PARECE MENTIRA

(Publicado em 27/03/2001)



Agora é lei, foi aprovada pelo Congresso Nacional: se você for a um dentista e iniciar um tratamento odontológico, ele dará a você um botton (do tamanho de um crachá) com propaganda dele (dentista) ou da clínica odontológica.

E você será obrigado a usar o tal botton em lugar bem visível da sua roupa, 24 horas por dia, durante todo o tempo em que durar o tratamento. Estuda-se uma extensão dessa lei para beneficiar também os médicos, os contadores e outros prestadores de serviços...



Você acha que é mentira?
É claro que é mentira!
Mas eu garanto que você torceu o nariz para essa “notícia”.

Porém, se você é engenheiro ou arquiteto e atua no segmento da construção civil, já deve estar familiarizado com uma lei (de verdade) que tem o mesmo efeito. É a lei 5194, de 1964, que regulamenta as profissões de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, e institui, entre outras coisas, a Placa-de-Obra, determinando que, ao prestar um serviço qualquer em uma construção, o engenheiro ou arquiteto tem o direito de afixar uma placa de 1 m² (contendo material de divulgação dele, engenheiro ou arquiteto) na frente da obra do cliente (que já pagou pelo serviço mas que é obrigado, por essa lei, a aceitar essa prática).

O mais interessante é que muitos engenheiros e arquitetos são contra essa lei e contra o CREA que defende esse direito do profissional. Esses profissionais entendem que a afixação da tal placa é apenas uma “obrigação legal”. Uma fonte de despesas sem retorno.

Não percebem que o instituto da Placa-de-obra é um caso único. Um benefício (ao fornecedor) que não tem correspondente em nenhuma outra área da prestação de serviço ou produção de mercadorias. E não entendem que o fato de o engenheiro ou o arquiteto ser “obrigado, por lei” a colocar a tal placa, nada mais é do que um recurso na lei que facilita ao profissional a sua relação com o cliente.

Por incrível que pareça, se o CREA não exigisse a colocação de uma placa na obra, boa parte de nossos colegas engenheiros e arquitetos não tomariam essa providência.

Fundamentalmente por acreditarem que não colocando a placa economizam algum dinheiro, aumentando o lucro.

Deixam de observar “detalhes” importantes. Veja só:

1. Toda obra desperta curiosidade e tende a chamar a atenção, principalmente de pessoas que estão pensando em construir num futuro próximo (os clientes potenciais).

2. Toda pessoa que está construindo alguma coisa (seja uma casa, um edifício ou uma indústria) é um exemplo (naquele momento) de sucesso financeiro, de prestígio... E qualquer profissional ou empresa que associe o seu nome ao de quem está construindo, incorpora à sua imagem o prestígio de seu cliente.

3. A maioria das construções é erguida em áreas urbanas. Pontos onde várias empresas estariam dispostas a pagar um bom dinheiro pelo direito de fixar uma placa (de 1m²) com propaganda de seu produto. Não existe nenhuma razão lógica para um engenheiro ou um arquiteto perder esta oportunidade que vem de graça.

É claro que existem ainda muitos outros argumentos, mas vamos ficar só nesses três, que nos parecem suficientes para fazer as seguintes afirmações:

1. O profissional interessado em desenvolver o seu mercado potencial de clientes não perde nunca a oportunidade de fixar, junto às obras de sua responsabilidade, a placa de identificação profissional.

2. O profissional com essa consciência procura fazer de sua placa uma peça de promoção publicitária, dedicando especial cuidado na sua composição e procurando garantir que a confecção de placa se dê com a melhor qualidade possível.

3. Obviamente a placa de obra, como toda peça de propaganda, não representa perda de dinheiro e sim um custo com retorno real e objetivo. No caso específico, a melhor relação custo/benefício que se pode obter de qualquer prática de promoção (propaganda, publicidade, divulgação) de engenharia ou arquitetura.

E quem quiser acreditar no contrário... Tudo bem, tem gente que gosta mesmo de acreditar em mentiras.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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---Padilha, Ênio. 2001

Comentário #1 — 25/07/2009 09:50

PAULO CESAR BASTOS — ENGENHEIRO CIVIL — Salvador-Ba

Prezado Padilha
Para crescer é preciso aparecer.
A valorização profissional começa da autoestima do prório.A placa deve ficar bem posta e exposta.
Precisamos construir e ,também,influir.
O engenheiro e o arquiteto não podem ficar escondidos atrás do tapume da obra.
Parece mentira não ser devidamente interpretada esse presente legal, em todos os significados, que é a obrigatoriedade da placa de obra.Precisamos saber fazer, mas, também saber dizer.
A placa é o cartão de apresentação maximizado e massificado.
Vamos avançar , comunicando e ,daí, valorizando o nosso trabalho , vale sempre lembrar,indispensável para um Brasil melhor .

Comentário #2 — 27/07/2009 09:09

José William de Medeiros — Engenheiro Eletricista — Brasília- DF

Caríssimo colega Ênio Padilha
Sem dúvida, sua argumentação é extremamente válida e feliz.
Porém já ouvi de colegas a argumentação de que esta placa incorre em um sério risco, especialmente na cidade do Rio de Janeiro. Pessoas de má fé entram na justiça do trabalho alegando terem trabalhado para aquele empregador. Não provam, mas os juízes trabalhistas são pró-acordo e os canalhas sempre saem com algum provento. Não sei se é mais uma lenda urbana; nunca ví um caso concreto. Aproveito este forum para desmistificar este conceito, se for o caso.

Comentário #3 — 27/07/2009 10:16

Paulo Barreto — Engenheiro Eletricista — São Paulo

Além dos aspectos mencionados no artigo, a exigência da placa de obra (qualquer obra: civil, elétrica, hidráulica, mecânica, etc)tem como objetivo auxiliar a fiscalização dos Creas, indicando o responsável técnico para os diversos serviços. Em não existindo placa, será um bom indício de irregularidade.

Comentário #4 — 27/07/2009 19:37

solimar de castro bastos — engenheiro civil — itapagipe mg

bom a para quem duvidar de como atrair clientes com uma placa de obra faça o teste como eu fiz mandei fazer 7 placas de obras e as pendurei na grade de minha casa uma do lado da outra e chamou a atenção porque tanta placa do mesmo engenheiro na obra eu respondi estão vendendo meu trabalho e hoje não tem mais nenhuma no local ate a da minha obra levaram embora......solimar itapagipe mg

Comentário #5 — 28/07/2009 11:27

Antônio Ananias Ripardo Filho — Engº edificações — Fortaleza Ceará

Prezado Ênio

É muito importante a fixação da placa contendo o nome do responsável técnico da obra em execução. Porém nota-se que o CREA verifica somente o nº da ART, logicamente visando o pagamento da taxa correspondente. Porém o profissional é benficiado com a divulgação de seu nome para o público em geral, quando a obra atende as espectativas em geral. Caso contrário será um tiro no pé.
Atenciosamente

Comentário #6 — 29/07/2009 01:03

JOSÉ PICCOLI — Engenheiro Civil e de Segurança — Balneário Camboriú / SC

pior é que pela negligência, displicência, ou qq outro adjetivo mais incisivo que se queira dar aos omissos que não identificam suas obras, aqui está acontecendo um fenômeno. As empresas grandes, como a EMBRAED, PROCAVE e outras, colocam suas placas ricamente trabalhadas, fazendo a fixação de suas logomarcas, sem aparecer o nome do corpo técnico, ou pelo menos quem é o responsável técnico que está viabilizando as construções destas empresas.
É realmente lamentável (e sem volta)

Comentário #7 — 09/08/2009 22:03

elizabeth — arquiteta — Rio Grande do Sul

Tenho uma duvida:Fui somente contratada para projetar forros e acabamento de pintura, e alguma coisa de area externa. Por fim, quero colocar a placa na frente da casa da cliente, mas qual é a minha responsabilidade técnica?Como descrevo os serviços prestados na placa?

Réplica de Ênio Padilha

Elizabeth
Sugiro que você converse com alguém da inspetoria do Crea-RS na sua cidade para ter uma orientação mais completa.
Mas eu penso que você pode colocar na sua plada exatamente o serviço que você está prestando na obra (por exemplo: "Projeto de forros e acabamentos de pintura"

Comentário #8 — 23/06/2010 22:15

luiz — vendedor — M Mirim

Prezado colega estou construindo uma edícula. Porém tive vários problemas com engenheiro que contratei. Pretento dar um tempo na obra e gostaria de saber se a não colocação da placa acarreta problemas para mim, pois o mesmo disse que colocaria porém ate agora nada!

Obrigado!

Réplica de Ênio Padilha

Comentário do Ênio Padilha

Prezado amigo
Lamento que esteja tendo problemas com o engenheiro contratado. Informo que a prestação de serviços de Engenharia ou de Arquitetura é um produto como outro qualquer e que os clientes têm todos os direitos previstos na legislação.
Sugiro que chame o engenheiro contratado e exija o cumprimento do contrato que foi feito entre vocês. Caso isto não ocorra, todos os mecanismos de defesa do consumidor estão disponíveis e devem ser utilizados.
Quanto à não existência da placa, não se preocupe. É um DIREITO do engenheiro colocar a placa. A sua obrigação, como cliente é apenas ACEITAR a colocação da placa. O cliente não está obrigado a tomar nenhuma providência nesse sentido.

Grande abraço e boa sorte

Comentário #9 — 27/06/2010 15:25

luiz — vendedor — M Mirim

Prezado Enio
Gostaria de saber sobre contrato na minha ART,
diz no campo 26 atividades técnicas
numeros 14, 35, 37
diz no campo 28 valor contrato R$1.000,00
diz no resumo do contrato (INEXISTENTE)
diz no campo 7 ART Vinculada( em branco)
Este valor já paguei ao engenheiro com recibo de RPA, porém falta executar 4 itens do memorial descritivo.(revestimento,Pisos,Eletrica e hidraulica)
Quando retomar a obra ele tem a obrigação de acompanhar a obra pois já paguei o valor contrato?
Minha outra duvida é apesar e de ter escopo do contrato inexistente sejá surpreendido lá na frente por um contrato que assinei sem saber por confiar de mais no profissional

Obrigado!

Réplica de Ênio Padilha

Comentário do Ênio Padilha

Prezado Luiz
Recomendo que consulte o CREA do seu estado (provavelmente existe uma inspetoria do CREA aí na sua cidade).
No entanto, antes disso, converse com o engenheiro e esclareça essas dúvidas. Normalmente essas questões costumam ser resolvidas facilmente com uma simples conversa.

Comentário #10 — 01/04/2013 09:21

Nielsen Oliveira Castro — Arquiteto — São Luís-MA

Lembro que li esse artigo a muitos anos quando ainda era estudante, e é incrível como ainda é atual e verdadeiro, e o pior que até hoje profissionais ainda abrem mão desse direito, se esquivando de um custo ínfimo tendo em vista a propaganda que o mesmo pode render. Parabéns caro Ênio e continue sempre nos brindando com Textos tão enriquecedores!

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