Notas de "EDUCAÇÃO"

13/02/2020

ENTREVISTA DE BEARD À BBC NEWS MUNDO - ENSINAR SERÁ O MAIOR TRABALHO DO SÉCULO
Alejandro Millán Valencia

(Publicado em 14/02/2020)


 

"A criatividade, a capacidade de resolver problemas e a importância dos professores são os grandes desafios das escolas. E tudo isso em meio à grande incógnita de como lidar com novas tecnologias e inteligência artificial", diz Beard em entrevista que concedeu à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, durante o Hay Festival, em Cartagena, na Colômbia. Veja a entrevista


 

Para obter mais informações visite educacao.uol

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15/10/2018

PROFESSOR. É O QUE EU SOU.

(Publicado em 14/10/2012)



Eu decidi que seria professor quando tinha 14 anos. Minha inspiração foi uma professora de matemática, Dona Valburga (Escola Estadual Roberto Machado, Rio do Sul - SC, 1974). Ela dava aula de um jeito tão especial e tinha uma didática tão perfeita que eu decidi que queria ser assim, capaz de ensinar coisas para quem não sabe. Ela não era uma professora boazinha. Não era uma professora super querida. Mas era honesta com os alunos. E sabia ensinar. Isso, para mim, era muito importante.





Doze anos depois (em 1986) me formei engenheiro. Trabalhei no campo, fazendo projetos, acompanhando obras... e, eventualmente, dava palestras e cursos. Não era a minha atividade principal. Mas era, com certeza, o que eu mais gostava de fazer.

Em 1998, por conta de um conjunto de circunstâncias muito positivas, pude passar a me dedicar exclusivamente às palestras e cursos. Mas ainda faltava alguma coisa pra eu ser um "professor de verdade". Quando terminei o mestrado, em 2007 realizei, finalmente, o meu sonho. Ser professor em cursos regulares. Em sala de aula.
Hoje posso dizer que atuo profissionalmente na atividade que me dá o maior prazer: dar aulas.

Quando estou numa sala de aula, diante da turma, sinto-me plenamente realizado. Uma aula boa é, sem dúvida, uma das sensações mais agradáveis da vida. Eu adoro ser professor!

Mas sou professor de adultos. É importante dizer isso, pois eu ainda acho que existe uma categoria de professores num degrau acima (nunca chegarei a tanto): os professores de crianças e adolescentes. Esses sim, são especiais e precisam ter qualidades e habilidades superiores, pois eles, além de saber ensinar, precisam criar nos alunos a vontade de aprender.

Como professor de gente crescida, não tenho essa dificuldade. Quem entra na minha sala de aula (cursos promovidos por entidades de classe ou aulas em cursos de pós-graduação) está ali por vontade própria. Já tem (ou deveria ter) a vontade de aprender. Posso então me dar a certos direitos. Posso me dar ao luxo de apenas ensinar. E sustentar meu trabalho naquelas qualidades que eu admirava na professora Valburga: ser honesto com os meus alunos e saber ensinar.

Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes"

Não sou Educador. Quem tem de ser educador é o pai e a mãe e não o professor. Professor tem de ensinar. Não pode se afastar dessa responsabilidade. Quando minhas filhas eram pequenas eu fui educador. Felizmente deu certo. Elas são muito bem educadas. Quanto aos meus alunos, eu espero que eles já tenham recebido uma boa educação. E, se não receberam, não há mais nada que eu possa fazer.

Também não sou facilitador de nada. Não sou mediador de coisa alguma. E nem sou animador de platéias.

Sou professor. Adoro ser professor. Não tenho medo de ensinar e assumo como minha a responsabilidade de transmitir (e estimular o desejo de obter mais) conhecimento. Não me sinto obrigado a ensinar quem não quer aprender. Não assumo como minha a responsabilidade de fazer com que o indivíduo queira aprender. Isso é problema dele. Mas se ele quiser aprender, aí sim, o problema é meu: tenho a obrigação de ensinar. E de encontrar meios para que ele aprenda.

Tenho a obrigação de dar uma aula agradável, mas não tenho a obrigação de manter os alunos intelectualmente confortáveis. Não tenho medo de dizer as coisas com as quais os alunos não concordam. Não posso chover no molhado. Tenho a obrigação de tirar o aluno do conforto psicológico. Fazê-lo questionar suas crenças estabelecidas. Duvidar do que eu digo, duvidar do que ele próprio pensa, duvidar de tudo.

Quando, em sala de aula, um aluno discorda do que eu estou dizendo, não me sinto desconfortável. Pelo contrário. Isso me desafia. Me dá a oportunidade de mostrar se, afinal, eu sou ou não um bom professor. Melhor ainda se eu percebo interesse verdadeiro do aluno pelo tema. Isso é terreno fértil para o ensino. Cabe a mim ter a habilidade de conduzir os argumentos para transformar o conhecimento do aluno e permitir nele a mudança de paradigmas.

Acredito que um bom professor não é, necessariamente, aquele que sabe muito mais do que o aluno. Mas aquele que consegue entender perfeitamente o que está dificultando o acesso do aluno ao argumento correto. Ou seja, o que é que está cegando o aluno para aquele conhecimento.

Não faço dinâmicas de grupo. Não faço dancinhas, não faço joguinhos, não conto piadas... Não estou na sala de aula para distrair nem para divertir ninguém. Quem quer se divertir deve ir a um teatro, um circo, um show ou a um Estádio. Sala de aula é o lugar de outra coisa. Essas atividades, aliás, na minha opinião, são muito importantes para crianças, adolescentes e adultos sem amadurecimento intelectual.

Não quero perder meu tempo desenvolvendo habilidades de entretenimento enquanto poderia estar desenvolvendo capacidade de argumentação e persuasão. Como Professor não posso ter medo das minhas convicções. Devo surpreender o aluno com conhecimentos novos, aprofundados e com quebra constante de modelos mentais.

Acredito que o aluno espera aprender alguma coisa com o professor. E fico feliz em fazer isso





Leia também o artigo O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU




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PADILHA, Ênio. 2012

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09/06/2017

ARQUITETURA, ENGENHARIA E A EDUCAÇÃO DE BASE NO BRASIL



Você é candidato à presidência do Confea? de algum dos Creas? do CAU no seu estado? do CAU-BR?

Então você deve saber que terá muitas questões importantes que precisa conhecer e para as quais deve ter propostas inteligentes, criativas, eficientes e, acima de tudo, exequíveis: a Engenharia e a Arquitetura públicas, as questões ambientais, as políticas públicas nacionais, as instituições de ensino, as entidades de classe, as relações internacionais... enfim, muitas coisas importantes.

Mas há uma questão que sempre me pareceu central e que nunca foi abraçada devidamente pela nossas categorias: A EDUCAÇÃO DE BASE.




TRÊS MINUTOS - Ano 18 - Número 405 (Ênio Padilha, 09/06/2017)



(Este artigo foi publicado no site www.eniopadilha.com.br em 23/01/2011)



Tanto engenheiros quanto arquitetos vivem num mundo profissional onde impera um paradoxo absurdo: eles são responsáveis pelo planejamento e projeto de obras, instalações e outros produtos que utilizam altos conhecimentos da ciência e da tecnologia. Esses projetos, que exigem tanto conhecimento técnico e científico são, depois, executados (na maioria das vezes) por pessoas funcionalmente analfabetas! Gente sem conhecimentos (rudimentares que sejam) de Matemática, Física, Química, Biologia, Inglês, Informática, Economia, Administração... Como pode? Como faz?

Em nenhuma outra atividade de nível superior, no Brasil, existe uma disparidade dessa natureza. Na área da saúde, por exemplo, os médicos e dentistas comandam equipes de trabalho nas quais os menos qualificados geralmente têm ensino médio completo, no mínimo.

A Construção Civil, por outro lado, abriga ainda um contingente assustador de pessoas sem formação nenhuma. Gente que não sabe extrair uma raiz quadrada, calcular a área de um triângulo, ler um manual de instruções, descrever corretamente um problema...

A essas pessoas são entregues os projetos elaborados pelos Engenheiros e pelos Arquitetos. É nesse tipo de executor que engenheiros e arquitetos depositam (são obrigados a depositar) suas esperanças de ver seus conhecimentos realizados. Não tem perigo de dar certo!

Nós precisamos enfrentar este problema de frente. Se a falta de conhecimento científico da nossa população nos afeta tão profundamente, se o despreparo das pessoas que vão parar na Construção Civil compromete a qualidade dos nossos trabalhos, se muito das nossas soluções de projeto, obtidas como resultado de anos e anos de estudos e pesquisa se perdem na obra porque o executor não sabe ler direito... a solução é arregaçar as mangas e parar de ficar acreditando em Papai Noel. Parar de acreditar que um dia, do nada, o problema vai se resolver como num passe de mágica. Não vai!

O Confea, os Creas, o CAU em cada estado e o CAU-BR precisam abraçar essa causa e tê-la como importante e urgente.

O nosso presente precisa ser influenciado pelo nosso futuro. A engenheira Elaine Marcial nos ensina que "o futuro deixa pegadas no presente". Isso significa que o futuro não é tão incerto, como dizem muitos. E os engenheiros e arquitetos sabem disso, pois vivem de antever e forjar o futuro. O futuro é uma de nossas matérias primas. Nosso objeto de estudo e trabalho. Afinal, o que é um projeto técnico senão uma maneira que o homem inventou para criar as condições para o futuro desejado?

Esse senso e essa habilidade de lidar com o futuro (próprios de arquitetos e de engenheiros) precisam ser utilizados também para abraçar e promover ações efetivas de estímulo e de motivação para a educação de base no país.

O que podemos fazer? Não é pouco! Podemos, por exemplo, criar, em cada município, programas especiais de ensino científico nas escolas, estimulando e promovendo Feiras de Ciências, palestras nas escolas e passeios culturais de caráter científicos.

Podemos patrocinar e promover de forma efetiva as Olimpíada de Matemática, Jogos Científicos e outras atividades que promovam entre os pequenos o gosto pela Matemática, pela Física, pela Quimica... pelas ciências, enfim.

Podemos agir, de forma insistente e determinada, sobre os governos municipais, estaduais e federal, no sentido de investir e valorizar as escolas e professores do ensino fundamental. Não apenas nos discursos. Mas nas práticas e nos aportes de recursos.

Nosso jovem, na faixa de 15, 17 anos, pode até se sentir um pouco constrangido se não conhece os artistas da hora; pode até não se sentir confortável por não entender ou falar Inglês... mas, quando o assunto é Física, Matemática, Química... parece que sente até um certo orgulho de dizer que não entende nada!
Nossa sociedade vê com a maior naturalidade (e indulgência) a ignorância científica e tecnológica. Isso é um absurdo!

Penso que Engenheiros e Arquitetos (e suas instituições representativas) precisam agir EFETIVAMENTE no sentido de acabar com esse estado de coisa. É bom para essa geração de crianças e jovens. É bom para o país. É muito bom para os próprios Engenheiros e Arquitetos que estarão ajudando a construir, de forma indireta, melhores condições para o seu próprio trabalho e maiores possibilidades de verem seus projetos efetivamente realizados no campo, com obras, instalações e outros produtos com toda a qualidade que a ciência e a tecnologia permitiu planejar e projetar.

Quanto a você, colega engenheiro ou arquiteto: antes de escolher seu candidato, veja o que ele tem a dizer sobre Educação de Base no Brasil.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




A imagem que ilustra este artigo (no topo) foi retirada da capa do livro Os desafios de ensino da matemática na educação básica






Artigos e ensaios sobre a Valorização Profissional de Engenheiros e Arquitetos

ÊNIO PADILHA
2ª ed. 2014 (IMPORTANTE: na 1ª edição o título deste livro era LER E ESCREVER)
108 páginas
ISBN: 978-85-62689-53-6 - OitoNoveTrês Editora
Apresentação de Maristela Macedo Poleza (Arquiteta)
Prefácio de Sebastião Lauro Nau (Engenheiro)

Clique AQUI e leia as primeiras páginas do livro

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23/09/2016

INGLÊS PARA INGLES VER

(Publicado em 06/05/2000)



Ouço um ti-ti-ti que dá como certo que a Secretaria de Educação vai tomar uma atitude séria sobre a questão do ensino de inglês nas escolas públicas de Santa Catarina.

É o seguinte: ao terminar o ensino médio o aluno conclui SETE ANOS de aulas de inglês. Sete anos de investimento do dinheiro público em espaço físico, salário de professores, livros didáticos, etc... E, como sabemos, 99 % dos alunos que concluem o ensino médio na rede pública não consegue pedir um copo d’água em inglês. Não consegue ler nem mesmo um anúncio de revista. Muito menos, escrever um pequeno bilhete.

Em resumo, depois de estudar inglês por sete anos, o aluno não sabe absolutamente nada de inglês. Ou seja: sete anos de dinheiro público jogado no lixo. Uma coisa absurda, que nenhum governo sério pode passar por perto sem prestar atenção.

Um absurdo maior ainda quando se sabe que, em algumas escolas particulares de inglês, com apenas duas aulas por semana, a pessoa aprende a falar, ler e escrever, com razoável fluência, em menos de um ano.

Cabeças poderão rolar. Fala-se inclusive em excluir essa disciplina do currículo, caso este quadro não apresente modificações relevantes. Isto significaria demissão de professores, desativação de salas especiais (laboratórios) e estancamento dessa sangria inútil no bolso dos contribuintes.

Eu, sinceramente, não acredito que se chegue a uma solução tão extrema como esta, principalmente levando-se em conta a real importância do conhecimento de Inglês para o sucesso pessoal e profissional do cidadão em um mundo cada vez mais sem fronteiras.

Mas não deixa de ser importante esta discussão. Afinal, como se diz por aí “dinheiro público não cresce em árvores” e não pode ser usado para financiar atividades que não produzem resultados.

Porém, os professores de inglês, com alguma razão, não irão aceitar, sem reação nenhuma, toda a culpa pelo problema. Haverão de apontar outras causas que contribuem para este fracasso.

Não será possível colocá-los contra a parede nem levá-los para a guilhotina, sem lançar olhares e perguntas para os professores de outras matérias como português, matemática, história, biologia, física, química...

E, quando as luzes forem apontadas para essas disciplinas veremos se os alunos, ao final do ensino médio sabem mesmo escrever corretamente, desenvolveram o hábito da leitura, dominam os rudimentos da matemática, conhecem as leis da física e da química...

Talvez os conhecimentos dessas matérias sejam proporcionais ao conhecimento de Inglês. Apenas a coisa não aparece tanto porque é mais fácil mascarar a ignorância desses assuntos.

Ao contrário do inglês, que está presente no dia-a-dia de todas as pessoas (na informática, nas propagandas, nos termos técnicos em geral...), a física, a química, biologia, história, geografia e até mesmo o português não são tão cobrados no dia-a-dia. Não existe, na sociedade, uma expectativa de performance para o jovem que tenha concluído o ensino médio.

Este assunto precisa, sim, ser discutido amplamente por todos nós. Sem desculpas esfarrapadas, sem saídas pela tangente, sem jogar a culpa na outra parte. As partes (alunos, professores, governo, sociedade...) precisam chegar a um acordo e definir qual é a qualificação (e não apenas a habilitação) desejada para o CIDADÃO que sai da escola pela porta da frente, com um certificado de conclusão do ensino médio.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2000 ---Educação

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31/03/2016

COMO ESTIMULAR O ENSINO DE MATEMÁTICA
NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

 

Comentário do Ênio Padilha

Isso aí já é efeito da maior oferta de empregos e oportunidades profissionais para os Engenheiros.
Mas o aumento da procura por cursos de Engenharia (na verdade, cursos da área tecnológica) deveria ser objetivo estratégico do Sistema Confea/Crea

Penso que seria interessante propor seminários em todos os estados para que propostas nesse sentido fossem apresentadas e discutidas.

Evidentemente devem ser consideradas as condicionantes (verbas e outros recursos disponíveis) mas as propostas deveriam começar a ser implementadas IMEDIATAMENTE.

Três propostas eu já apresentei aqui, nas últimas semanas:

(1) Que tal o sistema Confea/Crea patrocinar e promo"ver de forma efetiva as Olimpíadas de Matemática, Jogos Científicos e outras atividades que promovam entre os pequenos o gosto pela Matemática, pela Física, pela Quimica... pelas ciências, enfim?

(2) Que tal criar um prêmio anual para os melhores Professores de Matemática e Física do Ensino Fundamental e Médio?

(3) Que tal um prêmio (e uma medalha) para os alunos com melhores notas em Matemática e Física no ENEM?

Posso estar delirando, mas tenho a impressão de que isto não é tão complicado assim. E teria algum efeito, com certeza!

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15/10/2015

O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU

(Publicado em 14/10/2014)



Neste 15 de outubro comemoramos O DIA DO PROFESSOR. Em 2012 eu publiquei AQUI um artigo contando por que me tornei professor e sobre ser professor em cursos de pós graduação.

Neste ano eu gostaria de falar do tipo de professor que eu quero e procuro ser. E, principalmente, do tipo de professor que eu não sou nem quero ser.

Eu NÃO QUERO SER um professor no qual o aluno NÃO POSSA confiar plenamente.
Professor precisa ter credibilidade absoluta. Não é tão difícil. A receita é simples: estudar muito antes de produzir uma aula. Não adianta estudar o bastante para conhecer o conteúdo. Tem de ir além. Precisa identificar o senso comum sobre o que ele ensina porque esse é o ponto de partida da sua aula. O aluno sempre sabe alguma coisa sobre o assunto. Esse conhecimento, muitas vezes, pode ser equivocado. Então, antes de ensinar o seu conteúdo, o professor precisa desconstruir a convicção equivocada que o aluno tem. E está tarefa nem sempre é fácil. O professor precisa ter credibilidade intelectual. Precisa mostrar que conhece bem a literatura e todas as vertentes da discussão. Precisa mostrar que entende de onde vem a noção (eventualmente errada) que o aluno tem.

Eu não sou um professor engraçado. Não tenho esse dom. E admiro, de verdade, os professores que possuem uma veia humorística, que são naturalmente engraçados, que constroem bordões, que produzem gags e que utilizam isso como recurso didático. Acho o máximo.
Mas morro de pena dos professores que são "sem graça" e que forçam a barra tentando ser engraçadinhos. É patético. Eu fujo disso como o Diabo foge da cruz! Sou "sem graça" mas não sou "sem noção".
Procuro compensar a minha falta de graça com alguns recursos de oratória. Um vocabulário rico, uma gesticulação agradável, um discurso ilustrado, exemplos bem construídos...
Não pensem que é fácil. Seria muito mais tranquilo se eu fosse engraçado.

Não sou o tipo de professor que faz colagem (sem citar as fontes) de conteúdos de cursos ou palestras que tenha assistido. E vende o produto resultante como se fosse criação sua. Isso é muito triste.
Nem sempre é preciso reinventar a roda. Se uma determinada questão já foi muito bem explicada por alguém, o que é que custa usar a mesma abordagem, a mesma explicação, e dar o crédito ao autor, professor ou palestrante? Eu faço isso o tempo todo. Nas minhas aulas sempre tem um flip chart que fica num canto da sala. Cada vez que eu utilizo uma explicação tirada de algum autor ou de um outro colega professor ou palestrante o nome dele vai para o quadro. Assim, no final da aula, os alunos sabem que o conhecimento que receberam não veio só de mim (da minha cabeça) mas também de todos aqueles quer estão naquela lista.

Não sou o tipo de professor preguiçoso, que usa imagens capturadas da internet, piadinhas tiradas de blogs humorísticos ou de autoajuda e vídeos do YouTube (geralmente filmes de propaganda de alguma organização ou produto).
Tento produzir as minhas próprias imagens, meus próprios diagramas e infográficos. E os vídeos que eu utilizo nas minhas aulas são todos produzidos por mim.
Podem não ser grande coisa (os meus vídeos e os meus infográficos). Mas aí faço minhas as palavras do poeta francês Edmond Rostand que, na pele do personagem Cyrano de Bergerac diz, a certa altura, "seja do teu pomar, teu próprio, o que tu colhas. Embora fruto, flor ou, simplesmente, folhas"

Os professores que utilizam está prática preguiçosa de copiar tudo da internet apostam na ignorância dos alunos. Eles sabem que mais de metade da turma nunca viu aquilo antes. Nivelam por baixo a qualidade de suas aulas. Eu, pelo contrário, procuro dar aula no nível do aluno mais culto e preparado da sala. Se eu utilizasse uma dessas coisas e um único aluno reconhecesse que aquilo não era original, eu não me sentiria confortável como professor.

Não sou o tipo de professor que divide o conteúdo em trabalhos de grupos e depois os grupos apresentam os conteúdos em seminários. Acho que essa prática até pode funcionar em cursos de graduação, onde o número de horas aula é maior para cada disciplina. Em cursos de pós graduação, com conteúdos enormes espremidos em cargas horárias reduzidas, esse artifício geralmente penaliza os alunos, que pagam para ter aula com um professor e acabam fazendo todo o trabalho e recebendo aula dos seus colegas. Na maioria das vezes essas "aulas" (dadas pelos próprios alunos) são muito ruins. E seria muito estranho se não fossem.

Por fim, não sou o tipo de professor que faz Dinâmicas de Grupo. Considero esse recurso didático desnecessário para públicos intelectualmente maduros. Dinâmicas de grupo são essenciais no ensino fundamental. São interessantes no ensino médio. Aceitáveis na graduação... Mas em cursos de pós graduação (especialmente em turmas de arquitetos, engenheiros e designers) é o fim da picada! Geralmente é um desperdício de tempo, pois serve apenas para fixar algum conceito.
Pessoas intelectualmente maduras (gente que já consegue ler livros sem figurinhas) conseguem entender um conceito se ele for bem explicado e tiver um bom exemplo ou ilustração. Eu não faço dinâmicas de grupo principalmente porque respeito a inteligência dos meus alunos.

Conclusão:
Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes". Portanto, não sou Educador, não sou Facilitador de coisa alguma e nem sou animador de plateia. Sou, simplesmente, professor.

E tenho orgulho de ser professor. De poder ensinar o que aprendi. E de aprender mais enquanto ensino.
Só isso.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



Leia também o artigo PROFESSOR. É O QUE EU SOU



---Artigo2014 ---Educação


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16/01/2014

O QUE ACONTECEU COM A GAMA FILHO?

(Publicado em 16/01/2014)



Em 1981 eu estudava Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela época havia uma tradição (deve haver ainda) de se realizar um evento chamado "Aula Magna", que consistia de uma palestra especial com alguém respeitável e renomado, para iniciar o ano letivo.

Pois em 1981 a Aula Magna da UFSC foi feita por um professor da Universidade Gama Filho (que, aliás, trouxe um magnifico grupo de dança folclórica que realizou uma apresentação espetacular).

A Universidade Gama Filho era uma instituição respeitável. Tinha uma equipe de atletismo de qualidade internacional. Tinha pesquisadores de ponta, e, o que é mais importante: formava profissionais de primeira linha.

O que aconteceu nesses trinta anos? O que levou a Gama Filho a se perder a ponto de se transformar na sucata que existe hoje? Qual foi o link perdido? Qual foi o momento da história do Brasil que a Gama Filho não conseguiu superar?

Terá sido a turbulência econômica que se estabeleceu no Brasil no início dos anos 1980 e só foi contida em 1992, com o fim da inflação?

Terá sido a entrada em cena das novas tecnologias de comunicação? O Telefone Celular? a Internet? Os controles por computador? as Redes de Informática?

Terá sido a administração (ou a falta dela)?

Terá sido a concorrência de outras Universidades melhor estruturadas?

Terá sido a concorrência (desleal) de outras Universidades menos fiscalizadas pelo MEC e com poder de convencimento para enganar os potenciais alunos?

Terá sido a fúria mercantilista que tomou conta do ensino superior no Brasil (e que já está se apoderando do ensino de pós-graduação também)?

O que aconteceu com a Gama Filho?



---Artigo2014

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05/03/2013

VÍDEO: DISCURSO AOS ENGENHEIROS RECÉM-FORMADOS



Discurso do Engenheiro Ênio Padilha como Paraninfo da turma de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina, em 01/03/2013

(imagens fornecidas pelo Departamento de Cultura e Eventos da UFSC)

Leia aqui o DISCURSO AOS ENGENHEIROS RECÉM-FORMADOS (Ênio Padilha, Paraninfo)


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