A OPORTUNIDADE PERDIDA EM CADA DESASTRE

(Publicado em 04/07/2014)



Acidentes como este que acabou de ocorrer em Belo Horizonte, com a queda do Viaduto da Rua Pedro I, são (descontado todo o drama e tragédia para os envolvidos) uma oportunidade para as nossas entidades de classe e conselhos profissionais mostrarem alguma utilidade.

Estou acompanhando as reações da imprensa e do povo (na internet), desde a hora do desastre. A engenharia saiu muito chamuscada nessa história. Os engenheiros estão com o filme muito queimado. Só vejo (leio) gente sentando a lenha na incompetência dos engenheiros envolvidos.

E, como diria o personagem Chapolin Colorado, \"Quem poderá nos defender?\". O Crea, claro!

O Crea é o primo rico do nosso Sistema Profissional. Das instituições do Sistema é o único que tem arrecadação fixa. Pode pagar por empregados e assessores. Pode ter jornalista contratado e até alguém para cuidar do marketing.

Alguém ali deveria fazer uma leitura mais inteligente da situação. Não é hora pra se encolher e \"esperar a completa elucidação dos fatos\" para uma manifestação.

É hora de assumir uma posição firme de busca pelo esclarecimento dos fatos (doa em quem doer!)

Na minha opinião o Crea deveria (imediatamente, após a notícia do desastre na mídia) ter aberto uma página no seu site e destacado uma pessoa para atualizar todas as informações sobre o assunto. Linkar informações dos jornais, das emissoras de rádio, dos blogs, do Twitter, do Facebook, do YouTube... enfim, deveria ter transformado o site do Crea no ponto de acesso preferencial de quem estivesse querendo saber TUDO o que estava acontecendo;

Deveria ter disponibilizado, rapidamente, todas as informações (PÚBLICAS) das ARTs referentes à obra;

Deveria publicar vídeos com entrevistas do presidente do Crea no local do acidente;

Deveria ter mostrado, desde o primeiro minuto, e com a maior clareza possível, o quem é quem e quem faz o quê numa construção. Quem fiscaliza a documentação da obra? quem fiscaliza se o projeto foi bem executado? Quem fiscaliza a segurança da obra? Quem verifica se foi feito uma boa sondagem do terreno? Quem verifica se o projeto estrutural levou em consideração o laudo da sondagem? Quem fiscaliza se a obra está sendo executada de acordo com os projetos? Quem fiscaliza se estão utilizando materiais adequados? Quem?

É o Crea? É a Prefeitura? É a Polícia? É o dono da Obra? É o Engenheiro responsável pela Execução? Não é tão simples assim. E os jornalistas não estão interessados em esclarecer. Eles querem um culpado. De preferência um culpado vivo. Melhor ainda se for importante e poderoso!

O Crea, com essa postura tímida e burocrática deixa a nós todos (engenheiros que pagamos a conta) na mão!

Lastimável. E, por favor, que esse episódio sirva de lição para os outros Creas. Porque acidentes acontecem. O Crea, muitas vezes, não pode fazer nada para impedir que aconteçam. Mas pode fazer o seu melhor (no caso de uma tragédia como essa) para não deixar que o problema acabe contaminando a imagem da marca ENGENHARIA e de todos os profissionais



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2014 ---CopadoMundo ---Confea ---Crea ---Tragédias

Comentário #1 — 04/07/2014 08:49

Luiz Marques — eng civil — Riberião Preto

Concordo plenamente!

Comentário #2 — 04/07/2014 09:55

Jean Tosetto — Arquiteto — PAULINIA

Caro Ênio, o CREA vai fazer cara de paisagem neste episódio, o Governo Federal vai dizer que apenas liberou o dinheiro da obra via PAC, a prefeitura de BH vai empurrar a responsabilidade para a construtora, e a bomba vai cair no colo de dois ou três engenheiros. Lamentável.

Réplica de Ênio Padilha

Infelizmente, Jean, é verdade!

Comentário #3 — 04/07/2014 10:16

Frederico Flosculo Pinheiro Barreto — ARQUITETO — BRASÍLIA

Excelente reflexão. Apesar de os Arquitetos terem formado um conselho profissional próprio, a reflexão é de nosso total interesse: devemos ser os principais interessados no mais completo e exemplar esclarecimento de eventos lamentáveis como esse - assim como dos eventos que devem ser motivo de orgulho das categorias profissionais. Como muito bem coloca o articulista Ênio Padilha, trata-se de oportunidade para demonstrar a qualidade do grande corpo de profissionais - e das razões pelas quais as Leis que incidem sobre a nossa atuação devem merecer o respeito da sociedade.

Réplica de Ênio Padilha

Obrigado, Frederico, por compartilhar esta visão com a gente e complementar (e bem) o texto original.

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