RISING PHOENIX

(Publicado em 29/07/2020)



Eu confesso que, no passado, não gostava da ideia dos Jogos Paralímpicos. Eu considerava uma bobagem desnecessária. Uma forma de expor pessoas que, por força de suas limitações, nunca conseguiriam fazer coisas grandiosas (como costumamos ver nos Jogos Olímpicos).

Eu gostaria de poder dizer que isso era meu pensamento de muitos anos atrás, quando eu era um jovem e tolo... mas não. Eu já tinha quase 50 anos de idade quando mudei de ideia. Foi quando eu vi, pela TV, os Jogos Paralímpicos de 2008, em Pequim. Aquilo me deixou muito impressionado.





Era a primeira vez que eu acompanhava uma transmissão completa de uma competição envolvendo atletas com deficiência. As performances, a torcida nos estádios, a história de superação por trás de cada competidor... aquilo tudo foi despertando em mim a percepção da importância desse tipo de evento e de como essas competições podem trazer alento e esperança para milhões de pessoas com deficiência que não são atletas... mas que podem ser muito mais do que gente de segunda classe.

A partir daí eu passei a prestar mais atenção no tema. Comecei a ler a respeito, participar de palestras, conversar com pessoas e a mudar completamente minha noção sobre o assunto. Por isso eu entendo as pessoas que não gostam ou não valorizam o movimento paralímpico. Não é por maldade. É por ignorância.

Essa ignorância precisa ser combatida em diversas frentes.

E aí chegamos ao recém lançado documentário Rising Phoenix dirigido por Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, lançado nesta semana pela Netflix.

Neste documentário os autores contam as histórias de grandes atletas paralímpicos: Tatyana McFadden (EUA), Bebe Vio Beatrice (ITA), Jonnie Peacock (ING), Ryley Batt (AUS), Ellie Cole (AUS), Matt Stuzmann (EUA) e Jean-Baptiste Alaize (FRA) além de um destaque para o criador do movimento paralímpico, o médico Ludwig Guttmann e para as atividades do Príncipe Harry, criador dos Invictus Games (competição para militares feridos em combate).

Nem é preciso dizer aqui que o documentário é emocionante (com imagens muito bem captadas e narrativas muito bem construídas) e eficaz (capaz de motivar o espectador a desenvolver uma percepção diferente sobre o assunto). Se você gosta de esportes, assista Rising Phoenix. Se gosta de histórias emocionantes e de superação, assista Rising Phoenix. Se quer aprender mais sobre o movimento paralímpico e suas principais e emblemáticas figuras, assista Rising Phoenix.

Mas, se você, como brasileiro, não quer passar vergonha, fique longe de Rising Phoenix.
Infelizmente, no capítulo referente à realização dos últimos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro, em 2016 temos um exemplo da vergonha internacional a que os dirigente brasileiros nos obrigam a passar. Uma sucessão de fatos motivados por ignorância, descaso e, muito provavelmente, corrupção, quase levaram os jogos do Rio a não serem realizados. Sem palavras para definir a indignação ao assistir essas cenas.

Salva-nos as cenas da torcida brasileira, dando um show de alegria e entusiasmo nas competições e desfazendo a imagem negativa que os atletas e dirigentes internacionais pudessem ter do Brasil. Ainda temos jeito. É só sabermos escolher melhor nossos dirigentes, não apenas na política. Também nos esportes.





PADILHA, Ênio. 2020



Imagem: Divulgação da própria Netflix




Leia também: JÁ PERDEMOS A COPA DO MUNDO DE 2014
AGORA PERDEMOS OS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016

Eu não acredito que os Jogos sejam tirados do Rio de Janeiro e realizados em Londres. Essa possibilidade é, de fato, mínima. Mas, só o fato de o Comitê Olímpico Internacional discutir publicamente um "Plano B" é uma vergonha nacional.


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