ATENÇÃO ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO!

O berreiro está grande. Reitorias estão sendo invadidas, abaixo assinados estão sendo feitos, DCEs estão se mobilizando, enfim: a caça às bruxas e a distribuição de culpas está em curso.

Tudo isso porque o Ministério da Educação publicou nesta semana o IGC - Índice Geral de Cursos da Instituição que é um indicador da qualidade das Universidades Brasileiras.

Naturalmente alguns ficaram bem felizes, mas muita gente ficou injuriada, indignada e revoltada. Porque os números estão mostrando o que muita gente nunca quis ver: ensino superior não é fast food que pode ser vendido em qualquer esquina. É preciso muito cuidado com esse produto.
Gestores de Instituições de Ensino Superior merecem ser muito respeitados, mas devem ser também cobrados e responsabilizados, pois suas ações (ou omissões) resultam em investimentos pessoais de grande monta para muita gente (sem contar o valor estratégico que isto tem para o país).

Neste momento em que as escolas de engenharia voltaram a ser destino interessante e objeto de desejo para estudantes de ensino médio é importante que essas questões e esses indicadores de qualidade e desempenho sejam avaliados com cuidado.

Antes de decidir sobre a universidade em que irá tentar o vestibular o estudante (e seus pais também, por que não?) devem fazer algumas perguntas e observar alguns "detalhes" sobre a escola e principalmente sobre o tipo de estudante que ela acolhe.

1) Ao ingressar na faculdade os alunos têm qualidades intelectuais compatíveis com a atividade universitária? Sabem ler? sabem escrever? dominam os fundamentos da matemática? sabem inglês? têm cultura geral?

2) Os alunos ingressantes lêem pelo menos 10 livros por ano?

3) Os alunos têm tempo pra estudar? dão prioridade aos estudos? aceitam tarefas que exigem disponibilidade para leituras em profundidade e pesquisas que vão além do Google? Ou estão sempre se protegendo atrás da desculpa de que trabalham e não têm tempo pra nada mais?

4) A biblioteca da escola é completa? tem as obras clássicas de cada área? tem espaços para estudos individuais? salas para estudos em grupo?

5) Os murais da escola anunciam cursos, seminários, congressos, concursos científicos e culturais... ou apenas as festas, bailes e baladas? Os murais da escola apontam para o futuro ou para o próximo fim de semana?

6) As aulas começam no horário regulamentar? E, mais importante: terminam no horário regulamentar? ou sempre terminam 20, 30 e até 40 minutos antes, porque
os alunos têm outros compromissos?

7) Quando um professor cobra com maior rigor, exige leitura ou aplica provas rigorosas que resultam em reprovação de um maior número de alunos o que acontece? Existe movimentação dos alunos para que ele seja substituído? Como a coordenação do curso lida com esse tipo de situação? Qual é a posição da direção da escola?

8) A escola tem uma livraria/revistaria? Se tiver, que tipo de livros são vendidos? best selers da lista de mais vendidos da Revista Veja? livros de auto-ajuda? livros populares de autores idem? revistas populares, dessas que se encontra em gôndolas de supermercados?

9) Que tipo de discussão acadêmica a escola estimula? Que nível de discussão é promovida? qual seria o público para um seminário sobre, por exemplo, "O Acelerador de Partículas LHC" programado para um sábado pela manhã?

10) No final do curso o formando se destaca do calouro pelo vocabulário, pela habilidade intelectual ou pela cultura geral demonstrada na abordagem das questões do dia-a-dia? O formando tem um porte intelectual que o permite ler os livros, revistas, artigos acadêmicos/científicos que a maioria das pessoas não consegue ler (entender)? Os trabalhos acadêmicos dos formandos são, de fato, mais consistentes, criativos e relevantes que os elaborados pelos alunos das fases iniciais?

Quem refletir sobre essas questões talvez chegue à mesma conclusão que eu: a qualidade de uma universidade depende fortemente do nível dos seus alunos. Alunos com alto nível forçam um rendimento superior dos professores e da direção. A recíproca, infelizmente, não é verdadeira.

Os números do IGC apenas acenderam luzes sobre esta realidade.
Estudantes do ensino médio que pretendem fazer Engenharia, Arquitetura ou Agronomia devem ficar atentos ao tipo de colegas de faculdade que encontrarão. Eles são os principais indicadores da qualidade de uma universidade.

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Comentário #1 — 13/09/2008 15:36

Ana Mello — Arquiteta — Niterói

Procedente, a colocação em relação aos alunos, mas gostaria de alertar para a questão dos professores, no caso das Universidades Públicas, são cobrados, cursos de Pós, Mestrados, etc... Porém percebo um distanciamento do mundo acadêmico do mercado de trabalho, cerca de 30 anos atrás, os melhores profissionais, estavam de alguma forma ligados as Universidades, isso não acontece hoje, essa dissociação causa distorções entre o que se aprende e o que se é realmente necessário.
Tenho uma filha fazendo Arquitetura numa Universidade Pública renomada, como ela veio de uma instituição particular de exelência, não consegue se adaptar com a falta de estímulo dos professores, reclama que não cumprem Horários, não respeitam os alunos e que não se interessam com resultados, estam ali na maioria por conta de sua estabilidade econômica. O Investimento para que ela estivesse ali não encontra retorno.
Uma Pena, vejo com muita tristeza sua frustração.
Ana Mello Arquiteta (Niterói-RJ)

Comentário #2 — 15/09/2008 11:07

Sandro Alencar Fernandes — Analista de Sistemas — Rio do Sul

Grande Ênio.

Muito bem colocado o texto e também os comentários de Ana Mello.
Essa distância entre o mundo universitário e o mercado é também um fator que inibe o crescimento do país, da mão-de-obra e muito mais.
Infelizmente as instituições de ensino estão cheias de alunos querendo mamata e professores dispostos a dar o que eles querem e não o que o mercado solicita.
Abraços.

Comentário #3 — 15/09/2008 14:17

Antônio Ananias Ripardo Filho — Engenheiro Civil Administrador de Empresa — Fortaleza Ceará

Prezado Ênio.
Acho fundamental o interesse do proprio aluno, visando reduzir a distância entre recem formado e o mercado de trabalho. Todavia os professores geralmente procuram colaborar com os futuros profissionais interessados em dominar determinados assuntos. O proprio sistema atual brasileiro, que não valoriza os profissional, é quem possue a maior fatia do bolo dessa desmotivação, reforçado pela falta de estágio em áreas específicas.
Atenciosamente,

Comentário #4 — 23/09/2008 15:09

Maristela Macedo Poleza — estudante — Rio do Sul

Minha filha que faz o terceirão e cursinho em Curitiba me disse outro dia que "todos" os seus professores tem Mestrado. Penso que resida aí muito do seu crescente encantamento pelos estudos. Manter e cobrar professores atualizados didaticamente, significa um custo que muitas "Uni Esquinas" não se planejam a ter.

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