Notas de "BLOG DO ÊNIO PADILHA"

14/06/2019

PROJETO, CONSULTORIA, ASSESSORIA ALHOS E BUGALHOS

Quais são os produtos disponíveis em um escritório de Engenharia ou de Arquitetura? Qual é a natureza desses produtos? Por que é importante, para o profissional entender isso? O que acontece quando um engenheiro (ou arquiteto) não sabe a diferença entre uma consultoria e uma assessoria?






TRÊS MINUTOS - Ano 18 - Número 398 (Ênio Padilha, 19/01/2017)



Nas minhas aulas de Administração de Escritórios (especialmente no tópico de Gestão do Processo Produtivo) essas perguntas são colocadas para os participantes. E, por incrível que pareça, em turmas de 25 ou 30 profissionais é raro ter mais de dois ou três que saibam as respostas corretas. Pior: mais de 75% da turma, geralmente, não fazem a menor ideia de como responder a essas questões.

Então, a primeira coisa que eu faço, antes mesmo de dar as explicações devidas, é chamar a atenção deles (dar-lhes um pito) sobre a gravidade dessa ignorância. Se você não sabe qual é a natureza do seu produto você não é capaz de estabelecer estratégias corretas de produção, distribuição, negociação e, principalmente, precificação. Acho terrível que as faculdades não ensinem ao aluno o mínimo necessário para que ele possa identificar o tipo de produto que produzirá e entregará ao mercado. Nesse campo, confundir alhos com bugalhos (*) vai resultar, certamente, em um pão mal feito.

Começamos pelo mais simples. Pergunto para a turma, "Todo mundo aqui sabe o que é um Projeto, não sabe?". Todo mundo sabe.
"Alguém é capaz de dar a definição de Projeto de Engenharia ou de Arquitetura?" Começa a confusão. Aparecem as definições mais simplórias e absurdas.
Eu falo "Gente! vocês não sabem nem definir/descrever o produto que vocês vendem! Como esperam fazer bons negócios com ele?"

Então, vamos lá: um PROJETO DE ENGENHARIA pode ser definido como uma PREVISÃO,
baseada em
• Normas Técnicas
• Conceitos Tecnológicos Básicos
• Conhecimentos e experiência do projetista
• Definições do Cliente
• Condicionamentos
apresentada sob a forma de
• Desenhos (principais, auxiliares e detalhes construtivos)
• Diagramas
• Gráficos
• Textos
• Memória de Cálculo
• Memória Descritiva
• Especificação de Material
• Quantificação de Material
com o objetivo de
• Garantir a correta e completa execução de uma obra ou serviço.

A CONSULTORIA por sua vez é um serviço prestado por um profissional, geralmente com muito conhecimento e experiência, e que, essencialmente, consiste em análise e diagnóstico. Simples assim.
Todo serviço prestado por um engenheiro ou arquiteto é, em última análise, a solução de um problema do cliente. No caso específico da Consultoria, o problema consiste em uma DÚVIDA. Alguma coisa que o cliente não sabe ou não consegue identificar corretamente. Por isso, o profissional precisa ter muito conhecimento, muita competência técnica e muita experiência, pois precisará ter um olhar qualificado, deverá fazer as perguntas certas e ser capaz de ligar os pontos em busca do melhor diagnóstico para o caso.
Observe que, numa consultoria não é necessário resolver completamente o problema. O importante é o diagnóstico. A solução do problema poderá ser através de um PROJETO ou de uma ASSESSORIA. O artigo CONSULTORIA - O QUE É E O QUE NÃO É, do competente consultor Alberto Costa traz uma explicação bem interessante e algumas analogias muito boas que ajudarão o leitor a entender melhor o conceito.

A ASSESSORIA é o terceiro tipo de serviço prestado por um profissional de engenharia ou de arquitetura. É uma atividade executiva. Trata-se da disponibilização de seus conhecimentos, habilidades e capacidades para a realização de um trabalho para o cliente, demandando, basicamente, dedicação de tempo.
O acompanhamento, fiscalização ou gerenciamento de uma obra é um exemplo típico de Assessoria. Assumir a responsabilidade técnica pelo funcionamento de uma empresa ou pela construção de uma residência também são exemplos de assessoria.


É preciso entender a diferença enorme que existe na natureza dos produtos Projeto, Consultoria e Assessoria.

O projeto é um produto de "linha de produção" exige uma estrutura própria e, eventualmente, a participação de uma equipe de trabalho. É possível prever suas etapas e o tempo de duração da atividade. É claro que, para isso, o escritório precisa ser bem organizado e bem administrado. Mas é perfeitamente possível, sim senhor.

A Consultoria é um trabalho cuja duração é imprevisível. Depende da competência do profissional e da qualidade da sua relação com o cliente. Quanto melhor forem essas duas coisas, mais rápido se desenrolará o trabalho e melhores serão os resultados.

a Assessoria, como foi visto, demanda tempo. Depende do tamanho da tarefa. pode durar horas, dias, semanas, meses e até anos.

Todas as estratégias de apresentação desses serviços ao mercado bem como sua negociação com os clientes dependem de o profissional estar completamente inteirado da natureza diferente deles. Cada produto deve ser identificado, apresentado, precificado e negociado de maneira diferente. Não é demais repetir: confundir alhos com bugalhos resulta em problemas.

Um exemplo claro está justamente na precificação. O valor a ser cobrado pelos PROJETOS tem muita relação com os custos diretos de produção, com os custo fixo operacional do escritório e com os diferenciais competitivos do profissional.

A precificação das CONSULTORIAS, no entanto, não deve seguir essa lógica ou esses parâmetros. Deve ser estabelecido um preço que leve em conta a competência do profissional e o custo (para o cliente) de não resolver o problema. Uma consultoria nunca deve ter seu preço determinado pelo tempo que o profissional leva para entregar o resultado. Muito pelo contrário. A lógica indica que quanto mais competente e capaz for o profissional menor é o tempo que ele leva para apresentar o diagnóstico.

As ASSESSORIAS, no entanto, podem, perfeitamente, serem precificadas tomando-se o tempo dedicado à tarefa como principal parâmetro. Afinal de contas, na assessoria não se faz diagnósticos. O trabalho consiste em operacionalizar a solução do problema.

Podemos dizer, de uma maneira simplificada, que, no Projeto o profissional vende estrutura e competência técnica; na Consultoria ele vende inteligência e experiência profissional e, na Assessoria ele vende mão de obra qualificada.

Todo profissional deve organizar seu portfólio de produtos (serviços) usando esses parâmetros. Assim terá maior clareza sobre quais referências devem ser utilizadas e como devem ser conduzidas as negociações com os seus clientes.




ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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(*) O português António Pinto de Magalhães explica que o BUGALHO — cuja imagem aparece na ilustração, no topo deste artigo — é uma galha arredondada ou coroada de tubérculos que se forma nos carvalhos e que é usado para fazer farinha de pão. É muito comum em Portugal. Quando descascado o bugalho fica exatamente da cor do alho o que pode gerar confusão na cozinha. Daí a expressão, dos antigos, "Não se deve confundir Alhos com Bugalhos".

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04/06/2019

UMA PARCERIA PARA EU ME ORGULHAR A VIDA INTEIRA



(Publicado em 19/04/2019)



Me formei engenheiro há 33 anos (UFSC, 1986). Desde os primeiros meses de exercício profissional me tornei leitor e fã do trabalho de um engenheiro paulista de nome comprido: Manoel Henrique Campos Botelho.
Ele era famoso por ter escrito um livro de nome atrevido: "CONCRETO ARMADO EU TE AMO", mas eu li primeiro um outro livro dele, sensacional: "MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS DO ENGENHEIRO E DO ARQUITETO".



Li muitos dos seus livros, participei de um dos seus cursos (em Jaraguá do Sul, SC). Lia todos os artigos que ele publicava em jornais ou na internet, ou seja: eu sempre fui um fã incondicional do trabalho dele.

Em 2007, quando escrevi o livro NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA, pedi a ele que escrevesse o prefácio. Expliquei que o convite era uma forma de homenagear a ele por ter feito um trabalho que, de certa forma, viabilizou o meu. Afinal, ele enfrentou o desafio de falar de marketing para engenheiros e arquitetos quando este tema era um tabu e todo mundo acreditava que "marketing é coisa pra quem não trabalha direito" e diziam coisas do tipo "o melhor marketing que existe é o trabalho bem feito". Naquele tempo os profissionais achavam que o marketing era um recurso utilizado por profissionais e empresas sem qualidade...

Se Botelho, e também o arquiteto paulista Walter Maffei, não tivessem sustentado seus discursos e suas propostas por tanto tempo, certamente o meu trabalho, quando apresentado em 1998 (no livro MARKETING PARA ENGENHARIA E ARQUITETURA) não teria terreno fértil para florescer. E eu não sei se teria a força que eles tiveram para ficar dando murro em ponta de faca.



Pois bem: há duas semanas recebi um e-mail desse ícone da Engenharia Brasileira, me convidando para escrever, junto com ele, um livro sobre... nem terminei de ler o e-mail e já tinha decidido que sim, CLARO QUE SIM. Como dizer NÃO para um convite do Manoel Henrique Campos Botelho?

SIM, SIM, SIM. Respondi o e-mail imediatamente e iniciamos as tratativas. Já comprei passagens para ir a São Paulo fazer uma reunião com ele onde decidiremos os detalhes do livro (na verdade, ele vai decidir e eu vou obedecer, claro). O livro terá como tema central as instalações elétricas em pequenos parques de diversão. E terá, certamente o jeito criativo e atrevido do Manoel Botelho como marca registrada.

Aguardem notícias. Certamente faremos um livro muito bacana.

Será, para mim, um grande prazer fazer parte dessa empreitada. Uma parceria da qual irei me orgulhar a vida toda.






A imagem usada como fundo no cabeçalho deste post foi retirada da capa do livro CONCRETO ARMADO EU TE AMO, o grande sucesso do Manoel Botelho



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PADILHA, Ênio. 2019

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28/05/2019

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

(Publicado em 19/07/2017)



Pense bem e responda: o que é, afinal, Valorização Profissional?
Quantas vezes você já participou, aí na sua entidade de classe, de alguma palestra, seminário, curso ou um outro evento qualquer em que o tema central era a Valorização Profissional? Você sabia que a Valorização Profissional é a segunda principal motivação para a criação ou revitalização de entidades de classe de Engenharia e Arquitetura no Brasil? (a primeira é, ainda, Tabela de Honorários).

Não lhe parece estranho que, com tanta gente querendo, e com tantas entidades se movimentando... a tal da valorização profissional pareça estar cada vez mais distante? Inacessível? Inatingível?

E sabe onde está o "X" da questão? No termo "Valor", embutido na palavra "Valorização".
Infelizmente, para a maioria das pessoas, valorização significa "ganhar mais". Ter mais "valor" significa "valer mais" (em dinheiro). É o famoso "Ter" e "Parecer" sobrepujando o "Ser" e o "Saber". Isso significa transformar conseqüência em objetivo. O meio em fim.

Estive envolvido em um trabalho de Consultoria muito interessante, com uma grande entidade nacional, que reúne os melhores profissionais do país em sua área de atuação. Realizamos seminários de discussão deste tema e eu (como orientador dos debates) propus uma abordagem diferente para o assunto: é preciso ver o clássico objetivo de melhorar a remuneração não mais como um objetivo e sim como uma conseqüência de um processo. Para isso é preciso revisitar o conceito de Valorização Profissional. E entender que, ganhar mais não significa, automaticamente, ser mais valorizado. No entanto, quando se é, realmente, valorizado pelo mercado, ganhar mais é uma conseqüência natural.

Para isso, vamos estabelecer aqui uma simplificação: você é valorizado pelo mercado se você se sente à vontade neste mercado. Se você gosta do que você faz (do jeito que você faz) e se as coisas acontecem como você entende que as coisas devam acontecer. Em outras palavras: você está no comando (ou, pelo menos, está nos degraus superiores da cadeia de comando). Fora disso, não importa o quanto você ganha. Você e seu trabalho não são, definitivamente, valorizados.

Dignidade, Realização, Reconhecimento, Segurança, Perspectivas promissoras... Essas são as cinco condições fundamentais e os principais indicadores da verdadeira valorização profissional.

A Dignidade é determinada pelo respeito que a sua presença impõe. A certeza interior que você tem de que está fazendo o melhor, da melhor maneira possível e que ninguém, em momento algum poderá desestabilizar a sua atuação.

A Realização Profissional se dá quando você consegue ver materializado as suas idéias sem intervenções, sem mutilações, sem comprometimentos. A sensação maravilhosa de ver que o seu trabalho teve princípio, meio e fim.

Aí vem o Reconhecimento Profissional aquela impagável manifestação do mercado (não apenas do cliente) de que o seu trabalho é diferenciado e valioso.

Nenhum profissional poderá se sentir valorizado se estiver se sentindo inseguro na relação com o mercado. A Segurança, portanto, é uma condição absolutamente indispensável para determinar que você tem Valorização Profissional. Se você não se sentir seguro, nunca irá fazer bons negócios. O problema com a segurança é que esse é um sentimento que você precisa conquistar. Não é dado pelos outros.

A Perspectiva Promissora fecha esse nosso pequeno conjunto de indicadores de valorização profissional. Se o seu trabalho não lhe dá perspectiva, você não tem uma vida ligada a esse trabalho. Ele, definitivamente, não vale a pena.

Não tenho dúvidas de que esse tema e esses indicadores precisam ser dissecados com muita atenção. É o que pretendemos fazer neste artigo. O importante é deixar claro que a conquista dessas condições fundamentais (esses indicadores) nos leva diretamente (como conseqüência) para a valorização financeira.

Você pode até ganhar muito dinheiro. Porém, sem Dignidade, Realização, Reconhecimento, Segurança, Perspectivas Promissoras... você terá tudo, menos valorização profissional


DIGNIDADE

Poder! Se você não fizer um esforço para entender as relações de poder (e como as pessoas buscam e exercem poder) terá alguma dificuldade para entender a importância da dignidade para o sentimento de valorização que o profissional quer ter.

Vamos ao dicionário: Dignidade é qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; honra, autoridade, nobreza; qualidade do que é grande, nobre, elevado; modo de alguém proceder ou de se apresentar que inspira respeito; solenidade, gravidade, brio, distinção; respeito aos próprios sentimentos; amor-próprio...

Como eu disse antes, a Dignidade é determinada pelo respeito que a sua presença impõe. A certeza interior que você tem de que está fazendo o melhor, da melhor maneira possível e que nin-guém, em momento algum poderá desestabilizar a sua atuação.
Muita gente tem dificuldade de entender o que é Dignidade porque não sabe se é uma coisa que a pessoa tem ou se é uma coisa concedida a essa pessoa pelas outras.
Pois bem. Vou tentar ser objetivo, correndo o risco de ser simplista:

Dignidade é uma coisa que sempre começa dentro de nós. Ninguém nos tira a Dignidade, a menos que permitamos isto.
Dignidade é um estado de espírito. Uma "aura". Algo que ninguém consegue identificar objetivamente ou medir com algum critério ou instrumento.

É um direito que o indivíduo dá a si mesmo de olhar os outros de frente, de cabeça erguida, sem medos, sem vergonhas, sem constrangimentos.

Esse DIREITO a pessoa se dá, baseada em sua retidão de caráter, na sua firmeza de princípios, nas suas intenções honestas, na sua consciência de que representa algo útil e importante.

Observe essa última frase desse último parágrafo: "sua consciência de que representa algo útil e importante". Esta é a certeza fundamental, sem a qual o processo de construção da Dignidade fica prejudicado. A certeza de que você é útil e importante.

Estou sendo repetitivo? Não. Estou determinando claramente um ponto.
E por que repetir três vezes a mesma coisa? Porque é aí, neste ponto, que somos atacados. E, muitas vezes, é nesse ponto que nossa Dignidade é ferida de morte.

As relações comerciais são, em certa medida, disputas por territórios emocionais. Na prestação de serviços essa característica fica mais evidente, pois as relações são muito mais pessoais e as fortalezas individuais são elementos decisivos no jogo dos negócios.
Muitos clientes, por ignorância ou má-fé, tentam nos enfraquecer emocionalmente minando nossa auto-confiança, nossa auto-estima... nosso sentimento de utilidade e de importância.

Se percebem alguma fragilidade no nosso caráter, na honestidade, na competência (leia-se qualidade do serviço) colocam isso sobre a mesa, de forma sutil ou escancarada (dependendo da conveniência).

Se, porém, o produto tem a qualidade desejada, lançam mão de práticas de exercício de poder como falta de atenção, ausência de respostas, chá de espera, chá de cadeira, exigências descabidas, comentários depreciativos à categoria profissional...

Aí é que entra em cena a necessária Fortaleza Espiritual que o profissional precisa ter para não se deixar levar por esse "jogo" e acabar acreditando que vale pouco ou nada. Não pode perder a Dignidade e se submeter à certas humilhações. Não pode aceitar um trabalho do qual não possa vir a se orgulhar. Não pode aceitar que o cliente o trate como um mal necessário - ou desnecessário.

Não pode viver com medo! Acredite. Na maioria das vezes, basta um olhar para colocar as coisas no devido lugar. Um olhar que diga "Eu sei o que eu sou. E sei quanto eu valho. Se você não tem a capacidade de perceber isso, talvez você não tenha nenhuma utilidade para mim..."

Mas, atenção: não adianta treinar esse discurso. Se utilizar apenas palavras, não vai surtir o mesmo efeito! Tem de vir da alma. A Dignidade está no olhar.


REALIZAÇÃO
A REALIZAÇÃO é parte fundamental do caminho que leva à Valorização Profissional pois quem não realiza não se realiza.
Do que estamos falando? De quem estamos falando?
Dos caneteiros. Dos acobertadores. Assinadores de planta, capachos de desenhistas... Estamos falando dessa raça nefasta de levianos irresponsáveis que desgraça a profissão, jogando lama sobre tantos anos de dedicação e sacrifícios deles próprios e também dos seus colegas.
Esse bando que não realiza nada, nunca. E que, por isso, nunca se realiza profissionalmente. Que não sente orgulho do que faz. Que não tem dignidade profissional.

Me desculpem pelo destempero, mas esse é um tema que me ferve o sangue.
Os acobertadores constituem um pequeno grupo (e têm seus similares em qualquer outra profissão, não há dúvida). Nunca representam mais do que oito ou dez por cento de uma determinada comunidade profissional. Mas o estrago que conseguem fazer é uma coisa descomunal.
São uma praga. Um câncer. Uma desgraça !

É um problema que precisa ser enfrentado com coragem e determinação. Acredito que o sistema profissional (Confea/Crea /Entidades de Classe/Sindicatos...) precisa declarar uma luta sem tréguas a essa causa.
A prática do acobertamento precisa ser considerada falta gravíssima e o castigo precisa ser extremamente severo, pois trata-se de um desvio que leva às mais nocivas consequências para a profissão.

Nenhum estudante de Engenharia, Arquitetura ou Agronomia "sonha" em ser um caneteiro. Nenhum profissional recém-formado quer ser um acobertador... A escolha desse caminho se dá por:
1) Fraqueza de Princípios;
2) Dificuldades Naturais do Mercado;
3) Impunidade Legal;
4) Impunidade Moral.

A Fraqueza de Princípios pode e deve ser combatida durante o processo de formação, com a Inclusão Profissional.
A Inclusão Profissional deve ser promovida pelo sistema (Confea/Crea/Entidades de Classe, Sindicatos...) através de palestras, cursos, seminários, eventos sociais e esportivos cujo objetivo é a transmissão dos preceitos éticos e morais do exercício da profissão.
O Código de Ética profissional precisa ser introduzido nas universidades e sua discussão e prática deve ser permanente. Da festa do calouro ao dia da formatura.
O estudante de Agronomia, de Engenharia, de Arquitetura e das demais profissões do sistema precisa se sentir DENTRO. Precisa sentir-se Engenheiro, Arquiteto e Agrônomo, desde o primeiro dia de aula. Só assim irá desenvolver o necessário sentimento de respeito e ética para com os colegas.
Alguém aí tem coragem de dizer que isso não reduziria consideravelmente o número de caneteiros no mercado ?

As Dificuldades Naturais do Mercado são outra explicação (não justificativa) para o desvio que alguns colegas tomam em direção à prática do acobertamento.
Pode ser combatida com informação, treinamento e preparo empresarial.
Se o profissional não sabe como enfrentar as dificuldades naturais do mercado... dá-lhe cursos de gestão empresarial, marketing, administração de custos, relacionamentos interpessoais... essas coisas que, infelizmente, ainda não temos nas escolas de engenharia, de arquitetura e de agronomia.

É preciso aprender uma coisa simples: ganha-se mais trabalhando direito. E ainda tem a vantagem de que isto nos dá realização profissional e dignidade (leia-se "valorização profissional")

A Impunidade Legal, bem como a Impunidade Moral são responsabilidades do sistema e também nossa. De cada profissional individualmente.

O sistema precisa criar mecanismos para punir com maior RAPIDEZ e RIGOR os casos de acobertamento. Nós, profissionais, precisamos ser menos tolerantes com esse desvio moral.
Não podemos mais fechar os olhos e fazer de conta que não é conosco.

As entidades de classe precisam ter uma comissão permanente de "patrulha" e esclarecimento (o primeiro estágio) para fazer um "policiamento ostensivo" e impedir que um desvio eventual se torne uma prática profissional permanente.

É preciso eliminar a possibilidade de um profissional acobertador sentir-se confortável ou seguro. É preciso dar a ele apenas uma saída. Apenas um caminho. O retorno à prática profissional digna e correta.
Essa luta é de todos. De toda a classe. Não é uma coisa pontual.
Se eu, um engenheiro eletricista, estiver cometendo acobertamento, o meu colega agrônomo, que pensa que não tem nada a ver com isso, estará, também, pagando uma parte da conta.
Valorização profissional é um conceito muito complexo. Difícil de ser obtido.
A maior dificuldade está justamente no fato de que é uma conquista coletiva. Depende de todos e de cada um.


RECONHECIMENTO
O Reconhecimento é talvez o único dos fundamentos da Valorização Profissional que depende muito menos de nós e muito mais dos outros. É, com certeza, uma das coisas mais difíceis de ser obtida.

O Reconhecimento Profissional é aquela impagável manifestação do mercado (não apenas do cliente) de que o seu trabalho é diferenciado e valioso.

Uma das chaves para o reconhecimento profissional é a paciência. Sim, paciência, pois, como já me disse certa vez o colega engenheiro Petrolinces, em Itumbiara, Goiás, "o sucesso é uma coisa que uma pessoa leva uma vida inteira para conseguir de um dia para outro".

O reconhecimento profissional geralmente aparece muitos anos depois que você mesmo já se deu conta de que o seu trabalho tem muito valor.
Daí a importância da paciência. Você precisa entender que as pessoas levam muito tempo para perceber aquilo que, para você, parece óbvio: a excelente qualidade do seu produto.

Outra coisa importante: o reconhecimento profissional começa pelo reconhecimento dos seus colegas de profissão. Isto é, realmente, muito importante. Um profissional que quer ser valorizado pelo mercado precisa ser valorizado pelos seus colegas.
Eu não conheço nenhum caso de um grande profissional reconhecido pelo mercado que não seja reverenciado pelos seus colegas.

Portanto, não esqueça: as estratégias de marketing profissional que você vai por em prática tem de incluir os seus colegas como público alvo. Pois sem o conhecimento e o reconhecimento deles você nunca obterá o conhecimento e o reconhecimento do mercado (o que inclui os seus po-tenciais clientes)


SEGURANÇA
A tão sonhada Valorização Profissional nunca chegará para um profissional que não seja absolutamente seguro quanto ao seu trabalho. Que não tenha certezas profissionais. Que não transpire a convicção da competência.
Um profissional seguro é muito mais respeitado. E um profissional respeitado está a mais de meio caminho da Valorização Plena.

O problema é que Segurança não cai do céu. Segurança é privilégio dos competentes. E competência tem um custo direto muito alto. Nem todos os que gritam por Valorização Profissional estão dispostos a pagar esse preço.

A engenheira e professora universitária em Lisboa, Portugal, Maria Teresa de Barros tem uma frase que é muito apropriada, quando o assunto é ética profissional: “A primeira e principal regra de ética profissional para um engenheiro é ser competente.”

Podemos, sem susto algum, estender esta afirmação também à segurança. E, por decorrência natural, à Valorização Profissional. Todo profissional precisa, todos os dias, perguntar a si próprio: “Em que medida eu estou desenvolvendo as minhas competências profissionais?” “Estou suficientemente atualizado quanto aos conhecimentos da minha profissão?”

FUTURO
Uma profissão só pode ser considerada “Valorizada” se os seus praticantes têm futuro. Se as perspectivas são promissoras.

Como eu já disse na introdução deste ensaio, se o seu trabalho não lhe dá perspectiva, você não tem uma vida ligada a esse trabalho. E, definitivamente, não vale a pena.

Mais uma vez preciso chamar a atenção para o ponto de vista que serve de base para este texto: a Valorização Profissional não pode ser expressa em renda financeira.

Se for assim, teremos que admitir que os estelionatários, aliciadores de prostitutas, os assaltantes e os traficantes de drogas têm profissões muito valorizadas. Afinal, todas essas atividades rendem um bom dinheiro.

Mas veja, leitor, quanta coisa falta a essa gente para que sejam (e se sintam) realmente valorizados.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | ep@eniopadilha.com.br




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Leia o artigo completo aqui

27/05/2019

UMA DOSE DE FARLLEY DERZE. RECOMENDO COM FORÇA.

(Publicado em 27/08/2018)



Talvez uma das maiores riquezas e, certamente, o meu principal recurso imaterial é a disponibilidade da inteligência dos meus amigos. Tenho muitos amigos inteligentes. Muito, muito, muito mais inteligentes do que eu (e isso não é, de maneira nenhuma, falsa modéstia). E esses amigos me permitem generosamente aprender com eles muito do que eles ja sabem.





Tem sido assim a vida inteira. Desde que eu era jovem, quando me tornei amigo de alguns dos meus professores. Mais tarde, transformei em meus professores alguns dos meus amigos. Isso tem me enriquecido muito. Tô falando de enriquecimento material mesmo, pois conhecimento é um recurso que pode virar dinheiro em algumas circunstâncias.

Pois bem. Farlley Derze é um desses amigos. Me chegou por acaso. Marido de outra pessoa muito querida (e igualmente inteligente, claro). Conheci-os num café, no aeroporto de Brasília, quando eles foram me convidar para ser professor num curso coordenado pela Jamille. Uma conversa de uma hora e meia que repercutiu por 10 anos (esse encontro se deu em 2008) e eu espero que reverbere por mais algumas décadas. Desde então, tenho tido doses regulares da inteligência desse generoso amigo, lendo seus artigos, ouvindo suas músicas, compartilhando projetos, ou desfrutando de longas conversas sempre iluminadas.

Como eu não sou egoísta, divido com outros amigos parte desse privilégio. Tem muita coisa do Farlley lá no meu site. Pode procurar na gavetinha de busca. E hoje me chegou às mãos outra de suas preciosidades. Um artigo dele foi publicado na Revista Estética e Semiótica — Volume 8 — Número 1 páginas 67 a 74. A publicação é do Programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. O título, O ESPÍRITO DA ESTÉTICA, numa publicação acadêmica, dá uma primeira impressão de que teremos pela frente um texto hermético e presunçoso. Mas o que encontramos, já nos primeiros parágrafos é um texto límpido, instrutivo, instigante e… divertido. Ou seja: Farlley Derze em estado puro.

Li o artigo como quem toma um café. Aliás, os personagens do texto também fazem isto enquanto conversam animadamente e discorrem sobre o tema a ser elucidado. No fim, o leitor fica com a sensação de ter visto uma cena de filme de Claude Lelouch ou de Tarantino, dois mestres em produzir cenas grandiosas de diálogos que definem a história que está sendo contada.

Tome você também esse café. Clique AQUI. Tome sua dose de Farlley Derze. Recomendo muito. Recomendo com força.



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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23/05/2019

O QUE É ESTRATÉGIA E POR QUE ISSO É IMPORTANTE PARA A ENGENHARIA E AGRONOMIA DO BRASIL?



(Publicado em 29/01/2019)



A sociedade brasileira não valoriza a sua engenharia. Não é o governo, não são os políticos, não são os empresários, nem os intelectuais... não. É a sociedade, como um todo, a maioria do povo brasileiro, que não valoriza a sua Engenharia.

Nenhuma pesquisa bem feita na sociedade brasileira iria apontar os investimentos em ensino de ciência e tecnologia como uma prioridade do povo, como uma coisa de importância estratégica o bastante para mobilizar pessoas e construir discursos que elegem prefeitos, vereadores, deputados ou senadores. Nenhum candidato se elegeria Presidente do Brasil se estabelecesse (de verdade) como meta principal do seu governo, o Ensino de Engenharia.

Por que essa conversa agora?
É que na semana passada o plenário do Confea decidiu o Tema Central do 10º Congresso Nacional de Profissionais (CNP) que será realizado neste ano em Palmas, Tocantins. O tema será ESTRATÉGIAS DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA PARA O DESENVOLVIMENTO NACIONAL.



No congresso o tema será desenvolvido em eixos temáticos:
• INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS — Inovações tecnológicas no processo de desenvolvimento econômico sob a ótica da Engenharia e da Agronomia;
• RECURSOS NATURAIS — O papel da Engenharia e da Agronomia na utilização e aproveitamento de recursos naturais com sustentabilidade;
• INFRAESTRUTURA — A governança da política de infraestrutura brasileira sob a ótica da Engenharia;
• ATUAÇÃO PROFISSIONAL — Os rumos da formação profissional da Engenharia e Agronomia brasileiras;
• ATUAÇÃO DAS EMPRESAS DE ENGENHARIA — Governança das empresas de Engenharia e obras públicas.



Então... se o Congresso Nacional de Profissionais (CNP) decidiu discutir ESTRATÉGIA PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL, precisa discutir antes a sua posição no cenário. Qual é a força da Engenharia Nacional nessa discussão? Que poder têm os engenheiros? Qual é o seu lugar à mesa? Quem estará disposto a ouvir o que os engenheiros têm a dizer? Até que ponto as pessoas estão, de verdade, prestando atenção?

Antes de propor uma estratégia para o Brasil a Engenharia Brasileira precisa definir uma estratégia para si própria. Qual é a nossa estratégia?

ESTRATÉGIA não é o projeto. Não é o plano. Estratégia não é o objetivo.
Estratégia é o conjunto de ações que uma pessoa ou organização REALIZA para atingir seus objetivos. Estratégia é, portanto descrita pelas ações. E é influenciada pela missão, pela visão, pelas crenças, valores e circunstâncias da pessoa ou da organização.

Temos de começar por aí. Qual é a missão da Engenharia Brasileira? Qual é a visão? Quais são as crenças e valores que nos regem? Isto está bem definido? Está bem comunicado? Engenheiros brasileiros (no geral) querem a mesma coisa para o Brasil?

DESDE 1993 eu acompanho as sucessivas edições do CNP. Algumas vezes como participante, outras como palestrante e outras como autor de textos referenciais.

O meu site sempre eleva o evento e o tema à condição de assunto importante. Neste ano não será diferente.

Estou lançando a palestra que será disponibilizada para os grupos (entidades ou Creas) que quiserem ampliar ou aprofundar a discussão: O QUE É ESTRATÉGIA E POR QUE ISSO É IMPORTANTE PARA A ENGENHARIA E AGRONOMIA DO BRASIL?

Nesta palestra serão discutidas e apresentadas respostas para as seguintes perguntas (essenciais para essa conversa):
• O que é estratégia?
• Qual é a importância estratégica da Engenharia para os países?
• Qual é a percepção da sociedade brasileira sobre a importância estratégica da Engenharia?
• Por que a Engenharia Brasileira precisa de uma estratégia de valorização própria antes de propor uma estratégia para o Brasil?
• Como se estabelece uma estratégia eficaz para uma organização ou sistema profissional?

E aí? Vamos conversar?







Leia AQUI os artigos que já foram publicados
nesta série sobre Estratégias para a Engenharia do Brasil.



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PADILHA, Ênio. 2019

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20/05/2019

PECADOS COMETIDOS POR ENGENHEIROS E ARQUITETOS
NA ESCOLHA DE SÓCIOS

(Publicado em 13/02/2010)






Atenção: este artigo não traz nenhuma novidade. Apenas organiza o conhecimento dominado que você provavelmente já leu em meia dúzia de artigos na Internet ou em revistas de Economia e de Gestão. A única consideração nova aqui é sobre o tipo de sócio que engenheiros e arquitetos geralmente encontram. Ou seja: engenheiros e arquitetos.

Como é fazer sociedade com esse tipo de indivíduo? Vale a pena? Que tipo de problemas podem surgir?
Por que fazer uma sociedade? O que se deve esperar de um sócio? Sociedades podem dar certo?

É assim mesmo. Antes de fazer uma sociedade somos inundados por uma tempestade de perguntas, dúvidas e angústias. Nem sempre respondemos todas as perguntas ou eliminamos as dúvidas e angústias antes de iniciarmos a sociedade. E, mais importante: nem sempre fazemos as perguntas certas ou esclarecemos as questões importantes.

O resultado é que muitas sociedades dão errado. E muita gente acaba com essa sensação de que toda sociedade está fadada ao fracasso.

Mas não é verdade. E isto responde a uma das nossas perguntas acima (sociedades podem dar certo?)

A regra número um na escolha de um sócio parece ser "conheça muito bem o futuro sócio". Usa-se, inclusive, a metáfora do namoro e do casamento para ilustrar a situação.

O problema é que essa não é uma tarefa fácil. O mais comum é o profissional ser surpreendido com alguma coisa muito inesperada no seu sócio, quando já é "tarde demais".

E não adianta ter um contrato minucioso das tarefas, obrigações, atividades, direitos e benefícios dos sócios se essas questões não passaram por uma discussão sincera e franca entre as partes. É bom lembrar a metáfora do casamento: por mais que as obrigações e direitos das partes esteja estabelecido pelas regras tácitas do casamento... a gente sabe que, infelizmente, muitos não dão certo. Alguns até precedidos por muitos e muitos anos de namoro.

Mas existem dois pecados muito comuns cometidos pelos profissionais no processo de escolha de sócios. Observar essas armadilhas e fugir delas já é meio caminho andado para que a sociedade seja bem-sucedida.

O primeiro pecado cometido por muitos profissionais na escolha do sócio e escolher por afinidade. Por amizade.

É muito comum ver sociedades de iguais (ou semelhantes). Três engenheiros, colegas de faculdade, excelentes projetistas de estruturas (os melhores da turma) se reunem numa sociedade... que vai fazer água em menos de dois anos!

Duas arquitetas, muito amigas, criativas, competentes, que vão juntas às festas e viagens, se unem numa sociedade... que tem tudo para dar errado!

Amigos de muitos anos ou parente bacanas não são necessariamente bons sócios. Compartilhar festas e viagens não é a mesma coisa que dividir trabalho. Sociedade não se faz por amizade! Sociedade não se faz por afinidade ou simpatia. Sociedade se faz por conveniência. E o conveniente nem sempre é evidente.

É claro que você não deve fazer sociedade com pessoas completamente diferentes, especialmente no que diz respeito às CRENÇAS, VALORES e PRINCÍPIOS (veja o artigo CRENÇAS, VALORES E PRINCÍPIOS, publicado em 2009).

Então, que fique claro: quando eu digo que os sócios devem ser diferentes me refiro aos conhecimentos, habilidades e capacidades.

Se, por exemplo, você é um excelente projetista e pretende abrir um escritório de projetos, a última coisa de que você precisa é de outro profissional bom em fazer projetos. O que você deve buscar, como sócio é alguém que seja bom em negociação com clientes ou em questões administrativas ou em comando de equipe...

Outro projetista irá agregar muito pouco ao negócio e será, fatalmente, fonte de discussões e desentendimentos.

O segundo pecado cometido pelos que se lançam numa sociedade é se entusiasmar demais no início do processo e esquecer de alguns detalhes fundamentais. Esquecer, por exemplo, de definir as regras do jogo. Coisas aparentemente simples, mas que não podem ser decididas com o jogo em andamento.

Obrigações e responsabilidades dos sócios; critérios de remuneração; distribuição de lucros; emprego de familiares; utilização dos equipamentos (inclusive veículos e telefones) da empresa; periodicidade das Reuniões; Férias...

Como eu digo sempre, os dois demônios mais ferozes que se opõem ao sucesso de qualquer sociedade são o Demônio do Dinheiro e o Demônio da Vaidade Intelectual.

Há uma tendência natural nas pessoas, numa sociedade, em julgar que o outro sócio está ficando com uma fatia do dinheiro maior do que a merecida. E que também está recebendo o crédito indevido pelos eventuais sucessos da empresa.

Essas questões devem ser discutidas abertamente antes de a sociedade ser estabelecida, para evitar que esses demônios se criem.

Antes de dar início a uma sociedade é preciso fazer exercícios mentais (conjuntos) com o desenho desses cenários, para identificar a reação natural de cada uma das partes.

Evidentemente esses não são os únicos pecados cometidos na constituição de sociedades de Engenheiros e de Arquitetos. Outras questões são importantes e certamente serão objetos dos comentários dos leitores. Aí poderemos avaliar uma a uma.

O importante é acreditar, sempre, que a sociedade entre profissionais (no caso de Engenharia e de Arquitetura) é uma das melhores fórmulas para o sucesso nos negócios



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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Ilustração: syhus.com.br



---Padilha, Ênio. 2010 ---Administração ---Sociedade

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15/05/2019

SER COMPETENTE É UM COMPROMISSO ÉTICO



(Publicado em 10/02/2010)



A Professora Maria Teresa Padilha, de Lisboa, Portugal, tem uma frase que eu considero digna de registro: ela afirma que “o primeiro e mais importante compromisso que um profissional tem com a ética profissional é ser competente!”
Isso tem tudo a ver com o conceito de construção coletiva da percepção da sociedade em relação à Profissão e da responsabilidade individual de cada profissional sobre o resultado final.

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14/05/2019

NA DÉCADA DE 1950 FOI O MARKETING. AGORA É A GESTÃO.



(Publicado em 15/05/2019)



QUANDO O MARKETING CHEGOU AO BRASIL, no início da década de 1950, ele foi logo apropriado por professores, autores, consultores e outros senhores que mal tinham lido a orelha de um ou dois livros e já se apresentavam como especialistas no tal do marketing.
E foi nessa tocada que o marketing, no Brasil, se resumiu a comunicação, propaganda e publicidade...

Leia o artigo completo aqui no Blog do Ênio Padilha

10/05/2019

UMA REFLEXÃO SOBRE VALOR COMERCIAL DO SEU TEMPO
(Ou de quanto podemos cobrar pelo uso do nosso tempo).

(Este artigo foi extraído do capítulo 11 do livro ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA)



Quanto vale o seu tempo? Quanto você pode cobrar por ele? Melhor dizendo, quanto seus clientes ou empregadores estão dispostos a pagar pelo seu tempo? O que você pode fazer para que o seu tempo seja mais valorizado?





Pense no seguinte: pense num menino ou numa menina de 10 anos que não tenha nenhum talento especial (artístico, esportivo, comercial...) e, naturalmente, não possui ainda nenhum conhecimento, capacidade ou habilidade que possa ser comercializada.

Digamos que ele, nesta idade, abandone a escola e não se dedique a nenhuma atividade de aprendizado de coisa alguma. Gaste seus dias apenas se distraindo ou se divertindo. Digamos que, por sorte, esse menino não seja cooptado pelo mundo do crime nem se torne usuário de drogas. Que se torne apenas um adulto sem nenhuma qualificação. Pior, sem, sequer, a condição de aprender habilidades simples.

O que resta ao nosso jovem quando chega aos 16 ou 18 anos? Quanto vale sua hora de trabalho? Por quanto ele pode vender a sua força de trabalho?
Não é preciso ser especialista em economia para saber que este suposto jovem terá de vender sua força de trabalho por um valor muito baixo (algo em torno de R$ 3,00 a R$ 5,00 por hora). Este é o valor da hora de trabalho de pessoas muito jovens e sem nenhuma instrução, treinamento ou experiência.

Se este nosso jovem optar por não frequentar nenhuma escola e não participar de nenhum treinamento profissional, ele somente poderá melhorar seu rendimento contando com a experiência prática, o que implica continuar trabalhando e esperar o tempo passar.
Considerando, novamente, o melhor dos mundos, ou seja, que o nosso jovem não caia na bebida ou nas drogas, que não se envolva em nenhuma atividade ilícita e que seja um bom trabalhador, ele chegará à idade madura (lá pelos 40, 50 anos) ganhando seus R$ 6,00 a R$ 10,00 por hora.



NOTA: Embora existam pessoas que fogem ao padrão apresentado acima, é preciso reconhecer que esses casos geralmente são resultados de combinações excepcionais de talento, sorte e disciplina. Não é, seguramente uma boa aposta, pois a possibilidade de uma pessoa adulta que não tenha estudo nem treinamento técnico profissional ganhar mais do que foi sugerido acima é, realmente, muito baixa.



Do que foi visto acima, podemos deduzir o seguinte: para chegar à idade adulta (e, depois, à idade madura) com a possibilidade de cobrar mais caro pelo uso do seu tempo nas ATIVIDADES DE PRODUÇÃO, o indivíduo precisa investir corretamente boa parte do seu tempo nas ATIVIDADES DE PREPARO. Vamos explicar melhor isso:

Podemos dizer que usamos o tempo em atividades de PRODUÇÃO (quando estamos fazendo alguma coisa que o nosso cliente está pagando) e em atividades de PREPARO (quando estamos fazendo coisas que contribuem para reduzir o tempo e aumentar o valor da utilização do tempo em atividades de produção)



NOTA: Existem autores que preferem os termos "Atividades de Exploração" (onde utilizamos "Atividades de Preparo") e "Atividades de Utilização" (para o que chamamos "Atividades de Produção")



O uso racional do tempo em atividades de PREPARO amplia o valor do tempo aplicado em atividades de PRODUÇÃO.

ATIVIDADES DE PREPARO - são as atividades nas quais o indivíduo está empenhado em desenvolver seus talentos e capacidades, para que o seu trabalho possa ser mais valorizado. Em outras palavras, para que cada minuto do seu tempo tenha mais valor;

ATIVIDADES DE PRODUÇÃO - são as atividades nas quais o tempo consumido é totalmente transformado em produto, ou seja, em algo pelo qual o cliente está disposto a pagar para receber.
No dia a dia profissional os processos de decisão constituem, normalmente, as atividades mais desgastantes, cansativas e consumidoras de tempo.

Quanto mais e melhor for aplicado o tempo nas atividades de preparo, menos tempo será consumido no processo de decisão sobre "como fazer as coisas," uma vez que o conhecimento e a habilidade obtidos nas atividades de preparo tendem a tornar o processo de decisão mais rápido, eficaz e confortável. Portanto, mais valorizado se tornará o seu tempo para aplicação nas atividades de produção.

Quanto menos tempo gastar "decidindo coisas" e mais tempo gastar "fazendo coisas", mais descansado você se sentirá no final de cada dia de trabalho;

Esta discussão acima, serve para esclarecer a importância do investimento em ATIVIDADES DE PREPARO, popularmente conhecidas como Educação e Treinamento Técnico. Mas também deveria servir para que o leitor tenha uma noção de que o PREPARO tem um custo e que este custo deve ser repassado ao cliente na hora de vender o seu produto. Ou seja, atividades de preparo são a PLANTAÇÃO e as atividades de produção são a COLHEITA.



Estudar, fazer cursos, participar de palestras, ler livros, revistas técnicas, artigos, acadêmicos, tudo isso são atividades típicas de Preparo. Durante algum tempo na sua vida (dos 5 aos 25 anos) esse tipo de atividade deve ter PRIORIDADE ABSOLUTA. Significa que durante este período, nada deve ser considerado mais importante do que estudar e se preparar.

Entre os 16 anos e 25 anos de idade outros interesses aparecem e podem competir com as atividades de Preparo. Isto inclui oportunidades de trabalho. Muitas pessoas, assim que começam a ter Atividades de Produção (e, portanto, começam a ganhar algum dinheirinho) começam a dar a esse tipo de atividade um valor absurdamente alto e acabam relegando ao segundo e terceiro planos as atividades de preparo. Anos depois ficam choramingando pelos cantos que não tiveram sorte nem oportunidades. Tiveram, sim. Mas viraram as costas para ela. Colheram tudo o que tinham plantado e esqueceram de que deveriam continuar plantando.

Depois dos 25 anos, para quem fez a lição de casa, o processo de formação já estará concluído. Daí pra frente é preciso fazer (1) Manutenção do conhecimento, (2) Formação continuada e (3) Especialização.

Tudo isso exige muito investimento em Atividades de Preparo. É claro que, a essa altura da vida, as atividades de Produção (a colheita) já tem uma importância considerável, mas, quem parar de plantar será engolido pela concorrência melhor preparada (com melhores diferenciais competitivos), especialmente se o seu produto possui alto componente intelectual agregado (é o caso da Arquitetura e da Engenharia).

O profissional não deve perder de vista os livros, as revistas técnicas, as palestras, os cursos e as especializações. È preciso reservar algum tempo na sua agenda diária para se dedicar a isso. Essas atividades de Preparo irão, continuamente, elevar o valor da sua Hora de Trabalho. Ou seja, permitir que você possa tirar melhor proveito das atividades de Produção.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA
E ARQUITETURA

Os bastidores dos negócios bem sucedidos: do processo de escolha dos sócios à determinação dos preços (passando pelo treinamento dos empregados, sistematização de processos,controle financeiro e Marketing)

ÊNIO PADILHA
3ª ed. 2017 - 200 páginas
ISBN 978-85-62689-80-2 - OitoNoveTrês Editora

Apresentação: Ricardo Meira (Arquiteto, Quadrante Arquitetura, Brasília)
Prefácio: Rodrigo Bandeira-de-Melo (Engenheiro e Professor da FGV, SP)



Clique AQUI e leia as primeiras 18 páginas do livro (até o final do primeiro capítulo)



---Divulgação







---Artigo2014

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03/05/2019

O PREÇO DE TODAS AS COISAS

(Publicado em 09/11/2011)



Tudo na vida tem um preço! Você já deve ter ouvido isto algumas vezes. Talvez tenha até concordado. Mas é pouco provavel que já tenha parado para pensar mais profundamente à respeito. Será que é verdade? Tudo tem preço mesmo? Quanto vale o trabalho? Quanto vale o tempo? Quanto vale o lixo, a cultura, a fé? Quanto vale uma vida humana? Quanto vale o que é recebido de graça?

Acabei de ler um livro que traz boas respostas para todas essas perguntas: O PREÇO DE TODAS AS COISAS - Porque pagamos o que pagamos, primeiro livro (espero que não seja o último) de Eduardo Porter, autor norte-americano (ou estadunidense, se preferir) que escreve sobre economia e negócios para o New York Times.

O livro me foi recomendado pelo professor José Geraldo Baracuhy, da Universidade Federal da Campina Grande, na Paraiba. Segundo ele, trata-se de um tratado filosófico não apenas sobre o preço das coisas mas também sobre o seu valor. Obrigado, professor. Sua sugestão me propiciou momentos de produtiva reflexão!

Eduardo Porter abre o livro falando sobre o preço do lixo e como lidamos com este "produto". Mostra-nos como o valor do lixo é percebido de maneiras distintas por pessoas de classes socias diferentes ou em diferentes países. O que para uns é apenas entulho, para outros é tudo!

Ainda na primeira parte do livro ele se dispõe a uma tarefa que parece ser impossível: determinar o valor (em dinheiro) da vida humana. E faz isso baseado em números da economia e de decisões de empresas, governos, famílias e indivíduos.

Traça um mapa instigante para chegar à conclusão de que uma vida humana vale cerca de dez mil dólares americanos nos países desenvolvidos e menos de mil dólares em países subdesenvolvidos. Os números fazem sentido, depois de ler o livro.

Porter utiliza a matemática, os postulados da economia, da política e do mercado para desvendar o preço de todas as coisas: da saúde à educação; do lazer à segurança; do tempo à felicidade.

Vale a pena ler o livro. Vale o custo de comprar o exemplar na livraria e vale o tempo dispendido na leitura. Especialmente se você precisa determinar o preço do seu trabalho, do seu produto.

É mais fácil tratar disso quando você consegue refletir sobre o valor que seu potencial cliente provavelmente dará ao que está sendo negociado.

Especialmente se você não vende commodities e se o seu produto é algo intangível, variável e com alto componente intelectual agregado, é interessante saber o que tem valor para o cliente. O que ele está disposto a pagar para obter.

Tenho certeza de que o livro de Eduardo Porter será de grande ajuda.



ÊNIO PADILHA
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