200 ANOS. 200 ANOS!

(Publicado em 09/09/2020)



Faltam 2 anos para que o Brasil e os brasileiros comemorem 200 anos da declaração de Independência. Eu vou comemorar, sim. Mas eu sei que não vai faltar quem aproveite a efeméride para destilar toda a sua mágoa e tristeza pelo fato de o Brasil não ter conseguido, nesses primeiros 200 anos, desenvolver todo o seu potencial.
Para esses amigos inconformados, tenho duas ou três palavrinhas:





Independência ou Morte ou O Grito de Ipiranga, pintura de Pedro Américo (1888). Acervo do Museu Paulista



Durante muitos anos (quando eu era jovem e tolo) eu não comemorava aniversários. Mais do que isso: eu tinha um discurso contra a comemoração de aniversários. Eu dizia, cheio de graça, que apenas duas coisas eram inevitáveis depois que você nasce: "morrer um dia e fazer aniversário todos os anos". E eu sustentava: "não existe mérito nenhum em fazer aniversário. Qualquer um faz. Qualquer idiota faz aniversário!"

Como eu disse, eu era jovem, tolo... e chato. Um mala e um estraga festas.

Melhorei depois dos 30 anos. Criei juízo, acho. Comecei a perceber a importância de a pessoa ter um dia só pra ela. Pra renovar seus propósitos, fazer um balanço de suas conquistas, por mínimas que sejam. Ter uma data para fechar um ciclo. E para comemorar a abertura de uma nova contagem.

É claro que hoje eu comemoro os meus aniversários. Comemoro os aniversários dos meus amigos e até outras datas comemorativas, como o Dia do Engenheiro (11/DEZ), Natal, Ano Novo, aniversário da minha cidade (Balneário Camboriú, 20/JUL) e até mesmo o aniversário da cidade onde eu nasci (Rio do Sul, 15/ABR).

No dia do meu aniversário eu não quero falar sobre o fato de eu estar ficando mais velho, mais gordo, com menos cabelos ou com menos força e resistência física. Não quero falar sobre o fato de eu não ter me tornado rico, nem sobre ter votado errado muitas vezes ou feito escolhas equivocadas em determinados momentos da vida. Não! É meu aniversário. Tenho todo o resto do ano para pensar nessas coisas todas.

O meu aniversário é dia de comemorar o fato de eu ter feito algumas escolhas corretas na vida. De ter uma família bonita e feliz, duas filhas maravilhosas, algumas conquistas profissionais bem bacanas, uma casa pra morar, uma vida confortável... não é pouco! Acende o fogo da churrasqueira. Abre a cerveja!

Pois bem, em 2022 teremos uma data cheia: 200 anos da Independência do Brasil. Temos alguma coisa pra comemorar? É claro que temos. E devemos! Teremos 23 meses, daqui até lá, para falar sobre tudo o que há de ruim no país. Não faltam mazelas. Mas custa dar uma trégua em setembro e comemorar o que temos para comemorar?

O Brasil é um país muito jovem. Temos apenas 520 anos de existência total e talvez não mais do que uns 250 anos de identidade própria. África, Ásia e Europa estão cheios de países com mais de 1500 anos de história. Como eles estavam (o que já haviam conquistado) aos 200 anos?

A comemoração dos 200 anos da independência não é do governo nem da oposição. Não é da esquerda nem da direita. Não é dos ricos nem dos pobres. É nossa! É dos brasileiros.

Já caímos nessa bobagem, no ano 2000, quando movimentos de esquerda sabotaram as comemorações dos 500 anos do descobrimento. Perdemos uma grande oportunidade de fazer uma grande festa, renovar os propósitos, abrir a contagem para uma nova era. Foi tudo consumido por um FLA x FLU idiota e destruição dos "Relógios da Globo". Aquele povo que tinha o monopólio da inteligência literalmente, jogou água no chope de todos nós com o discurso de que "não havia nada para comemorar".

Em setembro de 2022 (se Deus quiser) estaremos em plena campanha eleitoral. Não deixe que a comemoração dos 200 anos da Independência vire tópico de campanha de nenhum candidato. Já perdemos a liberdade de usar roupas vermelhas ou amarelas. Já perdemos o direito de usar a nossa bandeira ou a camisa da nossa seleção de futebol, sem ser associado aos grupos de extrema esquerda ou estrema direita. Chega!

Em setembro de 2022 a festa tem de ser de todos! Eu estarei nas ruas, comemorando. Espero por você.





PADILHA, Ênio. 2020

Comentário #1 — 10/09/2020 10:53

ENIO PADILHA — Engenheiro e Professor — Balneário Camboriú-SC

Alguém ali no Whatsapp me perguntou se não é um pouco cedo para falar disso. Respondi que "talvez seja. Mas eu sei que em 2022 haverá muitas campanhas e projetos oficiais ou de grandes organizações no sentido de que a data seja comemorada. E, claro, haverá uma imensa campanha contra.
Eu estarei ao lado dos que acham certo comemorar. E eu não quero que ninguém pense que fui convencido pela propaganda do governo ou de alguma grande rede de comunicação. Isso é o que eu penso, desde sempre."

Comentário #2 — 10/09/2020 11:27

Farlley — Músico — Brasílua-DF

Comemorarei esta data histórica assim como você. Um brinde ao Brasil !

Comentário #3 — 11/09/2020 13:40

COMENTÁRIOS NO FACEBOOK — 11/09/2020 —











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