Engenheiro, Professor e Autor de livros
sobre Gestão de Carreira e Administração de Escritórios
na Arquitetura e Engenharia
FORD - MODELO T
(Lançado em 01/OUT/1908)



Notas de "Autor Convidado"

01/10/2014

QUANDO DINHEIRO É O PROBLEMA
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Joana ligou para marcar a visita. A voz um pouco trêmula e sem jeito, denunciava sua timidez. Tinha encontrado o nome e o telefone do nosso escritório na internet e estava ali, armada de coragem, para realizar o grande sonho da sua vida: ter uma casa “dividida” por um arquiteto.

Ao nos conhecermos, sua história foi-se desdobrando em pequenos detalhes. Era cozinheira de forno e fogão e, durante anos, a custa de sacrifícios, amealhou um pezinho de meia, pequeno, mas suficiente para construir a casa própria. Sabia que não tinha muito dinheiro. Nem pensava que um arquiteto pudesse elaborar um projeto completo, desde a estrutura, passando pelas instalações até a criação de ambientes de interiores. Queria, apenas, ter uma casa onde as circulações, as ventilações e os acessos fossem “bem pensados,” para que assim, obtivesse um espaço adequado ao distribuir os móveis e conseqüentemente abrigar melhor sua família. Quanto ao acabamento, colecionava suas idéias, e realmente não estava muito preocupada com isso.

Joana tinha discernimento para compreender que apenas um profissional especializado seria capaz de dotar sua casa com espaços bem distribuidos, abrindo passagens, colocando portas e janelas nos lugares certos e valorizando cada centímetro daquele universo. O objetivo era amplidão, conforto e boa funcionalidade. O arquiteto conhece os segredos de um projeto da iluminação e sabe aproveitar luz e ventilação naturais, criando espaços mais econômicos e saudáveis, apesar, é claro, de nem sempre ser possível realizar o projeto ideal.

A história de Joana é verdadeira, embora rara. Era uma pessoa de classe sócio-econômica baixa, mas com um nível de consciência e informação que poucos de uma classe mais elevada têm. Esse caso serve muito bem para derrubar o mito que cerca o arquiteto: o de que é um profissional muito caro e inacessível ao assalariado.

Um homem de classe média, desenvolve fantasias sobre o trabalho do arquiteto, imaginando que apenas milionários podem se dar ao prazer de cercar-se de sofisticação e elegância. Ele gostaria muito de ver sua casa projetada por um profissional, mas pensa assustado: “Vai ficar muito caro. Não tenho dinheiro para realizar este sonho. Isso não é para mim”.

Essa idéia do “não mereço”, “isso é privilégio de ricos e famosos”, ou “não tenho dinheiro para tanto” está enraizada na nossa cultura. Embora as revistas especializadas em arquitetura e design de interiores estejam se popularizando, com sugestões para arrumar a casa sem gastar muito, mesmo assim reforçam, ainda hoje, a idéia da valorização do projeto como artigo de luxo, disponível, apenas, à minoria endinheirada. Por mais que apresentem soluções mais econômicas, elas vêm ladeadas de fotografias de espaços espetaculares, no sentido exato da palavra.

Mansões imponentes com jardins paradisíacos, salas com recantos de luxo, banheiros cinematográficos, circuitos automatizados, cozinhas projetadas com eletrodomésticos de última geração e revestidas de materiais importados, móveis e objetos de colecionadores e antiquários, tudo isso contribuiu para que a idéia de projeto de arquitetura passasse para o imaginário popular como objeto de consumo da alta classe média, no mínimo. Esse pensamento é reforçado, ainda mais, pelos cenários exibidos nas novelas e em outros programas de televisão.

Dar personalidade a um canto sem graça, criar um espaço mais aconchegante que torne prazeroso voltar para casa, nem sempre representa um rombo no cofre do cliente. Há diversos níveis de detalhamento de um projeto. Antes de pensar nos acabamentos, deveríamos fazer como Joana, dar importância em primeiro lugar à distribuição do espaço. Do mais exíguo ao mais amplo. Depois pensaremos nos revestimentos com níveis variados de detalhamento. É possível tornar um ambiente extremamente agradável quando se explora pequenos detalhes construtivos na elaboração de um projeto. Materiais mais econômicos com a criatividade do profissional podem trazer resultados bastante surpreendentes.

Grande maioria da população, volto a repetir, acha que não precisa de arquiteto para construir ou reformar sua casa. “Ora, é tão simples! A gente mora debaixo de um teto. Todo mundo sabe que quatro pilares seguram quatro paredes e um teto. Pronto. Pra que arquiteto?” Lamentavelmente é esse o pensamento da sociedade em que vivemos.

Afinal, para que chamar um arquiteto?

Leia a segunda parte do Artigo

30/09/2014

IGREJA NOSSA SRA. AUXILIADORA, LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





A capela Nossa Sra Auxiliadora, hoje paróquia, nasceu do empenho de senhoras que por volta de 1936, realizavam a catequese para as crianças da comunidade da Roseta, atual bairro Progresso. Por mais de 75 anos é realizada a tradicional festa em sua homenagem, antecedendo a festa do Santo Antonio dos Anjos, onde os devotos da santa se reúnem e organizam eventos musicais, barracas de comida tradicional, novenas e procissões. Todos os dias a caminho da faculdade passo pela frente da igreja e me pergunto se a intenção do projeto foi fazer a fachada se assemelhar a um chapéu de freira ou se foi apenas uma mera coincidência. Mas no fim ela acabou se tornando uma identidade pro bairro Progresso, os moradores irão levá-la para sempre em sua memória. Com muito orgulho.




IGREJA NOSSA SRA. AUXILIADORA, LAGUNA-SC





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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29/09/2014

OS ÓRFÃOS DA UTOPIA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Sou da geração que teve sua juventude toda vivida em plena ditadura. Medo, falta de informações, muitas mentiras e construções forçadas de sonhos mirabolantes foram a matéria prima de nossa formação. Some-se a isso o fato de ser evangélico, numa época em que a igreja evangélica era um dos suportes do regime, com sua teologia de obediência cega às autoridades e da espiritualização de todo sonho de justiça ou igualdade. E isso numa época em que o poder da igreja sobre a consciência dos fiéis era muito maior do que é hoje.

Porém, na faculdade conheci e participei de um grupo que discutia uma nova (nova para nós) forma de interpretar a Bíblia, descobrindo nela a justificativa de se participar na vida cotidiana, política e socialmente, como parte integrante do Reino de Deus e do desafio deixado por Cristo para os seus seguidores. Dessa rica discussão na época brotaram as idéias e justificativas para a militância que surgiria daí. Imbuídos da utopia gerada pelo evangelho partimos para as formas concretas de sua aplicação. Muitos se engajaram na política partidária, outros intelectualmente produzindo material e idéias para a construção da nova sociedade que estava surgindo, outros continuaram sua militância religiosa com essa nova perspectiva.

Porém, se não todos, a grande maioria viu no PT, surgindo nessa época, a possibilidade concreta de se chegar o mais próximo possível daquilo que, inspirados na utopia gerada pelo evangelho de Cristo, seria o nosso ideal de sociedade. Primeiro pela forma como surgiu, das bases e não de cima para baixo, segundo pelos princípios que defendia e também pela grande participação popular que o sustentava.

Foi uma luta aguerrida até à possibilidade real de se chegar ao poder.Campanhas sórdidas de mentiras e difamações contra o candidato e o partido foram montadas, até que não foi possível mais segurar e o PT chegou ao poder. Estava tudo pronto para a concretização da utopia sonhada. E foi aí mesmo que começaram a surgir os problemas. Constatou-se a dificuldade de promover mudanças, num estado democrático, com tantas forças atuando contra. Então para se conseguir fazer alguma coisa desenvolveu-se o conceito da necessidade da governabilidade. O que poderia ser negociado para que se conseguisse concretizar algumas das propostas originais? Algumas alianças foram celebradas, alguns acordos foram feitos, alguns inimigos passaram a ser amigos, alguns amigos mais intransigentes passaram a ser inimigos, algumas propostas puderam ser implantadas e a utopia foi assassinada. E pouco a pouco foi acontecendo a inversão dos conceitos. Abria-se mão de alguns princípios para que fosse possível, na prática, implantar aqueles princípios que se abriu mão. Deu para entender? A luta pela sociedade justa, utopia final de todo o esforço, foi usada como moeda de troca para se chegar e se manter no poder, que deveria ser apenas o instrumento da utopia. O fim passou a ser o meio e o meio o fim.

Aqueles que preservavam os ideais iniciais ficaram, até por falta de opção, como o velho cavalo Napoleão do livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell: não questionavam nada, apenas trabalhavam, não querendo colocar em dúvida (ou encarar a realidade) os rumos que a revolução tomara.

Não podemos negar que muito foi feito, grandes mudanças aconteceram. Talvez não tudo que esperávamos ou do jeito que gostaríamos, mas que houveram mudanças, e para melhor, houveram. Ao mesmo tempo começamos a descobrir que as práticas que condenávamos nos outros, antes, continuavam presentes só que agora em nosso meio. Parece que havia, implicitamente, uma orientação tipo: estamos fazendo mais do que todos já fizeram antes, fechem os olhos para as demais coisas... Como se os acertos fossem indultos para os erros. E ai de quem discordasse.

Muitos daqueles idealistas trocaram a fidelidade aos ideais pela fidelidade partidária. Não se admitem os erros do partido, não se admitem críticas, não se aceitam propostas novas.

Surge então Marina Silva, catalisando a decepção de muitos, as esperanças de todos, uma luz no fim do túnel. Logo, é claro, surgem as críticas, a caça aos defeitos e pontos negros de sua pessoa ou biografia. Dentro de limites racionais isso é até aceitável. Mas o que estão fazendo com ela é de uma crueldade e de uma desumanidade sem fim. Se trocássemos o nome Marina por Lula, o tempo atual por alguns anos atrás, estaríamos vendo a reedição de tudo o que ele passou, todas as mentiras, calúnias e infâmias que centraram nele. Só que agora é o PT fazendo contra seu adversário. A história se repete ou a reeditamos porque não aprendemos nada dela?

Marina vai conseguir governar? Vai dar certo? Será diferente? Sinceramente, não sei. É uma dúvida. Espero que sim, mas não posso ter certeza. Mas no momento em que estamos, a dúvida é sinal de esperança, porque os demais são certezas. E são certezas do que não queremos. Prefiro arriscar na esperança.

Buscam mal feitos em sua vida, dos seus correligionários, amigos, parentes, nas entrelinhas de seus discursos, como se um pequeno deslize destruísse toda sua carreira de boa vontade e coerência. O que antes era virtude hoje passa a ser pecado. Mas para a enxurrada de denúncias de corrupção, os diversos presos por roubo, antes ligados proximamente ao poder, com esses temos que ter condescendência, não representam o partido, ninguém sabia de nada, corrupção existe em todos os lugares, rouba mas faz... e por aí vão as justificativas.

Desde sua fundação sempre votei no PT, me considerava petista, não pelo partido, mas pela utopia que eu alimentava e sentia projetada nele.

Meus ideais não mudaram, meus sonhos continuam os mesmos, porque meu Cristo continua o mesmo, mas sinceramente não consigo mais, como uma peça errada de quebra cabeças, encaixar minha utopia na prática desse partido.

Resumindo, sinto que ainda sou petista. Infelizmente o PT não.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

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26/09/2014

UM MUNDO MELHOR
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Há alguns anos surgiu, de um anúncio de bebidas, o conceito do efeito Orloff. A referência se devia ao consumidor daquela específica marca de vodca deparar-se com sua imagem no dia seguinte sem aparentar os devastadores efeitos do consumo alcoólico de baixa qualidade dizendo a si mesmo: “eu sou você amanhã”.

O “Efeito Orloff”, aplicado pelos papos de botequim e jornalismo econômico aos países em desenvolvimento mostrando que a crise de uma nação seria da outra no futuro, foi sucesso de crítica nos anos 80 e 90 e volta a cena quando o assunto é trânsito.

São Paulo enfrenta hoje gravíssimos problemas de tráfego de veículos, numa situação considerada surrealista por cidadãos de outras metrópoles brasileiras que, exclusivamente por sua diferença de tamanho, ainda não se conscientizaram da aplicação do “Efeito Orloff” à medida que suas frotas de veículos crescem em ritmo igual ou superior ao paulistano.

Na mídia florescem soluções radicais, milagrosas ou estapafúrdias com um único ponto em comum, a vocação para o fracasso se tomadas isoladamente, pois ignoram um princípio simples da humanidade, a relação custo benefício, acreditando numa máxima da educação infantil arcaica, a proibição pura e simples.

Ora num país em que sua população já deixou claro que a legislação sem sentido é ignorada, que as autoridades não tem força moral ou operacional para aplicar a legislação existente e os governos preocupam-se mais com o resultado das urnas do que com a segurança e o bem estar dos cidadãos, é de se esperar que o futuro seja um grande engarrafamento.

A solução do trânsito paulistano e, conseqüentemente, brasileiro não será simples, mas seu princípio é claro, o transporte individual com um automóvel tem de custar caro o suficiente para que as pessoas optem pelo transporte público.

Devemos então tomar um conjunto de medidas que, juntas. produzirão esta mudança cultural. Medidas como: Priorizar a qualidade e a quantidade do transporte público; proibir o estacionamento no leito carroçável de ruas praças e avenidas; exigir de edifícios e estabelecimentos comerciais áreas disponíveis para caçambas de entulho; levar a Zonal Azul do leito carroçável para terrenos especialmente criados para estacionamento; proibir o tráfego de veículos de carga no horário de rush; restringir operações de descarga ao período noturno; extinguir o rodízio e criar o pedágio urbano; implementar a inspeção veicular anual completa (segurança e ambiental); retirar de circulação em caráter permanente carros velhos e sem condições mínimas de segurança e fiscalizar com rigor o pagamento de tributos, licenças e multas apreendendo os veículos irregulares.

Para completar, o governo federal deve deixar a política eleitoreira fora dos corredores da Petrobrás e aumentar o preço da gasolina, pois o maior inibidor dos deslocamentos supérfluos é custo do quilômetro rodado.

A Lei Cidade Limpa do prefeito Gilberto Kassab mostrou que a população pode até reclamar na implantação de medidas duras e drásticas, porém é madura o suficiente para perceber, reconhecer e agradecer as melhorias geradas.

Enfim, aos motoristas brasileiros que insistirem em usar o carro, fica o recado da Daslu: “Existe sim um mundo melhor, porém é caríssimo”.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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25/09/2014

CANDANGOS - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





A escultura Os Guerreiros, mais conhecida como Os Candangos, está localizada na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Erguida em 1959, a escultura de Bruno Giorgi é uma homenagem aos 80 mil trabalhadores responsáveis pela construção da capital. A obra mede oito metros de altura e é toda feita em bronze. Em 1987, foi restaurada pelo artista Zeno Zani.



CANDANGOS - BRASÍLIA-DF




(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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24/09/2014

EXIGÊNCIAS DA RAINHA DO LAR
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






A casa era o mundo de Lúcia. À frente desse universo, ela comandava a rotina dos filhos, netos, marido, organizando o cotidiano e os encontros familiares. Os eventos em torno dos quais aquele grupo se construía, eram elaborados por ela, com suas festas tradicionais, almoços de domingo, encontro de amigos e recepções profissionais.

A construção da casa foi uma “loucura”! Refazer essa rotina, rigorosamente administrada por ela, causou uma pequena revolução em sua vida. Nada poderia ser aprovado sem que Lúcia pusesse sua marca, interferindo em cada linha do projeto.

As mulheres são muito mais complicadas que os homens. Posso falar à vontade, porque também sou mulher. É preciso reconhecer que somos menos objetivas que os homens. A emotividade, a sensibilidade à flor da pele e a instabilidade de humor fazem parte da nossa constituição. Somos menos diretas, mais atingidas por variações hormonais, mais difusas em nossos desejos, o que nos favorece por sermos bem mais acessíveis e receptivas ao diferente e ao novo.

Ainda hoje, há uma concepção arraigada em nossa cultura sobre a posição da mulher como rainha do lar.

Mesmo quando se desfraldam bandeiras feministas, sabemos que por trás do desejo de independência há a inconsciente vontade de que o homem pague a conta, abra a porta do carro e seja o porto seguro do relacionamento! Ou não?

Mesmo as mulheres que ocupam um lugar de grande importância no campo profissional, não trocaram o trabalho do lar pela carreira, mas sim, acumularam funções. Observo que as mulheres, ainda que independentes financeira e intelectualmente, na convivência com seus cônjuges agem de forma inteligente ao delegar aos seus maridos o direito de lhes nomearem Rainhas do Lar. O homem é a cabeça do casal. A mulher é o pescoço: vira a cabeça para onde quiser.

A casa é, na maioria das vezes, um espaço feminino. A mulher está ligada ao papel de cuidadora e protetora: dos filhos, do marido, dos pais. É ela quem vai gerar crianças e dar continuidade à família. Portanto, cabe a ela permanecer na casa para alimentar e proteger o grupo, exercendo suas prerrogativas para resguardar as conquistas do marido, permitindo que ele se lance sossegadamente, ao front da luta pela sobrevivência.

Ela precisa alimentar os filhos. Então, a cozinha deve ser um espaço onde possa cumprir, com conforto, suas obrigações de prover a alimentação do grupo. Ela precisa oferecer ao cônjuge um bom descanso para o trabalho cotidiano, então o quarto deve ser um espaço extremamente confortável em todos os seus detalhes.

Ela presta atenção no bem estar de seus filhos para melhor rendimento na escola, elaborando espaços adequados para cada um. Ela precisa saber receber bem - tarefa importante ao crescimento profissional do companheiro e dela própria - então a área social deve ter as características essenciais para que ela possa acolher com carinho e bom gosto os parceiros, sócios e amigos do casal.

Um homem solteiro, uma mulher solteira espera, em geral, que uma casa funcione. Precisam de um banheiro bem construído, uma cozinha estruturada e prática, poucos objetos e móveis. Não têm muito tempo para ocupar aquele espaço. Sua vida se desenvolve e se realiza do lado de fora, no trabalho, nos espaços sociais e comunitários, nos restaurantes, bares, clubes, academias. A casa deve funcionar como instalação comercial, onde eles irão executar algumas atividades. E ponto final. O projeto elaborado para qualquer um deles tem uma linha uniforme e homogênea, que resulta em um trabalho executado com maior rapidez e eficiência.

A Rainha do Lar, não. A Rainha do Lar junta emoções demais. Ela é a depositária de um universo de lembranças que vão dar unidade e solidez àquela família. É a guardiã dos fatos que costuraram a história daquele grupo. Fica difícil pensar com objetividade.

Seu temperamento a leva a acumular mágoas, rancores, ressentimentos. Mas, também, alegrias, vivências gostosas, saudades de quando as crianças eram pequenas. Ela guarda fotografias, cadernos de escola, boletins dos filhos, desenhos dos netos, bilhetes do marido, rosas secas em diários de juventude. Tem mais roupas, mais sapatos, mais objetos, mais frascos de perfume. Tem necessidade de comprar mais lençóis, toalhas de mesa, conjuntos de banho, pratarias e um arsenal de pequenos aparelhos do dia-a-dia. Precisa cercar-se de mil objetos para ter certeza que a casa irá funcionar com perfeição. Não se desliga nunca.

Em determinados projetos somos obrigados a interferir no apego aos objetos que as pessoas têm. Os espaços são realmente pequenos e o arquiteto precisa ponderar sobre a limpeza que seus clientes deverão fazer nessa nova moradia, agora exígua e diferente da que estavam acostumados. Jogar fora as roupas em desuso e as máquinas obsoletas é fundamental. Acredito que seja necessário aproveitar o momento do novo projeto da casa, para mudar de hábitos uma vez que o mundo exige uma constante renovação.

Algumas vezes fui chamada para promover ou orientar um “esvaziamento” nas casas de clientes que não sabiam se desvencilhar de determinados objetos. E aí se sentiam menos culpados por atos perdulários, como se fosse algum absurdo livrar-se de um vestido modelo marinheiro guardado em um baú cheio de naftalina, quando nem filhas existiam naquela casa...

A lista de inutilidades é enorme: panelas de pressão com válvulas danificadas, caixas de sapato sem sapato dentro, talheres entortados pelo Uri Geller, enceradeira e escovão, flores de plástico que, de tão velhas, murcharam... Cristais quebrados e colados com Araldite, tampas de caneta Bic mordidas, livros didáticos do tempo em que não existiam antibióticos, óculos com lentes de um grau de miopia desatualizado, sem falar nas inúmeras marcas de aparelhos de barbear sem lâminas adequadas, e os descartáveis de clientes, hoje grisalhos, com restos de cabelo quando ainda eram pretos! E por aí vai. Também me incluo: só há bem pouco tempo consegui me livrar da minha coleção de calendários presenteados nos finais de ano pelas oficinas mecânicas. Foi dramático.

O homem percebe que a mesa está posta, e o banheiro em completa ordem, com as toalhas penduradas. A mulher se desespera com a possibilidade de “faltar” toalhas de linho bordado para enfeitar a mesa em um dia de festa. Por isso, ao imaginar a casa ideal, a mulher pensa em guarda-roupas cinematográficos, guarda-louças espaçosos, armários bem projetados, recantos e aparadores para seus objetos. Cada detalhe é discutido, debatido, defendido com veemência. Ponto a ponto, ela tece o espaço em que viverá cercada de histórias por todos os lados.

O que torna ainda mais difícil a elaboração de um projeto, no qual a mulher se insere com o poder da palavra final, é a competitividade latente, muitas vezes imperceptível com facilidade. Se a vizinha tiver construído uma piscina com 15 metros de extensão, provavelmente nossa cliente não vai descansar enquanto o arquiteto não projetar, para ela, uma outra de, pelo menos, 16 metros, nem que tenha apenas uma raia.

Para a Rainha do Lar, muitas vezes é difícil entender o trabalho do profissional e conceder-lhe autonomia para criar um projeto. Afinal, o arquiteto está “invadindo” sua privacidade, o mundo em que vive a história de sua família. É um intruso dizendo como ela deve viver, onde deve guardar seus afetos, como caminhar no seu habitat. “Quem ele pensa que é?”. Quando a presença do profissional a deixa insegura, a casa, literalmente, cai. Ela defende suas idéias com unhas e dentes, dá palpites e, muitas vezes, reage com irritação quando sente que sua autoridade foi ameaçada. As brigas com o marido começam a se repetir e acabam fragilizando o relacionamento.

Júlia, por exemplo, fazia o tipo “dona da verdade”. Cada detalhe na construção da casa dava lugar a sofrimentos indescritíveis para Roberto, levando-o a arrepender-se, amargamente, de ter iniciado um projeto que não conseguia levar adiante. As mágoas se acumulavam e a temperatura esquentava quando, por qualquer divergência, Júlia ameaçava não querer mais morar em um ambiente sobre o qual “não podia falar nada!”.

O que deveria ser um prazer, uma “grande curtição”, a realização do sonho comum, quase se transformou em tragédia. Quando chamaram o arquiteto, mal conseguiam falar um com o outro, dissimulando, com dificuldade, a irritação e o ressentimento.
Durante a entrevista, Roberto não permitia que Júlia falasse, cortando-a com um seco “deixa a arquiteta dar sua opinião. Ela é quem sabe como deve ser feito!”

Intima e depois externamente, a raiva explodiu. Júlia acusou o marido de humilhá-la diante de terceiros, e, horror dos horrores, de outra mulher: “Você disse, na frente dela, que eu não entendo nada!”.

Harmonizar o casal, ajustar seus desejos sem ferir suscetibilidades, compreender as necessidades de Júlia e Roberto é tarefa que exige cautela e muito, muito respeito.
É um “pisar em ovos” sem-fim. Às vezes a mulher recorre à arquiteta, independentemente do marido, fazendo sugestões e pedindo alterações no projeto, sem comunicar nada a ele. Há que se ter habilidade para conduzir as negociações.

De um modo geral, o arquiteto consegue amenizar confrontos, e os resultados são ótimos. Mesmo que o profissional sofra, ele está ali para resolver aquele problema. Nem sempre consegue, é verdade. Nesse caso, não lhe resta muita saída a não ser abandonar o trabalho. São os ossos do ofício.

Acredito que o arquiteto possa catalisar um processo já iniciado pelo casal, a separação, e vice–versa, também é capaz de fazer reatar um relacionamento, porém, já previamente dispostos a uma nova aproximação amorosa, é claro. Temos que lançar mão de certa psicologia em nossa profissão, mas, cuidado, não somos psicólogos.

O arquiteto é o intermediário de novas possibilidades de vida com um projeto de uma casa ou de um espaço que venha de alguma forma a beneficiar o casal. Há quem diga que quando a construção termina o casamento também termina... Como se a construção fosse um agente estimulador de cada dia para os relacionamentos enfraquecidos, e quando isso acaba, desfazem-se também os laços do casal. É possível.

Posicionar-se entre os dois, como um canal de comunicação capaz de veicular suas falas, sem ruídos e interrupções, é a política mais sensata. Só assim, dando voz às expectativas de cada um, percebendo os espaços a serem ocupados pela mulher e pelo homem, diluindo suas divergências e somando entendimentos, é que o projeto caminha e poderá ser executado de forma bem sucedida.





DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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23/09/2014

UMA SORVETERIA NO MEIO DA HISTÓRIA, LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Bravamente inserida no meio de duas edificações de linguagem déco e eclética, no centro histórico de Laguna, a pequena sorveteria surge timidamente num gesto singelo de coragem e ousadia. Ela aparece como se fosse uma flôr no deserto ou um gesto de amor em meio a guerra. O casal de senhores que ali trabalham, sempre simples e humildes, mostram o amor que tem pela profissão que exercem e a gratidão que tem pelo seus clientes. A nostalgia me invade quando eu passo por ali, pois lembro que quando pequeno eu fazia questão de puxar meu pai para tomar um sorvete naquele lugar pequeno e aconchegante, talvez inocência de uma criança. São esses pequenos lugares que se destacam numa cidade e que fazem a diferença ao existirem. Aos olhos atentos, a cidade se abre como um nascer do sol."




UMA SORVETERIA NO MEIO DA HISTÓRIA, LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Belíssimo desenho. E mais bonita ainda a contextualização.
Parabéns Fernando. Show!

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22/09/2014

EDUCAÇÃO E CULTURA - PARTE II
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Na semana passada comentamos sobre a necessidade de investimento na educação formal: escola, professores, salários, infraestrutura, equipamentos, etc.

Hoje gostaria de discorrer um pouco sobre a complementação desse assunto. A educação formal é muito importante, essencial para o desenvolvimento do país, mas creio que para construirmos uma sociedade mais justa, honesta, solidária, apenas o acúmulo de saber não é suficiente. Precisamos ter valores éticos, formação moral, cidadania. e nisso a escola tem influência, mas muito pequena. A eficiência da escola em moldar consciências é muito pequena. O poder maior está na família. Esses valores são valores de formação, obtidos pelo exemplo e inculcados na fase de formação da personalidade. E notem bem: apesar de parecer, isto não é um discurso moralista, piegas, conservador. Vou me explicar melhor.

Quando falamos de um sujeito honesto, justo, sentimos um certo desconforto. Vêm-nos à mente um sujeito dócil, careta, antiquado. Isso porque temos a concepção individualista desses conceitos. No meio de um bando de espertos, que fazem de tudo para se dar bem, para ter vantagem em tudo, alguém que defende esses princípios parece um bobo. E o problema está justamente nos conceitos de indivíduo e sociedade que temos hoje.

Vivemos uma supervalorização do indivíduo. Qualquer restrição ou limite que se coloque nos direitos das pessoas (indivíduos) é visto como uma afronta, um sacrilégio.

Não se aceita mais crítica nem discussão. Qualquer discussão é vista como cerceamento de liberdade ou preconceito. Na realidade estamos perdendo de vista o conceito de sociedade. Quando nos unimos para viver juntos, ou formar uma sociedade, precisamos abrir mão de uma parcela de nossas liberdades e direitos individuais em prol da possibilidade de convivência. Vivendo sozinho, a liberdade e direitos do homem são limitados apenas pelos seus instintos. Mas nossos instintos, se vividos na sociedade e sem freios levaria à barbárie. Portanto, para se viver em sociedade é necessário se fazer um acordo. Abro mão de uma parcela de meus "direitos" individuais, controlo meus instintos, para conseguir conviver com o outro, que fez a mesma escolha. Não posso ter tudo o que vejo ou quero, tenho que respeitar o que é do outro. Tenho que ser honesto. Não posso querer ter tudo ignorando o desejo e direito do outro. Tenho que ser justo. E assim por diante. Por isso, esses valores, quando vistos sob o ponto de vista social, não são caretices, moralismos. São condições necessárias para a sobrevivência do grupo e pela vivência harmônica.

Quando o indivíduo é desonesto, ou seja, tenta se apropriar do que não é seu, burlando as regras acordadas (leis) ele está negando a vida em sociedade. Está dizendo que ele é superior aos outros, que seu desejo é mais digno do que a maioria, que essas regras não valem para ele. Se o dinheiro é público, então, (corrupção) é pior ainda. porque aí ele não está se apropriando do que é de outro indivíduo, mas daquilo que é contribuído por todos, voluntariamente ou não, para ser usado por todos, principalmente por aqueles que têm menos condições de usufruir de algumas condições de vida por si sós, e dependem do estado para suprí-los. O corrupto diz com suas ações que não quer participar desse esforço e, pior ainda, que esses necessitados não têm direito à vida, por isso se justifica privá-los dos recursos que iriam atendê-los.

Resumindo, os problemas que mais nos afligem hoje na gestão da sociedade, como a banalização da vida, a corrupção, a desonestidade, a falta de solidariedade, a falta de respeito pela pessoa, etc. vêm da escassez dos conceitos morais que deveriam ser inculcados na consciência das pessoas. E como já discorri, por isso, não são valores piegas, moralistas, conservadores, mas valores essenciais na luta pela sociedade que queremos mais justa e igualitária.

E, repetindo, a educação formal é uma grande ferramenta nessa caminhada, mas não é suficiente. Temos que investir no conhecimento, mas também nos valores que nortearão o uso desse conhecimento.

A história do Brasil é uma prova disso. Praticamente desde seu descobrimento a direção do país esteve nas mãos das elites mais bem preparadas. O poder sempre esteve nas mãos de uma classe altamente preparada intelectualmente, no entanto, basta vermos o país que construíram: temos a distribuição de riqueza mais desigual e perversa do planeta. Tinham o conhecimento técnico, mas os valores errados.

Por isso, reafirmo o que escrevi na semana passada: não acredito em nenhuma proposta de mudança ou desenvolvimento do país, vindo desde a extrema direita até à extrema esquerda, se não for calcada, essa proposta , numa revolução real na educação. É pura demagogia. Mas junto com o conhecimento formal, o saber acumulado, temos que investir em resgatar, ou criar, os valores éticos que realmente farão surgir uma sociedade justa e fraterna, para todos.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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19/09/2014

RIO MADEIRA: UMA SOLUÇÃO PRECÁRIA
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





A recente licitação para privatização da Usina Hidroelétrica de Santo Antonio no rio Madeira coloca em evidencia o processo bastante danoso, de mediocrização que assola o país, cuja tendência é se agravar no futuro.

Por pressão dos movimentos sociais e organizações ambientais fundamentalistas, o potencial energético do rio Madeira e de outros rios da Amazônia tem sido desperdiçados por critérios supostamente preservacionistas, cujos benefícios, se avaliados de forma realista, não se sustentam.

Toda a vez que se constrói um aproveitamento hidroelétrico cria-se um reservatório cujas dimensões definirão o benefício energético que se quer retirar do local. Assim, tanto a barragem quanto o reservatório têm algumas funções que são variáveis de projeto: a altura de queda que afeta diretamente a potencia do aproveitamento, o volume útil do reservatório, cuja função é regularizar a vazão efluente que promove o aumento da energia firme do local e dos demais aproveitamentos à jusante, além de armazenar água para distribuí-la pelos diversos fins em períodos desfavoráveis.

Em geral, os grandes reservatórios são projetados nos trechos iniciais dos rios, pois estes nascem em regiões montanhosas e não causam inundações muito extensas. Desta forma, o benefício da regularização se estenderá por todo o desenvolvimento do rio, havendo um ganho de energia em seu aproveitamento total.

Este parâmetro tem que ser confrontado com os demais critérios e usos que se possa fazer no local, como navegação, controle de cheias, irrigação, aspectos ambientais, ocupação e organização da área, terras indígenas, Unidades de Conservação, áreas prioritárias, ecossistemas aquáticos e terrestres, base econômica, etc.

No caso do Rio Madeira, o fanatismo conservacionista utópico, provocou o abandono da solução mais conveniente. E o projeto que previa a construção de reservatório com área inundada de 1550 km2, foi abandonado pela construção de duas usinas de baixa queda, UHE Santo Antonio e UHE Jirau, com 243 km2, praticamente a fio d’água.

Na fantasiosa mente dos ambientalistas brasileiros, as funções de reservatório e regularização foram substituídas por um maior número de turbinas, que ficarão paradas nas épocas de baixa vazão, turbinando-se apenas o volume de água da vazão natural.

Em termos práticos, graças à estupidez reinante nos gabinetes de Brasília, a energia correspondente a uma usina do porte de Ilha Solteira, fundamental para um país que tem vivido os últimos anos à beira de racionamentos por falta de planejamento e gestão adequada de seus recursos naturais, será desperdiçada em nome da floresta.

Ao que parece, para esta pequena parcela de iluminados, o fato de esta energia perdida ter de ser produzida por fontes bem mais caras e poluentes, como nucleares ou térmicas a carvão ou gás importado é irrelevante. Também é irrelevante o impacto na economia brasileira, ao distorcer nossa matriz e encarecer bens, serviços e produtos exportáveis.

Quanto aos risíveis argumentos ambientalistas, de que a redução de área inundada será compensada com preservação de floresta, manutenção de reserva indígena, ou atividades exploratórias reguladas, já se sabe o fim; serão perdidos na realidade do desmatamento e ocupação descontrolada da floresta, que tem levado à destruição pura e simples de grandes áreas da Amazônia, complementado pela perda definitiva de boa parte do potencial hidroelétrico brasileiro.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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18/09/2014

PALÁCIO ITAMARATY BRASÍLIA
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projeto de Oscar Niemeyer o Palácio Itamaraty, também conhecido como Palácio dos Arcos é a sede do Ministério das Relações Exteriores. À sua frente, sobre a água, está o “Meteoro” de mármore que representa os cinco continentes, obra de Bruno Giorgi. Possui jardins internos e salas com obras de arte, o Palácio apresenta o paisagismo assinado por Roberto Burle Marx, painéis de artistas importantes como Athos Bulcão, Rubem Valentim, Sérgio Camargo, entre outros, e obras de arte diversas presenteadas por personalidades e embaixadas estrangeiras, como esculturas, quadros, mobília e tapetes.



PALÁCIO ITAMARATY - BRASÍLIA-DF




(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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