um trabalho) e outras são rendas passivas. Jean Tosetto, no vídeo (minuto 18:40) definiu a renda passiva como sendo "aquela renda que você recebe sem você ter um ofício ativo em função dela"

Provém de um ativo que você comprou, construiu, desenvolveu ou herdou. Trata-se de um investimento (de capital ou de trabalho) que é feito uma vez e que produz rendimento, de tempos em tempos, por algum tempo (ou para sempre).

Cada unidade de renda passiva, geralmente, rende um pouquinho. Portanto, devemos construir uma base de investimento em renda passiva cada vez maior, segundo Jean, para ativar a bola de neve dos juros compostos. Isto se explica porque ativos (financeiros) rendem dividendos. E você pode reaplicar esses dividendos na compra de novos ativos geradores de renda passiva,

EXEMPLOS DE INVESTIMENTO EM RENDA PASSIVA
• Escrever um livro (e receber um percentual do preço de capa cada vez que um exemplar é vendido);
• Escrever uma peça de teatro, uma música, um roteiro de filme (e receber royalties pelos direitos de exibição/execução);
• Patentear uma invenção (e receber royalties pelos direitos de fabricação)
• Investir na bolsa de valores, em ações de empresas que pagam dividendos;
• Investir na bolsa de valores, em cotas de fundos imobiliários que pagam rendimentos de aluguéis de grandes empreendimentos;
• Trabalhar durante muitos anos (décadas) e depois receber mensalmente a renda da aposentadoria (embora deva-se observar que o sistema de aposentadoria convencional não parece ser sustentável no longo prazo, ou seja: não é uma garantia real para os profissionais que estão agora em início de carreira);

Um engenheiro ou arquiteto, assim como um jogador de futebol ou pintor de paredes vive da sua renda trabalhada, ou seja, tem renda enquanto pode dedicar seu tempo e sua energia para o trabalho. É a chamada renda ativa.

Embora a renda ativa possa ser muito interessante no presente, é muito perigoso apostar o seu futuro na renda ativa. E também devemos observar que, ao escrever um livro, compor uma música, desenvolver uma invenção ou qualquer outro tipo de produto que gera renda passiva, não temos como saber, com um bom nível de segurança que o resultado irá realmente aparecer e ser compensador.

Por isso é interessante considerar, enquanto ainda temos a renda trabalhada, o investimento em ativos financeiros geradores de renda passiva. E a principal alternativa, nesse caso, é investir na bolsa de valores, em ações de empresas que pagam dividendos ou em cotas de fundos imobiliários.

Para isso o profissional precisa organizar as suas finanças pessoais e garantir que os seus gastos sejam PELO MENOS um degrau abaixo dos seus ganhos. Somente isto irá permitir a constituição da poupança para a renda passiva.

Afinal, entre outras coisas, a renda passiva representa uma rede de proteção que permite enfrentar com maior tranquilidade períodos de crise econômica pessoal (derivadas de um mau negócio ou de uma demissão, por exemplo) ou crise econômica generalizada, como esta que estamos vivendo nos últimos 6 anos.





PADILHA, Ênio. 2020






LINHA DO TEMPO DO VÍDEO
1:16 - Início e apresentação do Entrevistado
3:35 - O livro MP Lafer
7:45 - Como conheci Jean Tosetto e a parceria para o livro ARQUITETO 1.0
16:00 - Como Jean Tosetto fez a migração da Arquitetura para os livros.
17:43 - Renda Passiva - Apresentação e definição.
20:45 - Como Jean Tosetto passou de autor de assuntos de arquitetura para estudioso e autor do mercado financeiro?
42:20 - O que um engenheiro ou arquiteto precisa saber, antes de "se aventurar" no mercado financeiro?
48:32 - Literatura de entrada para investidores
50:40 - http://www.vivalendo.com (livros de Jean Tosetto)
51:44 - Sobre Bibliotecas e livros.


ÊNIO PADILHA
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A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS

(Publicado em 26/04/2013)



Na semana passada publiquei um artigo no site: "NÃO GOSTO DE MATEMÁTICA, MAS QUERO SER ENGENHEIRO" (uma resposta a uma leitora a respeito de fazer o curso de Engenharia apesar de não gostar de Matemática).

Nos dias seguintes algumas pessoas me perguntaram o que eu quis dizer, no segundo parágrafo, quando escrevi que a década de 1980 foi a "Década Perdida" e a década de 1990 foi "a década em que estávamos perdidos".

Eu explico: é que, desde o início dos anos 2000 temos vivido um renascimento do mercado de trabalho e de oportunidades para os engenheiros. E muita gente fala dos vinte anos anteriores como um período negro na história dessa profissão no Brasil. Mas pouca gente se dá conta de que as duas décadas foram ruins para os engenheiros, mas por motivos diferentes.





Imagem de Pixource por Pixabay



Nos anos 1970 o Brasil viveu o chamado "milagre econômico brasileiro", uma época de excepcional crescimento econômico (construído à custa do endividamento do país) ocorrido durante o regime militar no Brasil, especialmente entre 1969 e 1973, quando o crescimento alcançou números espetaculares (superiores a 10% anuais, tendo alcançado picos de 13% anuais). Ninguém segurava esse País! Uma beleza!

A partir de 1973 o crescimento da economia brasileira diminuiu, por conta do primeiro choque do petróleo, em 1974. Mas o Brasil continuou crescendo, até 1979 numa média de 6,5% ao ano. Convenhamos: nada mal, né?

Aí a capacidade de geração de divisas tornou-se insuficiente para sustentar o ritmo do crescimento, a inflação chegou a 94,7% ao ano e, ainda por cima, os EUA elegerem Jimmy Carter presidente, o que também dificultou a sustentabilidade político-econômica da ditadura militar brasileira (Carter foi o primeiro presidente desde Kennedy, que não deu pleno apoio norte-americano a regimes autoritários na América Latina).

A dívida externa brasileira chegou a US$ 90 bilhões. Era praticamente impagável.

E assim o Brasil chegou aos anos 1980 mergulhado numa recessão econômica que duraria até os primeiros anos da década de 1990. O principal efeito foi um desemprego absurdo em todos os níveis, mas, especialmente nos setores produtivos. Exatamente onde se encontra a Engenharia.

Portanto, para a Engenharia Brasileira, os anos 1980 foram o fundo do poço.

Para os engenheiros e arquitetos os problemas se arrastaram além dos anos 1980 e se mantiveram até o final dos anos 1990. Embora muitos pensem naqueles vinte anos como uma sucessão de dificuldades de mesma natureza, é importante observar que os problemas da Engenharia Brasileira nos anos 1990 não eram de ordem econômica (como nos anos 1980) e sim de ordem estratégica, gerencial e tecnológica.

Com o advento do Real e a estabilização da economia os problemas dos engenheiros nos anos 1990 tinham mais a ver com gestão do negócio, tanto do ponto de vista operacional quanto de mercado.

A incorporação do Marketing como atividade necessária ao desempenho profissional era uma idéia muito nova para engenheiros (e arquitetos) e a natureza conservadora dos profissionais fez com que a Engenharia fosse uma das últimas das profissões liberais a entender o marketing como um instrumento legítimo de estratégia empresarial.

Era grande o número de profissionais que repudiavam o marketing como coisa sem importância ou ligada a “enganações”. Era muito comum ouvir profissionais (novatos ou veteranos) rezar a seguinte cartilha:

“Marketing é coisa de quem não trabalha direito.”
“O melhor marketing é o trabalho bem feito.”
“A qualidade do meu trabalho é a minha garantia de mercado.”
“Não adianta fazer marketing se não existe qualidade por trás.”
“O marketing, na Engenharia e Arquitetura só é necessário quando o profissional não tem um trabalho de qualidade.”

Esse pensamento retrógrado evidentemente atrasou o desenvolvimento do mercado para profissionais que já estavam em estado de inanição produzida na década anterior.

Não bastasse isso, a década de 1990 foi especialmente pródiga em mudanças tecnológicas.

As tecnologias de informação (nossa matéria prima) sofreram alterações profundas com a entrada em cena dos softwares de desenho (principalmente o CAD), os softwares de gestão de projeto (como o MS Project, que, embora tenha sido inventado na segunda metade da década de 1980, popularizou-se, no Brasil, apenas nos anos 1990), a telefonia celular, os novos recursos da telefonia fixa, a TV por assinatura e a grande estrela da Cia: a INTERNET (e, com ela, um novo mundo de oportunidades)

Os recursos de computação e de comunicação produziram algumas alterações profundas no mercado de Engenharia e Arquitetura. A principal delas diz respeito à produtividade alcançada por profissionais iniciantes. Com o uso dos modernos programas de edição de textos, editores de desenhos, planilhas, programas especiais de cálculos, gerenciadores de banco de dados e outros recursos, os profissionais iniciantes conseguiam alcançar um desempenho muito parecido com o de profissionais experientes, especialmente quando o problema não envolvia muita criatividade ou domínio de tecnologia de construção específica.

Ocorre que, em noventa por cento das atividades de Engenharia e Arquitetura, o que os clientes procuram são soluções de pequenos problemas que não demandam, de verdade, grande experiência específica ou criatividade super desenvolvida. Esses problemas exigem do profissional a capacidade de formalizar a solução com qualidade adequada e no tempo mais curto possível.
Isto se chama PRODUTIVIDADE.

O profissional tradicional tinha conquistado a capacidade de solucionar problemas utilizando a sua experiência e a sua criatividade, procurando se estabelecer no mercado com base na qualidade do serviço oferecido.

Nunca havia se preocupado com produtividade. Nunca havia se dado conta de que o seu melhor rendimento financeiro vinha dos serviços simples, dos projetos básicos, daqueles trabalhos que ele conseguia fazer em menos tempo, com menos trabalho, mas que eram remunerados como se fossem trabalhos do mesmo nível de sofisticação dos trabalhos principais.

Quando, na segunda metade da década de 1990, as universidades começaram a disponibilizar para o mercado os primeiros profissionais 100% computadorizados (gente que usou computador desde os tempos de colégio), algumas mudanças profundas começaram a ocorrer: esses profissionais novos começaram a ser concorrentes reais numa fatia de mercado grande (aquela dos serviços simples e de boa remuneração), em que reinavam absolutos os “veteranos”.

Na verdade, do ponto de vista de um cliente que procurava por um projeto para uma residência simples ou para um pequeno prédio de dois pavimentos, existiam apenas duas diferenças entre o profissional tradicional (o veterano) e o recém-formado: o profissional novato terminava mais rápido (porque usa os recursos do computador) e cobrava mais barato.

E essas duas diferenças faziam a diferença fundamental.

Eliminados do mercado de serviços simples (mas que sempre rendiam bons honorários), os engenheiros e arquitetos descobriram que aqueles serviços em que as qualidades excepcionais (que fizeram suas reputações e fortunas) continuavam existindo e sendo demandados pelo mercado. Mas, com novas configurações de preços, a demanda desses serviços não garantiam mais um rendimento adequado com o padrão de vida que já estava estabelecido.

Alguns descobriram rápido a solução: investir em produtividade.

Observe-se que nem é o caso de Marketing. É simplesmente produtividade com qualidade. Isto se chama ADMINISTRAÇÃO EFICIENTE.

A grande dificuldade dos profissionais de engenharia e arquitetura nos anos 1990, portanto não era por conta de problemas de mercado derivados da conjuntura econômica. Eram problemas de mercado devidos à falta de preparo gerencial e competência administrativa.

Quem entendeu isso mais cedo saiu na frente. E, provavelmente, está voando agora, nos anos 2010 pois desenvolveu os pontos que efetivamente produzem diferencial competitivo: domínio de tecnologia de produção, sistematização de processos produtivos, equipes de trabalho, gestão financeira e marketing.





PADILHA, Ênio. 2013





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CARGOS E FUNÇÕES NUM PEQUENO ESCRITÓRIO
DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA

(Publicado em 13/04/2015)



Não importa quantas pessoas efetivamente trabalham no seu escritório. A primeira coisa que você precisa fazer é organizar os Cargos e Funções para distribuir as tarefas e responsabilidades de forma inteligente e produtiva.

Os cargos e funções típicos de um pequeno escritório de Arquitetura ou de Engenharia são:

• Diretor
• Gerente de Produção (gerente técnico)
• Gerente Financeiro
• Gerente de Marketing (comunicação, negociação e vendas)
• Gerente de RH
• Projetista (Arquiteto, Engenheiro, Designer)
• Assistente de projetista
• Assistente administrativo

Mesmo que o seu escritório seja apenas você e uma secretária, esses cargos e funções estão ali. Se tiver dois ou três sócios mais dois ou três empregados, melhor levar essa lista bem à sério, pois isso poderá facilitar muitas decisões.

Para cada um desses cargos ou funções existe um conjunto de atribuições (tarefas e responsabilidades). E, igualmente, para cada um desses cargos ou funções deve ser estabelecida uma remuneração.

Numa empresa pequena, com apenas duas ou três pessoas trabalhando, todos terão de assumir tarefas e responsabilidades correspondentes a mais de um cargo ou função. Portanto, esses cargos ou funções são a primeira base para a definição da remuneração do profissional, seja ele sócio ou apenas empregado.

Em 2014 eu escrevi e publiquei aqui no site o artigo TAREFAS E RESPONSABILIDADES EM UM ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA E ENGENHARIA. Naquele artigo as tarefas e responsabilidades do escritório foram divididas em dois grandes grupos: tarefas técnicas e tarefas administrativas. E, em cada um desses dois grupos, as tarefas foram identificadas como tarefas de nível superior, nível médio e operacional.
Agora aquelas mesmas tarefas são reapresentadas aqui, numa distribuição por cargos e funções. Isto ajuda melhor a entender quem é quem e quem faz o quê num escritório de Arquitetura ou de Engenharia.

DIRETOR
O Diretor é a pessoa responsável pela administração da empresa. Responde legal e juridicamente pela organização. Assina os documentos e os contratos. Decide as estratégias da empresa, conduz a execução do plano de negócio e tem a palavra final nas questões em que a sociedade esteja dividida.

Cabe ao diretor as seguintes tarefas e responsabilidades:
Assinar os documentos legais da empresa
Assinar os contratos que as empresa celebra com clientes, fornecedores e parceiros comerciais
Assinar os cheques e outras ordens de pagamento.
Ser o guardião das senhas das contas bancárias e cartões de crédito
Definir o escopo dos serviços oferecidos ao mercado: o que está incluído (elementos principais e acessórios) e o que não está incluído;
Implementar o plano de cargos, funções e remunerações;
Determinar os clientes de interesse do Escritório
Determinar os serviços que serão disponibilizados ao mercado pelo Escritório;
Determinar as Parcerias Comerciais
Determinar as Parcerias Técnicas
Elaborar os relatórios de prestação de contas para os sócios e investidores.

GERENTE DE PRODUÇÃO (Gerente Técnico)
O gerente de produção é responsável por desenvolver a capacidade produtiva da empresa e tornar idiossincráticos os recursos de capital humano no processo produtivo. Cabe a ele organizar o trabalho, distribuir as tarefas e conectar as competências para que os serviços sejam realizados com a maior eficiência e eficácia. Ele não é necessariamente, o operador da produção. Ele simplesmente concebe, determina e controla o processo produtivo, em sintonia com as estratégias da empresa.

Cabe ao Gerente de Produção as seguintes tarefas e responsabilidades:
Fazer pesquisas sobre novos materiais ou tecnologias;
Desenvolver os Algoritmos (sistematizar os procedimentos de produção);
Desenvolver os Manuais Internos de Procedimentos Operacionais;
Elaborar o Manual de Uso e Manutenção dos produtos fornecidos;
Elaborar protocolos de entrega de serviço;
Assumir a Responsabilidade técnica pela execução (sua própria, de empregados ou de terceiros) das tarefas que resultem nos produtos que o escritório disponibiliza ao mercado;
Negociar Parcerias Técnicas
Fazer os contatos técnicos pós-venda.
Definir, em sintonia com o Gerente de Recursos Humanos, o perfil das pessoas que farão parte da equipe de trabalho do escritório;
Distribuir e coordenar as tarefas da equipe de projeto;
Definir os arranjos de espaço físico e equipamentos para que os serviços sejam adequadamente produzidos;
Assumir a Responsabilidade civil e comercial pelos produtos que a empresa disponibiliza ao mercado;
Determinar (medir) o tempo necessário para a execução de cada serviço disponibilizado pelo Escritório ao mercado;
Estabelecer as estratégias de controle de material de consumo;

GERENTE DE RECURSOS HUMANOS
O gerente de RH é responsável pela montagem e manutenção da equipe de trabalho do escritório. Cabe a ele criar as estratégias de captação e fixação de recursos de capital intelectual para a empresa, fortalecendo esse importante potencial de Diferencial Competitivo.

Cabe ao Gerente de Recursos Humanos as seguintes tarefas e responsabilidades:
Planejar o plano de cargos, funções e remunerações;
Planejar e executar os processos seletivos
Planejar e organizar os treinamentos do pessoal
Negociar férias, feriados e folgas com os empregados;
Negociar o dia-a-dia com os empregados
(atrasos, faltas, folgas, adiantamentos, férias...)
Distribuir e coordenar as tarefas da rotina do dia-a-dia dos empregados (Ordem do Dia);

GERENTE FINANCEIRO
O Gerente Financeiro é responsável pela elaboração das estratégias de registro e controle dos recursos financeiros da empresa desde sua captação até as formas de pagamento adotadas. Cabe a ele criar facilidades para o acesso aos recursos financeiros e desenvolver os melhores e mais eficazes método de registro e controle do dinheiro da empresa, para garantir que os resultados sejam sempre muito positivos.

Cabe ao Gerente Financeiro as seguintes tarefas e responsabilidades:
Administrar o contato com os bancos e outros órgãos financiadores;
Controlar o movimento das contas bancárias;
Providenciar abertura de alternativas de recebimento
Controlar o Fluxo de Caixa;
Fazer análise financeira das propostas comerciais emitidas pelo escritório;
Fazer análise financeira dos orçamentos recebidos;
Aprovar os investimentos.
Fazer atualização nos registros do Financeiro
Manter atualizado o inventário patrimonial da empresa
Determinar o Custo Fixo Operacional do Escritório (custo mensal);
Determinar os Custos Diretos de Produção de cada Serviço disponibilizado pelo Escritório ao mercado;
Determinar os preços dos serviços oferecidos ao mercado pelo Escritório;
Providenciar os pagamentos (nos bancos ou diretamente aos credores).

GERENTE DE MARKETING
O Gerente de Marketing é a pessoa responsável por administrar a relação da empresa com o seu mercado. Isso requer visão, inteligência e pensamento estratégico. Não se trata apenas de fazer a divulgação dos produtos ou desenvolver técnicas de vendas. Tampouco cuidar apenas da comunicação da empresa com os potenciais clientes.
O Gerente de marketing deve se preocupar com todos os aspectos e políticas da empresa que possam impactar a percepção que as pessoas, no mercado, possam ter da empresa ou de seus produtos.
O Gerente de Marketing deve ser capaz de analisar o mercado de forma ampliada, considerando todos os stakeholders da empresa e dimensionar os efeitos das ações (e omissões) da empresa sobre cada um dos segmentos analisados.

Cabe ao Gerente de Marketing as seguintes tarefas e responsabilidades:
fornecer à empresa, permanentemente, uma analise atualizada do mercado, considerando a relação da empresa com todos os seus stakeholders
Analisar e definir os clientes de interesse do Escritório
Analisar os serviços que serão disponibilizados ao mercado pelo Escritório;
Planejar e executar os impressos de comunicação institucional do Escritório (Cartão de Visitas, Folder, Portifólio, etc)
Conceber e executar a identidade visual do Escritório bem como todos os instrumentos de comunicação direta.
Planejar e Executar os ambientes de trabalho no que diz respeito ao impacto que eles terão na percepção que os clientes podem vir a ter sobre o Escritório e seus produtos;
Planejar e Executar as campanhas de Promoção do Escritório e dos Serviços oferecidos ao mercado.
Planejar e executar os contatos de prospecção de novos Clientes
Negociar Parcerias Comerciais
Planejar e executar as negociações com os clientes, desde a prospecção até o fechamento dos contratos;
Elaborar as propostas comerciais
Definir o modelo geral para os Contratos de Prestação de Serviço
Conduzir as Negociações (comerciais) com os clientes
Manter registro e controle das Negociações em andamento
Elaborar os Contratos de Prestação de Serviço (a partir do modelo geral)
Conduzir as ações de pós-venda.
Conceber as estratégias de obtenção de Diferenciais Competitivos
(que terão como decorrência a vantagem competitiva);
Administrar os canais de comunicação do escritório com o mercado
(Telefones, website, e-mail, etc)
Fazer os contatos de pós-venda.

PROJETISTA (Arquiteto, Engenheiro, Designer)
Numa metáfora futebolística, o projetista seria o centroavante. É o jogador para o qual todo o time joga. É o jogador do qual se espera a finalização certeira. O chute a gol, sem defesa.
O projetista é o profissional que realiza, tecnicamente, o trabalho que é oferecido ao mercado e pelo qual o cliente paga à empresa. Todas as tarefas técnicas ligadas à produção dos serviços do escritório são atribuições do projetista.

Cabe ao Projetista as seguintes tarefas e responsabilidades:
Manter-se atualizado sobre as novidades da ciência e tecnologia ligadas aos serviços oferecidos pelo escritório;
Analisar tecnicamente os problemas apresentados e propor as soluções adequadas.
Fazer os estudos preliminares e/ou consultas prévias;
Fazer os estudos de viabilidade técnica
Entrevistar os clientes;
Fazer os levantamentos de campo;
Definir as soluções para os projetos. Tomar as decisões técnicas
Fazer as especificações dos materiais a serem utilizados nas obras projetadas
Definir os desenhos, quadros, diagramas, planilhas, tabelas e relatórios;
Redigir as memórias descritivas
Fazer o levantamento quantitativo das Listas de Material.

ASSISTENTE DE PROJETISTA
O assistente do projetista é um profissional que deve ter ótimos conhecimentos técnicos sobre o trabalho que está sendo feito. Caberá a ele assumir as tarefas que exigem mão de obra qualificada mas que não exigem responsabilidade técnica nem demandam decisões de projeto.
Eventualmente, mas sempre supervisionado por um profissional, a função de Assistente de projetista pode ser assumida pelo estagiário (um estudante de graduação para o qual a empresa oferece uma oportunidade de obter conhecimento prático sobre o funcionamento do escritório e do processo de produção de serviços. Ele deve passar por todos os setores do escritório para entender o processo completo do serviço).

Cabe ao Assistente de Projetista as seguintes tarefas e responsabilidades:
Fazer desenhos;
Montar planilhas e tabelas;
Adaptar as memórias descritivas;
Montar cronogramas de projetos e obras;
Fazer orçamento de obras;
Elaborar modelos e bases para a biblioteca do software de desenho (CAD);
Elaborar modelos e bases para a biblioteca do software de modelamento (BIM);
Fazer os registros da obra, em fotografias ou vídeos
Providenciar as cópias e montar os projetos/relatórios para entrega ao cliente;
Montar as pastas de serviços realizados;
Digitar formulários técnicos;
Digitalizar dados de levantamentos de campo.

ASSISTENTE ADMINISTRATIVO (secretário/a)
Geralmente, nos escritório a assistente administrativa é conhecida como "secretária". Esta denominação, no entanto, deve ser evitada, uma vez que SECRETARIADO é uma profissão regulamentada, de nível superior, com implicações sindicais muito importantes. Em outras palavras, só chame a sua assistente administrativa de secretária se ela for, de fato, uma secretária. Converse com o seu contador sobre esse assunto.

O assistente administrativo é o empregado responsável pelas tarefas e responsabilidades ligadas à rotina do dia-a-dia do escritório. Pode estar, e geralmente está, à serviço de todos os gerentes da área administrativa (produção, RH, financeiro e marketing).

Cabe ao Assistente Administrativo as seguintes tarefas e responsabilidades:
Manter a organização e a ordem no escritório
Receber e-mails e despachar urgências
Fazer registro e atualização no cadastro de clientes, fornecedores e parceiros
Acionar e administrar os fornecedores operacionais (cartucho de impressora, suporte para os computadores, serviços de cópias, limpeza, encanador, eletricista, etc)
Atualizar registro de serviços em andamento
Controlar e providenciar documentação dos veículos
Controlar e providenciar licenças dos softwares
Organizar e dar suporte aos computadores
Controlar a folha de pagamentos (e encargos sociais correspondentes)
Fazer o controle do extrato das contas de telefone, da água e da Energia;
Organizar documentos para enviar ao Contador
Fazer o controle da contabilidade (fluxo dos documentos);
Fazer eventuais contatos para cobrança
Abrir o escritório, fazer a limpeza diária, retirar o lixo, etc
Atender telefone e anotar recados
Levar e trazer documentos nos órgãos públicos
Preencher ART ou RRT
Providenciar a documentação necessária (ART, Cartas, Formulários, Protocolos)
Providenciar a manutenção dos veículos (lavação e abastecimento, troca de óleo)
Verificar estoque de materiais de consumo (fazer lista para compras)
Emissão de Notas Fiscais e Recibos;
Fazer os lançamentos de Contas a receber e Contas a pagar;
Despachar encomendas e correspondências
Enviar cartões de Aniversário, Natal e outras congratulações;

UM EXEMPLO:
Digamos que dois engenheiros, Pedro e Paulo (podem ser dois arquitetos ou um engenheiro e um arquiteto) sejam sócios em um escritório. Eles tem uma secretária (assistente administrativa), um cadista (assistente de projetista) e um estagiário.

Por acordo entre eles, Pedro é o Diretor da empresa (esta função pode ser alternada. Por exemplo, cada um deles permanece diretor por três anos e então o cargo é repassado ao outro sócio). Pedro, portanto, assume todas as tarefas e responsabilidades de diretor. E recebe, também, a remuneração correspondente a este cargo (essa remuneração é definida pelo acordo da sociedade - anexo do contrato social)

Os dois, Pedro e Paulo, fazem projetos e outras atividades técnicas. Portanto, os dois assumem as tarefas e responsabilidades de projetista. Recebem, também os valores correspondentes a essas tarefas e responsabilidades.

Paulo é um bom negociador e tem boas noções de marketing. Por isso ele assume as tarefas e responsabilidades de Gerente de Marketing.

Pedro, por sua vez, entende de contabilidade e economia. Por isso assume as tarefas e responsabilidades de Gerente Financeiro.

As tarefas de Gerente de Recursos Humanos ficam com Paulo. As de Gerente de Produção ficam com Pedro. Para cada grupo de tarefas e responsabilidades, cada um recebe a remuneração correspondente (acordo da sociedade).

O cadista faz uma parte do trabalho do assistente de projetista, mas Pedro e Paulo também precisam assumir algumas dessas tarefas.

O estagiário assume as funções de estagiário (não esqueça que o estagiário está ali, no seu escritório, para aprender. Não para produzir)

A assistente administrativa (secretária) cuida das tarefas de nível médio e operacionais da administração do escritório.

Você já deve ter percebido que existem muitos cargos e funções, muitas tarefas e responsabilidades para pouca gente. É isso mesmo. É importante ter em mente que o IDEAL seria ter mais gente trabalhando no escritório, dividindo tarefas e responsabilidades. Mas, enquanto isto não acontece, essas tarefas precisam ser divididas com muita inteligência entre as pessoas disponíveis

RESUMINDO: distribuir as tarefas e responsabilidades do escritório com inteligência e critérios é o primeiro passo para alcançar o estado de plena qualidade e produtividade. E este é um dos objetivos da boa Administração





PADILHA, Ênio. 2015





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SE O SEU ESCRITÓRIO FOSSE UM TIME DE FUTEBOL,
EM QUAL DIVISÃO ELE ESTARIA JOGANDO?

(Publicado em 08/01/2016)



Ter um time competitivo, tanto no futebol como no mercado profissional depende de muitos fatores, muitos detalhes. E de muito profissionalismo.
Um clube de futebol pode até ser campeão com uma ou outra deficiência. Mas, no geral, se o profissionalismo e a excelência não forem uma regra geral, pode se preparar para jogar nas divisões inferiores (e sofrer com qualquer crise)



Você, certamente, já ouviu falar em "atleta de alto rendimento". É a denominação utilizada para falar dos atletas que treinam para competições de alto nível (campeonatos estaduais, nacionais e internacionais). Eles convivem em um ambiente competitivo, que não aceita falhas e exige concentração, dedicação, muito trabalho e uma boa dose de paixão pelo que fazem.

Se esse espírito fosse trazido para o ambiente de atuação profissional da Engenharia ou da Arquitetura, como você estaria posicionado? Em que categoria estaria competindo? Estaria jogando na primeira divisão? Estaria, pelo menos, numa das divisões de acesso? Ou seria um desses competidores amadores? (atletas de fim de semana).

Você gostaria de ser um profissional de alto rendimento? De estar na elite da sua área de atuação profissional? Pois saiba que isto não é tarefa fácil. Pouca gente consegue. Muitos sequer tentam. E existem muitas razões para isto. Vejamos algumas:

(1) Os indicadores de desempenho profissional na Engenharia e na Arquitetura não são muito objetivos;

(2) O período de amadurecimento (e resultados) de boas estratégias de desenvolvimento profissional é muito longo. Algumas vezes são décadas. Nem todos têm paciência para esperar. Muitos acabam optando por atalhos que resolvem problemas imediatos mas que, no longo prazo, levam à mediocridade;

(3) Existem algumas confusões quanto à determinação do que é SUCESSO na profissão. Nos primeiros tempos depois da formatura, por exemplo, "ganhar bem" é sempre um fator utilizado como referência de sucesso, quando, muitas vezes, os trabalhos que melhor remuneram nesse período podem não ser os que garantem melhores resultados no futuro.

Para ter um time que joga na primeira divisão e não corre o risco de rebaixamento para as divisões inferiores um bom escritório de Arquitetura ou de Engenharia precisa, entre outras coisas,
• Escritório devidamente regularizado, com os impostos e obrigações trabalhistas em dia
• Instalações e equipamentos profissionais
• Softwares legalizados
• Um sistema integrado de gestão que funciona
• Um excelente manual interno de procedimentos
• Um excelente programa de treinamento e aprimoramento profissional
• Boa gestão financeira
• Boa gestão dos recursos humanos

Os profissionais do escritório devem ter
• Horários apropriados e obedecidos para tarefas profissionais
• Excelente relação com profissionais de outras especialidades
• Excelente relação com os fornecedores do serviço projetado
• Pleno conhecimento dos custos envolvidos na obra projetada
• Participação em Conselhos Profissionais ou Entidades de Classe
• Especialização real e reconhecida pelo mercado
• Excelente capacidade de comunicação

Não é fácil. Mas é possível. O problema é que a maioria dos profissionais nem tentam jogar na primeira divisão. Acomodam-se na zona de conforto do campeonato de várzea e ficam por ali, esperando o tempo passar. E sofrendo as consequências de qualquer crise, seja ela um verdadeiro tsunami ou uma simples marolinha.





PADILHA, Ênio. 2016






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(Nossos Escritórios estão na Idade da Pedra da Administração)

(Publicado em 19/01/2011)



Uma conversa entre dois consultores de gestão pode deixar constrangido um arquiteto ou engenheiro que comanda com sacrifício seu escritório. Aquele papo sobre as teorias da administração, os elementos clássicos, os ensinamentos de Taylor, Fayol, Mayo, Weber e os contemporâneos, Drucker, Porter, Mintzberg... a coisa é meio assustadora!

Será que eu não sei nada de gestão? Como fazer para implementar na minha empresa os mais novos (recentes) conceitos de administração de empresas?





Imagem: Ënio Padilha



Calma! Calma! Não vamos tentar recuperar em uma semana quase 120 anos de atraso.
Isso mesmo. Eu disse 120 anos! Já explico.

Há 120 anos as empresas (no mundo inteiro) eram administradas sem muito critério. O processo produtivo, em todas as áreas, era gerido pelas pessoas que sabiam fazer o trabalho (porque haviam aprendido com seus mestres). Mesmo em grandes empresas os processos eram bastante artesanais e personalizados.

Foi nessa época (final do século XIX) que apareceu, nos EUA, um jovem engenheiro mecânico chamado Frederick Winslow Taylor e tocou uma grande revolução no universo empresarial. Estava criada a Administração Científica, sustentada em quatro princípios que hoje parecem primários mas que, na época, era uma inovação sem precedentes. Os quatro princípios eram os seguintes:

1) Separar quem planeja de quem executa as tarefas (criava a figura do administrador profissional, que não existia até então);

2) Selecionar os empregados de acordo com as características necessárias para a execução das tarefas;

3) Dar treinamento adequado e exaustivo aos empregados para que executassem as tarefas com perfeição;

4) Controlar os processos para garantir que o que foi planejado (no item 1) fosse realizado pelas pessoas selecionadas (de acordo com o item 2) que haviam sido treinadas (conforme o item 3)

Na França, mais ou menos na mesma época, outro engenheiro, Henry Fayol, desenvolveu uma teoria semelhante, com resultados muito parecidos.

Taylor e Fayol foram as grandes referências da Adminsitração durante mais de 30 anos, quando então surgiu Elton Mayo, um médico australiano que desenvolveu uma importante pesquisa em Chicago, nos EUA. Ele começou a discordar da maneira como algumas coisas eram feitas. Começou a dizer que os empregados eram seres humanos e que a administração precisaria levar em conta esse "detalhe" (de fato, nem Taylor nem Fayol prestavam muita atenção nisso. Para eles os empregados eram apenas instrumentos do processo produtivo, recebiam apenas os cuidados necessários para que se mantivessem operantes e produtivos).

Elton Mayo criou a Teoria das Relações Humanas, que foi a segunda e talvez a mais importante revolução ocorrida na Administração depois de Taylor. Os empregados passaram a ser considerados e ouvidos. Produzir mais, melhor e mais barato já não era suficiente. Era preciso fazer tudo isso e ter empregados satisfeitos. Nascia a função social das empresas.

Depois disso (e, para encurtar essa nossa conversa) surgiram muitas outras teorias. A maioria delas cobrindo lacunas deixadas pelas suas antecessoras. Vieram o Modelo Burocrático, a Teoria Estruturalista, a Teoria Neoclássica e a Teoria Comportamental (que, nada mais eram do que releituras mais serenas da Administração Científica e da Teoria das Relações Humanas) e a moderna Teoria da Contingência... ufa!!!

E, nessa esteira, surgiram as modernas técnicas de gestão: Administração Participativa, Administração Holística, Benchmarking, Downsizing, Qualidade Total, Learning Organization, Terceirização, Reengenharia, Readministração... Meu Deus!

E o nosso Escritório de Arquitetura? e o nosso Escritório de Engenharia? muitos deles sequer têm uma secretária? Como faz?

Poisintão! Era disso que eu estava falando, quando disse que temos 120 anos para recuperar. Nossos escritórios (a maioria deles) ainda é tocado com as mesmas técnicas de gestão utilizadas pelas empresas em 1890!
Estamos na Idade da Pedra da Administração. Precisamos fazer alguma coisa, claro!

Mas, atenção. Não devemos começar pelo fim, cedendo à tentação dos modismos da gestão. Nenhuma dessas modernas técnicas de gestão, com nomes bonitos (em inglês, of course) vai funcionar numa empresa que não tenha sido alfabetizada em Administração. É preciso investir nos fundamentos da Administração. Beber um pouquinho nos ensinamentos de Taylor, Fayol, Elton Mayo e Webber (pra ficar só em alguns clássicos). É preciso, no mínimo, implementar na sua empresa os quatro princípios da Administração Científica de Taylor, combinados com os princípios fundamentais da Administração de Recursos Humanos.

É preciso entender que a Administração é um conjunto de quatro grandes áreas (Produção, Financeiro, Pessoas e Mercado) e que descuidar de um deles (qualquer um deles) pode ser fatal.

É preciso tirar o seu escritório da indigência administrativa. Mas isso deve ser feito sem queimar etapas. Primeiro devemos ficar de pé e depois caminhar... Correr já é outra conversa.





PADILHA, Ênio. 2011





Leia também: PROJETO, CONSULTORIA, ASSESSORIA
ALHOS E BUGALHOS

Quais são os produtos disponíveis em um escritório de Engenharia ou de Arquitetura? Qual é a natureza desses produtos? Por que é importante, para o profissional entender isso? O que acontece quando um engenheiro (ou arquiteto) não sabe a diferença entre uma consultoria e uma assessoria?







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VENDEDORES DE ESPERANÇA

(Publicado em 23/11/2006)



Vender serviços não é para qualquer um.
E ser muito bom em vendas de mercadorias não ajuda muito.
Durante muito tempo os autores de marketing (escritores, consultores, palestrantes...) tentaram adaptar os conceitos e as técnicas do marketing convencional (originalmente desenvolvidos para mercadorias) para aplicar ao marketing de serviços. Nunca deu certo.

E muita gente perdeu tempo, perdeu dinheiro, perdeu energia... e perdeu a fé no marketing.

Hoje sabemos que o marketing tradicional não se aplica (diretamente ou mesmo com algumas adaptações) ao marketing para serviços, por uma razão muito simples: serviços são produtos diferentes de mercadorias. Produzir serviços é diferente de produzir mercadorias. Comprar serviços é muito diferente de comprar mercadorias. Vender serviços é algo muito complexo pois exige do vendedor o entendimento das coisas que fazem com que serviços e mercadorias sejam produtos essencialmente DIFERENTES.

Coisas como a intangibilidade, a inseparabilidade, a variabilidade, a perecibilidade, a improtegibilidade e a precificação diferenciada.

Essas diferenças serão tratadas em artigos futuros. Hoje falaremos apenas sobre a primeira delas, talvez a mais importante e fundamental de todas: a intangibilidade.

Serviços são essencialmente intangíveis. Não podem ser experimentados antes de serem comprados.

Durante a negociação de venda/compra de uma mercadoria o produto já existe e está presente. Pode ser visto, tocado, sentido, enfim, pode ser experimentado antes da decisão de compra. Ao comprar uma mercadoria (uma roupa, um eletrodoméstico, um móvel...) o cliente reduz consideravelmente as dúvidas sobre o produto (o risco percebido) antes da compra.

Ao comprar um serviço (um tratamento odontológico, uma consulta técnica, um tratamento de beleza...) o processo de compra se dá sem a presença do produto. O produto não existe ainda. Ele só vai ser produzido depois de efetuada a compra.

Quando você senta na cadeira de um Dentista, por exemplo, você já comprou o produto (já decidiu que fará o tratamento com aquele profissional). No entanto, o produto (o tratamento odontológico) só vai ser produzido daí para diante.

Por isso, a compra de serviços se dá com um risco percebido pelo cliente ainda em níveis muito altos.

Os efeitos da Intangibilidade, esta característica tão crítica dos serviços, só podem ser reduzidos com cuidados e investimentos em Credibilidade.

Fornecedores de serviços precisam zelar pela sua imagem. Precisam construir e manter uma reputação profissional irretocável. Porque é para essa história passada, para essa reputação, que o cliente vai voltar os olhos, quando precisar reduzir os riscos de uma contratação.

Quem vende serviços vende uma coisa que não existe ainda. Vende esperança. Vende uma promessa de que aquilo que está sendo negociado será realmente executado conforme está sendo combinado.

Existe, portanto, uma necessidade muito grande de confiança do cliente no fornecedor.

Credibilidade é a palavra chave. Sem credibilidade um fornecedor de serviços não se estabelece nem obtém crescimento profissional ou empresarial.





PADILHA, Ênio. 2006







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EXAME DE ORDEM NA ENGENHARIA, JÁ

(Publicado em 09/03/2015)



Nessa eu sou voto vencido. Há muito anos defendo que a Engenharia deveria ter um exame de acesso ao registro no Crea, como é feito pela OAB.
A proposta tem sido apresentada sistematicamente em todas as edições do Congresso Nacional de Profissionais do Sistema Confea/Crea. E tem sido, sistematicamente massacrada.
Nem mesmo a proliferação de escolas de engenharia de qualidade duvidosa, geridas por instituições flagrantemente “caça-níqueis” é capaz de alterar a disposição dos nossos “legisladores” para mudar essa regra. Ainda será necessário muito prédio cair até que a luz vermelha acenda e pisque no Sistema Profissional.

Um dos argumentos muito usados para combater a ideia do Exame de Ordem é que “isto só serviria para criar uma indústria de cursos preparatórios para o tal exame, como já existe em relação ao exame da OAB.” A minha pergunta é: E DAÍ? Qual é o problema?

Vamos analisar o seguinte exemplo: Rodolfo é um jovem estudante em um curso de Direito desses de beira de estrada. Nesse curso noturno as aulas que deveriam começar as 19h00 começam lá por 19h30 e, o fim da aula, previsto para 22h40 se dá nunca depois de 22h00 (só aí o curso de cinco anos já é encurtado em mais de um ano. Façam as contas). Nosso amigo Rodolfo também não é dos mais interessados. Leva o curso “na flauta”, faz trabalhos na base do CtrlC+CtrlV, paga pra alguém fazer o TCC e… voilá: forma-se Bacharel em Direito.

Mas Rodolfo quer ser advogado. E, para ser advogado ele precisa passar no exame da Ordem. Assim que termina o curso ele se inscreve no exame e… o resultado é o esperado. Ele não só é reprovado como também recebe uma nota muito baixa.

Passado o choque de realidade, Rodolfo começa a explorar as alternativa para alcançar os seus objetivos. Matricula-se num cursinho preparatório. Estuda pra valer durante o ano inteiro. No final do período, inscreve-se novamente no exame da OAB e… nova reprovação! Dá um certo desânimo. Mas, pelo menos, dessa vez a nota foi melhor do que no ano passado. Rodolfo volta ao cursinho.

Mais um ano de estudo, cabeça enfiada nos livros. Festas e baladas reduzidas… inscrição no exame… Reprovado de novo. Que coisa! Mas… dessa vez foi por pouco. A nota de Rodolfo no exame foi animadora. Ele está quase chegando lá. O sonho de ser advogado está bem próximo. Dessa vez ele não vai deixar escapar.

Nesse ano, Rodolfo mergulha de vez nos estudos. Dá um tempo nas festas e viagens de fins de semana, compra livros, lê muito, faz pesquisas… prepara-se com muita determinação. No fim do ano se inscreve novamente no exame da OAB. Faz as provas… Passou!!! Finalmente, Advogado!

O que aconteceu com Rodolfo? Simples: ele, finalmente (nesses últimos três anos) estudou Direito. Nos cinco anos anteriores ele apenas frequentou uma faculdade que não lhe deu nem formação nem conhecimento jurídico. Ele só se tornou Advogado depois de estudar muito e dominar o mínimo que a OAB exige para que alguém exerça a advocacia no país.

Então… qual é o problema de um eventual exame de ordem fazer proliferar cursinhos preparatórios? Ninguém que tenha feito uma boa faculdade irá precisar deles. É só olhar os números. As boas faculdades de Direito do Brasil aprovam 80, 90% dos seus alunos.

O cursinho preparatório é um merecido castigo para quem optou por fazer uma faculdade fraca ou fez mal feito uma faculdade boa. Mas também pode ser reconhecido como uma oportunidade de redenção, de retorno aos trilhos. O importante é que, no momento em que Rodolfo recebeu sua carteira da OAB ele era, de fato, um advogado. Três anos antes ele não era. Estava longe de sê-lo.

Precisamos fazer isso na Engenharia. Pode ser um processo difícil de ser implementado. Mas alguém precisa ter a coragem de tomar essa iniciativa.

A outra opção é ficar contando prédios que caem, edifícios incendiando por instalações elétricas mal projetadas e outros desastres que mancham a reputação e o valor da marca Engenharia.





PADILHA, Ênio. 2015





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SER OU NÃO SER? EIS A QUESTÃO.

(Publicado em 03/04/2013)



Prezado Enio...

Perdoe-me pelo texto prolongado. Como não conseguir comunicar-me com você e-mail,gostaria de solicitar sua opinião sobre algo que prezo muito em minha vida, e acredito ser uma constância na vida de muitos, se não a maioria dos jovens iniciantes em suas carreiras profissionais neste mundo cheio de oportunidades e rotas diferentes: "A decisão em seguir uma habilidade ou um dom."

Tenho 25 anos e sou formado como técnico em Eletromecânica, curso que abriu boas portas para meu primeiro emprego e especialmente o atual. Embora nunca fui fã da área mecânica, a curiosidade pelo funcionamento dos equipamentos e raciocínio lógico somado á necessidade desse profissional em meu estado (Bahia-Salvador), cursei e terminei. Tenho facilidade com Cálculos e sou muito curioso no que se refere a entender como as coisas funcionam e qual o propósito delas em nosso dia a dia. Tive a oportunidade de trabalhar num serviço voluntário por 2 anos entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (entre meus 19 e 20 anos de idade), coordenando projetos de serviços sociais e projetos de reestruturação familiar. Isso me fez aprender a ouvir, conversar, entender e trabalhar com diversos tipos de pessoas. Com o convívio de grandes empreendedores, aprendi na prática bons princípios de liderança, quando recebi responsabilidades de coordenar equipes e atingir metas específicas. Atualmente Curso Engenharia Elétrica com Ênfase em Telecomunicações no 5º Semestre. Meu desafio é que não vejo meu futuro como Engenheiro envolvido com meu dom, e sim sustentado por “algumas boas habilidades” nesta área. Convivo com muitas pessoas em diferentes situações profissionais: Pessoas que nunca se descobriram, então seguiram a rota (Curso superior) que parecia mais rentável , outras conheceram seus dons, porém sem coragem, decidiram seguir uma outra área que demonstrara ser mais promissora financeiramente, justificando tal escolha pelo fato de ter “algumas boas habilidades” para a referida área.
O fato é que estou confuso. Tenho reconhecido com o tempo algumas habilidades que possuo, e a pouco entendi realmente qual meu maior dom. Entendo como dom, aquilo que tenho de mais forte, literalmente o que mais desejo fazer, trabalhar, estudar, me aprofundar e compartilhar com o próximo. Habilidade, a meu ver, é algo que aprendemos ou temos a facilidade de tratar, como por exemplo: Calcular, operar determinados equipamentos, desenhar ou fazer qualquer outra coisa que embora você ache interessante e saiba fazer com razoável prestígio, não é seu maior desejo. Em meu caso, eu amo a Educação, administrar recursos e pessoas. Amo o ramo educacional, especialmente a análise dos desafios de aprendizagem tanto em crianças quanto em adultos, bem como os princípios e técnicas de ensino e suas aplicações. Pretendo sinceramente me aprofundar nesse conhecimento. Gostaria que fosse como profissional na área ou como conhecimento relevante para minha vida e família, especialmente no apoio às muitas pessoas que convivem com dificuldades, desde identificarem seus talentos para decidir sua carreira, até a falta de habilidade em comunicar-se com seus filhos e cônjuge, fato que é a raiz de muuuuitos problemas em nossos dias.

Além do mais, entendo que nos próximos anos, devido à infeliz desestruturação que os alicerces familiares vem sofrendo e atingindo especialmente a maturidade da juventude, orientações educacionais em campo infantil e adulto, vocacionais e sociais, ganharão uma atenção e valorização ainda maior que nos dias de hoje. O fato é que o homem tem demonstrado se importar com tudo, menos com a educação de seus filhos e a manutenção de seus relacionamentos familiares. É óbvio que isso culminará em uma sociedade frágil espiritualmente, com pouca e as vezes quase nenhuma capacidade de lhe dar com desafios inesperados ou decisões de grande importância mas que precisam se tomadas. A importância desse tipo de profissional ao meu ver, é a ponte para a saída dessa prisão que as “tendências do mundo” tem conduzido cuidadosamente a mentalidade da juventude nesses últimos tempos.

Não sou adepto da ideia de “dinheiro é o mais importante”, mas o fato é que o campo para Engenharia hoje me permite ganhar melhor para sustentar minha família (eu minha esposa e nosso filhinho de 1 ano). Imagine que como técnico e universitário no 5º período de Engenharia, recebo quase igual ou a mesma coisa que a média salarial de um psicólogo, pediatra ou educador formado (4 a 5 anos de estudo) em meu estado (R$1.700 a 2.500)! Isso é um absurdo! Achei isso um insulto ao trabalho que esse profissional desenvolve. Gosto de Engenharia...Mas sinto que preciso e posso ser mais do que um “bom profissional”, posso ser um “ótimo!”. Mas para isso sinto que precisaria trabalhar com as coisas que tenho o dom de fazer, ao invés das quais possuo apenas a habilidade de realizar. Gostaria de entrar na faculdade e ao sentar na sala de aula, trocar o sentimento do “Saber que o assunto é importante” para “sentir que é importante”. Gostaria de assistir as aulas feliz, por estar aprendendo algo que fará desenvolver o que gosto de fazer, ao invés de focar no diploma que receberei daqui a alguns anos. O desafio é que sinto que preciso garantir primeiro um futuro mais firme financeiramente, (com a Engenharia) e então engrenar em meus maiores sonhos voltados ao ensino e administração. Meu medo é formar-me como Engenheiro eletricista e tornar-me um profissional frustrado por não decidir dedicar-me ao máximo à área. Sempre tive a ideia, e tenho até hoje, que preciso dar o melhor de min, estudar, pesquisar aprender e conviver com tudo sobre a profissão que iria seguir. Ela deveria correr em minhas veias, e meus lábios deveriam sorrir a cada vez que discutisse sobre algo envolvido com a área. Minha meta hoje ao terminar a faculdade é aperfeiçoar meu inglês por mais 1 ano, e concorrer a uma bolsa de estudos internacional (MBA em Administração de Empresas na Universidade Brighan Young – em Salt Lake City/Utah) do qual tenho boas chances de conseguir pelo serviço voluntário que realizei a 5 anos atrás. Essa bolsa-empréstimo cobre meus gastos familiares como alimentação, residência e material educacional por 2 anos. Gosto de Engenharia Elétrica. Na verdade, é a que mais me identifico entre todas elas. Mas amo mesmo trabalhar com pessoas e como elas juntas podem fazer grandes projetos e tarefas importantes. Ajudá-las a alcançarem metas justas e desenvolverem-se me fascina. Embora goste de tecnologia não sou fascinado por ela. Embora amo pesquisar e entender como as coisas funcionam, não me vejo anos e anos projetando sistemas de automação ou de telecomunicações de maneira repetitiva, só para atender aos lucros de uma empresa. Espero que me entenda. Acho que se tivesse recebido uma boa orientação vocacional ainda na juventude, com oportunidades de entrevistar e estagiar com profissionais dessas diversas áreas, talvez hoje eu teria mais certeza da rota a seguir. Só tem algo que daria mais satisfação do que construir pontes inovadoras ou sistemas industriais: É construir pontes e sistemas que desenvolvam a educação.

Perdoe-me pela extensão do texto. Ficarei sinceramente feliz em saber sua concepção sobre esse assunto.

Obrigado pelo tempo!

At.,

Thiago | Salvador-BA
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)




RESPOSTA: Meu caro Thiago
No seu caso talvez seja interessante consultar um profissional mais capacitado (e habilitado) do que eu: um psicólogo vocacional seria uma sugestão interessante, portanto.

Percebi, pelo seu texto que você realmente está (você diz isso) confuso, com as possibilidades que o futuro lhe apresenta. Essa profusão de ambiguidades está deixando você incomodado, o que é normal na sua idade (25 anos)

O que eu posso dizer do seu caso é que a formação tecnológica (curso técnico, tecnológico, engenharia) não é incompatível com a atividade social ou com a área da educação. Existe um grande trabalho a ser feito nas empresas e na sociedade em geral que demanda por engenheiros com habilidades e conhecimentos de educação e humanidades.

Eu entendo que existem pessoas com o domínio do social em todas as áreas. E existem engenheiros trabalhando em muitas coisas que, num primeiro olhar, parece não ter nada a ver com Engenharia: hospitais, escolas, bancos, clubes...

Então, o conselho que eu posso lhe dar agora (além de procurar um psicólogo vocacional) é terminar o curso de Engenharia. Há um oceano de oportunidades no outro lado desse muro.





PADILHA, Ênio. 2013




"Ser ou não ser, eis a questão. Qual é mais nobre ação da alma; sofrer as pedras e flechas da sorte ultrajante, ou pegar em armas contra este oceano de angústias e dar-lhe fim?"
Tradução livre do autor para "to be or not to be, - that is the question: - whether it's nobler in the mind to suffer the slings and arrows of outrageous fortune, or to take armas against a sea of troubles and by opposing end them"

SHAKESPEARE, William. The complete works of. London: Wordsworth, 2007.







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FIDALGOS

(Publicado em 22/04/1997)



(este artigo foi publicado em 1997, na semana em que o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos foi queimado vivo, em Brasília, quando dormia num ponto. Os autores do crime Max Rogério Alves, Eron Chaves Oliveira, Antônio Novély Villanova, Tomás Oliveira de Almeida, todos de 19 anos, e o menor G.N.A.J.

Qualquer semelhança com o caso dos cinco estudantes que agrediram a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, no Rio de Janeiro...
... não é mera coincidência!)





Imagem: OitoNoveTrês



Os Fidalgos atacaram novamente. Desta vez foi em Brasília, na madrugada de domingo, num ponto de ônibus. Eles encharcaram de combustível e atearam fogo em um índio que estava dormindo.

Mas foi por engano! Era só uma brincadeira. E eles nem sabiam que era um índio. Eles achavam que fosse apenas um mendigo!

Ah, bom! tá certo. Infelizmente era um índio. Se fosse apenas um mendigo não teria problema.

O pior é que eu acredito que eles estejam falando a verdade. De fato, se eles soubessem que era um índio (e não um mendigo) eles provavelmente pensariam duas vezes antes de fazer o que fizeram.

E, pior ainda, eu acredito também que, se fosse mesmo apenas um mendigo, não teria problemas maiores.
Porque um pobre qualquer, sem identidade, nem CPF, não rende manchetes nos jornais, reportagens de televisão, nem indignação nacional.

A imprensa cuidou de amplificar o problema centralizando e reduzindo a questão ao fato de a vítima ser um índio.

Perdeu-se o principal: este incidente é apenas uma das muitas manifestações Apartheid Social que se estabeleceu no Brasil.

Os filhos da classe média, a bordo de seus carrões, tudo podem. São os herdeiros de tudo o que o dinheiro dos pais podem comprar e mais o que a arrogância, a prepotência e a estupidez puderem conquistar. Por conta disso eles invadem praças com seus capôs levantados, cheios de decibéis. Esparramam latas de cervejas, copos de papel e todo lixo que puderem deixar em local público (na madrugada algum pobre do outro lado do abismo social virá fazer a limpeza). Quando estiverem prontos (bêbados e drogados) sairão pelas ruas dirigindo como legítimos donos da cidade, em alta velocidade, colados ao pára-choque traseiro de algum idiota civilizado, fazendo manobras radicais, pondo em risco a vida de pedestres e de outros motoristas.

E se houver algum acidente: azar, o pai paga.
E se alguém for preso: o pai vai lá e tira.
E se alguém morrer: desde que não seja um dos nossos, deixa pra lá.

A nossa sociedade acostumou-se a medir uma pessoa pela sua fortuna, pelos seus bens, pela sua capacidade de pagar pelos prejuízos. Tanto que o conceito de prejuízo, no Brasil, está sempre ligado a dinheiro ou coisas que o dinheiro pode comprar. Até mesmo o prejuízo moral é estimado em função dos prejuízos financeiros decorrentes.

Acho que é hora de retomarmos o espaço perdido. Voltar as discussões para o importante e não para o interessante, reconquistar para toda a sociedade (e não apenas para os ricos e seus filhos) o direito de andar na rua e desfrutar de suas praças.





PADILHA, Ênio. 1997





PS. Fidalgo, segundo o Dicionário Houaiss tem a seguinte etimologia: contração de filho de algo, à semelhança do espanhol hidalgo (1197), antes fijo d'algo, que equivalia primitivamente a homem de dinheiro, pessoa acomodada na vida




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LIVES, LIVES E MAIS LIVES

(Publicado em 09/04/2020)



Nesses dias de quarentena, algumas pessoas estão reclamando do excesso de Lives nas redes sociais. Mas não há motivo para isso.
Afinal, pra começo de conversa, ninguém é obrigado a ver nenhuma delas. E, além disso, nenhuma dessas lives impede ninguém de fazer qualquer outra coisa. Portanto...

As lives (ou transmissões ao vivo) já estavam por aí, havia algum tempo. Agora assumiram uma posição muito sólida entre as práticas de comunicação social de artistas e produtores de conteúdo em geral.

Passada a quarentena, acredito que os grandes artistas voltarão às suas rotinas de viagens e shows em ginásios e estádios.
Mas, no mundo da produção de conteúdo e da formação continuada de profissionais, a agenda de lives certamente permanecerá com toda a força. E isso é muito bom.





Imagem: OitoNoveTrês



Eu tenho tirado pelo menos uma hora por dia para assistir a uma Live. Nem todas são boas. Em alguns casos é pura perda de tempo, ou por ser mais do mesmo ou porque os envolvidos não conseguem se comunicar com eficiência.

Seja como for, assistir a essas Lives serve, pelo menos, para eliminar de vez certos "influencers" do meu radar. Outros, no entanto, estão conquistando posições importantes nos corações e mentes dos seus leitores e seguidores.

A maioria dos envolvidos nessas Lives (isso me inclui) tem algum produto para vender (cursos, palestras, consultorias, projetos, assessoria, etc). Esses autores fazem das suas redes sociais uma plataforma de comunicação na qual disponibilizam conteúdos com o objetivo de ganhar o interesse e a atenção dos leitores/seguidores.

Se fizermos um trabalho de qualidade, conquistaremos o respeito e o tão sonhado engajamento. Sucesso!

O fracasso, para muitos, não é uma opção. Daí o desespero com que alguns se lançam na rede, com estratégias que algumas vezes ultrapassam o bom senso e, não raro, os limites da ética. E isto explica porque algumas pessoas torcem o nariz para a quantidade de lives que estão acontecendo.

O que eu posso dizer (até agora) é que não vejo motivo para preocupação. Aproveite o momento. Sempre se pode aprender alguma coisa. Ou, no mínimo, descobrir onde não há nada para aprender.





PADILHA, Ênio. 2020





Leia também: EMBAIXADINHA NÃO GANHA O CAMPEONATO
(...) Os profissionais têm cada vez mais dificuldade para separar o joio do trigo e estabelecer quem, de fato, tem um conhecimento sólido e um conteúdo com valor diferenciado.






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MANUAL BÁSICO COMO UTILIZAR UM ARQUITETO!

(Publicado em 13/04/209)



Em alguns blogs na internet, território que anula e desvirtua autorias intelectuais, este texto tem sido atribuído a mim. Fico honrado, pois trata-se de uma construção textual da melhor qualidade. Mas não, eu não sou o autor. E tenho certeza de que o autor é uma pessoa inteligente, criativa e sagaz.

Por isso publico aqui o texto, para o deleite dos meus leitores, e na esperança de que um deles conheça o autor e me passe a informação, para que os devidos créditos possam ser atribuídos.



Como Utilizar um Arquiteto: MANUAL BÁSICO COMO UTILIZAR UM ARQUITETO! (ou “COISAS QUE O CLIENTE PRECISA SABER”)

1 - Arquiteto dorme.
Pode parecer mentira ou frescura, mas arquiteto precisa dormir como qualquer outra pessoa e também se alimenta e tem hora para isso.
Esqueça que ele tem telefone em casa, ligue sempre para o escritório.

2 - Arquiteto pode ter família.
Mesmo sendo arquiteto, a pessoa precisa descansar no final de semana e precisa de um tempo com a família e amigos, sem pensar ou falar sobre projetos.
Pergunta: Nas situações acima o arquiteto atende? Resposta: Sim.
Pode atender, desde que, como qualquer outro profissional seja agendado.

3 - Arquiteto precisa de dinheiro.
Arquiteto também paga impostos, alimentação, combustível, vestuário, etc. Os livros, o escritório e as coisas que ele tem não chegam até ele gratuitamente.
Entendeu agora o motivo dele cobrar uma consulta?
O que em outras profissões chama-se consultoria e custa muito mais caro. Por favor, não pechinche…. Ah, e cara feia na hora de assinar o cheque não diminui o que você tem que pagar.

4 - Arquiteto não financia obra.
O arquiteto não deixará de cobrar só porque você já gastou demais na obra.
Se você tem vencimentos para com o arquiteto, por favor pague.
Simples assim!
E de preferencia pague na data. Pois, caso contrário, você não entra no cheque especial, mas nós sim!!!
Desta maneira estaremos financiando sua obra/projeto e sinceramente (geralmente) não somos da burguesia.

5 - Ler, estudar e planejar é trabalho.
E trabalho sério. Não é piada. Em outras profissões isto tem o nome de busca de informações ou pesquisa, consome tempo e as vezes (muitas vezes) isto é crucial para o seu projeto…
Projeto em culturas mais avançadas que a nossa significa planejar e para isto precisamos de TEMPO!
Tempo é um recurso. Caso você tenha prazos não peça um trabalho que precisa de um mês para ser feito, em uma semana.
O arquiteto é essencialmente um visionário, por isto tem condições e habilidade para sê-lo.

6 - Projetos virtuais.
Não é possível examinar projetos pelo telefone. Essa nem vamos explicar…
Frases como: “É mais ou menos assim”, “Você tá entendendo né?” ,”Só dá uma olhadinha” não substituem fotos, visitas ao local e plantas.

7 - Arquiteto não é vidente.
Só para reforçar: Ele precisa examinar o projeto … e muitas vezes precisa reexaminá-lo!!! Se quer milagre, só o “arquiteto do universo” resolve! Os daqui da terra fazem arquitetura.
Assim como na obra se você mudar de idéia, ampliar ou “fazer uma alteraçãozinha no projeto” vai gastar mais dinheiro por motivos óbvios!

8 - Arquiteto é um ser social.
Em reuniões de amigos ou festas de família, arquiteto não deixa de ser arquiteto, mas vira amigo ou parente.
Por favor não comece conversas sobre como ajeitar sua sala, piscina ou que cor combina com os móveis do seu quarto.
Para isso ele precisa refletir, se concentrar, desenhar ou seja: Trabalhar!
Quando se diz que o horário de atendimento é até seis da tarde, não significa que você pode chegar às 17h55min.
Se você só for conseguir chegar nesta hora, avise antes.
Você gosta de “happy hour”? Nós também!

9 - Criação de falsa demanda.
Não existe “apenas um desenho”, “só um rabisco”, “olhada lá e me diz o que vc acha”, “faz um croqui rapidinho”…
Desenho, e tudo mais é PROJETO! E projeto tem que ser pensado e trabalhado, por sua vez, cobrado.
Se você não vai construir/reformar ou nem pensa em contratar o sujeito não crie falsas expectativas e mais trabalho.
Você só quer um desenhinho para ter idéia de custo? Pague que teremos prazer em mostrar o que podemos fazer. Não nivele por baixo!
Conhece a frase: “Dez por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração”?
Pois ela é verdadeira…

10 - Arquiteto tem Horário.
O uso do celular: celular é ferramenta de trabalho. Por favor, ligue apenas quando necessário.
Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda não tenha acreditado, o arquiteto pode estar fazendo alguma daquelas coisas que você pensou que ele não fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.
Também marcamos feriado na nossa agenda. Não é porque você está de folga que o arquiteto não pode estar também.
Detalhe: se você o contratou para fazer o projeto não o chame para resolver problemas que foram criados por outros profissionais. Ou então o contrate para isto também.

11 - Arquiteto tem Agenda.
Agenda antes da consulta: por favor, marque hora. Se não marcar, não fique andando de um lado para o outro na sala de espera e nem pressionando a secretária.
Ah! Se você tiver uma emergência para amanhã favor avisar 20 dias antes quando ela realmente apareceu.
Em caso de emergência, que seja realmente uma emergência, por favor!
Reuniões que levam mais de hora, tem outro nome e nós não temos formação em psicoterapia, ou terapia de casais.

12 - Você quer ter razão ou ser feliz?
Repetir a mesma pergunta mais de cinco vezes não vai mudar a resposta.
O arquiteto não está sob investigação policial. Geralmente o que você quer fazer e ele disse que não dá, na maioria das vezes, é o que vai dar problema lá… na frente! Na hora da consulta: defina quem manda em casa.
Brigar na frente do profissional é muito chato e deprime à todos.
Por favor, críticas de amigos do cunhado e seus vizinhos, podem desfocar o trabalho e afinal de contas se é para escutar um vendedor de carros usados que nunca construiu pra que contratar um profissional?


Não foram os arquitetos que inventaram o ditado:
“O barato sai caro”. Mas a gente dá o maior aval!





PADILHA, Ênio. 2009





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O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVÁVEL

(Publicado em 06/04/2020)





Imagem: OitoNoveTrês



Hoje estava assistindo a uma Live no perfil @fabio.ordones com a participação do querido amigo Ricardo Botelho — @rjbotelho.

Ricardo falou uma coisa muito importante: "nos meus 45 anos de carreira profissional, o que eu mais vi foi a necessidade de lidar com o novo. Sairá melhor desta crise quem tiver mais e melhores capacidades para lidar com o inesperado".
E citou o livro do Nassim Nicolas Taleb.

Eu li este livro em 2010 e escrevi uma resenha. Dá uma olhada:



(Publicado em 14/03/2010)



Pense num sujeito rebugento.
Multiplique por dois... e você terá alguém parecido com Nassim Nicholas Taleb.
Mas tem um detalhe: para ser parecido com esse rabugento, em particular, é preciso ser fluente em inglês, francês, árabe clássico, Italiano e Espanhol e ler textos clássicos em grego, latim e aramaico.



Nassim Taleb é professor de Ciências da Incerteza da Universidade de Massachusetts (Amherst) e também é presidente de uma empresa de investimentos situada em Nova Iorque chamada Empirica. Possui MBA pela Wharton e Ph.D. pela Universidade de Paris.

É autor de pelo menos dois livros muito conhecidos: "Iludidos pelo Acaso" e "A Lógica do Cisne Negro - o impacto do altamente improvável" (editora Best Seller). É deste último livro que falaremos.

Ao contrário de outros autores que tratam desse tipo de assunto (teoria do caos, ciência da incerteza, matemática...) Taleb escreve em primeira pessoa. E inclui no seu livro diversos episódios autobiográficos, nos quais ele aproveita para colocar sua opinião (normalmente crítica e ácida) sobre diversos aspectos da natureza humana.
Interessante!



O paradoxo do cisne negro é bastante conhecido nas ciências sociais e descreve um outlier (em bom português, um "ponto fora da curva"). É um acontecimento que reúne três características: é altamente improvável; produz um enorme impacto; e, após a sua ocorrência, geralmente é elaborada uma explicação que faz com que o acontecido pareça menos aleatório e mais previsível do que aquilo que é na realidade.

Estão nessa categoria os atentados de 11 de Setembro, a ascensão do Google, ou mesmo a criação da internet.

Os cisnes negros não podem ser previstos, e grande parte de seu impacto reside nisso. No entanto, passado algum tempo, naturalmente, construímos explicações que, reconstruindo a história, nos conduzem inevitavelmente a eles, como se fossem coisas óbvias que todos deveriam ter percebido. Essas análises, muitas vezes, alimentam as teorias de conspirações.

Nassim Taleb sustenta que a natureza humana não foi preparada para assimilar os Cisnes Negros. Para que um acontecimento faça sentido, tende-se a "forçar uma ligação lógica", para amarrar fatos, através de "flechas de relacionamento" — pois é mais fácil lembrar de uma sequência de eventos, logicamente encadeados, do que armazenar ocorrências aparentemente sem sentido. Assim são construídos os mitos — que nada mais são que "histórias" que ordenam, e trazem sentido, ao "caos da experiência humana".

No livro ele faz um pequeno tratado sobre dois países imaginários: o Extremistão e o Mediocristão. Esses dois "territórios" foram criados para explicar as diferenças entre as atividades (profissões) escaláveis e não-escaláveis.

No Extremistão as coisas são singulares, acidentais, inéditas, imprevisíveis. Já no Mediocristão vive-se a rotina, o óbvio, o previsível.

A maioria das pessoas prefere viver no Mediocristão. Uma minoria escolhe viver no Extremistão. Acontece que viver no Extremistão requer uma resistência pessoal e intelectual, evidentemente, fora do comum. É a "terra" dos grandes artistas, dos grandes descobridores e dos grandes empreendedores.

Por isto Nassim Taleb parece detestar escolas, em todos os níveis. Para ele as escolas foram criadas para estimular o esforço intelectual e a resposta mais lógica, porém mais lenta, sequencial, e progressiva. E, para viver no Extremistão (e consequentemente tirar proveito de cisnes negros) é preciso estimular a experiência, o ato reflexo, mais rápido, o "raciocínio que corre em paralelo", sem que possamos muitas vezes concebê-lo, e mesmo os erros. E, sobretudo, a intuição.

Engenheiros, principalmente, moram no Mediocristão, cujo Santo Padroeiro é São René Descartes. Mas é preciso, de vez em quando, tirar férias e visitar o Extremistão, para entender melhor o mundo em que se vive. E o livro de Nassim Taleb é, sem dúvida, um excelente guia de viagem.





PADILHA, Ênio. 2010




TALEB, Nassim Nicolas. A lógica do cisne negro: o impacto do altamente improvável. Rio de Janeiro: Best Seller, 2009





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A JANELA DE EUCLIDES
(ou Como a Matemática pode ser
Interessante e Divertida)

(Publicado em 05/03/2010)



Quando você pensa em um livro de matemática nunca imagina um livro que você possa ler (no sentido lúdico do termo). Um livro de matemática geralmente é associado a trabalho, pressão, sofrimento.

Existem centenas de livros sobre língua portuguesa, história e outras disciplinas que a gente se acostumou a ver na escola. Compramos esses livros nas livrarias ou tomamos emprestados em bibliotecas com o objetivo de nos distrair com uma leitura agradável e, às vezes, divertida. Mas são raros (raríssimos) os livros de Matemática que conseguem esse objetivo. Leonard Mlodinow é responsável por uma exceção: seu livro, "A Janela de Euclides - A História da Geometria, das Linhas Paralelas ao Hiperespaço" é uma obra que você lê como se estivesse saboreando um romance de Dan Brown ou um livro de crônicas do Luiz Vernando Veríssimo (Tá. Não é tão engraçado quanto o Luiz Fernando, mas, com certeza, consegue ser tão interessante quanto o pai dele, Érico).

O livro é destinado aos estudantes de ensino médio (embora os últimos capítulos já tratem de áreas mais elevadas da matemática). Mlodinow consegue a façanha de transformar uma história potencialmente enfadonha numa história cheia de graça e fascínio. Ele não é um cientista convencional. Trata-se de um físico especializado em educação para crianças e adolescentes que é, também, roteirista para filmes de entretenimento, como a série "Jornada nas Estrelas".

Talvez essas atividades tenham desenvolvido nele a capacidade de captar o interesse de pessoas potencialmente desinteressadas em matemática e ele acaba fazendo como uma mãe inteligente, que mistura (camufla) as comidas necessárias ao crescimento das crianças, no meio daquelas que os filhos mais gostam. Assim eles acabam comendo o que é preciso, sem fazer cara feia.

Mas quem pensa que o seu livro é superficial ou inconsequente está redondamente enganado.
Quem se dedicar com atenção às 294 páginas do livro poderá aprender, de uma forma muito agradável, como se chegou ao valor de PI; como Pitágoras chegou ao seu Teorema; de onde vem a palavra "hipotenusa"...
Vai descobrir que Euclides não descobriu muita coisa na matemática, mas organizou tão bem o conhecimento existente que foi lembrado e respeitado por dois mil anos.
Vai conhecer a história de René Descartes e de como ele sobreviveu à vigilância da Igreja; Vai saber também que ele era muito preguiçoso e que (pasmem) odiava estudar matemática: desenvolveu todo um sistema novo só para não ter todo o trabalho que a matemática pré-cartesiana impunha aos seus estudantes.
Será apresentado a detalhes da vida e do processo criativo de Newton, Gauss, Riemann, Clifford, Maxwel, Einstein, Witten, Alexei, Nicolai e muitos outros (ah, esses dois últimos são duas crianças, filhos do autor, citados o tempo todo no livro de forma muito divertida);

Vai entender, por fim, a relação entre a Mecânica Clássica, a Teoria da Relatividade, a Mecânica Quântica e a Teoria das Cordas.

Muito bacana! É matemática pura. Mas é divertido, acredite!





PADILHA, Ênio. 2010





MLODINOW, Leonard. A Janela de Euclides: a história da geometria, das linhas paralelas ao hiperespaço. Tradução de Enézio de Almeida. São Paulo: Geração Editorial, 2008





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MARINGÁ-PR

O Turista Acidental (Ênio Padilha) esteve em Maringá-PR, para o curso GESTÃO DE ESCRITÓRIOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS com organização e promoção da AEAM Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá com apoio do Crea-PR e da Mútua-PR.




MARINGÁ




Imagem: Prefeitura de Maringá



Maringá é um município brasileiro, localizado no norte central do estado do Paraná, com 430.157 habitantes. É uma cidade média-grande planejada e de urbanização recente, sendo a terceira maior do estado e a sétima mais populosa da região sul do Brasil, é uma das mais arborizadas e limpas do país.




O EVENTO E OS PARTICIPANTES


Promotor:AEAM
Curso: Gestão de Escritórios e Formação de Preços
Local e data: Auditório da Sede CREA-PR - 20 e 21/09 - 19h00
(O evento terá também transmissão on-line para inscritos)





Veja as fotos do Turista Acidental:  








O título desta seção é uma referência ao livro \"O Turista Acidental\" da escritora norteamericana Anne Tyler.







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www.eniopadilha.com.br - website do engenheiro e professor Ênio Padilha - versão 7.00 [2020]

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