Notas de "EDUCAÇÃO"

27/03/2020

UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA

(Publicado em 27/03/2020)


 

Professores e estudantes de Engenharia Mecânica da Uniavan (aqui de Balneário Camboriú) estiveram envolvidos numa corrida para desenvolver e produzir uma Mascara 3D para proteção das equipes médicas que tratam os pacientes da Covid19.

Prof. Julio Cesar Berndsen, coordenador do curso de Engenharia Mecânica Uniavan e o acadêmico Andrei Bender foram os principais responsáveis pelo projeto que contou também com a participação da professora Sabrina Weiss Sties coordenadora do curso de fisioterapia.

O protótipo ficou pronto ontem (foto) e deverão ser produzidas mais de 500 peças.

Parabéns aos envolvidos.

O professor Júlio, além de coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Uniavan, é um dos mais brilhantes palestrantes da OitoNoveTrês. Estamos, portanto, muito orgulhosos do seu trabalho.


 

Para obter mais informações visite UNIAVAN



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26/03/2020

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR



(Publicado em 26/03/2020)



Meus programas favoritos na TV são, sem dúvida, os programas de entrevistas. Especialmente programas em que o entrevistado precisa interagir com dois ou mais entrevistadores, como o Roda Viva, da TV Cultura ou o Segunda Chamada do canal MyNews.

Esses programas têm sido, nessas últimas semanas, demonstrações de que algumas atividades perdem muita qualidade se não forem realizadas presencialmente.

No momento, por razões óbvias, entrevistados (e, eventualmente, entrevistadores) fazem as suas participações a partir de suas casas (ou estúdios remotos). Aí, a falta do contato visual e dos pequenos gestos da comunicação não-verbal entre os envolvidos resulta em problemas na fluidez da conversa, comprometendo, em grande medida, a qualidade do produto final.




O rádio, o cinema e os livros impressos são exemplos de produtos que já tiveram a morte anunciada nas últimas décadas. Agora a educação presencial parece ter entrado para o clube. Mas não é tão simples (e nem tão rápido).

Eu publiquei aqui, na semana passada, o artigo O EAD SERÁ FORTALECIDO NESTA CRISE, no qual eu destaquei as razões pelas quais o EAD será uma modalidade de ensino cada vez mais considerada, em todos os níveis (do ensino fundamental à pós graduação e a formação continuada de profissionais). Mas é justo que se dê a César o que é de César: a modalidade presencial tem qualidades insubstituíveis e insuperáveis.

Encontros, Fóruns, Congressos, simpósios, aulas, palestras e cursos presenciais não serão extintos pela onda devastadora do EAD (ou TAD, Tudo a Distância).

No nosso Protocolo 89, por exemplo, temos 27 reuniões programadas: 26 realizadas pela internet (Skype, Zoom, Meet Google, FaceTime...) e uma reunião presencial de um dia inteiro, na sede do contratante. É nesta reunião presencial que eu posso entender melhor o escritório, conhecer as instalações da empresa, a vizinhança, o clima de trabalho, a iluminação, a temperatura, os ruídos de fundo, as áreas de apoio, o cafezinho, a água fresca.

Todo o meu trabalho, as minhas análises e recomendações para o contratado nos meses seguintes seriam prejudicados sem essas informações cruciais colhidas nessa reunião presencial.

Nos cursos de graduação, por exemplo, a interação humana que o estudante consegue ter na modalidade presencial não tem paralelo possível na modalidade EAD. Especialmente se o curso presencial for numa Universidade, onde o estudante estabelecerá relacionamentos e vínculos com os colegas de classe, com colegas de outros cursos professores, empregados da instituição e interagir com todo o ambiente artístico, intelectual e lúdico da universidade. Isso é essencial na construção da personalidade de jovens de 17 a 23 anos. Nesse campo, os cursos presenciais são imbatíveis em termos de resultados.

Essa era a principal razão pela qual eu fui, durante muitos anos, absolutamente contrário à disseminação do EAD nos cursos de graduação. E ainda acho que, tanto quanto possível, deve-se evitar o EAD na graduação, especialmente para não privar os jovens dessa interação social e desse universo de possibilidades que a passagem por uma universidade presencial oferece.

Eu participo, todos os anos, de alguns congressos online. Muitos oferecem conteúdo de qualidade, sem dúvida. Excelentes palestrantes, com ótimos temas, muito bem explorados. Porém, do ponto de vista emocional, esses congressos não atingem nenhum objetivo. Não restam lembranças. Não existe o salão do cafezinho, as conversas de corredor, o convite de um amigo para um almoço e a oportunidade de colocar os assuntos em dia. Definitivamente, não participo desses congressos com o mesmo prazer com que desfruto os congressos presenciais.

Enfim, o EAD é, como já foi dito antes, uma modalidade de ensino com muitas utilidades e que consegue substituir plenamente muitas coisas que durante muito tempo só foi realizado de forma presencial. Mas ainda existem territórios nos quais o presencial é imbatível. Convém não perder isso de vista.




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PADILHA, Ênio. 2020



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22/03/2020

O EAD SERÁ FORTALECIDO NESTA CRISE



(Publicado em 22/03/2020)



Nem todas as indústrias* terão prejuízos com esta crise.
Todos terão algum nível de perdas, mas indústria da saúde, por exemplo, não deverá sofrer impactos econômicos significativos, embora casos isolados de prejuízos possam ser identificados. Não imagino o dono de uma clínica médica preocupado com o futuro do seu negócio como o dono de um hotel ou de uma empresa de eventos. A indústria farmacêutica (especialmente a produção de remédios) também não sofrerá danos (exceto, claro, os problemas de produção, derivados da falta eventual de mão de obra).

Outra área que terá um resultado muito positivo com esta crise (especialmente no ponto de vista de valor das marcas ou prestígio do conceito) é a de Educação a Distância — EAD.




Eu já fui contra muitas formas de ensino a distância, especialmente quando se tratava de graduação e pós graduação. Aí, em 2013, tive a oportunidade de ler o livro OS TORTUOSOS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA - PONTOS DE VISTA IMPOPULARES do brilhante pensador brasileiro da educação Cláudio de Moura Castro (nunca entendi porque ele nunca foi Ministro da Educação, mas isso é assunto para outro artigo). Escrevi AQUI uma resenha para o livro.

Depois de ler o livro mudei radicalmente de ideia. E fui evoluindo o entendimento do assunto até me tornar um defensor desta forma de ensino em todos os níveis da educação (da pré-escola ao Doutorado, passando pelos cursos de formação profissional continuada).

A transição, afinal, não foi tão complicada, uma vez que, desde 1999, eu já estava envolvido, de alguma forma, com o EAD.

O primeiro curso via internet destinado a engenheiros e arquitetos, no Brasil, foi o meu curso de MARKETING PARA ENGENHARIA E ARQUITETURA que teve duas turmas (mais de 200 alunos) no Crea-MG em 1999 e uma turma (50 alunos) no ano 2000, no Crea-RS.

Tudo isso aconteceu há mais de 20 anos, num tempo em que a discussão do sistema EAD estava longe de ser um assunto "da hora".




Enfim, passei para o outro lado da trincheira e passei a ter de enfrentar os argumentos dos que (como eu era) são contra a aplicação do Ensino a Distância.

O objetivo deste artigo não é argumentar a favor do EAD, nem desfiar o rosário de virtudes que as múltiplos ferramentas de EAD têm. A questão aqui é outra: mostrar que o EAD sairá desta tempestade muito mais forte do que entrou.

O principal argumento contra o EAD é a crença de que a modalidade (**), simplesmente, não funciona. Essa crença será fortemente bombardeada pela intensa necessidade e livre utilização dos recursos de EAD durante o isolamento social (voluntário ou obrigatório). Muitas coisas importantes irão acontecer e contribuir para o fortalecimento do conceito e das marcas ligadas ao EAD.

(1) O conceito de EAD irá se fortalecer, à medida que as pessoas perceberem que tudo pode ser ensinado e apreendido a distância, com algumas (poucas) exceções. 80% de um curso de Engenharia, por exemplo, poderia ser feito a distância;

(2) A maioria das pessoas nem faz ideia de quantas ferramentas existem para o Ensino a Distância, como, por exemplo, os óculos de realidade virtual 3D, que podem simular com muita qualidade, uma sala de aula normal. Essas coisas serão descobertas por milhões de pessoas durante esse período de recolhimento;

(3) Existem muitos professores, na graduação e na pós graduação, que não utilizam as ferramentas de EAD que as instituições disponibilizam. Agora eles terão de utilizar esses recursos (de maneira forçada) e muitos perceberão a utilidade desse modelo de ensino utilidade;

(4) Muitas ferramentas com deficiências operacionais terão de ser corrigidas com muita rapidez, para garantir os resultados esperados. Haverá uma aceleração no desenvolvimento e aprimoramento desses produtos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro;

(5) Como em todos os momentos de crise, como as guerras e pandemias, muitas soluções inovadoras serão desenvolvidas para incrementar ainda mais essa indústria;

(6) Quem tiver visão estratégica perceberá que, quando a tempestade passar surgirá a tarefa de reconstrução da economia do país. Certamente faltará mão de obra qualificada e faltarão salas de aulas físicas para formar tanta gente. O EAD de qualidade terá um imenso espaço nesse cenário. Será um desafio e tanto para empreendedores. Quem estiver melhor posicionado colherá os melhores resultados.


Assim como muito do trabalho que está agora em home office voltará a ser realizados nas empresas, depois que a crise passar, também muita coisa que será feita por EAD durante a crise voltará ao modo presencial depois da tempestade. Mas... parafraseando Einstein, quando disse que "uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" o avanço e alcance das ações de EAD que ocorrerem durante esta crise estabelecerão um novo patamar de reconhecimento e utilidade para a modalidade.

A coisa não voltará jamais aos níveis anteriores à chegada do novo CoronaVírus no Brasil.




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(*) Indústria, na economia Industrial de Mason e Bain, é definida como o conjunto de empresas que produzem e disponibilizam ao mercado produtos que são substitutos e bastante próximos entre si. Não tem, portanto o sentido normalmente utilizado no Brasil que entende indústria como uma fábrica de bens de consumo ou de produção.



(**) EAD não é um método e sim uma modalidade de entrega dos produtos da indústria da educação (outras duas modalidades reconhecidas são a presencial e a autodidatismo). EAD, portanto, é um conjunto de ferramentas que permitem a educação de forma remota e assíncrona.




Para a composição deste artigo tive o privilégio de receber algumas valiosas contribuições de amigos muito queridos:
ALBERTO COSTA, Consultor de Empresas, de Florianópolis;
FARLLEY DERZE, Doutor em Arquitetura, músico, escritor... multitalentoso, de Brasília-DF
JEAN TOSETTO, Arquiteto e Urbanista, autor de livros (entre eles o ARQUITETO 1.0). De Paulínia-SP
JOANA SEGATTO, arquiteta e Urbanista, professora universitária, de Vitória-ES
LÍGIA FASCIONI, Engenheira Eletricista, Dra. Autora de livros, palestrante, de Florianópolis (atualmente em Berlim, na Alemanha)
MARCOS VALLIM, Engenheiro Eletricista, Dr. Professor universitário e pesquisador. De Londrina-PR;
MAURO FACCIONI, Engenheiro Eletricista, Dr. Professor universitário e coordenador de cursos EAD, pesquisador e autor de livros. De Florianópolis, atualmente em Bristol, Inglaterra;
SEBASTIÃO LAURO NAU, Engenheiro Eletricista, Dr. professor universitário, de Jaraguá do Sul-SC)
SÉRGIO DOS SANTOS, Engenheiro Civil, Dr. professor universitário, autor de livros, de Fortaleza (atualmente em Leeuwarden, na Holanda)





PADILHA, Ênio. 2020





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21/02/2020

CAU MANIFESTA-SE CONTRA AUMENTO DA CARGA HORÁRIA EM EaD EM CURSOS PRESENCIAIS

(Publicado em 21/02/2020)


 

A 32ª Reunião Plenária Ampliada, que reúne conselheiros federais do CAU/BR e presidentes dos CAU/UF, realizada em 14 de fevereiro, manifestou-se totalmente contrária ao aumento da carga horária na modalidade Ensino a Distância (EaD) nos cursos presenciais de Arquitetura e Urbanismo. A medida se contrapõe à Portaria do Ministério da Educação (MEC) nº 2.117, de 6 de dezembro de 2019, que dispõe que as Instituições de Ensino Superior (IES), pertecentes ao Sistema Federal de Ensino, poderão introduzir a oferta de carga horária na modalidade de EaD na organização pedagógica e curricular de seus cursos de graduação presenciais, até o limite de 40% da carga horária total do curso. Anteriormente este índice era de 20%.


 

Para obter mais informações visite caubr.

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13/02/2020

ENTREVISTA DE BEARD À BBC NEWS MUNDO - ENSINAR SERÁ O MAIOR TRABALHO DO SÉCULO
Alejandro Millán Valencia

(Publicado em 14/02/2020)


 

"A criatividade, a capacidade de resolver problemas e a importância dos professores são os grandes desafios das escolas. E tudo isso em meio à grande incógnita de como lidar com novas tecnologias e inteligência artificial", diz Beard em entrevista que concedeu à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, durante o Hay Festival, em Cartagena, na Colômbia. Veja a entrevista


 

Para obter mais informações visite educacao.uol

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15/10/2018

PROFESSOR. É O QUE EU SOU.

(Publicado em 14/10/20120)



Eu decidi que seria professor quando tinha 14 anos. Minha inspiração foi uma professora de matemática, Dona Valburga (Escola Estadual Roberto Machado, Rio do Sul - SC, 1974). Ela dava aula de um jeito tão especial e tinha uma didática tão perfeita que eu decidi que queria ser assim, capaz de ensinar coisas para quem não sabe. Ela não era uma professora boazinha. Não era uma professora super querida. Mas era honesta com os alunos. E sabia ensinar. Isso, para mim, era muito importante.





Doze anos depois (em 1986) me formei engenheiro. Trabalhei no campo, fazendo projetos, acompanhando obras... e, eventualmente, dava palestras e cursos. Não era a minha atividade principal. Mas era, com certeza, o que eu mais gostava de fazer.

Em 1998, por conta de um conjunto de circunstâncias muito positivas, pude passar a me dedicar exclusivamente às palestras e cursos. Mas ainda faltava alguma coisa pra eu ser um "professor de verdade". Quando terminei o mestrado, em 2007 realizei, finalmente, o meu sonho. Ser professor em cursos regulares. Em sala de aula.
Hoje posso dizer que atuo profissionalmente na atividade que me dá o maior prazer: dar aulas.

Quando estou numa sala de aula, diante da turma, sinto-me plenamente realizado. Uma aula boa é, sem dúvida, uma das sensações mais agradáveis da vida. Eu adoro ser professor!

Mas sou professor de adultos. É importante dizer isso, pois eu ainda acho que existe uma categoria de professores num degrau acima (nunca chegarei a tanto): os professores de crianças e adolescentes. Esses sim, são especiais e precisam ter qualidades e habilidades superiores, pois eles, além de saber ensinar, precisam criar nos alunos a vontade de aprender.

Como professor de gente crescida, não tenho essa dificuldade. Quem entra na minha sala de aula (cursos promovidos por entidades de classe ou aulas em cursos de pós-graduação) está ali por vontade própria. Já tem (ou deveria ter) a vontade de aprender. Posso então me dar a certos direitos. Posso me dar ao luxo de apenas ensinar. E sustentar meu trabalho naquelas qualidades que eu admirava na professora Valburga: ser honesto com os meus alunos e saber ensinar.

Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes"

Não sou Educador. Quem tem de ser educador é o pai e a mãe e não o professor. Professor tem de ensinar. Não pode se afastar dessa responsabilidade. Quando minhas filhas eram pequenas eu fui educador. Felizmente deu certo. Elas são muito bem educadas. Quanto aos meus alunos, eu espero que eles já tenham recebido uma boa educação. E, se não receberam, não há mais nada que eu possa fazer.

Também não sou facilitador de nada. Não sou mediador de coisa alguma. E nem sou animador de platéias.

Sou professor. Adoro ser professor. Não tenho medo de ensinar e assumo como minha a responsabilidade de transmitir (e estimular o desejo de obter mais) conhecimento. Não me sinto obrigado a ensinar quem não quer aprender. Não assumo como minha a responsabilidade de fazer com que o indivíduo queira aprender. Isso é problema dele. Mas se ele quiser aprender, aí sim, o problema é meu: tenho a obrigação de ensinar. E de encontrar meios para que ele aprenda.

Tenho a obrigação de dar uma aula agradável, mas não tenho a obrigação de manter os alunos intelectualmente confortáveis. Não tenho medo de dizer as coisas com as quais os alunos não concordam. Não posso chover no molhado. Tenho a obrigação de tirar o aluno do conforto psicológico. Fazê-lo questionar suas crenças estabelecidas. Duvidar do que eu digo, duvidar do que ele próprio pensa, duvidar de tudo.

Quando, em sala de aula, um aluno discorda do que eu estou dizendo, não me sinto desconfortável. Pelo contrário. Isso me desafia. Me dá a oportunidade de mostrar se, afinal, eu sou ou não um bom professor. Melhor ainda se eu percebo interesse verdadeiro do aluno pelo tema. Isso é terreno fértil para o ensino. Cabe a mim ter a habilidade de conduzir os argumentos para transformar o conhecimento do aluno e permitir nele a mudança de paradigmas.

Acredito que um bom professor não é, necessariamente, aquele que sabe muito mais do que o aluno. Mas aquele que consegue entender perfeitamente o que está dificultando o acesso do aluno ao argumento correto. Ou seja, o que é que está cegando o aluno para aquele conhecimento.

Não faço dinâmicas de grupo. Não faço dancinhas, não faço joguinhos, não conto piadas... Não estou na sala de aula para distrair nem para divertir ninguém. Quem quer se divertir deve ir a um teatro, um circo, um show ou a um Estádio. Sala de aula é o lugar de outra coisa. Essas atividades, aliás, na minha opinião, são muito importantes para crianças, adolescentes e adultos sem amadurecimento intelectual.

Não quero perder meu tempo desenvolvendo habilidades de entretenimento enquanto poderia estar desenvolvendo capacidade de argumentação e persuasão. Como Professor não posso ter medo das minhas convicções. Devo surpreender o aluno com conhecimentos novos, aprofundados e com quebra constante de modelos mentais.

Acredito que o aluno espera aprender alguma coisa com o professor. E fico feliz em fazer isso




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PADILHA, Ênio. 2012



Leia também o artigo O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU




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09/06/2017

ARQUITETURA, ENGENHARIA E A EDUCAÇÃO DE BASE NO BRASIL



Você é candidato à presidência do Confea? de algum dos Creas? do CAU no seu estado? do CAU-BR?

Então você deve saber que terá muitas questões importantes que precisa conhecer e para as quais deve ter propostas inteligentes, criativas, eficientes e, acima de tudo, exequíveis: a Engenharia e a Arquitetura públicas, as questões ambientais, as políticas públicas nacionais, as instituições de ensino, as entidades de classe, as relações internacionais... enfim, muitas coisas importantes.

Mas há uma questão que sempre me pareceu central e que nunca foi abraçada devidamente pela nossas categorias: A EDUCAÇÃO DE BASE.




TRÊS MINUTOS - Ano 18 - Número 405 (Ênio Padilha, 09/06/2017)



(Este artigo foi publicado no site www.eniopadilha.com.br em 23/01/2011)



Tanto engenheiros quanto arquitetos vivem num mundo profissional onde impera um paradoxo absurdo: eles são responsáveis pelo planejamento e projeto de obras, instalações e outros produtos que utilizam altos conhecimentos da ciência e da tecnologia. Esses projetos, que exigem tanto conhecimento técnico e científico são, depois, executados (na maioria das vezes) por pessoas funcionalmente analfabetas! Gente sem conhecimentos (rudimentares que sejam) de Matemática, Física, Química, Biologia, Inglês, Informática, Economia, Administração... Como pode? Como faz?

Em nenhuma outra atividade de nível superior, no Brasil, existe uma disparidade dessa natureza. Na área da saúde, por exemplo, os médicos e dentistas comandam equipes de trabalho nas quais os menos qualificados geralmente têm ensino médio completo, no mínimo.

A Construção Civil, por outro lado, abriga ainda um contingente assustador de pessoas sem formação nenhuma. Gente que não sabe extrair uma raiz quadrada, calcular a área de um triângulo, ler um manual de instruções, descrever corretamente um problema...

A essas pessoas são entregues os projetos elaborados pelos Engenheiros e pelos Arquitetos. É nesse tipo de executor que engenheiros e arquitetos depositam (são obrigados a depositar) suas esperanças de ver seus conhecimentos realizados. Não tem perigo de dar certo!

Nós precisamos enfrentar este problema de frente. Se a falta de conhecimento científico da nossa população nos afeta tão profundamente, se o despreparo das pessoas que vão parar na Construção Civil compromete a qualidade dos nossos trabalhos, se muito das nossas soluções de projeto, obtidas como resultado de anos e anos de estudos e pesquisa se perdem na obra porque o executor não sabe ler direito... a solução é arregaçar as mangas e parar de ficar acreditando em Papai Noel. Parar de acreditar que um dia, do nada, o problema vai se resolver como num passe de mágica. Não vai!

O Confea, os Creas, o CAU em cada estado e o CAU-BR precisam abraçar essa causa e tê-la como importante e urgente.

O nosso presente precisa ser influenciado pelo nosso futuro. A engenheira Elaine Marcial nos ensina que "o futuro deixa pegadas no presente". Isso significa que o futuro não é tão incerto, como dizem muitos. E os engenheiros e arquitetos sabem disso, pois vivem de antever e forjar o futuro. O futuro é uma de nossas matérias primas. Nosso objeto de estudo e trabalho. Afinal, o que é um projeto técnico senão uma maneira que o homem inventou para criar as condições para o futuro desejado?

Esse senso e essa habilidade de lidar com o futuro (próprios de arquitetos e de engenheiros) precisam ser utilizados também para abraçar e promover ações efetivas de estímulo e de motivação para a educação de base no país.

O que podemos fazer? Não é pouco! Podemos, por exemplo, criar, em cada município, programas especiais de ensino científico nas escolas, estimulando e promovendo Feiras de Ciências, palestras nas escolas e passeios culturais de caráter científicos.

Podemos patrocinar e promover de forma efetiva as Olimpíada de Matemática, Jogos Científicos e outras atividades que promovam entre os pequenos o gosto pela Matemática, pela Física, pela Quimica... pelas ciências, enfim.

Podemos agir, de forma insistente e determinada, sobre os governos municipais, estaduais e federal, no sentido de investir e valorizar as escolas e professores do ensino fundamental. Não apenas nos discursos. Mas nas práticas e nos aportes de recursos.

Nosso jovem, na faixa de 15, 17 anos, pode até se sentir um pouco constrangido se não conhece os artistas da hora; pode até não se sentir confortável por não entender ou falar Inglês... mas, quando o assunto é Física, Matemática, Química... parece que sente até um certo orgulho de dizer que não entende nada!
Nossa sociedade vê com a maior naturalidade (e indulgência) a ignorância científica e tecnológica. Isso é um absurdo!

Penso que Engenheiros e Arquitetos (e suas instituições representativas) precisam agir EFETIVAMENTE no sentido de acabar com esse estado de coisa. É bom para essa geração de crianças e jovens. É bom para o país. É muito bom para os próprios Engenheiros e Arquitetos que estarão ajudando a construir, de forma indireta, melhores condições para o seu próprio trabalho e maiores possibilidades de verem seus projetos efetivamente realizados no campo, com obras, instalações e outros produtos com toda a qualidade que a ciência e a tecnologia permitiu planejar e projetar.

Quanto a você, colega engenheiro ou arquiteto: antes de escolher seu candidato, veja o que ele tem a dizer sobre Educação de Base no Brasil.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




A imagem que ilustra este artigo (no topo) foi retirada da capa do livro Os desafios de ensino da matemática na educação básica






Artigos e ensaios sobre a Valorização Profissional de Engenheiros e Arquitetos

ÊNIO PADILHA
2ª ed. 2014 (IMPORTANTE: na 1ª edição o título deste livro era LER E ESCREVER)
108 páginas
ISBN: 978-85-62689-53-6 - OitoNoveTrês Editora
Apresentação de Maristela Macedo Poleza (Arquiteta)
Prefácio de Sebastião Lauro Nau (Engenheiro)

Clique AQUI e leia as primeiras páginas do livro

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23/09/2016

INGLÊS PARA INGLES VER

(Publicado em 06/05/2000)



Ouço um ti-ti-ti que dá como certo que a Secretaria de Educação vai tomar uma atitude séria sobre a questão do ensino de inglês nas escolas públicas de Santa Catarina.

É o seguinte: ao terminar o ensino médio o aluno conclui SETE ANOS de aulas de inglês. Sete anos de investimento do dinheiro público em espaço físico, salário de professores, livros didáticos, etc... E, como sabemos, 99 % dos alunos que concluem o ensino médio na rede pública não consegue pedir um copo d’água em inglês. Não consegue ler nem mesmo um anúncio de revista. Muito menos, escrever um pequeno bilhete.

Em resumo, depois de estudar inglês por sete anos, o aluno não sabe absolutamente nada de inglês. Ou seja: sete anos de dinheiro público jogado no lixo. Uma coisa absurda, que nenhum governo sério pode passar por perto sem prestar atenção.

Um absurdo maior ainda quando se sabe que, em algumas escolas particulares de inglês, com apenas duas aulas por semana, a pessoa aprende a falar, ler e escrever, com razoável fluência, em menos de um ano.

Cabeças poderão rolar. Fala-se inclusive em excluir essa disciplina do currículo, caso este quadro não apresente modificações relevantes. Isto significaria demissão de professores, desativação de salas especiais (laboratórios) e estancamento dessa sangria inútil no bolso dos contribuintes.

Eu, sinceramente, não acredito que se chegue a uma solução tão extrema como esta, principalmente levando-se em conta a real importância do conhecimento de Inglês para o sucesso pessoal e profissional do cidadão em um mundo cada vez mais sem fronteiras.

Mas não deixa de ser importante esta discussão. Afinal, como se diz por aí “dinheiro público não cresce em árvores” e não pode ser usado para financiar atividades que não produzem resultados.

Porém, os professores de inglês, com alguma razão, não irão aceitar, sem reação nenhuma, toda a culpa pelo problema. Haverão de apontar outras causas que contribuem para este fracasso.

Não será possível colocá-los contra a parede nem levá-los para a guilhotina, sem lançar olhares e perguntas para os professores de outras matérias como português, matemática, história, biologia, física, química...

E, quando as luzes forem apontadas para essas disciplinas veremos se os alunos, ao final do ensino médio sabem mesmo escrever corretamente, desenvolveram o hábito da leitura, dominam os rudimentos da matemática, conhecem as leis da física e da química...

Talvez os conhecimentos dessas matérias sejam proporcionais ao conhecimento de Inglês. Apenas a coisa não aparece tanto porque é mais fácil mascarar a ignorância desses assuntos.

Ao contrário do inglês, que está presente no dia-a-dia de todas as pessoas (na informática, nas propagandas, nos termos técnicos em geral...), a física, a química, biologia, história, geografia e até mesmo o português não são tão cobrados no dia-a-dia. Não existe, na sociedade, uma expectativa de performance para o jovem que tenha concluído o ensino médio.

Este assunto precisa, sim, ser discutido amplamente por todos nós. Sem desculpas esfarrapadas, sem saídas pela tangente, sem jogar a culpa na outra parte. As partes (alunos, professores, governo, sociedade...) precisam chegar a um acordo e definir qual é a qualificação (e não apenas a habilitação) desejada para o CIDADÃO que sai da escola pela porta da frente, com um certificado de conclusão do ensino médio.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2000 ---Educação

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31/03/2016

COMO ESTIMULAR O ENSINO DE MATEMÁTICA
NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

 

Comentário do Ênio Padilha

Isso aí já é efeito da maior oferta de empregos e oportunidades profissionais para os Engenheiros.
Mas o aumento da procura por cursos de Engenharia (na verdade, cursos da área tecnológica) deveria ser objetivo estratégico do Sistema Confea/Crea

Penso que seria interessante propor seminários em todos os estados para que propostas nesse sentido fossem apresentadas e discutidas.

Evidentemente devem ser consideradas as condicionantes (verbas e outros recursos disponíveis) mas as propostas deveriam começar a ser implementadas IMEDIATAMENTE.

Três propostas eu já apresentei aqui, nas últimas semanas:

(1) Que tal o sistema Confea/Crea patrocinar e promo"ver de forma efetiva as Olimpíadas de Matemática, Jogos Científicos e outras atividades que promovam entre os pequenos o gosto pela Matemática, pela Física, pela Quimica... pelas ciências, enfim?

(2) Que tal criar um prêmio anual para os melhores Professores de Matemática e Física do Ensino Fundamental e Médio?

(3) Que tal um prêmio (e uma medalha) para os alunos com melhores notas em Matemática e Física no ENEM?

Posso estar delirando, mas tenho a impressão de que isto não é tão complicado assim. E teria algum efeito, com certeza!

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15/10/2015

O TIPO DE PROFESSOR QUE EU NÃO SOU

(Publicado em 14/10/2014)



Neste 15 de outubro comemoramos O DIA DO PROFESSOR. Em 2012 eu publiquei AQUI um artigo contando por que me tornei professor e sobre ser professor em cursos de pós graduação.

Neste ano eu gostaria de falar do tipo de professor que eu quero e procuro ser. E, principalmente, do tipo de professor que eu não sou nem quero ser.

Eu NÃO QUERO SER um professor no qual o aluno NÃO POSSA confiar plenamente.
Professor precisa ter credibilidade absoluta. Não é tão difícil. A receita é simples: estudar muito antes de produzir uma aula. Não adianta estudar o bastante para conhecer o conteúdo. Tem de ir além. Precisa identificar o senso comum sobre o que ele ensina porque esse é o ponto de partida da sua aula. O aluno sempre sabe alguma coisa sobre o assunto. Esse conhecimento, muitas vezes, pode ser equivocado. Então, antes de ensinar o seu conteúdo, o professor precisa desconstruir a convicção equivocada que o aluno tem. E está tarefa nem sempre é fácil. O professor precisa ter credibilidade intelectual. Precisa mostrar que conhece bem a literatura e todas as vertentes da discussão. Precisa mostrar que entende de onde vem a noção (eventualmente errada) que o aluno tem.

Eu não sou um professor engraçado. Não tenho esse dom. E admiro, de verdade, os professores que possuem uma veia humorística, que são naturalmente engraçados, que constroem bordões, que produzem gags e que utilizam isso como recurso didático. Acho o máximo.
Mas morro de pena dos professores que são "sem graça" e que forçam a barra tentando ser engraçadinhos. É patético. Eu fujo disso como o Diabo foge da cruz! Sou "sem graça" mas não sou "sem noção".
Procuro compensar a minha falta de graça com alguns recursos de oratória. Um vocabulário rico, uma gesticulação agradável, um discurso ilustrado, exemplos bem construídos...
Não pensem que é fácil. Seria muito mais tranquilo se eu fosse engraçado.

Não sou o tipo de professor que faz colagem (sem citar as fontes) de conteúdos de cursos ou palestras que tenha assistido. E vende o produto resultante como se fosse criação sua. Isso é muito triste.
Nem sempre é preciso reinventar a roda. Se uma determinada questão já foi muito bem explicada por alguém, o que é que custa usar a mesma abordagem, a mesma explicação, e dar o crédito ao autor, professor ou palestrante? Eu faço isso o tempo todo. Nas minhas aulas sempre tem um flip chart que fica num canto da sala. Cada vez que eu utilizo uma explicação tirada de algum autor ou de um outro colega professor ou palestrante o nome dele vai para o quadro. Assim, no final da aula, os alunos sabem que o conhecimento que receberam não veio só de mim (da minha cabeça) mas também de todos aqueles quer estão naquela lista.

Não sou o tipo de professor preguiçoso, que usa imagens capturadas da internet, piadinhas tiradas de blogs humorísticos ou de autoajuda e vídeos do YouTube (geralmente filmes de propaganda de alguma organização ou produto).
Tento produzir as minhas próprias imagens, meus próprios diagramas e infográficos. E os vídeos que eu utilizo nas minhas aulas são todos produzidos por mim.
Podem não ser grande coisa (os meus vídeos e os meus infográficos). Mas aí faço minhas as palavras do poeta francês Edmond Rostand que, na pele do personagem Cyrano de Bergerac diz, a certa altura, "seja do teu pomar, teu próprio, o que tu colhas. Embora fruto, flor ou, simplesmente, folhas"

Os professores que utilizam está prática preguiçosa de copiar tudo da internet apostam na ignorância dos alunos. Eles sabem que mais de metade da turma nunca viu aquilo antes. Nivelam por baixo a qualidade de suas aulas. Eu, pelo contrário, procuro dar aula no nível do aluno mais culto e preparado da sala. Se eu utilizasse uma dessas coisas e um único aluno reconhecesse que aquilo não era original, eu não me sentiria confortável como professor.

Não sou o tipo de professor que divide o conteúdo em trabalhos de grupos e depois os grupos apresentam os conteúdos em seminários. Acho que essa prática até pode funcionar em cursos de graduação, onde o número de horas aula é maior para cada disciplina. Em cursos de pós graduação, com conteúdos enormes espremidos em cargas horárias reduzidas, esse artifício geralmente penaliza os alunos, que pagam para ter aula com um professor e acabam fazendo todo o trabalho e recebendo aula dos seus colegas. Na maioria das vezes essas "aulas" (dadas pelos próprios alunos) são muito ruins. E seria muito estranho se não fossem.

Por fim, não sou o tipo de professor que faz Dinâmicas de Grupo. Considero esse recurso didático desnecessário para públicos intelectualmente maduros. Dinâmicas de grupo são essenciais no ensino fundamental. São interessantes no ensino médio. Aceitáveis na graduação... Mas em cursos de pós graduação (especialmente em turmas de arquitetos, engenheiros e designers) é o fim da picada! Geralmente é um desperdício de tempo, pois serve apenas para fixar algum conceito.
Pessoas intelectualmente maduras (gente que já consegue ler livros sem figurinhas) conseguem entender um conceito se ele for bem explicado e tiver um bom exemplo ou ilustração. Eu não faço dinâmicas de grupo principalmente porque respeito a inteligência dos meus alunos.

Conclusão:
Acredito no magistério. Acredito em ser professor. Acredito que isto me torna útil para as pessoas em particular e para a sociedade em geral. Tenho orgulho de ser professor. Não preciso de títulos mais "politicamente corretos" ou "marketeiramente estimulantes". Portanto, não sou Educador, não sou Facilitador de coisa alguma e nem sou animador de plateia. Sou, simplesmente, professor.

E tenho orgulho de ser professor. De poder ensinar o que aprendi. E de aprender mais enquanto ensino.
Só isso.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



Leia também o artigo PROFESSOR. É O QUE EU SOU



---Artigo2014 ---Educação


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