Notas de "PERGUNTA DO LEITOR"

Neste ano de 2016 responderemos perguntas sobre ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA, especificamente nos seguintes assuntos:

(1) Modelo de Negócio
(2) Composição de Sociedades
(3) Plano de Negócio
(4) Administração do Processo Produtivo
(5) Administração Financeira
(6) Administração de Recursos Humanos
(7) Administração do Mercado (Marketing)
(8) Diferencial Competitivo e Vantagem Competitiva

As respostas serão publicadas no nosso site, nesta seção PERGUNTA DO LEITOR.

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12/05/2016

PENSAR ANTES E FAZER MELHOR.
Por José Roberto Bernasconi, presidente do Sinaenco

A tragédia ocorrida com o desabamento, no último dia 21 de abril, de parte da ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro, que causou duas mortes, é lamentável, principalmente pelas perdas de vidas humanas. As causas do desabamento estão sendo apuradas e serão fundamentais para apurar as responsabilidades. Mas, quais as lições que podemos extrair dessa tragédia para evitar que acidentes semelhantes aconteçam no futuro?

Em primeiro lugar, pode-se questionar sobre o chamado “pecado original” ou, em outras palavras, se a ciclovia deveria ter sido construída onde foi, num percurso que transpõe lugares extremamente complicados, do ponto de vista da engenharia, e que colocam em risco vidas humanas, em determinadas épocas com mau tempo e ressacas marítimas fortes. Essa análise deve – ou deveria - ter sido feita na etapa inicial do projeto, com os estudos de viabilidade técnico-econômica do empreendimento.

Esse acidente expôs alguns dos principais problemas na execução de obras públicas no Brasil. A falta de planejamento, espécie de filho bastardo das épocas de inflação altíssima e hiperinflação, é uma praga que acomete a maioria das administrações públicas brasileiras. À ausência de planejamento soma-se o prazo político de execução de obras. O governante assume, passa a criticar a “herança maldita” e a querer realizar obras com a “marca” da sua gestão em dois anos. Sem planejamento, sem projeto executivo, completo, na raça e na “vontade política”. Não pode dar certo.

A arquitetura e a engenharia brasileiras já demonstraram possuir competência suficiente para realizar projetos e obras de elevada complexidade, aqui e no exterior. O que está faltando aos administradores públicos brasileiros é saber utilizar essa competência da forma mais proveitosa e inteligente. Para isso, alguns requisitos são fundamentais. O primeiro deles é planejar, que significa pensar antes, para fazer melhor. Com o bom planejamento, é possível licitar a execução da obra com base no projeto executivo, completo, contratado de forma independente da construção, pela melhor solução técnico-econômica e com prazo adequado ao seu desenvolvimento. Com o projeto executivo em mãos, o contratante sabe o que está contratando, a construtora conhece o que precisará executar, em qual prazo e a que custo. A fiscalização e o gerenciamento da execução da obra devem ser feitos por empresa independente em relação à construtora e à autora do projeto. E, com o projeto executivo em mãos, os órgãos de fiscalização e controle conhecem em detalhes o que precisarão fiscalizar.

A sociedade, assim, recebe obras construídas no prazo e aos custos determinados em projeto, com qualidade e duráveis, evitando gastos elevados com manutenção. Essa situação é infinitamente melhor do que aquela, cada vez mais comum e lamentável, gerada pela contratação de projetos por menor preço ou, pior ainda, por pregão/leilão. Ou, ainda, de obras licitadas pelo Regime Diferenciado de Contratações (RDC), modalidade contratação integrada, pela qual a construtora vence a licitação com base em anteprojeto, etapa anterior à do projeto básico. E o poder público contrata a obra sem saber o que está adquirindo. Contratar projetos e execução de obras com base apenas no preço e com pressa é fazer apostas de altíssimo risco.

Por isso, a adoção dessas recomendações essenciais para a obtenção de obras corretamente projetadas e executadas, com qualidade, no prazo e ao custo previstos, é claramente a melhor garantia contra a ocorrência de novos acidentes – muitas vezes, fatais – em obras públicas.

Artigo originalmente publicado no jornal O Globo, na edição de 5 de maio



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03/03/2015

RESPOSTA A UMA PERGUNTA SOBRE TABELA DE PREÇOS

(Publicado em 28/03/2011)



(Trata-se de uma resposta a uma pergunta de uma leitora, que disse acreditar que "seria interessante obtermos uma 'fórmula' para calcular os nossos honorários" e que seria "o princípio de um ajuste e moralização dos profissionais").

Prezada arquiteta Maria. Acho que entendi a sua preocupação e concordo inteiramente com o seu ponto de vista.
Sempre fui favorável de que haja uma "referência" de honorários que os profissionais possam seguir.

Sou contra é a maneira equivocada com que essa "referência" acaba sendo colocada pelas entidades de classe. Vira uma Lei. Pior: uma lei que não pega. Uma lei que ninguém cumpre e que fica por aí, assombrando as relações entre os colegas profissionais.

O que eu acho que as entidades de classe deveriam desenvolver são programas de "educação empresarial" para os seus associados (especialmente os mais novos). Seminários, Palestras e Cursos para que o profissional aprenda como funcionam as equações de Receitas/Despesas, CustosDiretos/Custos Indiretos, Obrigações Trabalhistas, Impostos, Taxas...

Tenho certeza de que, se um profissional aprender a fazer as contas direitinho, de quanto custa exercer (dignamente) a Arquitetura ou a Engenharia (dentro da lei, dentro do padrão de competência e profissionalismo que se espera de alguém com pretensões de ser bem-sucedido), ele não irá ceder às tentações de cobrar abaixo da linha de dignidade.

Veja bem: eu disse Linha de Dignidade.

Linha de Dignidade, na minha opinião, é o profissional, com o seu trabalho, conseguir:

a) Pagar bons salários aos seus funcionários e garantir-lhes todos os benefícios de um bom emprego;

b) Manter seu escritório funcionando normalmente (aluguel, água, luz, telefone, internet, material de escritório, limpeza, manutenção...);

c) Pagar seus impostos em dia;

d) Manter atualizados seus principais equipamentos de trabalho (computadores, softwares, equipamentos de medição);

e) Investir permanentemente em atualizações profissional (assinatura de revistas técnicas, participação em palestras, cursos e congressos, visitas às feiras e outras viagens de estudo);

f) Ter uma renda pessoal que seja correspondente a um bom emprego na inicitaiva privada (incluindo benefícios como férias e décimo terceiro salário), para que, com essa renda possa ter um bom automóvel, uma casa confortável, educação de qualidade para seus filhos, assinar um bom jornal, ter TV por assinatura, viajar nos feriados e nas férias...

Aprender a pensar nisso tudo nos leva diretamente à equação de precificação correta do nosso trabalho.

Ninguém atira no própio pé por vontade própria. Nenhum Arquiteto ou Engenheiro tem o objetivo de arruinar o mercado onde ele mesmo colhe seus frutos.

Os profissionais que mergulham em preços absurdamente baixos são; muitas vezes, apenas IGNORANTES.

Ignoram que estão destruindo suas próprias carreiras. Ignoram que estejam condenando a si próprios ao submundo da Arquitetura e da Engenharia: computadores ultrapassados, programas piratas, escritório clandestino, empregos informais, desinformação profissional... Enfim, uma vida profissional indigna.

Se as entidades de classe desenvolverem atividades que ataquem essa IGNORÂNCIA, não será preciso, nunca, recorrer a nenhuma Tabela de Honorários.

De alguma forma, eu me sinto fazendo a minha parte nesse trabalho, pois os meus livros e os meus cursos e palestras tentem atacar exatamente esse inimigo: a ignorância empresarial.

E (verdade seja dita) também não posso reclamar da falta de atenção dos colegas, pois muitos têm comprado meus livros e os meus cursos e palestras sempre têm boa participação.

Só devemos esperar, então, é que mais e mais gente entre nessa verdadeira guerra. Mais gente escrevendo sobre esse assunto. Mais gente produzindo bons cursos e palestras. Mais recursos dos CREAs e das Entidades de Classe destinados aos seminários e congressos que ataquem essa questão...

... E teremos, no futuro, uma profissão muito mais organizada e profissionais muito mais felizes.

É isso!!!



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




Este artigo é baseado no capítulo 11 do livro NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA. 2ª ed. Balneário Camboriú: 893 Editora, 2013. pág. 112

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12/02/2015

EM QUAL PROFISSÃO POSSO TER PAZ E TRANQUILIDADE?

(Publicado em 12/02/2015)



Olá Professor,

Eu gosto de paz, tranquilidade. Qual carreira devo seguir? Odontologia?

Renata S. N. da Silva | Brotas-SP

(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



RESPOSTA:


Não, Renata. Odontologia, não!
Eu não consigo imaginar assim, de bate-pronto, uma carreira profissional na qual você possa ter PAZ E TRANQUILIDADE.
No entanto, posso garantir (mesmo não sendo da área) que, na Odontologia, essa meta está longe de ser possível. Trata-se de uma profissão de muito trabalho, muita responsabilidade e, mais importante: uma atividade com intenso contato com pessoas. Portanto, sem chance de ser tranquila.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br





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Imagem (fonte): professoramarizetecajaiba.blogspot.com.br



---Artigo2015 ---Carreira ---Pergunta

09/02/2015

COMO LIDAR COM AS TRINCAS NAS EDIFICAÇÕES
Roberto Boscarriol Jr.

Podemos, entre os diversos tipos de patologias dos edifícios, falar das trincas (nome genérico) nos mesmos. Entre outros, podemos destacar os seguintes aspectos: psicológico, o de possível comprometimento da estrutura e o de vazamentos.
Com o advento de novas tecnologias de materiais e técnicas de execução, geradas pela evolução dos projetos, as construções se tornaram mais leves, esbeltas e com menos contraventamento.

Mas, podendo constituir uma das demandas judiciais mais comuns, as trincas ainda apresentam riscos de produzir efeitos indesejáveis e perigosos. Essas ocorrências podem ser tipificadas por: fissura capilar, fissura, trinca, rachadura, fenda e brecha (desde menos de 0,2 mm até mais de 10 mm).

Suas principais causas são: variação de temperatura, variações de umidade, sobrecarga na estrutura, recalques nas fundações e alteração da química dos materiais.

As mais graves são as da estrutura, destacando-se as dos pilares, as quais podem causar a queda de partes ou de todo o edifício. Elas são causadas por: processos eletroquímicos, ambientes úmidos, elementos agressivos, lavagens com cloretos e choques mecânicos.

Nas fissuras horizontais poderemos ter infiltrações na época das chuvas, por higroscopia e em contato com a terra também, com rompimento da impermeabilização rígida.

Outro problema que tem preocupado os síndicos, principalmente nas construções mais velhas, é o aparecimento de trincas causadas pela transformação da armadura em óxido de ferro (ferrugem), que por ter maior volume, trinca o concreto que acelera o processo de corrosão. Isso pode causar o comprometimento das lajes, vigas e pilares, também chegando à ruptura e queda desses elementos ou do todo.

Apesar de estar configurado como exatas (divisão pedagógica), as construções e seus materiais sofrem dos males da dilatação e retração por diferenças de temperatura, químicos e efeitos higroscópicos, necessitando de verificação, manutenção e correções.

Nem sempre é fácil diagnosticar as causas das trincas. Para tanto, é necessário, em alguns casos, ensaios de laboratório e revisão dos projetos, devendo sempre passar por um especialista.



Clique sobre a imagem ou AQUI para obter mais informações no site forumdaconstrucao

28/01/2015

O QUE FAZER SE A FACULDADE QUE EU FIZ ERA RUIM?

(Publicado em 28/01/2015)



Prezado professor Ênio Padilha.
Sou Técnico em Edificações por uma Instituição Federal e estudante do curso de Engenharia Civil de uma IES privada no meu estado, estou a caminho do quinto semestre e uma duvida tem tirado meu sono desde que passei no vestibular, sou bolsista do Programa Universidade para todos(ProUni) e também passei em outros dois vestibulares para o mesmo curso em Universidades Federais, optei por cursar em uma Instituição privada por influência de amigos que já cursavam em faculdades particulares e que me afirmavam ser o melhor pois poderia começar a estagiar desde cedo adquirindo mais experiência.

Só que de uns tempos pra cá comecei a ficar bastante preocupado com as possíveis oportunidades que posso ter perdido, depois que entrei na faculdade só escuto falarem que as empresas só escolhem aqueles com diplomas de Universidades públicas, que nas seleções aqueles com diplomas de particulares dificilmente são citados, devo admitir que as Universidades Públicas são excelentes com uma dedicação ao curso geralmente maior, com uma seleção de alunos mais exigente, com estrutura e laboratórios fantásticos, professores mais qualificados.

Falo isso por experiência própria já que fiz um curso técnico integrado ao meu ensino médio em uma dessas instituições. Comecei meu curso em São Paulo onde mais tarde consegui minha transferência para o meu estado, lá esses comentários eram quase inevitáveis

Acredito que seja pela existência de poucas universidades públicas e pelo grande número de faculdades particulares e sua facilidade de ingresso e formação de engenheiros, aqui no meu estado o número de universidades públicas com o curso de Engenharia Civil é quase o mesmo das privadas e existe essa diferença de nível entre elas mas não é tão sentida pois a matiz curricular e carga horária é praticamente a mesma, com muitos dos professores da rede federal e estadual dando aula nas particulares, mantendo um alto nível em ambas. Onde eu quero chegar é que Universidades Privadas podem sim ser muito boas e formar excelentes engenheiros.

Mas minha pergunta pro senhor é a seguinte, mesmo um diploma de Universidade Federal ou Estadual pesar tanto na hora de contratar e que exista um certo preconceito com as Faculdades Privadas, como superar um Engenheiro com diploma de Universidade Pública? Que tipo de cursos, concursos e atividades extra curriculares devo ter para ser um grande Engenheiro que consiga ser tão bem visto como um Engenheiro formado em Universidade Pública?

E depois de formado, uma pós-graduação e MBA em uma excelente Universidade Pública conta muito? Ou não importa o que eu estude ou faça, sempre ficarei um passo atrás?
Desde já agradeço pela atenção e pelo espaço.

João da Silva | Rio do Ouro-MA
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



RESPOSTA:


Prezado João da Silva. Metade da minha resposta está neste artigo aqui: VALE A PENA O SACRIFÍCIO DE ESTUDAR NUMA UNIVERSIDADE FEDERAL?

Depois escreverei (Aqui mesmo) uma segunda parte da resposta para a sua dúvida. Se você quiser, pode escrever um comentário (abaixo) antes da minha resposta definitiva



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br





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---Artigo2015 ---Pergunta

07/01/2015

QUANTO O ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA DEVE PAGAR
PARA O ARQUITETO QUE FAZ PROJETOS

(Publicado em 16/10/2014)



Professor Ênio Padilha.
Minha sócia já fez alguns cursos com você e temos alguns livros seus, mas ainda temos uma dúvida se puder nos responder ficarei agradecida.

Como ocorre a remuneração aos arquitetos associados, aqueles que nem sempre fazem parte do contrato social? Por percentual de projetos desenvolvidos? Eles recebem algum percentual a mais quando trazem novos projetos ao escritório?

Atenciosamente,
Maria Aparecida | Cruzeiro do Sul-AC

(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



RESPOSTA:


Prezada Maria Aparecida
Uma das questões mais importantes em um escritório de Arquitetura ou de Engenharia, principalmente quando se trata de sociedade de dois ou mais profissionais, é justamente a questão de definir a remuneração de cada um.

Antes de continuar (e para que você consiga entender o que eu vou explicar depois) você precisa ler os seguintes artigos:


IMPORTANTE: Não continue a leitura deste artigo sem antes ler (atentamente) os artigos que estão nos links abaixo. Sem a leitura desses artigos o que eu vou dizer abaixo poderá não fazer o sentido que se pretende.



TAREFAS E RESPONSABILIDADES EM UM ESCRITÓRIO
DE ARQUITETURA E ENGENHARIA



Nesse artigo eu apresento todas as tarefas e responsabilidades que fazem parte do funcionamento de um Escritório de Arquitetura ou de Engenharia, chamando atenção para o fato de que MUITAS dessas são tarefas administrativas, ou seja, não estão ligadas diretamente à produção dos projetos (ou de outros serviços que o escritório vende aos clientes).




SISTEMATIZAÇÃO DOS PROCESSOS PRODUTIVOS EM ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA



Esse artigo fala da necessidade de Organizar o processo produtivo no Escritório de Arquitetura ou de Engenharia, para garantir a qualidade, a produtividade e, consequentemente, a lucratividade.




ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA (1)
Quanto custa abrir um escritório de Arquitetura/Engenharia?



ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA (2)
Quanto custa manter aberto um escritório de Arquitetura/Engenharia?



ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA (3)
Quanto custa produzir serviços de Arquitetura/Engenharia?



Série de artigos que apresenta os custos do escritório e o link para uma planilha de cálculos que pode ser utilizada como modelo.




COMO REMUNERAR O PROFISSIONAL (SÓCIO OU NÃO)
NO ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA



Nesse artigo eu explico que a remuneração do profissional (sócio ou não) se dá por três vias: o pro labore, a Remuneração sobre serviços faturados e a Distribuição de Lucros.




Pois muito bem. Uma vez que você já leu os artigos acima (leu mesmo?) podemos então falar de uma coisa importante: as partes remuneráveis dos serviços de Arquitetura (e de Engenharia) num escritório.

A remuneração dos sócios envolvidos na produção de um projeto deve ser feita da forma mais racional e justa possível. Isto significa que o valor cobrado do cliente deve ser dividido em partes percentuais que deverão dar conta de todos os custos (diretos e indiretos)

Na prática o que ocorre é que deve ser definido antecipadamente quanto por cento do valor faturado cabe a cada uma das partes envolvidas na produção do serviço (e quanto por cento do valor faturado deve ser destinado à existência e ao funcionamento do escritório)

Para encaminhar a solução desse problema devemos fazer a seguinte consideração: todo trabalho de grande porte, como um projeto técnico de construção civil, por exemplo, pode (e deve) ser dividido em partes ou etapas que possam ser delegados integralmente a uma única pessoa ou grupo.

Assim, por exemplo, o projeto arquitetônico de um prédio (uma residência, um pequeno prédio ou um grande edifício) pode ser dividido nos seguintes trabalhos (e cada um desses trabalhos precisa ser devidamente remunerado)

• Prospecção do cliente, atendimento ao cliente potencial e elaboração da proposta comercial.
• Negociação com o cliente e fechamento do contrato
• Levantamento de campo
• Entrevista com o cliente
• Desenhos e definições gerais do projeto
• Detalhamento do projeto, quadros, diagramas e tabelas
• Memória descritiva, especificação de materiais
• Contagem (quantificação) de materiais
• Condução da equipe de desenhistas e secretárias

Vamos chamar de BLOCO a cada conjunto de tarefas que podem ser agrupadas e delegadas a uma única pessoa. Assim, teremos

BLOCO 1 - ATIVIDADES COMERCIAIS
Atender os clientes que procuram o escritório, apresentar as propostas comerciais, negociar e vender o serviço são coisas que tomam tempo e exigem conhecimentos e habilidades diferenciadas. Isto precisa ser remunerado.
Em qualquer ramo de negócio o vendedor é remunerado com uma comissão sobre o faturamento. Num escritório de Arquitetura ou de Engenharia isso não pode ser diferente.

Portanto, o profissional (sócio ou não) que traz o cliente e conduz a negociação do início até o fim, fechando o negócio para o escritório deve receber um percentual (geralmente algo entre 5 e 10% do valor faturado.

Mas, atenção: indicar um cliente, ou simplesmente apresentar um cliente para o escritório não deve ser considerado como atividade a ser remunerada. O profissional somente deve ser remunerado se fizer o trabalho completo:
• Atender o cliente
• Agendar a 1ª reunião
• Obter informações sobre o serviço solicitado
• Preparar a proposta comercial
• Preparar os assessórios da proposta comercial
• Agendar a de negociação
• Conduzir a negociação
• Finalizar a negociação (obter o SIM DEFINITIVO do cliente: a assinatura no contrato, ou o aceite na proposta apresentada ou mesmo um e-mail de confirmação)


BLOCO 2 - BRIEFING
O briefing representa um conjunto importante de informações, que são as matérias-primas indispensáveis para a execução do serviço contratado. É necessário remunerar o profissional que se ocupa de responder pelas atividades que dão conta dessa tarefa:
• Levantamento de campo
• Entrevista com cliente
• Coleta de documentos (escritura, comprovantes de impostos, alvarás...)
• Consulta de viabilidade técnica
• Consulta de viabilidade econômica
• Análise das informações obtidas
• Declaração do cliente de regularidade de Impostos
• Levantamento Planialtimétrico
• Registro (as built) de obras existentes
• Formatação do Briefing (incluindo as preferencias explicitadas pelo cliente)


BLOCO 3 - ESTUDO PRELIMINAR (setorização, estilo e volumetria)
• Zoneamento - Determinar o posicionamento das funções (interno, social, serviço)
• Fluxograma - Detreminar as conexões funcionais entre os ambientes
• Locação dos ambientes
• Dimensionamento dos ambientes
• Locação da edificação no terreno
• Formatação da proposta
• Marcação da reunião
• Discussão da proposta com o cliente
• Realimentação do processo até a aprovação do cliente
• Lançamento das plantas baixas
• Lançamento da cobertura
• Estudo de elevação
• Estudo 3D


BLOCO 4 - ANTEPROJETO (revestimentos e acabamentos)
• Cota de planta baixa (paredes, portas, janelas) area ambientes cotas piso
• Planta de cobertura
• Cortes
• Elevações
• Situação - Terreno em relação às vias públicas
• Locação - Posição da obra em relação ao terreno
• 3D (desenho em perspectiva, maquete eletrônica, e maquete física)
• Apresentação de projetos e documentos para análise e aprovação dos órgãos competentes
• Consulta técnica com projetista estrutural
• Consulta técnica com projetista elétrico
• Consulta técnica com projetista hidráulico
• Consulta técnica com projetista sanitário, etc
• Memorial de descritivo basico
• Preenchimento RRT
• Organização documentos do cliente (escritura, ARTs ou RRTs interiores)
• Realimentação do processo até a aprovação do projeto


BLOCO 5 - PROJETO LEGAL (para aprovação na Prefeitura ou órgãos financiadores)
• Elaborar o Projeto Legal
• Realizar com o cliente a reunião para apresentação do Projeto Legal
• Obter a aprovação do Cliente para o Projeto Legal
• Providenciar ART ou RRT
• Providenciar documentação para entrega na Prefeitura
- Matrícula atualizada do imóvel
- Comprovante de pagamento da taxa de aprovação do projeto
- Cópia do RG do Cliente
- Cópia do Carnê de IPTU em dia
- Autorização para construção se for o caso
- Projeto Legal
• Apresentar o Projeto Legal para aprovação na Prefeitura ou em órgão financiador
• Obter aprovação do Projeto na Prefeitura ou órgão financiador


BLOCO 6 - PROJETO EXECUTIVO (especificações, cotas e detalhamentos)
• Memorial descritivo
• Descrição sumária da obra
• Especificação dos materiais
• Lista de materiais - (materiais principais e materiais acessórios)
• Detalhamento construtivo
• Portas
• Janelas
• Churrasqueira


Para cada um dos BLOCOS acima o escritório deverá estabelecer uma remuneração ao profissional responsável. É importante observar (e você sabe disso porque leu os artigos lá de cima) que o total da remuneração dos seis blocos não deve passar de 30 ou 35% pois a quantidade de compromissos comerciais, trabalhistas e tributários do escritório não pode ser enfrentada com menos de 60 a 70% do seu faturamento total.

Portanto, Maria Aparecida, faça as contas bem direitinho e (depois de muita análise) estabeleça valores percentuais para a remuneração dos profissionais (sócios ou não) que atuam no escritório nas atividades de projeto.

Boa sorte.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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---Artigo2014 ---Administração ---Financeira

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23/10/2014

CONCURSO ANEXO DA BIBLIOTECA NACIONAL

O Concurso Anexo da Biblioteca Nacional, promovido pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), com organização do IAB-RJ, despertou interesse de arquitetos de todo o país. Até o momento, mais de 50 inscrições foram realizadas. Os profissionais que desejam participar da competição podem se inscrever até o dia 24 de outubro. As bases do concurso estão disponíveis no site concursoanexobn.iabrj.org.br.

O objetivo do concurso é selecionar a melhor proposta de intervenção no prédio do Anexo da Biblioteca Nacional na Zona Portuária do Rio, onde funcionava a antiga Estação de Expurgo de Grãos do Ministério da Agricultura. Após as obras, o edifício anexo vai receber a maior e mais importante coleção de periódicos e de periódicos raros do país, com jornais, revistas e publicações variadas, editadas em vários pontos do Brasil, que remontam ao século XIX, além da área administrativa e de processamento técnico da instituição.

Ao todo, serão distribuídos R$ 135 mil em prêmios, sendo R$ 80 mil para o primeiro lugar, R$ 35 mil para o segundo lugar e R$ 20 mil para o terceiro lugar. Os prêmios serão pagos pelo IAB-RJ com recursos da FBN.



Clique sobre a imagem ou AQUI para obter mais informações no site iabrj

13/10/2014

CÂMARA FEDERAL TERÁ QUATRO ARQUITETOS

Conforme levantamento preliminar realizado pelo CAU/BR, com apoio dos CAUs/UF, quatro arquitetos foram eleitos deputados federais nas eleições de 05/10/14, para o período de 2015/2018. Na atual legislativa são três.

Dois dos eleitos são do Pará: Edmilson Rodrigues PSOL) e Joaquim Passarinho (PSD). Pelo DF foi eleito Rôney Nemer (PMDB) e pelo Rio Grande do Sul foi reeleito Luiz Carlos Busato (PTB).



Clique sobre a imagem ou AQUI para obter mais informações no site caubr

08/10/2014

CONHEÇA OS FINALISTAS DO PRÊMIO
TALENTO ENGENHARIA ESTRUTURAL

Está aberta, até 20 de outubro de 2014, a votação on-line para os projetos inscritos no 12º Prêmio Talento Engenharia Estrutural. Entre as cinco categorias do concurso, a comissão julgadora selecionou 25 finalistas. Basta clicar sobre o finalista e marcá-lo para voto.



Clique sobre a imagem ou AQUI para conhecer os projetos e votar

Comentário do Ênio Padilha

Ano passado cheguei a enviar um e-mail para a organização do concurso, mas, como não fui ouvido, não custa tentar de novo.
Creio que o processo de votação na internet (onde os eleitores não são, necessariamente, engenheiros) tem um problema: o eleitor é induzido a votar no projeto "mais bacana", "mais bonito visualmente". E não no "projeto estrutural mais interessante" ou "mais difícil" ou "mais inovador".
Assim o concurso acaba se transformando em um concurso para escolher o melhor projeto arquitetônico e não o melhor projeto estrutural.
A solução que eu sugeri no ano passado (e repito agora) é que as fotografias dos projetos sejam acompanhadas de uma ficha técnica com informações mínimas que permitam que um leigo possa avaliar o grau de dificuldade, ousadia, inovação e talento do projetista DA ESTRUTURA e não apenas o talento do projetista arquitetônico.
Estou errado?

17/06/2014

CAU/BR ELABORA REGULAMENTO ELEITORAL

No próximo dia 5 de novembro, os arquitetos e urbanistas brasileiros vão escolher seus representantes para o CAU/BR e os CAU/UF. Novo regimento eleitoral, aprovado na 31ª Reunião Plenária do CAU/BR, estabelece o calendário e as regras para a escolha dos conselheiros federais e estaduais (mais seus suplentes) para o mandato 2015-2017. No mesmo dia também haverá a votação para escolher o conselheiro federal representante das instituições de ensino superior de Arquitetura e Urbanismo. Toda a votação será realizada via internet, pelos sites do CAU/BR e dos CAU/UF. O acesso ao painel de votação se dará por meio da senha de acesso ao SICCAU. O voto é obrigatório para todos os profissionais registrados no CAU e com menos de 70 anos. Quem não puder votar deverá justificar sua abstenção junto ao seu CAU/UF em até 90 dias, sob pena de pagar uma multa equivalente ao valor de uma anuidade – R$ 413,21 – conforme determina a Lei 12.378/2010, que regula o exercício da Arquitetura e Urbanismo no Brasil.



Clique sobre a imagem ou AQUI para obter mais informações no site caudf.org.br


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