Notas de "NA MINHA FRACA OPINIÃO"

10/02/2020

O FLA-FLU NÃO É MAIS O MESMO



(Publicado em 10/02/2020)









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06/02/2020

NA CONTRA-MÃO

Segundo matéria publicada no archdaily.com.br, um relatório publicado na Inglaterra dá conta de que "dos 149 empregadores e 580 estudantes e recém formados em arquitetura que participaram da pesquisa, a grande maioria criticou a formação arquitetônica por priorizar o conhecimento teórico em vez da habilidade prática e concorda que a maior parte dos graduandos não são muito bem preparados para trabalhar após saírem da universidade".
Mesmo sabendo que minha opinião não conta muito, EU DISCORDO!



FACULDADE É PRA APRENDER TEORIA


(Publicado em 06/03/2015)



Minha opinião sobre este assunto contraria meio mundo. Ou melhor, contraria quase todo mundo: eu defendo o ensino de mais teoria e menos prática nas faculdades de Engenharia e Arquitetura.

Não. Não pare de ler, por favor. Nem me atire pedras antes de dar um pouquinho de atenção aos meus argumentos.

Henry Ford, o industrial norte americano, dizia que “pensar é o trabalho mais pesado que há. E talvez essa seja a razão para tão poucos se dedicarem a isso”.

O mundo da construção civil e das fábricas (onde atuamos) é o império do conhecimento prático. Tá cheio de práticos. De gente que aprendeu tudo na escola da vida. De gente cheio de experiência. Justamente porque o conhecimento prático é aquele que se obtém da forma mais fácil: aprender fazendo. Por isso mesmo tanta gente tem esse tipo de conhecimento.

Se um engenheiro ou arquiteto quer ser diferenciado ou especial nesse meio, tem de oferecer algo que essas pessoas não têm. E esse algo é justamente o domínio da teoria. Num canteiro de obra um arquiteto ou engenheiro é justamente a reserva de conhecimento teórico necessário para que a coisa não desande.

Mas existe um discurso dominante de desvalorização do conhecimento teórico. É uma espécie sutil de bullying muito semelhante ao que existe nas escolas de ensino fundamental e médio.
Nos canteiros de obra e no chão da fábrica o domínio da prática é supervalorizado como uma forma de dominação e poder. O poder dos que não sabem (ou não gostam de) pensar.

Um engenheiro ou arquiteto que desista de ser um pensador, que desista de buscar soluções teóricas para os problemas que enfrenta, vira um fazedor. Um pesquisador de tabelas, preenchedor de planilha, aplicador de fórmulas, um mero repetidor de tabelas de fabricantes, de catálogos e soluções pré fabricadas… um sujeito útil. E substituível.

O arquiteto ou engenheiro deve reagir a isso. Deve ser bom em conectar conceitos, identificar princípios, avaliar alternativas que estejam ainda no campo da abstração. Isso é difícil. Só sabe fazer isso quem tem experiência… em pensar.
A experiência em pensar é uma coisa que pouca gente tem. E quem não tem não consegue avaliar a sua importância. E, se não consegue avaliar, nunca saberá valorizar.

Quer dizer, então, que, durante a faculdade, o aluno deve desprezar as oportunidades de obter alguma experiência prática de aplicação dos seus conhecimentos teóricos? Claro que não. Pelo amor de Deus! É claro que o estudante de Engenharia ou de Arquitetura deve, durante a sua formação, ter a oportunidade de exercer, na prática, seus conhecimentos. Entender como a coisa funciona no dia-a-dia, no chão da fábrica ou no canteiro de obra.

Como eu já tive oportunidade de dizer em outros artigos, experiência e prática são importantes para o exercício profissional. Mas os estágios curriculares e algumas atividades extra-curriculares são suficientes para que você saia da faculdade pronto para enfrentar o mercado. Mas a verdadeira experiência e o domínio da prática profissional deve ser uma conquista pós-formatura.

O estágio, aliás, é um dos principais problemas da formação de arquitetos e engenheiros no Brasil: os programas de estágios, principalmente em escritórios de projeto, transformaram-se em programas de exploração de mão de obra qualificada e barata, onde estudante é levado a crer que está tendo alguma vantagem (em colocar a mão na massa) mas, na prática, está envolvido em uma atividade que irá acrescentar muito pouco à sua formação de profissional. (Mas isso já é assunto para outro artigo)

O importante aqui é deixar claro a seguinte posição: a faculdade é apenas uma parte do processo de formação de um arquiteto ou de um engenheiro. Nessa fase, o importante é dar a esse estudante exatamente algo que ele nunca mais terá oportunidade de obter depois que iniciar o exercício profissional. Esse algo é justamente o conhecimento teórico.

O conhecimento prático ele poderá obter com certa facilidade depois de formado. Não é dramático nem grave que um profissional recém-formado não tenha (ou tenha pouco) conhecimento prático.

Pessoas que insistem em exigir de um recém formado um conhecimento prático das coisas estão prejudicando esses jovens. Estão fazendo com que eles pulem etapas e busquem se nivelar aos “doutores da prática” abrindo mão da única coisa que pode fazer deles profissionais realmente indispensáveis: a capacidade de saber pensar.

O problema não é ensinar mais teoria e menos prática na faculdade. O problema é não conversar com os jovens sobre isso. É não dar a eles uma noção do quanto importante é o conhecimento teórico. De como utilizar isso para se diferenciar no mercado de trabalho. O problema é ensinar teoria na faculdade e permitir que o estudante se sinta culpado por não dominar a prática. O problema é, muitas vezes, negligenciar a importância da conexão entre a teoria e a prática.




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---Artigo2015 ---Administração ---Financeira




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Comentário do Ênio Padilha

ACRESCENTADO NO DIA 09/03/2015
Não deixe de ler também os comentários deste post. Eles contribuem de tal maneira para a discussão que podem (e devem) ser considerados parte do texto principal.

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25/11/2019

PARABÉNS, FLAMENGUISTAS.

(Publicado em 23/11/2019)






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PADILHA, Ênio. 2019

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20/10/2019

SOBRE O BREXIT

(Publicado em 20/10/2019)






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PADILHA, Ênio. 2019

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16/10/2019

SOBRE A TRAGÉDIA DE ONTEM EM FORTALEZA...

(Publicado em 16/10/2019)






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PADILHA, Ênio. 2019

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18/07/2019

NELSON MANDELA É O CARA!
(o cara que os Líderes da Arquitetura e da Engenharia
deveriam conhecer e seguir)

(Publicado em 18/07/2013)





Se você não sabe quem é Nelson Mandela posso afirmar uma coisa: você está prestando atenção nas pessoas erradas.
Nelson Mandela é o cara!

Líder Sul-Africano, Prêmio Nobel da Paz em 1993 e eleito presidente da África do Sul em 1994. Só isso, por enquanto.

Em 1996, quando ele ainda era presidente, publicou sua autobiografia, na qual contou com a colaboração de Ahmed Kathrada (seu companheiro de prisão) e Richard Stengel (editor e escritor). Naquele livro, por razões óbvias, as palavras tinham de ser medidas e nem tudo podia ser dito sem o risco de comprometer as estratégias de um governo ainda frágil e incipiente.

Em 2010, já "livre" do cargo de Presidente, lançou outro livro, "Conversas que Tive Comigo" (com prefácio de Barack Obama).
Neste livro a coisa é diferente. Ele foi concebido com o objetivo de dar aos leitores acesso ao Nelson Mandela por trás da figura pública, a partir do seu arquivo pessoal, composto de escritos e registros de conversas privadas com seus melhores amigos. O resultado são 415 páginas de luzes sobre um personagem do qual muitos conheciam as atitudes e ações mas poucos conheciam as motivações.

Fascinante!

O que Mandela tem de tão especial? Por que ele é tão amado, respeitado, reverenciado por tanta gente no mundo inteiro?
É que ele conseguiu, numa situação de extrema dificuldade, dar forma concreta à belíssima frase do pensador francês Jean-Paul Sartre: "Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim".
O conceito é gigantesco, mas os casos em que ele foi aplicado na prática são muito raros.

Mandela era um advogado, militante e líder de causas sociais e combatente do Apartheid, regime de segregação racial adotado pelos governos da Africa do Sul de 1948 a 1994.
Ele foi preso, em 1962 e mantido preso por 27 anos (sendo que mais de metade desse período em condições desumanas, sofrendo todo tipo de humilhações, restrições físicas e psicológicas).
Ele enfrentou esses duros anos com paciência e sabedoria, sem ter abandonado, em momento algum, suas convicções ou cedido a pressões ou acordos que não garantissem a chegada ao futuro desejado: o fim do Apartheid.

Vencida a luta, extinto o Apartheid, Mandela foi eleito Presidente da África do Sul. Estava agora em posição de dar o troco. Vingar-se de tudo e de todos os que haviam roubado 27 anos da sua juventude. O revide estava servido e Mandela tinha os meios, a força e as justificativas para devolver aos seus opressores todo o sofrimento que lhe fora imposto por quase três décadas...

O que ele fez então é justamente o que o torna grande: ele liderou uma inimaginável transição pacífica na África do Sul. Conteve, com sua ascendência moral, os companheiros belicosos que queriam simplesmente inverter os papéis e impingir aos antigos opressores o gosto da submissão.

Numa região (num continente) em que a maioria dos países vive em constante gerra civil, Mandela garantiu à África do Sul uma caminhada firme em direção ao progresso de TODOS e não apenas dos que estão no poder. Baseado em princípios sólidos e noção clara de que o objetivo não pode ser trocado por pequenas vitórias efêmeras, ele venceu as próprias vaidades e fez da sua vida um grande exemplo de dignidade valor.

O livro de Mandela deveria ser lido por Engenheiros e Arquitetos que estão em posição de liderar seus companheiros nos Creas, no Confea, no Cau e no IAB e nas dezenas de Entidades de Classe de Engenharia, de Arquitetura e de Agronomia.

Os colegas deveriam aprender com Mandela, por exemplo, que "fazer concessões é a arte da liderança e as concessões são feitas ao seu adversário, não ao seu amigo" (página 375); e que "É bom presumir que os outros sejam pessoas íntegras e honradas, porque você tende a atrair integridade e honra se olhar dessa forma para as pessoas com que trabalha." (página 249)

Mais importante: deveriam ler os Princípios Fundamentais que deveriam motivar todo líder (página 375)

a) Existem bons homens e mulheres em todas as comunidades. O dever de um verdadeiro líder é identificar estes bons homens e mulheres e atribuir-lhes tarefas que sirvam à comunidade;

b) Um verdadeiro líder deve trabalhar arduamente para diminuir as tensões, especialmente quando está liderando com questões delicadas e complicadas. Extremistas normalmente vicejam quando há tensão, e a emoção pura tende a sobrepujar o pensamento racional;

c) Um verdadeiro líder usa todas as questões, por mais sérias e delicadas que sejam, para assegurar que, ao fim do debate, emerjamos mais fortes e mais unidos do que antes;

d) Em toda disputa, finalmente se chega a um ponto em que nenhuma das partes está totalmente certa ou totalmente errada. Em que fazer concessões é a única alternativa para aqueles que desejam seriamente a paz e a estabilidade.


Que tal?



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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25/06/2019

AS COISAS DA VIDA

(Publicado em 20/09/2018)



Existem as tais "coisas da vida", que todo mundo deve saber. Mas nem todo mundo precisa saber de tudo desde sempre. Você vai aprendendo… com a vida.
À medida que o tempo passa, se você for minimamente inteligente e curioso, esses conhecimentos vão chegando. E o domínio desses conhecimentos configura o que eu chamo de MATURIDADE INTELECTUAL.





Uma criança de 6 anos não precisa saber as coisas da vida que um adolescente deve conhecer, muito menos as coisas de adultos.

Mas, com essa idade (seis anos) a criança curiosa e inteligente já sabe que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem (e, as mais espertas, fingem que ainda acreditam, pra continuar usufruindo das vantagens). Já sabem brincar e inventar brinquedos. Já sabem se relacionar socialmente com parentes mais velhos e desenvolvem opiniões racionalizadas sobre as coisas. Geralmente, esperam (dos mais velhos) explicações para o "como o mundo funciona". E que essas explicações tenham começo, meio, fim e alguma lógica.

Com oito, dez ou doze anos a criança já sabe ler e a leitura abre uma avenida para os conhecimentos. Consegue absorver os conhecimentos da ciência e da tecnologia. Em poucos anos descobre como e porque as coisas são do jeito que são. Aprende a lidar com limitação de espaço e de tempo. Desenvolve o reconhecimento de regras do jogo. É cada vez menos sensível às fantasias e aos exageros. Aprende a distinguir o que é real do que é imaginário. Torna-se menos imediatista. Perde o medo de ficar só ou de escuridão. Aprende a vencer desafios como subir em árvores, nadar e praticar esportes de luta. Os mais corajosos interagem com bichos apavorantes como minhocas, lagartixas, aranhas, lesmas, sapos etc. A vida é uma eterna sucessão de descobertas.

Entre 12 e 17 anos o mundo explode para o ser humano! Evidentemente, as grandes descobertas são aquelas que dizem respeito às relações com o próprio corpo e com outras pessoas. Descobre que não precisa obedecer cegamente aos mais velhos e depois descobre que precisa saber, por conta própria, o que fazer, e que isso não é tão simples e confortável quanto parecia antes.

Aprende que suas decisões têm consequência para a sua vida, Aprende que existem muitos tipos de pessoas e que não é necessário gostar de todas e (mais importante) não é preciso que todas gostem dela. Descobre a importância do conhecimento formal (embora nem todos tenham a disposição para fazer esse investimento pessoal). Se for um adolescente inteligente, curioso e criativo, começa a fazer conexões entre o que aprende na escola e as coisas do mundo à sua volta. Com isto, um universo de conhecimentos começa a se descortinar. Desenvolve autoconhecimento, autoconfiança e a autoestima e pode ser muito beneficiado pela boa literatura de autoajuda e motivação pessoal.

Entre os 18 e os 23, 24 anos, o jovem se dedica aos conhecimentos técnicos da profissão que escolheu. Estuda ou desenvolve experiências profissionais, enquanto cristaliza conhecimentos absorvidos na adolescência. São conhecimentos importantes, mas, atenção… não são as tais "coisas da vida". São coisas do trabalho, da profissão, do ofício que a pessoa abraçou.

Numa faculdade se aprende muita coisa e são coisas importantes. Mas, aos 24, 25 anos, já formado em uma universidade, o jovem ainda tem coisas da vida para aprender.

Precisa entender como funciona o mercado de trabalho. Precisa conhecer e dominar os princípios de marketing pessoal. Saber o que é, para que serve e como se constrói uma marca pessoal valiosa. Saber lidar com dinheiro. Saber como lidar com os impulsos empreendedores. Como lidar com fracassos financeiros. Como administrar o tempo. Como se comunicar por escrito. Como falar em público. Precisa, em termos mais simples, saber lidar com o mundo dos adultos.

Um adulto deve colocar a sua inteligência à seu próprio serviço. Deve ser criativo, arrojado, inovador sem ser deslumbrado e sem acreditar em conto do vigário(*)

Um adulto de trinta anos (ou mais) deve ter discernimento e senso crítico. Deve saber separar o joio do trigo, os alhos dos bugalhos. Um adulto de 30 anos, com formação superior não pode cair em golpes primários da internet (tipo, clicar em links que recebe nos e-mails de desconhecidos). Não pode acreditar e repassar histórias sem pé nem cabeça só porque viu uma imagem no whatsapp ou um vídeo no Youtube. Porque um adulto de 30 anos, com um mínimo de inteligência e curiosidade já conhece as técnicas de edição de imagem e de vídeo e tem a capacidade para desconfiar de uma história que é espetacular demais para não estar sendo noticiada em NENHUM grande veículo de comunicação.

Um adulto de 30 anos não deveria mais ser conduzido no rebanho de palestrantes e influenciadores digitais de autoajuda e motivação pessoal que vivem de repetir aqueles conhecimentos que estão disponíveis na literatura infantojuvenil que a pessoa já deveria ter lido com 16 anos(**).

Um adulto de 30 anos, inteligente e curioso, não deveria mais ser seduzido por teorias de conspiração que não se sustentam em ciência e tecnologia (disponível nos livros e apostilas do ensino médio).

Um adulto de 30 anos já deveria saber alguma coisa da vida!

Infelizmente, tenho visto cada vez mais gente adulta com maturidade intelectual de adolescente. Gente que parece ter pulado uma etapa no domínio do conhecimento. Gente sem discernimento. Sem senso crítico. Sem bom senso. Sem meios termos, sem equilíbrio. Gente que acredita em qualquer coisa, por mais que as evidências (da ciência, da tecnologia, da história, da geografia e até da língua portuguesa) gritem o contrário.

E essas pessoas estão chegando cada vez mais perto dos cargos de comando e liderança. Nas empresas, nas instituições e nos governos.






(*) SOBRE A ORIGEM DA EXPRESSÃO "CONTO DO VIGÁRIO", conta-se que, ainda no século XVIII na cidade de Ouro Preto havia uma disputa entre duas paróquias, a de Pilar e a da Conceição, que queriam a mesma imagem de Nossa Senhora. Um dos vigários propôs que amarrassem a santa no burro ali presente e o colocasse entre as duas igrejas. A igreja que o burro tomasse direção ficaria com a santa. O burro se direcionou para a paróquia de Pilar e assim, o tal vigário ganhou a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que o burro era do vigário dessa igreja.

(**) Praticamente tudo o que está publicado nos livros, blogs, perfis e canais dos gurus de autoajuda e motivação pessoal já estava no livro O GUIA DO IMPERADOR, escrito por Marco Aurélio, que viveu entre 121 e 180 dC



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---Padilha, Ênio. 2018

Comentário do Ênio Padilha

UM EXEMPLO, INFELIZMENTE, DO DIA-A-DIA
Fulano (algumas vezes com diploma de engenheiro ou de arquiteto) que faz um post no Facebook dizendo que uma determinada pesquisa não quer dizer nada, porque foram entrevistados apenas 3 mil pessoas, e o Brasil tem uma população de 200 milhões.
Ah, tenha paciência, engenheiro! O senhor faltou às aulas de estatística e probabilidades? Não aprendeu que, com base em uma amostra é possível tirar conclusões sobre o universo pesquisado? Não aprendeu como é que se calcula o tamanho da amostra necessária para que a margem de erro seja inferior a 5 ou 3%?
O senhor não tem o direito de ser ignorante nesses assuntos.


OUTRO EXEMPLO: as pessoas (bem crescidas, com barba na cara) que entram em filas que atravessam noites, para comprar um telefone celular.
Nada contra a marca (da qual eu sou cliente e fã). Mas não se trata de aproveitar uma promoção e comprar o produto por um preço especial. Trata-se apenas de... sei lá... um comportamento irracional, incompatível com alguém que já tenha chegado à idade adulta.
Esse negócio de fazer fila (que atravessam noites) pra comprar coisas (que não seja comida) é coisa de adolescente. Não faz sentido para um adulto minimamente inteligente.

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21/06/2019

MEIO ANO DISCUTINDO O MAIS ABSOLUTO NADA.

(Publicado em 21/06/2019)



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27/05/2019

O CAMINHO DAS PEDRAS PARA A PRODUÇÃO DE UM LIVRO

(Publicado em 11/01/2019)



Todo mundo tem um livro quase pronto (na cabeça). Alguns até já começaram a escrever. E outros já têm o texto pronto, faltando "apenas" alguns ajustes finais.

Escrever um livro fascina muita gente, e não é sem motivo. Escrever um livro é, de fato, um trabalho significativo. Não é fácil. Não é tão simples como escrever textos para um blog ou para redes sociais.





Um livro é um trabalho com algum nível de aprofundamento. Trata-se de enfrentar um assunto (ou tema) e tratar dele por 150 ou 200 páginas (sem ser abandonado pelo leitor antes da página 10). É um trabalho de muita responsabilidade. O autor não pode ser preguiçoso ou negligente. Tem de se aprofundar no assunto e entregar um conteúdo com algum grau de originalidade e relevância. Isso não é fácil. E é por isso que escrever um livro é sempre associado a obter uma vitória significativa sobre um desafio.

Melhor ainda é escrever um livro, vê-lo transformado em realidade impressa e ver uma edição inteira ser vendida. É, de fato, um prazer muito grande.

Existem diversos tipos de livros e cada tipo tem suas dificuldades próprias.
• Livros didáticos;
• Livros científicos;
• Livros acadêmicos;
• Livros de opinião;
• Livros de literatura tradicional (poesia, conto, crônica, romance, novela, etc);
• Livros jornalísticos (reportagens, documentários, etc);
• Livros biográficos;
• Livros técnicos.

Seja qual for o tipo de livro ou seu destino final, posso dizer, em rápidas palavras, que fazer um livro é um projeto dividido em 4 etapas, que são as seguintes:

ETAPA 1 - Pesquisa e Texto
• Pesquisa em fontes primárias (entrevistas originais, pesquisa de campo ou de laboratório)
• Pesquisa bibliográfica (em livros e artigos)
• Pesquisa de mídia (jornais, revistas, vídeos e fotografias)
• Pesquisa em documentos oficiais (boletins, portarias e documentos)
• Revisão técnica do texto
• Definição das ilustrações
• Redação do texto final
• Definição do texto da epígrafe do livro
• Definição do texto da dedicatória
• Definição do texto dos agradecimentos
• Definição do tamanho do livro (exemplo: 160 x 230 mm)
• Definição do tipo de capa (capa dura, papel cartão, 250g/m²)
• Definição do acabamento
• Pré-diagramação do texto final
• Definição da pessoa que fará a apresentação do autor (na orelha da capa).
• Definição da pessoa que fará a apresentação do livro (na quarta capa).
• Definição da pessoa que fará o prefácio do livro.
• Definição, se for o caso, da página de referências (bibliografia, relação de entrevistados ou instituições pesquisadas)
• Definição do texto dos elementos pós-textuais (se for o caso).

Em princípio, todas as tarefas acima são de responsabilidade do autor. Ele poderá, se quiser, delegar algumas dessas tarefas para terceiros da sua equipe de assistentes de pesquisa ou de assistentes de produção de conteúdo.

O produto final desta primeira etapa é o texto original, manuscrito, datilografado, impresso ou disponibilizado em arquivo no formato de texto editável (.docx .pages etc).

Além do texto original o autor deve entregar também as imagens (impressas ou em arquivos eletrônicos) que serão utilizadas como ilustrações do livro.



ETAPA 2 - Produção pré-impressão
• Produção executiva (gestão dos prestadores de serviços envolvidos na pré-impressão)
• Registro de ISBN e obtenção do código de barras do livro
• Criação da Capa
• Providências para obter o texto de apresentação do autor (para a orelha da capa)
• Providências para obter o texto de apresentação do livro (para a quarta capa)
• Providências para obter o texto do prefácio do livro
• Projeto Gráfico do Miolo
• Revisão Gramatical e Ortográfica (do livro e dos textos complementares)
• Tratamento das imagens (ilustrações)
• Diagramação
• Revisão editorial
• Gestão da produção com a gráfica contratada
• Revisão de provas da capa enviadas pela gráfica
• Revisão de provas do miolo enviadas pela gráfica

Essas tarefas são de responsabilidade da editora contratada (ou contratante, conforme o caso). Todas as tarefas exigem tempo e atenção aos detalhes. Não podem ser feitas "na corrida".

O produto final desta segunta etapa são os seguintes arquivos eletrônicos:
— arquivo em .PDF da capa do livro, contendo capa, lombada, quarta capa, e orelhas, com sangria e marcas de cortes e dobras;
— arquivo em .PDF da capa do livro, contendo os elementos para impressão do verniz (se for o caso) com sangria e marcas de cortes;
— arquivo em .PDF do miolo do livro, contendo todas as páginas internas do livro, com sangria e marcas de cortes;



ETAPA 3 - Impressão e Acabamento
• Fotolitos, impressão e acabamentos (gráfica)
• Embalagem e entrega no endereço do cliente

Essas tarefas são de responsabilidade da gráfica contratada. Trata-se de um processo industrial que exige um fornecedor de serviços de qualidade, com prazos e preços negociados caso a caso.

Definições importantes para obter o orçamento da gráfica
⊗ Tamanho do livro (ex: 210 x 285 mm)
⊗ Quantidade de páginas do miolo.
⊗ Tipo da capa (capa dura, papel cartão 250g/m²...)
   Se for capa dura, não tem orelhas;
   Se for papel cartão, informar as dimensões da orelha (o normal seria 90 mm);
⊗ Informar se haverá verniz localizado na capa (eu recomendo)
⊗ Tipo de papel do miolo
   Exemplo 1: "Couchê Fosco 80g/m²". Exemplo 2: "Polen Bold 90g/m²"
⊗ Cores da capa.
   Geralmente, 4x1 — significa quatro cores num lado e nenhuma impressão no verso;
⊗ Cores no miolo:
   1x1 — significa impressão em uma cor nos dois lados de cada folha do miolo;
   4x4 — significa impressão colorida nos dois lados de cada folha do miolo;
   2x2 — significa impressão em duas cores nos dois lados de cada folha do miolo;
   Existe ainda a possibilidade de o miolo ser misto - a maioria das páginas ser preto e branco (1x1) e algumas páginas (por exemplo, o caderno central) ser impresso em cores (4x4);
⊗ Acabamento do livro
   (normalmente é costurado, prensado e com corte);
⊗ Quantidade de exemplares da primeira edição.

O produto final desta terceira etapa são as caixas com os livros impressos, entregues no endereço determinado pela negociação.



ETAPA 4 - Lançamento e distribuição
• Promoção do livro na imprensa
• Promoção do livro na internet
• Divulgação do lançamento
• Organização do evento de lançamento
• Distribuição dos exemplares (livrarias físicas ou virtuais)

Essas tarefas são cruciais para o sucesso do livro e requer uma pessoa ou empresa especializada para a sua execução.

Se o livro não for promovido adequadamente, por mais interessante que seja, pode simplesmente engrossar as estatísticas de livros que não vendem mais do que 25% da primeira edição.

Geralmente o lançamento do livro exige a presença e envolvimento do autor e de seus amigos, para que o produto final obtenha a repercussão desejada na mídia, na internet e, em última análise, no mercado.







A OitoNoveTrês Editora atua no mercado editorial desde 1999 e disponibiliza aos autores a prestação dos serviços correspondentes às etapas 2 e 3.
Faça um contato, através do e-mail editora@oitonovetres.com.br ou pelo Whatsapp (47) 99204-4903.



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PADILHA, Ênio. 2019

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04/04/2019

ACREDITE!

(Publicado em 06/11/2015)



EREA é o Encontro Regional de Estudantes de Arquitetura. São realizados no Brasil inteiro, todos os anos, como eventos preparatórios para o ENEA, que é o Encontro Nacional. A moçada curte muito esses eventos. E todos os anos há uma certa curiosidade para saber onde será o próximo.

Ano passado a definição da sede do Encontro da Região Norte do Brasil para 2015 causou um certo frisson: a cidade escolhida foi Rio Branco, a capital do Acre. O burburinho era intenso: "Como assim? EREA no Acre? Todo mundo sabe que o Acre não existe!"

A rapaziada da Comorg (Comissão Organizadora) do EREA Acre entrou na brincadeira e, com muito espírito esportivo criou a campanha ACREdite! para divulgar o evento. Tá fazendo o maior sucesso no Brasil inteiro. É o EREA dos sonhos de todos os estudantes de Arquitetura do país.

A brincadeira com os acrianos existe há muito tempo. Trata-se de insistir e tentar provar que o Acre não existe. Tem muitos sites na internet que tratam disso. De um deles tirei o divertido texto abaixo:

PROVAS DE QUE O ACRE NÃO EXISTE:
Você nunca foi ao Acre;
Você nunca conheceu, nem conhece ninguém que tenha nascido no Acre;
Você não conhece ninguém que tenha ido no Acre;
Mesmo indo, ninguém NUNCA voltou do Acre;
Você não sabe qual é a capital do Acre;
Se você for culto o suficiente para saber qual a capital do Acre, não sabe o nome de qualquer outra cidade;
Você não sabe quem é o governador do Acre;
O Jornal Nacional nunca mostra a previsão do tempo para o Acre;
Você nunca ouviu falar de comidas típicas, pessoas, festas, políticos e time de futebol acrianos;
O Corinthians tem um estádio no Acre e joga na primeira divisão Acriana;
A Globo lançou uma mini-série sobre o Acre, mas esta foi gravada no Amazonas e em parte no Rio de Janeiro;
No Acre se cria os supostos Chesters;
Anões quando morrem vão para o Acre;
O comercial de Jamel não cita o Acre;
Você perdeu uma caneta e nunca mais a encontrou? Ela foi pro Acre!
Sabe o pote de ouro no fim do arco-íris que ninguém nunca encontrou? É porque o fim do arco-íris é no Acre. E se alguém, por um acaso, já chegou no pote, não conseguiu voltar porque virou Duende;
Aqueles clips que todo mundo um dia perde, sabe o acontece? Eles viram duendes no Acre para cuidar do pote de ouro!
Sempre que alguém tira onda/xinga/zua/caçoa do Acre, nunca aparece nenhum acriano para defender;
Elvis não morreu! apenas retornou pro Acre.


ACREDITE. O ACRE EXISTE, SIM SENHOR
Eu mesmo já estive lá algumas vezes (e estarei em Rio Branco neste fim de semana, 06 e 07/11/2015, para a apresentação do curso ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA, evento da OitoNoveTrês Produções e do Escritório UrbemRB). Posso confirmar: o Acre não só existe como é um lugar muito bacana e habitado por pessoas sensacionais.

E não é verdade que não existem pessoas famosas e importantes que tenham vindo do Acre. A ex-ministra e candidata à presidência da república Marina Silva, o ecologista Xico Mendes, o jornalista Armando Nogueira e o escritor Marcio Sousa são apenas alguns bons exemplos.

No Acre tem o Mapinguari, o Gogó de Sola, a Santa Raimunda, a Rasga-Mortalha e o Cipó Hoasca, entre outras lendas e curiosidades impressionantes.

Apesar de ser o território mais recentemente incorporado ao Brasil, já está conosco há mais de 110 anos. Pertencia originalmente à Bolívia, mas como foi ocupado por brasileiros, na época da exploração da borracha, foi objeto de uma disputa que, embora tenha tido embates militares, acabou mesmo se resolvendo no campo da diplomacia, liderada pelo Barão de Rio Branco, ministro do exterior do então presidente Rodrigues Alves, em 1903.

Mas o território só veio a ter autonomia como estado da federação em 15 de junho de 1962, com a promulgação da a lei 4.070, pelo presidente João Goulart.

Resumindo: o Acre existe, e, ACREdite, vale muito a pena conhecê-lo.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br


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