Engenheiro, Professor e Autor de livros
sobre Gestão de Carreira e Administração de Escritórios
na Arquitetura e Engenharia
MONDRIAN - RELEITURA
(Fonte: experimentalphotoarts.blogspot)

Notas de "Autor Convidado"

02/09/2014

ORLA DA LAGOA SANTO ANTÔNIO EM LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Com o sol repousado entre os morros ao horizonte da lagoa, mas com o dia ainda claro, e com um vento sul de leve nas costas e os dedos quase congelando, compartilho um dos meus lugares preferidos para descansar a alma e entrar em contato com a natureza. É mais ou menos com esse cenário que prefiro encerrar meu dia: vendo as pessoas usando o espaço, ver os avós com seus netos passeando e apontando os pássaros que sobrevoam a lagoa, ver os casais cantarolando e conversando sobre qualquer assunto, ver as pessoas se divertindo a pescar, e ver a natureza mostrar suas mais belas facetas. É nessa Lagoa onde a magia de Laguna se mostra, é nela onde a nossa natureza consegue traduzir visualmente o que muitos consideram como o belo ou como o divino. Quem vem a Laguna deve passar o final da tarde ali, junto com quem quer que seja. A cada dia há um pôr-do-sol diferente com uma energia diferente; e com certeza sempre sendo o mais belo do Brasil.




ORLA DA LAGOA SANTO ANTÔNIO EM LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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01/09/2014

SOLIDARIEDADE COMPULSÓRIA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Alguns cientistas e estudos têm alertado que estamos vivendo um momento de transição nas condições climáticas de nosso planeta. As situações extremas obedeciam certos ciclos, mais ou menos regulares. Por exemplo: na engenharia elétrica estudávamos que de 50 em 50 anos aproximadamente ocorria uma grande enchente. As barragens tinham que levar isso em conta em seus projetos. E podíamos notar que havia uma certa regularidade, porém com um período bem longo, nos grandes marcos climáticos como longos períodos de seca, enchentes, calor ou frio extremos, nevascas, etc. O que esses cientistas estão afirmando é que, daqui para a frente, essas condições ocorrerão com mais frequência, com maior intensidade e por períodos mais longos de duração. Com um mínimo de perspicácia e senso de observação podemos notar que isso é verdade: temos visto nos últimos anos grandes catástrofes naturais espalhadas pelo mundo e que têm causado enormes perdas, de vidas e de dinheiro.

Há uma grande discussão se isso está sendo causado pelo estrago que o ser humano está fazendo na natureza ou se faz parte de um outro ciclo natural da terra, que acontece com frequência de períodos geológicos.

Particularmente acho que se as causas da situação não são 100% devido à ação depredatória do homem, a maior parte (bem maior) é. Basta vermos a velocidade com que essas mudanças têm ocorrido. Nenhuma mudança desse porte no comportamento da Terra ocorre com essa velocidade.

Mas não é esse o ponto que quero focar. Podemos discutir e procurar razões ou culpas mas nada disso muda a realidade de que viveremos mais à mercê da força e eventualmente da fúria da natureza.

A nós, engenheiros e arquitetos, caberá a grande tarefa de acharmos soluções que minimizem os efeitos dessas mudanças. Em outras palavras, vamos ter que aprender rapidamente a nos adaptarmos a situações adversas. Bastante adversas.

Por outro lado, um grande problema que enfrentamos no mundo e esse sim, criado inteiramente por nós mesmos, é a grande disparidade que existe na distribuição da riqueza do mundo. Um estudo recente, coordenado pelo economista James Davies, mostra que 1% da população adulta do mundo detém mais de 40% da riqueza do planeta. Não precisa ser nenhum gênio ou especialista para perceber que isso é uma bomba relógio, talvez a longo prazo, mas é uma situação potencialmente explosiva.

Podemos tentar explicar essa diferença com diversas teorias ou pontos de vista: o religioso, o sociológico, o filosófico, o político, etc. As razões podem ser diversas, ou ter diversa explicações, mas o resultado é um só: uma perversa distribuição da riqueza de nosso planeta. E se considerarmos a terra como um sistema fechado, a soma da riqueza disponível é uma só, o que muda é a forma como ela está dividida. Para alguns terem muito, sobra pouco para os demais...

Não vou entrar na questão ideológica do como e do porque isso ocorre, se é culpa do "sistema", da alma humana, de oportunidade, etc. O certo é que por qualquer prisma que olharmos a situação é extremamente injusta e desumana: enquanto em alguns lugares do planeta as pessoas vivem na abundância, em outros viver com o desperdício daqueles outros já significaria em expressiva melhora de vida.

Mesmo com pouca sensibilidade ou criatividade, podemos perceber o quanto essa situação é perigosa e explosiva. Um dia, quando a necessidade for maior que a inércia, uma pequena fagulha pode por fogo em tudo.

Mas deixemos de prognósticos apocalípticos.
É claro que o ideal, desejável e justo é que se promovesse uma redistribuição da riqueza, de forma mais igualitária.
Mas também temos a noção de quão difícil isso seria, a enorme resistência que haveria e os "argumentos" que deveriam ser usados para convencer, principalmente, é claro, aqueles que têm mais.

Mas o que tem a ver essa análise com a situação climática descrita no início?

Parece que a natureza em sua enorme sabedoria quer nos dar uma lição.

Se não nos dispusermos a dividir os recursos voluntariamente, por bem, ou por generosidade, seremos obrigados a fazê-lo por imposição da natureza. As nações mais ricas se vêm obrigadas a enviar ajuda financeira e em material para as nações mais pobres, atingidas por catástrofes naturais. E o fazem, não necessariamente por bondade ou compaixão, mas porque sabem que se não o fizerem o equilíbrio global fica perigosamente ameaçado.

Assim, a natureza nos obriga a exercitar uma solidariedade compulsória, situação em que os mais abastados se vêem obrigados a transferir recursos aos mais pobres, quando atingidos por desgraças naturais. E pelo que vemos e previsões que temos ouvido, essas situações acontecerão muito mais amiúde daqui para a frente. Bom seria se essa "bondade" ocorresse em tempos de tranquilidade, pois esses recursos seriam efetivamente usados para ajudar o desenvolvimento das nações mais pobres, enquanto que em situações de catástrofe são usadas para repor o que foi destruído. Porém não deixa de ter seu caráter didático. É a natureza nos ensinando, por bem ou por mal, que nossa missão é caminharmos juntos, que somos um só povo, habitante deste pequeno mundo, e que é nossa responsabilidade cuidarmos dele e de uns aos outros.

Quem sabe, num futuro, oxalá próximo, deixemos de ser crianças imaturas, que precisem levar umas palmadas da mãe natureza para aprender a brincar junto com seus irmãos.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

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29/08/2014

COMPROMETENDO O FUTURO
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Não é nenhum segredo que a engenharia brasileira vive seu pior momento. Pior, no entanto é saber que, se medidas extremas não forem tomadas, não é possível ser otimista sobre a melhora desta situação.

Vivemos um problema conjuntural, perdemos uma geração de engenheiros para o mercado financeiro, graças aos 25 anos de crise e falta de investimentos do governo, e estamos perdendo outra para a aposentadoria. Mas nada poderia ser pior do que perder uma terceira geração pela má formação universitária.

É claro que existem no Brasil grandes universidades, com cursos de excelência comprovada, mas graças à política de reconhecimento de cursos do Ministério da Educação e a inércia de Conselhos e Associações, cursos de engenharia com menos de quatro mil horas de aulas estão se tornando mais comuns do que a prudência e as boas práticas recomendam.

Também não se pode ignorar a enormidade de especializações reconhecidas pelos CREA’s. Formam-se engenheiros de telecomunicações, minas, automotivos entre uma centena de derivações dos cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Elétrica, Química, Arquitetura e Agronomia. As matérias tornaram-se cursos completos para cobrir nichos de mercado.

O Brasil, nas últimas décadas, perdeu muitas oportunidades de desenvolvimento por falta de coragem ou visão de seus líderes. Assistiu passivo o despertar de nações que investiram na formação de seus cidadãos, enquanto modelos e investimentos passados eram abandonados por pura divergência política.

Hoje, com a velocidade propiciada pela tecnologia, as mudanças acontecem quase instantaneamente. Corremos o sério risco de perder mais esta chance por falta de profissionais qualificados, passando de produtor de conhecimento e tecnologia a mero importador de serviços técnicos.

É preciso intervir no processo de formação dos engenheiros, criando, como faz a OAB, um processo de classificação e seleção dos cursos e dos profissionais formados. Usando as leis de mercado para impedir a proliferação de Escolas e Faculdades inferiores, promovendo aquelas com grau de excelência reconhecido.

É preciso conscientizar empresas e contratantes que o custo de um mau engenheiro não se resume ao montante pago em salários ou por serviços realizados. Um mau projeto pode custar vidas, requerer manutenção ou readequação, comprometendo todo o investimento realizado. O desempenho do piloto Rubens Barrichello com o carro da equipe Honda são um excelente exemplo de mau projeto.

É preciso retardar a aposentadoria de engenheiros experientes e impedir a “juniorização” dos departamentos e empresas de engenharia por questões de custos. Exigindo também a atualização contínua por meio de cursos, estágios, visitas técnicas, intercâmbios e etc.

É preciso incentivar o compartilhamento do conhecimento técnico entre profissionais e empresas, criando uma malha que facilite a pesquisa, desenvolvimento e distribuição deste conhecimento da universidade para os profissionais e dos canteiros de obras, escritórios de projeto e fábricas para estudantes e professores.

Enfim é hora da engenharia ser retomada e Reconstruída pelos engenheiros, pois as autoridades estão empenhadas em levar-nos de volta ao Brasil agrícola do passado, priorizando seu novo Ciclo da cana-de-açúcar.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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28/08/2014

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRÁSILIA - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com cálculo estrutural do engenheiro Joaquim Cardoso, foi o primeiro monumento a ser criado em Brasília. Sua pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958. Teve sua estrutura pronta em 1960, onde apareciam somente a área circular de setenta metros de diâmetro, da qual se elevam dezesseis colunas de concreto (pilares de secção parabólica) num formato hiperboloide, que pesam noventa toneladas



Na foto a Catedral esta iluminada em homenagem ao outubro rosa


CATEDRAL METROPOLITANA DE BRÁSILIA - BRASÍLIA-DF





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ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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27/08/2014

VIDA LONGA AOS MATERIAIS
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Se há um ponto desagradável no meu trabalho como arquiteta, é constatar a falta de cuidados e de manutenção, a limpeza deficiente, a deterioração da construção. Ao longo do tempo, descobri que a Arquitetura não deve dar chance a que agentes externos atrapalhem a missão da própria Arquitetura.

Quando não se escolhe o material adequado para a construção em si e também para os revestimentos da construção, em breve nos deparamos com a decadência visual do prédio, causada pelas intempéries e pela própria passagem do tempo. É óbvio que tudo precisa de conservação, mas a obra irá decompor-se rapidamente se não forem usados materiais de boa qualidade, nem mesmo a
manutenção periódica será capaz de conservá-la.

Na maioria das vezes, o arquiteto quer fazer uma despesa elevada na escolha de determinados materiais porque sabe que, a longo prazo, esse investimento vai significar uma grande economia. A vida útil do material será maior, com um prazo de sobrevivência superior, mesmo que o custo imediato da obra seja um pouco mais alto. Contra ele, quase sempre, se insurge o proprietário, que quer enxugar gastos de qualquer maneira. O arquiteto, ao contrário, quer que a construção permaneça no tempo, se possível, eternamente.

As construções revestidas em mármore ou granitos, colunas maciças de mármore ou granito atravessam séculos, perpetuam-se, contam histórias. O concreto aparente é outro material capaz de durar por um longo prazo, mas é suscetível de manchas que enfeiam, rapidamente, as fachadas. Quando o concreto é feito em formas metálicas, apresenta um resultado superior, com uma superfície mais lisa e brilhante, torna-se menos poroso e menos atingido pela deterioração. Portanto, a forma metálica é mais cara. Infelizmente, o proprietário nunca faz a opção pelo material de preço mais elevado, ainda que mais resistente. O resultado, quase sempre, é lastimável. Logo, logo as fachadas serão pintadas por aquela famosa tinta que imita o concreto, que um dia foi aparente!

Se a construção é revestida de materiais como o mármore, aço escovado, granito, pedras em geral, cerâmicas ou pastilhas, resguardando-se as devidas diferenças de qualidade entre eles, dentro de alguns anos essas escolhas vão definir o estado de envelhecimento daquela construção. Acho que vale a pena desembolsar um pouco mais, sob pena de o proprietário ser obrigado a arcar com o pesado ônus da manutenção em futuro próximo. Utilizar massa pintada em uma fachada é sinal certo de problemas ou problemas à vista em muito pouco tempo, porque a mão-de-tinta vai exigir cuidados constantes.

Lamentavelmente, essa é a escolha feita pela maioria dos clientes, por ser a mais barata.

No prédio comercial, a conservação é muito mais cara e complicada. Por isso, os proprietários têm outra postura diante de custos elevados, preferindo revestimentos em vidro, alumínio ou mármore, materiais de grande durabilidade que não exigirão manutenção permanente, economizando-se a longo
prazo.

Gastar bem, fazendo escolhas criteriosas de material, assegura um envelhecimento digno da construção. É como uma mulher prevenida que prefere investir em cremes rejuvenescedores de boa qualidade, embora dispendiosos, mas que são capazes de prolongar, com sucesso, a juventude e o tônus da pele. Despende-se mais tempo e dinheiro com um anti-rugas, mas em compensação, adia-se o momento de enfrentar uma cirurgia plástica.

Um exemplo de escolha certa de materiais é encontrado na Avenida Paulista, São Paulo. Lá encontramos prédios competindo entre si, cada um mais exuberante que o outro, com muita elegância na sua demonstração de força e poder. Podemos dizer que são eternos. Não vemos, ali, nenhum operário pendurado em andaimes, repintando fachadas. Nem cai nenhuma pastilha ou reboco na cabeça dos transeuntes. O que se vê são pessoas lavando vidros, material bonito, transparente e reluzente. Alguns são contra o uso excessivo do vidro, por acumular calor. Num país de clima tropical como o nosso, o uso desmedido desse material, é um contra-censo, apesar de, atualmente, existirem alternativas para se eliminar o problema de incidência da luz no interior dos prédios revestidos de vidro, com inúmeras variedades de películas sensíveis à luminosidade e os brises, hoje bem leves e de fácil manuseio, que de fato dissipam o calor

O mundo empresarial seja em São Paulo, Nova York, Londres etc. precisam mostrar solidez. A forma de seus arranha-céus anuncia que as empresas estão vivas, brilhantes, modernas e atualizadas. O objetivo da Arquitetura é alcançado, quando o prédio expressa, com nitidez, a personalidade do negócio que se realiza em sua estrutura.







DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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26/08/2014

FONTE DA CARIOCA EM LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Conhecida também como fonte dos namorados e da juventude, a Fonte da Carioca foi construída em 1863 por escravos e fornece até hoje água mineral para os turistas e lagunenses. Várias histórias rondam por volta desta fonte, uma delas é que, segundo historiadores, foi esta água que motivou a localização da cidade por seu fundador Domingos de Brito Peixoto. Segundo o historiador da cidade Antônio Carlos Marega, o local se tornou um dos pontos turísticos da cidade sendo conhecido como Fonte dos Namorados. O motivo eram as idas e vindas das familias até a fonte, uma atração para os visitantes, e, durante o passeio, os jovens solteiros trocavam olhares e muitos namoros começavam no caminho da fonte. Um dito popular muito conhecido aqui na cidade diz o seguinte: "quem bebe dessa água sempre retorna a Laguna e seus amores". E não é que muitos voltaram?"




FONTE DA CARIOCA EM LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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25/08/2014

FALTA DE PLANEJAMENTO MUITO BEM PLANEJADA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





O engenheiro Frederico Bussinger, ex-presidente do Confea e hoje consultor internacional na área de gestão de portos, conta que em uma visita a Singapura participou de uma reunião onde uma senhora com um cargo equivalente ao nosso Ministro do Planejamento fez uma apresentação sobre o planejamento a curto, médio e longo prazo do país. Impressionado, perguntou como eles faziam para acompanhar e controlar a execução daqueles planos, como funcionava o órgão encarregado de garantir que tudo aquilo acontecesse. Ao que ela respondeu: “Se foi planejado, acontece.” Ele, pensando que houvera algum problema de compreensão ou de tradução, repetiu a pergunta. A nova resposta: “Se foi planejado, acontece.”

Outros cenários:

1 - No Brasil temos 26 empreendimentos em usinas eólicas construídas em três estados, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, que estão prontas para serem usadas, mas que ainda não puderam ser ligadas porque o governo não construiu as linhas de transmissão necessárias para levar essa energia aos consumidores. A Associação Brasileira de Energia Eólica calcula que seria uma produção suficiente para abastecer, por mês, cerca de 3,3 milhões de pessoas, mais do que a população de Salvador;

2 – As Usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira enfrentaram diversos problemas como a oposição ferrenha de ambientalistas e uma revolta dos trabalhadores em Jirau. Após vencidos esses obstáculos as concessionárias responsáveis não contavam com um sério erro de planejamento: os sistemas de proteção e controle dos equipamentos - na geração e na transmissão - não conversam adequadamente entre si. Um equipamento que deve ser instalado em uma ponta, fornecido por uma empresa, não conversa adequadamente com o sistema de proteção, fornecido por outro fabricante. Quem deveria especificar corretamente o sistema a ser implantado e acompanhar os projetos só “percebeu” isso tarde demais. Resultado: dos 3500MW que as duas usinas têm capacidade de fornecer, apenas 1100MW poderão ser utilizados até dezembro, quando está previsto chegar um equipamento que resolverá o problema. Um prejuízo incalculável, por uma falha de planejamento;

3 – O Ministério das Cidades afirma que não consegue liberar todas as verbas disponíveis para os municípios porque estes não conseguem apresentar todos os projetos e documentos técnicos necessários. A mesma realidade se apresenta em diversas áreas do governo, em outros ministérios;

4 – Praticamente todas as obras para a Copa de 2014 tiveram seus preços finais muito acima do planejado inicialmente. Muitas nem foram terminadas a tempo. Caso extremo foi o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, que de um orçamento inicial de 696 milhões de reais em 2010, acabou custando aos cofres públicos quase R$2 bilhões.

Com base nos exemplos acima gostaria de fazer algumas reflexões sobre a questão do planejamento no Brasil. E gostaria de enfocar o assunto sob duas óticas: nossa incompetência em trabalhar com planejamento (ou mais sofismaticamente falando, nossa falta de cultura de planejamento) e nossa grande competência em planejar. (Calma, você vai entender mais na frente).

Os três primeiros casos apresentados confirmam claramente a primeira afirmação: temos uma dificuldade muito grande em trabalhar com planejamento. Gostamos de louvar o “jeitinho brasileiro”, nossa criatividade, nossa capacidade de encontrar soluções para os problemas que aparecem, à medida que aparecem. Planejar, prever os passos antecipadamente e, principalmente, executar de acordo com o que foi planejado, parece que engessa nossa criatividade, limita nossa capacidade. Parece que se não tirarmos uma solução “genial” da cartola, no último momento, não demonstramos nossa criatividade e genialidade. O problema é que com isso passamos a ser pautados pela urgência e não pela necessidade. E o que comumente vemos são os projetos serem elaborados quase ao mesmo tempo em que são executados, sem tempo de maturação, sem planejamento e sem uma análise crítica para antecipar problemas. O resultado, como não poderia deixar de ser: desperdício, não cumprimento de cronogramas, improvisação e não cumprimento de orçamentos... aditivos. A grande dificuldade que temos para enfrentar essa situação é o fato de que não a encaramos como um problema, uma deficiência. Nossa resistência em planejar não é uma questão de competência, mas de cultura. Quando queremos ou somos obrigados por algum regramento, elaboramos um bom planejamento. Mas encaramos a improvisação e o nosso ”jeitinho” de resolver os problemas como virtudes. Por isso precisamos de tantos órgãos de controle, cobrança, punição, etc, para fazer o desejado acontecer. E olha que em grande parte das vezes não se consegue. Precisamos desenvolver a cultura do planejamento. Precisamos colocar nas cabeças dos nossos jovens (porque parece que para os velhos não há mais jeito, virou vício) o valor do tempo despendido em planejar. Mostrar a eles que esse tempo gasto não é perda de tempo, pelo contrário, é uma grande economia, de tempo e de dinheiro. Educação, eis o segredo. Somente assim, num futuro, Deus queira próximo, também chegaremos ao ponto de que “se foi planejado, acontece”.

Mas há um outro lado nessa questão. E ele está exemplificado no item 4 lá em cima: quando a aparente falta de planejamento na realidade é o resultado de um muito bem elaborado plano. Nenhum profissional ou empresa com um mínimo (e bota mínimo nisso) de competência erraria em mais de 200% no orçamento de uma obra do porte do Estádio de Brasília. Um profissional ou empresa que por incompetência cometesse um erro desse, não sobreviveria um dia sequer no mercado. Não é questão de incompetência, pelo contrário, é uma grande capacidade de planejar tal situação. Normalmente isso ocorre em grandes obras públicas. Dificilmente (para não dizer nunca) se vê isso acontecer em uma obra de capital privado. Não seria tolerado. E sempre ocorre com a conivência do poder, do contratante. O script é conhecido e previsível, principalmente quando há um fator limitante externo. Analisemos o caso das obras da copa. O fator limitante foi o prazo da copa. A data limite não estava em nossas mãos, não poderíamos, nem com justificativa, alterar essa data. Quando se abriu os processos de contratação para projeto e execução das obras necessárias, começaram também a surgir os problemas, argumentos e dificuldades e tudo ia sendo adiado, até chegar a um limite em que se se postergasse mais, todo o projeto seria inviabilizado por falta de tempo. O governo então teve que abrir mão dos mecanismos normais de controle, sob a ameaça de que com os procedimentos normais não daria tempo de se cumprir os prazos ( e nem com isso se conseguiu cumprir todas as obras, sem falar das que foram canceladas, principalmente as obras de acessibilidade). O governo então teve que criar o famigerado Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que afrouxou os controles sob as obras da copa. Nem precisa dizer o que aconteceu. A grande maioria (novamente para não dizer todas) das obras ficou muito acima do orçamento inicial. Falta de planejamento? Neste caso, não. Cuidadoso planejamento. E é claro, nada disso seria possível sem a conivência do próprio poder. Qual investidor privado aceitaria isso? Erros, aditivos e sobrepreços em praticamente todas as obras? No entanto, para as autoridades isso parece a coisa mais natural do mundo. Ninguém se indigna, ninguém investiga, ninguém pune. E a consequência disso é a mesma de sempre: a população prejudicada, serviços oferecidos de baixa qualidade, e as empresas e outras pessoas com os bolsos cheios, lucros altíssimos. E o povo? O povo? Ah, o povo é só o povo.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

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22/08/2014

RISCO À SOCIEDADE
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Estamos assistindo a mais um duro golpe na engenharia nacional, patrocinado pela incompetência do poder público, avalizado pela ignorância da imprensa e aprovado pela inércia da sociedade. Comprometendo ainda mais o crescimento do país e a boa gestão dos recursos do Estado.

A contratação de serviços de engenharia na modalidade de pregão eletrônico, tão alardeada como solução para todos os problemas, vem institucionalizar a mediocridade como critério de contratação, trazendo sérias preocupações sobre a qualidade das novas obras públicas e pela segurança dos cidadãos.

A falácia do preço como critério de contratação transforma serviços personalizados e especiais em commodities. Lançam no mesmo saco, projetos de engenharia de altíssima complexidade e vitais para a infra-estrutura brasileira e o feijão da merenda escolar, como se fossem ambos, passíveis dos mesmos critérios de compra.

É óbvio que, à luz dos escândalos revelados diariamente pela imprensa, medidas de controle dos gastos públicos deveriam ser tomadas imediatamente. O sistema de compras governamentais está podre e corrompido e, para garantir a lisura deste sistema, era necessária instalação e difusão do uso do pregão eletrônico. Único sistema capaz de reduzir o alarmante número de fraudes e de superfaturamento de pedidos.

Mas o sistema de pregão não é um elixir milagroso que cura da unha encravada à queda de cabelo. Existem produtos e serviços que podem ser comprados com sucesso por meio deste sistema. A grande maioria, diga-se de passagem. Porém, é preciso aceitar o fato de haverem exceções a todas as regras e admitir que existam serviços que não podem ser padronizados a ponto de ir a leilão.

Não admitir a existência de exceções é tentar ignorar princípios básicos de economia, a relação custo-benefício e preço-qualidade. A contratação por meio do pregão eletrônico institucionaliza a mentalidade do preço mínimo, da qualidade mínima, do tapa-buraco. Este sistema recompensará o material inferior, o profissional inexperiente, o serviço mal feito, o planejamento mínimo, as empresas em dificuldades

É hora das autoridades brasileiras acabarem com os esqueletos, com obras inacabadas ou mal-acabadas. É hora de projetos e serviços de engenharia no Brasil, serem contratados pelos resultados financeiros futuros. Pelo impacto na economia, na geração de empregos, no escoamento da produção, no crescimento da indústria e do comércio, na vida dos cidadãos ou na administração pública. Nunca pela economia gerada no processo de contratação.

É hora das entidades representantes da engenharia brasileira, em uníssono, levantarem-se contra esta barbárie, alertando a sociedade e as autoridades competentes dos riscos desta legislação equivocada.

Pois projetos de engenharia, diferentemente de um saco de batatas, devem ser escolhidos pela relevância técnica, pela experiência de seus executores, pela segurança da sociedade, pela durabilidade da obra, pelo retorno do investimento e etc.

Batatas só precisam estar aptas para consumo.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

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21/08/2014

TORRE DE TV - BRASÍLIA
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projetada por Lúcio Costa, a Torre da TV é um dos poucos edifícios importantes de Brasília que não são uma criação de Oscar Niemeyer. É a terceira estrutura mais alta do Brasil, perdendo apenas para o conjunto das torres da linha de transmissão de energia Tucuruí-Manaus-Macapá, sobre o Rio Amazonas, e a Torre da Rádio Gaúcha AM 600 kHz, localizada em Guaíba (RS).




TORRE DE TV - BRASÍLIA-DF





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ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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20/08/2014

PINGÜINS DE GELADEIRA: O MEDO DE ERRAR
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Às vezes certos clientes entram em pânico quando mudam de status econômico. Deixam a moradia simples, e pretendem mudar-se para uma casa de 1.200 m² em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona nobre do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o sucesso econômico irá se materializar no novo “habitat”, encravado no coração de um bairro sofisticado. Vêem-se cercados por uma vizinhança que, na cabeça deles, “com certeza” iria criticá-los por sua origem modesta.

De repente passam a desfrutar de todos os confortos e alegrias da classe média alta, obrigando-se a construir um cotidiano elegante, à altura da posição que o dinheiro agora lhes proporcionam.

O arquiteto será o mediador da transformação, o mágico capaz de conduzi-los pelos desvãos da insegurança, livrando-os do medo que os ameaça: o de serem acusados de “cafonas” pela nova classe a qual pertencem agora. Além de poupá-los de um desgaste entre eles próprios.

Passam a freqüentar ambientes mais bonitos, tendências diferentes e estilos com os quais jamais haviam visto. De repente, querem ter tudo aquilo que lhes parece digno de sua posição atual. Desejam incluir, na nova vida, todos os objetos pelos quais se encantaram em suas viagens pelo mundo. “Que tal colocar aquela mesa da Indonésia sobre o tapete persa? E a cadeira Luiz XV junto das girafas africanas? E a cabeça de touro que compramos na Espanha? Será que combina com o biombo igualzinho ao que vimos em Tóquio”? Bate o horror, a paranóia, o pavor de serem considerados ridículos e de se exporem às risadinhas de vizinhos e conhecidos. Sentem-se inseguros para assumir seus próprios gostos, ou para harmonizar todas as idéias que lhes passam pela cabeça.

Cafona! Essa é uma palavra ameaçadora, espécie de fantasma a assombrar tantas famílias que ascenderam socialmente! Mas, afinal, o que é ser cafona?

A definição do vocábulo, no Dicionário Aurélio XXI é a seguinte: “Cafona: diz-se da pessoa que, com aparência ou pretensão de elegância, foge ao que convencionalmente é de bom gosto; brega, caipira, fajuto, jeca, fuleiro.”

O dicionário Houaiss estica a definição e prolonga ainda mais o sofrimento de quem incorre no pecado do ridículo:“Cafona: que ou o que revela mau gosto, convencionalismo, pouca sofisticação ou pouco trato social; diz-se de ou o que tem ornamentação ou aspecto exageradamente ostensivo, espalhafatoso, sem bom gosto ou harmonia e tendente ao ridículo ou à vulgaridade; que ou o que é simplório, sem refinamento algum. Casca-grossa, provinciano, chinfrim, desatualizado, grosso, matuto, mocorongo, pé-duro”. O que caracteriza o cafona, afinal? É o pingüim de geladeira? As andorinhas na varanda? O anão de jardim? Não sei. Sei que é possível brincar com esses paradigmas de cafonice e resgatar, de forma lúdica, todos esses símbolos, transformando-os em estilo, em decoração, em marca de personalidade e bom humor.

Em arquitetura, o que evitar para não ser "over", vulgar, confuso ou cafona? Em um projeto arquitetônico, na minha opinião, seja lá qual for, reforma, construção ou design de interiores - vale tudo, até mesmo a mistura de estilos. Desde que se perceba, de forma clara e evidente, uma linha de pensamento que costure uma idéia do início ao fim. A presença desse fio condutor vai tecendo os espaços, os blocos harmônicos de massas e vazios, luz e sombra, cor e textura realizando o desejo de cada um. Se a proposta é brincar de misturar estilos, se é divertir-se com o uso de objetos simbólicos, de época, de vanguarda ou não, acredito que serão bem aceitos se forem compreendidos, isto é, desde que fiquem claras as intenções de cada criador. Mesmo que o projeto proposto esteja fora do que está na moda, ou do que é considerado elegante por tanto tempo, a sinceridade da criação é tão determinante, que aquilo que é prejulgado como de mau gosto, ultrapassa esse limite previamente estabelecido e assume uma forte expressão.

É possível tirar partido dessa mistura estética, dessa confusão de estilos, organizando um caleidoscópio de imagens onde estão sugeridas as mais diversas escolas. Desde que, para isso, a idéia esteja a serviço da criação de um espaço eclético, bizarro e engraçado. Pode-se trabalhar o lúdico. Porque é intencional, está previsto, atinge o fim proposto no início do trabalho. Há unidade nas citações.

Mesmo que seus olhos não se sintam atraídos por tal concepção estética, percebe-se que há, ali, uma idéia clara e dirigida. Há, um movimento capaz de revelar um pensamento encadeado, percebido pela leitura dos elementos que concretizaram o projeto. Existiu um conceito.





DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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