ENGENHEIROS NÃO SÃO OUVIDOS
(ou não se fazem ouvir?)


VALE A PENA LER DE NOVO
(Publicado em 07/07/2007)



Ana Clara, que administra nosso site www.eniopadilha.com.br e pesquisa na Internet assuntos que poderão ser publicados, me perguntou na semana passada: \"por que em Portugal os engenheiros dão opinião em tudo? e aqui no Brasil não se ouve engenheiro nem nas questões de engenharia?\".

Fiquei pensativo. Ela tem razão. Em Portugal (e em muitos outros países) os engenheiros são mais ouvidos. Vão construir um novo aeroporto? consulta-se a Ordem dos Engenheiros. A definição da nova malha ferroviária? Vamos ouvir a Ordem. Vai mudar o ministério? À Ordem... e assim vai, mais ou menos como acontece aqui, com a OAB.

No Brasil, no entanto, temos exemplos diários de indiferença da sociedade às opiniões dos engenheiros. Chega a ser constrangedor.
No passado recente, quando vivemos o chamado \"apagão de energia elétrica\" jornais, rádios e redes de TV faziam reportagens imensas, entrevistando donas de casa, motoristas de taxi, economistas, lideranças políticas... raramente se via um engenheiro sendo entrevistado, discorrendo sobre aspectos técnicos ou manifestando sua opinião.
E, apesar das barbaridades ditas e publicadas, não se via, igualmente, nenhum engenheiro reagir.

Aí entramos numa das prováveis causas: somos, muitas vezes, omissos. Não entendemos que \"é com a gente\" não assumimos que a engenharia tem de \"dar conta\" desses assuntos. Tem de agir (ou reagir). Tem de se manifestar se quiser ser ouvida

O \"caos aéreo\" é um exemplo atual. O Brasil tem uma das mais importantes escolas de Engenharia Aeronáutica do mundo. Alguém aí já viu um único professor do ITA ser entrevistado na TV ou em algum Jornal? Já viu um engenheiro aeronáutico emitir a sua opinião?
Aí ficamos ouvindo as soluções propostas por artistas, políticos, bancários, estudantes de medicina...

E a questão dos bio-combustíveis? não é conosco? Cadê os engenheiros agrônomos? cadê as contribuições qualificadas desses profissionais?
Na semana que passou o Jornal Nacional (da Rede Globo) apresentou uma série de grandes reportagens sobre bio-combustíveis. Nenhum engenheiro foi entrevistado (ou, se foi, não foi identificado como engenheiro pela reportagem).

O PAN do Brasil está aí. As grandes obras de engenharia que foram realizadas engrandecem o país. Arenas, pistas, quadras, estádios (o estádio mais moderno do país!). Você viu algum engenheiro ou arquiteto sendo apresentado ou discutindo o trabalho feito?

A lista é interminável... transgênicos, hidroelétricas no Amazonas, transposição do Rio São Francisco, o PAC... cadê a opinião dos engenheiros? cadê os arquitetos? os agrônomos?

Mas, antes que se pense que existe uma conspiração da mídia contra as vozes da engenharia ou da arquitetura, cabe aqui um mea culpa: na verdade, falta ainda aos profissionais o senso de comunicação social necessário para entrar nesse jogo.

Para conquistar a mídia precisamos ser mais claros, objetivos e, fundamentalmente, corajosos.

Para um discurso ser interessante (e acontecer na mídia) ele não pode ser insípido, incolor e inodoro (em outras palavras, não pode ser \"em cima do muro\"). Na última edição da Revista do Confea, por exemplo, há um artigo sobre a transposição do Rio São Francisco. Sem posição definida, trata-se de um artigo que jamais vai chamar a atenção de algum jornalista e ganhar a repercussão devida.

É preciso ser mais incisivo, mais corajoso. Ter disposição para a polêmica e aceitar as imperfeições do sistema.

Além disso, nosso sistema profissional precisa investir numa marca nacional que dê aos engenheiros, arquitetos e agrônomos uma identidade como a OAB dá aos advogados, a FIESP dá aos empresários paulistas ou como o COB dá aos esportistas brasileiros.

Mas isso já é assunto pra outro dia.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | ep@eniopadilha.com.br

Comentário #1 — 07/07/2007 22:10

Djalma P. Pessôa Neto — Engenheiro e Professor — Cataguases-MG

Muito oportuno sua digressão sobre o engenheiro na sociedade atual. Precisamos ser ouividos ou nos fazer ouvir.
A mentalidade é: "Podendo fugir do engenheiro ótimo, engenheiro cobra caro!"
Horrível mas, boa parte da população leiga pensa e age assim.
Acho que nós temos culpa, quando viramos as costas para a sociedade quando não nos faltava serviços e obras. Muitas falhas de comunicação que precisão ser corrigidas. Temos que nos posicionar Ênio, concordo.
Precisamos ser revalorizados, e os primeiros a respeitar os engenheiros somos nós mesmos.
Confiram na página [link]http://www.peabirus.com.br/redes/form/comunidade?id=546[/link] da rede da engenharia.

Engº Civil MSc.Djalma Pessôa

Comentário #2 — 08/07/2007 09:01

Moacir de Souza — engneheiro Civil e segurança no Trabalho — Petrolina PE

Realmente nossa classe esta sumida e não procura participar da vida politica deste pais pois nos poderemos acabar com a corrupção as falcatruas destes politicos que ai estão, poderemos entrar para politica e passar este Brasil a Limpo, melhorar as condiçoes de vida dos nossso irmãos brasileiros e honestos e com etica. E so começar uma campanha nacional para arreguimentar nossos colegas profissionais a sair do anonimato e buscar a participação em todos os segmentos da sociedade e da politica
para se fazermos ser ouvidos.
Moacir

Comentário #3 — 08/07/2007 22:54

João Luis Collares Machado — Engenheiro Civil — Montenegro, Rio Grande do Sul

E aqui faço uma pergunta a comunidade tecnológica e principalmente os ENGENHEIROS (todas as modalidades) se conhecem a nova resolução 1010 e a 1016 que altera, prejudica, desvaloriza e ainda tem uma série de ilegalidades implantada pelo CONFEA????

Collares
Coordenador Regional da CEEC-RS 2005 e 2006
Coordenador Nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Civil em 2006
cel.: 051 9268 2388
e-mail: eng.collares@terra.com.br
MSN Messenger joao_collmac@hotmail.com

Comentário #4 — 09/07/2007 08:58

José Rodrigo Santana Pinho — Eng° Civil, M. Sc. Estruturas e Materiais — Belém - PA

É inegável que houve uma desvalorização dos engenheiros e arquitetos, de maneira geral, desde a época das grandes construções (Tucuruí, Itaipu, Brasília, etc.). Neste mesmo final de semana foi noticiado o péssimo desempenho dos (alunos dos) cursos de Direito no exame unificado da ORDEM, onde a maior porcentagem de aprovados ocorreu com cerca de 40% de aprovação e, numa comparação com os EUA, temos mais de 1000 faculdades de Direito contra 180 deles. O que explica isto? Salários BEM maiores, exigência para a grande maioria dos concursos e a necessidade de conhecimentos das mais variadas leis mediante à enorme incidência de "transgressões" às mesmas podem justificar, em parte, este resultado. Não apenas a profissão de advogado/Direito, mas também outras profissões, igualmente importantes à nossa, são bem melhor remuneradas que a nossa. Parece que engenheiros e arquitetos adquiriram uma imagem de peões de obra, sem nenhum valor intelectual!

Esta desvalorização ocorre em todos os níveis, como, por exemplo, na estatal onde trabalho, na qual algumas residências foram construídas a cerca de 40 anos atrás para abrigar engenheiros (até então, na sua maioria, diretores e presidentes da estatal) e o único médico do quadro. Hoje, a situação é tal que secretária e funcionários de nível médio ocupam as residências, sendo preteridos os engenheiros, por conveniência e por IMPORTÂNCIA na função que o empregado (nivel médio) desempenha. Antigamente, mesmo os cursos de Engenharia eram respeitados, em virtude do status que a profissão promovia. Atualmente, parece que ninguém tem "o prazer" de conhecer um engenheiro... preferem conhecer médicos ou advogados porque eles sim, podem lhe ser úteis em alguma coisa.Esta é a hora de nós virarmos o jogo, uma vez que quem comanda (e não somos nós!) e o país necessitam de desenvolvimento infra-estrutural para o "espetáculo" do novo crescimento. Vamos nos fazer respeitados e amados!

Comentário #5 — 09/07/2007 09:29

Antonio Luz Mesquita — Engenheiro Civil — Cuiabá-MT

Ênio esse artigo relata infelizmente uma verdade.
No Brasil, os profissionais de engenharia quase não aparecem na mídia e quando aparecem são basicamente por dois motivos:
1º) quando ocorrem acidentes fatais em alguma obra ou quando uma construção literalmente desaba por algum erro contrutivo(o nosso ultimo exemplo foi o metrô de SP);
2º) quando algum "empreiteiro" ou "político" usa da engenharia e seus profissionais como máquina de corrupção do Estado, nem precisa citar exemplos;
Concordo que deva existir um orgão capaz de defender nossa categoria nestas situações com o mesmo entusiasmo com que nos cobram taxas, anuidades, impostos e deveres. A sociedade precisa saber que a engenharia não é só isso. Nós temos que mudar o pensamento sobre nós mesmos e agirmos.

Comentário #6 — 09/07/2007 12:03

Ênio Padilha — Engenheiro — Balneário Camboriú - SC

Amigos leitores e comentaristas

Este meu texto, na verdade, fala de um tema recorrente na engenharia. Muitos autores já falaram sobre isso. De tal maneira que é difícil dizer alguma novidade.

Por isso eu tenho dito sempre que a questão não é discutir sobre esse assunto. Isto já é feito. Muito.

A questão é "o que pode ser feito em caráter imediato?". O que é que cada um de nós pode fazer imediatamente, sem grande custo financeiro e sem dispender muito tempo ou energia.

Fica aqui o desafio aos leitores e comentaristas: o que se pode fazer

Comentário #7 — 09/07/2007 12:12

Manoel F. de Negreiros Neto — Engenheiro Civil Pós Graduado em Gestão de Negócios — NATAL/RN

Há anos que comentava isto em casa e com alguns amigos de confiança.

Continuemos nesse raciocínio e prestaremos serviços a nação.Caro Ênio, parabéns pelo artigo e por ter tido a sensibilidade de ouvir o clamor de uma classe.

Senhores presidentes dos CREAS e presidente do CONFEA: Observem muito bem essa atual conjuntura e tomem as providências !

Esse é o foco !

Comentário #8 — 09/07/2007 15:03

Antônio Ananias Ripardo Filho — Engenheiro de Edificações e Segurança do Trabalho — Fortaleza Ceará

Parece que nós engenheiros estamos anestesiados, não sentimos que 80% do PIB passa por nossas maõs, todas as outras classes dependem de nossos trabalhos. Porém o que se observa é que todas elas (médicos, advogados, comerciantes, fazendeiros, enfermeiros, administradores, motoristas, corretores, etc)executam obras de engenharia, seja civil, elétrica ou mecânica. A fiscalização é muito severa para os próprios engenheiros, porém ineficaz para a realidade, cada um procurando obter mais brasa para sua sardinha, atrito e desunião dentro dos próprios conselhos, enquanto isso, os desperdícios são enormes, diariamente, com perdas de vidas humanas e materiais, sangrando a própria nação. Necessitamos urgente de pelo menos: a)União da classe, b)Se impor perante as autoridades competentes, c)Cobrar dos Conselhos Regionais valorização dos profissionais.

Comentário #9 — 09/07/2007 19:26

Ricardo Fernandes — Empresário — Mossoró-RN

Caro Ênio, queria apenas registrar que semanalmente leio seus 3 Minutos e continuamente me alegro em ver como você se comporta em defesa de nossa classe e realmente precisamos melhorar e muito nossa capacidade de nos relacionar com o mercado. Anos e mais anos de estudo duro precisam repercutir melhor no nosso desempenho profissioanal. Se somos capazes de conduzir a corrente elétrica por milhares de quilômetros, da hidroelética até às lâmpadas de cada casa de nosso amado, deveríamos ter maior capacidade de nos conduzir como vozes a serem ouvidas nos momentos de crises. Confesso que seus livros abriram muito meus olhos para o marketing e apesar de atuar como desenvolvedor de softwares aplico o pensamento de engenheiro eletricista para adaptar vossos conselhos à minha realidade.

Ricardo Fernandes

Comentário #10 — 10/07/2007 12:30

solimar de castro bastos — engenheiro civil — itapagipe mg

não podemos reclamar que não somos consultados sobre o desenvolvimento de nossa comunidade, sempre terá algum colega decidindo o que e quem deverá executar algo, mas vamos a realidade depois que foi públicado pelas entidades de classe que apenas pouco mais de 15 % dos engenheiros foram encontrados com registros em carteira de trabalho e que a metade deles são servidores públicos com menos do salario minimo profissional, fica a duvida será que somos necessarios, pois siquer existimos nas estatísticas de emprego como podem quase um milhão de profissionais atualmente do sistema confea arrecadar quase 600 milhões de taxas e não aparecerem ou não serem consultados....pensem porque nos estamos nos escondendo tanto e fugindo tanto da realidade....eng. bastos itapagipe mg

Comentário #11 — 25/08/2007 16:27

JOSÉ R. MORITZ PICCOLI — Engenheiro Civil e de Segurança — Balneário Camboriú / SC

Quero lembrar o desabamento da marquise de um hotel em Copacabana. Alguns dias antes, um conselheiro do CREA/RJ alertou sobre os perigos que algumas placas e outros equipamentos representavam para a comunidade do Rio.
Após um passeio pela cidade a matéria do nosso colega virou manchete de capa do O GLOBO.
Quando a marquise caiu, a rede globo convocou especialistas dando entrevistas sem cortes no Jornal Nacional, lembram disso?
Então. A gente não pode é ficar esperando um prédio cair para sair atrás da mídia, ou pior, em nosso impeto de fazer o CREA se pocisionar perante a sociedade, cometemos erros; como a cassação indevida do Sérgio Naia, que vai custar uma fortuna ao CREA/RJ em indenizações.
Aqui em SC dei uma entrevista sobre uma ponte que apresenta problemas e aproveitei o gancho para afirmar que muitas pontes e viadutos tb apresentam problemas. Agora vou pedir ao CREA /SC para fazer blitz nas pontes das BRs (101 e 116).

Comentário #12 — 09/02/2009 23:31

Juliano — Engenheiro Civil — Belo Horiozonte

A falta de ética entre os profissionais da engenharia é o que mais tem enfraquecido a classe,Não nos defendemos quando é necessários, falamos mal do próprio colega e as vezes não nos valorizamos, deveriamos ser como os profissionais da medicina, você ja viu um Médico falar mal de outro mèdico?

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