EU AMO A UFSC

(Publicado em 10/12/2020)



No primeiro semestre de 1980 eu era calouro de Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina. Logo fui apresentado à majestosa Biblioteca Central (que, por alguma razão é conhecida como BU - Biblioteca Universitária) e me tornei frequentador diário. Creio que não houve um único dia da minha longa passagem pela UFSC em que eu não tenha ido à BU. Foi amor à primeira vista e uma paixão duradoura.

O caminho para a Biblioteca passava pela Praça da Reitoria e depois havia um caminho reto de uns 100 metros entre a Reitoria e a rampa de acesso ao prédio (antigamente a rampa era externa). Foi ali que eu vi, naqueles primeiros meses, uma grande movimentação de jardineiros, carrinhos de mão, pás, cavadeiras e mudas de ciprestes.

Durante todos os anos da faculdade eu acompanhei o crescimento daquelas arvorezinhas e o cuidado e carinho com que eram tratadas pelos jardineiros da UFSC. Quando eu me formei elas já estavam mais altas que eu. Lindas e cheirosas, transformando aquele pequeno corredor em algo muito especial.





Imagem: Agecom/UFSC



Alma mater é uma expressão geralmente utilizada para designar o local onde a pessoa fez a graduação. Vem do Latim e pode ser traduzida como a mãe que alimenta ou nutre, sugerindo que é uma instituição fornece alimento intelectual aos seus alunos.

Nada mais apropriado, no meu caso, para definir o que é a UFSC na minha vida. A graduação foi, com certeza, o período mais rico da minha formação. Um tempo no qual fui apresentado a um nível de ensino de extrema profundidade, pessoas muito mais inteligentes do que eu, mestres com muita sabedoria, colegas brilhantes e oportunidade de experiências maravilhosas que moldaram o meu caráter e a minha personalidade. 100% Alma Mater.

Quando eu me formei eu já tinha o perfeito entendimento de que metade do que eu aprendi naqueles anos tinha sido na Escola de Engenharia. A outra metade tinha sido na Universidade, com colegas de outros cursos, com as atividades artísticas, políticas, esportivas e com o trabalho no Ponto Natural (uma lanchonete de produtos naturais que funcionava debaixo da escada do antigo Centro de Convivência).

20 anos depois de me formar eu tive uma grande alegria: fui convidado para dar uma aula num evento dos estudantes de Engenharia Elétrica. Eles não sabiam que eu havia me formado ali, naquele mesma escola e muito menos que fazia exatamente 20 anos. Foi um momento de grande prazer. Uma realização.

Mas o melhor ainda estava por vir: em 2013 recebi um convite para ser Paraninfo de uma turma de Engenharia Elétrica da UFSC. Aquele foi o maior prêmio, a maior condecoração, o maior reconhecimento de toda a minha carreira profissional. Com certeza os jovens engenheiros que me convidaram não têm ideia da alegria que me proporcionaram. O discurso que eu fiz pode ser visto AQUI.

A UFSC também formou uma das minhas filhas, a Ana Clara. Ela fez graduação, mestrado e doutorado em Odontologia (a outra filha, Maria Helena, assim como a minha esposa, Áurea, foram formadas pela Universidade Estadual, a UDESC).

A UFSC faz 60 anos neste mês de dezembro. Não existem palavras suficientemente adequadas para agradecer tudo o que a Universidade Federal de Santa Catarina fez por mim e pela minha família. Mas existem quatro palavras para dizer o que eu sinto por esta instituição sessentona: EU AMO A UFSC

E aquele corredor de ciprestes lindos é a coisa que eu nunca deixo de ir ver, cada vez que tenho algum motivo para voltar à minha querida Universidade.





PADILHA, Ênio. 2020



PS. Tia Pópy (Lúcia Loch Goes), que trabalhou na UFSC a vida inteira e também é apaixonada, leu o artigo e acabou de me dar a notícia triste de que o corredor de ciprestes foi vítima de um vendaval no ano passado e as árvores foram arrancadas. Ela disse que o corredor foi reurbanizado, que ficou bonito.
Mas eu tô com um aperto aqui no coração.





Leia também: HÁ 40 ANOS
Artigo no qual eu conto como fiquei em primeiro lugar no Concurso Literário da UFSC em 1980 e publico, pela primeira vez, os dois textos premiados.






Comentário #1 — 10/12/2020 10:04

Clarice Terezinha Loch Gonçalves — Servidora pública federal — Florianópolis

Parabéns, Ênio, por expressar tão bem, esse sentimento que compartilho contigo... a AMOR A UFSC. Fui admitida em 1983 como aluna da Graduação em Biologia Bacharelado, depois fiz Licenciatura, Pós Graduação, fui professora substituta, professora do PREPESUFSC (Programa de Alfabetização dos Servidores da UFSC) e trabalho como assistente em administração há mais de 25 anos....fiz muitos cursos de capacitação e extensão. Adoro aquela Instituição.... Já participei de muitos movimentos em sua defesa. Costumo dizer que naquele ambiente, sou um peixe dentro d'água...é também minha casa.... AMO e sinto muitíssimo orgulho de ser UFSC!!!
Ah, sobre o corredor dos ciprestes... chorei no dia em que os vi tombados pelo vento. Hoje o corredor está bonito, com ar moderno.. mas compartilho mais isso contigo: o aperto no coração de não sentir mais seu frescor ao transitar por lá!
Obrigada, muito obrigada pelas suas palavras que me tocaram profundamente...

RÉPLICA DE ÊNIO PADILHA

Clarice, querida. Você, assim como a Pópy, o Clesar e milhares de outros servidores ajudaram a construir essa exuberante Universidade pela qual somos todos apaixonados. Nós é que agradecemos.

Comentário #2 — 10/12/2020 14:10

MARCOS VALLIM — Professor e engenheiro — Londrina

Enio,

Tenho quase nada a acrescentar ao que você já disse. Talvez pegar uma "caroninha" no brilhante artigo e dizer que muitas vezes eu estava ao seu lado cruzando a "pinguela" ao final da alameda de ciprestes. Indo ou vindo dentro nossa Querida Alma Mater.

Sim, eu também amo a UFSC. Fiz a graduação, mestrado e doutorado lá. Vivi épocas diferentes e momentos diferentes da minha vida lá.

No doutorado eu até "morei" na BU, realizando o sonho de todo Nerd: viver dentro de uma biblioteca. É que os doutorandos do PPGEE ficaram sem lugar para trabalhar durante um período de reformas, então o único local que tinha disponibilidade de nos alojar era o porão da BU. Que felicidade! Que momentos mágicos passamos lá.

Minha baia era de frente à alameda dos ciprestes. Minha foto no CV Lattes até hoje é a mesma que tirei em frente aos ciprestes.


Foram-se os ciprestes, meu amigo, mas permanecem as lembranças.

Aos poucos vamos entendendo que a única coisa permanente do universo é a sua contínua mudança.

Não obstante, parabenizo a UFSC pelos seus 60 anos! Gerações de professores, técnico-administrativos e estudantes que vem construindo uma instituição de referência internacional. É um orgulho fazer parte dessa obra.

Muita gratidão à UFSC e aos seus atores por tudo que ganhei por ter tido o privilégio e a honra de ter caminhado por aquela alameda de ciprestes.

RÉPLICA DE ÊNIO PADILHA

Marcos, meu querido amigo/irmão. A primeira vez que eu tive a ideia de escrever essa declaração de amor à UFSC foi há 10 anos, quando ela completou 50 anos. Acabou que eu fui absorvido por muitas outras coisas e acabei não escrevendo. Mas a ideia sempre foi iniciar o texto falando da Alameda dos Ciprestes.

Nunca imaginei que tanta gente tinha um carinho tão grande por aquelas arvorezinhas em particular. Foi uma surpresa muito agradável ler os comentários que alguns amigos estão fazendo.

E, sim, você esteve comigo centenas de vezes em que eu passei por aquele caminho indo para ou vindo da Biblioteca. São momentos guardados com muito carinho no meu coração.

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