Notas de "AUTOR CONVIDADO"

24/09/2014

EXIGÊNCIAS DA RAINHA DO LAR
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






A casa era o mundo de Lúcia. À frente desse universo, ela comandava a rotina dos filhos, netos, marido, organizando o cotidiano e os encontros familiares. Os eventos em torno dos quais aquele grupo se construía, eram elaborados por ela, com suas festas tradicionais, almoços de domingo, encontro de amigos e recepções profissionais.

A construção da casa foi uma “loucura”! Refazer essa rotina, rigorosamente administrada por ela, causou uma pequena revolução em sua vida. Nada poderia ser aprovado sem que Lúcia pusesse sua marca, interferindo em cada linha do projeto.

As mulheres são muito mais complicadas que os homens. Posso falar à vontade, porque também sou mulher. É preciso reconhecer que somos menos objetivas que os homens. A emotividade, a sensibilidade à flor da pele e a instabilidade de humor fazem parte da nossa constituição. Somos menos diretas, mais atingidas por variações hormonais, mais difusas em nossos desejos, o que nos favorece por sermos bem mais acessíveis e receptivas ao diferente e ao novo.

Ainda hoje, há uma concepção arraigada em nossa cultura sobre a posição da mulher como rainha do lar.

Mesmo quando se desfraldam bandeiras feministas, sabemos que por trás do desejo de independência há a inconsciente vontade de que o homem pague a conta, abra a porta do carro e seja o porto seguro do relacionamento! Ou não?

Mesmo as mulheres que ocupam um lugar de grande importância no campo profissional, não trocaram o trabalho do lar pela carreira, mas sim, acumularam funções. Observo que as mulheres, ainda que independentes financeira e intelectualmente, na convivência com seus cônjuges agem de forma inteligente ao delegar aos seus maridos o direito de lhes nomearem Rainhas do Lar. O homem é a cabeça do casal. A mulher é o pescoço: vira a cabeça para onde quiser.

A casa é, na maioria das vezes, um espaço feminino. A mulher está ligada ao papel de cuidadora e protetora: dos filhos, do marido, dos pais. É ela quem vai gerar crianças e dar continuidade à família. Portanto, cabe a ela permanecer na casa para alimentar e proteger o grupo, exercendo suas prerrogativas para resguardar as conquistas do marido, permitindo que ele se lance sossegadamente, ao front da luta pela sobrevivência.

Ela precisa alimentar os filhos. Então, a cozinha deve ser um espaço onde possa cumprir, com conforto, suas obrigações de prover a alimentação do grupo. Ela precisa oferecer ao cônjuge um bom descanso para o trabalho cotidiano, então o quarto deve ser um espaço extremamente confortável em todos os seus detalhes.

Ela presta atenção no bem estar de seus filhos para melhor rendimento na escola, elaborando espaços adequados para cada um. Ela precisa saber receber bem - tarefa importante ao crescimento profissional do companheiro e dela própria - então a área social deve ter as características essenciais para que ela possa acolher com carinho e bom gosto os parceiros, sócios e amigos do casal.

Um homem solteiro, uma mulher solteira espera, em geral, que uma casa funcione. Precisam de um banheiro bem construído, uma cozinha estruturada e prática, poucos objetos e móveis. Não têm muito tempo para ocupar aquele espaço. Sua vida se desenvolve e se realiza do lado de fora, no trabalho, nos espaços sociais e comunitários, nos restaurantes, bares, clubes, academias. A casa deve funcionar como instalação comercial, onde eles irão executar algumas atividades. E ponto final. O projeto elaborado para qualquer um deles tem uma linha uniforme e homogênea, que resulta em um trabalho executado com maior rapidez e eficiência.

A Rainha do Lar, não. A Rainha do Lar junta emoções demais. Ela é a depositária de um universo de lembranças que vão dar unidade e solidez àquela família. É a guardiã dos fatos que costuraram a história daquele grupo. Fica difícil pensar com objetividade.

Seu temperamento a leva a acumular mágoas, rancores, ressentimentos. Mas, também, alegrias, vivências gostosas, saudades de quando as crianças eram pequenas. Ela guarda fotografias, cadernos de escola, boletins dos filhos, desenhos dos netos, bilhetes do marido, rosas secas em diários de juventude. Tem mais roupas, mais sapatos, mais objetos, mais frascos de perfume. Tem necessidade de comprar mais lençóis, toalhas de mesa, conjuntos de banho, pratarias e um arsenal de pequenos aparelhos do dia-a-dia. Precisa cercar-se de mil objetos para ter certeza que a casa irá funcionar com perfeição. Não se desliga nunca.

Em determinados projetos somos obrigados a interferir no apego aos objetos que as pessoas têm. Os espaços são realmente pequenos e o arquiteto precisa ponderar sobre a limpeza que seus clientes deverão fazer nessa nova moradia, agora exígua e diferente da que estavam acostumados. Jogar fora as roupas em desuso e as máquinas obsoletas é fundamental. Acredito que seja necessário aproveitar o momento do novo projeto da casa, para mudar de hábitos uma vez que o mundo exige uma constante renovação.

Algumas vezes fui chamada para promover ou orientar um “esvaziamento” nas casas de clientes que não sabiam se desvencilhar de determinados objetos. E aí se sentiam menos culpados por atos perdulários, como se fosse algum absurdo livrar-se de um vestido modelo marinheiro guardado em um baú cheio de naftalina, quando nem filhas existiam naquela casa...

A lista de inutilidades é enorme: panelas de pressão com válvulas danificadas, caixas de sapato sem sapato dentro, talheres entortados pelo Uri Geller, enceradeira e escovão, flores de plástico que, de tão velhas, murcharam... Cristais quebrados e colados com Araldite, tampas de caneta Bic mordidas, livros didáticos do tempo em que não existiam antibióticos, óculos com lentes de um grau de miopia desatualizado, sem falar nas inúmeras marcas de aparelhos de barbear sem lâminas adequadas, e os descartáveis de clientes, hoje grisalhos, com restos de cabelo quando ainda eram pretos! E por aí vai. Também me incluo: só há bem pouco tempo consegui me livrar da minha coleção de calendários presenteados nos finais de ano pelas oficinas mecânicas. Foi dramático.

O homem percebe que a mesa está posta, e o banheiro em completa ordem, com as toalhas penduradas. A mulher se desespera com a possibilidade de “faltar” toalhas de linho bordado para enfeitar a mesa em um dia de festa. Por isso, ao imaginar a casa ideal, a mulher pensa em guarda-roupas cinematográficos, guarda-louças espaçosos, armários bem projetados, recantos e aparadores para seus objetos. Cada detalhe é discutido, debatido, defendido com veemência. Ponto a ponto, ela tece o espaço em que viverá cercada de histórias por todos os lados.

O que torna ainda mais difícil a elaboração de um projeto, no qual a mulher se insere com o poder da palavra final, é a competitividade latente, muitas vezes imperceptível com facilidade. Se a vizinha tiver construído uma piscina com 15 metros de extensão, provavelmente nossa cliente não vai descansar enquanto o arquiteto não projetar, para ela, uma outra de, pelo menos, 16 metros, nem que tenha apenas uma raia.

Para a Rainha do Lar, muitas vezes é difícil entender o trabalho do profissional e conceder-lhe autonomia para criar um projeto. Afinal, o arquiteto está “invadindo” sua privacidade, o mundo em que vive a história de sua família. É um intruso dizendo como ela deve viver, onde deve guardar seus afetos, como caminhar no seu habitat. “Quem ele pensa que é?”. Quando a presença do profissional a deixa insegura, a casa, literalmente, cai. Ela defende suas idéias com unhas e dentes, dá palpites e, muitas vezes, reage com irritação quando sente que sua autoridade foi ameaçada. As brigas com o marido começam a se repetir e acabam fragilizando o relacionamento.

Júlia, por exemplo, fazia o tipo “dona da verdade”. Cada detalhe na construção da casa dava lugar a sofrimentos indescritíveis para Roberto, levando-o a arrepender-se, amargamente, de ter iniciado um projeto que não conseguia levar adiante. As mágoas se acumulavam e a temperatura esquentava quando, por qualquer divergência, Júlia ameaçava não querer mais morar em um ambiente sobre o qual “não podia falar nada!”.

O que deveria ser um prazer, uma “grande curtição”, a realização do sonho comum, quase se transformou em tragédia. Quando chamaram o arquiteto, mal conseguiam falar um com o outro, dissimulando, com dificuldade, a irritação e o ressentimento.
Durante a entrevista, Roberto não permitia que Júlia falasse, cortando-a com um seco “deixa a arquiteta dar sua opinião. Ela é quem sabe como deve ser feito!”

Intima e depois externamente, a raiva explodiu. Júlia acusou o marido de humilhá-la diante de terceiros, e, horror dos horrores, de outra mulher: “Você disse, na frente dela, que eu não entendo nada!”.

Harmonizar o casal, ajustar seus desejos sem ferir suscetibilidades, compreender as necessidades de Júlia e Roberto é tarefa que exige cautela e muito, muito respeito.
É um “pisar em ovos” sem-fim. Às vezes a mulher recorre à arquiteta, independentemente do marido, fazendo sugestões e pedindo alterações no projeto, sem comunicar nada a ele. Há que se ter habilidade para conduzir as negociações.

De um modo geral, o arquiteto consegue amenizar confrontos, e os resultados são ótimos. Mesmo que o profissional sofra, ele está ali para resolver aquele problema. Nem sempre consegue, é verdade. Nesse caso, não lhe resta muita saída a não ser abandonar o trabalho. São os ossos do ofício.

Acredito que o arquiteto possa catalisar um processo já iniciado pelo casal, a separação, e vice–versa, também é capaz de fazer reatar um relacionamento, porém, já previamente dispostos a uma nova aproximação amorosa, é claro. Temos que lançar mão de certa psicologia em nossa profissão, mas, cuidado, não somos psicólogos.

O arquiteto é o intermediário de novas possibilidades de vida com um projeto de uma casa ou de um espaço que venha de alguma forma a beneficiar o casal. Há quem diga que quando a construção termina o casamento também termina... Como se a construção fosse um agente estimulador de cada dia para os relacionamentos enfraquecidos, e quando isso acaba, desfazem-se também os laços do casal. É possível.

Posicionar-se entre os dois, como um canal de comunicação capaz de veicular suas falas, sem ruídos e interrupções, é a política mais sensata. Só assim, dando voz às expectativas de cada um, percebendo os espaços a serem ocupados pela mulher e pelo homem, diluindo suas divergências e somando entendimentos, é que o projeto caminha e poderá ser executado de forma bem sucedida.





DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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23/09/2014

UMA SORVETERIA NO MEIO DA HISTÓRIA, LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Bravamente inserida no meio de duas edificações de linguagem déco e eclética, no centro histórico de Laguna, a pequena sorveteria surge timidamente num gesto singelo de coragem e ousadia. Ela aparece como se fosse uma flôr no deserto ou um gesto de amor em meio a guerra. O casal de senhores que ali trabalham, sempre simples e humildes, mostram o amor que tem pela profissão que exercem e a gratidão que tem pelo seus clientes. A nostalgia me invade quando eu passo por ali, pois lembro que quando pequeno eu fazia questão de puxar meu pai para tomar um sorvete naquele lugar pequeno e aconchegante, talvez inocência de uma criança. São esses pequenos lugares que se destacam numa cidade e que fazem a diferença ao existirem. Aos olhos atentos, a cidade se abre como um nascer do sol."




UMA SORVETERIA NO MEIO DA HISTÓRIA, LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Belíssimo desenho. E mais bonita ainda a contextualização.
Parabéns Fernando. Show!

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22/09/2014

EDUCAÇÃO E CULTURA - PARTE II
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Na semana passada comentamos sobre a necessidade de investimento na educação formal: escola, professores, salários, infraestrutura, equipamentos, etc.

Hoje gostaria de discorrer um pouco sobre a complementação desse assunto. A educação formal é muito importante, essencial para o desenvolvimento do país, mas creio que para construirmos uma sociedade mais justa, honesta, solidária, apenas o acúmulo de saber não é suficiente. Precisamos ter valores éticos, formação moral, cidadania. e nisso a escola tem influência, mas muito pequena. A eficiência da escola em moldar consciências é muito pequena. O poder maior está na família. Esses valores são valores de formação, obtidos pelo exemplo e inculcados na fase de formação da personalidade. E notem bem: apesar de parecer, isto não é um discurso moralista, piegas, conservador. Vou me explicar melhor.

Quando falamos de um sujeito honesto, justo, sentimos um certo desconforto. Vêm-nos à mente um sujeito dócil, careta, antiquado. Isso porque temos a concepção individualista desses conceitos. No meio de um bando de espertos, que fazem de tudo para se dar bem, para ter vantagem em tudo, alguém que defende esses princípios parece um bobo. E o problema está justamente nos conceitos de indivíduo e sociedade que temos hoje.

Vivemos uma supervalorização do indivíduo. Qualquer restrição ou limite que se coloque nos direitos das pessoas (indivíduos) é visto como uma afronta, um sacrilégio.

Não se aceita mais crítica nem discussão. Qualquer discussão é vista como cerceamento de liberdade ou preconceito. Na realidade estamos perdendo de vista o conceito de sociedade. Quando nos unimos para viver juntos, ou formar uma sociedade, precisamos abrir mão de uma parcela de nossas liberdades e direitos individuais em prol da possibilidade de convivência. Vivendo sozinho, a liberdade e direitos do homem são limitados apenas pelos seus instintos. Mas nossos instintos, se vividos na sociedade e sem freios levaria à barbárie. Portanto, para se viver em sociedade é necessário se fazer um acordo. Abro mão de uma parcela de meus "direitos" individuais, controlo meus instintos, para conseguir conviver com o outro, que fez a mesma escolha. Não posso ter tudo o que vejo ou quero, tenho que respeitar o que é do outro. Tenho que ser honesto. Não posso querer ter tudo ignorando o desejo e direito do outro. Tenho que ser justo. E assim por diante. Por isso, esses valores, quando vistos sob o ponto de vista social, não são caretices, moralismos. São condições necessárias para a sobrevivência do grupo e pela vivência harmônica.

Quando o indivíduo é desonesto, ou seja, tenta se apropriar do que não é seu, burlando as regras acordadas (leis) ele está negando a vida em sociedade. Está dizendo que ele é superior aos outros, que seu desejo é mais digno do que a maioria, que essas regras não valem para ele. Se o dinheiro é público, então, (corrupção) é pior ainda. porque aí ele não está se apropriando do que é de outro indivíduo, mas daquilo que é contribuído por todos, voluntariamente ou não, para ser usado por todos, principalmente por aqueles que têm menos condições de usufruir de algumas condições de vida por si sós, e dependem do estado para suprí-los. O corrupto diz com suas ações que não quer participar desse esforço e, pior ainda, que esses necessitados não têm direito à vida, por isso se justifica privá-los dos recursos que iriam atendê-los.

Resumindo, os problemas que mais nos afligem hoje na gestão da sociedade, como a banalização da vida, a corrupção, a desonestidade, a falta de solidariedade, a falta de respeito pela pessoa, etc. vêm da escassez dos conceitos morais que deveriam ser inculcados na consciência das pessoas. E como já discorri, por isso, não são valores piegas, moralistas, conservadores, mas valores essenciais na luta pela sociedade que queremos mais justa e igualitária.

E, repetindo, a educação formal é uma grande ferramenta nessa caminhada, mas não é suficiente. Temos que investir no conhecimento, mas também nos valores que nortearão o uso desse conhecimento.

A história do Brasil é uma prova disso. Praticamente desde seu descobrimento a direção do país esteve nas mãos das elites mais bem preparadas. O poder sempre esteve nas mãos de uma classe altamente preparada intelectualmente, no entanto, basta vermos o país que construíram: temos a distribuição de riqueza mais desigual e perversa do planeta. Tinham o conhecimento técnico, mas os valores errados.

Por isso, reafirmo o que escrevi na semana passada: não acredito em nenhuma proposta de mudança ou desenvolvimento do país, vindo desde a extrema direita até à extrema esquerda, se não for calcada, essa proposta , numa revolução real na educação. É pura demagogia. Mas junto com o conhecimento formal, o saber acumulado, temos que investir em resgatar, ou criar, os valores éticos que realmente farão surgir uma sociedade justa e fraterna, para todos.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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19/09/2014

RIO MADEIRA: UMA SOLUÇÃO PRECÁRIA
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





A recente licitação para privatização da Usina Hidroelétrica de Santo Antonio no rio Madeira coloca em evidencia o processo bastante danoso, de mediocrização que assola o país, cuja tendência é se agravar no futuro.

Por pressão dos movimentos sociais e organizações ambientais fundamentalistas, o potencial energético do rio Madeira e de outros rios da Amazônia tem sido desperdiçados por critérios supostamente preservacionistas, cujos benefícios, se avaliados de forma realista, não se sustentam.

Toda a vez que se constrói um aproveitamento hidroelétrico cria-se um reservatório cujas dimensões definirão o benefício energético que se quer retirar do local. Assim, tanto a barragem quanto o reservatório têm algumas funções que são variáveis de projeto: a altura de queda que afeta diretamente a potencia do aproveitamento, o volume útil do reservatório, cuja função é regularizar a vazão efluente que promove o aumento da energia firme do local e dos demais aproveitamentos à jusante, além de armazenar água para distribuí-la pelos diversos fins em períodos desfavoráveis.

Em geral, os grandes reservatórios são projetados nos trechos iniciais dos rios, pois estes nascem em regiões montanhosas e não causam inundações muito extensas. Desta forma, o benefício da regularização se estenderá por todo o desenvolvimento do rio, havendo um ganho de energia em seu aproveitamento total.

Este parâmetro tem que ser confrontado com os demais critérios e usos que se possa fazer no local, como navegação, controle de cheias, irrigação, aspectos ambientais, ocupação e organização da área, terras indígenas, Unidades de Conservação, áreas prioritárias, ecossistemas aquáticos e terrestres, base econômica, etc.

No caso do Rio Madeira, o fanatismo conservacionista utópico, provocou o abandono da solução mais conveniente. E o projeto que previa a construção de reservatório com área inundada de 1550 km2, foi abandonado pela construção de duas usinas de baixa queda, UHE Santo Antonio e UHE Jirau, com 243 km2, praticamente a fio d’água.

Na fantasiosa mente dos ambientalistas brasileiros, as funções de reservatório e regularização foram substituídas por um maior número de turbinas, que ficarão paradas nas épocas de baixa vazão, turbinando-se apenas o volume de água da vazão natural.

Em termos práticos, graças à estupidez reinante nos gabinetes de Brasília, a energia correspondente a uma usina do porte de Ilha Solteira, fundamental para um país que tem vivido os últimos anos à beira de racionamentos por falta de planejamento e gestão adequada de seus recursos naturais, será desperdiçada em nome da floresta.

Ao que parece, para esta pequena parcela de iluminados, o fato de esta energia perdida ter de ser produzida por fontes bem mais caras e poluentes, como nucleares ou térmicas a carvão ou gás importado é irrelevante. Também é irrelevante o impacto na economia brasileira, ao distorcer nossa matriz e encarecer bens, serviços e produtos exportáveis.

Quanto aos risíveis argumentos ambientalistas, de que a redução de área inundada será compensada com preservação de floresta, manutenção de reserva indígena, ou atividades exploratórias reguladas, já se sabe o fim; serão perdidos na realidade do desmatamento e ocupação descontrolada da floresta, que tem levado à destruição pura e simples de grandes áreas da Amazônia, complementado pela perda definitiva de boa parte do potencial hidroelétrico brasileiro.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

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18/09/2014

PALÁCIO ITAMARATY - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projeto de Oscar Niemeyer o Palácio Itamaraty, também conhecido como Palácio dos Arcos é a sede do Ministério das Relações Exteriores. À sua frente, sobre a água, está o “Meteoro” de mármore que representa os cinco continentes, obra de Bruno Giorgi. Possui jardins internos e salas com obras de arte, o Palácio apresenta o paisagismo assinado por Roberto Burle Marx, painéis de artistas importantes como Athos Bulcão, Rubem Valentim, Sérgio Camargo, entre outros, e obras de arte diversas presenteadas por personalidades e embaixadas estrangeiras, como esculturas, quadros, mobília e tapetes.



PALÁCIO ITAMARATY - BRASÍLIA-DF




(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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17/09/2014

ESPAÇOS HOSPITALARES
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Em um passado recente, a Arquitetura de um espaço hospitalar estava profundamente associada à experiência da dor, da doença, do sofrimento. Mesmo os ambientes que trazem a alegria, como o da maternidade, onde a mãe aguarda o momento de dar à luz, tinham a aparência triste, fria e impessoal.

​Atualmente, até a concepção rígida e sisuda de espaços técnicos como os centros cirúrgicos sofreu modificações. Embora o paciente não possa usufruir conscientemente dos benefícios dessas novas idéias já que ele está anestesiado, os novos ambientes são mais confortáveis e agradáveis para quem trabalha sob permanente tensão. A iluminação é melhor, o conforto térmico é adequado, os revestimentos são de qualidade, os materiais usados são mais resistentes e o design do mobiliário auxiliar é especialmente criado para gerar conforto e precisão, com o mínimo de esforço muscular e visual. Assim, instala-se um local de trabalho muito mais satisfatório, que propicia um desempenho profissional superior.

​As partes de internação e recepção do ambiente de saúde sofreram uma grande revolução. Há quem diga que o Hospital passou a ter aparência de hotel. Prefiro dizer que ele passou a ser mais acolhedor, receptivo como um hotel, resguardando a seriedade e responsabilidade diferenciada dos serviços hospitalares. Os quartos e apartamentos já permitem uma decoração de acordo com o gosto e os hábitos do paciente. Se a internação é por um tempo mais prolongado, ele poderá personalizar o ambiente com seus objetos pessoais com os quais estão acostumados em sua rotina do dia-a-dia, como, quadros, objetos decorativos passando pelos clássicos porta-retratos com fotografias de seus familiares.

As cores usadas não são obrigatoriamente o branco, o azul ou o verde hospitalar. Há possibilidades de optar-se por cores fortes ou suaves, papéis de parede com desenhos a gosto do cliente; cortinas de materiais especiais com tratamento antifúngico ou vidros com película protetora contra o sol; roupas de cama e banho com tecidos coloridos especiais para maior conforto ao usuário, televisão com canais a cabo e controle remoto, música ambiente, frigobar e local adequado para a estada do acompanhante. Nos banheiros, podemos encontrar todos os metais com design moderno e elegante, além das inúmeras vantagens que a tecnologia nos trouxe, beneficiando principalmente aos pacientes: a descarga automática, bacias sanitárias retráteis com duchinha e secadores automáticos para a higiene pessoal; iluminação automatizada; ducha farta que atende ao comando de voz com luzes coloridas para os que gostam de cromoterapia e várias outras facilidades.

​As recepções dos hospitais e clínicas atuais são projetadas a fim de proporcionar maior conforto ao paciente, onde trabalham profissionais treinados para serem atenciosos e sorridentes, cercados por uma decoração aconchegante e atualizada. Foi-se o tempo em que na recepção só havia um globo central iluminando o ambiente e um balcão de azulejo branco brilhante onde o público era atendido de pé. Além de diversas alternativas de iluminação, vários tipos de revestimentos, tapetes laváveis que aconchegam os espaços, sofás, poltronas e móveis projetados, são distribuídos, confortavelmente pelas novas recepções. Sem falar, do local apropriado para todos os tipos de mídia - jornais, revistas, televisão, internet.

​A área de convívio comporta bares abertos e restaurantes de bom gosto, onde é possível encontrar uma grande variedade de alimentação. Muito diferente daquelas antigas cantinas nos fundos do hospital onde, às dez horas da noite, o acompanhante não conseguia encontrar nenhuma alternativa para saciar a fome. Dispomos de verdadeiros bistrôs onde se pode tomar um café expresso com cremes e biscoitos enquanto esperam seus familiares serem atendidos.

​A tensão, o medo e a apreensão podem ser amenizados por um ambiente acolhedor. É possível jantar, assistir a um filme, disponibilizando assim, alternativas que propiciem bem estar para os acompanhantes e pacientes. Tudo isso somado às novas tecnologias, favorecem dentre outros, a medicina com novas técnicas e seus aparelhos modernizados a cada dia. A Arquitetura não cura, mas é parcialmente responsável por esse processo. Uma construção mal projetada é uma construção doente. E esta não pode ajudar na cura de ninguém.

Desde que comecei a trabalhar com Arquitetura Hospitalar, procuro adotar o novo conceito de ambiente hospitalar, ficando sempre atenta às mudanças rápidas da tecnologia, que certamente causarão impacto em nossas vidas e consequentemente aos ambientes hospitalares. Temos que dar atenção ao espaço criado como um todo, às aberturas integrando-os à natureza, às circulações mais amplas, às ventilações cruzadas, tendo sempre em mente o conceito de “humanização” dos espaços de saúde, termo que parece óbvio, já que lidamos com humanos. Este é um termo atual, utilizado para valorizar a relação do paciente, desde a sua entrada até a saída do espaço de saúde, passando por todos os profissionais com os quais ele se relacionou, incluindo evidentemente o espaço arquitetônico, o começo de tudo. A participação do usuário desde o início do projeto orienta os arquitetos em suas soluções. É quando poderemos ouvi-lo e atendê-lo às suas expectativas e anseios com relação ao espaço e ao atendimento que necessita. Isso é indispensável para a humanização do espaço de saúde.

Nosso escritório já projetou algumas unidades de quimioterapia, dentre outras especialidades médicas. Ouvir agradecimentos dos clientes e dos pacientes dizendo que estavam muito felizes com o novo espaço projetado é sem dúvida o momento mais gratificante da profissão. Dizem ter prazer trabalhar naquele ambiente. Os pacientes por sua vez, em ir à clínica para se submeterem a um tratamento, às vezes tão difícil. “O lugar está mais alegre, nos propicia momentos agradáveis com outros pacientes.” Ter à disposição todo o acesso à mídia, além de “liberdade” para levarem seus pertences, como um lanche especial, um tricô, um livro, colocados em mesinhas distribuídas estrategicamente no tratamento de quimioterapia, foi resultado da nossa participação com os usuários daquela unidade. Esse tratamento é longo e submete o paciente a horas de imobilidade. A transformação do ambiente amenizou o desconforto desse período. Não é necessário que haja uma decoração dispendiosa. Um cenário simples, mas alegre, pode causar uma sensação de prazer e relaxamento.

A Arquitetura Hospitalar é uma profissão complexa. Precisamos nos munir de muita informação técnica., conhecimentos específicos sobre hospitais, clínicas e consultórios. Definir a melhor implantação da unidade de saúde na cidade, analisar o seu entorno, conhecer os processos de cada uma das especialidades médicas, com todas suas particularidades, além de termos que cumprir legislações específicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA em conjunto com tantas outras legislações necessárias para quaisquer tipos de construção. Além disso, devemos acrescentar ainda o “Design de Interiores” tão requisitada atualmente. É bom saber que os pacientes reagem positivamente a essas pequenas mudanças propostas pela e Decoração de Interiores. Faz com que nós, profissionais, tenhamos um retorno importante para um trabalho que ajuda a proporcionar saúde física e mental a tantas pessoas. Impulsiona-nos a pensar em inovar sempre.






DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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16/09/2014

CASA DE ANITA LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





A Casa de Anita é hoje um dos pontos turísticos mais visitados na cidade de Laguna, foi nela onde a nossa heroina Anita Garibaldi vestiu-se para seu primeiro casamento, com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, em 1835. Localizada ao lado da Igreja Matriz Sto Antônio dos anjos e da praça Vidal Ramos, a casa faz parte de uma sequência de edificios que compõem a trajetória da história de Laguna, faz parte da paisagem histórica e cultural da cidade.




CASA DE ANITA LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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15/09/2014

EDUCAÇÃO E CULTURA - PARTE I
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Muitos acham que a educação é a solução de todos os nossos problemas, panacéia para todos os males. Eu sou um deles.

É claro que dizer que é a solução de TODOS os nossos problemas é um exagero, ou elegantemente dizendo, um eufemismo. Mas que resolveria a maior parte dos grandes problemas que nos afligem, isso é certo. Não consigo pensar em um problema sério da nossa sociedade que se aprofundarmos em suas raízes não chegaremos à conclusão que poderia ser solucionado, ou pelo menos minimizado, se tivéssemos um melhor nível cultural em nosso país.

O assunto é muito complexo e, obviamente, este espaço e minha capacidade são insuficientes para esgotá-lo. Mas vou me atrever a dar alguns palpites.

Em primeiro lugar gostaria de fazer uma distinção entre o que entendo por cultura e educação. Cultura é conhecimento, saber, acúmulo de informações. Educação é o conjunto de valores, princípios, que vão determinar a maneira como eu uso o conhecimento que adquiro. Não é uma distinção muito precisa e provavelmente os especialistas discordem, mas me dou esse direito apenas para dar continuidade ao raciocínio. Normalmente essa distinção é feita de outra forma: educação é o processo de ensino, e cultura é um conceito mais ligado às expressões artísticas. Vou tentar dar algumas opiniões sobre alguns desses conceitos.

Em primeiro lugar, o lugar comum de que precisamos investir mais em educação. Educação aqui entendida como processos relacionados ao ensino formal, escolas, etc. Como falei, é um lugar comum. Ninguém, em sã consciência, mesmo que não concorde, terá coragem de discordar desse diagnóstico. Mas se todos concordam com isso, por que a mudança não acontece? Primeiro, porque quando se fala em aumentar o investimento em educação pensa-se só em dinheiro: aumentar os salários dos envolvidos, aumentar o número de escolas, melhorar as condições de ensino, equipamentos, etc. Tudo isso é necessário, é claro, mas restringir a solução a esse ponto de vista é muito simplório e reducionista. Sinceramente não acho que o maior problema da educação seja uma questão financeira. Basta ver que há grandes diferenças de investimento em educação em diversas áreas do país, o que não resulta necessariamente em diferenças de resultados nas mesmas proporções. Outra dificuldade reside no fato de que nossos recursos são finitos e nossas necessidades parece que infinitas. Não há cobertor para cobrir o corpo todo. Se cobrimos a cabeça, o pé fica descoberto, e vice versa. Não há como prover 100% das necessidades de todas as áreas, então cortes e um jogo difícil de divisão precisam ser feitos. E aí fica-se sujeito ao poder de pressão de cada segmento. E num país sem educação, não há educação para se exigir educação.

Mas voltando ao início do raciocínio, não creio que o problema maior seja falta de verbas. Mantendo o modelo atual, poderíamos fazer muito mais e melhor com o que temos. A grande questão é como usar o que há disponível. O primeiro passo seria deslocar o foco do "como" para o "quê". Primeiro temos que definir claramente o que queremos com a educação, onde queremos chegar, o resultado que queremos ter, para depois definirmos o que é necessário para se chegar lá. Depois precisamos cumprir fielmente os projetos elaborados e não serem os primeiros sacrificados no primeiro vendaval econômico que ocorrer. Precisamos encarar a questão da educação como prioridade absoluta, intocável, sagrada.

Bom, tudo isso mantendo o padrão atual, o que já representaria um progresso magnífico. Mas se chegarmos ao ponto de realmente encararmos, na prática, que a educação é A SOLUÇÃO para a maior parte de nossos problemas, então estaremos prontos para uma ousadia mais radical: uma mudança profunda no nosso padrão de educação e em nossos investimentos na mesma.

É como se de repente descobríssemos que estamos doentes e de um mal muito perigoso, cujo tratamento é muito caro. Mesmo significando um sacrifício de anos de trabalho e suor, estaríamos dispostos a vender casa, carro, etc, para financiar o tratamento, afinal o que está em jogo é a própria vida. Guardando as devidas proporções, com a educação é mais ou menos assim. Se quisermos ser o país que todos sonham, temos que investir radicalmente em educação. Investir radicalmente significa mudar o modelo e direcionar os recursos necessários. Direcionar os recursos necessários significa ter que sacrificar outras áreas em prol da educação. Isso só será possível quando todos entenderem e concordarem com essa necessidade, quando todos entenderem que o sacrifício de agora significa o bem estar de todos amanhã.

Sinceramente não acredito em nenhum projeto ou promessa de país, vindo de qualquer ponto do espectro político, da extrema esquerda à extrema direita, que não coloque a educação em primeiro lugar, radicalmente. É pura demagogia.

Tomemos como exemplos a Coréia do Sul e a Finlândia, países que tiveram o maior avanço em relação à educação nas últimas décadas e de como paralelamente aumentaram a riqueza e a condição social do povo no mesmo período.

Na Finlândia a carreira de professor do ensino básico é a mais disputada no país. Somente 10% dos concorrentes conseguem ingressar. Comparemos com o status e as condições dos professores em nosso país. Temos esperança se continuarmos da mesma maneira?

Discorremos aqui a respeito da educação, sob o ponto de vista de escolas, sistema educacional, como uma das condições fundamentais para o progresso do país. Mas, claro, não é a única.

Na semana que vem continuaremos com nossas elucubrações sobre o assunto, mas enfocando a questão da educação sob o ponto de vista de conjunto de valores e princípios.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

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12/09/2014

A GUERRA DOS VENCIDOS
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Por 90 meses, na mais longa guerra disputada pelos EUA em sua história, 58 mil soldados perderam suas vidas. Ainda hoje, mais de trinta anos depois de encerrados os combates, o país ainda sente os efeitos do conflito que mudou a sociedade americana.

Nosso país perde, numa eficiência aterradora, uma guerra do Vietnã a cada doze meses, matando indistintamente seus cidadãos enquanto dirigem-se para o trabalho, férias, escolas ou num passeio de final de semana. O trânsito brasileiro, que somente em acidentes, custa 26 bilhões de Reais anuais é o mais perfeito exemplo dos efeitos da irresponsabilidade e descaso da sociedade brasileira e a incompetência de suas autoridades ao tratar de forma pessoal um problema técnico.

O problema, iniciado ao entregar-se a gestão do trânsito das cidades às autoridades policiais, é agravado pela incapacidade de nossos legisladores e gestores públicos de distinguirem sua responsabilidade perante o cidadão e seu comportamento como motoristas. Produzindo uma legislação de padrão europeu, porém criando sistemas e barreira para sua aplicação digna de caricaturas hollywoodianas de autoridades africanas.

A crença brasileira na existência de uma indústria de multas, voltada unicamente para esfolar o cidadão e engordar os cofres públicos é também uma das principais barreiras culturais. Tão forte que políticos e autoridades parecem disputar uma competição de remendos legislativos e administrativos para suavizar o rigor da lei e impedir a aplicação das penalidades, num exemplo escancarado de desrespeito à lógica, ao bom senso e à inteligência.

O cidadão, assumindo a infantil posição de negar o óbvio, acreditando em sua excelência auto-creditada atrás de um volante, comporta-se como se as leis fossem criadas apenas para atrapalhá-lo em seus afazeres diários, que as multas são impostos disfarçados e que seu dever é evitá-las a qualquer custo sem cumprir a lei.

Soma-se a isto uma estrutura corrupta e ineficiente, derivada da entrega às autoridades policiais o que deveria ser da alçada administrativa (concessão de licenças de condução de veículos e registros de propriedade) e técnica (engenharia de tráfego e fiscalização veicular), e chegamos ao massacre diário que se tornou o exercício do direito de ir e vir do cidadão.

É hora de tratarmos o trânsito de forma séria e técnica, analisarem as séries históricas de acidentes e identificar as estradas, os veículos, os motoristas, as viagens, as condições meteorológicas, enfim todas as variáveis envolvidas desde um simples deslocamento para a padaria até uma viagem interestadual que terminaram de forma trágica. Encontrar os pontos comuns e, de forma séria, desenvolver, comunicar, incentivar, fiscalizar legislação adequada e rigorosa, punindo exemplarmente os motoristas infratores.

É também preciso tratar as causas físicas dos acidentes: sinalização inadequada, má conservação das pistas, manutenção deficiente dos automóveis. O estado de Minas Gerais, campeão em número de acidentes, é símbolo do nefasto efeito de estradas mal construídas, mal sinalizadas e mal conservadas. Viajar por Minas Gerais, coberto pela maior malha de rodovias federais, é muito mais arriscado do que nas movimentadíssimas estradas paulistas, privatizadas e mantidas sob um padrão internacional.

Enfim é hora de iniciarmos a verdadeira engenharia de transportes no Brasil. Substituir os delegados por engenheiros seria um bom começo.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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11/09/2014

TORRE DE TV DIGITAL - BRASÍLIA
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





A Torre de TV Digital de Brasília é mais um belo monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Conhecida como a “Flor do Cerrado” devido ao seu formato parecido com uma flor de duas pétalas, a torre foi inaugurada no dia 21 de abril de 2013, em comemoração ao aniversário de 53 anos da Capital Federal.



TORRE DE TV DIGITAL - BRASÍLIA-DF




(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

Comentário do Ênio Padilha

Belíssimo projeto. Belíssima obra. E fantástica fotografia. Parabéns ao meu amigo Alberto Ruy

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