Notas de "BLOG DO ÊNIO PADILHA"

14/09/2018

A TRÍADE

(Publicado em 14/09/2018)



Sabe quando você termina de ler um livro e fica com vontade de ler mais? aquela vontade de voltar para a primeira página e começar a ler de novo? Poisintão. É uma coisa bem comum quando você está lendo um livro de ficção. Um romance ou um livro de aventura. Não é comum quando você está lendo um livro de não ficção. Muito menos um livro sobre gestão do tempo.
Mas o livro do Christian Barbosa me causou essa sensação.





Eu já falei aqui do PROTOCOLO 89. Trata-se do serviço de consultoria oferecido por mim e pela OitoNoveTrês para pequenos escritórios de Engenharia ou de Arquitetura. É um processo de autointervenção orientada desenvolvido especificamente para escritórios com até 15 pessoas (entre sócios e empregados e terceirizados regulares). Consiste num conjunto de passos assumidos pelo proprietário (ou sócios) durante 26 semanas (aproximadamente 6 meses) com o objetivo de fazer um reconhecimento (análise e diagnóstico) da empresa e do ambiente no qual ela atua, bem como estabelecer novos padrões de funcionamento, gestão, e administração estratégica, orientados pelas teorias da administração e, particularmente, pela Visão da Empresa Baseada em Recursos (RBV).

Pois nesse processo o titular do escritório precisa (entre outras coisas) ler 21 livros selecionados que ajudem a sedimentar os conceitos que são empregados na tal intervenção.

Eu estava em busca de um bom livro de administração racional do tempo, pois é uma das coisas essenciais para a produtividade. Já tinha lido outros três livros, mas todos me pareciam muito auto ajuda, muito bla-bla-blá, muito vamo-que-vamo sem consistência.

Foi quando um dos meus clientes, o arquiteto paulista Fabiano Lima me recomendou A Tríade do Tempo, do Christian Barbosa.

Que baita recomendação! O livro é todo estruturado, organizado, límpido, didático. Não é à toa que fez um sucesso tremendo.

O autor discorre sobre a famosa “matriz do tempo” que divide as tarefas em quadrantes de maior ou menor urgência ou importância. Mas não adota esse instrumento de análise. Ele apresenta como alternativa a sua trindade, na qual as tarefas podem ser importantes, urgentes ou circunstanciais.

Porém, ao contrário da matriz do tempo, na Tríade do Christian não existe interseção entre as características. O leitor é ensinado a lidar com as tarefas de tal forma que elas serão importantes ou urgentes ou circunstanciais (nunca um pouco de cada coisa). É uma ideia em princípio impossível para quem já está viciado na matriz, mas, com o correr do livro e com o empilhamento de argumentos do autor o leitor acaba convencido e tudo fica muito claro.

Mas o livro não se limita a apresentar essa nova perspectiva. Tem muito mais. Cada capítulo é uma aula. E cada aula traz um pacote de instrumentos e ferramentas intelectuais que podem efetivamente alterar o seu conceito de produtividade, organização e disciplina.

Tá incluído na lista dos 21 livros do Protocolo 89. E recomendo a leitura para todos os profissionais que estejam em busca de produtividade e equilíbrio no trabalho e no dia-a-dia.



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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06/09/2018

A ELETRICIDADE NÃO ACEITA DESAFOROS

(Publicado em 06/09/2018)



Levantamentos realizados pelo Corpo de Bombeiros de diversas cidades pelo mundo dão conta de que grande parte (mais de 90%) dos incêndios têm como causa primária um curto circuito, uma sobrecarga elétrica ou uma descarga atmosférica. E que, em todos esses casos, os danos poderiam ter sido evitados ou os prejuízos minimizados por instalações elétricas corretamente realizadas.





Incêndios são desastres que causam grandes prejuízos. Mas, numa indústria, este é apenas um dos muitos problemas que podem ser causados por instalações elétricas mal projetadas, mal executadas ou cuja manutenção é mal feita. Pode ocorrer interrupção da produção, destruição de equipamentos, queda na produtividade por conta de ambientes mal iluminados, incompatibilidades eletromagnéticas e dificuldades para ampliação ou reparo de sistemas. Sem contar os eventuais acidentes com vítimas por conta de instalações inseguras.

No Brasil, infelizmente, grande parte das pequenas e médias empresas industriais (e até mesmo algumas grandes) apresentam instalações elétricas inadequadas e inseguras. Isso se deve ao fato de que, geralmente, essas instalações são executadas (sem projeto) pelas equipes internas, normalmente compostas por pessoas sem formação específica e despreparadas para a complexidade do trabalho.

Isto ocorre principalmente devido ao fato de que existe pouca oferta de profissionais especialistas (realmente especialistas!) no mercado, o que dá aos operadores da indústria a falsa noção de que este trabalho não é importante.

A elaboração de um projeto elétrico industrial é uma tarefa que exige muito conhecimento de Engenharia Elétrica e também de outras áreas, como Arquitetura, Engenharia Mecânica, Engenharia de Construção Civil e Processos de Produção Industrial. Além disso, é importante que esse profissional esteja permanentemente atualizado sobre as técnicas e tecnologias.

Um especialista em Projetos e Instalações Elétricas Industriais é um profissional com uma cultura tecnológica ampliada pois precisa entender não apenas de instalações elétricas. Tem de entender o universo industrial e os interesses e motivações das pessoas que operam as fábricas.

A especialização nessa área exige dedicação e curiosidade tecnológica. O profissional precisa ter o gosto pela ciência, pela tecnologia e pelos processos produtivos.

Um curso de Especialização em Projetos e Instalações elétricas Industriais deve dar ao profissional informações, num nível superior de profundidade, possibilitando que ele possa capacitar-se para atuar no desenvolvimento de projetos de instalações elétricos industriais, atuar na gestão de obras de instalações elétricos industriais, ocupar cargos técnicos e/ou gerenciais em indústrias, empresas de engenharia consultiva e da cadeia de fornecedores de bens e serviços, além de desenvolver as competências para elaboração de propostas técnicas e comerciais e na gestão de pessoas, liderança e formação de equipes de projetos.

Se você é um engenheiro eletricista e procura por uma excelente área para especialização, o curso de Projetos e Instalações Elétricas Industriais é, na minha opinião, uma excelente escolha.



ÊNIO PADILHA
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(Clique sobre a imagem acima e obtenha informações detalhadas sobre o curso)



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31/08/2018

MARCA PESSOAL

(Publicado em 22/03/20184)



MARCA é, etimologicamente falando, alguma coisa capaz de marcar. Tornar algo identificável, único. É o traço que, através da sua presença (ou ausência) permite distinguir uma determinada coisa de outras semelhantes.

O termo é frequentemente usado como referência de empresa ou de produtos dessas empresas. Mas o conceito de marca pode ser utilizado também quando tratamos de uma pessoa. Pode-se dizer, nesse caso, que O NOME DA PESSOA representa alguns significados para as outras pessoas e, portanto, é sua MARCA PESSOAL.





MARCA PESSOAL é o nome de uma pessoa quando ele representa um patrimônio imaterial mensurável social ou comercialmente, pela capacidade de, por si só, aglutinar apoios sociais ou alavancar resultados comerciais.

Em outras palavras o nome de uma pessoa atinge o status de MARCA PESSOAL quando a simples menção do nome ou a associação dele a uma causa ou produto resulta de ganhos mensuráveis. Significa que o nome da pessoa possui valor comercial, influenciando de forma marcante as relações mercadológicas desse indivíduo, seja do ponto de vista da sua carreira profissional ou mesmo na comercialização de produtos (bens ou serviços) associados.

Uma MARCA PESSOAL é algo que um indivíduo pode construir para usufruir os benefícios (em termos pessoais e de mercado) dos conceitos de Marketing e da Administração inteligente da sua Imagem Pública. A MARCA PESSOAL, portanto, tem algumas coisas do marketing e algumas coisas da Administração da Imagem Pública.

Embora o conceito de MARCA PESSOAL possa ser utilizado para qualquer pessoa, ele é particularmente útil para Profissionais Prestadores de Serviços porque, nesse caso, a necessidade de estabelecer um valor comercial para o próprio nome parece ser muito mais evidente.

Hubert Rampersad, no livro "DNA da sua marca pessoal: um novo caminho para construir e alinhar uma marca" (2008) afirma que "as pessoas aceitam pagar um preço de 9% a 12% maior por uma marca conhecida e confiável, comparada a marcas que não são tão familiares", o que explica a importância do investimento pessoal no sentido de criar uma Marca Pessoal.

O mesmo autor chama atenção para o fato de que a criação da marca (pessoal ou não) acontece antes do marketing e das vendas. Portanto, todas as ações e estratégias do Marketing (empresarial ou Pessoal) devem sustentar a existência de uma marca, definida e estabelecia à priori. Ações de marketing sem uma marca a ser sustentada é pura perda de tempo, energia e dinheiro.

O NOME (A MARCA PESSOAL)
O nome da pessoa é o seu Rótulo de Identificação Social. É a sua MARCA PESSOAL. Todas as percepções (positivas e negativas) que as outras pessoas tenham do indivíduo são associadas ao seu nome. O objetivo da pessoa que quer fazer uma boa Administração da Imagem Pública (e construir uma Marca Pessoal forte) é fazer com que as pessoas se lembrem dela (e, principalmente, do seu nome).

Existem algumas considerações que o indivíduo precisa levar em conta se quiser que o seu nome seja facilmente lembrado.

O nome de uma pessoa tem duas componentes básicas: a morfoetimológica e a conceitual.
A componente morfoetimológica é o significado que o nome tem para o público quando o dono do nome ainda não foi apresentado. Que características você atribui a uma pessoa cujo nome é Raimundo Vinagre? ou Terezinha Tosse?
Agora, imagine uma pessoa chamada Cecília Drummond ou, Augusto Valente.
Veja que, mesmo sem conhecer nenhuma destas pessoas (acredite, os nomes são verdadeiros) você já construiu uma pré-imagem para cada uma delas, não é verdade?

Isto significa que essa componente do nome também deve ser analisada (não é por acaso que, no mundo artístico, é tão comum uma pessoa assumir um novo nome ou fazer uma simplificação ou ajuste no seu próprio nome). O nome de uma pessoa, assim como o nome de uma empresa ou de um produto pode (e deve) ser alterado em benefício dos objetivos pessoais.

• Nomes muito complicados apresentam natural dificuldade para serem absorvidos pelo público (demandam maior investimento na divulgação).
• Nomes com significados secundários devem ser omitidos ou trocados, pois acarretam desvios de energia para explicações e esclarecimentos, além de darem margem a eventuais piadinhas, charges e outras brincadeiras que podem desviar a atenção do público para os valores e características que se quer transmitir.
• Nomes que tanto podem ser de um homem quanto de uma mulher (Juraci, por exemplo) podem ser suprimidos ou trocados. E tudo isto pode ser feito sem burocracia, sem cartório, sem mexer nos documentos, nada. Basta decidir.
• Apelidos em geral, devem ser evitados (só admitidos em casos muito especiais)
Finalmente (mas muito importante), nomes muito compridos devem ser resumidos a duas, no máximo três palavras, para facilitar a fixação.
• Nomes (ou sobrenomes) naturalmente compostos (Ana Clara, João Pedro, José Mário, Maria Helena... Lins e Silva, Buarque de Holanda...) podem ser mantidos;
• Dois sobrenomes especiais (reconhecidamente especiais e com valor “de mercado”) podem ser mantidos

A componente conceitual do nome, por outro lado, é construída pelos valores que o público vai atribuindo à pessoa, em função de suas ações e omissões, gestos, posturas, palavras, conhecimentos, habilidades e outras características (ou seja, pela maneira como a pessoa faz a gestão da sua imagem pública)


ELEMENTOS DE SUSTENTAÇÃO DE UMA MARCA PESSOAL
Uma vez definido o nome da marca, alguns elementos são necessários para que esta marca possa se tornar valiosa, ou seja, capaz de ser, por si só, fator de motivação para que clientes potenciais do produto que ela representa disponham-se a pagar mais para obtê-los.

Baseado no livro "A marca chamada Você" (2010) de Peter Montoya e Tim Vanderhey, podemos considerar três coisas como determinantes para o sucesso de uma Marca Pessoal. São os três pilares que a sustentam:
1) Especialização Reconhecida
2) Garantias intrínsecas da marca
3) Identidade Visual e Visibilidade


ESPECIALIZAÇÃO RECONHECIDA
A especialização é essencial para a construção de uma Marca Pessoal. É virtualmente impossível construir uma Marca Pessoal sem que ela esteja ligada a algum tipo de produto que seja especializado. Para definir a especialização é preciso responder algumas questões básicas: o que você faz para ganhar dinheiro? qual é o seu produto? para quem você quer vender o seu produto? em que área de atuação geográfica seu produto será disponibilizado?

A especialização de uma Marca Pessoal pode estar ligada ao produto (exemplos: ortopedia, contabilidade financeira, advocacia criminal...) ou ao público ao qual o produto se destina (exemplos: pediatria, geriatria, educação infantil...)

É importante observar que, para um profissional de nível superior a sua atividade profissional (definida pela sua graduação) nem sempre (quase nunca) define uma especialização capaz de caracterizar uma boa Marca Pessoal.
Medicina, Arquitetura, Advocacia, Engenharia, Administração, Psicologia... não são especializações capazes de diferenciar uma boa Marca Pessoal. Definem apenas o ramo de negócios no qual a Marca Pessoal irá atuar. É preciso ser especializado (e, se possível especializado dentro da especialidade). É preciso representar algo realmente único para as pessoas e para o mercado. Veja, por exemplo os seguintes níveis de especialização:

1 Trabalhar no ramo de construção civil;
1.1 Trabalhar com projetos
1.1.1 Trabalhar com projetos de interiores
1.1.1.1 Trabalhar com projetos de interiores comerciais
1.1.1.1.1 Trabalhar com projetos de interiores para escritórios

1.2 Trabalhar com administração de obras
1.2.1 Trabalhar com administração de obras residenciais
1.2.1.1 Trabalhar com administração de obras residenciais de alto padrão

1.3 Trabalhar com execução de obras
1.3.1 Trabalhar com execução de edifícios comerciais
1.3.1.1 Trabalhar com execução de edifícios comerciais de grande porte (acima de 12 pavimentos)

É muito natural (especialmente no início da carreira) que o indivíduo não assuma atividades profissionais especializadas. Em outras palavras, que seja um "clínico geral". Isto é perfeitamente aceitável para o recém-formado. No entanto, é preciso ter em mente que a construção de uma Marca Pessoal forte depende muito da capacidade de se apresentar com uma especialização muito bem definida.


GARANTIAS INTRÍNSECAS DA MARCA PESSOAL
Garantia intrínseca de uma Marca é a certeza que o cliente tem ao comprar um produto de estar adquirindo determinados resultados.

Por exemplo, se você envia uma encomenda pela Federal Express você tem a CERTEZA de que a encomenda chegará ao destino no tempo previsto. Observe que essa "certeza" é subjetiva e psicológica. É claro que a Fedex, em alguns casos, já deve ter extraviado alguma encomenda ou não ter entregue no tempo devido, mas... Mas as pessoas continuam acreditando que isso não acontece, porque esta é a reputação da empresa, seu ativo mais precioso, construído por anos e anos de excelência dos seus 290 mil empregados no mundo todo)
Se a empresa cometesse erros frequentemente, com certeza não teria esse atributo reconhecido.

As Garantias Intrínsecas são as coisas com as quais uma Marca Pessoal está inteiramente comprometida e identificada. São as características operacionais imediatamente associadas à marca por todas as outras pessoas. Representam as Promessas que podem ser cumpridas em 99,999% dos casos (ou seja: uma falha, no máximo, a cada três anos).

Por exemplo: se um profissional sistematicamente cumpre os prazos de entrega dos seus serviços, depois de algum tempo as pessoas no mercado assumem essa característica como sendo um atributo dessa marca pessoal. Assim, quando um cliente contrata esse profissional ele não só espera receber o serviço no prazo combinado. Ele tem certeza de que isto acontecerá. pode-se dizer, nesse caso, que o cumprimento de prazos é uma Garantia Intrínseca da Marca Pessoal desse profissional;

Observe que os atributos permanentes da marca não são, necessariamente, positivos. Se uma falha ou problema acontece (é observado) com frequência no desempenho de um profissional, aquela falha ou problema pode se incorporar à marca pessoal, como atributo permanente.

É necessário e vital, portanto, que a pessoa não apenas desenvolva seus diferenciais competitivos (seus atributos positivos valiosos) mas também se preocupe em eliminar as falhas e problemas.

Os atributos permanentes mais importantes de uma Marca Pessoal são o que chamamos de Diferenciais Competitivos.

Nos estudos empresariais DIFERENCIAL COMPETITIVO é tudo aquilo que torna a sua empresa ÚNICA ”aos olhos do cliente”. É um recurso que uma empresa possui ou controla e que é percebido pelo mercado como positivamente destacado. Mas isto só não basta. É preciso também...

1) Que este recurso seja raro. Ou seja, muito difícil (trabalhoso, demorado ou caro) para ser adquirido ou controlado pelo concorrente;

2) Que este recurso seja idiossincrático. Ou seja, que este recurso se combine com outros recursos da em-presa de forma única (isto é, de maneira diferente da possível combinação com recursos do concorrente) e que essa combinação permita à empresa conceber e implementar estratégias que produzam vantagem competitiva;

3) Portanto, que esse recurso produza vantagens e benefícios para os clientes e que eles (os clientes) con-sigam perceber claramente essas vantagens e benefícios.

Diferencial Competitivo, portanto, não é apenas "ter qualidade no que faz", ou "ter preço baixo" ou "ter bons clientes no currículo". É preciso um pouco mais de esforço para ter um verdadeiro Diferencial Competitivo.

Possuir ou controlar um recurso positivo só constitui um diferencial se o mercado perceber de forma inequívoca as vantagens e benefícios decorrentes. Do contrário, possuí-lo ou controlá-lo não aumenta as suas vendas, não gera indicações importantes pra a empresa.

Pode-se dizer, com outras palavras, que Diferencial Competitivo é algo que sua empresa tem, que as outras não tem, que vão demorar a ter (ou nunca terão) e que os clientes gostam.

Do ponto de vista de Marca Pessoal, tudo o que se diz sobre Diferencial Competitivo para empresas pode-se dizer de Atributos Permanentes. E com os mesmos efeitos.


IDENTIDADE VISUAL E VISIBILIDADE
A identidade visual de uma Marca Pessoal é o conjunto de signos que identificam inequivocamente essa marca: os símbolos gráficos (ícones), as cores, o logotipo, e outros elementos visuais.

Embora o uso de ícones gráficos para identificar marcas pessoais não seja proibido ou desaconselhável, recomenda-se dar preferência ao logotipo, que é o nome da pessoa escrito de maneira especial (sem a utilização de tipos convencionais). Corresponde a um desenho do próprio nome.

A escolha de cores que serão utilizadas para a escrita do nome (logotipo) ou do fundo/moldura também faz parte da definição da identidade visual da Marca Pessoal.

O slogan também compõe a identidade visual da Marca Pessoal. Slogan é uma frase curta (duas a dez palavras) que sintetiza as garantias intrínsecas e os atributos permanentes de uma marca ou produto.

É importante observar que, enquanto o slogan de uma grande empresa (marca construída com o aporte de milhões em comunicação) pode ser uma frase curta que depois será exaustivamente explicada pelos comerciais de TV e anúncios em jornais e revistas, o slogan correspondente a uma Marca Pessoal deve ser mais esclarecedor por si só.

Montoya e Vanderhey lembram (na página 119 do livro "A marca chamada Você" -2010) que, enquanto empresas como a BMW, Apple, Sedex, Gilette, por exemplo, podem ter slogans como "Puro prazer de dirigir", "Pense Diferente", "Mandou, Chegou" e "A sua melhor Imagem", a frase escolhida como slogan de uma marca pessoal deve dizer às pessoas o que você faz e para quem você faz. Em outras palavras, seu slogan deve contemplar a sua ESPECIALIZAÇÃO bem como a principal GARANTIA INTRÍNSECA da sua Marca Pessoal.


Visibilidade
A definição da Identidade Visual de uma Marca Pessoal (aí incluído o slogan) deve levar em conta todas as possibilidades de uso da marca nas diversas mídias disponíveis para comunicação com o mercado.

Uma Marca Pessoal, para se tornar importante (e produzir resultados) precisa ser exposta ao seu público potencialmente interessado (os clientes potenciais). Existem diversos veículos de comunicação da marca e é necessário fazer uma combinação inteligente dessas opções;

Cartão de Visitas
Os engenheiros e arquitetos (pequenas empresas prestadoras de serviços em geral) precisam se dar conta da função estratégica que o cartão de visitas desempenha nas suas relações com o mercado. Será fornecido um material extra de leitura com maiores detalhes e instruções sobre como conceber e utilizar o Cartão de visitas.

Folder ou Portifólio
Portifólio ou portfolio (com ou sem acento, segundo os dicionários) é um termo que define a coleção de trabalhos realizados por uma empresa ou por um profissional. Existem duas interpretações para esta definição. E as duas estão corretas:
1) O portifólio é a relação dos produtos representados por uma marca. Isto é, a lista dos produtos disponi-bilizados para o mercado;
2) O Portifólio é a relação dos trabalhos já realizados pela empresa (ou pessoa) dona da marca.

Fisicamente o portifólio é um instrumento de promoção com a forma de um catálogo. Geralmente bem produzido, com boa qualidade gráfica e de acabamento. Tem por finalidade não só apresentar a marca e seus produtos como também causar uma percepção positiva.

website, e-mail, redes sociais
A internet representa o mundo virtual no qual todos os profissionais precisam ter uma base de operações. Embora as coisas importantes (contratações, pagamentos, construções...) ocorram no mundo real, é no mundo virtual que a maior parte dessas coisas se originam, nos dias de hoje.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2014 ---Administração ---GestaodeCarreira ---MarcaPessoal

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27/08/2018

UMA DOSE DE FARLLEY DERZE. RECOMENDO COM FORÇA.

(Publicado em 27/08/2018)



Talvez uma das maiores riquezas e, certamente, o meu principal recurso imaterial é a disponibilidade da inteligência dos meus amigos. Tenho muitos amigos inteligentes. Muito, muito, muito mais inteligentes do que eu (e isso não é, de maneira nenhuma, falsa modéstia). E esses amigos me permitem generosamente aprender com eles muito do que eles ja sabem.





Tem sido assim a vida inteira. Desde que eu era jovem, quando me tornei amigo de alguns dos meus professores. Mais tarde, transformei em meus professores alguns dos meus amigos. Isso tem me enriquecido muito. Tô falando de enriquecimento material mesmo, pois conhecimento é um recurso que pode virar dinheiro em algumas circunstâncias.

Pois bem. Farlley Derze é um desses amigos. Me chegou por acaso. Marido de outra pessoa muito querida (e igualmente inteligente, claro). Conheci-os num café, no aeroporto de Brasília, quando eles foram me convidar para ser professor num curso coordenado pela Jamille. Uma conversa de uma hora e meia que repercutiu por 10 anos (esse encontro se deu em 2008) e eu espero que reverbere por mais algumas décadas. Desde então, tenho tido doses regulares da inteligência desse generoso amigo, lendo seus artigos, ouvindo suas músicas, compartilhando projetos, ou desfrutando de longas conversas sempre iluminadas.

Como eu não sou egoísta, divido com outros amigos parte desse privilégio. Tem muita coisa do Farlley lá no meu site. Pode procurar na gavetinha de busca. E hoje me chegou às mãos outra de suas preciosidades. Um artigo dele foi publicado na Revista Estética e Semiótica — Volume 8 — Número 1 páginas 67 a 74. A publicação é do Programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. O título, O ESPÍRITO DA ESTÉTICA, numa publicação acadêmica, dá uma primeira impressão de que teremos pela frente um texto hermético e presunçoso. Mas o que encontramos, já nos primeiros parágrafos é um texto límpido, instrutivo, instigante e… divertido. Ou seja: Farlley Derze em estado puro.

Li o artigo como quem toma um café. Aliás, os personagens do texto também fazem isto enquanto conversam animadamente e discorrem sobre o tema a ser elucidado. No fim, o leitor fica com a sensação de ter visto uma cena de filme de Claude Lelouch ou de Tarantino, dois mestres em produzir cenas grandiosas de diálogos que definem a história que está sendo contada.

Tome você também esse café. Clique AQUI. Tome sua dose de Farlley Derze. Recomendo muito. Recomendo com força.



ÊNIO PADILHA
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21/08/2018

POR QUE PARTICIPAR DA SOEA

(Publicado em 21/08/2018)



Tenho 38 anos de Engenharia. E uma das melhores coisas que a Engenharia me deu foi uma quantidade enorme de excelentes amigos. Todos os anos tenho a felicidade de encontrar muitos deles em dois eventos do Sistema Confea/Crea. O primeiro é o ENCONTRO DE LIDERANÇAS que geralmente ocorre em fevereiro, em Brasília. O segundo é a SOEA - SEMANA OFICIAL DA ENGENHARIA E DA AGRONOMIA, que acontece todos os anos em uma cidade diferente, geralmente no mês de agosto.





A primeira vez que participei de uma SOEA foi em 1996, quando ela foi realizada em Blumenau, Santa Catarina. Depois disso participei algumas vezes como palestrante (em 2000, 2001, 2002, 2009 e 2015) mas estive presente em quase todas as edições. Muitas vezes fui como convidado do Crea-SC ou do Confea. Mas, se não recebo o convite, vou por minha própria conta mesmo. A satisfação de rever os amigos vale o investimento.

Mas não é só por isso que eu acho que vale a pena participar da SOEA e recomendo sempre aos amigos engenheiros, especialmente aos mais jovens.

O mundo da Engenharia e da Agronomia é formado por muitos campos e camadas. É um universo muito complexo onde existem profissionais, empresas, universidades, sindicatos, entidades de classe, conselhos profissionais e ainda as caixas de assistência e as cooperativas de crédito. Em cada um desses grupos existem interesses, desejos, anseios os mais distintos. Existem, sim algumas pessoas mal intencionadas e até mesmo desonestas em todos esses grupos.

Mas, desculpem se eu pareço ingênuo. No geral, as pessoas empenhadas nas diretorias das entidades de classe, nos sindicatos, nas universidades, nos Creas e no Confea são, sim, bem intencionadas. Se fosse um antro de bandidos eu não me sentiria confortável entre eles.

O primeiro texto da série de artigos que eu publiquei entre 2002 e 2004 (POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA) explica um pouco os motivos da rejeição que existe e mostra que isso é, muitas vezes, um sentimento injusto. Mas não é disso que queremos falar aqui. Quero apresentar outros bons motivos (além de reencontrar os amigos) para participar, todos os anos, da SOEA.

• Ficar atualizado sobre os temas efervescentes da Engenharia. Na SOEA você consegue conversar sobre um determinado assunto, com muitas pessoas, dos mais diferentes pontos de vista. Vai ouvir argumentos contra e a favor disso ou daquilo. E vai ter muito mais base e argumentos para tomar posição sobre o tema;

• Saber quem é quem e quem faz o que no universo da Engenharia. Especialmente para os mais jovens, isso é muito importante. Cada grupo tem suas próprias verdades e seus próprios dogmas. Na SOEA você entra em contato com todos eles. Conseguirá saber o que está acontecendo em cada instância e quais são os principais projetos que estão em andamento ou gestação;

• Ver o que está sendo produzido nas universidades do país. No CONTECC - Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia (que faz parte da programação da SOEA) são discutidos os cenários regionais e nacional, e são apresentados exemplos de inovações em empresas, institutos de pesquisa e instituições de Ensino de todo o país. Visitar os painéis, as exposições e os seminários do CONTECC renova o seu alvará de funcionamento no mundo da ciência e tecnologia.

• Assistir palestras com grandes nomes da Engenharia Nacional ou de outras áreas de grande interesse. Na programação da SOEA muitas vezes estão palestras de grande valor para a cultura geral e cultura tecnológica tão importantes para a formação de um engenheiro.

• Enfim.... se você não veio pra Maceió em 2018, comece a se programar desde já para 2019. Reserve uma semana para fazer amigos e se atualizar sobre ciência e tecnologia no Brasil. Participe da SOEA 2019 (pelo que eu soube, será em Palmas, Tocantins).



ÊNIO PADILHA
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19/08/2018

PARE DE ATRAIR POLÍTICOS MENTIROSOS

(Publicado em 19/08/2018)



A campanha política para Presidência da República e para o Governo dos Estados segue à todo vapor. E já começo a perceber a preferência de muita gente por candidatos cujas propostas são simples e erradas para problemas difíceis e complexos. No mais das vezes, são apenas promessas impossíveis de serem cumpridas, mas que sempre arregimentam multidões de eleitores incautos.





Henry Louis Mencken, jornalista e crítico social norte-americano, disse, em 1917, que "Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.".

Outro norte-americano, o economista e crítico social Thomas Sowell disse outra frase lapidar, que ilustra este artigo: "O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos não é exclusivamente reflexo da classe política. É também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las".

No Brasil desses últimos três ou quatro anos, a crise econômica, o desencanto com os políticos e as lideranças de redes sociais criaram um terreno fértil para o surgimento de salvadores da pátria irresponsáveis que, para conquistarem eleitores fazem qualquer promessa.

Ok. tudo bem. não há nada que se possa fazer quanto a isso. Esse tipo de político/candidato sempre existiu. Mas, como diz Thomas Sowell, ele só floresce e cresce num terreno onde os eleitores fazem a sua parte, demandando por coisas impossíveis ou improváveis.

Eu gostaria de poder acreditar em algumas promessas, mas sei que não é tão fácil quanto parece. Então procuro estabelecer algumas "peneiras do bom senso" para as coisas que eu escuto. Se o candidato diz que vai resolver determinado problema com uma determinada solução eu me pergunto: "Ele está dizendo de onde vai sair o dinheiro para isso?"

"Ele está dizendo como é que irá convencer os deputados e os senadores para apoiarem e votarem a favor dessa proposta?"

"Ele já sabe como lidar com o Ministério Público, com os movimentos sociais e com os sindicatos para não ter a sua proposta bombardeada?"

Se ele não tem respostas para essas perguntas então o que está sendo dito é apenas uma alegoria. Uma fantasia. Uma promessa que tem apenas um propósito: conquistar os eleitores tolos que desejam coisas impossíveis ou improváveis.

• Não existe uma solução simples para o desemprego no Brasil;
• Fazer os trens voltarem a transportar passageiros no Brasil inteiro não é uma solução possível no primeiro mandato de nenhum presidente;
• Aumentar o salário dos professores, dos policiais, ou dos médicos não é uma solução tão fácil quanto muitos imaginam.
• A reforma da previdência, a reforma política e a reforma do estado não pode ser feita somente pela vontade do presidente da república.
• O problema da segurança pública é impossível de ser resolvida com uma canetada…

NESTE PONTO DO ARTIGO ficaria muito interessante se eu citasse dois ou três exemplos de promessas ou propostas absurdas feitas pelo candidato A ou B, em resposta a demandas de eleitores sem noção. Mas aí, você já sabe: seria um Deus-nos-acuda! Eu teria de lidar por uma semana com comentários raivosos de todo tipo de fiel seguidor de candidatos desde a extrema esquerda até a extrema direita. O foco seria perdido e o artigo perderia o sentido.

O objetivo aqui não é discutir os candidatos nem suas propostas. O objetivo aqui é discutir os eleitores e a qualidade e a racionalidade das suas demandas.

Estabeleça você também as suas peneiras do bom senso: pergunte-se se a proposta do seu candidato é viável, se há dinheiro pra fazer o que ele propõe, se depende só dele ou depende do congresso e do judiciário. Você vai ver que, no fim das contas, sobra muito pouca coisa que se aproveite.

Pare de demandar por soluções impossíveis. Pare de atrair e valorizar políticos mentirosos.



ÊNIO PADILHA
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16/08/2018

UMA REFLEXÃO SOBRE VALOR COMERCIAL DO SEU TEMPO
(Ou de quanto podemos cobrar pelo uso do nosso tempo).

(Este artigo foi extraído do capítulo 11 do livro ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA)



Quanto vale o seu tempo? Quanto você pode cobrar por ele? Melhor dizendo, quanto seus clientes ou empregadores estão dispostos a pagar pelo seu tempo? O que você pode fazer para que o seu tempo seja mais valorizado?





Pense no seguinte: pense num menino ou numa menina de 10 anos que não tenha nenhum talento especial (artístico, esportivo, comercial...) e, naturalmente, não possui ainda nenhum conhecimento, capacidade ou habilidade que possa ser comercializada.

Digamos que ele, nesta idade, abandone a escola e não se dedique a nenhuma atividade de aprendizado de coisa alguma. Gaste seus dias apenas se distraindo ou se divertindo. Digamos que, por sorte, esse menino não seja cooptado pelo mundo do crime nem se torne usuário de drogas. Que se torne apenas um adulto sem nenhuma qualificação. Pior, sem, sequer, a condição de aprender habilidades simples.

O que resta ao nosso jovem quando chega aos 16 ou 18 anos? Quanto vale sua hora de trabalho? Por quanto ele pode vender a sua força de trabalho?
Não é preciso ser especialista em economia para saber que este suposto jovem terá de vender sua força de trabalho por um valor muito baixo (algo em torno de R$ 3,00 a R$ 5,00 por hora). Este é o valor da hora de trabalho de pessoas muito jovens e sem nenhuma instrução, treinamento ou experiência.

Se este nosso jovem optar por não frequentar nenhuma escola e não participar de nenhum treinamento profissional, ele somente poderá melhorar seu rendimento contando com a experiência prática, o que implica continuar trabalhando e esperar o tempo passar.
Considerando, novamente, o melhor dos mundos, ou seja, que o nosso jovem não caia na bebida ou nas drogas, que não se envolva em nenhuma atividade ilícita e que seja um bom trabalhador, ele chegará à idade madura (lá pelos 40, 50 anos) ganhando seus R$ 6,00 a R$ 10,00 por hora.



NOTA: Embora existam pessoas que fogem ao padrão apresentado acima, é preciso reconhecer que esses casos geralmente são resultados de combinações excepcionais de talento, sorte e disciplina. Não é, seguramente uma boa aposta, pois a possibilidade de uma pessoa adulta que não tenha estudo nem treinamento técnico profissional ganhar mais do que foi sugerido acima é, realmente, muito baixa.



Do que foi visto acima, podemos deduzir o seguinte: para chegar à idade adulta (e, depois, à idade madura) com a possibilidade de cobrar mais caro pelo uso do seu tempo nas ATIVIDADES DE PRODUÇÃO, o indivíduo precisa investir corretamente boa parte do seu tempo nas ATIVIDADES DE PREPARO. Vamos explicar melhor isso:

Podemos dizer que usamos o tempo em atividades de PRODUÇÃO (quando estamos fazendo alguma coisa que o nosso cliente está pagando) e em atividades de PREPARO (quando estamos fazendo coisas que contribuem para reduzir o tempo e aumentar o valor da utilização do tempo em atividades de produção)



NOTA: Existem autores que preferem os termos "Atividades de Exploração" (onde utilizamos "Atividades de Preparo") e "Atividades de Utilização" (para o que chamamos "Atividades de Produção")



O uso racional do tempo em atividades de PREPARO amplia o valor do tempo aplicado em atividades de PRODUÇÃO.

ATIVIDADES DE PREPARO - são as atividades nas quais o indivíduo está empenhado em desenvolver seus talentos e capacidades, para que o seu trabalho possa ser mais valorizado. Em outras palavras, para que cada minuto do seu tempo tenha mais valor;

ATIVIDADES DE PRODUÇÃO - são as atividades nas quais o tempo consumido é totalmente transformado em produto, ou seja, em algo pelo qual o cliente está disposto a pagar para receber.
No dia a dia profissional os processos de decisão constituem, normalmente, as atividades mais desgastantes, cansativas e consumidoras de tempo.

Quanto mais e melhor for aplicado o tempo nas atividades de preparo, menos tempo será consumido no processo de decisão sobre "como fazer as coisas," uma vez que o conhecimento e a habilidade obtidos nas atividades de preparo tendem a tornar o processo de decisão mais rápido, eficaz e confortável. Portanto, mais valorizado se tornará o seu tempo para aplicação nas atividades de produção.

Quanto menos tempo gastar "decidindo coisas" e mais tempo gastar "fazendo coisas", mais descansado você se sentirá no final de cada dia de trabalho;

Esta discussão acima, serve para esclarecer a importância do investimento em ATIVIDADES DE PREPARO, popularmente conhecidas como Educação e Treinamento Técnico. Mas também deveria servir para que o leitor tenha uma noção de que o PREPARO tem um custo e que este custo deve ser repassado ao cliente na hora de vender o seu produto. Ou seja, atividades de preparo são a PLANTAÇÃO e as atividades de produção são a COLHEITA.



Estudar, fazer cursos, participar de palestras, ler livros, revistas técnicas, artigos, acadêmicos, tudo isso são atividades típicas de Preparo. Durante algum tempo na sua vida (dos 5 aos 25 anos) esse tipo de atividade deve ter PRIORIDADE ABSOLUTA. Significa que durante este período, nada deve ser considerado mais importante do que estudar e se preparar.

Entre os 16 anos e 25 anos de idade outros interesses aparecem e podem competir com as atividades de Preparo. Isto inclui oportunidades de trabalho. Muitas pessoas, assim que começam a ter Atividades de Produção (e, portanto, começam a ganhar algum dinheirinho) começam a dar a esse tipo de atividade um valor absurdamente alto e acabam relegando ao segundo e terceiro planos as atividades de preparo. Anos depois ficam choramingando pelos cantos que não tiveram sorte nem oportunidades. Tiveram, sim. Mas viraram as costas para ela. Colheram tudo o que tinham plantado e esqueceram de que deveriam continuar plantando.

Depois dos 25 anos, para quem fez a lição de casa, o processo de formação já estará concluído. Daí pra frente é preciso fazer (1) Manutenção do conhecimento, (2) Formação continuada e (3) Especialização.

Tudo isso exige muito investimento em Atividades de Preparo. É claro que, a essa altura da vida, as atividades de Produção (a colheita) já tem uma importância considerável, mas, quem parar de plantar será engolido pela concorrência melhor preparada (com melhores diferenciais competitivos), especialmente se o seu produto possui alto componente intelectual agregado (é o caso da Arquitetura e da Engenharia).

O profissional não deve perder de vista os livros, as revistas técnicas, as palestras, os cursos e as especializações. È preciso reservar algum tempo na sua agenda diária para se dedicar a isso. Essas atividades de Preparo irão, continuamente, elevar o valor da sua Hora de Trabalho. Ou seja, permitir que você possa tirar melhor proveito das atividades de Produção.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA
E ARQUITETURA

Os bastidores dos negócios bem sucedidos: do processo de escolha dos sócios à determinação dos preços (passando pelo treinamento dos empregados, sistematização de processos,controle financeiro e Marketing)

ÊNIO PADILHA
3ª ed. 2017 - 200 páginas
ISBN 978-85-62689-80-2 - OitoNoveTrês Editora

Apresentação: Ricardo Meira (Arquiteto, Quadrante Arquitetura, Brasília)
Prefácio: Rodrigo Bandeira-de-Melo (Engenheiro e Professor da FGV, SP)



Clique AQUI e leia as primeiras 18 páginas do livro (até o final do primeiro capítulo)



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---Artigo2014

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16/08/2018

COBRAR IMPOSTOS SOBRE DIVIDENDOS
NÃO É APENAS ILEGAL. É IMORAL.

(Publicado em 16/08/2018)



Alguns candidatos defendem abertamente. Outros não colocam o tema como bandeira de campanha mas também não se manifestam contra.
De uma maneira geral todos defendem a ideia de cobrar impostos sobre dividendos. A unanimidade sobre o tema faz parecer que se trata de uma questão simples. Mas tem um problema:





A cobrança de impostos sobre os dividendos prejudicaria de forma mortal os pequenos escritórios de Engenharia e de Arquitetura (que representam a maioria absoluta das empresas do setor). Não é possível que as instituições que deveriam cuidar dos interesses desses profissionais não estejam percebendo isso. Onde estão Crea, Confea, CAU, IAB, ASBEA, ABECE?

ENTENDENDO A COISA
O que são dividendos?
É a parte do lucro da empresa que é distribuída entre os sócios de acordo com a quantidade de ações ou cotas que possuem.
Lembrando que uma parte do lucro de uma empresa é reinvestido na própria empresa, para que ela continue crescendo. A outra parte (distribuída entre os sócios) é chamada de dividendos.

É importante lembrar que TUDO o que a empresa produz já é taxado. Já tem uma boa carga de impostos. O que sobra, portanto, já foi objeto da atenção do governo. Os dividendos quando existem já representam o resultado financeiro dos sócios depois de terem sido pagos vários tipos de impostos. Impor a esse resultado uma nova carga de impostos não é apenas ilegal (bitributação). É imoral.

O Capital produtivo, no Brasil, já sofre uma carga tributária estratosférica. O bom senso indica claramente que não existe margem para aumento de impostos. E, se isso é tão claro para empresas industriais e comerciais que se beneficiam de impostos que têm mecanismos de crédito, como o IPI e o ICMS, o que dizer das empresas prestadoras de serviços onde esse mecanismo de crédito simplesmente não existe?

Isso significa, portanto que empresas prestadoras de serviços de Engenharia ou de Arquitetura que já são penalizadas pelo sistema de tributação vigente no país ficariam ainda mais prejudicadas.

Além disso, para as pequenas empresas (o que corresponde a imensa maioria das empresas de Engenharia e de Arquitetura no Brasil) os dividendos são, na prática, a verdadeira remuneração do profissional proprietário ou sócio. Os dividendos representam o retorno que o profissional tem pelo seu investimento pessoal de tempo e energia para produzir os serviços e, eventualmente, gerar empregos.

Qual é a lógica em taxar essa renda? Eu posso estar enganado, mas creio que essa ideia de cobrar impostos sobre os dividendos servirá apenas para tungar os bolsos dos pequenos empresários prestadores de serviços.



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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15/08/2018

UMA PONTE NÃO CAI POR UMA ÚNICA CAUSA

(Publicado em 15/08/2018)



Todos sabem. Eu já disse isso dezenas de vezes: eu adoro pontes. Considero a ponte um símbolo perfeito do trabalho do engenheiro (qualquer engenheiro, de qualquer área).
Eu sempre digo que Engenharia é a arte de construir pontes. Ou seja: encurtar uma distância ou reduzir um esforço.
Por isto uma tragédia como esta que ocorreu ontem (14/08/2018) em Gênova, na Itália, me deixa muito triste. Porque representa, em alguma medida, uma tragédia da Engenharia.





Ontem passei o dia procurando por notícias do acidente, nos portais de notícias do Brasil e de outros países.

O que temos de FATOS:

• Um trecho de cerca de 100 metros da ponte Morandi, em Gênova, no noroeste da Itália, desabou na manhã de terça-feira, dia 14/08/2018.
• A ponte foi construída na década de 1960.
• A ponte foi projetada pelo engenheiro italiano Riccardo Morandi. Outras pontes semelhantes foram projetadas pelo mesmo engenheiro na Líbia e na Venezuela
• A ponte da Venezuela também teve um pedaço que caiu, matando algumas pessoas. Esse desastre aconteceu em 1964 (logo depois que a ponte foi inaugurada) e foi deflagrado pela colisão de um navio contra uma das pilastras.
• A estrutura da ponte de Gênova desabou de uma altura de aproximadamente 100 metros.
• A ponte passava por obras de reforço de sua estrutura. Esse trabalho havia sido iniciado em 2016.
• Até a manhã do dia seguinte 39 pessoas foram dadas como mortas na tragédia (entre elas, três crianças). 16 pessoas ficaram feridas, sendo 12 em estado grave.
• Mais de 400 pessoas de 11 prédios vizinhos tiveram de ficar fora de casa após o desastre, até que a defesa civil avaliasse os riscos.
• A empresa concessionária da ponte, Autostrade per I’Italia, faz parte do mesmo grupo que também detém a concessão de algumas estradas no Brasil.


Pelo que eu li e ouvi de engenheiros especialistas, uma ponte (assim como um avião) não cai por um único motivo. Existem sistemas redundantes de segurança. É preciso uma cadeia de erros ou negligências para que um desastre como esse aconteça.

Pode haver
(1) Erro de estudo de solo (realizado por engenheiros)
(2) Erro de projeto (feito por engenheiros)
(3) Erro de execução (comandada por engenheiros)
(4) Uso de material inadequado (especificados e fiscalizados por engenheiros)
(5) Patologias (podem ser detectadas por engenheiros especialistas)
(6) Eventos naturais excepcionais (terremotos, furacões, descargas atmosféricas, etc) (são previstos nos projetos pelos engenheiros projetistas)
(7) Sobrecarga excepcional (são evitadas por engenheiros responsáveis pela manutenção das obras)

Um desastre como este não ocorre de uma hora para outra. Ele manda avisos: fissuras, rachaduras, barulhos estranhos… que podem ser detectados e interpretados por especialistas em patologias. No caso específico da ponte de Gênova, havia relatos dos moradores próximos sobre barulhos estranhos vindo da estrutura da ponte.

Por isto, antes de qualquer análise, podemos afirmar sem medo de errar: o que aconteceu em Gênova foi, sim, resultado de algum erro de Engenharia. Infelizmente.

Isto é uma coisa que é da natureza do exercício da Engenharia. A responsabilidade pela consequência.
Um engenheiro não é pago para fazer o melhor que pode. Ele não é pago para tentar fazer o prédio ficar de pé. Fazer o que for possível para que o avião voe ou que o navio flutue. O engenheiro tem responsabilidade pelo resultado. O trabalho dele tem consequência objetiva.

Ser engenheiro não é nada fácil. Definitivamente, não é para os fracos.



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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13/08/2018

INOVAÇÃO DISRUPTIVA É O NOSSO TREM BALA

(Publicado em 13/08/2018)



Uma das principais pragas do empreendedorismo e da gestão de negócios no Brasil (não sei se é assim no mundo inteiro) é a indústria dos modismos. Toda hora tem uma palavra nova encantando alguns iniciados e assombrando outros tantos que passam imediatamente a se sentir perdidos, atrasados e fora de moda.
A palavra da hora é DISRUPTIVO.





Comunicação disruptiva, marketing disruptivo, inovação disruptiva, educação disruptiva, design disruptivo, tecnologia disruptiva… tudo parece ter perdido completamente o valor se não for DISRUPTIVO.

Palestrantes, professores, consultores, autores e outros pretensos formadores de opinião (deveriam ser agentes do conhecimento) adotaram o termo e com isto tornaram seus trabalhos mais valorizados e atuais. E, como o termo é novo (novidade) contam com a vantagem de que pouca gente é capaz de avaliar os efeitos da aplicação prática do que está sendo ensinado e, mais importante: a diferença efetiva entre o que está sendo falado agora e coisas que já foram ditas e escritas há décadas.

Ao dicionário: Disruptivo refere-se a algo que causa disrupção, ou seja, separação e interrupção. Uma coisa é disruptiva se ela interrompe o ciclo normal de funcionamento de um processo. No mundo dos negócios, Disruptivo é um novo formato tecnológico que, se opondo aos modelos existentes, propõe uma nova estrutura de negócios que seja sustentável e que tenha escala.

É bonito? Sim. É interessante? Claro. Você precisa disso agora? Não sei. Você está preparado para isso? Provavelmente não.

Para a maioria dos escritórios de Engenharia e de Arquitetura no Brasil a inovação disruptiva corresponde ao Trem Bala brasileiro. Pra quem não lembra, a ideia do Trem Bala começou a ganhar corpo no final do segundo mandato do ex-presidente Lula, embora tenha ganhado força durante o primeiro mandato de Dilma Roussef, no embalo dos projetos da Copa do Mundo.

Parecia uma ideia interessante, mas ninguém se deu conta de uma coisa: em todos os países onde o Trem Bala é uma realidade ele é o ponto alto de uma indústria consolidada. É a cereja no topo do bolo de uma rede ferroviária muito grande e muito bem resolvida com dezenas de linhas e destinos, de tal maneira que essa inovação se encaixou sem solavancos na realidade existente.

O Brasil, como costuma fazer, quis dar um salto. Passando direto de uma mobilidade refém de caminhoneiros para o Trem Bala, sem escalas. Deu no que deu. Ou melhor, deu no que não deu!

Quando, em 2016, a Vale inaugurou o seu novo Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória Minas eu saudei o fato, no meu site com a afirmação de que O BRASIL NÃO PRECISA DE TREM BALA. PRECISA DE TREM, PONTO.

Agora eu digo o mesmo pra você que dirige um escritório de Arquitetura ou de Engenharia. Você precisa de um trem bala disruptivo? ou precisa de um trem bom, de uma boa malha ferroviária e de um sistema que funcione?

Em 2011 eu publiquei no nosso site o artigo BACK TO BASICS no qual eu já chamo atenção para um fato, em relação aos escritórios de Engenharia e de Arquitetura: ”Temos 120 anos de conhecimentos de gestão para recuperar. Nossos escritórios (a maioria deles) ainda é tocado com as mesmas técnicas de gestão utilizadas pelas empresas em 1890!
Estamos na Idade da Pedra da Administração. Precisamos fazer alguma coisa, claro!

Mas, atenção. Não devemos começar pelo fim, cedendo à tentação dos modismos da gestão.”


Portanto, antes de sair investindo em tecnologias de gestão disruptiva, avalie se você pelo menos já tem alguma coisa consistente para ser interrompida ou separada. Seu escritório não precisa de um trem bala se ainda não possui sequer uma rede ferroviária



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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