A LATA DO LIXO DAS AMIZADES TÓXICAS

(Publicado em 04/08/2020)



Varias coisas me motivam a escrever. O desejo de compartilhar algum conhecimento, a vontade de homenagear algum amigo, uma alegria qualquer...
Raramente, como hoje, uma tristeza.

Não me agrada perder amigos. Pior, desistir de amigos, chegar à conclusão de que deu a hora de jogar uma amizade na Lata do Lixo. Um lixo, infelizmente, não reciclável.





Nunca me incomodei de ter amigos que discordavam de mim (ou dos quais eu discordava). Tive (e tenho) muitos amigos que não contribuem em nada com o meu trabalho ou com a minha vida. Apenas gosto deles e pronto. Fico feliz quando eles estão bem. Não existe um interesse maior na relação.

Nas redes sociais até gosto de manter aquelas pessoas que pensam diferente, que argumentam com outras fontes e que veem o mundo com outros olhos. Atravesso com tranquilidade as discussões e disputas do futebol e das campanhas políticas e não me aflijo com a militância religiosa de alguns deles.

Não me importa se a pessoa não compartilha minha visão política do mundo, se é de direita ou de esquerda, é eleitor do Lula ou do Bolsonaro. Defender o Lula, a Dilma, o Bolsonaro ou o Moro... tudo isso é coisa que eu jamais faria, mas entendo quem faz. E não vejo isso como algo que me impeça de ser amigo de nenhum deles. Tem gente de todo tipo no meu time de amigos. Seria muito triste se fosse diferente.

Mas a Covid-19 parece que veio estabelecer uma linha divisória "nisso daí" (talquêi?).

Alguns amigos, pessoas às quais dediquei meu tempo, atenção e admiração, têm se mostrado (por suas atitudes nas redes sociais, principalmente) pessoas com as quais não vejo nenhum sentido em conviver.

• Gente que faz campanha para remédios sem nenhuma comprovação científica;
• Gente que insiste em dizer que a Covid-19 é uma farsa (uma conspiração);
• Gente que, todos os dias, publica coisas para mostrar que a doença não existe e que as mortes são forjadas por interesses políticos;
• Gente capaz de defender aquele lixo humano, que é o tal desembargador de Santos, por que ele é um defensor da desobediência a uma regra tão simples que é usar a máscara para proteger as outras pessoas de eventual contaminação.

Qual é o sentido em dialogar com pessoas que não acreditam na ciência, uma coisa que pra mim é sagrada? Qual é a vantagem de conversar com pessoas que desrespeitam regras simples de boa educação e cuidados com o próximo? Pessoas que, em nome de suas convicções burras desmerecem o sofrimento de tantas famílias que perderam e estão perdendo seus entes queridos para uma doença que é real e é grave?

Percebi que esses comportamentos estragaram completamente a relação que eu tinha com essas pessoas. Desejo, sinceramente, NUNCA MAIS ter de me encontrar com elas. Se isso acontecer e elas vierem me cumprimentar (eu, certamente não tomarei essa iniciativa) vou responder, educadamente, como sempre fiz. Mas não perderei, nunca mais, o meu tempo conversando, nem por um minuto, com nenhum deles. É triste pra mim dizer isso, mas eles irão para a Lata do Lixo da minha história, infelizmente.





PADILHA, Ênio. 2020




Leia também: UM PAÍS CHAMADO NEGACIONISTÃO (texto que fala desse país, imaginário, com 60 milhões de habitantes, em que a população, entre outras coisas, não acredita na ciência.)



Comentário #1 — 04/08/2020 12:08

Ligia Fascioni — Engenheira eletricista — Berlim, Alemanha

Somos dois. Estou na mesma situação. Esse semana tive que bloquear uma pessoa nas redes sociais porque ficou insustentável...

Comentário #2 — 04/08/2020 12:21

Jean Tosetto — arquiteto e escritor — Paulínia/SP

De acordo com Cícero, jurista romano, somente duas pessoas honestas conseguem desenvolver uma amizade duradoura. Então, a desonestidade intelectual é motivo suficiente para interromper uma amizade. Vida que segue.

Comentário #3 — 04/08/2020 15:01

Ricardo Meira — Arquiteto — Brasília-DF

Eu também tenho amigos de vários espectros politicos. Eu, mesmo, já mudei muito de opinião sobre vários temas, influenciado por alguns deles. Adoro o embate de ideias, o contraditório. Gosto tanto de estar certo quanto de estar errado e ser convencido disso. Mas estou com você. Em alguns casos, onde não há nem a possibilidade de diálogo, a amizade perde o sentido.

RÉPLICA DE ÊNIO PADILHA

Ricardo, Lígia e Jean
Comecei a perceber que estava próximo do limite quando comecei a me questionar sobre "o que eu poderia aprender com esses amigos". Comecei a me dar conta de que nada do que eles poderiam me dizer, daqui pra frente, seria digno da minha atenção. Vi que eles não têm (nem buscam) fundamento para nada do que eles dizem. Aceitam qualquer bobagem como verdade, perderam (ou nunca tiveram) senso crítico.
Definitivamente, não preciso deles pra nada.

Comentário #4 — 04/08/2020 22:27

Farlley — Músico — Brasília-DF

Perfeito, Ênio!
Assino embaixo.

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