QUE VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL É ESSA?

Decepcionante!
É o mínimo que se pode dizer do I Forum Nacional de Valorização Profissional realizado em Manaus, na programação da 66ª SOEAA, semana passada.

Os mais de 300 profissionais do Brasil inteiro presentes ao evento davam uma boa idéia do interesse que o tema produziu. Afinal, como se sabe, Valorização Profissional é a segunda principal motivação para a criação ou revitalização de entidades de classe de Engenharia e Arquitetura (a primeira é, ainda, Tabela de Honorários). Acredito que todos os presentes, assim como eu, imaginavam que iriam ser apresentados ao chamado \"estado da arte\" da discussão sobre o tema: os conceitos novos, as visões existentes, os trabalhos recentes, os relatos de experiências e pesquisas realizadas...

Nada disso. O que se viu foi uma sucessão de palestras \"fora da casinha\", sem conexão e sem conteúdo que sequer tangenciasse o tema central.
Eu poderia fazer aqui uma exceção para a palestra do Henrique Ludovice, uma vez que ele, de fato, tocou no assunto Valorização Profissional e, de certa forma, pode-se dizer que o assunto estava nas entrelinhas e no conceito subliminar do seu discurso. Mas não vou fazer a exceção. Sabe por que? Porque o Henrique Ludovice é um dos melhores oradores do Sistema Confea/Crea. Um palestrante de primeiríssima linha. E conhece, como poucos, o tema Valorização Profissional. Por isto eu esperava, da palestra dele, mais Valorização Profissional e menos oba-oba para a Eletronorte e para o Governo Federal.

Quanto aos outros palestrantes, o primeiro deles (espanhol) falou de Justiça e Ética na Construção; o seguinte (Venezuelano) falou de Ética Profissional; um terceiro falou sobre as ações do IBRAOP - Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas e o último foi a \"cereja no topo do bolo\": falou meia hora sobre o \"pre-sal\". Nem se deu ao trabalho de tocar no assunto \"Valorização Profissional\".

Isso sem falar numa peça de teatro que a organização do evento colocou no meio da programação (tá virando moda agora, nos eventos do Confea: teatrinhos e dinâmicas de grupo!). Coisa mais sem noção! Completamente inadequada à platéia. E com erros conceituais imperdoáveis. Mas, deixa pra lá.

A decepção dos presentes foi geral. E nem poderia ser diferente. Frustrou as expectativas. Saiu todo mundo de mãos vazias. E saiu todo mundo mais cedo, diga-se de passagem: dos trezentos presentes no início do evento, não mais que 40 estavam no auditório ao fim da última palestra.

(faço aqui um parêntesis, por justiça: nenhuma das palestras foi ruim. Todas foram muito interessantes em si. Inclusive a última, do Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, sobre o Pré-Sal. De todas as palestras foi possível aprender alguma coisa boa. A questão não é essa. O problema é a desvinculação dos discursos ao tema do Forum: Valorização Profissional)

Faltou bom senso aos organizadores na composição da programação. Deviam ter chamado os profissionais que tem algum tipo de trabalho vinculado ao tema: pesquisas, livros publicados, atividade ligada à área.
Por que não chamaram o Presidente de alguma entidade de Classe do porte de um Instituto de Engenharia de São Paulo ou do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro? que têm a vivência do dia-a-dia dos profissionais. Por que não o próprio Vicente Trindade, Coordenador do Projeto de Valorização Profissional do Confea? Afinal, ele tem acesso a todas as informações recentes sobre o tema, não é mesmo?

É preciso trazer pessoas que apresentem os diversos pontos de vista da questão da Valorização Profissional. O que este termo significa para os Sindicatos, para a Entidades de Classe, para os Creas e para os profissionais nas empresas (públicas e privadas) ou no mercado de empreendedores. E isto precisa ser feito de maneira minimamente objetiva.

É preciso entender, de uma vez por todas, que os profissionais que vão para a SOEAA com o objetivo de ampliar os seus conhecimentos e a sua sensibilidade às questões nacionais do sistema já estão ficando fartos dessa tendência cada vez mais presente de utilizar os eventos como vitrine para questões ideológicas e partidárias.


ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br
(artigo_ep)

Comentário #1 — 08/12/2009 06:08

José Roberto Scarpetta Alves — Eng Civil — Florianópolis

Caro Ênio.
Não Fui ao Forum, mas pelo visto, não perdi muita coisa, considerando que o tema fugiu do proposto. Se fosse uma prova de redação de vestibular teríamos 300 reprovados.
Eu acredito que entre muitos pontos, o que mais demonstra um interesse pela valorização profissional ainda é a questão salarial. E aí eu falo de SMP. Nosso salário mínimo profissional vale somente para a iniciativa privada e, mesmo assim, não vale para recém formados, é o que mostra a prática corrente das empresas, que criam mecanismos para aviltar o salário.
Mas a pior desvalorização vem mesmo do poder público que abre inúmeros concursos todos os anos e os salários de Engenheiros é sempre inferior aos demais pelas horas trabalhadas. Com a justificativa de que a Lei é outra, o poder público oferece, às vezes, menos de meio piso salarial aos profissionais. Isso é DESvalorização profissional. Os nossos sindicatos e órgãos de classe perpetuam esse status quo e quando têm uma chance de "botar a boca no trombone", fogem do tema.

Comentário de Ênio Padilha
Scarpeta
Essa questão da Valorização Profissional, pelo que eu tenho visto, tem diversos pontos de vista e algumas vertentes de análise. Para muitos o termo está associado a remuneração (salário, honorários etc). Mas podemos, também, associar o termo "Valoriazação Profissional" a outras questões como a QUALIDADE DE VIDA DO PROFISSIONAL, o RESPEITO da sociedade e, principalmente, dos clientes, e as CONDIÇÕES DE TRABALHO que permitem ao profissional ter SEGURANÇA e TRANQUILIDADE para exercer plenamente sua profissão.
Eu entendo a questão da Valorização Profissional como algo muito amplo e que merece mesmo um GRUPO DE TRABALHO NO CONFEA e FÓRUNS E SEMINÁRIOS PELO BRASIL INTEIRO.
Mas acho que a coisa tem de ser levada de forma diferente do que foi feito em Manaus

Comentário #2 — 08/12/2009 07:26

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú

DIFERENTES ENFOQUES PARA A QUESTÃO
Uma da (muitas) diferenças que se podem apontar entre o Exercício Profissional da Engenharia e de outras profissões como a Medicina, o Direito e a Odontologia é a maior variedade de possibilidades para a atuação.
Ao contrário de Médicos, Advogados e Dentistas, Engenheiros atuam profissionalmente em condições muito diversas. Desde o profissional autônomo, capitaneando um euscritório, até a direção técnica de um grande instituto internacional de pesquisas, passando por escritórios de diversos tamanhos e níveis de excelência, construtoras, instaladoras industriais, pequenas e grandes empresas, bancos, estatais de eletricidade, petróleo e outras áreas.

Evidentemente que, para cada um desses grupos o termo "Valorização Profissional" deve ter um significado diferente. Por exemplo: um engenheiro que trabalha numa grande empresa multinacional deve analisar essa questão de forma muito diferente do que um engenheiro trabalhando sozinho num escritório de uma cidadezinha de 10 mil habitantes.

Essas diferenças é que, pra mim, precisam ser discutidas e entendidas num primeiro momento. Senão corremos o risco de investir tempo, dinheiro e energia para tratar de valorização profissional apenas para profissionais sindicalizados e atuando em grandes estatais. É muito pouco!

Comentário #3 — 09/12/2009 01:24

zeze balbaki — ENGENHEIRA MECANICA — Palmas - TO

ENIO quero parabenizá-lo você esta certo em sua colocação, pela matéria que você esta aqui apresentando “QUE VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL É ESSA?”, “Decepcionante! É o mínimo que se pode dizer do I Forum Nacional de Valorização Profissional realizado em Manaus, na programação da 66ª SOEAA, semana passada.” “da discussão sobre o tema: os conceitos novos, as visões existentes, os trabalhos recentes, os relatos de experiências e pesquisas realizadas....”. Parabéns.
É Isso tudo que os profissionais estavam esperando experiências novas e não um congresso político sujo, pois quando os profissionais quiserem saber sobre os políticos é só ligar a TV ou a internet, ficamos sabendo tudo ao vivo e a cores, fiquei decepcionada com o currículos dos palestrantes, o Confea tem que trabalhar mais é profissionalmente na área tecnológica acrescentar no nosso dia a dia algo de novo, mais palestrantes que tenha algo a oferecer aos profissionais da área tecnológica e aos estudantes que ali estavam tenho certeza que eles não aprimoraram nada conteúdo zero, é triste.
Frente a todos esses informações que vimos na SOEAA não nos demonstrou avanços, há uma área em que ainda não sentimos uma melhora substancial em nosso país, que é a condição de trabalho dos engenheiros. Salvo exceções de algumas EMPRESSAS de excelência, esta situação em geral ainda não chegou ao patamar de todas as demais melhorias sentidas no setor.
Não nos orgulhamos dos avanços conquistados na da 66ª SOEAA, não tivemos acesso à informação e ao que de mais moderno existe em tecnologia e em gestão e Olhando de fora, vejo que a situação do profissional da área da engenharia não mudou muito desde que eu era estudante. O reconhecimento e valorização da classe de Engenharia e Arquitetura e agronomia no Brasil devem ser revistas, oferecendo melhores condições de trabalho, remuneração e perspectivas de futuro.
Temos que discutir e encontrar Engenheiros para melhorar as condições de trabalho desta classe dos Engenheiros, nivelando-o com todos os outros avanços já conquistados na Engenharia. Seria na SOEAA uma ótima oportunidade para que a classe tecnológica pudesse discutir assuntos que vão além das patologias e ter acesso a uma rede de relacionamento que, certamente, tanto contribuiria para todas as melhorias no setor da Engenharia e Arquitetura e Agronomia nos últimos anos. E a Engenharia precisa estar inserida neste contexto e participar destes avanços tecnológicos. O CONFEA precisa parar de estrelismo e trabalhar mais na valorização dos profissionais.

A Engenharia e Arquitetura e Agronomia não pode ser exercida em sua plenitude sem que haja reconhecimento, valorização e respeito de sua principal força condutora, que é o PROFISSIONAL ENGENHEIRO.

Comentário #4 — 14/12/2009 14:20

engenheirobastos — engenheiro civil — itapagipe mg

olha que recebi varios emails do confea sobre este encontro de engenheiros em manaus, mas não só este foi uma decepção o do rio de janeiro tambem foi, dos que lembro que recebi convite e consigui achar algo de util foi o de fortaleza, o unico que até agora me ensinou algo de bom e de atualidade profissional, foram otimas as videoconferencias ao vivo e em tempo real, e a qalidade das palestras sobre temas de nosso cotidiano na globalização, espero que ainda esteja no ar os videos para que todos ainda aprendam como se organizar um encontro de engenheiros....solimar itapagipe mg, um pequeno municipio do triangulo mineiro com pouco mais de 3.000 imóveis mas com quase uma centena de bachareis engenheiros heheheeh

Comentário #5 — 19/12/2009 00:00

HÉLIO ROHDEN — Engenheiro Eletricista — RIO DO SUL - SC

Com toda razão, amigo Padilha!
A avalização que fizeste é fria e dura, mas certeira.
Devido ao fato de eu fazer parte de Comissão de Ética, ficou uma interrogação no(s) tema(s) em questão - pouco se falou no assunto Ética, mesmo que ele fizesse parte do tema central do evento.

Comentário do Ênio Padilha
Amigo Hélio.
Penso que esse é um problema estrutural das SOEAAs. Existe uma preocupação em se preencher os espaços da programação com "alguma coisa", mas não há compromisso com a consequência.

Comentário #6 — 08/10/2012 22:09

iterperma — *Profissão — *Cidade

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