OS ESTUDANTES DE AGRONOMIA PISARAM NA BOLA

Tenho grande consideração pelos estudantes. Quem acompanha o meu trabalho já deve ter visto muitas manifestações neste sentido.

Uma das posições que eu sustento é a de que os estudantes de engenharia, a partir do segundo ano, já devem ser considerados engenheiros, pois já apresentam as características psicológicas típicas dos profissionais. Só falta lapidar.

Os estudantes possuem energia, juventude, impetuosidade e voluntarismo que são coisas muito positivas e que estão também presentes no movimento estudantil.

Infelizmente, no movimento estudantil, não raro, essas características positivas acabam sendo acompanhadas por uma boa dose de irresponsabilidade, falta de senso de respeito e (ultimamente) uma carga espantosa de autoritarismo e truculência.

Li, esta semana, no site www.midiaindependente.org que a FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia pediu o cancelamento do registro profissional do engenheiro agrônomo Edilson Paiva no CREA-MG, por ter ele cometido "falta gravíssima contra a ética profissional".

Meu Deus! pensei: esse engenheiro agrônomo deve ter sido flagrado em algum caso de desonestidade extrema, corrupção, desvio de dinheiro público ou alguma desonra deste nível!

Que nada! Edilson Paiva, está sendo acusado por emitir a sua opinião a respeito de um assunto no qual é graduado, mestre, doutor e pós-doutor: os transgênicos.
E a FEAB quer nada mais, nada menos, que a sua cabeça!

Ele concedeu uma entrevista ao jornal Valor Econômico na qual sustentou suas posições sobre o assunto que domina por dever de ofício. Uma de suas afirmações, mal interpretada pelos leitores acabou gerando essa reação descabida: sem procurar pelo pesquisador para obter uma explicação mais esclarecedora, a galera foi direto na jugular, como se estivessem lidando com um trombadinha qualquer.

Fiquei perplexo. Esta demanda dos estudantes de agronomia da FEAB contra o engenheiro agrônomo Edilson Paiva é absurda! Por mais que alguém discorde da opinião dele sobre este assunto (e talvez até eu mesmo discorde), não há absolutamente nada nela que aponte para falta de ética.

Trata-se um renomado pesquisador. Não é um João-Ninguém qualquer. Eu nunca tinha ouvido falar dele, então tive o cuidado de verificar o curriculum dele na Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br/4648169289144736). A opinião de um pesquisador desse nível deve ser respeitada. Ninguém é obrigado a concordar, mas para isso existem os meios e fóruns científicos para contestá-la.

Essa truculência da FEAB me assusta.
Esses meninos e meninas da FEAB não fazem idéia do que estão pedindo.

Sugerir o cancelamento do registro de um profissional significa arruinar a sua carreira e aniquilar todo o seu investimento pessoal de uma vida. Isto é uma coisa muito grave. É preciso um motivo muito forte (e não parece ser o caso, aqui).

Edilson Paiva está sendo acusado por emitir a sua opinião sobre um assunto sobre o qual tem conhecimento técnico profissional (provavelmente muito superior aos garotos da FEAB)

Se cada opinião com a qual não concordamos justificar ações de agressão moral e ameaças tão estapafúrdias, eu não sei qual destino há de ter a ciência. Um pesquisador não pode ter compromissos políticos ou ideológicos. Pode e deve emitir seu juízo, de acordo com os seus conhecimentos. Ele pode estar certo ou errado. Quem discordar tem os recursos (da ciência) para desmascarar o seu trabalho e apontar os erros.
Provar (utilizando os métodos científicos) que ele está errado já seria um grande castigo.

Uma manchete como esta utilizada num website como o www.biodiversidadla.org ("CONDUTA ANTI-ÉTICA NA AGRONOMIA"), seguido desse ato impensado de solicitar formalmente ao CREA-MG o cancelamento do registro profissional são provas mais do que suficientes para que o colega engenheiro agrônomo busque reparações, até mesmo na justiça, contra os seus agressores (no caso, aparentemente, os membros da coordenação nacional da FEAB).

Espero que os conselheiros do CREA-MG, tenham o bom senso de dar a esse pedido absurdo da FEAB o destino mais adequado: o arquivo.

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Comentário #1 — 11/06/2007 08:30

Antônio Carlos Schead Santos — Engenheiro — Florianópolis

Parabéns Ênio pelo artigo.
Lucidez e bom senso não faz mal a ninguém, pelo contrário, só contribui e enriquece o debate. Não sou a favor dos transgênico, mas respeito quem tem opinião contrária. Um sociedade que se preza, e que se diz democrática, tem que aprender a conviver e respeitar as diferenças.

Comentário #2 — 11/06/2007 10:00

José Luiz Costa — Eng. Civil — Crzueiro/SP

Eng. Ênio, concordo com o colega. A Inquisição é coisa do passado existem outros meios e felizmente, democráticos. Lógico que não faltará e não falta bom senso e equilíbrio ao CREA-MG.

Comentário #3 — 11/06/2007 12:30

Odair José Marques — Engenheiro Agrônomo — Maringá-PR

Caro Sr. Ênio Padilha, tenho lido constantemente seus artigos que recebo fielmente em meu e-mail, parabenizo-o pela reflexões e ensinamentos. Mas confesso que fiquei perplexo com o título do artigo "Os estudantes de agronomia pisaram na bola". A princípio me pareceu um tanto ofensivo, pois, sou eng. agrônomo formado pela UEM (Maringá-PR), após ler seu conteúdo, compreendi o porquê. Gostaria de dizer que a opinião dos integrantes da FEAB não traduz o pensamento da maioria dos estudantes de agronomia, aliás, nenhuma entidade o faz, a não ser as oficiais (CREA). A maioria (dos estudantes) não se envolve com isso, pois tem mais o que fazer, estudar, por exemplo, para que tenhamos mais profissionais bem formados e capacitados para atender um mercado cada vez mais exigente.

Acredito ainda que o CREA-MG, sendo uma instituição séria como é não dará ouvidos a esse tipo de balbúrdia, até porque não tem nenhum fundamento científico ou ético, são apenas bravatas sem conhecimento de causa. Muito obrigado, saudações agronômicas!

Comentário #4 — 11/06/2007 13:01

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Caro Odair

Concordo com você e tenho certeza de que a opinião dos integrantes da FEAB não traduz o pensamento da maioria dos estudantes de agronomia.

O título do artigo (um tanto severo) tem o objetivo de alertar a esses milhares de estudantes de agronomia do Brasil sobre o tipo de representantes que eles elegeram.
Porque tudo o que esses diretores da entidade fazem repercute na imagem dos seus representados.

Comentário #5 — 11/06/2007 16:47

Edilson Paiva — Engenheiro Agrônomo — Sete Lagoas - MG

Prezado Ênio

É com sentimento de surpresa e indignação que tomo conhecimento, através de seu E-mail, da representação feita ao CREA pela Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB, solicitando o cancelamento do meu registro profissional.

Tenho 33 anos de atividade profissional na EMBRAPA, durante todos estes anos dediquei mais tempo e energia a minha atividade profissional do que a minha própria família. Além das minhas atividades de pesquisa, orientei e/ou co-orientei dezenas de estudantes de mestrado e doutorado, criei e liderei grupos de pesquisa, coordenei grandes projetos de pesquisa nacionais e internacionais, fui Chefe Adjunto de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo da EMBRAPA, e ultimamente exerço o cargo de Vice Presidente da Comissão Técnica Nacional de Biosseguraça – CTNBio. Tenho orgulho de afirmar que minha conduta sempre foi digna, honesta e sincera com um alto teor de entusiasmo e confiança de que estou contribuindo para que o Brasil seja um país melhor e mais justo.

Como membro da CTNBio, favorável a liberação das culturas transgênicas no Brasil tenho sofrido pressões e ameaças das mais diversas naturezas. Essa pressão tem sua origem em grupos que são contrários as culturas transgênicas. Estes grupos são agressivos e exercem uma influência negativa em vários setores da sociedade principalmente nos mais jovens, e nos mais pobres e desinformados.Suas atividades possuem um alto componente político ideológico, desconsideram procedimentos e conhecimentos científicos, procurando desqualificar instituições e pessoas.Eles se destacaram não por fazer, mas por não deixar fazer. Concentram todos os seus esforços não em construir ou em acertar ou corrigir, mas em desinformar, desconsiderando evidências científicas e históricas de uso seguro, alarmando, obstruindo e ameaçando.

A ação dos jovens da FEAB é um exemplo típico de ameaça e pressão, me enviaram direto para o paredão sem a mínima preocupação de escutar minha versão sobre a reportagem. A verdade é a seguinte. Ao tentar explicar a um repórter que me questionava a segurança das plantas transgênicas tolerante ao glifosato, disse que o mesmo era o herbicida mais utilizado no mundo, e que era um dos menos tóxicos pelo fato de nós animais não possuirmos a via metabólica que ele inibe nos vegetais. Aí dei o seguinte exemplo fictício: Se um ser humano inadvertidamente ingerir o glifosato ele teria menos problemas de intoxicação do que se tivesse ingerido qualquer outro tipo de herbicida comercial disponível no mercado. Em outras palavras, queria dizer que o glifosato seria comparativamente um mal menor. Jamais iria incentivar alguém a tomar um defensivo agrícola.

Segundo o escritor Michael Crichton, o maior desafio da humanidade atualmente é ter a capacidade de distinguir entre a realidade e a fantasia, entre a verdade e a propaganda. A percepção da verdade sempre foi um desafio, mas, hoje, na era da informação, a necessidade de perceber, ter acesso e fazer prevalecer à verdade científica se tornou ainda mais urgente e necessária. Se considerarmos que tecnologias emergentes, como a dos transgênicos, estão sendo disponibilizadas e adotadas em velocidade espantosa em todo o mundo, o atraso de 10 anos na apropriação e utilização desse conhecimento científico, resultante da atuação destes grupos, com certeza, já causou num enorme prejuízo para o Brasil.

Minha preocupação maior não é com a ameaça de cancelarem meu diploma mas sim, com o tipo de profissional de agronomia que vai ocupar o meu lugar. Já pensou do que serão capazes de fazer, futuros engenheiros agrônomos como Giovana Melo e seus colegas de FEAB, quando assumirem uma posição de influência e poder ? Entendo a impetuosidade do jovem, já fui jovem, mas sempre foi me ensinado a respeitar e escutar os mais velhos e experientes, nunca julgar antes de conversar, tínhamos berço e limites de comportamento bem definidos. Ao meu ver estes valores nunca foram ensinados a Giovana Melo ou aos seus colegas de FEAB, o que os torna presas fáceis de grupos ideológicos cuja verdadeira agenda é utilizá-los como massa de manobra.
Agradeço o seu apoio. Obrigado.

Edilson Paiva

Comentário #6 — 11/06/2007 18:51

Antônio Ananias Ripardo Filho — Engenheiro de Edificações — Fortaleza Ceará

Deveriam os jovens da FEAB estar mais atualizados acerca do conhecimento acadêmico doutrinário e legal recentemente adquirido. Todos os exercícios profissionais que disponibilizam serviços à sociedade surgem preconceitos quanto a uma necessária experiência referente ao trabalho. Pelo que observei, a bola foi pisada.

Antônio Ananias Ripardo Filho

Comentário #7 — 11/06/2007 22:49

JOSÉ MORITZ PICCOLI — Engenheiro Civil e de Segurança — Balneário Camboriú

Espero que o CREA - MG não se limite ao arquivamento do processo, mas que o conselho reuna estes estudantes para passar-lhes o que é ética, o que é o CREA e quem são eles.
Recentemente modificaram normas brasileiras como a do cálculo de concreto. A NBR - 6118 está causando problemas novos com os quais nos deparamos nas obras. Então apresentemos uma representação no CONFEA para cancelar o registro dos colegas que elaboraram a nova norma, aumentando a qualidade e a durabilidade de obras, estabelecendo critérios de peculiaridades temporais?
É meu amigo, os tempos mudam e a fila anda. Este fato me fez lembrar a tentativa de cassação do registro do Engº José (PHD em estruturas da UFMG) só porque ele, como eu e um monte de colegas que puderam ver as imagens do PALACE II ainda em pé, manifestou-se favorável a recuperação do prédio.
Acho que nosso colega Agrônomo deve escrever um livro similar ao Palace II a Imploção Velada da Engenharia, esclarecendo fatos que a grande mídia esconde.

Comentário #8 — 14/06/2007 08:39

Odair José Marques — Eng. Agrônomo — Maringá - PR

Gostaria de manifestar minha solidariedade às palavras do Prof. Edilson Paiva, sobremaneira, ao parágrafo onde ele demonstra preocupação com o tipo de profissional que o substituirá. Que ele não se preocupe, pois, embora alguns tentem "manchar a imagem da profissão", muitos estão nos bancos dos programas de pós-graduação, buscando o aperfeiçoamento dos conhecimentos científicos e/ou criando novos conhecimentos. Isso não significa que estejam alheios aos acontecimentos envolvendo os movimentos ideológicos, apenas tratam a ciência com a seriedade que ela merece e pela qual a humanidade chegou aonde está.

Comentário #9 — 26/06/2007 15:01

Estruturalista — estudante de agronomia — Lavras

Pois vejam só...a moral dos doutores mestres e senhores que tudo sabem foi ferida!!!! Fazem apologia a plantas transgênicas que estão cultivadas numa área total de 102 milhões de hectares em todo o mundo (dados de 2006)em nome da ciência enquanto a população de famintos, desnutridos aumenta geometricamente. Doutores perfeitamente enquadrados no plano cartesiano. Doutores quadrados e limitados tanto quanto o tanto que sabem de tão pouco!!! Será que estes doutores revelariam que os agrotóxicos invadem o mercado agrícola no período pós guerra com a promessa perniciosa de aumentar a produção de alimentos? Ou será que estes doutores não sabem disso? Será que o "engenheiro-escritor-palestrante" dono deste site se propõe a discutir o nicho de mercado que representa a liberação das plantas trangênicas com eventos tolerantes a herbicidas? Vamos ficar atrás da mascarazinha de democracia ou vamos logo colocar as cartas na mesa e dizer -" As multinacionais mandam no nosso querer"!! COVARDES!!!!!


Nota do Eng. Ênio Padilha
Penso que seria de boa educação a declaração do nome completo (e verdadeiro) para a identificação do comentarista, especialmente quando se propõe a discutir "CORAGEM" e "COVARDIA".

Comentário #10 — 26/06/2007 18:35

Daniele — estudante de agronomia — Porto Alegre

Uma pessoa que se orgulha de "afirmar que minha conduta sempre foi digna, honesta e sincera com um alto teor de entusiasmo e confiança de que estou contribuindo para que o Brasil seja um país melhor e mais justo",não tem que "querer dizer", tem que dizer. E Edilson Paiva disse. Assuma as consequências, agora. Posso imaginar sim,srº Paiva, o que serão capazes de fazer os que ocuparem um lugar de "influência e poder",como o que ocupa. Se forem pessoas como esses estudantes que não se omitem diante de leviandades, provavelmente não se sentiriam constrangidos com a presença do ministério público nas reuniões que presidissem, também não se sentiriam ameaçados pela justa reinvidicação da sociedade em presenciar as discussões que decidem o que lhes acontecerá.
É realmente um desafio "distinguir entre a realidade e a fantasia", ainda mais quando nossos renomados doutores mostram-se mais inclinados ao que beneficia grupos privados e consideram as reivindicações da sociedade ameaça e pressão.

Comentário #11 — 26/06/2007 18:38

Maria — estudante — Porto Alegre

MASSA DE MANOBRA É A CTNBIO

Comentário #12 — 26/06/2007 19:53

Gabriel — Estudante de agronomia ESALQ/USP — Piracicaba

Fico simplesmente perplexo com essas argumentações fracas e carregadas de intenções descaradas para favorecer os grandes grupos econômicos que dominam o setor agrícola. Em nenhum momento de toda essa discussão foram realmente colocadas aqui as palavras do tão grandioso Edilson Paiva: "os humanos poderiam até beber [o glifosato] e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas". Nessa frase ele não "sustenta sua posição em um assunto que domina" mas sim coloca toda a sua vontade de se indiscriminar o uso de um veneno. E se não o for, convido-o para que beba. Infelizmente, os ENGENHEIROS que aqui se colocam não reconhecem a diferença entre a "verdade e a fantasia" em um país que disputa os piores índices de distribuição de renda, miséria e qualquer outro que tente trazer a tona nossa realidade social. Que se perguntem um pouco qual deve ser a sua real obrigação nessa realidade.
Ah, e o povo agradece a postura dos jovens da FEAB e clama para que ocupem o lugar desses senhores!

Comentário #13 — 26/06/2007 23:08

Vinicius Piccin Dalbianco — estudante — Santa Maria

Para mim, a opinião de Edilson Paiva se remete as suas concepções e ideologias. Defender tais absurdos, talvez faça parte de sua vida ou de sua carreira profissional. Agora, ideologias e concepções não são amparadas por lei. Se ele acha que tomar veneno não faz mal a saúde, que o faça dentro de suas concepções de vida. Para a FEAB, cabe questionar dentro da lei a posição de um profissional que possui responsabilidades e representatividade.

A ciência mais do que comprovou que agrotóxicos fazem mal a saúde do homem quando aplicado na lavoura. Será que ainda é necessário pesquisar para saber se agrotóxicos agrícolas ao serem ingeridos pelos seres humanos causam algum mal a saúde? Se você acha que não, se manifeste nos meios de comunicação, e desta forma, será anexado ao mesmo processo que a FEAB formulou contra Edilson Paiva.

A palavra realmente é esta, ficamos perplexos. Gostaria de dizer a você que tanto respeitamos a opinião de um tão renomado pesquisador que até ficamos perplexos por tamanho absurdo. No mínimo um pesquisador com tantos títulos como é o caso de Edílson não poderia ser tão inconseqüente como o foi.

Não há necessidade de um conhecimento tão avançado como você disse, para interpretar um texto. Qualquer criança do ensino fundamental seria capaz de ler a entrevista de Edílson e lançar uma opinião. Mas a atitude da FEAB se dá no âmbito da responsabilidade profissional do qual manteve durante sua história.

Gostaria de fazer algumas considerações sobre seus comentários a respeito do manisfesto da FEAB sobre o Engenheiro Agrônomo Edílson Padilha.

Não me surpreendo ao ler seu texto e detectar discriminações com relação a Federação dos Estudantes de Agronomia, por ser um movimento juvenil que compõem o movimento estudantil. Estas atitudes são características de pessoas que não aceitam que movimentos juvenis como este questione algo que um “pesquisador” ou “cientista renomado” tenha dito ou manifestado.

Primeiro que a FEAB tem tomado atitudes responsáveis ao nível do lugar que ocupa na sociedade. Se você não sabe, a FEAB hoje é a maior executiva de curso e a única entidade estudantil a compor a Via Campesina. Faz parte também da Confederação das federações de engenheiros agrônomos do Brasil – CONFAEAB e da Coordenação dos Movimentos Sociais, alem de vários outras ocupações que não vem ao caso. São mais de 40 anos de estrada em prol dos direitos estudantis e da defesa de uma sociedade mais justa e igualitária. Foi contra a lei do boi e ajudou a construir o receituário agronômico entre outras participações ao longo de sua história. Hoje, a FEAB esta representada em mais de 70 escolas de agronomia do Brasil. Para tanto, esta manifestação da FEAB com relação as declarações do Engenheiro Agrônomo Edílson Paiva é resultado de um trabalho de anos a favor da vida e da justiça no campo, sem contaminação do meio ambiente e sem desrespeito a vida do homem.

Certamente as pessoas devem ser responsáveis pelo aquilo que dizem. É por isto que a FEAB entra com esta ação no CREA. É com muito respeito à profissão que a FEAB se manifesta contrária aos absurdos que são ditos por ai, irresponsavelmente. Acredito que você também fez um juramento ao se formar no curso. Se você lembra, uma das coisas mais enfatizadas foi respeitar a ética profissional. Defendo a tese de que um agrônomo ao receitar um agrotóxico já esta faltando com a ética, pois esta cometendo algo contra a vida ambiental e animal. Imagina quando um agrônomo se manifesta a favor do consumo humano de agrotóxico agrícola? Meu camarada, não foi erro de leitura. É você que quer defender uma barbaridade sem explicação do âmbito profissional. Espero que estas atitudes medíocres que você tomou não sirvam de exemplo para milhares de agrônomos ou estudantes deste país.

A atitude de Edilson Paiva é mais do que uma ação de corrupção. É o descaso com a responsabilidade agronômica. É jogar no lixo a ética profissional. É rasgar currículos por este país que ensina que preservar o meio ambiente e a vida são as melhores alternativas que possamos escolher em nossas profissões.

Nossa formação é graduada para que, no mínimo, tenhamos responsabilidades sobre nossos atos ações. Pois então, a FEAB acusa o Edilson Paiva pela “emissão de opinião a respeito de um assunto no qual é graduado, mestre, doutor e pós-doutor: os transgênicos”. Não importa a graduação das pessoas. Falou bobagem vai ser julgado. Isto vale para nós estudantes como para qualquer pessoas deste mundo. A superioridade da graduação acadêmica e dos títulos cai por terra neste momento.

Vinicius Piccin Dalbianco
Estudante de Agronomia
Coordenador Geral do DCE da UFSM – RS
Ex coordenação Nacional da FEAB gestão 2004/2005

Comentário #14 — 27/06/2007 00:18

Lisiane — estudante de agronomia — Pelotas

Vocês que concordam com o que diz o artigo, leram o que disse Edilson Paiva? Ele disse, (e agora que teve essa repercusão não esperada não adianta tentar concertar)que o glifosato "É um herbicida de classe menos tóxica e ajuda a reduzir o uso dos defensivos mais tóxicos. A vantagem na segurança alimentar é que os humanos poderiam até beber e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas. Além disso, ele é biodegradável no solo".
Isso sim inadmissível, em se tratando de um profissional "tão renomado" como gostam de mencionar.Ética profissional, não diz respeito ao currículo, publicações científicas não determinam ética, ou falta dela, tampouco é o tempo de profissão que determina isso, logo, não interessa quem é, interessa a irresponsabilidade do que disse, pronto, deve perder sua licença. Se eu tivesse esse poder já teria feito isso, pelas atitudes levianas e tendenciosas da CTNBio. Errou, assuma!

Como trabalhando ao lado de multinacionais, pode dizer que trabalha por um país mais justo? Basta dessa hipocrisia, vamos lá, além de ética o que falta em pessoas como vocês, "doutores", é coragem para assumir de que lado estão! Não faço parte d FEAB, não me sinto representada por ela, mas dessa vez, está sim me representando e tem todo o apoio. Será que esqueceram o juramento que fizeram, porque já faz muito tempo?

Comentário #15 — 27/06/2007 09:04

Luanda — estudante de agronomia — São Paulo

Afirmar que "a FEAB quer nada mais, nada menos, que a sua cabeça" é um ato tão ridiculamente infantil, que dá vontade de rir... O que exigimos é uma postura ética e REALMENTE responsável perante a SOCIEDADE! Basta de "graduado-mestre-doutor-e-pós-doutor" afirmando obscenidades em prol das indústrias de agro químicos! Queremos afirmações, confirmações, estudamos e nos dedicamos à FEAB com o objetivo de estarmos sendo formados para atender às necessidades de nosso povo.
As necessidades dos senhores não estão em nossa pauta. Não atenderemos às provocações de meia dúzia de senhores que não tem o mínimo de contato com a REALIDADE agrária. Não abaixaremos a cabeça ao descaso, vocês não ficarão sem resposta! Será por isso que a truculência da FEAB te assusta????????

Com tais afirmações contra a Federação, sentimo-nos felizes por estarmos cumprindo nosso objetivo: ESTAMOS DE OLHO!!!

Comentário #16 — 27/06/2007 10:14

Giselle Costa — estudante — São Paulo

Ora, pelo amo de Deus senhor comentarista, um pouco de respeito ao trabalho dos estudantes não faz mal a ninguém....

Assim como o Dr. Paiva teve o direito de se manisfestar a sociedade tb o tem de contestar...Ora, vamos...se o que ele falou é tão certo por conta dos títulos conquistados até o momento, que se defenda diante dos órgãos responsáveis, e não em um site de internet dando margem a mil questões! Tratemos com seriedade um assunto que merece toda a reverência e respeito: A saúde pública!

Parabéns Giovana, Parabéns FEAB por representar piamente os anceios, angustias, propósitos e interesses dos estudantes de agronomia do Brasil, futuros profissionais, com tanta coragem e determinação. Precisamos mesmo de mudar esta estrutura, para não vivermos num país de farsas e enganos, onde os homens renomados e respeitados se sentem no direito de cometer abusos contra a saúde pública e permanecer impunes.

Comentário #17 — 27/06/2007 11:31

Marcelo — Eng. Agrônomo - Mestrando em Agricultura Familiar — Pelotas - RS

Vale ressaltar que liberdade de expressão todos nós temos. Mas do outro lado de uma discussão existem vários ouvidos atentos ao que é dito, para concordar ou refutar. Acredito que a entrevista veiculada no Valor Econômico foi no mínimo leviana. Expor uma opinião, ocultando a verdade, no meu entender de "mero acadêmico e jovem", é falta de ética sim !! Nós, jovens, alunos de agronomia, ao contrário do que foi dito anteriormente, respeitamos e escutamos os mais velhos, porém felizmente (e infelizmente para alguns) temos SENSO CRÍTICO !!!
Nas últimas décadas, as indústrias de Agroquímica (agrotóxicos e fertilizantes solúveis) passaram a preocupar-se em formar uma elite com títulos, discursos, pesquisas e paradigma para a garantia de seus negócios. As campanhas oficiais de alerta ao uso são só para inglês ver, nunca chegam ao agricultor, POIS PODEM CAUSAR CONSCIÊNCIA.
Como Agrônomo ciente do meu papel perante a sociedade, realmente luto por um país melhor e mais justo. Sem Agrotóxico !!

Comentário #18 — 27/06/2007 14:40

Thiago — Estudante de agronomia — Pelotas

Pessoal, devemos perdoar esse ser por este comentário infeliz, e, também aqueles que apoiam-no! Esses pensam somente no imediato.

É fato que nossa capacidade de pensar nos leva a considerar ações a curto, médio e longo prazo.
Fazemos então como os índios: para cada ação, considerava 7 gerações futuras.

Apesar de ser pesquisador na área, mestre, doutor, pós- doutor, parece que tanta titulação não permitiu que sua "visão" fosse além do alcance dos interesses de poucos( o dele e da empresa que patrocina essa linha de produção).
Sendo pesquisador de uma empresa pública deveria ter ponderação em suas opiniões!!!

Creio que ele ainda não percebeu que devemos trabalhar em prol da segurança alimentar, já que fizemos um curso voltado para as questões da produção de alimentos. Tratamos diretamente da saúde da população!!

Devemos cuidar do nosso planeta e das pessoas que nele vivem porque PLANETAS HABITÁVEIS SÃO DIFÍCEIS DE ENCONTRAR!!!!

Um abraço ecológico!!!!

Comentário #19 — 27/06/2007 16:49

Estruturalista — estudante de agronomia — Lavras

KKK..... Alem de tudo o ecritor-palestrante fundado nos pilares morais da ordem do lucro atual tem a cara de pau de analisar meu comentário com uma frase de efeito e dizer com todas as letras o que devo fazer quando me proponho a discutir coragem e covardia. Pois saiba Dr. Sr. Mestre de todos os sortilégios Antonio Padilha, antagônico ao adjetivo covardia se aproxima muito mais pelo exposto o conceito de hombridade. Rios e matas foram arruinados em poucas décadas de desenvolvimento científico tecnológico em nome do progresso e por pessoas com cara de doutores como a sua...e o que resta agora é correr contra o tempo e concertar....mas não sem antes criar um mercado imensamente lucrativo com isso (biotecnologia, transgenia, credito carbono, e piriri e parará). Faço aqui um desafio se glifisato é tão menos pior beba um pouco dele todos os dias, quem sabe como fator de experimento vc se saia melhor que ser apologista dessa ciência falida e condicionada ao mercado financeiro.

Comentário #20 — 27/06/2007 16:51

roberto — Eng. agrícola e ambiental — BSB

Aposente-se Dr. Ênio

Comentário #21 — 27/06/2007 17:49

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Quem se deu ao trabalho de ler o meu artigo não encontrou nele uma única linha de defesa dos trangênicos. Pelo contrário. Eu disse, em certo ponto, que "talvez até eu mesmo discorde"...

O meu texto não trata de "transgênicos". Trata de "educação" e "bom senso".

O que o meu artigo condena é o pedido (repito, estapafúrdio) de cancelamento de registro do profissional, por conta de uma opinião omitida, quando esta opinião diz respeito aos seus conhecimentos técnicos profissionais.

Apenas um dos comentaristas (Vinicius Piccin Dalbianco) argumentou sobre isso. Não concordo com ele, mas respeito a inteligência do argumento.

Os demais comentários não fazem sentido aqui. Deveriam ser publicados no site do Jornal Valor Econômico onde a entrevista original foi publicada.

E os argumentos utilizados ficariam melhor nos fóruns adequados de discussão científica sobre o tema (existem muitos Congressos, Revistas e Journals que publicam esse tipo de artigo e promovem esse tipo de debate)

Porém, se o destinatário do comentário for um dos comentaristas anteriores, peço que isso seja devidamente identificado no início do texto de cada comentário.

Neste caso, por favor, evitem grosserias e ofensas. Eu até posso aceitar esse tipo de coisa contra mim, que sou o titular do site, mas não permitirei isso contra nenhum de vocês, que são, em última análise, meus convidados.

Comentário #22 — 27/06/2007 19:22

Daniele — estudante de agronomia — Porto Alegre

Penso que os comentários dos estudantes aqui fazem sentido. Ainda que mais pautados pelo debate acerca dos transgênicos ou agrotóxicos, do que pelo que vc trata de "educação" e "bom senso". São comentários que tem interface com a sua argumentação de que E.Paiva está sendo acusado por "emitir sua opnião". Dizendo isso, além de descaracterizar os motivos da ação contra ele, você sublima a irresponsabilidade da atitude do acusado. Ademais, muitos dos comentários me parecem ter sido incitados por frases como "Trata-se de um renomado pesquisador", proferidas por você. Então, essa sua última argumentação de que o que estamos dizendo aqui não faz sentido, parece um impulso de acabar com um debate em que se tem grande chance de "perder" por falta de argumentos conseqüentes. Imaginando que essa não seja a sua intensão, sugiro mais disposição ao lidar c/discordências. Vc disse que somos truculentos, autoritários...e do que podemos chamar essa tentativa de cerceamento e deslegitimação dodebate?

Comentário #23 — 27/06/2007 19:53

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Daniele
Muito bem. Você está agora discutindo o meu artigo (e o meu comportamento)
Então me responda?

1. Na representação junto ao CREA-MG, o seu colega, engenheiro agrônomo Edilson Paiva está sendo acusado de quê? Não é por ter emitido sua opinião? Não foi isso o que ele fez?

2. Você está afirmando que Edilson Paiva não é um renomado pesquisador? E que a área de conhecimento dele não é justamente as pesquisas sobre transgênicos? É isso?

3. O que leva você a acreditar que eu não gosto do debate? Por que motivo você acha que eu trouxe esse post, que já estava nos arquivos do site, para a página principal? Para fugir do debate?

4. Por quê você acha que eu vou perder o debate? Por que você acha que alguém tem de "perder" num debate. Eu sempre achei que um debate não fosse um jogo de perder ou ganhar. Eu sempre entendi o debate como uma coisa em que as duas partes ganham.

Comentário #24 — 27/06/2007 20:57

Lisiane — estudante de agronomia — Pelotas

Vamos por tópicos então? Para facilitar o entendimento das coisas, que parece estar dificultado...
Eng. Enio, como sua "convidada" posso responder as perguntas que fez a Daniele?
Na respresentação junto ao CREA-MG, o meu colega Edilson Paiva, está sendo acusado por falta contra a ética profissional. Isso, por ter dito, não entre amigos, mas em um meio de comunicação, que os sers humanos poderiam até beber glifosato, e que este agrotóxico é de uma das classes mais baixas de toxicidade.
Bom, isso, quem sabe o Sr. não saiba, mas nós jovens estudantes de agronomia aprendemos na universidade, que não é verdade. Logo, se você tivesse dito isso, talvez não teia problemas com o CREA, mas ele que é que é Engenheiro Agrônomo, cometeu falta gravíssima contra a ética profissional, ao dizer uma mentira, sobre algo que ele conhece muito bem.
Em me comentário questionei a expressão "renomado pesquisador", pelo simples fato, de isso não ter nada a ver com ética.

Ninguém disse que ele não é um "renomado pesquisador", não é isso que estamos discutindo!
Não mesmo! E também, não estamos falando em transgênicos, especificamente, mas não podemos separar as coisas assim, dessa forma cartesiana, eu ao menos, não consigo...(ainda bem) E por favor, ñ leve para o lado pessoal, estamos aqui, por questões éticas, não pessoais...

Abaixo os resquícios da revolução verde! Agora, os "jovens agrônomos", tem capacidade de pensar!!!!

Ah, queres os nomes completos...
Lisiane Brolese

Comentário #25 — 27/06/2007 21:26

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Sim, Lisiane
Você (ou qualquer outro colega) pode responder qualquer pergunta ou fazer qualquer comentário. E será sempre bem-vinda.

Pois então. Nós discordamos num ponto: eu não vejo "falta de ética" no fato de o engenheiro agrônomo Edilson Paiva ter dado (se é que deu) a tal declaração ao Jornal. Mesmo que seja provado que ele está completamente errado, estaria configurado "ignorância", "incompetência", qualquer coisa, menos "falta de ética".

Na matéria que eu li dizia que ele havia cometido "falta gravíssima contra a ética profissional". Qual é o artigo do código de ética que foi transgredido?

Quanto ao "renomado pesquisador", pode não ter nada a ver com ética, mas pode ter a ver com o fato de ele saber coisas que estudantes da graduação ainda não aprenderam. Você não considera essa possibilidade razoável?

Os engenheiros agrônomos não discutem sempre a competência e os conhecimentos dos técnicos agrícolas? Não haveria aí uma analogia de quarta proporcional (para usar um termo de matemática)? Ou você acha que depois da graduação não se aprende mais nada?

Então um engenheiro agrônomo sabe mais do que um técnico agrícola, mas um doutor em agronomia não sabe nada mais do que um estudante de agronomia.
É isso?


PS Sim, acho mais correto declinar o nome completo. Afinal, se estamos num debate intelectual, nada mais justo que as partes estejam plenamente apresentadas umas às outras.

Comentário #26 — 27/06/2007 21:31

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Daniele ou Lisiane

E quanto às questões 3 e 4 do meu comentário anterior (19h53)?

Comentário #27 — 27/06/2007 23:29

Luis C. Costa — técnico agrícola e graduando em agronomia — Lavras

Caro Ênio, qual é a nossa responsabilidade enquanto profissionais perante um assunto diretamente ligado à nossa área de atuação? Se não estou enganado, quando fiz meu juramento ao concluir meu curso técnico, estava incluído no discurso a responsabilidade social, tanto com a terra quanto com a vida das pessoas que nela trabalham e com as quais eu vou trabalhar. Ainda não ví o juramento que faz um agrônomo, mas tenho certeza que passa pelos mesmos princípios. Se bem que estou certo que o simples ato de "jurar" diante o magnífico reitor não quer dizer nada se a minha formação humana não for condizente. Se um médico axchar que transar sem camisinha não tem risco e sair falando isso nos meios de comunicação, qual vai ser a consequência? Você acha que esse tipo de opinião não interfere na vida das pessoas? E por que com os agrônomos seria diferente? e se alguém que confia muito no "renomado pesquisador" resolver tomar glifosato? de quem é a responsabilidade?

Comentário #28 — 27/06/2007 23:35

Luis C. Costa — técnico agrícola e graduando em agronomia — Lavras

E por favor, não venha com essa história de que por sermos meros graduandos não temos conhecimento suficinete sobre os malefícios de um herbicida. Aí tá me parecendo apelação de quem já não tem muitos argumentos. Provar que se alguém tomar um copo de glifosato faz mal, e muito mal, é fácil....difícil vai ser ver o senhor e o nosso colega Edilson Paiva tomarem só um copinho (daqueles de café) pra provar o contrário.
Insentivou o uso inadequado de um agrotóxico, colocou em risco a vida de pessoas, tem que ser punido!!

Comentário #29 — 28/06/2007 07:52

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Luis C. Costa

O engenheiro agrônomo Edilson Paiva disse, no comentário aí em cima: "ao tentar explicar a um repórter que me questionava a segurança das plantas transgênicas tolerante ao glifosato, disse que o mesmo era o herbicida mais utilizado no mundo, e que era um dos menos tóxicos pelo fato de nós animais não possuirmos a via metabólica que ele inibe nos vegetais. Aí dei o seguinte exemplo fictício: Se um ser humano inadvertidamente ingerir o glifosato ele teria menos problemas de intoxicação do que se tivesse ingerido qualquer outro tipo de herbicida comercial disponível no mercado. Em outras palavras, queria dizer que o glifosato seria comparativamente um mal menor."

Ele está mentindo? Você tem informações que eu não tenho? Teve acesso à gravação da entrevista ou ao depoimento do repórter?

Supondo que ele não esteja mentindo, você chamaria isso de "incentivar o uso inadequado de um agrotóxico e colocar em risco a vida de pessoas"?


Veja bem que eu não estou aqui discutindo se o tal glifosato faz ou não mal para a saúde. Sinceramente, estou mais inclinado a acreditar que faz. Mas eu não tenho a menor qualificação para discutir isso.
O que eu me propus a discutir aqui é a decisão, na minha opinião, fora de propósito, de pedir o cancelamento do registro por "falta gravíssima contra a ética profissional"

Volta, então, a pergunta ainda não respondida: "Qual é o artigo do código de ética que foi transgredido?"

Comentário #30 — 28/06/2007 10:10

Daniele — estudante de agronomia — Porto Alegre

Quando digo "perder" o debate, refiro-me a situação de ter que deixar de debater por não conseguir mais manter-se na discussão, com argumentos razoáveis. Me parece que é o que está acontecendo quando vc usa argumentos que não traduzem os fatos mas que lhe são mais convenientes para continuar mantendo-se no debate. Como por exemplo, relacionar a explicação que E. Paiva fez DEPOIS de ser acusado, com a acusação que lhe foi feita apropriadamente, por declaração anterior.E.Paiva não foi acusado pela explicação que lhe deu e que foi veiculada no seu site, foi acusado pelo que disse ao Jornal Valor Econômico, palavras que já foram textualmente reproduzidas aqui.

Comentário #31 — 28/06/2007 10:12

Thiago — Estudante de Agronomia — Tubarão/SC

Pelo que vejo, o Brasil não tem mais jeito mesmo.
A cada ano que se passa, milhares de familias, ou pior ainda, os jovens do campo estão indo para as cidades, o que faz com que o exodo rural seja mascarado por alguns anos.
As estatais devem estar voltadas a pesquisa para a Agricultura familiar que é a base para o desenvolvimento rural, para que o Brasil não se transforme em imensas fazendas, altamente tecnificadas e com as favelas das cidades cada vez mais cheias.
É por isso senhores Paiva e Padilha, que as vezes nos revoltamos tanto ao vermos oque acontece, porque quem passa a vida inteira em um laboratório não percebe que a cada ano milhares de agricultores morrem de cancêr que em mais de 80% dos casos é originário do uso excessivo e prolongado de agrotóxicos como os herbicidas "glifosatos", fungicidas, inseticidas.
Falo isso porque tenho saudade de meu avô e de minha tia, e porque sei que a maioria da água de regiões como o oeste paranaense estão contaminadas por agrotóxicos.

Comentário #32 — 28/06/2007 10:19

Thiago — Estudante de Agronomia — Tubarão/SC

Beba RoundUp, é o que há!

Comentário #33 — 28/06/2007 13:38

Marcos H. — Estudante de Agronomia — Maceió-AL

prefiro benomyl! geladinho é sem igual!justamente por ser renomado pesquisador é que deve ser penalizado, se um médico declara a um jornal que "pode" ter esquecido um alfinete no corpo de um paciente durante uma cirurgia ele é levado a julgamento e pode ate perder seu registro por erro médico e porque com um agronomo tem que ser diferente, principalmente quando se trata do bem estar fisico e integridade de alguem ou até mesmo de milhares de seres humanos.Somos responsaveis por nossos atos e em se tratando de um vice presidente de uma CNTbio,então a pressão e a responsabilidade dobram. A discussão é boa, mas fica dificil descrever a gravidade de uma colocação como essa feita pelo pesquisador, para quem desconhece o atrelamento existente entre a universidade e as empresas que financiam esses tipos de pesquisas, que insistem no mascaramento da ameaça real que os transgênicos representam, atraves de declarações como essas do renomado pesquisador.

Comentário #34 — 28/06/2007 23:04

Lisiane — estudante de agronomia — Pelotas

A falta de ética está em dizer que qualquer ser humano pode beber agrotóxico, seja como exemplo, ou não...
E sim, o conhecimento é cumulativo, e um técnico agrícola aprende que isso não se diz

Comentário #35 — 29/06/2007 00:30

Gilson Júnior — Estudante de engª Agronomica — Aracaju

é e a FEAB é que pensa em sua própria cabeça!!!

Comentário #36 — 29/06/2007 01:17

Marcelo Rocha — Eng. Agrônomo - Mestrando em Agricultura Familiar — Pelotas - RS

Ênio Padilha,

Selecionei artigos do Código de Ética Profissional do Eng. Agrônomo que podem perfeitamente serem enquadrados no caso.

Tendo em vista que trata-se de um pesquisador renomado, opinando sobre um assunto o qual é sua linha de pesquisa, não concordo que seja ignorância ou incompetência. É no mínimo mais uma forma de ludibriar o agricultor em prol do crescimento das empresas de agrotóxicos.

Leia e Reflita ! Como pessoa sensata verás que os estudantes não "pisaram na bola".

Art. 8º - Dos Princípios Éticos
VI - A profissão é exercida com base nos preceitos do desenvolvimento sustentável na intervenção sobre os ambientes natural e construído e da INCOLUMIDADE das pessoas, de seus bens e de seus valores.

Art 9º - São deveres do profissional:
I - ante ao ser humano e a seus valores:
c) contribuir para a preservação da incolumidade pública.

III - nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores:
c) fornecer informação certa, precisa e objetiva em publicidade e propaganda pessoal.
f) alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às prescrições técnicas e às conseqüências presumíveis de sua inobservância.

V – ante ao meio:
a) orientar o exercício das atividades profissionais pelos preceitos do desenvolvimento sustentável.

Art. 10 - No exercício da profissão são condutas vedadas ao profissional:
I - ante ao ser humano e a seus valores:
c) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano às pessoas ou a seus bens patrimoniais.

V – ante ao meio:
a) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano ao ambiente natural, à saúde humana ou ao patrimônio cultural.

Art. 13 – Constitui-se infração ética todo ato cometido pelo profissional que atente contra os princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique condutas expressamente vedadas ou lese direitos reconhecidos de outrem.

Art.14 – A tipificação da infração ética para efeito de processo disciplinar será estabelecida, a partir das disposições deste Código de Ética Profissional, na forma que a lei determinar.

O Sr. comentou que o comentário do Vinicius Piccin foi o único que abordou a questão do cancelamento do registro. Mas é que é praticamente impossível não ter uma visão holística de tal reportagem, a qual abre um leque de questões a serem indagadas.

Os comentários até aqui feitos são extremamente plausíveis e coerentes, de nossa resistência como agente de desenvolvimento ao modelo convencional e insustentável.

Comentário #37 — 29/06/2007 03:02

JOSÉ MORITZ PICCOLI — Engenheiro Civil e de Segurança — Balneário Camboriú

Diante de posições tão acirradas, pergunto aos questionadores em geral; quem está com a razão?
Palestinos ou Israelenses?
faço aqui esta indagação, pois que os profetas das antigas tribos daquela região eram primos.
Será que poder-se-ia manifestar mais indignação sobre a corrupção que asola o país, que discusões sobre atitudes éticas de um colega?
Importante frisar que as vezes a imprensa muda o teor de nossa fala, principalmente quando nosso discurso é improvisado.
Bem, mas se muitos de vcs acham que houve falta de ética, deixem que a C.Ética do CREA / MG julgue a denúncia, mas sem a pressão externa do denunciante, pois tal fato se constituí em falta de ética e mais, vontade do poder absoluto.

Comentário #38 — 29/06/2007 08:52

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Engenheiro Marcelo Rocha

Eu não sou advogado do Edilson Paiva. Aliás, nem sou advogado. Mas tive uma disciplina de Noções Gerais de Direito na Faculdade (e tenho um irmão que é advogado) e acho que, se são esses os artigos do Código de Ética que a FEAB pretende invocar para sustentar a representação... sei não.
Acho que não vai dar. Tá faltando a tipificação da "má fé".
Mas, de repente, vocês têm informações que eu não tenho. Depoimento do jornalista, fitas gravadas, outras entrevistas concedidas... Nem vou discutir.

À propósito, colega Daniele, é claro que essa conversa vai se esgotar em algum momento. Aí a gente vai cuidar da vida e tratar de outros assuntos. Por achar que já aprendeu o suficiente ou por estar convencido de que os novos argumentos são iguais aos antigos.
Por enquanto a conversa está boa e eu estou aprendendo algumas coisas. Não estou vendo esta disposição nos meus interlocutores, mas não me importo. Tenho 48 anos e já descobri que "tem gente que só aprende o que já sabe".

Comentário #39 — 29/06/2007 10:18

Luis C. Costa — graduando em agronomia — Lavras

Quando compartilhamos de um pensamento hegemônico, tendemos a acreditar que o mesmo é neutro, é a verdade absoluta. Prova disso podemos perceber nesses comentários aqui. Desde o artigo de Ênio Padilha até os comentários de seus colegas, que até então eram os únicos a se manifestarem aqui, se observa uma reação agressiva contra a FEAB, uma desqualificação total da Federação e de seus membros, sendo caracterizados como sem valores, impetuosos, massa de manobra, e até de inquisitores, entre outros. Isso pode. Isso é ético. Isso é coerente, afinal são doutores classificando meros estudantes. Aí vem o senhor José Moritz dizer que estamos fazendo pressão externa, e isso sim é falta de ética, ou seja, estamos falando demais. Mas será que realmente é étca que estamos discutindo aqui? Foi só uma fala mal interpretada de um agrônomo e uma reação impetuosa de alguns estudantes?

Comentário #40 — 29/06/2007 10:39

Luis C. Costa — graduando em agronomia — Lavras

Porque se for só isso, sugiro então que o sr Edilson Paiva peça direito de resposta ao Valor Econômico e declare publicamente que ele não disse que beber glifosato não faz mal, que trata-se de um agrotóxico que só pelo nome já diz tudo. Mas me parece que não é esse o caso. Não acho que foi coincidência essa declaração ter sido feita numa matéria cujo título era "Avanço da soja transgênica amplia uso de glifosato". Juntando a declaração de Edilson aos comentários dos profissionais aqui postados, pra mim fica evidente que a discussão aqui é entre os que defendem esse modelo de desenvolvimento bancado pelas grandes multinacionais e que inclui o consumo descontrolado de agrotóxico (e usar de seu status pra divulgar publicamente faz parte do pacote), e entre aqueles que defedem um outro modelo de agricultura, onde a vida humana esteja à frente do lucro. estes aparentemente são minoria e por isso são considerados tendensiosos, inquisitores, desprovidos do conhecimento científico.

Comentário #41 — 29/06/2007 21:42

Henderson Nobre — 10º sem Agronomia - Cordenação Regional da FEAB — Cuiabá- MT

Srº Enio Padilha
Não sei em qual mundo vive, mas gostaria de dizer-lhe que você se engana quando diz que um pesquisador não deve ter compromissos políticos e ideológicos, pois isso não existe,a ciência não é e nunca foi neutra, hoje muitos destes pesquisadores que defendem os trangênicos são motivados pela sua concepção ideológica, que é a mesma das empresas multinacionais que imperam o setor dos OGMs (monsanto, bayer,cargil, ect...). E por ser contrário a esta opinião que nós da FEAB temos este posicionamento, eu poderia aqui colocar inúmeros argumentos que justifiquem a nossa opinião,e que mesmo não tendo titulos de doutores temos capacidade de analisar e interpretar posicionamentos equivocados e que ferem sim a ética da nossa futura profissão, mas me sinto contemplado pelos companheiros que acima se manifestaram.
Mas como você da muita importância a titulos gostaria de compartilhar aqui um documento de uma pesquisadora, é um pouco extenso mas vale a pena ler até o final.

Renuncia de conselheira:
" Excelentíssimo Senhor Ministro da Ciência e Tecnologia

Excelentíssima Senhora Ministra do Meio Ambiente

Ilustríssimo Senhor Presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança

Referente: Notificação de desligamento da Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança e declaração de motivos.

Há 31 anos sou servidora pública dedicada à Saúde Coletiva, dos quais 20
anos como médica sanitarista, tendo por esse período trabalhado na região
siderúrgica -petroquímica de Cubatão - SP, promovendo a saúde dos
trabalhadores e ambiental. Fiz meu mestrado e doutorado investigando
biomarcadores para análise de risco. Há dez anos sou pesquisadora titular da
Fundação Oswaldo Cruz e docente do programa de Pós-Graduação do Centro de
Pesquisas Aggeu Magalhães, onde sou responsável pelas disciplinas
obrigatórias de "Filosofia da Ciência e Bioética" e de "Seminários Avançados
de Pesquisa". "
Sou membro titular na CTNBio como Especialista em Meio Ambiente indicada
pelo Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais, a partir de uma
lista tríplice à Ministra do Meio Ambiente, a quem coube a escolha. Hoje,
após quinze meses de minha nomeação, peço o desligamento formal dessa
Comissão e apresento a titulo de reflexão algumas opiniões críticas no
sentido de colaborar com o aprimoramento da biossegurança no país.

Na minha opinião, a lei 11.105/2005 que criou a CTNBio fez um grande
equívoco ao retirar dos órgãos reguladores e fiscalizadores os poderes de
analisar e decidir sobre os pedidos de interesse comercial relativos aos
transgênicos, especialmente sobre as liberações comerciais.

A CTNBio está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria
especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu
desenvolvimento.
Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de
avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente.

Os membros da CTNBio têm mandato temporário e não são vinculados diretamente
ao poder público com função específica, não podendo responder a longo prazo
por problemas decorrentes da aprovação ou do indeferimento de processos.

A CTNBio não é um órgão de fomento à pesquisa ou de pós-graduação ou
conselho editorial de revista acadêmica. O comportamento da maioria de seus
membros é de crença em uma ciência da monocausalidade. Entretanto, estamos
tratando de questões complexas, com muitas incertezas e com conseqüências
sobre as quais não temos controle, especialmente quando se trata de
liberações de OGMs no ambiente.
Nem mesmo o Princípio da Incerteza, que concedeu o Prêmio Nobel à Werner
Heisenberg (1927), é considerado pela maioria dos denominados cientistas que
compõe a CTNBio. Assim, também na prática da maioria, é desconsiderado o
Princípio da Precaução, um dos pilares mais importantes do Protocolo de
Biossegurança de Cartagena que deve nortear as ações políticas e
administrativas dos governos signatários.

O que vemos na prática cotidiana da CTNBio são votos pré - concebidos e uma
série de artimanhas obscurantistas no sentido de considerar as questões de
biossegurança como dificuldades ao avanço da biotecnologia.
A razão colocada em jogo na CTNBio é a racionalidade do mercado e que está
protegida por uma racionalidade científica da certeza cartesiana, onde a
fragmentação do conhecimento dominado por diversos técnicos com título de
doutor, impede a priorização da biossegurança e a perspectiva da tecnologia
em favor da qualidade da vida, da saúde e do meio ambiente.

Não há argumentos que mobilizem essa racionalidade cristalizada como a única
"verdade científica". Além da forma desairosa no tratamento daqueles que
exercem a advocacy no strito interesse público.
Participar desta Comissão requereu um esforço muito grande de tolerância
diante das situações bizarras por mim vivenciadas, como a rejeição da
maioria em assinar o termo de conflitos de interesse; de sentir-se
constrangida com a presença nas reuniões de membro do Ministério Público ou
de representantes credenciados da sociedade civil; de não atender pedido de
audiência pública para debater a liberação comercial de milho transgênico,
tendo o movimento social de utilizar-se de recurso judicial para garantia
desse direito básico; além de outros vícios nas votações de processos de
interesse comercial.

Também a falta de estrutura da Secretaria Geral da CTNBio é outra questão
que nos faz pensar como é que é possível ter sido transferido para essa
Comissão tanta responsabilidade sem os devidos meios para exerce-la?
Assistimos a inúmeros problemas relacionados com a instrução e a tramitação
de processos pela falta de condições materiais e humanas da CTNBio. Para
ilustrar cito o processo No. 01200.000782/2006-97 da AVIPE que solicitava a
revisão de uma decisão da CNBS. O mesmo foi distribuído para um único
parecerista pela Secretaria Geral como um processo de simples importação de
milho GM para alimentar frangos. Graças à interpretação de um membro de que
haveria necessidade de nomear mais um parecerista, em função dos problemas
antigos deste processo que sofrera recurso da ANVISA e do MMA junto a CNBS,
é que se descobriu que este processo estava equivocado. Mesmo por que a
CTNBio só poderia dar parecer a pedidos de importação de sementes para
experimentos científicos. Importação de sementes para comercialização para
ração animal, por exemplo, não é uma atribuição da CTNBio.
Outro fato ilustrador é o caso da apreciação do pedido de liberação
comercial da vacina contra a doença de Aujeski (em que também fui um dos
relatores). Os únicos quatro votos contra a liberação não seriam suficientes
para a sua rejeição. No entanto, o fato de não se ter 18 votos favoráveis
impediu a sua aprovação e este fato foi utilizado amplamente para justificar
a redução de quorum de 2/3 para maioria simples nas votações de liberação
comercial de OGM.

Ocorre que o parecer contrário à aprovação desse processo trouxe uma série
de argumentos que se quer foram observados por aqueles que já tinham
decidido votar em favor de sua liberação. Essa vacina está no mercado
internacional há quinze anos e só é comercializada em cinco países, nenhum
da comunidade européia.
Esta observação levou-me a investigar as razões para tal e encontrei uma série de questões que contraindicam o seu uso na
vigilância sanitária de suínos frente aos riscos de contrair a doença de
Aujeski e que também são seguidas pelo Brasil.

Infelizmente este fato foi utilizado politicamente no Congresso Nacional
como um argumento para justificar a redução do quorum para liberação
comercial, mostrando que os interesses comerciais se sobrepujam aos
interesses de biossegurança com o beneplácido da CTNBio.
Desta forma, em respeito à cidadania e a minha trajetória profissional de
cientista e de formadora de recursos humanos, não poderei mais permanecer
como membro de uma Comissão Técnica Nacional de Biossegurança que, a meu
ver, não tem condições de responder pelas atribuições que a lei lhe confere.

Faço votos que uma profunda reflexão inspire todos aqueles que têm
responsabilidade pública para que os órgãos com competência técnica e
isenção de interesses possam de fato assumir o papel que o Estado deve ter
na proteção da saúde, do ambiente, da sociedade, da democracia e do
desenvolvimento sustentável.

Brasília, 17 de maio de 2007.

Profa. Dra. Lia Giraldo da Silva Augusto
Membro Titular da CTNBio
Especialista em Meio Ambiente

Comentário #42 — 30/06/2007 10:17

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Colega Henderson Nobre

Esse tipo de contribuição que você trouxe ao nosso debate é de grande utilidade. Tenho certeza que muitos dos leitores que acompanham essa discussão não tinham conhecimento desses detalhes.

É claro que toda "verdade" tem diversas versões. Essas versões devem ser apresentadas para serem discutidas e para que as pessoas de bom senso (e boa vontade) formem a sua opinião a respeito.

Comentário #43 — 30/06/2007 18:05

Giovana Melo — Estudante de Agronomia — Lages, SC

Ênio Padilha,

Avalio que você fez uma análise superficial do fato por levar em consideração que um doutor não poderia jamais ter sido contestado, da forma como foi, por meros estudantes. Sua manifestação, me parece, plenamente refutável porque parte do pressuposto da superioridade incontestável do conhecimento científico de acordo com a hierarquia que ocupa no mundo acadêmico, e pior ainda, considera a ciência como sendo neutra. Por conta disso, entende como sinal de “boa educação” e “bom senso” a subserviência daqueles que são tidos como inferiores dentro dessa tal hierarquia.

E por ter centralidade nesse raciocínio, desconsiderou por completo:
1º o que Edilson Paiva disse
2º a gravidade do que disse
3º o porquê disse aquilo
4º a legalidade de um instrumento jurídico perfeitamente passível de ser utilizado em casos como esse, por qualquer cidadão ou entidade.

(Obs.: Nos baseamos nos dispositivos da lei: 5.194/66, a qual regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo).

Os estudantes conferiram uma profundidade ao tema que talvez tenha o surpreendido e por isso preferisse vê-los em outros meios e não no seu blog.

Ora, por que nesse debate os estudantes vêm falar dos transgênicos, dos interesses escusos que regem posições e decisões de renomados doutores, do atrelamento entre estes e multinacionais, da produção de sementes transgênicas e agrotóxicos por essas mesmas empresas, da lógica do mercado em detrimento do ser humano e do meio ambiente, do caráter da formação profissional, do papel da ciência, do mito da neutralidade científica, do caráter da CTNbio, da estrutura da sociedade e da luta pela construção de um país justo, igualitário e soberano?

Porque os estudantes optaram por fazer uma leitura crítica, não fragmentada nem superficial dos fatos, da realidade e da sociedade em que vivemos.

Comentário #44 — 30/06/2007 20:41

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Não Giovana Melo, você está enganada. Eu não prefiro vê-los em outro blog. Aqui vocês são bem-vindos, sempre.
E nem fui "surpreendido pela profundidade que os estudantes deram ao tema".
Na verdade, nem sei onde você viu essa "profundidade". O que eu vi aí foi muito discurso ideológico, com frases de efeito e palavras de ordem.
Alguns comentários são, de fato, inteligentes e produtivos, mas nada assim... surpreendente!
Francamente, acho que você foi um tantinho arrogante (e prepotente).

Outra coisa: você deve ser uma moça inteligente. Penso que não fica bem fazer interpretações distorcidas do que está escrito. Você deu ao meu texto um tom que ele nunca teve. Não acredito que tenha sido por ignorância. Também não quero acreditar em má-fé.
Vou então aceitar que houve má-vontade, o que é aceitável (e desculpável).

Onde foi que você leu (neste artigo ou em qualquer outro texto meu) que "...um doutor não poderia jamais ter sido contestado, da forma como foi, por meros estudantes"?

Onde foi que eu disse que existe uma "superioridade incontestável do conhecimento científico de acordo com a hierarquia que ocupa no mundo acadêmico"?

O que leva você a acreditar que os estudantes (ou qualquer outro grupo) tenham o monopólio da "leitura crítica, não fragmentada nem superficial dos fatos, da realidade e da sociedade em que vivemos"?

Comentário #45 — 01/07/2007 13:42

Giovana Melo — Estudante de Agronomia — Lages, SC

De forma alguma tive a intenção de ser arrogante, apenas me dei o direito de interpretar o que li.
Também, em nenhum momento disse que os estudantes têm o monopólio da leitura crítica...
E considero esse um instrumento importante e o debate muito produtivo, na medida em que, para além da posição contrária ou não ao cancelamento do registro profissional, fez-se um debate mais amplo.

Comentário #46 — 01/07/2007 14:05

Jorge Enrique Montalván Rabanal — Engenheiro Agrônomo — Poço Redondo-SE

Desde que me apresentaram a dialética passei a compreender melhor os fatos e hoje vendo o senhor Padilha acuado em seu próprio terreno(o blog)por meros estudantes que ousam combater a naturalidade da ciência e da ideologia que o mesmo carrega de forma camuflada, fico contemplado com este embate.
Qual seria a intenção de defender um cientista a serviço das multinacionais e da destruição do campo brasileiro? a resposta é obvia garantir que o Brasil continue a ser explorado por multinacionais que não tem coragem de plantar soja nos países de origem pq a lei de lá não os permite e portanto vem nos agraciar com este infortúnio econômico e promissor de poucos, como faz o eucalipto, a carne etc.
Parabéns aos estudantes que continuam aguerridos contra qq forma de injustiça social, e com extrema carga ideológica dou meu apoio a ação contra o Dr. Paiva que com recursos públicos estudou para estar a serviço das multinacionais e da destruição ambiental de nossa nação.

Comentário #47 — 01/07/2007 21:42

Diego Albino Martins — Graduando Agronomia - membro Grupo de agroecologia UFPel — Pelotas

A alienação que toma conta dos meios acadêmicos e científicos atualmente leva-nos a muitas vezes falar bobagem em público.
O fato de Edílson Paiva ser um "renomado pesquisador" somente agrava sua culpa perante a sociedade. Junto com o renome vem um grande respeito da sociedade que muitas vezes acaba agindo como o senhor gostaria (sem questionar o que diz um "renomado pesquisador"), o que a leva a tomar como verdade certas "inverdades", estudos científicos existem vários que demonstram as mazelas do glifosato (lesões em glândulas salivares,
inflamações nas mucosas do estômago, danos genéticos (em células sanguíneas
do corpo humano), efeitos reprodutivos (redução dos espermatozóides em
ratos; maior frequência de espermatozóides anormais em coelhos), e
carcinogenicidade (maior frequência de tumores no fígado de ratos e câncer
de tiróide em ratas)) os quais deveriam ser de conhecimento de um tanto "renomado pesquisador".
Insisto tanto em usar o termo "renomado pesquisador" por que tomo como afronta o senhor querer desviar o resultado de um "julgamento" pela "posição" do réu. O que está sendo julgado não é sua graduação ou anteriores atuações como profissional, e sim a extrema falta de ética e compromisso social de sua declaração.
Sou a favor da decisão da FEAB e apoio a cassação de Edílson Paiva.

Comentário #48 — 02/07/2007 10:34

Cássio Alexandre Bertoldo — Engenheiro Agrônomo — Santa Maria - RS

É a velha discussão entre os que defendem descaradamente as ações e as cartilhas imperialistas do poder econômico e que se dizem deuses do conhecimento, com suas titulações estrelistas, que nasceram em berço de ouro ou que nunca tiveram o mínimo de resposabilidade socio-ambiental. Do outro lado, estudantes e profissionais realmente absorvidos pela consciência, não somente idedológica e política, mas, social economica e ambiental, em prol de uma sociedade verdadeiramente mais justa e com poderes de decisão baseadas numa real democracia, haja visto que, nas condições expostas à nós pela CTNBio e alguns doutores, é sim, anti-democratico e arbitrário, pois não passa pelo crivo da sociedade e tão somente pelo crivo de "doutores e pós-doutores" "donos absolutos da verdade e da sabedoria", que não respeitam o saber empírico, mas que ironica e cinicamente, baseiam e norteiam seu experimentos de "laboratório" , pautados muitas vezes nos conhecimentos popular.
Chega de hipocrisia e de mascaramento senhores, chega de cinismo e de buçais. Vamos ser verdadeiramente éticos e mostrar a cara pra sociedade. Vamos sair de trás de nossos ternos e gravatase trabalhar por aquilo que juramos na nossa formatura. vamos dizer pra sociedade que o interesse é ganhar dinheiro mesmo e não construir uma sociedade mais justa.
Ora senhores, quem defende esse cidadão que nem me atrevo a chamar de colega, no mínimo também está pautado por interesses puramente econômicos. Engenheiro agrônomo pra mim é aquele que busca melhorar as condições de vida do planeta, baseado na realidade e não somente em pipetas, buretas, erlenmeyrs e na "pestação do apartamento na praia, do carro do filhão e da faculdade da filhona". E dizem que o capitalismo é o caminho certo ainda.
"
Saudaçõe agroecológicas

Comentário #49 — 02/07/2007 11:03

Cássio Alexandre Bertoldo — Engenheiro Agrônomo — Santa Maria - RS

"SÓ DEPOIS QUE O ÚLTIMO RIO ESTIVER SECO, A ÚLTIMA ÁRVORE FOR DERRUBADA E O ÚLTIMO PEIXE CONTAMINADO, VOCÊS ENTENDERÃO QUE DINHEIRO NÃO SE COME" CHEFE INDÍGENA NORTE-AMERICANO

Saudaçõe agroecológicas

Comentário #50 — 02/07/2007 18:50

Cesar Augusto Dutra da Rosa — Agrônomo — Ji-Paraná

Como pode um Doutor da EMBRAPA emitir uma opinião absurda desta sobre os transgênicos, ele precisa sim ser repreendido. Sempre foi de conhecimento de todos que a grande inteligência ou conhecimento de um homem não esta voltado precisamente para o bem da humanidade. Qual é a finalidade de tantos títulos se este senhor não entende nada de fisiologia humana, doutorado, pós doutorado sÃo apenas mais especializações sobre o mesmo assunto. Agrotóxico faz mal para seres vivos não importa se são só da espécie humana. ë o dono desse blog não tem condições de imparcialidade nenhuma para discutir se os movimentos estudantis são truculentos ou injustos, por causa de seu perfil de agronegócio, e por ver o currículo do pesquisador já acha-lo um semi-deus.
Obs.: Por favor não mande email para mim.

Comentário #51 — 02/07/2007 21:17

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Por que eu haveria de querer mandar e-mail para este rapaz???

Eu, hein!!!

Comentário #52 — 02/07/2007 21:37

André Leonardo — Eng. Agrônomo — Salvador

Prezado Ênio,

Concordo com vc quando afirma que o Sr. Edilson Paiva "é um renomado pesquisador. Não é um João-Ninguém qualquer". Porém a opinião de um pesquisador desse nível deve ser responsável!Será que ele beberia a agrotóxico? Se ele é tão competente assim deveria fazê-lo, pois quem o ouve falando dessa maneira "irresponsável" pode até dar credibilidade! Ou melhor, um cidadão com a titulação do Sr.Edilson Paiva deveria ter no mínimo mais cautela em suas declarações. Dessa maneira chego a questionar se é só os meninos e meninas da FEAB que estão brigando por questões ideológicas! E mais uma vez utilizando seu próprio comentário o Sr. Edilson Paiva "está sendo acusado por emitir opinião a respeito de um assunto no qual é graduado, mestre, doutor e pós-doutor..." e "está sendo acusado por emitir opinião sobre um assunto o qual tem conhecimento técnico profissional (provavelmente muito superior aos garotos da FEAB)e por isso deve ser responsabilizado!!



Comentário #53 — 24/10/2010 01:24

Renato — Agrônomo — Jiparana

Até hoje me surpreendo com o que alguns doutores ambiciosos são capazes de falar quando desejam mais poder. Parabéns aos estudantes de Agronomia! O que vc chama de \"pisar na bola\", eu chamo de CORAGEM.

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