INGLÊS PARA INGLES VER

(Publicado em 06/05/2000)



Ouço um ti-ti-ti que dá como certo que a Secretaria de Educação vai tomar uma atitude séria sobre a questão do ensino de inglês nas escolas públicas de Santa Catarina.

É o seguinte: ao terminar o ensino médio o aluno conclui SETE ANOS de aulas de inglês. Sete anos de investimento do dinheiro público em espaço físico, salário de professores, livros didáticos, etc... E, como sabemos, 99 % dos alunos que concluem o ensino médio na rede pública não consegue pedir um copo d’água em inglês. Não consegue ler nem mesmo um anúncio de revista. Muito menos, escrever um pequeno bilhete.

Em resumo, depois de estudar inglês por sete anos, o aluno não sabe absolutamente nada de inglês. Ou seja: sete anos de dinheiro público jogado no lixo. Uma coisa absurda, que nenhum governo sério pode passar por perto sem prestar atenção.

Um absurdo maior ainda quando se sabe que, em algumas escolas particulares de inglês, com apenas duas aulas por semana, a pessoa aprende a falar, ler e escrever, com razoável fluência, em menos de um ano.

Cabeças poderão rolar. Fala-se inclusive em excluir essa disciplina do currículo, caso este quadro não apresente modificações relevantes. Isto significaria demissão de professores, desativação de salas especiais (laboratórios) e estancamento dessa sangria inútil no bolso dos contribuintes.

Eu, sinceramente, não acredito que se chegue a uma solução tão extrema como esta, principalmente levando-se em conta a real importância do conhecimento de Inglês para o sucesso pessoal e profissional do cidadão em um mundo cada vez mais sem fronteiras.

Mas não deixa de ser importante esta discussão. Afinal, como se diz por aí “dinheiro público não cresce em árvores” e não pode ser usado para financiar atividades que não produzem resultados.

Porém, os professores de inglês, com alguma razão, não irão aceitar, sem reação nenhuma, toda a culpa pelo problema. Haverão de apontar outras causas que contribuem para este fracasso.

Não será possível colocá-los contra a parede nem levá-los para a guilhotina, sem lançar olhares e perguntas para os professores de outras matérias como português, matemática, história, biologia, física, química...

E, quando as luzes forem apontadas para essas disciplinas veremos se os alunos, ao final do ensino médio sabem mesmo escrever corretamente, desenvolveram o hábito da leitura, dominam os rudimentos da matemática, conhecem as leis da física e da química...

Talvez os conhecimentos dessas matérias sejam proporcionais ao conhecimento de Inglês. Apenas a coisa não aparece tanto porque é mais fácil mascarar a ignorância desses assuntos.

Ao contrário do inglês, que está presente no dia-a-dia de todas as pessoas (na informática, nas propagandas, nos termos técnicos em geral...), a física, a química, biologia, história, geografia e até mesmo o português não são tão cobrados no dia-a-dia. Não existe, na sociedade, uma expectativa de performance para o jovem que tenha concluído o ensino médio.

Este assunto precisa, sim, ser discutido amplamente por todos nós. Sem desculpas esfarrapadas, sem saídas pela tangente, sem jogar a culpa na outra parte. As partes (alunos, professores, governo, sociedade...) precisam chegar a um acordo e definir qual é a qualificação (e não apenas a habilitação) desejada para o CIDADÃO que sai da escola pela porta da frente, com um certificado de conclusão do ensino médio.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2000 ---Educação

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