Notas de "AUTOR CONVIDADO"

17/12/2015

SOBRE LIVROS E VAQUINHAS


Um livro custa muito mais do que o preço indicado em seu código de barras.
Não se trata de dinheiro, mas de sonhos que consomem incontáveis horas de trabalho para se realizarem.




JEAN TOSETTO
www.jeantosetto.com





Um dos presidentes mais vitoriosos da história do Santos Futebol Clube atende pela alcunha de LAOR, de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Ele está percorrendo programas de TV e redações de jornais para divulgar sua biografia. Detalhe: ela não está concluída. O dirigente (que negociou a venda do craque Neymar por milhões de dólares) está divulgando o site que atua no sistema de crowdfunding para arrecadar o valor necessário para lançar seu livro.

Trata-se da famosa vaquinha feita pela Internet. Se vocês visitarem o link do projeto do LAOR (https://bookstart.com.br/laor) notarão o quão caro pode ser produzir um livro. No caso dele, mais de 35 mil reais.

Em verdade, o ex-presidente do Santos não quis bancar o risco de seu livro ser um fiasco de vendas. É compreensível. Tal risco fiz questão de correr sozinho, quando escrevi meu primeiro livro.

Quando estava trabalhando em "MP Lafer: a recriação de um ícone" recebi conselhos de alguns profissionais da área editorial para pedir um patrocínio. Resolvi seguir por conta própria, abrindo mão de comprar um carro mais novo, de viajar para a Europa com minha esposa, de trocar a mobília da minha casa. O sonho para mim não tinha preço e felizmente consegui recuperar o investimento feito na gráfica, depois de um ano e meio do livro lançado.

Por isso me senti valorizado quando a Editora 893 me convidou para escrever o manual do arquiteto recém-formado em parceria com o professor Ênio Padilha. Desta vez meu trabalho seria escrever, tão somente. A editora cuidaria de tudo. Minha justa remuneração seria receber uma parte dos exemplares da primeira edição.

Tais exemplares de "Arquiteto 1.0 - Um manual do profissional recém-formado" estão disponíveis AQUI.

E aqui chego num ponto importante: tenho amigos que me pedem exemplares de presente! Fico constrangido em falar que aqueles exemplares me custaram caro demais. Não estou falando de dinheiro, mas de horas e horas trabalhadas.

Quando alguém pede um exemplar de graça, para o autor de um livro, está quebrando um simbolismo. É como se pedisse para ele se sacrificar em dobro.

Por isso faço questão de pagar pelos livros de autores que conheço pessoalmente. Por exemplo, cito o livro de Mano Fromberg sobre a história de Cosmópolis.

Se as vezes recebo um livro de presente, de modo espontâneo, procuro retribuir de algum modo, escrevendo uma resenha para o meu site, como fiz com este lindo projeto da Adriana Lafer Rosset.

E sim, já contribui com vaquinhas para livros e documentários na Internet. Nada contra tal procedimento. Fico emocionado com as pessoas que tem coragem de expor seus sonhos e projetos para os demais.

No fim das contas, estamos aqui para nos ajudar mutuamente.





JEAN TOSETTO é arquiteto e urbanista formado pela PUC de Campinas. Desde 1999 realiza projetos residenciais, comerciais, industriais e institucionais. Em 2006 foi professor da efêmera Faculdade de Administração Pública de Paulínia. Publicou o livro MP Lafer: a recriação de um ícone em 2012 e é o autor do livro ARQUITETO 1.0 - um manual para o profissional recém-formado, lançado pela OitoNoveTrês Editora em 2015.

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02/10/2015

CRITÉRIOS PARA AQUISIÇÃO DE UM TERRENO
Jean Tosetto



A compra de um lote está longe de ser uma tarefa essencialmente científica, mas também não pode ser considerada como um ato trivial, como escolher a cor de uma camisa. A percepção de alguns fatores é decisiva para que se faça a opção correta.




JEAN TOSETTO
www.jeantosetto.com





Quando uma família resolve comprar um carro novo, inicia a pesquisa pelos modelos e preços que possuem em mente. As melhores concessionárias oferecem a possibilidade do chamado "test drive" - que em português significa "teste de direção" - onde o interessado no veículo experimenta as suas características mais significativas, como o conforto na posição de dirigir, a visibilidade exterior, a aceleração nas marchas lentas, entre outros aspectos. Mesmo que o comprador não seja um piloto de provas ou mesmo um mecânico, é sentindo o carro que se define pelo fechamento do negócio.

Na compra de um terreno deve ocorrer algo semelhante. Adquirir um lote apenas na planta pode ser como dar um tiro no escuro: mesmo que o alvo seja grande e esteja a pouca distância, existe a chance de errar. Quando o loteamento em questão já está definido, é imprescindível caminhar por suas ruas e conhecer de perto cada alternativa. Muitas coisas podem ser observadas: as construções vizinhas; a presença de árvores tanto na calçada como no interior do lote; assim como a presença de postes de iluminação e outros equipamentos urbanos, que podem ser bocas de lobo, placas de sinalização, entre outros.

Num lote estreito, muitas vezes um poste ou uma árvore na calçada pode direcionar a disposição interna da casa, restringindo a escolha do lado da garagem, por exemplo. O mesmo ocorre com bocas de lobo que captam as águas das chuvas que escorrem pelas guias e sarjetas do arruamento. Se o desejo é ter a maior tranquilidade possível, a presença de um orelhão em loteamento aberto certamente se tornará um transtorno, pois este tipo de telefone público é mais indicado para áreas comerciais. O mesmo se aplica aos pontos de ônibus - embora em loteamentos fechados e condomínios essa preocupação não exista.

As árvores também merecem atenção, pois suas raízes podem comprometer a estabilidade dos ramais de esgoto, caso sejam de uma espécie com previsão de muito crescimento. O ideal é que esta vegetação seja classificada como exótica, cuja origem não faça parte do ecossistema natural da região. Este dado facilita os eventuais pedidos para podas e retiradas junto às prefeituras, que costumam proteger as árvores que sejam nativas do local. Caso não existam árvores no lote em análise, é bom levar em consideração a escolha certa no plantio futuro, sempre consultando um engenheiro agrônomo ou uma paisagista.

A declividade do terreno não pode passar em branco. Lotes com perfil topográfico acidentado pedem projetos mais apurados na questão dos níveis dos pavimentos, para não encarecer a obra, evitando grandes movimentações de terra, seja com aterros ou desaterros. Dependendo desta movimentação, será necessária a construção de muros de arrimo, que por definição costumam ser onerosos. A caída do terreno não precisa ser necessariamente para frente, mas se ela for para os fundos, talvez seja melhor que a quadra tenha uma viela sanitária, que irá colher o esgoto e as águas pluviais, justamente para evitar a importação de um grande volume de terra.

Cabe observar as leis municipais quanto ao uso do solo, que determinam a porcentagem permitida para construção de cada pavimento, assim como os recuos e afastamentos obrigatórios de frente, fundos e divisas laterais. Nem sempre um lote considerado grande permite a construção de um imóvel com área elevada. No caso de loteamentos fechados e condomínios, as empresas ou associações de moradores que os administram podem arbitrar restrições complementares. Por vezes o recuo obrigatório frontal no município é de quatro metros, mas no loteamento fechado ele pode atingir cinco ou até seis metros.

Um pouco mais difícil para o leigo avaliar seria a posição do terreno em relação ao Sol. No período da tarde as construções tendem a ficarem mais quentes, devido ao acúmulo de exposição aos raios solares. Portanto, se um terreno for retangular, o ideal é que esteja orientado no eixo leste - oeste, o que reduziria as superfícies da obra banhadas pela luz e calor do Sol poente. Mas isto é muito relativo, pois construções vizinhas geralmente interferem nesta relação, através do sombreamento em função de suas partes mais altas. Pela mesma lógica se recomenda que dormitórios fiquem posicionados para o Sol nascente, ao menos nas cidades brasileiras abaixo da linha do Equador.

Um dado ainda mais difícil de obter - mas que pode auxiliar na escolha do lote - seria uma carta com a predominância de ventos na região. Mais uma vez as construções vizinhas interferem neste quesito. No entanto, quando se busca evitar a dependência de ar condicionado, é interessante observar se ocorrem ao menos brisas suaves no entorno, o que irá favorecer a ventilação natural da futura casa. Ainda sobre as construções vizinhas, vale a pena avaliar o seu padrão de acabamento e mesmo a qualidade dos serviços executados. Ninguém deseja ser vizinho de uma obra com problemas de diversas origens.

Por fim, existem os fatores subjetivos, difíceis de ponderar, mesmo que de modo empírico. São as visuais que o lote oferece, e o ambiente local, que pode gerar empatia, ou não, com as pessoas. Se não houver empatia, nenhum argumento positivo será válido o suficiente. Muitas vezes o loteamento ainda está em fase de lançamento, o que dificulta a análise do terreno que ainda está no capim. Nesse momento, não custa nada pedir para ver o projeto ou a maquete no plantão de vendas.

Vale lembrar: o auxílio de um arquiteto ou engenheiro será de grande valia, especialmente se este profissional estiver atuando na cidade em questão.

- Texto publicado originalmente em abril de 2009 no extinto site Conheça Paulínia.





JEAN TOSETTO é arquiteto e urbanista formado pela PUC de Campinas. Desde 1999 realiza projetos residenciais, comerciais, industriais e institucionais. Em 2006 foi professor da efêmera Faculdade de Administração Pública de Paulínia. Publicou o livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” em 2012.

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imagem, fonte: plantasdecasa.com

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29/12/2014

AUTORES CONVIDADOS (Temporada 2014-1)

Durante 12 semanas (entre 10/02/2014 e 02/05/2014) nosso site teve a honra de contar com a luxuosa participação especial de cinco cabeças privilegiadas do nosso universo profissional.
Jean Tosetto (arquiteto), Ricardo Meira (arquiteto, urbanista e daltônico) Lígia Fascioni (engenheira eletricista), Sérgio dos Santos (engenheiro civil) e Paulo Cesar Bastos (engenheiro civil) iluminaram nosso site com seus artigos e ilustrações inteligentes.

Veja aqui a lista completa dos posts produzidos pelos nossos autores convidados nesta temporada 2014-1:




JEAN TOSETTO
www.jeantosetto.com | jean@tosetto.net





Arquiteto e Urbanista formado pela PUC de Campinas. Desde 1999 realiza projetos residenciais, comerciais, industriais e institucionais. Em 2006 foi professor da efêmera Faculdade de Administração Pública de Paulínia. Publicou o livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” em 2012.



A RECORRENTE FÓRMULA DO FRACASSO
(01/12) 10/02/2014



CONSTRUINDO EM TEMPOS DE CRISE
(02/12) 17/02/2014



BONS ARQUITETOS VISITAM OBRAS
(03/12) 24/02/2014



MEMORIAIS VERSUS O “IN MEMORIAN”
(04/12) 03/03/2014



A PALAVRA É: URBANIDADE
(05/12) 10/03/2014



EVOLUIR, MESMO COM AS VACAS MAGRAS
(06/12) 17/03/2014



CRITÉRIOS PARA AQUISIÇÃO DE UM TERRENO
(07/12) 24/03/2014



DE CASO SÉRIO COM A MATEMÁTICA
(08/12) 31/03/2014



COTAS? SÓ PARA DETALHAR PROJETOS
(09/12) 07/04/2014



BENDITAS E ESQUECIDAS CALÇADAS
(10/12) 14/04/2014



COBRAR OU NÃO COBRAR?
(11/12) 21/04/2014



OBRIGADO, MESTRE!
(12/12) 28/04/2014





RICARDO MEIRA
arqdaltonico.wordpress.com | ricardo@quadrante.arq.br





Arquiteto, Urbanista e Daltônico. Formado pela Universidade de Brasília (2000), é Mestre em Arquitetura pela UnB (2013), professor auxiliar da Universidade Paulista (2007) e professor convidado do IPOG - Instituto de Pós Graduação.





AEROPORTO DE BRASÍLIA
(01/12) 11/02/2014



CAPELA DO PALÁCIO DA ALVORADA
(02/12) 18/02/2014



MEMORIAL JK
(06/12) 18/03/2014



MUSEU DO ÍNDIO - Oscar Niemeyer, 1982
(12/12) 01/04/2014





LÍGIA FASCIONI
www.ligiafascioni.com.br





Engenheira Eletricista (UFSC, 1989), Mestre em Engenharia Elétrica na área de Automação e Controle Industrial (UFSC, 1996), Especialista em Marketing (UDESC/ESAG, 2000) e Doutora em Engenharia de Produção e Sistemas, na área de Gestão Integrada do Design (UFSC, 2003).
Nascida em Florianópolis-SC. é autora de diversos e, atualmente, mora em Berlin, na Alemanha.



PROFISSIONAL COMMODITY
(01/12) 12/02/2014



O CLIENTE, ESSE IGNORANTE...
02/12) 19/02/2014



SERÁ QUE AS APARÊNCIAS ENGANAM MESMO?
(03/12) 26/02/2014



É PECADO ROUBAR IDEIAS?
(04/12) 05/03/2014



COMO DEVERIA SER
(05/12) 12/03/2014



INOVAÇÃO: QUANDO VOAR NÃO BASTA
(06/12) 19/03/2014



COMO NÃO ESCREVER UM PERFIL
(07/12) 26/03/2014



GLAMOUR DATADO
(08/12) 02/04/2014



QUER UM AUMENTO?
(09/12) 09/04/2014



A CHAVE DO FRACASSO
(10/12) 16/04/2014



O ESPONTÂNEO
(11/12) 23/04/2014



QUERO SER RICA
(12/12) 30/04/2014





SÉRGIO DOS SANTOS
engsergiosantos.tumblr.com | sergio@ifce.edu.br





Engenheiro Civil formado pela UFC, mestre em Engenharia Civil pela mesma universidade, e Doutor pela UFC/University of New Hampshire-USA.
É Professor universitário, lotado no Departamento de Construção Civil do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e consultor na área de Engenharia Estrutural.

Começou a desenhar desde criança inspirado pelo renomado artista brasileiro Daniel Azulay. Embora nunca tenha feito do desenho uma carreira, é bastante conhecido entre seus amigos como alguém espirituoso que conseque induzir outros à reflexão utilizando-se do humor.



O SONHO DE TODO ARQUITETO
(01/12) 11/02/2014



USE A NORMA
02/12) 20/02/2014



CONCORRÊNCIA DESLEAL
(03/12) 27/02/2014



VENDEDOR DE PAPEL?
(04/12) 06/03/2014



NÃO É MÁGICA!
(05/12) 13/03/2014



NOVAS CARGAS NOS PROJETOS DOS EDIFÍCIOS
(06/12) 20/03/2014



DISCURSO DO PRESIDENTE
(07/12) 27/03/2014



FAIR PLAY
(08/12) x03/04/2014



ORAÇÃO DO ENGENHEIRO CALCULISTA
(09/12) 10/04/2014



UMA LIÇÃO DE PERDÃO (Lucas 7:36-50)
(10/12) 17/04/2014



O QUE OS OLHOS NÃO VEEM O CORAÇÃO NÃO SENTE
(11/12) 24/04/2014



CUIDADO COM OS FALSOS ELOGIOS
(12/12) 01/05/2014







PAULO CESAR BASTOS
paulocbastos@bol.com.br





Engenheiro Civil pela Escola Politécnica da UFBA, 1973. Profissional com mais de 40 anos de atuação em diversas áreas da engenharia civil.
Tem artigos publicados em diversos jornais importantes do país




O ENGENHO INOVAÇÃO E A USINA PROGRESSO
(01/12) 14/02/2014



CONJUNTO DOS VAZIOS UMA PROPOSTA PLENA PARA A HABITAÇÃO
(02/12) 21/02/2014



RECUPERAR ESTRADAS É RECUPERAR O BRASIL
(03/12) 28/02/2014



A IMPORTÂNCIA DO SANEAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO
(04/12) 07/03/2014



CHUVAS,TRAGÉDIAS E RECONSTRUÇÃO
(05/12) 14/03/2014



INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
06/12) 21/03/2014



DESENVOLVIMENTO: A FESTA DO INTERIOR
(07/12) 28/03/2014



AS CIDADES, OS ELEITOS E AS ESCOLHAS
(08/12) 04/04/2014



A URBANA MOBILIDADE E A GESTÃO DA IMOBILIDADE
(09/12) 11/04/2014



O BRASIL, O NOBEL E AS MEDALHAS OLÍMPICAS
(10/12) 18/04/2014



BRASIL TEM O DESAFIO DE PRESERVAR E PROGREDIR
(11/12) 25/04/2014



ENGENHEIROS EXPERIENTES
(12/12) 02/05/2014

29/12/2014

AUTORES CONVIDADOS (Temporada 2014-2)

Durante 10 semanas (entre 11/08/2014 e 17/10/2014) nosso site teve a honra de contar com a participação especial de cinco pessoas muito especiais e que, com suas capacidades intelectuais e reputações privilegiadas deram um brilho diferenciado a este espaço:
Wilson Xavier Dias (engenheiro eletricista), Fernando Rebelo (acadêmico de Arquitetura e Urbanismo) Dorys Daher (arquiteta e urbanista), Alberto Ruy (fotografo profissional) e Edemar de Souza Amorim (engenheiro civil) iluminaram nosso site com seus artigos e ilustrações inteligentes.

Veja aqui a lista completa dos posts produzidos pelos nossos autores convidados nesta temporada 2014-2 (Temporada Primavera):




WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.



O LEGADO DA COPA
(01/10) 11/08/2014



A ENGENHARIA E O SACI-PERERÊ
(02/10) 18/08/2014



FALTA DE PLANEJAMENTO MUITO BEM PLANEJADA
(03/10) 25/08/2014



SOLIDARIEDADE COMPULSÓRIA
(04/10) 01/09/2014



SUASSUNA, RUBEM ALVES, JOÃO UBALDO E A ECOLOGIA
(05/10) 08/09/2014



EDUCAÇÃO E CULTURA - PARTE I
(06/10) 15/09/2014



EDUCAÇÃO E CULTURA - PARTE II
(07/10) 22/09/2014



OS ÓRFÃOS DA UTOPIA
(08/10) 29/09/2014



SOBRE VÍRUS, BACTÉRIAS E OUTROS SERES INCÔMODOS
(09/10) 06/10/2014



PROJETO DE LEI
(10/10) 13/10/2014





FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo




OURO PRETO
(01/10) 12/08/2014



PRAÇA REPÚBLICA JULIANA EM LAGUNA-SC
(02/10) 19/08/2014



FONTE DA CARIOCA EM LAGUNA-SC
(03/10) 26/08/2014



ORLA DA LAGOA SANTO ANTÔNIO EM LAGUNA-SC
(04/10) 02/09/2014



IGREJA MATRIZ SANTO ANTÔNIO DOS ANJOS LAGUNA-SC
(05/10) 09/09/2014



CASA DE ANITA LAGUNA-SC
(06/10) 16/09/2014



UMA SORVETERIA NO MEIO DA HISTÓRIA, LAGUNA-SC
(07/10) 23/09/2014



IGREJA NOSSA SRA. AUXILIADORA, LAGUNA-SC
(08/10) 30/09/2014



MONUMENTO A HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS, LAGUNA-SC
(09/10) 07/10/2014



RUÍNA - MORRO DA GLÓRIA LAGUNA-SC
(10/10) 14/10/2014





DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?





FUNÇÃO E ESTÉTICA
(01/10) 13/08/2014



PINGÜINS DE GELADEIRA: O MEDO DE ERRAR
02/10) 20/08/2014



VIDA LONGA AOS MATERIAIS
(03/10) 27/08/2014



REFORMAS: SONHO OU PESADELO
(04/10) 03/09/2014



COMO CONQUISTAR A CONFIANÇA DE UM CLIENTE EM UM PRIMEIRO ENCONTRO?
(05/10) 10/09/2014



ESPAÇOS HOSPITALARES
(06/10) 17/09/2014



EXIGÊNCIAS DA RAINHA DO LAR
(07/10) 24/09/2014



QUANDO DINHEIRO É O PROBLEMA
(08/10) 01/10/2014



CLIENTE E ARQUITETO: OS DOIS LADOS DA MOEDA
(09/10) 08/10/2014



RECLAMAÇÕES & LAMENTOS
(10/10) 15/10/2014





ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza.

Além de excepcional profissional da fotografia, Alberto Ruy é ex-jogador profissional de futebol (foi goleiro do São Paulo Futebol Clube) e hoje é um Tri-Atleta, preparando-se para o Ironman 2015, em Florianópolis.



PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF
(01/10) 14/08/2014



TORRE DE TV - BRASÍLIA-DF
02/10) 21/08/2014



CATEDRAL METROPOLITANA DE BRÁSILIA - BRASÍLIA-DF
(03/10) 28/08/2014



PONTE JK - BRASÍLIA-DF
(04/10) 04/09/2014



TORRE DE TV DIGITAL - BRASÍLIA-DF
(05/10) 11/09/2014



PALÁCIO ITAMARATY - BRASÍLIA-DF
(06/10) 18/09/2014



CANDANGOS - BRASÍLIA-DF
(07/10)25/09/2014



PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF
(08/10) 02/10/2014



PRAÇA DOS CRISTAIS - BRASÍLIA-DF
(09/10) 09/10/2014



ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA - BRASÍLIA-DF
(10/10) 16/10/2014







EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia de abril de 2007 até abril de 2009.

Sua carreira profissional brilhante e sua passagem marcante pela presidência de uma das instituições mais importantes da Engenharia do Brasil fizeram do colega Edemar de Souza Amorim um dos principais pensadores do nosso sistema profissional e um dos interlocutores mais inteligentes e importantes do meio.



EQUAÇÃO MEIO RESOLVIDA
(01/10) 15/08/2014



RISCO À SOCIEDADE
(02/10) 22/08/2014



COMPROMETENDO O FUTURO
(03/10) 29/08/2014



OS ERROS DO PASSADO
(04/10) 05/09/2014



A GUERRA DOS VENCIDOS
(05/10) 12/09/2014



RIO MADEIRA: UMA SOLUÇÃO PRECÁRIA
06/10) 19/09/2014



UM MUNDO MELHOR
(07/10) 26/09/2014



TOLERÂNCIA ZERO PONTO DOIS
(08/10) 03/10/2014



EXCLUSÃO URBANA
(09/10) 10/10/2014



O PAPEL E O PAPELÃO
(10/10) 17/10/2014

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24/10/2014

CONSTRUINDO EM TEMPOS DE CRISE
(Jean Tosetto - 02/12)


Quando as dúvidas surgem no horizonte do mercado de ações, está no momento de considerar uma opção de investimento mais segura: o mercado de imóveis - uma alternativa confiável especialmente aos poupadores de pequeno e médio porte.




JEAN TOSETTO
www.jeantosetto.com





(O texto a seguir foi publicado originalmente em novembro de 2008 no extinto site Conheça Paulínia)

Depois de um período de alguns anos de calmaria e números positivos na economia brasileira, uma crise internacional deflagrada em agosto de 2008, sem precedentes após a Segunda Grande Guerra Mundial, colocou muitos pontos de interrogação na agenda dos investidores nacionais, pois num cenário globalizado em que vivemos atualmente, seria ingenuidade considerar que os países da América do Sul não sofressem consequências neste processo.

As pessoas têm me perguntado sobre o futuro próximo do mercado da construção, e a resposta convicta que tenho para oferecer é que justamente em tempos de incertezas financeiras o investimento na compra ou construção de um imóvel é uma ótima alternativa. Ou seja, não há motivos para acreditar que haverá um abrupto desaquecimento na questão das obras de pequeno e médio porte, por várias razões.

Entre elas podemos destacar que as linhas de crédito continuam recebendo incentivos governamentais, pois sabemos que este tipo de atividade gera grande quantidade de empregos que absorvem mão-de-obra oriunda de outros ramos de produção e serviços, sujeitos a declínio devido ao quadro recessivo ou baixa expectativa das exportações.

Ao contrário do mercado imobiliário americano - que foi o estopim das bancarrotas de algumas instituições bancárias tidas como de porte sólido - o mercado brasileiro está regido por outras regras de financiamento para a casa própria. Nos Estados Unidos, até então, era muito fácil hipotecar a compra ou construção de um imóvel - ao passo que, no caso dos brasileiros, quem já pleiteou um financiamento para construção sabe das dificuldades e do tempo que decorre até a liberação do crédito.

Isto se explica devido ao fato dos bancos brasileiros serem rigorosos quanto ao levantamento do perfil da família que irá comprar ou construir. Em suma, eles querem ter a certeza de receber o dinheiro de volta, de preferência com uma considerável margem de lucro. Já os americanos, menos sujeitos às regulamentações, adquirem quantias vultosas para investimento que acabam sendo desviadas para outros bens de consumo, criando uma ilusória bolha de prosperidade econômica.

Por outro lado, mesmo aqueles que não necessitam de financiamento para compra ou construção, passam a considerar a migração de seus recursos para o mercado imobiliário, aqui no Brasil, uma opção de segurança, uma vez que o valor de uma casa, por exemplo, nunca será "pulverizado" como pode ocorrer no mercado de ações. Se for bem verdade que um imóvel não tem a mesma liquidez de uma aplicação financeira, ao menos ele está protegido das variações de humor da economia global. ”

Voltando para 2014, vemos que, embora os Estados Unidos mostrem sinais claros de recuperação, ainda é fácil demais obter financiamentos de até 105% do valor do imóvel, com os 5% excedentes para a compra de mobiliário. A captação de empréstimos bancários é uma cultura sistêmica num país onde o empreendedorismo é incentivado a todo custo, e onde uma pessoa física pode decretar falência e recomeçar tudo de novo, com as dívidas perdoadas.

No Brasil só ficou mais fácil financiar imóveis se a compra for feita junto a uma grande construtora em consonância com o governo federal. Já para aqueles que buscam a autoconstrução, a burocratização do processo de financiamento aumentou, com a aprovação de crédito condicionada à assinatura de um termo de responsabilidade de execução de obra por parte do arquiteto ou engenheiro, mesmo que este não administre a obra. Um absurdo por si só, pois tal termo de execução quebra o conceito de autoconstrução da obra, transformando artificialmente o projetista em construtor.

Ainda assim, investir em imóveis no Brasil continua sendo uma boa alternativa, cuja demanda em continua ascendência – embora não tão acelerada quanto antes – desacredita os boatos infundados de uma bolha imobiliária em nosso mercado, apesar de sua grande valorização na última década.

É preciso ter em mente, também, que o mercado brasileiro de imóveis está amadurecendo e vai passar os próximos anos se ajustando após atingir um patamar relativamente elevado de novos empreendimentos. Se o critério da quantidade já está provado, está chegando o momento de tais empreendimentos serem submetidos a um critério mais importante: o da qualidade. Quem investe em qualidade, sempre ganha.






JEAN TOSETTO é arquiteto e urbanista formado pela PUC de Campinas. Desde 1999 realiza projetos residenciais, comerciais, industriais e institucionais. Em 2006 foi professor da efêmera Faculdade de Administração Pública de Paulínia. Publicou o livro “MP Lafer: a recriação de um ícone” em 2012.

Visite o website: www.JeanTosetto.com
Faça um contato com o autor: jean@tosetto.net

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17/10/2014

O PAPEL E O PAPELÃO
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





A excelência na produção de papel é mais um motivo de orgulho para os brasileiros. Da pesquisa, desenvolvimento e plantio de florestas ao parque industrial, nada se deve ao resto do mundo em termos de quantidade e qualidade.

Porém deve-se reconhecer que o valor do papel na história da humanidade, do fino papel de arroz chinês ou o delicado papiro egípcio, à versátil folha de celulose, não é só fruto de seu processo de fabricação, mas de seu uso pelo homem. No registro e preservação de sua história, na construção, acúmulo e transmissão do conhecimento pelas gerações, ou na elaboração de planos e projetos para construção do futuro.

Mas, infelizmente, o papel não faz juízo de valor de seu conteúdo, aceitando tudo que for impresso em sua superfície, de belas estórias e idéias que atraem bilhões de fiéis a seus templos pelo mundo, das teorias e planos que criaram as mais terríveis armas de guerra, às plantas de obras fadadas ao fracasso como o edifício Palace II.

Já no Brasil, o governo federal, animado com o domínio do processo de produção, parece acreditar nos poderes mágicos das brilhantes folhas coloridas impressas pelas agências de publicidade. Seduzidos pelas belas imagens digitais de prédios, estradas ou pontes, pelas infindáveis listas de obras e orçamentos de bilhões de reais, nossos políticos esquecem que papel e tinta não são suficientes para que tudo aconteça. É preciso muito mais.

Assim, ignorando a deficiência de profissionais capacitados nas prefeituras, nos estados e na união, alardeando recursos que não são liberados, os gestores públicos seguem tentando transformar um apanhado de iniciativas que incluem desde obras não iniciadas e projetos abandonados por governos passados até investimentos de infra-estrutura necessários e urgentes, num plano de governo destinado a resolver os gargalos estruturais que travam o país.

A verdade, muito diferente dos constantes discursos eleitoreiros, cartazes, cartilhas, filmes e anúncios é que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) só não naufraga por jamais ter saído do porto. Não reúne as condições mínimas para deixar de ser mais do que uma carta de boas intenções, onde a responsabilidade é delegada aos Estados, Municípios e Empresas e os louros para os candidatos da base aliada.

Graças aos esforços de parte dos envolvidos, alguns projetos conseguem vingar e o país avança aos trancos e barrancos. É hora da competência técnica, da responsabilidade, do planejamento sério, deixarem de serem valores endêmicos e pontuais na gestão pública brasileira e tornarem-se práticas sistemáticas amplamente disseminadas em todos os níveis de governo.

É hora de exigirmos uma qualidade única nos planos governamentais antes de sua divulgação. Algo que impeça o estelionato eleitoral que há décadas é responsável pelas oportunidades perdidas: Exeqüibilidade.

Se os planos produzidos em Brasília não forem minimamente exeqüíveis e seus responsáveis cobrados pela sociedade e pela justiça eleitoral, seremos sempre um celeiro de esperanças vazias, cuja impressão, para ser condizente com a qualidade dos projetos, deveria ser feita em pequenos rolos de folha dupla perfumada com trinta metros de comprimento.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: edemarsamorim@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Tive o privilégio de conhecer o engenheiro Edemar de Souza Amorim no início dos anos 2000, quando realizamos alguns cursos no Instituto de Engenharia de São Paulo. Trata-se de uma das mentes mais lúcidas da Engenharia brasileira.
Seu livro, EM DEFESA DA ENGENHARIA, publicado 2009, é uma das mais vibrantes e inteligentes contribuições para a valorização da Engenharia Brasileira.
Portanto, nós e os leitores do nosso site somos privilegiados pela presença de Edemar Amorim durante essas dez semanas. E eu espero, sinceramente, que ele retorne nos próximos anos.

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16/10/2014

ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Inaugurado em 1974 e desenhado pelo arquiteto Ícaro de Castro Mello o Estádio Nacional Mané Garrincha, também conhecido como Estádio Nacional de Brasília, Arena Mané Garrincha ou simplesmente Mané Garrincha, é um estádio de futebol e arena multiuso brasileiro localizado na região administrativa de Brasília, no Distrito Federal. Reconstruído em 2013 pelo arquiteto Eduardo Castro Mello o estádio de Brasília foi uma das propostas submetidas à análise da Fifa que mais alterações teve no aspecto plástico, em relação à arena inicialmente desenhada. 2013



ESTÁDIO MANÉ GARRINCHA - BRASÍLIA-DF




(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Conheci Alberto Ruy em 2008, quando estava em Brasília trabalhando na organização da WEC 2008. O fato de ele ser sãopaulino (na verdade, ex-goleiro do SPFC) foi a primeira coisa que nos aproximou. Mas a sua paixão pela fotografia, seu empenho em fazer um trabalho correto e sua excelência na prestação de serviços foi, certamente o que me encantou.
Além disso, ele tem um olhar de artista, para captar o melhor de uma paisagem, de um monumento ou das pessoas em um evento social ou empresarial.
Fico muito honrado com a sua participação nesta nossa Temporada Primavera de Autores Convidados. E os nossos leitores, certamente, sentirão saudades das imagens belíssimas que Alberto Ruy nos trouxe a cada quarta-feira durante dez semanas.

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15/10/2014

RECLAMAÇÕES & LAMENTOS
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Queixas e lamúrias fazem parte do negócio. Por trás das reclamações há, quase sempre, uma incompreensão: ou o cliente não compreendeu o arquiteto, ou o arquiteto não compreendeu o cliente. Cada um acha que está certo. De imediato o melhor é deixar o cliente ter razão. O arquiteto não deve fazer questão de obter uma vitória a todo custo, já que o orientador de todo o processo é ele mesmo. Afinal, foi ele o profissional procurado. Aos poucos, ambos vão se entendendo.

Há clientes que reclamam. Uns reclamam do projeto porque não gostaram da sua primeira idéia, outros porque não entenderam o layout. E há, até mesmo, aqueles que reclamam por incrível que pareça, porque gostaram muito do programa proposto. Parece um contra-senso, mas como a tônica da sua vida é reclamar, muitos clientes não suportam elogiar, e isso fica bem claro mais tarde nas suas reações quando decidem executar a obra. A todo momento se mostram satisfeitos mas se recolhem, imediatamente, para não parecerem tão felizes. Não querem dar tanta importância a uma pessoa, no caso o arquiteto, que foi capaz de fazer algo maior do que ele, proprietário, faria.

Reclamam, simplesmente, porque não sabem elogiar. Não conseguem emitir uma única palavra boa sobre a execução daquele projeto do qual gostaram tanto!

Voltam com as suas lamúrias constantes: a construção andando maravilhosamente bem, concretizando seus sonhos e eles ali, firmes e fortes nas suas queixas. Não conseguem enxergar nenhum fato digno de elogio. Só vêem o lado negativo: “O pedreiro chegou muito tarde hoje”, “Ontem ele chegou cedo demais”. “Por que o banheiro ainda não está pronto”? Mas como seria possível terminar o banheiro se o cliente só decidiu o tipo de revestimento na tarde do dia anterior! Há que se encomendar o piso, esperar que chegue até a obra, e só então aplicá-lo. Leva algum tempo. Nesses casos acabo me lembrando de uma conhecida frase: O impossível podemos providenciar agora, milagre demora mais um pouco!

​Muitas vezes o cliente olha o projeto e diz: “Não gostei!”. É bom saber se ele realmente não gostou, ou não entendeu. De um modo geral, quando pergunto “do que ou por que não gostou”, ele vacila. Quase sempre, não sabe informar. É uma sensação meio indefinida, meio vaga, que nasce da incompreensão e do desconhecimento. “Sei lá! Não gostei...!”

Quando não se tem noção de proporção de espaço ou percepção para visualizar o projeto, é difícil fazer o cliente compreender os traços de um desenho. Até mesmo quando se faz uma perspectiva - um desenho em três dimensões - é incerto que ele a compreenda, porque embora essa técnica ilustre muitíssimo bem o plano de trabalho, muitas vezes pode dar um idéia ilusória do espaço real. Aliás, esses truques de desenho que iludem propositalmente, são muito comuns nos prospectos de venda de empreendimentos imobiliários, onde a escala do desenho é uma, e a escala dos móveis é outra, forjando uma realidade fictícia com finalidade de vendas. O apartamento, a casa parecem muito maiores do que realmente são.

​O leigo deve estar bem informado para saber interpretar o que está vendo. É complicado fazer uso de um serviço sem conhecê-lo. Alguns acreditam que é pura bobagem entender de Arquitetura para encomendar uma obra: “Afinal – estou contratando um profissional para fazer isso por mim. Não preciso conhecer os meandros da profissão.” Não precisa ser um arquiteto evidentemente, mas, precisa saber o que é Arquitetura e para que serve. É fundamental ter informação daquela ferramenta que vai ser utilizada para saber o que esperar dela. Sem operar alguns programas de computador, sou obrigada a ter noções de como funcionam e quais resultados poderei obter com eles, caso contrate um profissional para executá-los. É necessário discordar na mesma língua. “Parafraseando Tom Jobim: Para que um projeto de Arquitetura seja “grande” é necessário que o cliente não seja pequeno”.

​Outra fonte de queixas e lamentações dolorosas é o custo da obra e, em seguida, da decoração. Algumas vezes o cliente, amedrontado com a materialização dos seus desejos, costuma resmungar: “A Dorys está comprando coisas caras demais!”. Que bom seria se o cliente nos desse carta branca para gastarmos e comprássemos coisas caras demais. Há coisa melhor do que gastar? Sobretudo o dinheiro dos outros? Infelizmente, não é verdade. Jamais gastei um centavo sem a permissão do cliente. Mas na hora de concretizar o sonho, quando passam da fantasia à realidade, muitos deles se assustam. É a hora em que as contas do fornecedor, dos materiais de construção, ou das lojas de móveis começam a se acumular na escrivaninha.

Certa vez um cliente me encomendou um projeto que exigia um nível de detalhamento caro. Ele tinha um poder aquisitivo muito alto e precisava construir uma casa que refletisse seu status como homem de negócios importante em todo o país. Queria receber em seu escritório particular e, após realizar grandes transações, recepcionar os convivas para comemorar o êxito das relações comerciais. Pedia, por isso, um projeto que traduzisse segurança, influência e prestígio.

Compreender a casa como representação de seu poder no mundo dos negócios era vital para a elaboração do projeto. Sua privilegiada condição econômica e social deveria marcar a imagem da nova moradia, evocando classe e distinção.

A realização do programa obedeceu às suas expectativas. Além da criação do layout e acompanhamento da obra, desejava que eu concebesse a linha do design de interiores. ​Eu costumava enviar ao seu escritório a relação de móveis, desenhos e objetos escolhidos. Ele devolvia dizendo: “Está caro!” Eu voltava a pesquisar e, novamente, encaminhava uma segunda lista para seleção. Ele recusava de novo: “Está pobre! Prefiro a anterior!” Retornávamos, então, à primeira opção, invariavelmente mais ostentadora. Suas preferências recaíam, sempre, sobre aqueles móveis e objetos que correspondiam às suas necessidades de demonstrar poder, os de preço mais elevado.

​Entre amigos, meu cliente adorava lamuriar-se, com uma ponta de orgulho nas entrelinhas: “A minha arquiteta gasta demais. Naquela mesa de trabalho que ela escolheu gastei uma pequena fortuna!” Emendava uma ladainha atrás da outra. Sofria de dar pena... Mas, com um sorriso de satisfação, confirmava que havia realizado a compra “apesar de ser absurdamente cara! Assim vou à falência!”. Aliás, esta é uma das frases que mais ouço, mas eu nunca tive notícias de ninguém que falisse ou entrasse em concordata devido às especificações de um arquiteto.

​Essa queixa permanente estava a serviço de certo prazer de sofrer. Reclamar do custo elevado da obra tinha, como contrapartida, a satisfação de sentir-se capaz de pagar por ela. O jeito era sorrir e continuar a trabalhar naquela linha de criação. Eu sabia que por trás das lamentações, o cliente estava adorando construir um palacete “nirvânico”, de onde partiria para conquistar o mundo.

​Lidar com frustrações, queixas e decepções faz parte do jogo. Arquitetos e clientes buscam afinar instrumentos para tocar, a quatro mãos, uma melodia única que, vez ou outra, pode semitonar. Mas, com paciência, respeito e compreensão ultrapassam as dificuldades naturais da parceria e executam a obra que, juntos, compuseram.





DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

Comentário do Ênio Padilha

Durante dez semanas nosso site teve o privilégio de contar com a colaboração dessa MENTE BRILHANTE da nossa Arquitetura.
Dorys Daher, pela quantidade de admiradores que conquistou no Brasil inteiro, principalmente por conta do seu livro CIMENTO BATOM E PÉROLAS, é uma autora capaz de atrair a atenção de muita gente.
E foi o que aconteceu. Seus posts nessas dez semanas sempre atraiam grande quantidade de leitores para o site.
A gente só pode agradecer pela participação dela por aqui e torcer para que ela volte no futuro para dividir conosco seu trabalho inteligente.
Obrigado, Dorys Daher. E volte quando quiser. A casa é sua!

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14/10/2014

RUÍNA - MORRO DA GLÓRIA LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Como de costume, tenho trazido desenhos que representassem monumentos, edifícios, memoriais com datas e etc. Mas, neste ultimo croqui, resolvi trazer o meu aprendizado dessa Temporada Primavera de Autores Convidados.
Desde que comecei a buscar lugares para publicar aqui, tive que reaprender a observar a cidade e a enxergar detalhes que por vezes passam despercebidos, tive que reaprender a ver as pessoas e buscar entender o que significa a cidade para elas a partir do modo como elas usam. Não é a toa que caminhando por Laguna eu ainda me pego em devaneios e esbarrando por lugares e casas que tem muita história pra contar. Ainda estou descobrindo.
Este desenho será a minha porta para continuar caminhando e desbravando essa cidade maravilhosa cheia de histórias e belezas para mostrar. As ruínas que Laguna possui contam suas histórias para quem queira ver. Fica o convite!!
E, também, fica meu agradecimento ao Ênio Padilha, sempre atencioso, e a sua secretária Carol que sempre me lembrava de mandar os desenhos, pela oportunidade de crescimento que foi fazer essas publicações e poder compartilhar um pouco da história da minha cidade natal com todos os leitores do seu site. (e que, pelo visto, são do mundo todo rsrs).
Muitíssimo obrigado!!!!




RUÍNA - MORRO DA GLÓRIA LAGUNA-SC





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

O estudante de Arquitetura Fernando Rebelo foi uma surpresa feliz nesta Temporada Primavera de Autores Convidados.
Seus desenhos, elogiados por profissionais tarimbados, ilustraram e deram valor ao nosso site. Mas a leitura que ele fez da jornada e seus comentários sobre cada um dos desenhos foi um toque excepcional.
Parabéns, Fernando. E que Deus ilumine seus caminhos para que você construa uma carreira produtiva e brilhante na Arquitetura.

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13/10/2014

PROJETO DE LEI
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





A corrupção está se tornando (se já não era e apenas agora passamos a ter mais informações sobre ela) um câncer em nossa sociedade e tem consequências em todas as áreas. Se ela acontece nos órgãos públicos, está tirando dinheiro que poderia ser usado para melhorar a vida de todos, se acontece nas empresas privadas, seu custo vai para os preços finais dos serviços e produtos pagos pelo consumidor, nós, e vai se refletir em aumento da inflação e diversas outras consequências. Ou seja, a corrupção é uma ação feita por poucos em malefício de todos.

Pensando nisso, resolvi dar minha contribuição para resolver o problema (olha a pretensão), e o fiz na forma de uma proposta de projeto de lei, que poderia ser encampada por qualquer um dos nossos parlamentares que, é claro, não estivesse com isso, legislando em causa própria, ou melhor dizendo, contra si próprio.
O projeto apresenta diversas alternativas para penalizar o corrupto. Veja se alguma coincide com a sua.

JUSTIFICATIVA
A corrupção é uma quebra do pacto social, onde cada indivíduo sacrifica parte de seus desejos, instintos e direitos em prol da convivência e o corrupto, ao contrário disso, considera o bem público como sua propriedade particular, portanto a corrupção é uma ameaça à estabilidade e existência de uma comunidade;

O corrupto, por achar que tem o direito de se apossar do dinheiro que pertence a todos, demonstra uma enorme arrogância e prepotência, o que o torna incompatível de viver em sociedade;

O dinheiro desviado pela corrupção normalmente é dinheiro que seria destinado a políticas públicas, ou seja, para ações que atenderiam principalmente as pessoas mais necessitadas;

Como consequência muitas mortes causadas por problemas típicos da pobreza, como fome: desnutrição, doenças tratáveis, falta de saneamento, ocorrem porque o dinheiro desviado não é utilizado para atacar esses problemas, que poderiam ser minimizados ou eliminados;

Se calcularmos o número de mortes causadas pelos problemas gerados ou não evitados pela falta do dinheiro desviado, e compararmos com o número de mortes ocorridas em guerras, num mesmo período, vamos ver que o resultado da corrupção pode ser considerado um cenário de guerra e, portanto, o corrupto pode ser encarado como um criminoso de guerra;

Sob esse ponto de vista, então, o corrupto é um genocida e deveria estar sujeito às leis internacionais referentes a esse assunto.

PROJETO
Estabelece as regras para combate à corrupção e penalização dos corruptos

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Assim que for levantada a suspeita, ou qualquer indício de corrupção, por parte de um servidor público, por qualquer órgão de controle, investigação ou denúncia sustentada, deve-se abrir imediatamente um processo sobre o assunto.

Art. 2º. O corrupto deve ser suspenso logo na constatação de indícios de corrupção, até o final das investigações. Se, ao final, for considerado culpado, seja demitido, se considerado inocente, seja readmitido em sua função original.

Art. 3º. Que os julgamentos de corrupção sejam submetidos a rito sumário, com prazos máximos estabelecidos para cada instância julgadora.

Art.4º. Que sejam reduzidos os números de recursos admissíveis.

Art. 5º. Que os condenados por corrupção não tenham direito a nenhum benefício de flexibilização ou progressão de pena.

Sobre as penas:

Art.6º. Que os corruptos sejam degolados em praça pública.

OU

Que sejam esfolados para ficarem com menos até do que aqueles aos quais eles deixaram apenas com pele sobre os ossos.

OU

Que tenham os olhos furados para não cobiçar a propriedade alheia e as mãos cortadas para não afanar o dinheiro dos outros.

OU

Que seus bens e de seus familiares sejam confiscados, suas cassa demolidas e os terrenos salgados para que nem grama cresça nesses lugares.

OU

Que cumpram pena numa colônia agrícola de extração de borracha, no Acre. Que seja estipulado um valor para o seu trabalho diário e que esse valor seja descontado até o ressarcimento total do valor desviado.

Que as penas por corrupção, principalmente para aqueles casos em que o dinheiro desviado seja clara e diretamente vinculado a programas em que a sobrevivência e a dignidade do ser humano estejam envolvidos, sejam incrementadas por agravantes equivalentes a genocídio e aplicadas as leis pertinentes.

Sala de Sessões, xxxx de xxxx de xxxx

Se algumas dessas propostas o chocou ou até escandalizou, é um bom sinal. Você ainda consegue se indignar com exageros e absurdos. Pois a corrupção é isso: um absurdo do ponto de vista social e uma deformação de caráter do ponto de vista humano. Mas se você se choca com a proposta de solução, mas não com a causa, na mesma intensidade, alguma coisa continua errada. Não podemos nos acostumar, entender ou tentar justificar a corrupção. É um crime hediondo, horrível, desumano, e assim deve ser entendido e enfrentado.

Espero que possamos, num futuro próximo, se não vermos a corrupção extirpada de nosso meio, pelo menos termos leis duras, rígidas e eficientes que tratem o assunto como a praga que é e sem nenhuma complacência.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Wilson Xavier Dias abre esta última semana da Temporada Primavera de Autores Convidados do nosso site.
Foram dez semanas usufruindo da lucidez e da competência desse engenheiro que é também um dos mais competentes pensadores do nosso Sistema Profissional. Um privilégio.
Tenho certeza de que os milhares de leitores que desfrutaram dos artigos escritos pelo Wilson Dias hão de concordar comigo: seus textos vão deixar saudades por aqui.
Resta-nos agradecer pela passagem e renovar nossos parabéns pela qualidade do seu trabalho. E esperar que esteja de volta no futuro.


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