QUEM TEM MEDO DA ELEIÇÃO VIA INTERNET
NO SISTEMA CONFEA/CREA

(Publicado em 13/04/2020)



Tenho visto muitas lives no Instagram e no Facebook e algumas delas envolvendo candidatos aos cargos em disputa nas Eleições do Sistema Confea/Crea/Mutua que será realizada (em princípio) no dia 3 de junho de 2020.

O assunto ELEIÇÕES PELA INTERNET embora já esteja encerrado para esta eleição (pois as regras já foram estabelecidas) sempre aparece. Não existe uma única live no qual o tema não seja discutido.

Quase sempre o que temos é o público, de um lado, pedindo por eleições pela internet e, de outro lado, os candidatos defendendo que tudo continue como está.

A minha opinião a respeito já foi dada, há 4 anos:





(Publicado em 13/04/2020)



No 9º Congresso Nacional dos Profissionais do Sistema Confea/Crea, que acabou de acontecer na cidade de Foz do Iguaçu-PR (1, 2 e 3/09/2016) a proposta de realização das eleições no sistema via internet foi novamente apresentada. E foi, novamente, rechaçada!

Dos oito grupos de trabalho nos quais estavam divididos os quase 800 profissionais participantes, apenas em um deles a proposta foi vencedora. E ainda assim, por uma margem muito pequena.


Sendo assim, o Sistema Confea/Crea continua com sua eleição em cédulas (ou nas tradicionais urnas eletrônicas) enquanto que outros conselhos, como o CAU e até mesmo a Enfermagem já adotaram o voto pela Internet. Nosso Conselho, que reúne os profissionais da ciência e tecnologia opta por ficar "na idade da pedra" e fazer valer o ditado popular: "Em casa de ferreiro, espeto de pau".

As desculpas utilizadas pelos que rejeitam a ideia de votação pela internet são de diferentes naturezas, mas a principal delas, vejam só... é justamente "não confiar na tecnologia". Na opinião desses gênios, é possível utilizar a internet para movimentar dinheiro em contas bancárias, fazer todos os registros da sua atividade profissional (via CreaNet) e milhões de outras coisas. Só não pode fazer eleições para presidente de Crea e do Confea!

Não é preciso ser muito inteligente pra desconfiar disso, né não?

Vejamos: cerca de um milhão (UM MILHÃO!) de profissionais registrados nos Creas têm direito a voto no sistema Confea/Crea. Mas, historicamente, no dia da eleição, apenas 10 a 15% deles comparecem às urnas.

A imensa maioria dos profissionais vira as costas para o processo eleitoral porque não se sente suficientemente motivada para largar seus trabalhos ou seus compromissos para ir até a inspetoria mais próxima (que algumas vezes fica a 50 ou 60 km de distância) para exercer o seu direito de eleitor.

Muita gente acha que essa baixa participação enfraquece o sistema e diminui a força dos dirigentes que acabam sendo eleitos. Triste engano! Essa baixa participação eleitoral é o que mais interessa aos que querem se eleger e não prestar contas dos seus atos para ninguém.

Eleições no sistema profissional são muito diferentes das eleições comuns (prefeito, governador, presidente da república...) pois não têm apelo popular, não têm atenção da mídia e não têm repercussão duradoura.

Essas eleições (nos CREAs e no CONFEA) acabam sendo decididas, na maioria das vezes, por conchavos de gabinetes, concessões de vantagens aos cabos eleitorais ("lideranças regionais”) e articulações políticas eleitoreiras. Essa prática só é possível por causa da baixíssima taxa de participação dos profissionais no processo eleitoral.

Os candidatos valorizam não os eleitores mas quem "tem controle sobre os votos" (as chamadas "lideranças regionais" - presidentes de Creas, Conselheiros, Inspetores, presidentes de entidades de classe...) Somente eles, na prática, é que são ouvidos e que têm poder para fazer cobranças.

A perversidade do processo é que, com tão baixa participação, fica muito barato arregimentar correligionários e cooptar adversários, pois, no fim das contas, fica tudo no nível da confraria dominante. Os votos que aparecem nas urnas são todos conhecidos. São votos dos sítios particulares dessa ou daquela "liderança regional".

Quem tiver o controle sobre os "líderes" terá o controle sobre as eleições. É isso que garante a inércia do sistema. O sujeito chega lá e nunca mais sai.

Por isso as "lideranças" se opõem com tanto vigor à eleição pela internet. É óbvio que isso tornaria o voto mais livre e democrático. Muito mais gente votaria. Os votos não estariam mais sob controle de grupos. Seria uma revolução (uma tragédia!) para o statu quo.

Ano que vem tem eleição no sistema Confea/Crea. Novamente, sem o uso da Internet. O resultado já é praticamente conhecido. Haverá uma eventual dança de cadeiras, mas, no fim das contas, os sócios do clube não mudarão.

A única mudança possível no Sistema Confea/Crea tem um nome: eleição pela internet. A vitória dessa ideia em UM dos OITO Grupos de Trabalho deste CNP já me dá alguma esperança.





PADILHA, Ênio. 2016






(Atualizado em 15/04/2020)



A principal dificuldade apresentada pelos defensores do "deixa como está, que não é tão ruim assim" é a de que não existe uma tecnologia boa o suficiente para garantir a segurança das eleições.
Meu Deus! Como assim?
Se existe (há muito tempo) tecnologia boa o suficiente para que possamos fazer movimentações financeiras em tudo quanto é instituição possível (não existe um único banco, no Brasil que não tenha seu internet bank), como assim, não existe tecnologia para uma eleição segura via internet? Existe tecnologia que permite que possamos confiar nosso dinheiro, mas não existe uma em que possamos confiar um voto para presidente de Crea?

E, afinal, somos ou não somos o Conselho Profissional da área tecnológica? Engenheiros da Computação não fazem parte do Sistema Confea/Crea? O que eles têm a dizer sobre isto?

Além do mais, essa explicação traz em si uma "verdade" tenebrosa: somos uma categoria profissional potencialmente desonesta e fraudadora. Será que é isso mesmo?




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