GUGA!!!

[IMG-1001-C]Durante o processo de preparação do meu segundo livro, "Marketing Pessoal & Imagem Pública" resolvi que, além da necessária leitura de livros e artigos sobre o tema eu deveria também entrevistar pessoas que tivessem um desempenho exemplar no quesito "administração da própria imagem pública". Seria um trabalho de entrevistas em profundidade com artistas, intelectuais, empresários, atletas e profissionais liberais, com o objetivo de sedimentar conhecimentos e discutir teses que viriam a se incorporar ao que eu chamo de componente original do livro.

Comecei a preparar uma lista e os nomes foram surgindo. No princípio apenas a Áurea e a Mara me ajudaram nesta tarefa. Depois, quando o projeto tomou corpo e as entrevistas começaram a ser realidade, muita gente passou a dar palpites e sugestões. Algumas dessas sugestões acabaram virando novas entrevistas.

Um dia, em novembro de 1998, visitando a página do tenista catarinense (ou seria brasileiro. Ou, talvez, do mundo...) Gustavo Kuerten, o Guga, tive a idéia de pedir, via e-mail, uma entrevista.

Não tive dúvida. Chamei a Mara Kochella (que foi a produtora do livro) e preparamos um e-mail com o melhor do charme da Mara e do meu vernáculo. Feito, lido e conferido: “ENTER” mandamos bala. No dia seguinte veio a resposta. Abri minha caixa de correspondência e lá estava um e-mail que apresentava como remetente nada mais nada menos do que GUSTAVO KUERTEN. Meu coração quase pulou pela boca. Abri e o texto dizia mais ou menos o seguinte : “Muito obrigado pelo seu e-mail. Aí vai a minha fotografia com a minha assinatura. Um abraço do Guga”.

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Olhei para aquilo e fiquei meio abobalhado, por uns 10 segundos, até “cair a ficha”. Era uma resposta automática enviada por um computador. Eu havia sido vítima da minha própria ingenuidade. Eu era apenas um aprendiz de Marketing Pessoal. Não sabia ainda que uma celebridade internacional como Gustavo Kuerten recebe dois, três mil e-mails por dia, de todas as partes do mundo. Como poderia eu imaginar que ele iria interromper treinos, competições, entrevistas para a imprensa e outros compromissos tão importantes para ler o meu e-mail.

Aquele endereço eletrônico está ali exatamente para que a imensa legião de fãs de todo o Brasil e do mundo possa manifestar seu carinho e sua admiração pelo ídolo.

O projeto voltou então à estaca zero. Até que, uma coincidência muito feliz, fez a coisa andar novamente: foi no dia 21 de dezembro, em Balneário Camboriú. Eu já estava em férias e a nossa casa, na rua 910, fica ao lado de uma grande academia de ginástica. Eu estava chegando em casa, por volta de 16 horas, e as minhas filhas (Ana Clara, 9 anos e Maria Helena, 5) mais um amiguinho (Vinícius, 5 anos), estavam eufóricos: de caneta e papel na mão faziam plantão ao lado de um automóvel Renault cinza com placas de São José dos Pinhais.

Meu sobrinho, Marcos, que morava na casa, havia dito para elas que o carro era do Guga e que ele estava treinando na academia.
Em princípio elas não acreditaram. Depois ficaram em dúvida. Finalmente resolveram fazer uma inspeção no carro e viram que havia uma prancha de surf, muito material esportivo e (tcham-tcham-tcham-tcham...) uma raquete de tênis.
Pronto! Tá confirmado: “é o Guga! E ele vai dar um autógrafo e vai tirar fotografia com a gente”.
Enquanto as crianças (e também alguns adultos) esperavam pela chance de ver o ídolo, tirar fotografia e ganhar um autógrafo, eu, que queria uma entrevista, resolvi não esperar.

Decidido, fui até a academia e procurei pelo Larri Passos, o treinador. Eu sabia que ele era o melhor e o mais seguro caminho para chegar ao atleta.
Larri Passos me atendeu com muita educação (porém sem nenhum entusiasmo). Deve ter pensado: “O que quer esse maluco?”.
Ele olhando pra mim com cara de desconfiado enquanto eu tentava explicar (em um minuto) quem eu era, o que fazia e porque queria uma entrevista exclusiva com o melhor tenista do Brasil e um dos melhores do mundo.

Acho que fui convincente. Ele concordou com a entrevista e marcou para o dia seguinte duas e meia da tarde, na sua própria academia, em Camboriú.

Um sexto sentido me fez propor ao Larri uma coisa que eu não havia pensado antes: que ele próprio também nos concedesse uma entrevista. Ele concordou também.

Eu me sentia como se tivesse ganho na loteria. Voei para casa, com a cabeça a mil. Eram cinco horas da tarde.

As vinte horas que se seguiram foram uma correria sem fim. Tivemos que voltar a Jaraguá do Sul (120 km) para buscar os equipamentos de gravação e a nossa Assessora de Produção, a Mara Kochella. A Áurea foi e voltou dirigindo enquanto eu redigia as perguntas, digitando na agenda eletrônica.

Passamos a noite produzindo as entrevistas. Definindo a abordagem, redigindo as perguntas, testando os equipamentos... Não tínhamos nenhuma experiência com aquilo. Foi uma coisa muito agitada.

No dia seguinte, no horário combinado (na verdade, meia hora antes) A Mara e eu estávamos lá com tudo pronto. A academia que Larri Passos mantém em Camboriú é uma coisa escandalosamente linda. É uma espécie de sítio, longe do centro da cidade, com três quadras de tênis e toda a estrutura necessária para treinamento profissional de atletas internacionais.

Gustavo Kuerten e Larri Passos chegaram com pontualidade britânica. Outros tenistas estavam juntos. Haveria uma seção de treinos. Fomos todos apresentados e depois fomos para o escritório do Larri entrevistar o campeão Gustavo Kuerten.

A entrevista com o Guga confirmou tudo o que já se sabia sobre ele: brilhante, esperto, bem-humorado e consciente do que ele representa para o tênis e para a sua imensa torcida. Gustavo Kuerten é uma permanente lição de humildade, serenidade e consciência.

Mas a entrevista seguinte, com o Larri Passos, foi uma verdadeira aula de autoconfiança, perseverança e dinamismo. Descobrimos que ser treinador de atletas jovens, além de muito conhecimento técnico, exige carisma e muita disposição. Larri é uma pessoa muito culta e muito preparada. Na vida dele as coisas não acontecem por acaso. O seu sucesso é resultado de uma estratégia brilhante, sustentada por muito conhecimento e muita disciplina.

Saímos da academia do Larri com a alma leve. Estava dada a partida para o livro. E eu estava começando a entender as diferenças entre celebridades e pessoas comuns

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(artigo_ep)




A foto que ilustra este artigo é da Agência Reuters e foi tirada hoje, 25/05/2008 ao final da última partida de Gustavo Kuerten como profissional, em Roland Garros. Guga recebeu de presente um pedaço da quadra que o consagrou.

A charge apresentada no meio do artigo é do meu grande amigo, Arquiteto Zito Ferreira e faz parte do conjunto de ilustrações do livro "Marketing Pessoal & Imagem Pública"

Comentário #1 — 26/05/2008 15:09

Afranio Rodrigo Guimarâes — Comerciante/Estudande — Divinópolis-MG

Enio,ler o seu e-mail semanal tem sido muito agradavel e de grande valia para mim, estou no primeiro periodo de engenharia e atravez deles tem adquirido muito conhecimento.
Muito obrigado.

Comentário #2 — 26/05/2008 16:16

Ênio Padilha — Engenheiro — Brasília - DF

Afrânio
Agradeço sua manifestação e garanto: os estudantes de engenharia constituem o meu público-alvo favorito. Fico muito feliz em ser útil a essa moçada que vai recolocar a Engenharia Brasileira no lugar de onde ela nunca deveria ter saído: o topo!

Quanto ao Guga. Um gênio. Na minha opinião, o maior ídolo do esporte brasileiro de todos os tempos (pra mim, supera Pelé e Ayrton Senna com sobras). Ele e o Larri são exemplos a serem seguidos por todos os jovens.

Comentário #3 — 26/05/2008 16:29

Ênio Padilha — Engenheiro — Brasília - DF

Em 2004, quando os problemas físicos começaram a atormentar Guga e ele começou a perder partidas e títulos, Boris Casoy fez um comentário infeliz num editorial de telejornal. Ele disse "com essas derrotas sucessivas Guga está destruindo toda a carreira brilhante que construiu."

Boris Casoy, evidentemente, estava errado. Guga poderia ficar jogando (e perdendo) por mais dez anos, que nunca destruiria a imagem fantástica que conquistou no coração de todos os brasileiros.

Aliás, no coração dos franceses também. Ontem o que se viu foi um espetáculo realmente emocionante. Um brasileiro jogando uma primeira rodada de Grand Slam com quadra lotada (o que é raro).
O jogo foi na França. O adversário era francês.
E a torcida... 100% Guga. Dá pra acreditar?

Será uma pena não vê-lo mais nas quadras!

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