Notas de "AUTOR CONVIDADO"

13/10/2014

PROJETO DE LEI
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





A corrupção está se tornando (se já não era e apenas agora passamos a ter mais informações sobre ela) um câncer em nossa sociedade e tem consequências em todas as áreas. Se ela acontece nos órgãos públicos, está tirando dinheiro que poderia ser usado para melhorar a vida de todos, se acontece nas empresas privadas, seu custo vai para os preços finais dos serviços e produtos pagos pelo consumidor, nós, e vai se refletir em aumento da inflação e diversas outras consequências. Ou seja, a corrupção é uma ação feita por poucos em malefício de todos.

Pensando nisso, resolvi dar minha contribuição para resolver o problema (olha a pretensão), e o fiz na forma de uma proposta de projeto de lei, que poderia ser encampada por qualquer um dos nossos parlamentares que, é claro, não estivesse com isso, legislando em causa própria, ou melhor dizendo, contra si próprio.
O projeto apresenta diversas alternativas para penalizar o corrupto. Veja se alguma coincide com a sua.

JUSTIFICATIVA
A corrupção é uma quebra do pacto social, onde cada indivíduo sacrifica parte de seus desejos, instintos e direitos em prol da convivência e o corrupto, ao contrário disso, considera o bem público como sua propriedade particular, portanto a corrupção é uma ameaça à estabilidade e existência de uma comunidade;

O corrupto, por achar que tem o direito de se apossar do dinheiro que pertence a todos, demonstra uma enorme arrogância e prepotência, o que o torna incompatível de viver em sociedade;

O dinheiro desviado pela corrupção normalmente é dinheiro que seria destinado a políticas públicas, ou seja, para ações que atenderiam principalmente as pessoas mais necessitadas;

Como consequência muitas mortes causadas por problemas típicos da pobreza, como fome: desnutrição, doenças tratáveis, falta de saneamento, ocorrem porque o dinheiro desviado não é utilizado para atacar esses problemas, que poderiam ser minimizados ou eliminados;

Se calcularmos o número de mortes causadas pelos problemas gerados ou não evitados pela falta do dinheiro desviado, e compararmos com o número de mortes ocorridas em guerras, num mesmo período, vamos ver que o resultado da corrupção pode ser considerado um cenário de guerra e, portanto, o corrupto pode ser encarado como um criminoso de guerra;

Sob esse ponto de vista, então, o corrupto é um genocida e deveria estar sujeito às leis internacionais referentes a esse assunto.

PROJETO
Estabelece as regras para combate à corrupção e penalização dos corruptos

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º Assim que for levantada a suspeita, ou qualquer indício de corrupção, por parte de um servidor público, por qualquer órgão de controle, investigação ou denúncia sustentada, deve-se abrir imediatamente um processo sobre o assunto.

Art. 2º. O corrupto deve ser suspenso logo na constatação de indícios de corrupção, até o final das investigações. Se, ao final, for considerado culpado, seja demitido, se considerado inocente, seja readmitido em sua função original.

Art. 3º. Que os julgamentos de corrupção sejam submetidos a rito sumário, com prazos máximos estabelecidos para cada instância julgadora.

Art.4º. Que sejam reduzidos os números de recursos admissíveis.

Art. 5º. Que os condenados por corrupção não tenham direito a nenhum benefício de flexibilização ou progressão de pena.

Sobre as penas:

Art.6º. Que os corruptos sejam degolados em praça pública.

OU

Que sejam esfolados para ficarem com menos até do que aqueles aos quais eles deixaram apenas com pele sobre os ossos.

OU

Que tenham os olhos furados para não cobiçar a propriedade alheia e as mãos cortadas para não afanar o dinheiro dos outros.

OU

Que seus bens e de seus familiares sejam confiscados, suas cassa demolidas e os terrenos salgados para que nem grama cresça nesses lugares.

OU

Que cumpram pena numa colônia agrícola de extração de borracha, no Acre. Que seja estipulado um valor para o seu trabalho diário e que esse valor seja descontado até o ressarcimento total do valor desviado.

Que as penas por corrupção, principalmente para aqueles casos em que o dinheiro desviado seja clara e diretamente vinculado a programas em que a sobrevivência e a dignidade do ser humano estejam envolvidos, sejam incrementadas por agravantes equivalentes a genocídio e aplicadas as leis pertinentes.

Sala de Sessões, xxxx de xxxx de xxxx

Se algumas dessas propostas o chocou ou até escandalizou, é um bom sinal. Você ainda consegue se indignar com exageros e absurdos. Pois a corrupção é isso: um absurdo do ponto de vista social e uma deformação de caráter do ponto de vista humano. Mas se você se choca com a proposta de solução, mas não com a causa, na mesma intensidade, alguma coisa continua errada. Não podemos nos acostumar, entender ou tentar justificar a corrupção. É um crime hediondo, horrível, desumano, e assim deve ser entendido e enfrentado.

Espero que possamos, num futuro próximo, se não vermos a corrupção extirpada de nosso meio, pelo menos termos leis duras, rígidas e eficientes que tratem o assunto como a praga que é e sem nenhuma complacência.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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Comentário do Ênio Padilha

Wilson Xavier Dias abre esta última semana da Temporada Primavera de Autores Convidados do nosso site.
Foram dez semanas usufruindo da lucidez e da competência desse engenheiro que é também um dos mais competentes pensadores do nosso Sistema Profissional. Um privilégio.
Tenho certeza de que os milhares de leitores que desfrutaram dos artigos escritos pelo Wilson Dias hão de concordar comigo: seus textos vão deixar saudades por aqui.
Resta-nos agradecer pela passagem e renovar nossos parabéns pela qualidade do seu trabalho. E esperar que esteja de volta no futuro.

10/10/2014

EXCLUSÃO URBANA
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Um dos problemas mais urgentes das cidades brasileiras e, consequentemente, maior alvo da falácia eleitoral e da incompetência da gestão pública, é a moradia para cidadãos de baixa renda.

Nossos gestores públicos, sempre convictos de que o Estado deve tomar para si toda a responsabilidade do processo, monopolizando as desapropriações, projeto, construção e distribuição das moradias populares, para aí sim deixar o cidadão desamparado.

Estruturas burocráticas inúteis são criadas com a promessa de solução para, com o passar do tempo, ser convertidas em cabides de empregos para técnicos sem imaginação e “urbanistas” excludentes. Onde maior façanha é produzir os mais medonhos e inóspitos conjuntos habitacionais, exilando a população de baixa renda dos centros urbanos em locais como Parelheiros ou Cidade Tiradentes, condenando seus habitantes a uma vida de desconforto no deslocamento casa-trabalho e privações dos direitos básicos de um cidadão.

A cidade de São Paulo é o maior exemplo da incompetência de todos os governos estaduais e municipais dos últimos 50 anos. Numa inversão absurda de valores, a população carente é jogada na periferia, sem acesso a saneamento, transporte público, postos de saúde, delegacias ou escolas públicas. Enquanto as classes média e alta, apesar do acesso fácil à infra-estrutura pública, deslocam-se em seus automóveis, freqüentam escolas particulares, consultam seus médicos conveniados, protegidos por seguranças particulares.

Para atenuar esta situação é necessária muita coragem, determinação, inovação e uma boa dose de audição seletiva. Coragem para desmantelar órgãos como a COHAB e o CDHU, para reunir a iniciativa privada, capitaneada por associações como o IAB, SECOVI, Instituto de Engenharia entre outras para construir um plano consistente.

Determinação para não aceitar as pressões do mercado e desapropriar grandes áreas ao longo das linhas do Metrô, no centro da cidade e em bairros já dotados de infra-estrutura necessária para a construção dos novos conjuntos.

Inovação para fugir dos modelos já construídos e partir para soluções mais arrojadas, com prédios mais altos, áreas verdes e de lazer. Para definir um processo de leilão onde empresas, imobiliárias, construtores e incorporadores, competissem em igualdade de condições, apresentando propostas de apartamentos de metragem aceitável, onde o vencedor seria o projeto de menor preço à população.

A última qualidade é fundamental para ignorar as manifestações contrárias daqueles que não conseguem propor soluções diferentes do atual modelo. De pessoas tão desconectadas da realidade da cidade que são capazes de propor a construção de uma caixa de concreto para esconder um viaduto, considerar aceitável a regularização de favelas em áreas de manancial, ou sugerir o tombamento de um galpão velho em uma zona nobre da cidade.

Infelizmente, quando o assunto é moradia popular, os preciosos ensinamentos das Faculdades de Arquitetura e Urbanismo que, apesar de sustentados com dinheiro público, não estão disponíveis.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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09/10/2014

PRAÇA DOS CRISTAIS - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





A Praça dos Cristais, é um jardim de formas geométricas construído sob a forma de um triângulo (como na forma do terreno). As formas geométricas em concreto remetem às formações cristalinas, típicas da região. O conjunto foi projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx e pelo arquiteto Haruyoshi Ono em 1970. é conhecida também como Praça Cívica do Quartel General do Exército e se localiza no Setor Militar Urbano, em Brasília



PRAÇA DOS CRISTAIS - BRASÍLIA-DF




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ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

07/10/2014

MONUMENTO A HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS, LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Laguna é, de história, terra de guerreiros. Lugar onde lá em meados do século XIX já fora cenário de lutas. Os vestígios dessas conquistas são vistas até hoje e os seus heróis são aclamados e reconhecidos pelos seus monumentos por toda a cidade. Aqui, mais especificamente, temos a nossa "Heroína dos dois mundos", Anita Garibaldi, que lutou bravamente ao lado do seu marido Giuseppe Garibaldi. As lutas se travaram em terra e em mar. Garibaldi veio por mar em seu navio batizado de "Seival". A história começa com o desenho mostrado no croqui que fiz. Foi um monumento feito para o primeiro centenário da morte de Anita Garibaldi. O desenho mostra, ao centro, a árvore que nasceu na quilha do barco "Seival". Várias interpretações são possíveis. Mas eu sempre adotei a de que esta árvore representa o renascimento da memória dos heróis que morreram em guerra pela democracia, dos heróis que trouxeram da sua pátria e do seu povo as forças para encarar os inimigos sabendo que o que estavam fazendo era um ato de coragem e bravura. Hoje suas memórias são preservadas e continuarão perpetuando por todas as gerações futuras, lembrando sempre de onde viemos. E assim, Laguna continuará sendo a terra de guerreiros.




MONUMENTO A HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS, LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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06/10/2014

SOBRE VÍRUS, BACTÉRIAS E OUTROS SERES INCÔMODOS
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





O corpo humano é hospedeiro de inúmeros microorganismos, tipo bactérias e vírus, mas de natureza benigna. São até importantes para o metabolismo e funcionamento correto de diversas funções de nosso corpo. Mas quando um desses sofre uma mutação, ou entra algum "estranho no ninho", que não faz parte da colônia, começam os problemas, que podem ir de um desconforto, um desarranjo, que o corpo pode reagir com suas defesas naturais e expulsar ou eliminar, até o ponto de a defesa do corpo não ser poderosa o suficiente, e se não houver ajuda externa, acabar levando à morte. Às vezes essa luta é feroz e demorada, até pender para a vitória de um lado, o que resulta em cura ou morte.

Mas, por que estou falando isso?

É que vendo os últimos relatórios sobre o clima e vendo o que está acontecendo mundo a fora, me veio essa imagem à cabeça: a Terra sendo um enorme corpo vivo e as criaturas que aqui habitam, nós, os humanos inclusos, como os seres minúsculos que vivem de seu corpo, futricando suas entranhas.

Até aqui vivíamos como umas pulgas incômodas, mordendo, sugando, causando alguns desconfortos. Mas parece que de uns tempos para cá sofremos algum tipo de mutação, mudamos radicalmente nossa natureza, e de incômodos passamos a ser perigosos. De uma simples coceirinha passamos a causar dor. Saímos do estágio de hóspedes chatos para a condição de corpos estranhos, que podem ameaçar a existência do hospedeiro.

É nesse estágio que as luzes se acendem, as campainhas e sirenes tocam indicando sinal de perigo real, as defesas do corpo acordam e se alinham em formação de batalha. A primeira reação é mostrar ao intruso o desconforto que ele está causando e tentar diminuir seu poder. É como o cachorro que dá aquela chacoalhada, ou fica se coçando insistentemente, tentando expulsar o carrapato que o incomoda. A Terra tem dado algumas chacoalhadas para nos chamar a atenção: buraco de ozônio, aquecimento global, degelo das calotas polares, recordes de temperaturas positivas e negativas, algumas catástrofes inusuais... E nós, como parasitas insensíveis, não demos bola para os recados. Meia dúzia de "radicais" ou "loucos" levantaram a voz, decifrando os recados da natureza, mas, é claro, falaram para ouvidos moucos. Grandes interesses econômicos e políticos impediam que os argumentos fossem ouvidos, muito menos que qualquer ação fosse tomada.

A Terra continuou a se contorcer, a dar cada vez mais indícios do desconforto que estava sentindo, até um momento em que, parece, o ser humano passou a representar uma ameaça real e que exigia um tratamento mais sério e drástico das defesas e anti corpos naturais. A partir daí a natureza passou a mostrar sua ira, sua capacidade de reação: fenômenos naturais com uma intensidade, violência e duração nunca antes vistos têm ocorrido em todas as partes do mundo. Recente relatório da ONU indicou que em todas as regiões da Terra, no último ano, algum fenômeno radical ocorreu.

Não parece ser mais um reação de desconforto. Temo estarmos chegando no ponto de a natureza estar tentando expulsar ou eliminar o corpo estranho.

Mas e nós, não vemos isso? Não percebemos as mudanças drásticas que vêm ocorrendo, e aumentando, nos últimos anos? Será que toda nossa inteligência, tecnologia, capacidade mental, não consegue ver, decifrar e entender isso? Não conseguimos concluir que isso tudo é culpa nossa? Parece que não. Parece que a fome do lucro embaça nossos olhos, embota nosso raciocínio. Porque as ações necessárias para tentar reverter o processo exigiria abrir mão de muito lucro, muita ação predatória, investir muito na recuperação do mal já feito. E parece que não estamos dispostos a isso. Preferimos correr o risco de acumular dinheiro, mesmo que no futuro ele só sirva para alimentarmos uma fogueirinha, tentando escapar do frio inclemente. Não importa que nossos filhos e netos tenham que enfrentar, num futuro talvez bem próximo, situações duríssimas para sobreviver. E enquanto a natureza nos vergasta ficamos discutindo indefinidamente as causas, se somos culpados, quem paga a conta, e outras questões que teriam muito sentido se já não estivéssemos perto da situação do " salve-se quem puder..."

Talvez estejamos esperando que a situação chegue mesmo perto da possibilidade real de nossa extinção para reagirmos. Sempre foi assim, deixamos de agir quando ainda estamos no estágio preventivo para depois corrermos atrás de soluções desesperadas e urgentes. Surge uma epidemia ou doença nova, que inicialmente ceifa muitas vidas, o mundo todo se mobiliza atrás de uma cura, programas são criados, cientistas mobilizados, muito dinheiro investido até achar a cura ou a forma de controlar a ameaça. Normalmente isso leva alguns anos e muitas vidas, até incorporarmos aquela situação e soluções ao nosso cotidiano.

Porém na questão climática é diferente. Se esperarmos que a situação chegue ao ponto de realmente nos ameaçar a existência para podermos agir, pode ser tarde demais. A inércia da natureza é muito maior do que a desses outros desafios que enfrentamos. Se tomarmos agora as providências necessárias para reverter o processo, os efeitos disso somente serão sentidos décadas ou séculos à frente. Até lá estaremos sujeitos à fúria e à tentativa da natureza de nos eliminar, o que custará muitas vidas.

Mesmo sabendo disso continuamos discutindo se o que está acontecendo, está acontecendo mesmo, se as catástrofes são naturais ou não, etc.

E quando vejo tudo isso, essa enorme burrice, penso que talvez não mereçamos mesmo habitar esta Terra. Se nossa ambição nos tira a grande vantagem que temos sobre os animais, que é a nossa inteligência, se nos coloca até abaixo deles, pois também nos tira até o espírito de sobrevivência, talvez tenhamos perdido nossa chance. Talvez, pela seleção natural, sejamos incompatíveis. Talvez.

Termino parafraseando a última frase da genial obra prima de Gabriel Garcia Marquez, Cem Anos de Solidão, que conta a história de uma cidade que durou cem anos, teve seu apogeu e no final foi varrida do mapa, destruída por um grande vendaval: "...e que tudo o que estava escrito neles era irrepetível desde sempre e por todo o sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão (no nosso caso eu diria estupidez) não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra."

Esperemos para ver.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

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03/10/2014

TOLERÂNCIA ZERO PONTO DOIS
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Assistimos no final de junho (2008) a um verdadeiro show de responsabilidade das autoridades brasileiras como há muito tempo não era visto, apesar de necessário e urgente.

Pela primeira vez, num assunto em que o normal é a total irresponsabilidade e leniência, o estado decidiu agir com rigor quase absoluto contra a condução de veículos sob influência de álcool. A atual legislação coloca o Brasil ao lado do mundo civilizado, nada deixando a dever, nos casos de embriaguez ao volante, a países como o Japão, Estados Unidos, Suécia e tantos outros que já contabilizaram os custos econômicos e sociais da permissividade e tomaram as medidas necessárias.

É claro que, mesmo na falta de tolerância, o Brasil sempre precisa de uma válvula de escape. Apesar das recomendações de Tolerância Zero, enviadas pelo Instituto de Engenharia na consulta pública sobre as alterações do Código de Trânsito Brasileiro, feita pelo Ministério da Justiça, estipulou-se um limite de dois decigramas de álcool por litro de sangue.

Os resultados esperados são animadores, pois além da metade das 50 mil mortes anuais causadas por acidentes automobilísticos envolverem o consumo de bebidas alcoólicas, as administrações municipais, concessionárias de rodovias, departamentos de engenharia de transito, polícia rodoviária, hospitais e etc. poderão utilizar melhor seus recursos hoje destinados a socorrer motoristas irresponsáveis.

É obvio, no entanto, que somente promulgar a lei não é suficiente, como não foi nos países citados anteriormente. A fiscalização não pode, em hipótese alguma, seguir os cronogramas do horário eleitoral, sofrer as conhecidas interrupções do serviço público ou ser objeto das criativas investidas comerciais dos departamentos de trânsito.

Também é necessário que as punições não sejam passíveis de revisões legislativas eleitoreiras ou alvo de decisões “sociais” do judiciário, ficando claro aos infratores que esta medida vai ser implantada por bem ou por mal.

Fica a sugestão dos métodos da polícia e do poder judiciário norte americano, em especial do estado da Califórnia (EUA), onde, numa das cidades com maior concentração de celebridades por habitante, é comum notícias da prisão e posterior encarceramento de infratores hollywoodianos. As companhias de seguros, também fazem sua parte, atrelando seus preços à responsabilidade do motorista.

No Brasil, apesar de todos os motivos para comemoração, o caminho ainda é longo. É preciso conscientizar os motoristas das punições à embriaguez ao volante. É preciso planejar, fundear e executar a fiscalização em todos os municípios e estradas. É preciso envolver destilarias, cervejarias, vinícolas, bares, restaurantes, taxistas e etc., numa campanha pelo consumo responsável.

Mas principalmente, é preciso que autoridades saibam exatamente o que fazer quando um ator global, jogador de futebol ou filho de nobres excelências de algum dos três poderes, declarar frente ao bafômetro acusador: “Você sabe com quem está falando?”





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

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02/10/2014

PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Inaugurado em 21 de Abril de 1960, seu projeto arquitetônico é mais uma obra assinada por Oscar Niemeyer. A arquitetura do prédio chama a atenção pelos pilares que o contornam, em um movimento que mistura retas com curvas, na parte interna. Na área externa, há um espelho d’água onde são podem ser vistas carpas japonesas. Os anexos abrigam ainda uma biblioteca com mais de 33 mil exemplares, importantes obras de arte e mobiliário de alta categoria, alguns do século XVIII.

PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF




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ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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30/09/2014

IGREJA NOSSA SRA. AUXILIADORA, LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





A capela Nossa Sra Auxiliadora, hoje paróquia, nasceu do empenho de senhoras que por volta de 1936, realizavam a catequese para as crianças da comunidade da Roseta, atual bairro Progresso. Por mais de 75 anos é realizada a tradicional festa em sua homenagem, antecedendo a festa do Santo Antonio dos Anjos, onde os devotos da santa se reúnem e organizam eventos musicais, barracas de comida tradicional, novenas e procissões. Todos os dias a caminho da faculdade passo pela frente da igreja e me pergunto se a intenção do projeto foi fazer a fachada se assemelhar a um chapéu de freira ou se foi apenas uma mera coincidência. Mas no fim ela acabou se tornando uma identidade pro bairro Progresso, os moradores irão levá-la para sempre em sua memória. Com muito orgulho.




IGREJA NOSSA SRA. AUXILIADORA, LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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29/09/2014

OS ÓRFÃOS DA UTOPIA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Sou da geração que teve sua juventude toda vivida em plena ditadura. Medo, falta de informações, muitas mentiras e construções forçadas de sonhos mirabolantes foram a matéria prima de nossa formação. Some-se a isso o fato de ser evangélico, numa época em que a igreja evangélica era um dos suportes do regime, com sua teologia de obediência cega às autoridades e da espiritualização de todo sonho de justiça ou igualdade. E isso numa época em que o poder da igreja sobre a consciência dos fiéis era muito maior do que é hoje.

Porém, na faculdade conheci e participei de um grupo que discutia uma nova (nova para nós) forma de interpretar a Bíblia, descobrindo nela a justificativa de se participar na vida cotidiana, política e socialmente, como parte integrante do Reino de Deus e do desafio deixado por Cristo para os seus seguidores. Dessa rica discussão na época brotaram as idéias e justificativas para a militância que surgiria daí. Imbuídos da utopia gerada pelo evangelho partimos para as formas concretas de sua aplicação. Muitos se engajaram na política partidária, outros intelectualmente produzindo material e idéias para a construção da nova sociedade que estava surgindo, outros continuaram sua militância religiosa com essa nova perspectiva.

Porém, se não todos, a grande maioria viu no PT, surgindo nessa época, a possibilidade concreta de se chegar o mais próximo possível daquilo que, inspirados na utopia gerada pelo evangelho de Cristo, seria o nosso ideal de sociedade. Primeiro pela forma como surgiu, das bases e não de cima para baixo, segundo pelos princípios que defendia e também pela grande participação popular que o sustentava.

Foi uma luta aguerrida até à possibilidade real de se chegar ao poder.Campanhas sórdidas de mentiras e difamações contra o candidato e o partido foram montadas, até que não foi possível mais segurar e o PT chegou ao poder. Estava tudo pronto para a concretização da utopia sonhada. E foi aí mesmo que começaram a surgir os problemas. Constatou-se a dificuldade de promover mudanças, num estado democrático, com tantas forças atuando contra. Então para se conseguir fazer alguma coisa desenvolveu-se o conceito da necessidade da governabilidade. O que poderia ser negociado para que se conseguisse concretizar algumas das propostas originais? Algumas alianças foram celebradas, alguns acordos foram feitos, alguns inimigos passaram a ser amigos, alguns amigos mais intransigentes passaram a ser inimigos, algumas propostas puderam ser implantadas e a utopia foi assassinada. E pouco a pouco foi acontecendo a inversão dos conceitos. Abria-se mão de alguns princípios para que fosse possível, na prática, implantar aqueles princípios que se abriu mão. Deu para entender? A luta pela sociedade justa, utopia final de todo o esforço, foi usada como moeda de troca para se chegar e se manter no poder, que deveria ser apenas o instrumento da utopia. O fim passou a ser o meio e o meio o fim.

Aqueles que preservavam os ideais iniciais ficaram, até por falta de opção, como o velho cavalo Napoleão do livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell: não questionavam nada, apenas trabalhavam, não querendo colocar em dúvida (ou encarar a realidade) os rumos que a revolução tomara.

Não podemos negar que muito foi feito, grandes mudanças aconteceram. Talvez não tudo que esperávamos ou do jeito que gostaríamos, mas que houveram mudanças, e para melhor, houveram. Ao mesmo tempo começamos a descobrir que as práticas que condenávamos nos outros, antes, continuavam presentes só que agora em nosso meio. Parece que havia, implicitamente, uma orientação tipo: estamos fazendo mais do que todos já fizeram antes, fechem os olhos para as demais coisas... Como se os acertos fossem indultos para os erros. E ai de quem discordasse.

Muitos daqueles idealistas trocaram a fidelidade aos ideais pela fidelidade partidária. Não se admitem os erros do partido, não se admitem críticas, não se aceitam propostas novas.

Surge então Marina Silva, catalisando a decepção de muitos, as esperanças de todos, uma luz no fim do túnel. Logo, é claro, surgem as críticas, a caça aos defeitos e pontos negros de sua pessoa ou biografia. Dentro de limites racionais isso é até aceitável. Mas o que estão fazendo com ela é de uma crueldade e de uma desumanidade sem fim. Se trocássemos o nome Marina por Lula, o tempo atual por alguns anos atrás, estaríamos vendo a reedição de tudo o que ele passou, todas as mentiras, calúnias e infâmias que centraram nele. Só que agora é o PT fazendo contra seu adversário. A história se repete ou a reeditamos porque não aprendemos nada dela?

Marina vai conseguir governar? Vai dar certo? Será diferente? Sinceramente, não sei. É uma dúvida. Espero que sim, mas não posso ter certeza. Mas no momento em que estamos, a dúvida é sinal de esperança, porque os demais são certezas. E são certezas do que não queremos. Prefiro arriscar na esperança.

Buscam mal feitos em sua vida, dos seus correligionários, amigos, parentes, nas entrelinhas de seus discursos, como se um pequeno deslize destruísse toda sua carreira de boa vontade e coerência. O que antes era virtude hoje passa a ser pecado. Mas para a enxurrada de denúncias de corrupção, os diversos presos por roubo, antes ligados proximamente ao poder, com esses temos que ter condescendência, não representam o partido, ninguém sabia de nada, corrupção existe em todos os lugares, rouba mas faz... e por aí vão as justificativas.

Desde sua fundação sempre votei no PT, me considerava petista, não pelo partido, mas pela utopia que eu alimentava e sentia projetada nele.

Meus ideais não mudaram, meus sonhos continuam os mesmos, porque meu Cristo continua o mesmo, mas sinceramente não consigo mais, como uma peça errada de quebra cabeças, encaixar minha utopia na prática desse partido.

Resumindo, sinto que ainda sou petista. Infelizmente o PT não.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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26/09/2014

UM MUNDO MELHOR
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Há alguns anos surgiu, de um anúncio de bebidas, o conceito do efeito Orloff. A referência se devia ao consumidor daquela específica marca de vodca deparar-se com sua imagem no dia seguinte sem aparentar os devastadores efeitos do consumo alcoólico de baixa qualidade dizendo a si mesmo: “eu sou você amanhã”.

O “Efeito Orloff”, aplicado pelos papos de botequim e jornalismo econômico aos países em desenvolvimento mostrando que a crise de uma nação seria da outra no futuro, foi sucesso de crítica nos anos 80 e 90 e volta a cena quando o assunto é trânsito.

São Paulo enfrenta hoje gravíssimos problemas de tráfego de veículos, numa situação considerada surrealista por cidadãos de outras metrópoles brasileiras que, exclusivamente por sua diferença de tamanho, ainda não se conscientizaram da aplicação do “Efeito Orloff” à medida que suas frotas de veículos crescem em ritmo igual ou superior ao paulistano.

Na mídia florescem soluções radicais, milagrosas ou estapafúrdias com um único ponto em comum, a vocação para o fracasso se tomadas isoladamente, pois ignoram um princípio simples da humanidade, a relação custo benefício, acreditando numa máxima da educação infantil arcaica, a proibição pura e simples.

Ora num país em que sua população já deixou claro que a legislação sem sentido é ignorada, que as autoridades não tem força moral ou operacional para aplicar a legislação existente e os governos preocupam-se mais com o resultado das urnas do que com a segurança e o bem estar dos cidadãos, é de se esperar que o futuro seja um grande engarrafamento.

A solução do trânsito paulistano e, conseqüentemente, brasileiro não será simples, mas seu princípio é claro, o transporte individual com um automóvel tem de custar caro o suficiente para que as pessoas optem pelo transporte público.

Devemos então tomar um conjunto de medidas que, juntas. produzirão esta mudança cultural. Medidas como: Priorizar a qualidade e a quantidade do transporte público; proibir o estacionamento no leito carroçável de ruas praças e avenidas; exigir de edifícios e estabelecimentos comerciais áreas disponíveis para caçambas de entulho; levar a Zonal Azul do leito carroçável para terrenos especialmente criados para estacionamento; proibir o tráfego de veículos de carga no horário de rush; restringir operações de descarga ao período noturno; extinguir o rodízio e criar o pedágio urbano; implementar a inspeção veicular anual completa (segurança e ambiental); retirar de circulação em caráter permanente carros velhos e sem condições mínimas de segurança e fiscalizar com rigor o pagamento de tributos, licenças e multas apreendendo os veículos irregulares.

Para completar, o governo federal deve deixar a política eleitoreira fora dos corredores da Petrobrás e aumentar o preço da gasolina, pois o maior inibidor dos deslocamentos supérfluos é custo do quilômetro rodado.

A Lei Cidade Limpa do prefeito Gilberto Kassab mostrou que a população pode até reclamar na implantação de medidas duras e drásticas, porém é madura o suficiente para perceber, reconhecer e agradecer as melhorias geradas.

Enfim, aos motoristas brasileiros que insistirem em usar o carro, fica o recado da Daslu: “Existe sim um mundo melhor, porém é caríssimo”.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: edemarsamorim@gmail.com

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