Notas de "AUTOR CONVIDADO"

27/08/2014

VIDA LONGA AOS MATERIAIS
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Se há um ponto desagradável no meu trabalho como arquiteta, é constatar a falta de cuidados e de manutenção, a limpeza deficiente, a deterioração da construção. Ao longo do tempo, descobri que a Arquitetura não deve dar chance a que agentes externos atrapalhem a missão da própria Arquitetura.

Quando não se escolhe o material adequado para a construção em si e também para os revestimentos da construção, em breve nos deparamos com a decadência visual do prédio, causada pelas intempéries e pela própria passagem do tempo. É óbvio que tudo precisa de conservação, mas a obra irá decompor-se rapidamente se não forem usados materiais de boa qualidade, nem mesmo a
manutenção periódica será capaz de conservá-la.

Na maioria das vezes, o arquiteto quer fazer uma despesa elevada na escolha de determinados materiais porque sabe que, a longo prazo, esse investimento vai significar uma grande economia. A vida útil do material será maior, com um prazo de sobrevivência superior, mesmo que o custo imediato da obra seja um pouco mais alto. Contra ele, quase sempre, se insurge o proprietário, que quer enxugar gastos de qualquer maneira. O arquiteto, ao contrário, quer que a construção permaneça no tempo, se possível, eternamente.

As construções revestidas em mármore ou granitos, colunas maciças de mármore ou granito atravessam séculos, perpetuam-se, contam histórias. O concreto aparente é outro material capaz de durar por um longo prazo, mas é suscetível de manchas que enfeiam, rapidamente, as fachadas. Quando o concreto é feito em formas metálicas, apresenta um resultado superior, com uma superfície mais lisa e brilhante, torna-se menos poroso e menos atingido pela deterioração. Portanto, a forma metálica é mais cara. Infelizmente, o proprietário nunca faz a opção pelo material de preço mais elevado, ainda que mais resistente. O resultado, quase sempre, é lastimável. Logo, logo as fachadas serão pintadas por aquela famosa tinta que imita o concreto, que um dia foi aparente!

Se a construção é revestida de materiais como o mármore, aço escovado, granito, pedras em geral, cerâmicas ou pastilhas, resguardando-se as devidas diferenças de qualidade entre eles, dentro de alguns anos essas escolhas vão definir o estado de envelhecimento daquela construção. Acho que vale a pena desembolsar um pouco mais, sob pena de o proprietário ser obrigado a arcar com o pesado ônus da manutenção em futuro próximo. Utilizar massa pintada em uma fachada é sinal certo de problemas ou problemas à vista em muito pouco tempo, porque a mão-de-tinta vai exigir cuidados constantes.

Lamentavelmente, essa é a escolha feita pela maioria dos clientes, por ser a mais barata.

No prédio comercial, a conservação é muito mais cara e complicada. Por isso, os proprietários têm outra postura diante de custos elevados, preferindo revestimentos em vidro, alumínio ou mármore, materiais de grande durabilidade que não exigirão manutenção permanente, economizando-se a longo
prazo.

Gastar bem, fazendo escolhas criteriosas de material, assegura um envelhecimento digno da construção. É como uma mulher prevenida que prefere investir em cremes rejuvenescedores de boa qualidade, embora dispendiosos, mas que são capazes de prolongar, com sucesso, a juventude e o tônus da pele. Despende-se mais tempo e dinheiro com um anti-rugas, mas em compensação, adia-se o momento de enfrentar uma cirurgia plástica.

Um exemplo de escolha certa de materiais é encontrado na Avenida Paulista, São Paulo. Lá encontramos prédios competindo entre si, cada um mais exuberante que o outro, com muita elegância na sua demonstração de força e poder. Podemos dizer que são eternos. Não vemos, ali, nenhum operário pendurado em andaimes, repintando fachadas. Nem cai nenhuma pastilha ou reboco na cabeça dos transeuntes. O que se vê são pessoas lavando vidros, material bonito, transparente e reluzente. Alguns são contra o uso excessivo do vidro, por acumular calor. Num país de clima tropical como o nosso, o uso desmedido desse material, é um contra-censo, apesar de, atualmente, existirem alternativas para se eliminar o problema de incidência da luz no interior dos prédios revestidos de vidro, com inúmeras variedades de películas sensíveis à luminosidade e os brises, hoje bem leves e de fácil manuseio, que de fato dissipam o calor

O mundo empresarial seja em São Paulo, Nova York, Londres etc. precisam mostrar solidez. A forma de seus arranha-céus anuncia que as empresas estão vivas, brilhantes, modernas e atualizadas. O objetivo da Arquitetura é alcançado, quando o prédio expressa, com nitidez, a personalidade do negócio que se realiza em sua estrutura.







DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as quartas-feiras.

Faça um contato com a autora: dgarquitetura@dgarquitetura.com.br

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26/08/2014

FONTE DA CARIOCA EM LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





Conhecida também como fonte dos namorados e da juventude, a Fonte da Carioca foi construída em 1863 por escravos e fornece até hoje água mineral para os turistas e lagunenses. Várias histórias rondam por volta desta fonte, uma delas é que, segundo historiadores, foi esta água que motivou a localização da cidade por seu fundador Domingos de Brito Peixoto. Segundo o historiador da cidade Antônio Carlos Marega, o local se tornou um dos pontos turísticos da cidade sendo conhecido como Fonte dos Namorados. O motivo eram as idas e vindas das familias até a fonte, uma atração para os visitantes, e, durante o passeio, os jovens solteiros trocavam olhares e muitos namoros começavam no caminho da fonte. Um dito popular muito conhecido aqui na cidade diz o seguinte: "quem bebe dessa água sempre retorna a Laguna e seus amores". E não é que muitos voltaram?"




FONTE DA CARIOCA EM LAGUNA-SC





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FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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25/08/2014

FALTA DE PLANEJAMENTO MUITO BEM PLANEJADA
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





O engenheiro Frederico Bussinger, ex-presidente do Confea e hoje consultor internacional na área de gestão de portos, conta que em uma visita a Singapura participou de uma reunião onde uma senhora com um cargo equivalente ao nosso Ministro do Planejamento fez uma apresentação sobre o planejamento a curto, médio e longo prazo do país. Impressionado, perguntou como eles faziam para acompanhar e controlar a execução daqueles planos, como funcionava o órgão encarregado de garantir que tudo aquilo acontecesse. Ao que ela respondeu: “Se foi planejado, acontece.” Ele, pensando que houvera algum problema de compreensão ou de tradução, repetiu a pergunta. A nova resposta: “Se foi planejado, acontece.”

Outros cenários:

1 - No Brasil temos 26 empreendimentos em usinas eólicas construídas em três estados, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, que estão prontas para serem usadas, mas que ainda não puderam ser ligadas porque o governo não construiu as linhas de transmissão necessárias para levar essa energia aos consumidores. A Associação Brasileira de Energia Eólica calcula que seria uma produção suficiente para abastecer, por mês, cerca de 3,3 milhões de pessoas, mais do que a população de Salvador;

2 – As Usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira enfrentaram diversos problemas como a oposição ferrenha de ambientalistas e uma revolta dos trabalhadores em Jirau. Após vencidos esses obstáculos as concessionárias responsáveis não contavam com um sério erro de planejamento: os sistemas de proteção e controle dos equipamentos - na geração e na transmissão - não conversam adequadamente entre si. Um equipamento que deve ser instalado em uma ponta, fornecido por uma empresa, não conversa adequadamente com o sistema de proteção, fornecido por outro fabricante. Quem deveria especificar corretamente o sistema a ser implantado e acompanhar os projetos só “percebeu” isso tarde demais. Resultado: dos 3500MW que as duas usinas têm capacidade de fornecer, apenas 1100MW poderão ser utilizados até dezembro, quando está previsto chegar um equipamento que resolverá o problema. Um prejuízo incalculável, por uma falha de planejamento;

3 – O Ministério das Cidades afirma que não consegue liberar todas as verbas disponíveis para os municípios porque estes não conseguem apresentar todos os projetos e documentos técnicos necessários. A mesma realidade se apresenta em diversas áreas do governo, em outros ministérios;

4 – Praticamente todas as obras para a Copa de 2014 tiveram seus preços finais muito acima do planejado inicialmente. Muitas nem foram terminadas a tempo. Caso extremo foi o Estádio Nacional Mané Garrincha, de Brasília, que de um orçamento inicial de 696 milhões de reais em 2010, acabou custando aos cofres públicos quase R$2 bilhões.

Com base nos exemplos acima gostaria de fazer algumas reflexões sobre a questão do planejamento no Brasil. E gostaria de enfocar o assunto sob duas óticas: nossa incompetência em trabalhar com planejamento (ou mais sofismaticamente falando, nossa falta de cultura de planejamento) e nossa grande competência em planejar. (Calma, você vai entender mais na frente).

Os três primeiros casos apresentados confirmam claramente a primeira afirmação: temos uma dificuldade muito grande em trabalhar com planejamento. Gostamos de louvar o “jeitinho brasileiro”, nossa criatividade, nossa capacidade de encontrar soluções para os problemas que aparecem, à medida que aparecem. Planejar, prever os passos antecipadamente e, principalmente, executar de acordo com o que foi planejado, parece que engessa nossa criatividade, limita nossa capacidade. Parece que se não tirarmos uma solução “genial” da cartola, no último momento, não demonstramos nossa criatividade e genialidade. O problema é que com isso passamos a ser pautados pela urgência e não pela necessidade. E o que comumente vemos são os projetos serem elaborados quase ao mesmo tempo em que são executados, sem tempo de maturação, sem planejamento e sem uma análise crítica para antecipar problemas. O resultado, como não poderia deixar de ser: desperdício, não cumprimento de cronogramas, improvisação e não cumprimento de orçamentos... aditivos. A grande dificuldade que temos para enfrentar essa situação é o fato de que não a encaramos como um problema, uma deficiência. Nossa resistência em planejar não é uma questão de competência, mas de cultura. Quando queremos ou somos obrigados por algum regramento, elaboramos um bom planejamento. Mas encaramos a improvisação e o nosso ”jeitinho” de resolver os problemas como virtudes. Por isso precisamos de tantos órgãos de controle, cobrança, punição, etc, para fazer o desejado acontecer. E olha que em grande parte das vezes não se consegue. Precisamos desenvolver a cultura do planejamento. Precisamos colocar nas cabeças dos nossos jovens (porque parece que para os velhos não há mais jeito, virou vício) o valor do tempo despendido em planejar. Mostrar a eles que esse tempo gasto não é perda de tempo, pelo contrário, é uma grande economia, de tempo e de dinheiro. Educação, eis o segredo. Somente assim, num futuro, Deus queira próximo, também chegaremos ao ponto de que “se foi planejado, acontece”.

Mas há um outro lado nessa questão. E ele está exemplificado no item 4 lá em cima: quando a aparente falta de planejamento na realidade é o resultado de um muito bem elaborado plano. Nenhum profissional ou empresa com um mínimo (e bota mínimo nisso) de competência erraria em mais de 200% no orçamento de uma obra do porte do Estádio de Brasília. Um profissional ou empresa que por incompetência cometesse um erro desse, não sobreviveria um dia sequer no mercado. Não é questão de incompetência, pelo contrário, é uma grande capacidade de planejar tal situação. Normalmente isso ocorre em grandes obras públicas. Dificilmente (para não dizer nunca) se vê isso acontecer em uma obra de capital privado. Não seria tolerado. E sempre ocorre com a conivência do poder, do contratante. O script é conhecido e previsível, principalmente quando há um fator limitante externo. Analisemos o caso das obras da copa. O fator limitante foi o prazo da copa. A data limite não estava em nossas mãos, não poderíamos, nem com justificativa, alterar essa data. Quando se abriu os processos de contratação para projeto e execução das obras necessárias, começaram também a surgir os problemas, argumentos e dificuldades e tudo ia sendo adiado, até chegar a um limite em que se se postergasse mais, todo o projeto seria inviabilizado por falta de tempo. O governo então teve que abrir mão dos mecanismos normais de controle, sob a ameaça de que com os procedimentos normais não daria tempo de se cumprir os prazos ( e nem com isso se conseguiu cumprir todas as obras, sem falar das que foram canceladas, principalmente as obras de acessibilidade). O governo então teve que criar o famigerado Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que afrouxou os controles sob as obras da copa. Nem precisa dizer o que aconteceu. A grande maioria (novamente para não dizer todas) das obras ficou muito acima do orçamento inicial. Falta de planejamento? Neste caso, não. Cuidadoso planejamento. E é claro, nada disso seria possível sem a conivência do próprio poder. Qual investidor privado aceitaria isso? Erros, aditivos e sobrepreços em praticamente todas as obras? No entanto, para as autoridades isso parece a coisa mais natural do mundo. Ninguém se indigna, ninguém investiga, ninguém pune. E a consequência disso é a mesma de sempre: a população prejudicada, serviços oferecidos de baixa qualidade, e as empresas e outras pessoas com os bolsos cheios, lucros altíssimos. E o povo? O povo? Ah, o povo é só o povo.





WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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22/08/2014

RISCO À SOCIEDADE
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





Estamos assistindo a mais um duro golpe na engenharia nacional, patrocinado pela incompetência do poder público, avalizado pela ignorância da imprensa e aprovado pela inércia da sociedade. Comprometendo ainda mais o crescimento do país e a boa gestão dos recursos do Estado.

A contratação de serviços de engenharia na modalidade de pregão eletrônico, tão alardeada como solução para todos os problemas, vem institucionalizar a mediocridade como critério de contratação, trazendo sérias preocupações sobre a qualidade das novas obras públicas e pela segurança dos cidadãos.

A falácia do preço como critério de contratação transforma serviços personalizados e especiais em commodities. Lançam no mesmo saco, projetos de engenharia de altíssima complexidade e vitais para a infra-estrutura brasileira e o feijão da merenda escolar, como se fossem ambos, passíveis dos mesmos critérios de compra.

É óbvio que, à luz dos escândalos revelados diariamente pela imprensa, medidas de controle dos gastos públicos deveriam ser tomadas imediatamente. O sistema de compras governamentais está podre e corrompido e, para garantir a lisura deste sistema, era necessária instalação e difusão do uso do pregão eletrônico. Único sistema capaz de reduzir o alarmante número de fraudes e de superfaturamento de pedidos.

Mas o sistema de pregão não é um elixir milagroso que cura da unha encravada à queda de cabelo. Existem produtos e serviços que podem ser comprados com sucesso por meio deste sistema. A grande maioria, diga-se de passagem. Porém, é preciso aceitar o fato de haverem exceções a todas as regras e admitir que existam serviços que não podem ser padronizados a ponto de ir a leilão.

Não admitir a existência de exceções é tentar ignorar princípios básicos de economia, a relação custo-benefício e preço-qualidade. A contratação por meio do pregão eletrônico institucionaliza a mentalidade do preço mínimo, da qualidade mínima, do tapa-buraco. Este sistema recompensará o material inferior, o profissional inexperiente, o serviço mal feito, o planejamento mínimo, as empresas em dificuldades

É hora das autoridades brasileiras acabarem com os esqueletos, com obras inacabadas ou mal-acabadas. É hora de projetos e serviços de engenharia no Brasil, serem contratados pelos resultados financeiros futuros. Pelo impacto na economia, na geração de empregos, no escoamento da produção, no crescimento da indústria e do comércio, na vida dos cidadãos ou na administração pública. Nunca pela economia gerada no processo de contratação.

É hora das entidades representantes da engenharia brasileira, em uníssono, levantarem-se contra esta barbárie, alertando a sociedade e as autoridades competentes dos riscos desta legislação equivocada.

Pois projetos de engenharia, diferentemente de um saco de batatas, devem ser escolhidos pela relevância técnica, pela experiência de seus executores, pela segurança da sociedade, pela durabilidade da obra, pelo retorno do investimento e etc.

Batatas só precisam estar aptas para consumo.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

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21/08/2014

TORRE DE TV - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Projetada por Lúcio Costa, a Torre da TV é um dos poucos edifícios importantes de Brasília que não são uma criação de Oscar Niemeyer. É a terceira estrutura mais alta do Brasil, perdendo apenas para o conjunto das torres da linha de transmissão de energia Tucuruí-Manaus-Macapá, sobre o Rio Amazonas, e a Torre da Rádio Gaúcha AM 600 kHz, localizada em Guaíba (RS).




TORRE DE TV - BRASÍLIA-DF





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com

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20/08/2014

PINGÜINS DE GELADEIRA: O MEDO DE ERRAR
(Dorys Daher)


DORYS DAHER
dorysdaher@hotmail.com






Às vezes certos clientes entram em pânico quando mudam de status econômico. Deixam a moradia simples, e pretendem mudar-se para uma casa de 1.200 m² em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona nobre do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o sucesso econômico irá se materializar no novo “habitat”, encravado no coração de um bairro sofisticado. Vêem-se cercados por uma vizinhança que, na cabeça deles, “com certeza” iria criticá-los por sua origem modesta.

De repente passam a desfrutar de todos os confortos e alegrias da classe média alta, obrigando-se a construir um cotidiano elegante, à altura da posição que o dinheiro agora lhes proporcionam.

O arquiteto será o mediador da transformação, o mágico capaz de conduzi-los pelos desvãos da insegurança, livrando-os do medo que os ameaça: o de serem acusados de “cafonas” pela nova classe a qual pertencem agora. Além de poupá-los de um desgaste entre eles próprios.

Passam a freqüentar ambientes mais bonitos, tendências diferentes e estilos com os quais jamais haviam visto. De repente, querem ter tudo aquilo que lhes parece digno de sua posição atual. Desejam incluir, na nova vida, todos os objetos pelos quais se encantaram em suas viagens pelo mundo. “Que tal colocar aquela mesa da Indonésia sobre o tapete persa? E a cadeira Luiz XV junto das girafas africanas? E a cabeça de touro que compramos na Espanha? Será que combina com o biombo igualzinho ao que vimos em Tóquio”? Bate o horror, a paranóia, o pavor de serem considerados ridículos e de se exporem às risadinhas de vizinhos e conhecidos. Sentem-se inseguros para assumir seus próprios gostos, ou para harmonizar todas as idéias que lhes passam pela cabeça.

Cafona! Essa é uma palavra ameaçadora, espécie de fantasma a assombrar tantas famílias que ascenderam socialmente! Mas, afinal, o que é ser cafona?

A definição do vocábulo, no Dicionário Aurélio XXI é a seguinte: “Cafona: diz-se da pessoa que, com aparência ou pretensão de elegância, foge ao que convencionalmente é de bom gosto; brega, caipira, fajuto, jeca, fuleiro.”

O dicionário Houaiss estica a definição e prolonga ainda mais o sofrimento de quem incorre no pecado do ridículo:“Cafona: que ou o que revela mau gosto, convencionalismo, pouca sofisticação ou pouco trato social; diz-se de ou o que tem ornamentação ou aspecto exageradamente ostensivo, espalhafatoso, sem bom gosto ou harmonia e tendente ao ridículo ou à vulgaridade; que ou o que é simplório, sem refinamento algum. Casca-grossa, provinciano, chinfrim, desatualizado, grosso, matuto, mocorongo, pé-duro”. O que caracteriza o cafona, afinal? É o pingüim de geladeira? As andorinhas na varanda? O anão de jardim? Não sei. Sei que é possível brincar com esses paradigmas de cafonice e resgatar, de forma lúdica, todos esses símbolos, transformando-os em estilo, em decoração, em marca de personalidade e bom humor.

Em arquitetura, o que evitar para não ser "over", vulgar, confuso ou cafona? Em um projeto arquitetônico, na minha opinião, seja lá qual for, reforma, construção ou design de interiores - vale tudo, até mesmo a mistura de estilos. Desde que se perceba, de forma clara e evidente, uma linha de pensamento que costure uma idéia do início ao fim. A presença desse fio condutor vai tecendo os espaços, os blocos harmônicos de massas e vazios, luz e sombra, cor e textura realizando o desejo de cada um. Se a proposta é brincar de misturar estilos, se é divertir-se com o uso de objetos simbólicos, de época, de vanguarda ou não, acredito que serão bem aceitos se forem compreendidos, isto é, desde que fiquem claras as intenções de cada criador. Mesmo que o projeto proposto esteja fora do que está na moda, ou do que é considerado elegante por tanto tempo, a sinceridade da criação é tão determinante, que aquilo que é prejulgado como de mau gosto, ultrapassa esse limite previamente estabelecido e assume uma forte expressão.

É possível tirar partido dessa mistura estética, dessa confusão de estilos, organizando um caleidoscópio de imagens onde estão sugeridas as mais diversas escolas. Desde que, para isso, a idéia esteja a serviço da criação de um espaço eclético, bizarro e engraçado. Pode-se trabalhar o lúdico. Porque é intencional, está previsto, atinge o fim proposto no início do trabalho. Há unidade nas citações.

Mesmo que seus olhos não se sintam atraídos por tal concepção estética, percebe-se que há, ali, uma idéia clara e dirigida. Há, um movimento capaz de revelar um pensamento encadeado, percebido pela leitura dos elementos que concretizaram o projeto. Existiu um conceito.





DORYS DAHER é arquiteta e urbanista. Dirige o escritório DG Arquitetura, no Rio de Janeiro e é autora do livro Cimento Batom e Pérolas - Quem tem medo de Arquiteto?

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19/08/2014

PRAÇA REPÚBLICA JULIANA EM LAGUNA-SC
(Fernando Rebelo)


FERNANDO REBELO
rebelofa@gmail.com





A nossa guerreira de dois mundos, Anita Garibaldi, com as mãos estendidas em direção a antiga casa de Câmara e Cadeia, onde agora funciona o Museu Histórico Anita Garibaldi. Esta praça possui uma forte relevância histórica para a cidade e para o país, tendo em vista que foi onde foi feita a proclamação da República Catarinense em 24 de julho de 1839. Ótimo local, a propósito, para descansar tranquilamente depois do almoço e ficar em contato com a natureza e com a história do nosso Brasil.




PRAÇA REPÚBLICA JULIANA EM LAGUNA-SC





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





FERNANDO REBELO é acadêmico de Arquitetura e Urbanismo na Universidade do Estado de Santa Catarina. Atualmente se dedica ao meio acadêmico, mas nos tempos livres sai perambulando pela cidade e por vezes registrando no papel o que a cidade tem de oferecer de mais belo

Pode ser localizado em Laguna-SC pelo e-mail: rebelofa@gmail.com

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18/08/2014

A ENGENHARIA E O SACI-PERERÊ
(Wilson Xavier Dias)


WILSON DIAS
wxdias@gmail.com





Mitologia é uma forma que o gênio humano achou de trazer para o nível do popular alguns conceitos e valores observados no comportamento e na alma do homem. É uma maneira didática e prática de tentar explicar como somos em alguns aspectos de nossa natureza. Ninguém sabe como surge uma figura mitológica. Não é fruto de elaborações acadêmicas ou pesquisas sistematizadas. Ela surge no meio do povo, utiliza figuras do cotidiano ou do imaginário coletivo, mas tem o grande poder de resumir na personalidade de um personagem características do ser humano que os acadêmicos e intelectuais gastariam incontáveis páginas para descrever. Eles não existem mas, incomodamente, nos vemos um pouco neles.

Os mitos mais conhecidos são os implacáveis e temperamentais deuses e heróis gregos: Hércules, Aquiles, Zeus, Édipo, etc. Eles representam frações de nossa personalidade, de forma que se juntássemos todos chegaríamos a um retrato aproximado do ser humano, com suas virtudes e defeitos. Menos conhecidos, porém tão emblemáticos quanto aqueles, são os nossos mitos tupiniquins. Quem nunca ouviu falar do Saci Pererê, símbolo do espírito moleque e travesso do brasileiro, ou do Curupira, protetor de nossas florestas e matas? Eles e todos os demais personagens são projeções da personalidade do brasileiro, de seus defeitos, virtudes ou mesmo de seus desejos coletivos.

Com o passar do tempo a idéia foi ampliada e hoje, principalmente no conceito popular, mito passou a significar uma coisa que aparentemente é verdade, mas no fundo é uma idéia falsa.

No nosso dia a dia e nas mais diversas áreas podemos criar, alimentar ou conviver com idéias ou conceitos que se vestem com uma roupagem de verdade, mas no final são mitos, idéias que são sustentadas apenas pelo hábito, folclore ou superstição popular.

Dentro dos nossos limites de atuação convivemos com mitos que tentam explicar ou dar sentido a ações ou posturas que normalmente assumimos. Não criamos figuras lendárias, mas criamos idéias ou argumentos que vão servir de base para muitas decisões que tomamos. E podemos correr o risco de darmos rumos equivocados a nossas decisões, se as basearmos nessas idéias.

Vamos aqui comentar apenas três idéias que ouvimos comumente em pronunciamentos ou lemos em artigos sobre o nosso sistema profissional. É claro que não iremos esgotar as discussões sobre os assuntos, mas eles servirão de base para algumas reflexões sobre nossa situação e para algumas sugestões ao final.

1 – Somos o maior conselho profissional do mundo, com mais de um milhão de profissionais registrados

Essa não é uma informação falsa. Ela é verdadeira. O problema dela não é a verdade que expressa, mas o que queremos dizer com ela quando a expressamos. Normalmente quando a utilizamos estamos querendo afirmar nossa representatividade. Estamos dizendo implicitamente que atrás de nossas decisões temos o respaldo de um milhão de profissionais, que somos seus porta-vozes, ou que, no mínimo, representamos a idéia média de todo esse contingente. Isso é um mito.

Vamos aproveitar a deixa e refletir um pouco sobre nossa representatividade.

Em primeiro lugar, não temos a atribuição legal de sermos os representantes da classe profissional que regulamos e fiscalizamos. A lei que criou o Sistema Profissional não nos concedeu poderes para falar em nome dos profissionais, ou representá-los. Nossa obrigação é fiscalizar o trabalho deles, o que normalmente não é uma atividade simpática a quem está sendo fiscalizado. Dificilmente alguém daria uma credencial de representante a quem o está fiscalizando. Poucos são os que têm consciência da importância da fiscalização, tanto para a sociedade quanto para o próprio profissional ( para o bom profissional), a ponto de serem gratos por esse trabalho.

Para amenizar um pouco essa situação procuramos desenvolver outras atividades, dentro do limite legal, que atendam a anseios ou necessidades dos profissionais.

Em segundo lugar, temos a questão da representatividade mesmo, independente da atribuição legal. Será que as opiniões e posições das lideranças do sistema, ou as decisões tomadas, estão alinhadas com a opinião de toda a classe profissional?

É claro que para uns poucos que conhecem o sistema profissional, estão envolvidos com suas questões, talvez possam se ver representados por suas lideranças, mas a verdade é que essa é uma parcela muito pequena do universo dos profissionais. Um indicador bem claro disso é a participação em nossos processos eleitorais. Como o voto em nossas eleições não é obrigatório, somente comparecem para votar aqueles que conhecem, participam, ou têm a consciência da importância do sistema. Pois bem, nas últimas três eleições para o Confea não participaram, em cada uma, 10% dos profissionais aptos a votarem. O presidente do Confea em todos os três casos foi eleito com os votos de menos de 6% dos profissionais. Isso, no mínimo, enfraquece a representatividade do presidente: 90% dos profissionais aptos a votarem se mantiveram indiferentes, recusaram-se a dar sua opinião, favorável ou contrária, aos concorrentes ao cargo. Será que este ano será diferente?

Uma maneira fácil de medir o poder dessa representatividade é pensarmos na possibilidade de se, por qualquer motivo, precisarmos fazer uma mobilização de toda a categoria. Se a convocação for feita pelo sistema profissional, qual será a resposta? Quantos profissionais reconhecerão o sistema como a liderança da categoria e atenderão ao chamado? (Na realidade não conseguimos pensar em nenhuma entidade que tem esse poder, mas nenhuma outra reivindica essa posição)

2 – 70% do PIB do Brasil passa pelas mãos de profissionais regulados pelo sistema Confea/Creas.

Outra afirmação bastante usada e que da mesma forma que a anterior é uma verdade que mascara a intenção com a qual é usada.

Quando usamos esse argumento, longe de querermos enaltecer nossa capacidade técnica e criativa, no fundo queremos afirmar o nosso poder. Se manipulamos 70% da riqueza do país, com certeza temos um grande poder de influência e decisão. Ledo engano. Realmente a geração da riqueza do país passa pela mão dos profissionais da área técnica. Sob essa ótica podemos afirmar até que não somente 70%, mas provavelmente 100% da riqueza produzida no país passa, em algum momento, pelas mãos de um profissional do nosso sistema. Mesmo se pensarmos no exercício da medicina, ou na reflexão do filósofo, ou na ação do professor, vamos ver que talvez para o exercício direto dessas atividades não seja necessária a ação de um técnico de nossa área, mas com certeza ela está presente nas ferramentas ou dispositivos de apoio para essas profissões. Isso tudo por uma razão simples: engenharia, por definição, é a arte da transformação. Assim, a produção de qualquer produto novo, ou qualquer nova técnica de produção desenvolvida, significa uma ação da engenharia.

Mas se a geração da riqueza passa pelas mãos das profissões técnicas, a decisão quanto a sua utilização não. E esse é o grande equívoco sobre a afirmação que estamos comentando. Se a riqueza e o conseqüente poder que ela gera são criados pela tecnologia, a utilização desse poder não é definida pelas mesmas pessoas. E os resultados que esse poder gera, decisões, investimentos, políticas, não atendem, necessariamente, aos anseios daqueles que o geraram. São pouco ouvidos ou chamados a se manifestar.

Resumindo, somos os responsáveis pela geração da maior parte da riqueza do país, mas não temos o poder que essa riqueza gera, portanto quando usamos essa declaração estamos, conscientemente ou não, alimentando um mito.

3 – Somos indispensáveis

Essa declaração nunca é verbalizada, pelos menos não claramente assim. Mas a postura assumida por grande parte dos líderes deixa transparecer a idéia de que somos indispensáveis à vida do nosso país (estou falando do sistema profissional, não das profissões). Somos importantes, não indispensáveis. Em diversos países as profissões são fiscalizadas e controladas por modelos diferentes dos nossos conselhos profissionais. E funcionam. No Brasil o modelo escolhido para fiscalizar o exercício profissional e garantir à sociedade a oferta de serviço adequado foi o de conselho profissional, uma autarquia pública, sujeita às regras e com os deveres de todo órgão público. Assim como fomos criados por lei, facilmente (em termos) podemos ser extintos por outra lei. Nossa sobrevivência é diretamente proporcional à nossa importância perante a sociedade, não do nosso ponto de vista, mas do ponto de vista da sociedade. Se o nosso trabalho for acolhido e reconhecido como um fator de segurança e tranqüilidade pela sociedade, teremos nossa sobrevivência garantida, porém se formos vistos apenas como um peso a mais, como geradores de obrigações desnecessárias (independente se essa visão for verdadeira ou não), estaremos sob ameaça de extinção. Nosso desafio então é criarmos mecanismos que signifiquem canais abertos e desimpedidos de comunicação com a sociedade de forma que vejam e reconheçam nossa utilidade e importância.

Como dissemos no início, não temos a pretensão de esgotar o assunto ( mesmo porque se assim fosse, não haveria a necessidade da opinião de mais ninguém), nem mesmo de estarmos certos. Se essas reflexões levarem o prezado leitor a pensar sobre esses assuntos, mesmo que seja para contrariá-los, creio que uma contribuição razoável foi dada.

Em 2013 foi realizado o Congresso Nacional de Profissionais que tinha o objetivo de captar as idéias dos profissionais sobra as mudanças necessárias nos marcos legais do Sistema, em outras palavras, das necessidades de modernização das leis que regulam o nosso sistema profissional, e transformá-las em propostas práticas a serem encaminhadas às instâncias com poder de implantá-las.

Surgiram propostas boas, outras nem tanto. Mas o importante agora é acompanhar o andamento dessas propostas, para que as transformações detectadas como necessárias realmente aconteçam.

Enfim, para que nossas percepções (algumas) do nosso Sistema profissional deixem de ser mitos, expressões técnicas do Saci-Pererê, devemos encarar essas questões com realismo e atuar no sentido de que essas percepções e afirmações sejam expressões dos nossos sonhos, finalmente transformados em realidade.







WILSON XAVIER DIAS é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Itajubá, em 1981. Foi presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Sumaré, SP, assessor do Confea e, atualmente é assessor da presidencia do Crea-DF.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

Faça um contato com o autor: wxdias@gmail.com

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15/08/2014

EQUAÇÃO MEIO RESOLVIDA
(Edemar de Souza Amorim)


EDEMAR DE SOUZA AMORIM
edemarsamorim@gmail.com





O efeito mais nefasto das décadas de crises intermitentes e dos esforços para recomposição das contas públicas, foi a transformação do Brasil em uma nação de pensamento tacanho e monocromático, voltada apenas à produção de resultados financeiros e superávits primários para saldar seus compromissos.

O foco (ou melhor, a sanha) na arrecadação de recursos tornou-se a única competência pública brasileira levada a excelência. Nosso país constrói hoje, verdadeiras máquinas de criação, instituição e cobrança de taxas, tarifas, empréstimos compulsórios, contribuições e impostos com eficiência inversamente proporcional à sua capacidade de gestão do dinheiro arrecadado.

O governo brasileiro, preocupado exclusivamente com os impostos não recolhidos pelos produtos que atravessam a Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu, legaliza o contrabando, organizando um mecanismo de apuração e cobrança eletrônica de impostos digna de países de primeiro mundo. Por outro lado, ignora o consumidor, atravessa a legislação, abandona suas normas e padrões de produção e segurança, entregando à sociedade a tarefa de se proteger do risco oferecido pelos produtos de qualidade “alternativa”, agora legalizada.

Esta situação absurda repete-se na engenharia, expondo a sociedade a um risco ainda maior. Pois a fiscalização do recolhimento de tributos parece ter se tornado a maior função das autarquias, em detrimento da segurança dos cidadãos, que se vêem à mercê de situações como a não observação de normas técnicas, a prática ilegal da profissão ou a má formação profissional.

Um engenheiro trava hoje uma batalha quase perdida em seu exercício profissional. Com custos crescentes para sua atualização constante, honorários ou salários decrescentes pela concorrência predatória e a falta de representação institucional pela fragmentação das associações e sindicatos. Em resumo, se ganha pouco, se gasta muito e não se recebe sequer a contra partida devida em serviços públicos.

Há pouco foi anunciado o subsídio dado pelo CREA à ABNT, como uma iniciativa para reduzir o custo atual de aquisição do mais fundamental instrumento de trabalho do engenheiro, a Norma Técnica. Mas como é possível um país sequer aventar a possibilidade de desenvolvimento econômico, se a aplicação de normas técnicas depende da capacidade de investimento pessoal do profissional ou da empresa?

O financiamento da ABNT pela venda de Normas Técnicas é mais uma aberração brasileira. Seu subsídio (esmola, na verdade) pelo CREA é uma afronta à sociedade e aos engenheiros e arquitetos, cujo acesso gratuito e permanente às suas Normas Técnicas deveria ser custeado integralmente pelo governo e não objeto de pirataria e comércio ilegal na internet.

É preciso voltar a enxergar a engenharia brasileira com a seriedade que merece, como ferramenta para o desenvolvimento econômico, como ciência produtora de conhecimento, como motor da inovação tecnológica.
Não apenas como uma vaca leiteira sustentando um estado gordo, pesado e ineficiente.





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e foi presidente do Instituto de Engenharia
abril de 2007 até abril de 2009.

Nesta série que estamos publicando neste segundo semestre de 2014 teremos 10 artigos que serão publicados todas as segundas-feiras.

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Comentário do Ênio Padilha

Meu colega e amigo, Engenheiro Edemar Amorim, fecha com chave de ouro esta semana de estreia.
Os dez artigos que serão publicados aqui, nesta Temporada Primavera são todos deste nível. Você, amigo leitor, será brindado com manifestações de lucidez e inteligência de uma das mentes brilhantes da Engenharia Brasileira.
Prepare-se.

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14/08/2014

PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF
(Alberto Ruy)


ALBERTO RUY
albertofoco@gmail.com





Palácio do Planalto é o nome oficial do Palácio dos Despachos da Presidência da República Federativa do Brasil. É o local onde está localizado o Gabinete Presidencial do Brasil




PALÁCIO DO PLANALTO - BRASÍLIA-DF





(clique sobre a imagem para vê-la em tamanho real)





ALBERTO RUY é fotografo profissional desde 1999. Trabalhou e trabalha com orgãos públicos, autarquias, agencias de noticias e de publicidade. Faz fotos institucionais, sociais, fotojornalismo e da natureza

Pode ser localizado em Brasília-DF pelo e-mail: albertofoco@gmail.com


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