Notas de "AUTOR CONVIDADO"

09/09/2014

IGREJA MATRIZ SANTO ANTÔNIO DOS ANJOS LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Bastante devoto do Santo Antônio, Domingos de Brito Peixoto, fundador da cidade de Laguna, trouxe consigo para a cidade uma pequena imagem do santo. Logo ao desembarcar, sua primeira preocupação era que fosse construida uma pequena capela de pau-a-pique em sua homenagem, em 1696.". Em 1735 é que foi edificado o corpo da igreja em estilo barroco e com quatro altares laterais folheados a ouro. No seu interior há a Capela do Santíssimo, considerada a mais bela da arquitetura catarinense.
O Santo Antônio foi considerado o padroeiro da cidade e várias histórias de seus milagres até hoje ecoam sobre a cidade e são repassadas de geração em geração pelos mais velhos. No mês de junho é comemorado o aniversário do nosso padroeiro, onde durante algumas semanas a cidade recebe shows e eventos para comemorar a data festiva. Conhecido como o santo casamenteiro, a cidade nesta data recebe milhares de solteirxs a bater na porta da igreja matriz para pedir um casamento, alguns até apelam e colocam o santo de cabeça para baixo num copo d'água debaixo da cama. Vale de tudo!!




IGREJA MATRIZ SANTO ANTÔNIO DOS ANJOS LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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08/09/2014

SUASSUNA, RUBEM ALVES, JOÃO UBALDO E A ECOLOGIA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Num prazo de 5 dias perdemos Ariano Suassuna, Rubem Alves e João Ubaldo Ribeiro.

O que está acontecendo?

Que conspiração é essa, que resolvem nos deixar, todos ao mesmo tempo?

Parece que, como andorinhas, resolveram alçar vôo em bando...

Acho que isso tem a ver com a ecologia...

Porque desconfio que assim como existe uma ecologia do universo físico, deve existir uma ecologia do universo cultural, só que com uma lógica invertida.

No mundo físico o desequilíbrio acontece quando o consumo é maior que a capacidade da natureza em repor o que foi usado. No mundo da cultura, ao contrário, o desequilíbrio acontece quando não há consumo, ou ele é muito baixo.

No universo material o ideal é o consumo racional, comedido. No mundo das idéias o ideal é o consumo desenfreado, o desperdício.

Nos dois casos o desabastecimento pode ocorrer e é causado pela mesma razão: o esgotamento das fontes. No mundo material a natureza tem sido tão agredida, vilipendiada com desmatamentos, queimadas, ação predatória, falta de cuidado, poluição, etc, que está começando a negar seus recursos. Vide situação do Sistema Cantareira, de São Paulo, e tantas catástrofes naturais pelo mundo a fora. É um tipo de vingança involuntária.

No ecossistema cultural também as fontes devem ser bem utilizadas, preservadas, respeitadas, levadas em conta.

Como uma fonte de água, se não forem bem aproveitadas podem se desgastar até ao ponto de termos um desabastecimento.

Os três nomes que nos deixaram representam três das maiores fontes de pensamento e da cultura de nosso país. Mas quando vemos como eram utilizados, consumidos, aproveitados, sentimos um calafrio, pensando no futuro que nos espera. Quantos jovens, presente/futuro dessa nação, já os leram? Qual o impacto de suas idéias sobre as propostas de mundo novo que temos disponíveis?

Vivemos uma sinédoque perversa em que confundimos os meios com os fins. Toda a parafernália eletrônica criada nos últimos tempos, que poderia (e deveria) ser utilizada como instrumento de disseminação e circulação de idéias, acabou sendo confundida com a própria cultura. A posse dos equipamentos e aplicativos passou a significar status, mas se formos ver as idéias que disseminam...

Por isso a preocupação: se não utilizarmos as nossas fontes de cultura, se não as disseminarmos, corremos o risco de vê-las definhar até sumir.

Acho que Ariano Suassuna, Rubem Alves e João Ubaldo não morreram por causa de suas idades ou de doenças. Morreram por falta de uso.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

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05/09/2014

OS ERROS DO PASSADO
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





As ruínas romanas espalhadas pela Europa e norte da África são elementos presentes em qualquer álbum de recordação. Remetem os viajantes a um passado distante e mostram as realizações do homem e a grandeza das civilizações. Mas qualquer engenheiro com um mínimo de interesse por história percebe uma grande diferença na quantidade de ruínas romanas em comparação às construções da baixa idade média, período seguinte à queda de Roma.

A explicação é simples, a queda de Roma levou consigo um valioso conhecimento sobre construção e o segredo da durabilidade de suas construções se comparadas com as que viriam a seguir, a argamassa. As invasões bárbaras perderam a argamassa e voltaram a construir com tecnologias mais atrasadas, ineficientes e caras. Construíram mal, viveram mal e muito pouco restou em pé para as gerações futuras. É como se não tivessem existido.

A engenharia brasileira hoje corre o mesmo risco, pois com o passar dos anos a última geração de grandes engenheiros, responsáveis pelas grandes obras do milagre brasileiro, está encolhendo - num processo natural de envelhecimento e aposentadoria – sem que haja no horizonte a esperança de reposição destes profissionais.

Com o Brasil paralisado há 20 anos, toda uma geração de novos engenheiros formou-se para atuar na administração de empresas, no mercado financeiro ou “virar suco” em empreendimentos próprios. Hoje, é patente a “juniorização” dos canteiros de obras e escritórios de projetos, com a dispensa de profissionais com mais de 50 anos de idade por questões de controle de custos.

É claro que prédios e casas ainda são e serão construídas, novas indústrias instaladas, projetos elaborados, mas a queda em sua qualidade é visível. As patologias das construções são problemas cada vez mais comuns, o desrespeito às normas e metodologias crescentes e a redução nos investimentos com sondagens e inspeções uma constante.

O maior desafio da engenharia brasileira será reverter este quadro dramático, aproveitando a disposição governamental de realizar os necessários investimentos em infra-estrutura represados há 20 anos, lutando para reinserir no mercado de trabalho os engenheiros experientes, desenvolvendo metodologias de atualização em novas tecnologias para os mais velhos e de capacitação técnica para os mais jovens. Pois a preservação e aquisição de conhecimento técnico são imperativas para o país.

Este desafio não é um esforço concentrado de uma entidade ou autarquia. É um processo com um objetivo comum, que terá de envolver toda sociedade brasileira, seus profissionais, empresas, escolas e universidades, governos e cidadãos, sem espaço para vaidades e disputas de poder político.

O Brasil está perdendo valioso conhecimento técnico acumulado durante seu crescimento, conhecimento que nos permitiu criar empresas de engenharia de padrão internacional, que nos diferencia de países vizinhos, que nos colocou entre as grandes nações do mundo. Estamos, por decisão própria, desistindo de ser Romanos para virar um bando de bárbaros.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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04/09/2014

PONTE JK BRASÍLIA - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)

POST TEMPORARIAMENTE SUSPENSO (aguardando manifestação dos envolvidos)


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03/09/2014

REFORMAS: SONHO OU PESADELO
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Clientes, arquitetos, engenheiros, mestres-de-obras, carpinteiros, pedreiros, eletricistas, bombeiros, marceneiros, pintores, serralheiros, vidraceiros, e todos os tipos possíveis de fornecedores de materiais como cimento, brita, ferro, tintas, azulejos, cerâmicas, madeira, fórmica, espelhos, vidros, esquadrias, maçanetas, móveis, tecidos, objetos de decoração, tapetes, lustres, luminárias - querem mesmo que eu continue? Afinar todas essas vozes para que nossos ouvidos não reclamem, não é uma tarefa muito fácil.

Depois de ouvir uma bela música, parece que já a tínhamos escutado antes. No entanto, somente o maestro e os cantores sabem quantos ensaios e dificuldades passaram para chegar àquela apresentação. Assim é a execução de uma obra. É comum pensar que pilares, vigas, pisos, paredes, tomadas, luzes, etc nasceram ali, caíram do céu ou foram criados por geração espontânea, mas muitos e muitos caminhos foram percorridos até que batêssemos a mão na parede e a luz se acendesse, por exemplo.

​As dificuldades são as mais inusitadas possíveis. O atraso na entrega dos materiais é comum, mas as justificativas nunca o são. Há enterro da terceira tia do operário, as indecisões do cliente, um pilar inesperado em uma parede, no caso de uma reforma.

Reformar a casa é obra que exige planejamento, paciência, dedicação, técnica, profissionalismo, parceria, compreensão e muito, muito trabalho. Quando acompanhamos a execução de um projeto somos obrigados, muitas vezes, a conviver com situações inesperadas - se existe 1% de chance de alguma coisa dar errado, dará - e acabamos por enfrentar turbulências de toda ordem, domésticas e profissionais.

​Ao longo de muitos meses iremos vivenciar a intimidade de uma equipe formada por operários de diversas especialidades com seus problemas particulares, a família do proprietário com suas crises existenciais diante do cansaço da obra, e as tumultuadas relações que envolvem fornecedores e arquitetos.

​Durante a reforma, nossa habilidade no trato com o ser humano será posta à prova diariamente. Nosso papel principal será o de resolver problemas em todas as frentes de batalha, desde as decepções, irritações e queixas do cliente, até as dificuldades financeiras, familiares e emocionais que atingem o operário da construção civil. Tudo isso pode resultar num desfecho não muito agradável.​ A reforma é uma caixinha de surpresas. Nunca sabemos com exatidão matemática como e, sobretudo, quando vai terminar a obra. Nessa questão, dois e dois nem sempre são quatro.

Mesmo que os prazos tenham sido calculados com folga, assegurar-se de um tempo extra, ainda assim, é difícil garantir que será encerrada no dia marcado, para desespero do cliente e do arquiteto. É bom saber que isso acontece na maioria das vezes nos espaços residenciais. O espaço comercial é mais objetivo e tem um cronograma mais rígido a seguir, sem tantas opções de mudança como nos residenciais.

Sempre me perguntam por que, afinal, os prazos para realização da reforma quase nunca são cumpridos? Razão maior do desânimo, dos ataques de nervos, do furor e da irritação, é que a estimativa do tempo de construção é mais difícil e sujeito às variações do que às previsões do tempo. Quem já enfrentou o desafio ou quem vai iniciar-se pela primeira vez na aventura da construção sabe que a duração da obra nunca está em sintonia com a proposta inicial. Por quê? A resposta não é simples nem se resume a uma única abordagem.

​A tarefa de conduzir a reforma a bom termo esbarra em inúmeros acidentes do caminho, pedras lançadas de todos os lados – pelos arquitetos, clientes, operários e fornecedores – além de maus ventos, tempestades e vendavais que, literalmente, atingem, alagam e fazem desmoronar planilhas, cálculos, custos e pilares.

Muitas vezes o atraso no ritmo dos trabalhos depende do proprietário, sem que ele próprio se dê conta da sua interferência prejudicial no prazo da construção. Uma simples mudança de material pode retardar o andamento por muitos dias. O cliente acredita que ao decidir escolher, em meio à reforma, um piso diferente do que havia sido inicialmente proposto não vai causar qualquer incômodo ou transtorno na execução do projeto.

Não é verdade. O que ele não sabe é que a tal “pequena” alteração irá envolver novas relações com o fornecedor, novas pesquisas de preço, novos prazos de entrega, nova forma de pagamento, nova forma de colocação e diferente preparo técnico para receber o tal revestimento. O detalhe que foi modificado na véspera não estará sendo executado, imediatamente, no dia seguinte. O arquiteto vai ter que interromper o ritmo da obra. Assim, uma ligeira variação na cor de uma parede poderá levar dias para ser efetivada, a depender da paleta de tintas oferecida no comércio e a possibilidade de ser entregue, a tempo, pelo lojista.

​No caso das habitações antigas, as surpresas são, muitas vezes, inevitáveis, por mais que o arquiteto seja cauteloso na etapa anterior da pesquisa local.

Quando a reforma vai ser feita em prédios onde não há mais a planta original do edifício, o profissional cuidadoso faz uma pesquisa para descobrir onde estão as vigas e os pilares do imóvel. Mesmo assim é possível encontrar um pilar fora do lugar previsto, ou uma viga invertida que não deveria estar naquela posição. Mas estava. A descoberta vai exigir a alteração do projeto, com novas soluções para incluir aquela parede que não mais poderá ser removida. Nesses casos, a presença do arquiteto na condução da reforma é essencial.

Ele está preparado para recriar um novo espaço a partir do imprevisto, buscando outras soluções que permitam contornar o problema.






DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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02/09/2014

ORLA DA LAGOA SANTO ANTÔNIO EM LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Com o sol repousado entre os morros ao horizonte da lagoa, mas com o dia ainda claro, e com um vento sul de leve nas costas e os dedos quase congelando, compartilho um dos meus lugares preferidos para descansar a alma e entrar em contato com a natureza. É mais ou menos com esse cenário que prefiro encerrar meu dia: vendo as pessoas usando o espaço, ver os avós com seus netos passeando e apontando os pássaros que sobrevoam a lagoa, ver os casais cantarolando e conversando sobre qualquer assunto, ver as pessoas se divertindo a pescar, e ver a natureza mostrar suas mais belas facetas. É nessa Lagoa onde a magia de Laguna se mostra, é nela onde a nossa natureza consegue traduzir visualmente o que muitos consideram como o belo ou como o divino. Quem vem a Laguna deve passar o final da tarde ali, junto com quem quer que seja. A cada dia há um pôr-do-sol diferente com uma energia diferente; e com certeza sempre sendo o mais belo do Brasil.




ORLA DA LAGOA SANTO ANTÔNIO EM LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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01/09/2014

SOLIDARIEDADE COMPULSÓRIA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Alguns cientistas e estudos têm alertado que estamos vivendo um momento de transição nas condições climáticas de nosso planeta. As situações extremas obedeciam certos ciclos, mais ou menos regulares. Por exemplo: na engenharia elétrica estudávamos que de 50 em 50 anos aproximadamente ocorria uma grande enchente. As barragens tinham que levar isso em conta em seus projetos. E podíamos notar que havia uma certa regularidade, porém com um período bem longo, nos grandes marcos climáticos como longos períodos de seca, enchentes, calor ou frio extremos, nevascas, etc. O que esses cientistas estão afirmando é que, daqui para a frente, essas condições ocorrerão com mais frequência, com maior intensidade e por períodos mais longos de duração. Com um mínimo de perspicácia e senso de observação podemos notar que isso é verdade: temos visto nos últimos anos grandes catástrofes naturais espalhadas pelo mundo e que têm causado enormes perdas, de vidas e de dinheiro.

Há uma grande discussão se isso está sendo causado pelo estrago que o ser humano está fazendo na natureza ou se faz parte de um outro ciclo natural da terra, que acontece com frequência de períodos geológicos.

Particularmente acho que se as causas da situação não são 100% devido à ação depredatória do homem, a maior parte (bem maior) é. Basta vermos a velocidade com que essas mudanças têm ocorrido. Nenhuma mudança desse porte no comportamento da Terra ocorre com essa velocidade.

Mas não é esse o ponto que quero focar. Podemos discutir e procurar razões ou culpas mas nada disso muda a realidade de que viveremos mais à mercê da força e eventualmente da fúria da natureza.

A nós, engenheiros e arquitetos, caberá a grande tarefa de acharmos soluções que minimizem os efeitos dessas mudanças. Em outras palavras, vamos ter que aprender rapidamente a nos adaptarmos a situações adversas. Bastante adversas.

Por outro lado, um grande problema que enfrentamos no mundo e esse sim, criado inteiramente por nós mesmos, é a grande disparidade que existe na distribuição da riqueza do mundo. Um estudo recente, coordenado pelo economista James Davies, mostra que 1% da população adulta do mundo detém mais de 40% da riqueza do planeta. Não precisa ser nenhum gênio ou especialista para perceber que isso é uma bomba relógio, talvez a longo prazo, mas é uma situação potencialmente explosiva.

Podemos tentar explicar essa diferença com diversas teorias ou pontos de vista: o religioso, o sociológico, o filosófico, o político, etc. As razões podem ser diversas, ou ter diversa explicações, mas o resultado é um só: uma perversa distribuição da riqueza de nosso planeta. E se considerarmos a terra como um sistema fechado, a soma da riqueza disponível é uma só, o que muda é a forma como ela está dividida. Para alguns terem muito, sobra pouco para os demais...

Não vou entrar na questão ideológica do como e do porque isso ocorre, se é culpa do "sistema", da alma humana, de oportunidade, etc. O certo é que por qualquer prisma que olharmos a situação é extremamente injusta e desumana: enquanto em alguns lugares do planeta as pessoas vivem na abundância, em outros viver com o desperdício daqueles outros já significaria em expressiva melhora de vida.

Mesmo com pouca sensibilidade ou criatividade, podemos perceber o quanto essa situação é perigosa e explosiva. Um dia, quando a necessidade for maior que a inércia, uma pequena fagulha pode por fogo em tudo.

Mas deixemos de prognósticos apocalípticos.
É claro que o ideal, desejável e justo é que se promovesse uma redistribuição da riqueza, de forma mais igualitária.
Mas também temos a noção de quão difícil isso seria, a enorme resistência que haveria e os "argumentos" que deveriam ser usados para convencer, principalmente, é claro, aqueles que têm mais.

Mas o que tem a ver essa análise com a situação climática descrita no início?

Parece que a natureza em sua enorme sabedoria quer nos dar uma lição.

Se não nos dispusermos a dividir os recursos voluntariamente, por bem, ou por generosidade, seremos obrigados a fazê-lo por imposição da natureza. As nações mais ricas se vêm obrigadas a enviar ajuda financeira e em material para as nações mais pobres, atingidas por catástrofes naturais. E o fazem, não necessariamente por bondade ou compaixão, mas porque sabem que se não o fizerem o equilíbrio global fica perigosamente ameaçado.

Assim, a natureza nos obriga a exercitar uma solidariedade compulsória, situação em que os mais abastados se vêem obrigados a transferir recursos aos mais pobres, quando atingidos por desgraças naturais. E pelo que vemos e previsões que temos ouvido, essas situações acontecerão muito mais amiúde daqui para a frente. Bom seria se essa "bondade" ocorresse em tempos de tranquilidade, pois esses recursos seriam efetivamente usados para ajudar o desenvolvimento das nações mais pobres, enquanto que em situações de catástrofe são usadas para repor o que foi destruído. Porém não deixa de ter seu caráter didático. É a natureza nos ensinando, por bem ou por mal, que nossa missão é caminharmos juntos, que somos um só povo, habitante deste pequeno mundo, e que é nossa responsabilidade cuidarmos dele e de uns aos outros.

Quem sabe, num futuro, oxalá próximo, deixemos de ser crianças imaturas, que precisem levar umas palmadas da mãe natureza para aprender a brincar junto com seus irmãos.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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29/08/2014

COMPROMETENDO O FUTURO
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Não é nenhum segredo que a engenharia brasileira vive seu pior momento. Pior, no entanto é saber que, se medidas extremas não forem tomadas, não é possível ser otimista sobre a melhora desta situação.

Vivemos um problema conjuntural, perdemos uma geração de engenheiros para o mercado financeiro, graças aos 25 anos de crise e falta de investimentos do governo, e estamos perdendo outra para a aposentadoria. Mas nada poderia ser pior do que perder uma terceira geração pela má formação universitária.

É claro que existem no Brasil grandes universidades, com cursos de excelência comprovada, mas graças à política de reconhecimento de cursos do Ministério da Educação e a inércia de Conselhos e Associações, cursos de engenharia com menos de quatro mil horas de aulas estão se tornando mais comuns do que a prudência e as boas práticas recomendam.

Também não se pode ignorar a enormidade de especializações reconhecidas pelos CREA’s. Formam-se engenheiros de telecomunicações, minas, automotivos entre uma centena de derivações dos cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Elétrica, Química, Arquitetura e Agronomia. As matérias tornaram-se cursos completos para cobrir nichos de mercado.

O Brasil, nas últimas décadas, perdeu muitas oportunidades de desenvolvimento por falta de coragem ou visão de seus líderes. Assistiu passivo o despertar de nações que investiram na formação de seus cidadãos, enquanto modelos e investimentos passados eram abandonados por pura divergência política.

Hoje, com a velocidade propiciada pela tecnologia, as mudanças acontecem quase instantaneamente. Corremos o sério risco de perder mais esta chance por falta de profissionais qualificados, passando de produtor de conhecimento e tecnologia a mero importador de serviços técnicos.

É preciso intervir no processo de formação dos engenheiros, criando, como faz a OAB, um processo de classificação e seleção dos cursos e dos profissionais formados. Usando as leis de mercado para impedir a proliferação de Escolas e Faculdades inferiores, promovendo aquelas com grau de excelência reconhecido.

É preciso conscientizar empresas e contratantes que o custo de um mau engenheiro não se resume ao montante pago em salários ou por serviços realizados. Um mau projeto pode custar vidas, requerer manutenção ou readequação, comprometendo todo o investimento realizado. O desempenho do piloto Rubens Barrichello com o carro da equipe Honda são um excelente exemplo de mau projeto.

É preciso retardar a aposentadoria de engenheiros experientes e impedir a “juniorização” dos departamentos e empresas de engenharia por questões de custos. Exigindo também a atualização contínua por meio de cursos, estágios, visitas técnicas, intercâmbios e etc.

É preciso incentivar o compartilhamento do conhecimento técnico entre profissionais e empresas, criando uma malha que facilite a pesquisa, desenvolvimento e distribuição deste conhecimento da universidade para os profissionais e dos canteiros de obras, escritórios de projeto e fábricas para estudantes e professores.

Enfim é hora da engenharia ser retomada e Reconstruída pelos engenheiros, pois as autoridades estão empenhadas em levar-nos de volta ao Brasil agrícola do passado, priorizando seu novo Ciclo da cana-de-açúcar.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

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28/08/2014

CATEDRAL METROPOLITANA DE BRÁSILIA - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com cálculo estrutural do engenheiro Joaquim Cardoso, foi o primeiro monumento a ser criado em Brasília. Sua pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958. Teve sua estrutura pronta em 1960, onde apareciam somente a área circular de setenta metros de diâmetro, da qual se elevam dezesseis colunas de concreto (pilares de secção parabólica) num formato hiperboloide, que pesam noventa toneladas



Na foto a Catedral esta iluminada em homenagem ao outubro rosa


CATEDRAL METROPOLITANA DE BRÁSILIA - BRASÍLIA-DF





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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27/08/2014

VIDA LONGA AOS MATERIAIS
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Se há um ponto desagradável no meu trabalho como arquiteta, é constatar a falta de cuidados e de manutenção, a limpeza deficiente, a deterioração da construção. Ao longo do tempo, descobri que a Arquitetura não deve dar chance a que agentes externos atrapalhem a missão da própria Arquitetura.

Quando não se escolhe o material adequado para a construção em si e também para os revestimentos da construção, em breve nos deparamos com a decadência visual do prédio, causada pelas intempéries e pela própria passagem do tempo. É óbvio que tudo precisa de conservação, mas a obra irá decompor-se rapidamente se não forem usados materiais de boa qualidade, nem mesmo a
manutenção periódica será capaz de conservá-la.

Na maioria das vezes, o arquiteto quer fazer uma despesa elevada na escolha de determinados materiais porque sabe que, a longo prazo, esse investimento vai significar uma grande economia. A vida útil do material será maior, com um prazo de sobrevivência superior, mesmo que o custo imediato da obra seja um pouco mais alto. Contra ele, quase sempre, se insurge o proprietário, que quer enxugar gastos de qualquer maneira. O arquiteto, ao contrário, quer que a construção permaneça no tempo, se possível, eternamente.

As construções revestidas em mármore ou granitos, colunas maciças de mármore ou granito atravessam séculos, perpetuam-se, contam histórias. O concreto aparente é outro material capaz de durar por um longo prazo, mas é suscetível de manchas que enfeiam, rapidamente, as fachadas. Quando o concreto é feito em formas metálicas, apresenta um resultado superior, com uma superfície mais lisa e brilhante, torna-se menos poroso e menos atingido pela deterioração. Portanto, a forma metálica é mais cara. Infelizmente, o proprietário nunca faz a opção pelo material de preço mais elevado, ainda que mais resistente. O resultado, quase sempre, é lastimável. Logo, logo as fachadas serão pintadas por aquela famosa tinta que imita o concreto, que um dia foi aparente!

Se a construção é revestida de materiais como o mármore, aço escovado, granito, pedras em geral, cerâmicas ou pastilhas, resguardando-se as devidas diferenças de qualidade entre eles, dentro de alguns anos essas escolhas vão definir o estado de envelhecimento daquela construção. Acho que vale a pena desembolsar um pouco mais, sob pena de o proprietário ser obrigado a arcar com o pesado ônus da manutenção em futuro próximo. Utilizar massa pintada em uma fachada é sinal certo de problemas ou problemas à vista em muito pouco tempo, porque a mão-de-tinta vai exigir cuidados constantes.

Lamentavelmente, essa é a escolha feita pela maioria dos clientes, por ser a mais barata.

No prédio comercial, a conservação é muito mais cara e complicada. Por isso, os proprietários têm outra postura diante de custos elevados, preferindo revestimentos em vidro, alumínio ou mármore, materiais de grande durabilidade que não exigirão manutenção permanente, economizando-se a longo
prazo.

Gastar bem, fazendo escolhas criteriosas de material, assegura um envelhecimento digno da construção. É como uma mulher prevenida que prefere investir em cremes rejuvenescedores de boa qualidade, embora dispendiosos, mas que são capazes de prolongar, com sucesso, a juventude e o tônus da pele. Despende-se mais tempo e dinheiro com um anti-rugas, mas em compensação, adia-se o momento de enfrentar uma cirurgia plástica.

Um exemplo de escolha certa de materiais é encontrado na Avenida Paulista, São Paulo. Lá encontramos prédios competindo entre si, cada um mais exuberante que o outro, com muita elegância na sua demonstração de força e poder. Podemos dizer que são eternos. Não vemos, ali, nenhum operário pendurado em andaimes, repintando fachadas. Nem cai nenhuma pastilha ou reboco na cabeça dos transeuntes. O que se vê são pessoas lavando vidros, material bonito, transparente e reluzente. Alguns são contra o uso excessivo do vidro, por acumular calor. Num país de clima tropical como o nosso, o uso desmedido desse material, é um contra-censo, apesar de, atualmente, existirem alternativas para se eliminar o problema de incidência da luz no interior dos prédios revestidos de vidro, com inúmeras variedades de películas sensíveis à luminosidade e os brises, hoje bem leves e de fácil manuseio, que de fato dissipam o calor

O mundo empresarial seja em São Paulo, Nova York, Londres etc. precisam mostrar solidez. A forma de seus arranha-céus anuncia que as empresas estão vivas, brilhantes, modernas e atualizadas. O objetivo da Arquitetura é alcançado, quando o prédio expressa, com nitidez, a personalidade do negócio que se realiza em sua estrutura.







DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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