Notas de "PERGUNTA DO LEITOR"

Neste ano de 2016 responderemos perguntas sobre ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA, especificamente nos seguintes assuntos:

(1) Modelo de Negócio
(2) Composição de Sociedades
(3) Plano de Negócio
(4) Administração do Processo Produtivo
(5) Administração Financeira
(6) Administração de Recursos Humanos
(7) Administração do Mercado (Marketing)
(8) Diferencial Competitivo e Vantagem Competitiva

As respostas serão publicadas no nosso site, nesta seção PERGUNTA DO LEITOR.

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19/09/2011

PRA QUE ESTUDAR TANTO CÁLCULO E FÍSICA?

(Publicado em 19/09/2011)

Caro Sr. Engº Enio Padilha,
Lendo alguns de seus artigos, percebi que o Senhor é uma das pessoas que poderia me dar alguns conselhos.
Estou concluindo o Curso de Engenharia Civil mas estou preocupado, pois nao estou confiante com a qualificação e instruções que recebi ao longo dos 4,5 anos de curso, ou seja, Estou prestes e me tornar Engenheiro Civil e TODAS aquelas aulas de Cálculo etc.. não me serviram para nada. NÃO SEI O QUE FAZER.
Quais são, hoje, os requisitos BÁSICOS necessários para um Engenheiro Civil recem formado?

Mateus Pereira | xxx
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)


Resposta de Ênio Padilha

Prezado Mateus

Você não especificou, no seu e-mail, qual é a sua cidade nem a escola na qual você está concluindo seu curso. Portanto, vou dar uma resposta genérica que espero tenha alguma utilidade.

Primeiro, se você escolheu uma faculdade dessas baratas e fáceis... tenho péssimas notícias pra você: você economizou tempo, dinheiro e energia por cinco anos. Mas a conta será cobrada, com muitos juros, nos próximos cinquenta anos.

O primeiro conselho que eu dou a um estudante que pretende fazer Engenharia é "escolher uma boa escola" que tenha compromisso com a educação e tradição de formar bons profissionais. Hoje temos muitas escolas que atraem estudantes com a promessa de conforto e facilidades.
Um curso de engenharia não deve ser escolhido por ser fácil de entrar, por ser perto de casa, por ser barato ou por ser fácil de sair.
A garotada tem de abrir o olho!

A segunda coisa que me chamou atenção no seu e-mail foi uma observação sua. Você diz: "Estou prestes e me tornar Engenheiro Civil e TODAS aquelas aulas de Cálculo etc.. não me serviram para nada."

Mateus, você está COMPLETAMENTE ERRADO!

Todas aquelas aulas de Cálculo, Álgebra, Geometria, Física e outras ciências são justamente as coisas que transformaram você em um Engenheiro.

Tem muita gente, por aí (especialmente o pessoal ligado às construtoras e indústrias) que querem que o engenheiro saia da faculdade com o domínio das PRÁTICAS PROFISSIONAIS. Isto é um erro. E muitos estudantes estão sendo engrupidos com essa lenga-lenga do conhecimento prático.

A única coisa capaz de diferenciar um engenheiro dos demais atores na indústria e na construção é o conhecimento teórico e o domínio da ciência.
Tanto na Indústria quanto na construção já existe gente demais com conhecimento prático. É o pessoal formado na Universidade da Vida.

O engenheiro deve saber pensar; deve saber organizar as idéias, equacionar problemas; escolher os conhecimentos científicos que se aplicam ao problema que precisa ser resolvido.
Este tipo de capacidade só se obtém com o domínio da ciência. Só depois de muitas aulas de Cálculo, Álgebra, Geometria, Física e outras disciplinas que muita gente (os defensores do conhecimento prático) consideram inúteis.

Não estou dizendo aqui que um engenheiro recém-formado não deva (ou não precise) ter conhecimentos práticos. Mas é claro que, bons estágios e atividades extracurriculares já garantem este mínimo. É importante observar que é NORMAL (e, na minha opinião, desejável) que o profissional recém-formado tenha pouco domínio das práticas profissionais. Mas é importante observar que, quanto melhor tiver sido a sua formação teórica, mais rápida e facilmente ele adquirirá a prática necessária.

Algumas faculdades (do tipo Uniestrada) reforçam a carga de atividades práticas para os seus alunos, dando a eles, no final do curso, a falsa impressão de que, por estarem prontos para o mercado de trabalho estão prontos para a carreira profissional. Isto é um erro!

Uma escola de Engenharia não deveria preparar o aluno para o mercado de trabalho e sim para a Carreira Profissional. A diferença é sutil, porém fundamental. O mercado de trabalho é efêmero. Suas necessidades vêm e vão ao sabor das tecnologias e dos setores econômicos dominantes do momento; já a carreira profissional é pra vida inteira. O mercado é imediatista e irresponsável; a carreira é patrimônio individual valioso.

Um profissional preparado para enfrentar a carreira profissional (dominando a ciência e os fundamentos da tecnologia) poderá ter eventual dificuldade para enfrentar o mercado num primeiro momento. Mas logo que consiga fazer as primeiras conexões tenderá a avançar muito mais rapidamente e estará muito melhor preparado para voos mais longos.
Um profissional preparado apenas para enfrentar o mercado de trabalho (assim que se formar). Vai se dar bem num primeiro momento. Mas depois, quando os problemas propostos tiverem níveis de dificuldade que exijam domínio da ciência e dos fundamentos da tecnologia ele obterá resultados cada vez mais pífios e, certamente, será descartado ou preterido.

E preste atenção em outro engodo muito praticado por aí: dizer que o profissional irá desenvolver esses conhecimentos teóricos depois de formado, com o tempo, de acordo com as necessidades.
Bobagem! Se fosse verdade, ninguém precisaria fazer um curso de Engenharia. Bastava fazer um curso técnico, entrar no mercado de trabalho com 17, 18 anos e ir estudando com o tempo, de acordo com as necessidades.

Portanto, Mateus, quero tranquilizá-lo. Todas aquelas aulas de Cálculo, Física etc servirão para alguma coisa, sim. Eu já vi muitos engenheiros dizerem que nunca utilizaram cálculo no exercício de suas atividades. Eu sempre peço que eles reflitam sobre o seguinte: um judoca também não faz abdominais, apoio ou polichinelo durante uma luta. Nem por isso esses exercícios não são fundamentais no treinamento.

Mateus, os requisitos básicos para um Engenheiro Civil recém-formado continuam mais ou menos os mesmos de cinquenta anos atrás: domínio da ciência e dos fundamentos das tecnologias; capacidade de equacionar problemas utilizando esses fundamentos como ferramentas para a solução; capacidade para trabalhar em equipe (liderar e ser liderado) e (não pense que isso é novidade) domínio de um idioma estrangeiro.

Se você aproveitou bem todas aquelas aulas de Cálculo, Álgebra, Física etc e se você teve atividades extracurriculares que desenvolveram as outras habilidades é provável que você se dará bem na carreira. Ainda que tenha alguma dificuldade no mercado, por alguns meses.

Professores, coordenadores e diretores de Escolas de Engenharia precisam ter a coragem de dizer isso para seus alunos. O paraíso não fica ali, na porta da saída da faculdade. Mas existe e está disponível para os que estiverem dispostos a pagar o preço justo.

ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | ep@eniopadilha.com.br


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Leia a resposta de Ênio Padilha

05/04/2011

AINDA HÁ TEMPO PARA SER ENGENHEIRO?

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(Publicado em 18/02/2011)

Boa tarde, Enio

Vi um dos seu artigos na Internet e gostei muito. Tenho uma duvida cruel: sou funcionário efetivo da prefeitura e também já sou formado em Licenciatura em Matemática. Tenho 34 anos queria ingressar na faculdade de Engenharia Civil, mas tenho receios de ser "velho para o mercado" e também largar minha ''Estabilidade"... ilusória ganhando mal...

Penso em ingressar nesta área mas tenho esse receio... tem campo? será que sou velho? faço certo largar meu serviço efetivo? Aguardo sua sugestão.

Marcelo Coelho de Amorim - São Paulo-SP
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)


RESPOSTA

Marcelo.
Vários colegas, estudantes de Arquitetura ou de Engenharia, já me fizeram esta mesma pergunta. A minha resposta é sempre a mesma:

1) O mercado de trabalho está cada vez menos restritivo a pessoas de mais idade, especialmente quando a atividade envolve conhecimentos técnicos.
Portanto, siga em frente que as chances são muito boas.

2) Se você estivesse com 40 ou 50 anos a minha resposta seria a mesma: não existe essa história de "muito tarde". A profissão de engenheiro não exige juventude para ser exercida. Não precisa de força fisica ou resistência aeróbica. Precisa de energia mental, inteligência, criatividade e muita, muita vontade. Iniciar uma carreira de engenheiro aos 40 ou 50 anos não será problema nenhum, acredite.
Estarei aqui na torcida. E na certeza de que a sua vida terá uma mudança muito grande.
E para muito melhor!

Abraço!



Leia as minhas respostas aos comentários abaixo e também o artigo VELHO DEMAIS PARA CURSAR ENGENHARIA OU ARQUITETURA? com mais detalhes sobre este tema.

Leia a resposta de Ênio Padilha e os comentários dos leitores

19/01/2011

Professor Ênio.

(Publicado em 19/01/2011)

Professor Ênio.
Quando um cliente pede descontos em uma loja qualquer, ele está, na verdade, se antecipando ao costume que os comerciantes têm de embutir prováveis prejuízos por inadimplência através de juros. Entao quando ele pede o desconto, está querendo um preço justo e real (considerando que ele acredita ser justo, e nao um caloteiro). Mas e quando se trata de um produto como o nosso, onde o preço é subjetivo em funçao de um serviço que agrega mais valor intelectual do que qualquer outro, como proceder quando o cliente pede descontos? Por mais que expliquemos, o cliente (como o senhor mesmo disse em seu livro) quer ter a sensaçao de estar no comando. E dar um desconto desse modo é tirar diminuir o lucro, não é verdade? Ou devemos diminuir o preço diminuindo tambem a qualidade do serviço (ou seja, trabalhar apenas pelo que está sendo pago) e deixando isso claro?

Romário Miranda | Barbacena-MG

(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)

Resposta de Ênio Padilha

Romário.
As suas considerações são muito pertinentes. Está tudo correto.
O cliente pedir desconto é sempre uma possibilidade real (quase uma certeza) numa negociação. Mesmo quando o produto é um serviço. Mesmo quando esse serviço tiver essa carga intelectual embutida, como é o caso de serviços de Engenharia ou de Arquitetura.
Então, se a conversa sobre descontos é inevitável, devemos ter uma estratégia com o objetivo de tornar essa conversa menos dolorosa (e custosa!). Assim sendo, toda a negociação, desde a resposta ao primeiro e-mail do cliente, deve conter explicações sobre a natureza do nosso produto e da dificuldade de utilizar o recurso do desconto como estratégia de negociações. Assim os clientes não virão com tanta SEDE AO POTE e os descontos (se tiverem de ser concedidos) serão apenas residuais, sem consequências severas para os custos.

Além disso, como eu já disse uma vez, num dos artigos da série A QUESTÃO DO PREÇO devemos nos antecipar às questões do preço, pois elas são inevitáveis.

Mande sua pergunta para o Prof. Ênio Padilha

11/01/2011

Professor Ênio.

(Publicado em 11/01/2011)

Uma pergunta simples: qual é a diferença entre marketing e propaganda?

João Moura Fernandes | Piracicaba-SP<
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)

Resposta de Ênio Padilha

João.
A questão aqui não é exatamente de diferença. A sua pergunta faz sentido, porque muitos professores e outros profissionais de marketing costumam chamar atenção para o fato de que não devemos confundir marketing com propaganda. Isso leva a maioria das pessoas a pensar que marketing e propaganda são duas coisas completamente diferentes.

Na verdade, o que temos aqui (quando se faz confusão entre marketing e propaganda) é um caso de sinédoque (figura de linguagem que ocorre quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa). No caso, tomamos o todo pela parte.
Traduzindo: dizemos que existe marketing onde, de fato, existe apenas propaganda, que é uma parte do marketing.

Viu? Propaganda não é diferente do marketing. Propaganda é uma das partes do marketing.
Geralmente quando um empresário diz que vai investir no marketing da sua empresa ele está querendo dizer, na verdade, que vai investir na comunicação, na propaganda, da divulgação da sua empresa e dos seus produtos.

Mas, investir no marketing, de verdade, é investir no desenvolvimentos dos produtos, na contratação e treinamento dos empregados, no controle financeiro da empresa, na precificação correta dos produtos, no estabelecimento de parcerias inteligentes... e, também, na divulgação dos produtos, o que inclui a publicidade e a propaganda.

Enfim, investir no marketing é uma empreitada que está muito mais ligada às estratégias da empresa do que às questões operacionais da comunicação.

Não existe, portanto, "diferença" entre propaganda e marketing. São coisas de mesma natureza. A diferença está apenas no nivel de relevância estratégica.

07/01/2011

Professor Ênio.

(Publicado em 07/01/2011)

Nos seus cursos o senhor tem dito que o principal problema que engenheiros e arquitetos enfrentam no mercado é justamente a falta de diferenciação. Como um engenheiro (no meu caso, tenho um escritório de projetos) posso me diferenciar dos meus concorrentes, se, para os clientes, todos os engenheiros fazem a mesma coisa (e, portanto, deve ser contratado o que tiver o menor preço)?

Pedro Paulo - Formosa-RN
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)

Resposta de Ênio Padilha

Pedro Paulo.
A sua pergunta já traz um pouco da resposta. Você identificou claramente o problema: o cliente pensa (está convencido de) que todos os engenheiros são iguais. Ora, uma vez que ele esteja certo disto, nada mais razoável do que contratar o mais barato. Faz sentido!
O problema é que o cliente está errado! Os engenheiros não são todos iguais.
Então o nosso problema é fazer o cliente perceber que somos diferentes. Aí é que entram em cena os tais diferenciais competitivos.

O problema é que muitos engenheiros (e muitos arquitetos, também) acham que atributos técnicos ou conhecimentos profissionais podem ser utilizados como diferenciais na competição pela preferência do cliente. Não prestam atenção na definição clássica, que é a seguinte: DIFERENCIAL COMPETITIVO é algo que (1) a sua empresa tem e (2) o seu concorrente não tem; (3) o seu concorrente não poderá ter sem gastar muito dinheiro, esforço e tempo; (4) e, mais importante de tudo: o cliente valoriza!

De nada adianta um engenheiro saber fazer "de cabeça" cálculos matemáticos sofisticados se isso não representar nada para o cliente. É um talento, sem dúvida. É uma característica positiva que ele tem, que o concorrente não tem (nem terá tão facilmente), mas o cliente não valoriza.

Então, Pedro Paulo, se quiser desenvolver Diferenciais Competitivos, comece investigando TUDO O QUE IMPORTA PARA O CLIENTE. É aí que está a mina de ouro.

Posso adiantar algumas coisas:

(1) Soluções criativas e que caibam no orçamento do cliente;
(2) Soluções detalhadas e que completem o serviço (nada de deixar soluções encaminhadas);
(3) Listas de Compras detalhadas;
(4) Cumprimento dos prazos...

Retomaremos esse tema algumas vezes, por aqui. Por ora é isso!

03/01/2011

Professor Ênio.

(Publicado em 03/01/2011)

Acabei de me formar em Arquitetura e abri um escritório em sociedade com um colega da faculdade. Gostaria de saber no que deveríamos concentrar os investimentos nesse início?
Januário Zaniz - Itoupava-SP

(Nesta seção, o nome e a cidade trocados sempre que solicitado pelo leitor)

Resposta de Ênio Padilha

Januário.
Você deve ter percebido que eu simplifiquei a sua pergunta (apenas para que a resposta sirva também para outros colegas recém-formados).
Olha. Uma coisa que você já deve ter percebido é que nesses primeiros meses (na verdade são anos) logo depois da formatura, é um periodo em que a gente estuda muito (muito mais do que nos tempos da faculdade, porque agora o objetivo não é apenas tirar notas para passar de ano). Vocês certamente continuarão estudando muito os assuntos técnicos de arquitetura, mas precisam dedicar algum tempo (tempo importante) para as tarefas do escritório:
1) Organizar o escritório é uma tarefa grandiosa e leva muito tempo. Não considere esse trabalho uma coisa menor, que pode ser feito nas horas vagas. Você precisa reservar horas inteiras do seu dia de trabalho para esse objetivo;
2) O trabalho de organizar e administrar o escritório deve ser remunerado na sociedade, da mesma forma que o trabalho de atender clientes e elaborar os projetos;
3) Todos os custos do escritório devem ser considerados em termos ANUAIS. É preciso fazer reservas durante todo o ano para aqueles custos que aparecem em dezembro e janeiro.
4) Uma equipe de trabalho é essencial. Vocês precisam contratar pessoas para fazer todo o trabalho que não requer formação superior em Arquitetura. Caso você não esteja levando à sério essa recomendação, responda este TESTE;
5) Marketing não é apenas um investimento que se faz quando a empresa tem algum dinheiro sobrando. Invista tudo o que puder em marketing. Mas, tenha certeza de que está fazendo a coisa direito. Tem muita gente por aí pensando que faz marketing quando está apenas fazendo propaganda e publicidade do seu escritório;

01/01/2011

DÚVIDAS DOS LEITORES

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Comentários

22/07/2010

PERGUNTA DO LEITOR


From: januario@...
Sent: Friday, July 16, 2010 2:08 PM
To: professor@eniopadilha.com.br
Subject: Concorrência

Boa Tarde Sr. Ênio!

Sou engenheiro eletricista (...) Preciso de uma auxilio ou apenas um idéia com o grande problema que tenho com vendas de serviços de engenharia.

Leia a pergunta completa (e a resposta)


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