A NOVELA DO WALCIR CARRASCO (mais um capítulo)

O autor de novelas da Rede Globo, Walcyr Carrasco escreveu um artigo publicado na revista época apresentando suas queixas contra os arquitetos por ele contratados.
Generalizou demais nas suas conclusões e atraiu para si a ira de muitos profissionais que se sentiram ofendidos com o autor.


ACOMPANHE A NOVELA (DIGO, O CASO) WALCYR CARRASCO
(e deixe sua opinião)


Arquiteto, designer & propina (Artigo de Walcyr Carrasco, publicado no site da Revista Época no dia 09/10/2010)

Os arquitetos e Decoradores (Nota de Posicionamento do Presidente da AsBEA, Eduardo Sampaio Nardelli, publicado no site da AsBEA no dia 15/10/2010)

Autor de novela, jornalista & merchandising (Carta aberta de Jean Tosetto, Arquiteto e Urbanista ao jornalista Walcyr Carrasco, publicado no seu site www.jeantosetto.com em 19/10/2012)


Comentário de ÊNIO PADILHA   (ep@eniopadilha.com.br)


Ninguém pediu a minha opinião, mas como pai de uma estudante de Arquitetura (e com a visão de quem conhece milhares de arquitetos no Brasil inteiro e desenvolve estudos sobre Gestão de Carreira desses profissionais) vou dizer uma coisa: este é, provavelmente, o tema mais importante envolvendo o futuro do mercado da Arquitetura no Brasil
Se você é arquiteto (ou estudante de Arquitetura) você será afetado por esta questão, cedo ou tarde. Não importa se você recebe ou não a tal RESERVA TÉCNICA.

O artigo do novelista Walcyr Carrasco aponta para um problema real. Um problema para o qual muitos autores, professores e as instituições como o IAB, o CAU e a AsBEA têm feito vistas grossas.
O problema do artigo é que ele exagerou na generalização. Desconsiderou o FATO de que a maioria dos profissionais não estão nessa onda. Não estão sendo patrocinados por fabricantes, distribuidores e lojistas.
A maioria dos arquitetos ganha a vida com o que recebem dos seus clientes, oferecendo a eles a melhor orientação possível, para que obtenham as melhores soluções de Arquitetura pelo menor preço possível. Nada mais.

A nota do presidente da AsBEA fez a coisa certa do jeito errado: fez a coisa certa, pois uma instituição desse porte e dessa importância precisa mesmo vir à público defender seus associados. Fez do jeito errado porque deu a entender que o caso relatado por Walcyr Carrasco é um fato isolado e sem importância. Não é!
O Presidente da AsBEA perdeu uma grande oportunidade de abordar um problema real e que já está fazendo uma vítima importante: a marca Arquitetura.

Nesse sentido, o colega arquiteto Jean Tosetto foi mais feliz. Pelo menos não ignorou olimpicamente a questão da Reserva Técnica. Reconheceu que o problema existe. Mas acompanhou o presidente da AsBEA na estratégia de desqualificar o acusador em vez de enfrentar a acusação.

Ao comparar a Reserva Técnica recebida pelos arquitetos com o Merchandising recebido pelos autores de novela, no entanto, ele foi muito infeliz, uma vez que uma novela é uma obra de entretenimento, veiculada em rede aberta (gratuita para quem assiste) e que tem como fonte de renda exatamente os anunciantes. Portanto, o dinheiro do Merchandising é legal e legitimo. É bom lembrar que os telespectadores não são os clientes da TV aberta. Cliente é quem paga pelo serviço. Se o telespectador recebe de graça, então o cliente é o anunciante.

Eu sei que a maior parte dos arquitetos trabalha honestamente e não aceita esse \"por fora\" que é a tal da Reserva Técnica.
Porém, não posso deixar de ver que os profissionais que aceitam essa verdadeira PROPINA dos fabricantes e logistas existem sim. E não são poucos.
E, na minha opinião, eles estão acabando com a credibilidade e o prestígio dos verdadeiros arquitetos, que tiram o seu sustento honestamente do seu trabalho, ajudando a construir lares, como, aliás, Jean Tosetto inteligentemente destacou em sua resposta.

Os arquitetos honestos, competentes e éticos precisam se defender é desse tipo de gente. Os poucos que se enquadram no perfil descrito pelo novelista. E não dos clientes insatisfeitos que essa gente produz. Porque, como vimos no artigo do Walcyr Carrasco, a insatisfação é sempre generalizada para toda a categoria.



Comentário #1 — 29/11/2012 13:34

Jean Tosetto — Arquiteto e Urbanista — Paulínia / SP

Caro Ênio Padilha,

Permita-me discordar da informação de que os telespectadores não são clientes dos canais de TV aberta.

Como você sabe, os canais funcionam mediante concessão do Governo Federal, que não obstante costuma ser o maior anunciante de qualquer veículo de comunicação de médio e grande porte.

O horário político eleitoral não é gratuito, pois é pago pelo Estado às emissoras.

Nós, como pagadores de impostos diretos ou indiretos, somos (ou deferíamos ser) os patrões do Governo Federal.

Portanto, somos sim clientes da TV aberta.

No mais, é uma satisfação saber que meu artigo foi citado em seu valoroso site, e concordo com você: é preciso por na mesa a discussão sobre as famigeradas reservas técnicas.

Grande abraço!

Réplica de Ênio Padilha

Jean
Apenas esclarecendo: o conceito de cliente que eu utilizo é o do indivíduo (ou organização) que (1) tem a decisão da compra e (2) paga a conta. Neste caso, em relação à TV, nós pagamos a conta, mas não decidimos a compra, já que a fonte de receita da emissora é o anunciante (incluindo aí o governo)

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