NINGUÉM É PERFEITO

(Publicado em 11/10/2021)



Este artigo eu escrevi em 2019, mas nunca publiquei.

Na verdade, na época, mostrei a um amigo e ele me desaconselhou a publicar. A intenção dele era muito boa. Ele queria me convencer de que eu não precisava ser bom de vídeo para publicar coisas interessantes nas redes sociais. Eu ouvi o seu conselho e esqueci o texto no bloco de notas.

Hoje, depois de uma série de vídeos produzidos no início de 2020 para o CAU/SC (EMPREENDER ARQUITETURA) e outra série sendo produzida agora para o CREA/SC (PRIMEIROS PASSOS NO EXERCÍCIO PROFISSIONAL), além de um canal ativo no YouTube (CANAL 893), reencontrei o artigo e me dei conta de que eu estava errado naquela reunião…

Dá uma olhada




“A verdade é que eu não sou bom de vídeo.”

A afirmação assim, sem meias palavras deixou as três boquiabertas de surpresa. Afinal, modéstia nunca foi uma das minhas virtudes e elas sabiam que eu não poderia ter mudado assim, da noite para o dia. Sou do tipo que diz ”Eu tenho apenas duas qualidades: a modéstia e a perfeição” (sem ficar vermelho!)

Eu continuei: “na verdade o problema é um pouco mais profundo. Eu não tenho poder de síntese. Essa é a razão pela qual eu não funciono bem fazendo vídeos.”





Foto: Maria Helena



Era uma reunião da empresa, com a Áurea, a Ana Clara e a Maria Helena. Estávamos discutindo estratégias para os próximos anos. Surgiu a discussão sobre a necessidade de produzir vídeos e publicá-los no site e nas redes sociais.

Eu já tinha feito inúmeras tentativas. Mas nunca me senti confortável com o resultado. No entanto não podia negar o poder do vídeo sobre o público.

Não dava pra argumentar que fazer vídeo não importava ou que isso era apenas um modismo. Então fui obrigado a confessar minha fraqueza. Tratava-se de uma habilidade que eu não tenho, derivada de um talento que eu não possuo: o poder de síntese.

Eu não sou um fazedor de frases. Sou um fiasco no Twitter. Meu senso de humor é abaixo do mínimo. E eu não tenho aquilo que se conhece como inteligência presente ou presença de espírito, que significa ter a resposta rápida e eficaz.

Isso nunca me impediu de ser um bom engenheiro, professor ou autor de livro, justamente porque o exercício dessas atividades não requer aquelas habilidades ou talentos.

Um advogado precisa tê-las. Um médico ou um jornalista também. Mas um engenheiro ou arquiteto não precisa.

Nós precisamos ter a melhor resposta. A melhor solução para o problema. Mas não precisa ser de imediato. No nosso trabalho (ao contrário dos advogados e médicos) existe um tempo para a análise dos dados e a formatação da resposta/solução.

Acho sensacional aqueles palestrantes do TED que conseguem desenvolver uma ideia com começo, meio e fim em apenas 15 ou 18 minutos, mas sinto que eu não tenho esse talento. Preciso de mais tempo.

Não digo isso com nenhum orgulho. Lamento não ser assim. Apenas sei que eu funciono melhor se tiver 50 minutos ou uma hora inteira para apresentar a minha palestra.

Sou melhor ainda num curso com 8 horas de duração e, se for um curso com 16 ou 20 horas… aí eu estou no meu Maracanã! Não tem erro.

No passado participei, como delegado, nas etapas do Congresso Nacional de Profissionais do Sistema Confea Crea. Quase todos que me conhecem achavam que eu estava muito confortável participando dos debates, mas eu não estava.

Toda vez que eu tinha oportunidade de defender alguma ideia ou proposta, o tempo era curto (um minuto ou dois). Aquilo, pra mim, era um sofrimento. Perdi quase todas as causas que defendi. Se fossem discussões mais profundas e demoradas, creio que eu me sairia bem melhor.

Quando um palestrante ou professor faz vídeos, o objetivo é dar uma amostra do que ele é como professor e como palestrante. Aí é que eu vejo o problema: os meus vídeos não conseguem cumprir esse papel. Meu desempenho nos vídeos não se compara ao que eu faço quando estou diante de pessoas, num auditório ou numa sala de aula (e com tempo para desenvolver o tema).

A decisão da reunião foi que os vídeos seriam feitos, de qualquer forma. Chegaram até a lembrar a famosa frase do Comandante Rolim Amaro, presidente da TAM, nos anos 1990. Ele dizia, “Em busca do ótimo não se faz o bom”, lembrando que nem sempre é possível fazer com perfeição, mas sempre é possível fazer bem feito.

Então eu vou continuar tentando fazer vídeos bons, já que não consigo fazê-los ótimos. Mas peço que os leitores e internautas tenham uma boa dose de paciência. Ninguém é perfeito.





PADILHA, Ênio. 2021



PS.: Tenho de agradecer a querida amiga Lígia Fascioni, que, recentemente, leu este artigo e insistiu que ele deveria ser publicado. Danke, Lígia

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