SEGUNDA CARTA AO ESTUDANTE DE
ARQUITETURA (OU DE ENGENHARIA)


VALE A PENA LER DE NOVO
(Publicado em 30/08/2012)



[IMG2;carreira.jpg;E]Marcus Vinícius Freire, ex-jogador de volei, atualmente é superintendente executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro. É, portanto, o responsável pela montagem da equipe brasileira para os Jogos Olímpicos de 2016.

Em 2010, quando o Rio de Janeiro foi escolhida como cidade sede dos Jogos ele analisou \"onde estavam e o que faziam em 2002 os atletas que foram campeões olímpicos de 2008\". Assim estabeleceu o processo seletivo para os atletas que deveriam compor a equipe brasileira dali a seis anos.

Logo adiante voltaremos a este assunto. Por hora voltaremos nosso olhar para os jovens estudantes de Engenharia e de Arquitetura e os seus sonhos de se tornarem profissionais e se encontrarem, finalmente, com o tão sonhado mercado de trabalho.

Nesse momento o estudante de Engenharia ou de Arquitetura deve se fazer algumas perguntas: como é a vida do profissional recém formado? quais são as suas angústias? quais são as \"garrafas vazias\" que ele precisa ter pra vender? quanto café no bule ele precisa ter?

O profissional recém formado estará, certamente, em busca de um trabalho. Um emprego, seja num escritório de Arquitetura ou de Engenharia, seja numa empresa privada ou pública (preferencialmente, claro, atuando na sua área de formação).

Procurar emprego é uma das tarefas mais desagradáveis que existem. Ninguém gosta disso. É desconfortável, cansativo, desgastaste.

Com o mercado aquecido, certamente algumas propostas surgirão para todo mundo, mas nem todas serão interessante. Nem todas oferecerão uma remuneração justa. Nem todas oferecerão boas condições de trabalho, garantias, estabilidade, segurança e dignidade profissional.

Empregos existem muitos. Bons empregos são poucos. E, quem oferece um bom emprego geralmente sabe que tem o poder de selecionar os melhores. E os melhores, no caso dos profissionais recém formados, são aqueles que apresentam os melhores currículos.

É aí que entra o planejamento da carreira. Um bom currículo não nasce do nada (ou por acaso). Um currículo vencedor, aquele que disputará os melhores empregos com vantagem competitiva, é aquele currículo consistente, cheio de elementos indicadores de profissional de qualidade.

Quando me refiro a currículo não estou me referindo àquelas duas folhas de papel que o profissional deixa nos escritórios ou envia pelo correio. Refiro-me ao conjunto de conhecimentos, habilidades e capacidades que o profissional possui e que pode usar quando solicitado: dominar a língua portuguesa, ter um vocabulário rico, saber inglês (e, eventualmente, um terceiro idioma), ter atividades fora do mundo acadêmico (esporte, arte, atividades comunitárias...). Isso tudo é tão importante quanto boas notas nas disciplinas essenciais da faculdade.

O domínio dos fundamentos da profissão também é essencial: para os arquitetos, saber desenho, saber se expressar graficamente, saber organizar espaços e ter visão espacial acurada; para engenheiros, o domínio da matemática, da física, da química e de suas tecnologias; para os dois, noções solidas de Projeto.

É aqui que nos reencontramos com Marcos Vinicius Freire, do COB. Assim como ele se preocupou, em 2010, em saber onde estavam e o que faziam em 2002 os campeões olímpicos de 2008 (para saber onde encontrar os atletas que podem ser campeões em 2016) os estudantes, dentro da faculdade devem olhar para os recém formados bem sucedidos de hoje (aqueles que conseguem conquistar os melhores empregos) e perguntar o que eles faziam no primeiro ano da faculdade (e no segundo, e no terceiro...)

Marcus Vinicius descobriu que aqueles atletas que ganharam medalhas em 2008 já eram atletas internacionais em 2002. Já eram campeões mundiais de categorias inferiores (sub17, sub20...) e com isso concluiu que, em 2010 sua seleção deveria ser feita entre os atletas brasileiros que já estavam nesse patamar.

Da mesma forma os estudantes de Engenharia e de Arquitetura descobrirão que os profissionais recém formados bem sucedidos são exatamente aqueles que, desde o inicio do curso seguem um certo roteiro: dedicação aos estudos (leia-se, boas notas), participação em atividades extra curriculares (cursos, palestras, congressos, seminários, encontros acadêmicos, viagens de estudos), muita leitura (muito além do exigido pelos professores), construção de uma solida rede de relacionamentos e uma produção intelectual relevante.

Esses profissionais serão disputados pelo mercado, pois representam baixo investimento em formação complementar (os contratantes não terão de investir recursos para torná-los produtivos) e eles serão muito lucrativos de forma muito imediata porque estão prontos para absorver, de forma muito rápida, qualquer nova tecnologia.

Se você é estudante de Arquitetura ou de Engenharia e não está fazendo hoje o que fazia no seu tempo um típico profissional recém formado bem sucedido, comece a se preocupar. Você certamente enfrentará algumas dificuldades extras nos primeiros tempos depois da tão sonhada formatura.

Pense nisso. Pense com carinho.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | ep@eniopadilha.com.br



Leia a primeira CARTA A UM CALOURO (DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA).



Imagem: fonte, http://sphotos-a.xx.fbcdn.net

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