O GERENTE E O CHAVEIRO

É uma parábola, naturalmente, e nem é tão original assim, mas vale a pena recontar.

Eu estava em João Pessoa, na Paraíba apresentando um dos meus cursos. Lá pelas tantas, para ilustrar um dos conceitos que eu estava apresentando um colega participante contou essa história: aconteceu em Recife, numa agência do Banco do Brasil, já se vão uns 25 ou 30 anos. Ele jura que a história é verdadeira e que ele presenciou tudo pessoalmente pois trabalhava na tal agência...

Nove horas da manhã. O gerente foi avisado por um dos funcionários de que o cofre estava apresentando um problema. Estava travado e não abria, de jeito nenhum. O gerente foi até lá e acompanhou as tentativas desesperadas dos seus auxiliares para destravar o cofre e nada. Todos os documentos importantes do banco e também o dinheiro para o funcionamento das operações do dia estavam lá dentro. O cofre tinha de ser aberto.

Sem outra alternativa, mandou chamar o chaveiro, seu Sebastião, um velho um tanto rabugento porém muito competente. Seu Sebastião chegou ao local, com sua maleta de ferramentas, ouviu as explicações dos funcionários, avaliou cuidadosamente a situação, encostou o ouvido no cofre. Mexeu um pouquinho o redondo do segredo, combinou com um movimento no trinque e, "voila" cofre aberto. Aliás, não apenas o cofre se abriu. Abriram-se também sorrisos nos rostos até então angustiados de todos os presentes, que puderam, enfim, respirar aliviados.

"Quanto lhe devemos, seu Sebastião", perguntou o gerente.

" Duzentos reais", respondeu o velho, sem mudar o semblante. (estou atualizando os valores, para melhor entendimento da história)

-- "O que ??? O senhor deve estar brincando."

-- "Não senhor, Eu não brinco em serviço. São duzentos reais."

-- "O senhor está roubando", falou o gerente, alterado. "Está tentando tirar proveito da situação. É um desonesto. Não vou pagar isso tudo..."

Seu Sebastião nem esperou o gerente terminar a frase. Bateu a porta do cofre, juntou sua maleta e saiu porta à fora, resmungando qualquer coisa. Todos se olharam perplexos e, ato contínuo, correram para o cofre na esperança de que ainda estivesse destravado.

Não estava. Tentaram repetir a operação feita pelo velho chaveiro mas não funcionou. Nada funcionava. A porta do cofre estava, definitivamente, travada.

Todos olhavam para o gerente com aquela cara de "olha só o que você fez". E a fila de gente aumentando lá fora. E o relógio caminhando para a hora fatídica de abrir o banco. E não havia nada que se pudesse fazer (lembre-se que ainda não havia caixa eletrônico nem internet.

Aliás, havia: chamar o Seu Sebastião de volta e pagar o que ele estava pedindo.

Convenceram o gerente de que essa era a melhor (a única saída). E foram chamar o seu Sebastião que estava lá na sua oficina, furioso da vida.

"De jeito nenhum que eu volto lá. O sujeito me chamou de ladrão e desonesto”.

"Mas seu Sebastião. Ele estava nervoso. Já mudou de idéia...”.

Tentaram todos os argumentos até que seu Sebastião concordou em voltar. Com uma condição:

"Ele tem que me pedir desculpas"

Foi outra dificuldade, mas os funcionários convenceram o gerente e ele pediu desculpas ao seu Sebastião que, enfim, voltou ao trabalho (Uma mexidinha no redondo do segredo, combinada com um movimento no trinque... cofre aberto).

O gerente, ainda contrariado, ordenou a um dos funcionários: "Pague os duzentos reais do homem"

Seu Sebastião interrompeu: "Não, senhor. Não são duzentos reais. São quatrocentos. Eu abri o cofre duas vezes."

O gerente quis reagir mas foi fulminado por meia dúzia de olhares dos seus colegas. E seu Sebastião saiu da agência com os seus quatrocentos reais.

ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br
(artigo_ep)

Comentário #1 — 24/04/2009 09:17

Rosali — secretária — Holambra

Preciso saber se a data de 18/08, ainda está aberta?

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