ARQUITETA BRUNETE FRACCAROLI

[IMG2;BruneteFraccaroli.jpg;E]A Revista Casa & Mercado, na sua edição de março/2012, publicou uma matéria do jornalista Carlos Hummig sobre a participação da arquiteta Brunete Fraccaroli, no programa Mulheres Ricas, da Rede Bandeirantes.

Eu fui um dos entrevistados pelo jornalista (em janeiro de 2012) e respondi algumas perguntas dele sobre o assunto. Essas respostas foram utilizadas para a montagem da matéria.
Acho que o jornalista acertou a mão. Deu o tom que queria à sua matéria, sem distorcer o que eu falei. Apenas evitou alguns comentários meus que poderiam gerar alguma polêmica.
Porém, naquilo que ele publicou sobre a minha opinião, foi muito correto.

Leia AQUI a matéria publicada na revista e, abaixo, a íntegra da entrevista concedida ao jornalista.


Entrevista concedida ao jornalista Carlos Hummig, repórter da Revista CASA&MERCADO - www.casaemercado.com.br em 16/01/2012.


1) Qual a importância do marketing pessoal na carreira de um arquiteto?
Total. O marketing pessoal tem importância capital para o marketing empresarial de profissionais como médicos, dentistas, arquitetos, advogados, engenheiros e outros das chamadas profissões liberais. A área do marketing que se dedica aos serviços profissionais leva muito em conta as relações interpessoais e as considerações de carater individual para fazer a análise das estratégias profissionais e comerciais.
Trocando em miudos: é impossível, para um profissional, por mais competente que ele seja, ter um bom marketing do seu trabalho se o seu marketing pessoal for deficiente.


2) Até que ponto o estilo pessoal do arquiteto pode ajudá-lo ou prejudicá-lo?
A pesquisadora Anita Kon (da USP em São Paulo) costuma afirmar que quem compra serviços compra uma performance. O jeito de fazer o trabalho conta mais do que o trabalho em si.
O estilo pessoal de uma pessoa que fabrica eletrodomésticos não influencia no resultado das vendas de seus produtos (à menos, é claro, que ele se converta em garoto propaganda da sua própria empresa). No entanto, o estilo pessoal de um prestador de serviços acaba sendo incluído na própria prestação do serviço. É inevitável.
Portanto, um médico, um engenheiro, um arquiteto ou um advogado precisa ter em mente que seu estilo e seu comportamento pessoal terá influência na percepção que os outros (isso inclui seus potenciais clientes) terão do seu trabalho.


3) Como você avalia a participação da arquiteta Brunete Fraccaroli no programa Mulheres Ricas, da Rede Bandeirantes? Ela acertou ou errou em aceitar o convite? Acha que o programa melhora, piora ou não faz diferença para a carreira dela?
A produção do programa da Rede Bandeirantes escolheu para participar do programa pessoas com algumas semelhanças importantes: todas são mulheres; todas têm muito dinheiro (não importa a origem do dinheiro); todas gastam muito dinheiro sem cerimônia e todas são, em certa medida, exibicionistas (observe que todas já eram bastante conhecidas antes do programa).
Considerando o estilo pessoal da arquiteta Brunete Fracocaroli bem como a sua estratégia profissional, a decisão de participar do programa me pareceu adequada. Acredito que o programa tem o potencial de torná-la ainda mais conhecida (e famosa) junto ao seu mercado potencial (pessoas com dinheiro e disposição para gastar em projetos e obras caras). Isso é, sem dúvida um saldo muito positivo. Portanto, ela acertou, sim, ao aceitar o convite.


4) Alguns arquitetos ficam famosos por suas extravagâncias e estilos exagerados. Arquitetos famosos, de renome, podem fazer o que bem entenderem ou eles ainda precisam rever seus comportamentos?
No mundo regido pelas leis do marketing ninguém pode fazer o que bem entende. Para sustentar práticas e comportamentos é preciso encontrar eco nas percepções alheias.
Existem pessoas que, pelo prestígio alcançado junto ao seu público (por representar coisas que estão no topo da escala de valores do seu público) podem se dar ao luxo de assumir certos comportamentos mais extravagantes. Isso não vale apenas no mundo das Mulheres Ricas. Vale no mundo da moda, no mundo do futebol, no mundo da política, no mundo da tecnologia, no mundo artístico... Mas é importante observar que o estilo estravagante e exagerado sozinho, não faz ninguém ficar famoso. É preciso ter alguma coisa (algum talento, alguma habilidade, alguma qualidade) que permita ao indivíduo o exercício do exagero e da extravagância sem perder a admiração do seu público. Nos termos do Juarez Soares (um comentarista de futebol da rádio Record) é preciso ter \"garrafa vazia pra vender\", senão o exagero e a extravagância irão se converter apenas em tolice e chateação (e perda de prestígio).
A arquiteta Brunete, portanto, deve ter muito mais do que apenas um estilo Barbie, colorido e extravagante. Ela deve ter lá suas garrafas vazias pra vender.


5) No geral, os clientes querem contratar arquitetos estrelas, socialites, ou esse tipo de pessoa não reflete muito profissionalismo?
Esta é uma questão muito importante. E talvez seja uma questão chave com relação à participação da arquiteta no programa.
Há alguns anos as entidades profissionais de Arquitetura e Urbanismo têm lutado contra a percepção (equivocada) de que Arquitetura é \"coisa de gente rica\". De que só se faz arquitetura de qualidade se houver muito dinheiro (e disposição para gastá-lo). Em outras palavras, a luta tem sido no sentido de desmistificar o serviço de arquitetura como um produto de luxo e, portanto, acessível somente para uns poucos afortunados.
A própria Arquitetura de Interiores (geralmente associada à sofisticação, ao luxo e às coisas muito caras) pode ser vista como uma coisa útil, comercialmente acessível e com uma ótima relação de custo/benefício para o cliente quando se ocupa de dar o melhor aproveitamento possível para espaços exíguos de pequenos apartamentos ou escritórios, ou quando lida com severas limitações de orçamento.
Nesse sentido, a participação de Brunete Fraccaroli no programa da Band pode reforçar o mito da Arquitetura como produto de luxo destinado aos ricos. Isso, definitivamente, não é bom.
Porque, nesse mundo no qual a Arquitetura é considerada um artigo de luxo (e privilégio de uns poucos) o que prevalece nem sempre é a competência técnica ou o profissionalismo e sim outros valores como a fama, o prestígio e as conexões sociais (isto está muito bem descrito no livro \"O círculo privilegiado\" do autor australiano Garry Stevens). Nesse mundo vivem mil, dois mil, talvez até uns três mil arquitetos... É uma parcela muito pequena desses profissionais. Existem outros cem mil arquitetos, no Brasil, que estão com os pés muito bem fincados nas questões práticas do dia-a-dia, enfrentando clientes com outros valores, com restrições orçamentárias e tempo sempre muito curto. Para esses arquitetos, certamente, o programa da Band NÃO FAZ um bom marketing institucional da marca Arquitetura.

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